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Abrapa quer dobrar participação de mercado do algodão brasileiro na Índia

10 de Setembro de 2020

Primeiro maior produtor mundial de algodão, terceiro em volume de exportações e sétimo maior importador global da pluma, a Índia é um dos mercados que estão no radar da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em termos de possibilidade de expansão da presença do produto nacional. A meta da entidade é, ainda neste ano comercial, dobrar o market share naquele país, que, hoje, é de 6%. Como parte da estratégia para isso, a Abrapa realizou na manhã desta quinta-feira (10) uma reunião com o corpo diplomático no Brasil em Nova Délhi, junto com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea).



O encontro contou com a presença do embaixador no Brasil na Índia, André Correa do Lago, e do adido agrícola Dalci Bagolin, dentre outros, e é parte das ações do projeto Cotton Brazil, empreendido pela Abrapa e Governo Federal (Apex-Brasil /MRE), com participação da Anea, que, dentre diversas iniciativas, contempla o primeiro escritório de representação do algodão brasileiro na Ásia, aberto na cidade de Singapura.



De acordo com o presidente da Abrapa, Milton Garbugio, a reunião foi a primeira de uma série que está sendo agendada com os representantes diplomáticos do do Brasil nos países-chave para as exportações da pluma nacional. "Queremos mostrar as etapas do projeto Cotton Brazil e alinhar nossas ações para que esta iniciativa seja bem-sucedida. Temos tudo para isso, qualidade, volume de produção, constância no fornecimento e certificação de sustentabilidade fardo a fardo. Precisamos mostrar isso para o mundo para ganhar mercado", afirmou Garbugio.  O projeto Cotton Brazil, de promoção da fibra brasileira no mercado Asiático, tem como meta tornar o país o primeiro do ranking global de exportações em 2030. Hoje o Brasil ocupa o segundo lugar, precedido pelos Estados Unidos.



Para o diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, o fato de a Índia ser atualmente uma praça pouco representativa nas exportações brasileiras de algodão cria grandes oportunidades. "Temos alguns desafios. O primeiro, que já está sendo superado, é a sazonalidade. Tradicionalmente, o pico das exportações indianas coincide com o topo do período de embarques do Brasil. Agora, com a safra aqui em torno de três milhões de toneladas, estamos exportando o ano inteiro. Ou seja, somos fornecedores de doze meses", explicou.



Outra questão que está sendo trabalhada através do projeto Cotton Brazil é a qualidade percebida do algodão Brasileiro. "Embora, tecnicamente, em termos de características intrínsecas, quase não existem diferenças entre o algodão americano e o brasileiro, há uma grande distorção de imagem. Isso só se modifica com um trabalho de promoção arrojado", afirmou Duarte.



Belíssimo desafio



O espaço para crescimento de consumo da fibra nacional foi confirmado pelo embaixador do Brasil na Índia, André Correa do Lago. Segundo ele, apesar da grande queda no PIB do país no último trimestre – em função da Covid-19 –, em médio prazo, a população indiana, a segunda maior do planeta, vai precisar comprar. "Acredito que se a Índia avançar como pretende, tendo o algodão como primeira necessidade, e o mercado indiano aumentar de maneira brutal, sem a possibilidade de incremento de produção de forma proporcional a esse consumo, abre-se um espaço extraordinário de mercado para o Brasil. Será um belíssimo desafio e estamos com toda a equipe aqui à disposição", disse.



Dalci Bagolin, adido agrícola na Índia, ressaltou as especificidades do país, que precisam ser observadas nas relações comerciais, mas acredita que há boas oportunidades. "A Índia consegue abastecer o mercado interno em várias culturas, mas tem dificuldade muito grande em aumentar a produção de algodão. Por outro lado, é altamente protecionista e quer produzir roupas com autossuficiência em seu território. Existe também um grande número de pequenos produtores que dependem da cultura", ponderou. Tanto Bagolin quando o embaixador, se referiram às baixas produtividades e qualidade técnica indiana no cultivo da commodity.



Dentre os participantes da reunião, estavam o ex-presidente da Abrapa, Arlindo Moura, o presidente da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa), Carlos Moresco, o presidente da Anea, Henrique Snitcovski, o coordenador de agronegócios da Apex-Brasil, Alberto Carlos Bicca, e o coordenador de Promoção de Imagem e Cultura exportadora do Ministério da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento, Aurélio Rocha.

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Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa com as principais notícias do mundo do algodão

04 de Setembro de 2020

ALGODÃO PELO MUNDO #34


Algodão em NY - Esta semana o mercado oscilou acima e abaixo da marca dos 65 c/lp.  O contrato dez/20 chegou a bater a marca de 66,44 no início da semana, mas acabou fechando ontem a 64,28 c/lp, com baixa de 1,7% nos últimos 7 dias.


Altistas  - O clima no mercado foi de mais otimismo em relação ao comércio bilateral EUA-China esta semana. Na última, os dois lados se encontraram por teleconferência e deram à Fase 1 do acordo uma "nota de aprovação".  Assim, apesar das enormes tensões em diversas áreas entre os dois gigantes, o cumprimento dos termos do acordo parece ser interessante para ambos os países, por razões diferentes.


Altistas 2 - O mercado de algodão também reagiu positivamente no início deste mês após o USDA mostrar que as condições das lavouras de algodão do país estão um pouco piores.  Na média, o índice de lavouras em condições boas e excelentes caiu de 46% para 44% na última semana.


Baixistas - O maior fator de baixa esta semana foi o a queda no índice Dow Jones. O índice chegou a cair mais de 800 pontos em uma hora nesta quinta-feira.  A queda teve origem em uma suposta afirmação do Dr. Anthony Fauci (principal cientista dos EUA no combate ao coronavírus).   Ele teria dito que uma vacina contra COVID-19 em novembro era improvável, contrariando uma afirmação do presidente Trump esta semana.  O Dow caiu e o dólar subiu, o que acabou puxando para baixo o mercado de algodão.


