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SBRHVI: Visita técnica e encontro com produtores na Bahia.

23 de Outubro de 2019

SBRHVI: Visita técnica e encontro com produtores na Bahia.



Com uma produção de algodão 15% maior na safra 2018/2019, e previsão de recorde em análises do produto este ano, estimada em três milhões de amostras, o estado da Bahia recebeu nos dias 16 e 17 de outubro a visita da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), como parte do calendário nacional de orientação aos laboratórios e mobilização de cotonicultores do programa Standard Brasil HVI (SBRHVI). A iniciativa é um dos três pilares do programa, que incluem o Centro Brasileiro de Análise de Algodão (CBRA) e Banco de Dados da Qualidade. Já a mobilização é o esforço que a associação empreende para assegurar o engajamento dos produtores e o consequente fortalecimento da imagem do algodão brasileiro perante o mercado global.


No Centro de Análise de Fibras da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), localizado na sede do município de Luís Eduardo Magalhães, o gestor de Qualidade da Abrapa, Edson Mizoguchi checou a conformidade da estrutura, procedimentos e equipamentos, cumprindo à risca um checklist de 42 itens. Segundo ele, o Centro da Abapa deu um grande salto em sua capacidade de processamento de amostras, com a aquisição de cinco novas máquinas, que, somadas às que o laboratório já tinha, totaliza agora 14 equipamentos. Para garantir o ritmo e a operação do serviço mesmo em caso de falhas no fornecimento de energia elétrica, e diminuir os custos com este insumo nos horários de pico, a associação baiana colocou um novo grupo gerador de energia no Centro, hoje considerado um dos maiores da América Latina.


“A cada visita, verificamos que o laboratório tem melhorado significativamente.  Iniciou o processo de implantação de um sistema de Gestão de Qualidade baseado na NBR ISO IEC 17025:2017, que já vem mostrando resultados”, afirma o gestor de Qualidade da Abrapa. O gerente do Centro de Análise, Sérgio Brentano, afirma que, em 2019, o local deve processar em torno de um milhão a mais de amostras em comparação à safra anterior, o que totaliza três milhões. “Este volume crescente torna mais importante o programa SBRHVI, contribuindo para que os resultados sejam confiáveis, e as negociações com algodão, mais harmônicas”, diz. De acordo com Brentano, os trabalhos de classificação instrumental e visual da Abapa para a safra 2018/2019 estão previstos para ser concluídos ao final deste ano.


Mobilização


Nesta etapa da visita da Abrapa à Bahia, em lugar de uma reunião com produtores, foram feitos encontros pontuais, uma vez que a estadual já vem realizando iniciativas de engajamento com seus associados ao programa SBRHVI. No dia 17, Mizoguchi e Brentano conversaram com o grupo Irmãos Franciosi e o produtor Belmiro Catalan. Na ocasião, os representantes da estadual e da nacional reforçaram a importância do programa na comercialização da fibra, e o reconhecimento do mercado em confiabilidade tanto para quem vende quanto para quem compra. Eles lembram que, para aderir, o produtor não precisa pagar nada, e deve procurar a associação do seu estado.


21.10.2019

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Presidente da empresa indiana Premier visita o CBRA

23 de Outubro de 2019

No dia 14 de outubro, o Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA) abriu as portas para receber o presidente da Premier, companhia indiana responsável pela fabricação da tecnologia ART 3 de análise instrumental de algodão, hoje presente em cerca de 30% do mercado nacional, e concorrente da HVI (Uster).


Srinivasan veio acompanhado pelo representante da Premier no Brasil e diretor da Orbi Cotton, João Celso dos Santos, e foi recebido pelo gestor de Qualidade da Abrapa, Edson Mizoguchi. "Ele gostou muito do que viu no nosso laboratório", afirma Mizoguchi, lembrando que Srinivasan é mundialmente reconhecido pela expertise, sendo, inclusive, colaborador do Manual para a Padronização da Classificação Instrumental do Algodão elaborado pela força tarefa do ICAC e o Comitê Internacional do ITMF, e que serve de guia para o programa SBRHVI.

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Abrapa presente nos maiores eventos da cotonicultura mundial em outubro.

18 de Outubro de 2019

Como tem feito desde os primeiros anos da sua criação, 20 anos atrás, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão tem marcado presença nos mais importantes eventos internacionais da cotonicultura, promovendo o algodão brasileiro, como parte dos quatro compromissos fundamentais da entidade: qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e promoção. Na terça-feira, 8 de outubro, a Abrapa reuniu em Liverpool, na Inglaterra, traders, industriais, e agentes diversos da cadeia produtiva da fibra para mostrar os números e traçar um panorama sobre a produção nacional da commodity na safra atual, que está sendo embarcada, além de apresentar as perspectivas para a próxima.