Oferta e Demanda - O ICAC aumentou suas previsões de produção mundial 20/21 em 280 mil toneladas, para 25,1 milhões (USDA em 25,6). Por outro lado, a entidade estimou também um aumento no consumo global da fibra em 490 mil ton para 24,3 milhões (USDA em 24,6) e comércio internacional de algodão em 9,3 milhões de tons (USDA em 9,1).  Mesmo assim, os estoques mundiais seguem altos, estimados em 22,7 milhões (USDA em 22,8), com a relação estoque-uso global de 93%.


Oferta e Demanda 2 - Especulações em torno do relatório mensal de oferta e demanda do USDA (chamado de WASDE), que será divulgado na próxima sexta-feira (11/9) serão um dos focos na próxima semana.


Sustentabilidade - O salto de eficiência do algodão do Brasil e a parceria de sucesso entre a Abrapa e a Better Cotton Initiative (BCI) mereceram destaque no webinar promovido pela BCI, nesta quarta-feira (02/09).  Hoje o Brasil é o líder global em fibra sustentável, chancelada pela BCI, com participação de 36% no montante licenciado em todo o mundo em 2019.  Dos 2,9 milhões de toneladas de algodão que o Brasil produz 75% têm certificação internacional BCI.


India - Lideranças políticas e da cadeia de algodão indiana têm subido o tom contra o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).  A Associação de Algodão da Índia (CAI), diz que a estimativa de estoques da Índia feita pelo órgão americano é excessivamente baixista.  Segundo estimativa do USDA, em agosto, os estoques de algodão da Índia alcançaram 4,18 milhões de toneladas.  No entanto, a entidade indiana recentemente estimou os estoques do país em apenas 2,44 milhões de toneladas.


China - A China Cotton Association anunciou esta semana novas projeções para 2020/21. A entidade projeta uma safra maior: 5,92 milhões de tons (USDA em 5,77).  A CCA também estimou uma retomada no consumo, com números de 7,65 milhões de tons (USDA em 7,95), mas um pequeno aumento nas importações: 1,58 milhões de tons (USDA em 1,96).


Bangladesh - O governo de Bangladesh noticiou um aumento de cerca de 51% nas exportações de confecções nos primeiros 19 dias de agosto em comparação com o ano passado. De acordo com empresários locais o aumento, após a enorme crise deste ano, deve-se à reversão de pedidos que haviam sido cancelados e retomada de pedidos principalmente do mercado Europeu.


Colheita - A Abrapa informou o progresso da colheita da safra 2019/20 de algodão no Brasil até ontem: Mato Grosso: 99%; Bahia: 87%; Goiás: 95%; Minas Gerais: 80%; Mato Grosso do Sul: 99%; Maranhão: 95%; Piauí: 98%; São Paulo: 100%; Tocantins: 87% e Paraná: 100%. Média Brasil: 96% colhido


Beneficiamento - A Abrapa informou o progresso do beneficiamento da safra 2019/20 de algodão no Brasil até ontem: Mato Grosso: 28%; Bahia: 46%; Goiás: 43%; Minas Gerais: 45%; Mato Grosso do Sul: 69%; Maranhão: 35%; Piauí: 50%; São Paulo: 96%; Tocantins: 46% e Paraná: 100%. Média Brasil: 34% beneficiado.


Exportações - As exportações brasileiras de algodão em pluma totalizaram 109 mil ton em agosto.  Este número é animador para o início das exportações do ano comercial 20/21 (safra 19/21), visto que o número é mais que o dobro do número de ago/19, ano de exportações recordes.


Preços - A tabela abaixo ⬇ mostra os últimos movimentos de preços, índices e câmbio que impactam o mercado de algodão.


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Algodão brasileiro em destaque em webinar internacional

03 de Setembro de 2020

O salto de produtividade do algodão do Brasil e a parceria de sucesso do benchmark entre a Associação Brasileira dos Produtores dos Produtores de Algodão (Abrapa) e a Better Cotton Initiative (BCI) mereceram destaque no webinar promovido pela BCI, nesta quarta-feira (02/09). O evento teve como convidados o diretor executivo do International Cotton Advisory Committee (ICAC), Kai Hughes, e o diretor de relações internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, com participação do CEO da BCI, Alan McClay e mediação do executivo da mesma entidade, Darren Abney.



BCI Member Cotton Outlook foi o primeiro de uma série de três eventos online, que serão realizados pela ONG suíça, neste mês de setembro. Os convidados analisaram o mercado de algodão sob o impacto da Covid 19, e as perspectivas para 2021, tanto no nível da produção, quanto do consumo, na indústria e na ponta da cadeia de valor. A Abrapa apresentou as medidas que vêm sendo tomadas pela associação nacional e as dez filiadas estaduais, junto aos produtores de algodão, para garantir a saúde e segurança dos envolvidos na produção da fibra e para a redução de custos operacionais nas fazendas.



"Eu devo dizer que a Abrapa é uma organização com a qual a BCI tem muito orgulho de trabalhar, como parceiros de benchmark no Brasil", enalteceu o CEO da BCI em sua fala de abertura, referindo-se à parceria que as duas entidades mantêm, desde 2013 no Brasil, quando foram unificados os protocolos de certificação do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) com o da BCI. Hoje, de acordo com a entidade internacional, o país é o líder global em fibra sustentável de origem, chancelada pela BCI, com participação de 36% no montante licenciado em todo o mundo em 2019. "Dos 2,9 milhões de toneladas de algodão que o Brasil produz, 2,2 milhões de toneladas são licenciados pela BCI. Em 2020, a expectativa de licenciamento é em torno de 75% da pluma nacional", explicou Marcelo Duarte. Atualmente, a BCI chancela 22% de todo o algodão produzido no mundo.



Em sua análise sobre os números da produção, demanda, estoques e preços globais, o diretor executivo do ICAC, Kai Hughes, destacou o salto em produtividade que o Brasil alcançou nos últimos anos.  "Em 2019/2020, o Brasil aumentou sua produção em 5,4%, passando para 2,9 milhões de toneladas. É a maior produção de todos os tempos no país. Este incremento é explicado, majoritariamente, pelo crescimento de área e de rendimento de pluma. A média brasileira de produtividade alcançou um novo recorde, de 1753 kg por hectares em 2019/2020. Isso representa 1,6 vezes mais do que conseguiam duas décadas atrás. Que progresso o Brasil fez", considerou Hughes.



Segundo o ICAC, a produção global de algodão em 2019/2020 foi de 26,2 milhões de toneladas, 1,8% a mais que na safra anterior, o que faz dela a segunda maior produção dos últimos cinco anos.  A Índia foi a maior produtora, com 6,2 milhões de toneladas, seguida pela China, USA, Brasil e Paquistão. "A produção de algodão na China diminuiu por conta de baixo rendimento e da menor área plantada. Já nos Estados Unidos, a produção cresceu cerca de 8%, passando para 4,3 milhões de toneladas, em razão de aumento na área, que chegou a 4,7 milhões de hectares", explicou. A projeção do ICAC para 2021 é de 25,1 milhões de toneladas, 4,2% menos que no ciclo que o precedeu, por conta dos preços internacionais mais baixos do algodão, que estão determinando uma diminuição de área nos maiores países produtores da fibra.



Ainda de acordo com o comitê internacional, o consumo mundial em 2019/2020 deverá ser de 22,7 milhões de toneladas; 12,7% a menos do que em 2018/2019. "Essa queda sem precedentes foi efeito da pandemia e das medidas de lockdown implementadas no mundo para conter o coronavírus", disse Hughes. Segundo ele, nas duas últimas décadas, o algodão passou por três choques negativos, sendo o último, o que iniciou em 2019, por conta da pandemia. "Em 2008/2009, foi a crise financeira, que culminou numa grande recessão global; em 2010/2011, tivemos um período de alta especulação, preços e volatilidade altos. Acreditamos numa recuperação do consumo em 2021, de cerca de 7,2%, a depender do crescimento econômico e da demanda na ponta, passando para 24,3 milhões de toneladas", antecipou.



A última previsão do ICAC indica um aumento nos estoques finais, em 2021, de 3% sobre 2019/2020, que já foram 17% maiores que o do ciclo anterior. "Portanto, os estoques finais seriam de 22,7 milhões de toneladas. Se eles aumentam, os preços internacionais do algodão tendem a decrescer", ponderou. A pressão nos preços também se deverá à baixa demanda por fibras têxteis pelas marcas e varejistas. Hughes abordou ainda impacto da pandemia na prioridade que os consumidores estão dando a outros tipos de bens, na hora das compras, em detrimento do vestuário.



Algodão brasileiro x Covid



Marcelo Duarte, diretor de relações internacionais da Abrapa, apresentou as linhas-mestras das ações estratégicas empreendidas pela associação e suas estaduais para garantir a saúde, a segurança e a plena operação nas fazendas produtoras da fibra no Brasil. "Sabíamos quando a situação teve início, mas não podemos afirmar quando terminará. Nos preparamos para encarar uma conjuntura singular. A primeira coisa foi priorizar a saúde e segurança dos produtores e trabalhadores. As estaduais acompanharam muito de perto, certificando-se de que as fazendas estavam livres do problema e tomando todas as medidas necessárias", disse Duarte.



A meta, segundo ele, era reduzir riscos e custos de produção. "Os produtores brasileiros trabalham amplamente com contratos futuros. Quando o cotonicultor planta, normalmente ele já vendeu 60% da sua safra futura. É uma grande responsabilidade", mencionou. Dentre os pontos, ele destacou o investimento intensivo em tecnologia para aumentar a produtividade, e em controle biológico, incrementando a sustentabilidade e reduzindo custos de produção. O foco em qualidade e sustentabilidade também foi decisivo.



Duarte enfatizou o esforço dos produtores, via Abrapa e outros agentes, como os exportadores, para aumentar a eficiência da cadeia. "Tivemos de escoar uma safra recorde. Em alguns dos últimos meses, embarcamos mais de 300 mil toneladas de fibra, o que achávamos que não seria possível, mas foi. Melhoramos nossa logística, um problema que costumava ser muito grande para o agro brasileiro, e estamos evoluindo na solução dos gargalos", concluiu Marcelo Duarte, que também fez um panorama sobre a cotonicultura no Brasil e a atuação da Abrapa.



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Cotonicultura brasileira deve alcançar novos recordes em sustentabilidade na safra 2019/2020

03 de Setembro de 2020

O Brasil ainda não terminou de beneficiar os cerca de três milhões de toneladas de pluma da safra 2019/2020 – em fase final de colheita – e um novo recorde já se anuncia: em sustentabilidade. O programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e suas associadas, juntamente com a Better Cotton Initiative (BCI), certificou 1,25 milhão de hectares de lavouras, em oito estados produtores, com previsão de produção de 2,24 milhões de toneladas de pluma, 8% a mais que o registrado no ciclo passado. A expectativa da Abrapa é de que os números não apenas se confirmem como superem o previsto. Caso isso aconteça, 77% de toda a produção nacional de algodão será certificada com os melhores padrões sociais, ambientais e econômicos, preconizados pelos dois programas.



Em julho, a ONG suíça BCI, referência mundial em licenciamento de pluma sustentável, divulgou em seu relatório que o Brasil foi responsável por 36% de toda a pluma chancelada pela entidade ao redor do planeta, na safra 2018/2019. Em segundo lugar, veio o Paquistão, com 16,1% do volume mundial, e, em terceiro, a China, com 15,9% da participação no mercado global. Os Estados Unidos, principal concorrente do Brasil em exportação de algodão, são o sexto colocado, com pouco mais de 300 mil toneladas de pluma licenciada BCI, o correspondente a 5,5% do montante de algodão licenciado pela ONG.



Altamente usuária de tecnologias modernas em todas as fases – da produção ao beneficiamento –, e, portanto, com menor impacto ambiental no processo produtivo, a cotonicultura brasileira tem ainda outra vantagem que a coloca na liderança da produção sustentável. Somente 8% da área plantada com algodão no país dependem de irrigação.