O Brazilian Cotton Day já acontece há mais de uma década, como programação paralela à agenda do tradicional evento anual promovido pela International Cotton Association (ICA). O ICA Trade Event, este ano, se deu no berço da associação internacional, a cidade de Liverpool, entre os dias 9 e 10 de outubro, e culminou com o jantar de gala anual.


Os esforços da Abrapa para promover o algodão brasileiro no mercado internacional, no mês de outubro, foram reforçados pela participação da entidade no lançamento do Dia Mundial do Algodão, realizado na sede da Organização Mundial de Comércio (OMC), em Genebra, na Suíça, no dia 7. Ainda este mês, entre os dias 20 e 22, a entidade participa da conferência anual da International Textile and Manufacturers Federation (ITMF), na cidade do Porto, em Portugal.


Na edição de 2019, em lugar da rodada de reuniões com os agentes internacionais, o Brazilian Cotton Day incluiu um painel com lideranças do da cotonicultura nacional, assim como uma apresentação sobre a safra para os convidados, durante almoço realizado no Malmaison Liverpool. Na pauta das discussões, as exportações recordes, que devem somar 1,85 milhões de toneladas de pluma na safra 2018/2019, o novo posto de segundo maior exportador mundial, e as repercussões para o país da guerra comercial travada entre Estados Unidos e China.


“Este ano, a presença do Brasil no Trade Event foi ainda mais especial. Estamos todos preocupados com os preços nada animadores, mas ocupamos o nosso espaço de grande player, e o que podemos dizer é que o mundo olha para o Brasil como fornecedor estratégico de algodão. Não só porque temos volume, mas porque entregamos qualidade e sustentabilidade, valores que vêm sendo demandados pelo consumidor final e que têm feito toda a cadeia se movimentar para atender. Nosso programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) é um grande trunfo; um diferencial de mercado que nos faz ainda mais atrativos para a indústria mundial”, afirma o presidente da Abrapa, Milton Garbugio.


Para o diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, mais que nunca, o Brasil precisa estar próximo do mercado mundial e a associação está direcionada neste sentido. “Um amplo programa de marketing internacional está sendo posto em prática, e se torna cada vez mais importante, uma vez que evoluímos muito nos pilares estruturantes da qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade. Agora, precisamos vender, e bem, o nosso produto, disputar mercados com os nossos diferenciais competitivos, além de ajudar o algodão como um todo a recuperar parte do espaço que vem perdendo para outras fibras têxteis. Hoje, somos um grande player, respondendo por um de cada cinco fardos comercializados internacionalmente.  Temos muita reponsabilidade, mas, também, muito espaço para crescer, uma vez que oferecemos um algodão cada vez melhor em qualidade, e que também é rastreável e sustentável”, avalia Duarte

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Representantes da Abrapa participam do lançamento do Dia Mundial do Algodão na sede da OMC, em Genebra

08 de Outubro de 2019

Os subsídios conferidos por alguns países aos produtores de algodão e os impactos da prática sobre o comércio da commodity foram assuntos-chave que a delegação brasileira levou, nesta segunda-feira (7), para Genebra, na Suíça, durante o lançamento do Dia Mundial do Algodão, realizado na sede da Organização Mundial dos Comércio (OMC). O tópico foi destacado no discurso da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, que também enfatizou a importância sócio econômica da cotonicultura para o país e o caráter sustentável da atividade, que fazem do Brasil o principal fornecedor de pluma reconhecidamente produzida dentro de parâmetros corretos pelo conceito da sustentabilidade. O vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Júlio Cézar Busato, o presidente do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), Haroldo da Cunha, e o produtor Paulo Shimohira participaram da solenidade e dos painéis integrantes da programação.


O lançamento foi uma iniciativa do Cotton-4 (Benin, Burkina Faso, Chad e Mali), em colaboração com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), com a United Nations Conference on Trade and Development (UNCTAD), o International Trade Centre (ITC) e o International Cotton Advisory Committee (ICAC).

 “O PIB da cadeia produtiva do algodão do Brasil é de cerca de US$ 74,11 bilhões, considerando as vendas de produtos de confecção. A cadeia gera emprego e renda para 1,2 milhão de trabalhadores”, disse Tereza Cristina. A ministra ressaltou que o "bom funcionamento do comércio internacional, sem distorções, é fundamental para o desenvolvimento de setores produtivos agrícolas, como o do algodão. Por essa razão, o Brasil tem sido um membro ativo na OMC, sempre buscando fortalecer o papel conciliador da organização, pautado por isenção e equidade”.