"Os outros 92% recebem apenas água da chuva durante todo o ciclo. Além disso, somos campeões mundiais de produtividade sem irrigação, com média de 1.795 quilos por hectare. Isso faz do nosso algodão não apenas mais sustentável, como também aumenta a nossa competitividade", explica o presidente da Abrapa, Milton Garbugio. Ainda na comparação com os Estados Unidos, a média brasileira em produtividade sem irrigação supera em 94% a dos americanos", diz


 


Protocolos referenciados



O programa ABR e a BCI atuam no Brasil em benchmark, desde 2013, quando Abrapa e a entidade internacional unificaram os protocolos das duas iniciativas. A certificação brasileira, baseada nas legislações ambiental e trabalhista do país, consideradas das mais completas e complexas do mundo, traz 178 itens dos principais requisitos da legislação nacional e internacional, divididos em oito critérios: contrato de trabalho; proibição do trabalho infantil; proibição de trabalho escravo ou em condições degradantes ou indignas; liberdade de associação sindical; proibição de discriminação de pessoas; segurança; saúde ocupacional e meio ambiente do trabalho; desempenho ambiental e boas práticas agrícolas.



Já para receber a chancela da BCI, o produtor tem de cumprir apenas 25 itens, já contemplados no ABR. "Apesar da diferença na exigência dos programas, a BCI é sinônimo de algodão sustentável no mundo, e ser campeão mundial no fornecimento de fibra sustentável tem um grande peso para nós", afirma Garbugio, lembrando que o conselho de administração da BCI é  formado por algumas das principais marcas varejistas internacionais, como Nike, Adidas, Levis, Ralph Lauren, H&M, dentre outras.

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Mato Grosso do Sul terá primeira algodoeira certificada pelo ABR-UBA

02 de Setembro de 2020

A primeira algodoeira do Brasil já foi auditada no Mato Grosso do Sul dentro do Programa Algodão Brasileiro Responsável para as Unidades de Beneficiamento de Algodão (ABR-UBA) da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa). Após o resultado final, a ser divulgado em algumas semanas, toda a cadeia produtiva da fibra na UBA do Grupo JCN, primeira algodoeira do país a ter certificação ABR-UBA, terá rastreabilidade em todas as etapas da produção. Os próximos estados a terem unidades de beneficiamento auditadas serão Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Bahia e Maranhão.



Baseado no conceito da sustentabilidade, em seus pilares ambiental, social e econômico, o ABR-UBA estabelece parâmetros a serem cumpridos e auditados para a certificação das algodoeiras. "Temos muito para comemorar porque, mesmo diante de um cenário desafiador, conseguimos ir a campo, tomando todos os cuidados e precauções, para implantar um programa de certificação com o reconhecimento e o rigor exigidos pelos mercados interno e externo", enfatiza o Presidente da Abrapa, Milton Garbugio. O ABR-UBA é uma evolução do programa Algodão Brasileiro Responsável que certificava apenas as propriedades rurais. As unidades de beneficiamento eram o único elo da cadeia produtiva do algodão que ainda precisava de uma certificação.



"A partir do resultado positivo desta auditoria, futuramente poderemos acompanhar passo a passo todo o processo produtivo de uma roupa feita de algodão e com todas as etapas devidamente certificadas", comemora Garbugio. Assim como o ABR para fazendas, o ABR-UBA passa pelos critérios e acompanhamento das equipes das associações estaduais filiadas à Abrapa, responsáveis por gerir o programa regionalmente, e de auditorias de terceira parte, reconhecidas internacionalmente.



Para o Grupo JCN, a auditoria realizada na tarde de ontem (01) é sinônimo de conquista. O trabalho para alcançar a certificação começou há cinco anos e, ao longo desse tempo, a empresa foi se adequando às exigências para atender ao mercado nacional e internacional. "Nossas fazendas já são certificadas há quatro safras e tudo tem sido feito para nos enquadrarmos nas novas tendências de sustentabilidade. Temos certeza de que passamos pelo crivo dos auditores e alcançamos os percentuais satisfatórios em cada requisito a que fomos submetidos. Para cada coordenador que acompanhou as etapas, esta é uma vitória quase que pessoal", celebra o Gerente de Recursos Humanos do Grupo JCN,  Alexandre Gonçalves Cassiano, explicando que a empresa foi auditada em mais de 150 itens, desde os administrativos, técnicos, estruturais, legislativos, ambientais até a saúde do trabalhador.



O rigor na auditoria também chegou ao campo e quem acompanhou todo o processo, desde o início, foi o Coordenador de Segurança do Trabalho, Marcelo Florentino Costa. "Para nós, é um trabalho gratificante, porque comprova que a propriedade está consolidando os pilares da sustentabilidade, produzindo um algodão de qualidade e obtendo excelência na produção", comentou Costa, reafirmando que o Grupo JCN sempre procurou atender a todas as exigências do mercado, desde o plantio até a exportação. "Agora, com nosso produto a um passo de ter a certificação ABR-UBA, vamos agregar valor ao algodão para ampliar nossas fronteiras", avaliou.



Como funciona o ABR-UBA



Para criar o ABR-UBA, a Abrapa utilizou a expertise adquirida com o Programa Algodão Brasileiro Responsável, que, desde 2012, vem ajudando a tornar o Brasil o campeão global de fibra sustentável, licenciada pela entidade de referência internacional no assunto, a ONG suíça Better Cotton Initiative (BCI). Os dois programas unificaram seus protocolos no país em 2013.



A estrutura do programa para as Unidades de Beneficiamento de Algodão (UBA) segue o mesmo arcabouço do ABR para as propriedades rurais, porém, adaptado à natureza da atividade industrial. Com base nos três pilares da sustentabilidade, (ambiental, social e econômico), o ABR-UBA é sustentado por oito critérios de avaliação: contrato de trabalho; proibição do trabalho infantil; proibição de trabalho análogo a escravo ou em condições degradantes ou indignas; liberdade de associação sindical; proibição de discriminação de pessoas; segurança, saúde ocupacional, e meio ambiente do trabalho; desempenho ambiental e boas práticas, em 170 itens de verificação e certificação.


As auditorias foram realizadas pela certificadora ABNT, uma das principais em

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Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa com as principais notícias do mundo do algodão

28 de Agosto de 2020

ALGODÃO PELO MUNDO #33


Algodão em NY - Mercado totalmente focado no clima dos EUA esta semana.  Além da tempestade tropical Marco e do furacão Laura que já atingiram o país, há uma nova tempestade em formação na Costa Atlântica.  O contrato dez/20 fechou ontem a 65,37 c/lp, com alta de 1,3% nos últimos 7 dias.



Altistas 1 - Os mercados se animaram depois que o Federal Reserve revelou uma grande mudança de política. O movimento indica que as taxas de juros provavelmente ficarão próximas de zero por um longo período de tempo.  Isso é muito positivo para commodities de uma forma geral.



Altistas 2 - China e EUA retomaram as negociações comerciais na terça-feira.  Em um comunicado, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA disse que ambos os lados fizeram "progresso e estão empenhados em tomar as medidas necessárias para garantir o sucesso da fase um do acordo comercial.



Baixistas - Ao contrário de algumas previsões, o setor agrícola dos EUA foi poupado pelas duas tempestades que atingiram a costa do Golfo do México esta semana.  O  furacão Laura, o mais temido, desviou para oeste dos terminais de exportação de grãos de New Orleans e também passou fora das lavouras de algodão e açúcar da região.  Com mais de 50% de índice de abertura de capulhos na região do Delta, um furacão poderia ser sido trágico caso atingisse a região das lavouras.



Furacão Laura - O furacão Laura atingiu o estado da Louisiana com muita força na madrugada desta quinta-feira, como categoria 4 com ventos de 240 km/h. Entretanto, a tempestade enfraqueceu rapidamente para categoria 1 e depois uma tempestade tropical à tarde.



Marco - Marco foi rebaixado para uma depressão tropical na noite de segunda-feira pouco antes de chegar à costa, por volta das 18hs, perto da foz do rio Mississippi, causando danos muito limitados no país.



China - As importações de algodão da China em julho totalizaram 148 mil toneladas, aumentando 64% em relação a junho, mas diminuindo 9,4% em relação a julho último. Os EUA responderam por 66% deste volume. No acumulado do ano comercial (Ago/19 a Jul/20), o Brasil e os EUA responderam cada um por 38% do total de 1,5 milhão de toneladas importadas pelo gigante asiático.



Índia  – As monções (fenômeno climático que provoca fortes chuvas) no maior produtor mundial têm sido boas e devem ajudar a produtividade.



Paquistão - Por outro lado, no 5° maior produtor do mundo, inundações na província de Sind prejudicam as lavouras de algodão por lá.  O país é o 4° maior destino das exportações brasileiras de algodão.



EUA - Segunda-feira o USDA informou as condições da safra de 2020 e os dados mostraram melhoria. A safra de 2020 foi classificada 46% como boa/excelente, acima dos 45% da semana passada. O Texas, maior produtor do país, está com 29% bom/ excelente em comparação com 27% da semana passada.



Colheita - A Abrapa informou o progresso da colheita da safra 2019/20 de algodão no Brasil até ontem: Mato Grosso: 94%; Bahia: 73%; Goiás: 89%; Minas Gerais: 75%; Mato Grosso do Sul: 99%; Maranhão: 85%; Piauí: 97%; São Paulo: 97%; Tocantins: 73% e Paraná: 100%. Média Brasil: 89% colhido.



Beneficiamento - A Abrapa informou o progresso do beneficiamento da safra 2019/20 de algodão no Brasil até ontem: Mato Grosso: 24%; Bahia: 22%; Goiás: 27%; Minas Gerais: 40%; Mato Grosso do Sul: 30%; Maranhão: 30%; Piauí: 35%; São Paulo: 97%; Tocantins: 22% e Paraná: 100%. Média Brasil: 25% beneficiado.



Safra 20/21 - O plantio de algodão no Brasil deve cair 10,5% em 2020/2021, para 1,5 milhão de hectares, segundo previsão divulgada esta semana pela Conab. Com isso, o órgão estima uma safra de 2,6 milhões de toneladas nesta nova temporada, queda de 10,4% ante o ciclo anterior.



Exportações - As exportações brasileiras de algodão em pluma totalizaram 26,9 mil toneladas na terceira semana de agosto.  No total das três semanas, foram exportadas 75,2 mil toneladas, mais que o recorde para o mês de agosto inteiro: 45,3 mil toneladas em 2019.



Preços - A tabela abaixo ⬇ mostra os últimos movimentos de preços, índices e câmbio que impactam o mercado de algodão.


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Abrapa apresenta modelo de certificação do algodão brasileiro em lançamento do Núcleo de Sustentabilidade e Economia Circular do SENAI/ CETIQT/NuSEC

27 de Agosto de 2020

​Líder global no fornecimento de algodão sustentável, com 36% de participação no montante licenciado pela ONG suíça Better Cotton Initiative (BCI), na safra 2018/2019; detentor do título de campeão mundial em produtividade nas lavouras, dentre os países que não usam irrigação na cotonicultura, e usuário, em quase sua totalidade, apenas da água da chuva para a produção, o Brasil é um caso de sucesso que chama atenção do mercado, tanto interno, quanto externo. Para mostrar o que foi preciso fazer para alcançar este status e os novos passos do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) participou, nesta quarta-feira (26), do lançamento do Núcleo de Sustentabilidade e Economia Circular do SENAI/CETIQT/NuSEC.



"Esta iniciativa se reveste de uma enorme importância em função da questão estratégica da economia circular para o desenvolvimento do nosso setor, não apenas no atendimento da demanda local, mas também para o cenário mundial", destacou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e da Confecção (Abit), Fernando Pimentel.



Na ocasião, a Abrapa apresentou, para um público formado por representantes da indústria têxtil e de confecção, da moda e empresas ligadas à inovação, o pilar da sustentabilidade, um dos quatro fundamentos da associação (junto com qualidade, rastreabilidade e promoção).E, no viés da sustentabilidade, a sua mais nova iniciativa, o programa ABR–UBA. Trata-se do braço do já consolidado programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que passa a certificar não mais apenas as fazendas, mas também as Unidades de Beneficiamento de Algodão (UBA), também conhecidas como "algodoeiras".