Ela reafirmou o comprometimento do setor produtivo brasileiro com a sustentabilidade ambiental, lembrando que o Brasil é líder mundial na certificação socioambiental de algodão, com mais de 80% da produção certificada. A ministra lembrou que, em 20 anos, a produção nacional de algodão cresceu 226% e, na safra 2017/18, o Brasil colheu 2,2 milhões de toneladas de pluma, 11% da produção mundial.

Segundo o vice-presidente da Abrapa, e também presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Júlio Busato, a fala da ministra reflete hoje um dos maiores problemas enfrentados pelos cotonicultores do Brasil. “Com os preços em baixa, a remuneração do produtor está no nível do custo de produção. Essas distorções têm impacto grande. Sabemos não apenas que alguns países mantêm esses subsídios, como o quanto eles investem em suas políticas de incentivo. Já vencemos os Estados Unidos numa batalha histórica num passado recente contra esse mesmo problema. Estamos trabalhando junto com o Governo Brasileiro para trabalhar por uma solução em favor de um comércio internacional justo”, afirmou Busato.


Data a comemorar


O presidente da Abrapa, Milton Garbugio, se pronunciou sobre a data. “Celebrar o Dia Mundial do Algodão é fazer justiça à fibra que acompanha a humanidade desde o início da história. É também um marco importante para que essa mesma humanidade possa pensar suas ações hoje, de modo a garantir que haja um futuro. Escolher algodão é comprometer-se com um matéria-prima sustentável e dignificante. No Brasil, nós, produtores, nos comprometemos a cultivá-la visando a garantir qualidade, volume e constância na oferta, de forma comprovadamente correta, seja social, ambiental ou economicamente falando. Queremos ajudar a assegurar que esta e todas as futuras gerações serão beneficiadas pelas nossas escolhas hoje, e poderão desfrutar da fibra sempre. Apoiamos esta ideia com força e entusiasmo”, concluiu.

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Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados

26 de Setembro de 2019

Sob forte impacto da queda dos preços do algodão no mercado internacional, atualmente abaixo de US$0,60 contra US$0,80 no pico do período de negociação, em junho de 2018, a área plantada com a pluma no Brasil, em 2020, deve ficar igual ou, no máximo, 3% maior que na safra 2018/2019, que foi de, aproximadamente, 1,6 milhões de hectares. A produção esperada para o próximo período é de três milhões de toneladas de pluma, número semelhante (+1%) ao alcançado na colheita recém-concluída, um recorde de 2,9 milhões de toneladas do produto beneficiado. Os números foram divulgados pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), nesta quarta-feira (25/09), durante a 56ª reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), realizada na sede da Abrapa, em Brasília.


Além da Abrapa, que preside a Câmara, participaram do encontro os representantes de todos os dez estados produtores, dos exportadores, da indústria têxtil e de confecções, do Governo, dentre outros setores da cadeia produtiva, integrantes do fórum.


De acordo com o presidente da Abrapa, Milton Garbugio, as marcas levantadas para a safra 2019/2020 ainda são previsão, “uma vez que o plantio começa a partir de dezembro. Mas o cenário não deve se alterar muito em relação às estimativas atuais”, diz. A produtividade nas lavouras deve permanecer inalterada, ou com discreta redução (-2%), sobre o total alcançado no ano agrícola de 2018/2019, que foi de 1,768 quilos por hectare. A última reunião da Câmara deste ano deverá acontecer no dia 4 de dezembro, na sede da Embrapa, em Brasília.


Os preços em baixa – atribuídos majoritariamente à guerra comercial entre China e Estados Unidos – desestimulam o crescimento de área e estão impactando no ritmo dos embarques para o mercado externo. Para setembro, a expectativa da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) é de 150 mil toneladas exportadas, sobretudo, para a Ásia. Esse mesmo volume era aguardado para os meses de julho e agosto, o que não se concretizou. De acordo com o vice-presidente da Anea, Marco Antonio Aluísio, nesses meses, a associação contabilizou, respectivamente, em 41 mil e 47 mil toneladas.


Para Aluísio, a discrepância entre expectativa e realidade se deve a quebras de contrato, principalmente, na China, onde os compradores questionam os valores negociados à época, ante os praticados no momento. “Até o final do ano, deveremos exportar 700 mil toneladas de algodão, contra uma previsão inicial de 900 mil”, considera.