"Este era o elo que faltava para tornarmos potencialmente rastreável toda a cadeia produtiva da fibra no Brasil. Poderemos acompanhar passo a passo o tempo de vida de uma roupa feita de algodão, desde a matéria prima até a prateleira. Contudo, isso não depende apenas da vontade dos produtores. Todas as etapas produtivas devem se engajar neste propósito", afirmou o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, que representou a entidade na ocasião.



De acordo com Portocarrero, com o ABR-UBA, já é possível assumir, que "da lavoura ao beneficiamento, o algodão brasileiro tem um programa de certificação, reconhecido pelo rigor e idoneidade, e que se respalda nas legislações Trabalhista e Ambiental do Brasil, das mais completas, complexas e avançadas do mundo".



O ABR-UBA é uma evolução do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que se restringia à certificação das propriedades rurais. As "algodoeiras" – a primeira das etapas industriais pelas quais passa a matéria-prima até chegar ao consumidor final – eram o único elo da cadeia produtiva no Brasil que ainda carecia de uma certificação. Baseado no conceito da sustentabilidade, em seus pilares ambiental, social e econômico, o ABR-UBA estabelece parâmetros a serem cumpridos, que serão auditados para a certificação.



Para criar o ABR-UBA, a Abrapa utilizou a expertise adquirida com o Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que, desde 2012, vem ajudando a tornar o Brasil o campeão global de fibra sustentável, licenciada pela entidade de referência internacional no assunto, a ONG suíça Better Cotton Initiative (BCI). Os dois programas unificaram seus protocolos no país em 2013.



Como funciona o ABR-UBA



A estrutura do programa para a Unidades de Beneficiamento de Algodão (UBA) segue o mesmo arcabouço do ABR para as propriedades rurais, porém, adaptado à natureza da atividade industrial. Com base nos três pilares da sustentabilidade, (ambiental, social e econômico), o ABR-UBA é sustentado por oito critérios de avaliação: contrato de trabalho; proibição do trabalho infantil; proibição de trabalho análogo a escravo ou em condições degradantes ou indignas; liberdade de associação sindical; proibição de discriminação de pessoas; segurança, saúde ocupacional, e meio ambiente do trabalho; desempenho ambiental e boas práticas, e 170 itens de verificação e certificação.



Assim como o ABR para fazendas, o ABR-UBA passará pelo crivo e acompanhamento das equipes das associações estaduais filiadas à Abrapa, responsáveis por gerir o programa regionalmente, e de auditorias de terceira parte, reconhecidas internacionalmente.



Safra piloto


 


Na primeira safra de implantação do ABR–UBA, a expectativa é certificar 11% das usinas de beneficiamento ativas no Brasil na safra 2019/2020, 29 ao todo, uma vez que o país conta, no ciclo em questão, com 266 UBAs em atividade.



Sustentável e competitivo



Segundo explicou Marcio Portocarrero, a sustentabilidade, uma das principais linhas-mestras de atuação da Abrapa, é um conceito que se fundamenta em três pilares: social, ambiental e econômico. "Quando escolhemos esse caminho, entendemos que a nossa produção não pode ser pensada como algo que se acaba aqui e agora, ou na próxima safra. Vemos a cotonicultura como uma atividade econômica feita para durar, porque usa racionalmente os recursos necessários à sua operação: ambientais, humanos e financeiros. Eles são gerenciados com visão de valor, visando ganhos compartilhados em longo prazo", considera. "No fim do dia, seja o cotonicultor, a algodoeira, ou qualquer outra etapa da cadeia produtiva que escolhermos, ela será mais eficiente ao adotar as melhores práticas em suas operações. Isso se traduz em produtividade, menos desperdícios e impactos ambientais e retorno para as comunidades em que se insere o negócio", concluiu.


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Movimento Sou de Algodão lança 2º Desafio em parceria com a Casa de Criadores

25 de Agosto de 2020

Concurso dá oportunidade para os estudantes de design e moda de todo Brasil criarem looks de algodão; inscrições começam a partir do dia 22 de agosto


O Movimento Sou de Algodão, que visa estimular o consumo da fibra na indústria da moda, e a Casa de Criadores, maior evento de moda autoral brasileira, se unem mais uma vez para promover o 2º Desafio Sou de Algodão + Casa de Criadores. O projeto, lançado no dia 22 de agosto, Dia Internacional da Moda, tem como objetivo dar oportunidade para os estudantes mostrarem toda sua criatividade.


De acordo com os organizadores do concurso, a iniciativa tem como foco a divulgação do algodão como matéria-prima por meio da descoberta de novos talentos. Por isso, os participantes devem utilizar a fibra em suas coleções como principal material, resultando em pelo menos 70% da composição de cada look desenvolvido.


"Estamos ansiosos para estimular a criatividade dos estudantes. Nossa finalidade é incentivar a nova geração com o uso da fibra na cadeia da moda, mostrando como o algodão é um material versátil, moderno e arrojado", comenta Milton Garbugio, produtor e presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).


A primeira edição do Desafio, que aconteceu no ano passado, alcançou mais de 400 inscrições. Para este ano, a meta é dobrar, visto que conta com a participação de todas as instituições de ensino superior, tecnológico e de bacharelado de Moda, Design e áreas correlatas espalhadas pelo país. "Para os estudantes, participar de um evento como esse abre muitas portas por ser uma experiência enriquecedora. No ano passado, tivemos como vencedores o Mateus Cardoso, da faculdade Santa Marcelina, Rodrigo Evangelista, que se formou no Istituto Europeo di Design (IED), e Dario Mittmann da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Hoje em dia, colhem os frutos após o 1º Desafio", diz André Hidalgo, idealizador da Casa de Criadores.


"O projeto mudou toda minha trajetória. Conhecendo melhor esse meio, vejo que para quem está começando é muito complicado. Há um ano, eu era um estudante que estava se preparando sem conseguir levar o meu trabalho para mais pessoas Mas, hoje, após o concurso, abri meu ateliê e estou começando minha marca. Quando olho para trás, vejo que tudo isso é fruto da minha participação, desde a conquista de um espaço e da visibilidade adquirida. O incentivo por parte do Sou de Algodão para a moda nacional é muito importante, principalmente  por dar esse espaço para quem está começando", diz Mateus Cardoso, estilista e vencedor do primeiro desafio.