Estoque de passagem


Com isso, o estoque de passagem brasileiro deve ficar acima de 1,8 milhão de toneladas, uma pressão que recai sobre o primeiro semestre de 2020, e coincide com a colheita da safra americana. “Nossa tradição, até então, era de sermos fornecedores de segundo semestre. Isso se alterou com o recente aumento da produção e, consequentemente, do embarque do excedente, que elevou o Brasil à condição de segundo maior exportador mundial. Agora, com estoques maiores, vamos ter de brigar por mercado com os Estados Unidos”, disse.


O representante da Anea ressaltou os riscos de armazenagem da fibra para o produtor e o esforço logístico empreendido para garantir o embarque de uma produção maior, que ficou comprometido pela contenda entre as duas potências mundiais. As exportações brasileiras deverão totalizar 2,2 milhões de toneladas na safra 2018/2019, e equivalem à diferença entre a produção e o consumo do mercado interno que, há vários anos, está dimensionado em 700 mil toneladas de pluma, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit).


“Abrapa e Anea remeterão um ofício ao Ministério da Agricultura, solicitando intervenção da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais e Ministério de Relações Exteriores junto ao governo chinês, expondo a situação e pedindo para que os compradores cumpram os contratos”, disse o presidente da Abrapa, Milton Garbugio. Ele também adianta que a Abrapa fará pleito para que o Governo Federal inclua, em seu orçamento, recurso para linhas de financiamento para armazenamento, faça estudos visando a correção do Preço Mínimo e assegure a possibilidade de implantação de instrumentos de apoio à comercialização.


Empate



Também presente à reunião da Câmara Setorial, a Abit classifica 2019 como “um ano sem perdas ou ganhos”. No acumulado de 12 meses, até agosto, a produção têxtil teve queda de 2,8%, e o vestuário, de 0,7% no mesmo período. No varejo, as vendas cresceram 1,2%. Segundo o presidente da Abit, Fernando Pimentel, o inverno este ano não contribuiu. “O frio demorou a chegar e a oscilação do clima não foi suficiente para fazer o consumidor investir em roupas para a estação. Agora faz frio em estados como São Paulo, mas as vitrines são das coleções de primavera/verão. Um inverno que para nós não vai deixar saudade”, justifica.


Pimentel afirma que, atualmente, a indústria têxtil nacional trabalha com 77% da capacidade instalada. “Vamos fechar no zero a zero. Será o quinto ano consecutivo sem movimentos favoráveis”, pondera. No comércio, as previsões para 2020 são “um pouco melhores”, na visão do presidente da Abit, mas ainda há muitas indefinições no horizonte. As importações caíram, segundo ele, em função do câmbio, e por conta da opção dos consumidores por produtos nacionais, menos sujeitos à volatilidade da moeda norte americana.


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SBRHVI: Visita técnica e mobilização de produtores em Minas Gerais

19 de Setembro de 2019

Nos últimos dias 17 e 18 de setembro, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) foi até o estado de Minas Gerais, o quarto maior produtor da commodity no Brasil, para checar os níveis de conformidade do laboratório Central de Classificação de Fibra de Algodão (Minas Cotton), da Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa), e mobilizar os produtores estaduais para aderir ao programa Standard Brasil HVI (SBRHVI). A qualidade de resultados em classificação de algodão por High Volume Instrument (HVI) é um dos compromissos prioritários da Abrapa, fundamental para o incremento da credibilidade do algodão brasileiro nos mercados dentro e fora do país, e para a harmonia nas negociações com a pluma. Com crescimento de quase 50% de área e produção na safra 2018/2019, e aumento da demanda pela entrada do mercado paulista em sua base de clientes, o Minas Cotton, situado em Uberlândia, investiu ainda mais em número e qualidade de equipamentos e segue cumprindo à risca o protocolo do programa SBRHVI.


“As visitas técnicas fazem parte do calendário do programa SBRHVI. O laboratório da Amipa, assim como todos os demais participantes, não apenas tem cumprido os pré-requisitos do nosso protocolo de 42 itens, como vai além das exigências, aprimorando sua estrutura e processos a cada safra”, diz o gestor de Qualidade da Abrapa, Edson Mizoguchi. Ele destacou a aquisição de uma nova máquina de HVI Uster 1000 e melhorias no sistema de condicionamento do ambiente, “que já atendia às exigências do programa”, enfatiza o gestor.