2º Desafio - Inscrições


Os estudantes interessados em participar devem realizar as inscrições no portal www.soudealgodao.com.br/desafio, no período de 22 de agosto a 26 de fevereiro de 2021, podendo ser projetos individuais ou em duplas. Além disso, os trabalhos poderão ser dos segmentos de moda masculina, feminina, alta costura, prêt à porter, fitness, homewear/loungewear ou streetwear.


A seleção envolverá quatro etapas distintas: a primeira será a pré-seleção dos trabalhos inscritos, realizada pela comissão organizadora. Serão escolhidos até 20 dos melhores trabalhos selecionados de cada região brasileira, Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, que seguem para a segunda etapa, semifinal, regional. Esses trabalhos, avaliados por uma comissão julgadora local, terão notas atribuídas nos quesitos definidos pela organização do concurso. Serão anunciados os 10 trabalhos finalistas, sendo dois de cada região do país, que irão confeccionar suas coleções, com seis looks completos cada, para a quarta e última fase, a grande final, em desfile presencial, a ser realizado na Casa de Criadores. As coleções serão avaliadas por um júri composto por especialistas, que atribuirão notas para cada trabalho.


Ao final do desfile, serão anunciados os três primeiros colocados, sendo que o grande vencedor ganhará o prêmio de R$ 30 mil e entrará para o line-up oficial da Casa de Criadores. Já o segundo e o terceiro colocados receberão prêmios em produtos das tecelagens parceiras do movimento que apoiam a iniciativa e um programa de orientação profissional, oferecido por apoiadores do concurso. Além disso, o professor orientador do aluno vencedor também receberá o valor de R$ 10 mil como Bolsa Orientação voltada à pesquisa sobre algodão.


Para este ano, o 2º Desafio Sou de Algodão + Casa de Criadores conta com uma novidade. Os participantes terão acesso a um programa de aulas especialmente desenvolvido para os participantes sobre a cadeia do algodão, estilismo, fundamentos da moda, empreendedorismo, entre outros assuntos relevantes para carreira.


"Estamos convidando diversas faculdades ao redor do país para conhecer esses talentos. Vamos dar oportunidade para todos que tenham força de vontade e determinação e temos certeza que será um sucesso como a primeira edição. Além disso, trazer esse programa de aulas vai dar uma chance para os graduandos se aprofundarem ainda mais no assunto", finaliza Garbugio.


Sobre Sou de Algodão
É um movimento único no Brasil que nasceu em 2016 para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia do algodão, dialoga com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos, representando 30% de toda a produção mundial de algodão sustentável.


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Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa com as principais notícias do mundo do algodão

21 de Agosto de 2020

​ALGODÃO PELO MUNDO #32


Algodão em NY – A ameaça de duas tempestades tropicais, que podem ser tornar furacões e atingir a costa do Golfo do México (EUA), no início da próxima semana, e um bom relatório de exportações dos EUA contribuíram para a alta do mercado nos últimos dias.  O contrato dez/20 fechou ontem a 64,52 centavos de dólar por libra-peso (c/lp), com alta de 2,4% nesta semana.


Altistas 1 – O Centro Nacional de Furacões dos EUA identificou duas depressões tropicais, TD-13 e TD-14, das quais, a número 14 parece prestes a entrar no Golfo do México nos próximos dias, e atingir o status de furacão. Muitos, no mercado de algodão dos EUA, se lembram das perdas bilionárias causadas pelo furacão Michael, que atingiu duramente a safra do Sudeste americano em 2018.


Altistas 2 – O relatório semanal desta quinta-feira mostrou que as vendas líquidas externas e as exportações dos EUA foram significativamente maiores do que na semana anterior, com em 33,3 mil e 97,5 mil toneladas, respectivamente. Com estes números, o país já vendeu 47% e embarcou 5%, das 3,3 milhões de toneladas previstas para este ano comercial (20/21), sendo a China o grande comprador.


Baixistas 1 – Em mais um capítulo da relação – cada vez mais tensa – entre EUA e China, o governo Trump recusou-se, na quinta-feira, a reconhecer quaisquer planos de se reunir com a China para tratar da Fase 1 do acordo comercial.  A previsão era de uma reunião por videoconferência sobre o tema, no último dia 15, mas a conversa foi adiada por decisão do presidente Trump, e agora está sem data para acontecer.


Baixistas 2 – Forçando lado baixista da equação de mercado esta semana, o Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, levantou preocupações de que a recuperação econômica dos efeitos devastadores da pandemia não será simples.  Diretores do Fed esperam que a crise causada pelo coronavírus "pese bastante" na economia, emprego e inflação.


Crise no Mali – O sexto maior exportador de algodão do mundo vive uma grande crise política.  O presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita, foi forçado a renunciar e a dissolver o gabinete e o Parlamento, após ser ilegalmente detido por militares, junto com seu primeiro-ministro, como parte do golpe de Estado promovido nesta terça-feira por um grupo de militares do país africano.


Índia – Estima-se que os leilões da Cotton Corporation of India - CCI (agência do governo que compra algodão em caroço do agricultor e vende algodão beneficiado para o mercado) já venderam entre 750 mil e 1 milhão de toneladas. Estima-se que o saldo remanescente do órgão estatal seria de cerca de 1,2 a 1,5 milhões de toneladas.


Austrália – A desastrosa safra de algodão 2019/2020 do tradicional país produtor está fechando em 137,2 mil toneladas, a menor dos últimos 12 anos.   Já a próxima safra, que começa a ser plantada no mês que vem, pode exceder a projeção do USDA de 413,7 mil toneladas. Importantes chuvas foram relatadas em algumas regiões de cultivo, o que deve permitir aos agricultores melhorar o armazenamento de água para irrigação.


Vietnã – O conflito comercial entre os EUA e a China tem contribuído para o aumento da participação de países como México, Bangladesh e Vietnã nas exportações de bens de consumo.  O Vietnã tem se destacado devido aos seus incentivos à exportação, sua proximidade geográfica com a China, seu rico ecossistema de fornecimento de materiais e componentes, bem como sua rede em expansão de acordos de livre comércio, muitos dos quais, como o TLC UE-Vietnã.


Colheita Brasileira – A Abrapa informou o progresso da colheita da safra 2019/2020 de algodão no Brasil até ontem: Mato Grosso: 88%; Bahia: 67%; Goiás: 81%; Minas Gerais: 74%; Mato Grosso do Sul: 98%; Maranhão: 75%; Piauí: 89%; São Paulo: 97%; Tocantins: 67% e Paraná: 100%. Média Brasil = 83,5% colhido.


Beneficiamento – A Abrapa informou o progresso do beneficiamento da safra 2019/2020 de algodão no Brasil, até ontem: Mato Grosso: 19%; Bahia: 20%; Goiás: 24%; Minas Gerais: 38%; Mato Grosso do Sul: 29%; Maranhão: 23%; Piauí: 27%; São Paulo: 97%; Tocantins: 20% e Paraná: 99%. Média Brasil: 20% beneficiado.


 


Exportações brasileiras – Os embarques nacionais de algodão em pluma totalizaram 23,9 mil toneladas, na segunda semana de agosto.  No total das duas semanas, foram exportadas 48,4 mil toneladas, mais que o recorde para o mês de agosto inteiro: 45,3 mil toneladas em 2019.


Preços – A tabela abaixo mostra os últimos movimentos de


preços, índices e câmbio que impactam o mercado de algodão.


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Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa com as principais notícias do mundo do algodão

14 de Agosto de 2020

ALGODÃO PELO MUNDO #31


Algodão em NY - Despois da desastrosa sexta-feira passada, quando tivemos uma queda de quase 250 pontos no mercado, esta semana foi marcada, até aqui, por pouca volatilidade, apesar do relatório foi baixista do USDA de quarta-feira.  O contrato dez/20 fechou ontem a 62,99 centavos de dólar por libra-peso (c/lp), com queda de 2,9% nos últimos sete dias.


Altistas 1 - O relatório Crop Progress, do USDA, desta semana (10/8), indicou, mais uma vez, um declínio de lavouras classificadas como Boas + Excelentes, em 3pp, para 42%.  O total de lavouras Ruins+Péssimas é de 23%, contra somente 10% da última safra e 16% da semana anterior.  Na próxima segunda, sai mais um relatório.


Altistas 2 - Outra importante sustentação do mercado de algodão esta semana veio do mercado de milho.  Preocupações climáticas, aliadas a compras chinesas, fizeram o mercado de milho ganhar 5% na semana, puxando outras commodities agrícolas.


Baixistas 1 - O relatório mensal de oferta e demanda do USDA, divulgado nesta quarta, aumentou a produção 2020/21 em 279 mil toneladas, para 25,6 milhões, em relação às estimativas feitas pelo órgão no mês passado. Além disso, o consumo global foi reduzido em 270 mil toneladas, para 24,6 milhões.  Este consumo é quase dois milhões de toneladas menor que a média dos dois últimos anos pré-pandemia (2017/18 e 2018/19)


Baixistas 2 - Ainda em relação às projeções do órgão feitas no mês anterior, o relatório do USDA aumentou as estimativas para os estoques finais mundiais 2020/21 em 465 mil tons, para 22,8 milhões de toneladas. A relação estoque/uso para 2020/21, que estava estimada pelo órgão em 89,9%, em seu relatório de julho, subiu para 93%, no relatório deste mês.


Análise USDA - Os números de safra dos EUA do relatório de oferta e demanda do USDA deste mês foram baseados nas condições de 1º de agosto. Portanto, não refletem a crescente deterioração das lavouras dos EUA, como mostram os relatórios semanais.  Há indicativos de que a produtividade recorde estimada (70@ pluma/ha) no relatório deva cair, e o abandono (24%) pode aumentar ainda mais.


Acordo Comercial USA/China – Passados sete meses da assinatura da Fase 1 do acordo comercial EUA-China, negociadores dos dois países se reunirão amanhã, por videoconferência, para revisar os termos.  A relação entre os dois países é cada vez mais tensa e os resultados desta reunião são aguardados com expectativa.


China 1 - Os leilões de algodão das reservas estatais chinesas (China Reserve) mantêm uma taxa de sucesso de 100%, com um vendas acumuladas de 270 mil toneladas.


China 2 - Dados divulgados hoje mostram que o setor industrial chinês segue se recuperando dos efeitos do coronavírus.  Dados de julho mostram que, enquanto o varejo ainda não se recuperou, com crescimento negativo de 1,1% em relação ao ano anterior, o setor industrial foi o destaque, com expansão de 4,8% na produção.


Índia - O maior produtor mundial de algodão vendeu hoje, através do órgão estatal CCI, mais 37,5 mil toneladas de algodão.  Nas últimas seis semanas, a CCI vendeu 575 mil toneladas de algodão. O algodão indiano é o mais barato do mundo.  Os indianos continuam reclamando muito de que o USDA está superestimando seus dados de estoques e produção.


Colheita brasileira - A Abrapa informou o progresso da colheita da safra 2019/20 de algodão no Brasil, até ontem: Mato Grosso: 74%; Bahia: 57%; Goiás: 74%; Minas Gerais: 64%; Mato Grosso do Sul: 98%; Maranhão: 65%; Piauí: 70%; São Paulo: 95%; Tocantins: 57% e Paraná: 99%. Média Brasil = 71% colhidos.


Beneficiamento - A Abrapa informou o progresso do beneficiamento da safra 2019/20 de algodão no Brasil, até ontem: Mato Grosso: 22%; Bahia: 17%; Goiás: 22%; Minas Gerais: 20%; Mato Grosso do Sul: 30%; Maranhão: 20%; Piauí: 21%; São Paulo: 91%; Tocantins: 17% e Paraná: 99%. Média Brasil: 21% beneficiado.


Exportações brasileiras - De acordo com dados do Secex, as exportações brasileiras de algodão em pluma totalizaram 24,4 mil toneladas, na primeira semana de agosto.  Este é mais um ótimo número, e mostra uma tendência de que os embarques devem mais que dobrar o recorde do mês de agosto, de 45,3 mil toneladas em 2019.


Preços - A tabela abaixo mostra os últimos movimentos de


preços, índices e câmbio que impactam o mercado de algodão.


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