De acordo com o gerente do Minas Cotton, Anicézio Resende, foi preciso investir para acompanhar o crescimento de área, produção, e da demanda adicional de classificação do algodão do estado de São Paulo nesta safra. Esta última, gerada pela desativação do laboratório de classificação da Brasil Bolsa Balcão (B3), que processava a pluma paulista anteriormente. “Na safra passada, analisamos em torno de 270 mil amostras de algodão. Nesta, a previsão é de fecharmos o ciclo processando de 450 a 500 mil amostras”, pondera Resende. A entrada do algodão de São Paulo para classificação em Minas Gerais não ocasionou problemas, segundo o gerente, nem para mineiros nem para paulistas. “Primeiro, porque a safra do estado vizinho ocorre em abril e é curta, de modo que, praticamente, teve exclusividade em nosso cronograma de trabalho. Depois, porque Uberlândia é estrategicamente localizado, próximo à zona de plantio de São Paulo, o que facilitou bastante”, afirma. Nesta safra, 90% do algodão produzido nas lavouras paulistas foram classificados pelo laboratório da Amipa.


Para Anicézio Resende, tanto as visitas técnicas, quanto a orientação aos laboratórios, assim como o trabalho do Centro Brasileiro de Referência em Análise de Alodão (CBRA), dão tranquilidade e segurança para as operações nos laboratórios. “Hoje, com o algodão de checagem e referência do CBRA, descobrimos, rapidamente, se temos algum problema no funcionamento das máquinas e podemos agir imediatamente. Também passamos a ter provas mensuráveis para argumentar as eventuais necessidades de investimentos”, considera.


No dia seguinte à visita técnica, a Abrapa realizou a mobilização para adesão ao SBRHVI com os produtores mineiros. O evento foi realizado na cidade de Patos de Minas. Todos os produtores com cadastro atualizado foram convidados a participar do encontro. “O resultado foi muito bom, e o produtor mineiro está engajado ao SBRHVI”, conclui.

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PPP contra o bicudo-do-algodoeiro

11 de Setembro de 2019

A assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica entre a Associaçãoeira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o Instituto Mato-grossensse do Algodão (IMAmt), a Embrapa e a Fundação Eliseu Alves, no valor de R$17,7 milhões, para o desenvolvimento de uma variedade de algodão transgênico resistente ao bicudo-do-algodoeiro pode ser o primeiro passo para o Brasil galgar patamares mais altos no ranking dos maiores exportadores mundiais de algodão. O país ocupa o quarto lugar nesse pódio, e, pela estimativa dos cotonicultores, pode alcançar o segundo, em cinco anos, hoje ocupado pela Índia, se crescer a uma média de 15% ao ano. Para isso, erradicar a praga que representa um acréscimo de cerca de 10%, ou US$250 por hectare, nos custos de produção é uma prioridade para cotonicultores, governo e iniciativa privada. A Parceria Público Privada (PPP) foi estabelecida na manhã dessa quarta-feira (06/09), na sede da Embrapa, em Brasília.



Os recursos disponibilizados pelo IBA para a cooperação técnica serão utilizados para acelerar as pesquisas que já existem em desenvolvimento de plantas resistentes ao bicudo e possibilitar a intensificação dos trabalhos, através da Plataforma do Algodão. Ela prevê etapas em curto, médio e longo prazos, até que se chegue à planta definitiva, o que costuma levar de dez a 15 anos. No Acordo de Cooperação Técnica, caberá à Abrapa captar os recursos junto ao IBA e repassá-lo, conforme cronograma físico-financeiro, para a Fundação Eliseu Alves, que será responsável pela gestão do montante a ser utilizado pela Embrapa, e para o IMAmt, que executará parte do projeto. A Embrapa e a Abrapa se comprometem a, em um prazo de 30 dias após a assinatura do termo, constituir um comitê gestor que irá elaborar um regimento interno, constituído por três representantes da Embrapa e três da Abrapa.



 A cerimônia de assinatura contou com a presença do chefe de gabinete do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Coaraci Castilho, representando o ministro Blairo Maggi, dos presidentes da Embrapa, Maurício Lopes, e da Abrapa, Arlindo de Azevedo Moura, do presidente executivo do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), Haroldo Cunha, do diretor do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), Alvaro Salles, do diretor presidente da Fundação Eliseu Alves, Alexandre Barcellos, da diretora-executiva da Embrapa, Lúcia Gatto, do chefe-geral da Embrapa Algodão, Sebastião Nascimento, do diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, dentre diversos membros da comunidade científica.



Produtores tecnificados



Em seu discurso, o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, rememorou a história da atividade algodoeira no país, enfatizando o período de migração para o cerrado que, segundo ele, ressignificou a cotonicultura nacional. "Esse setor representa muito bem o que o Brasil se tornou: mais que uma nação agrícola, uma potência em agricultura no mundo, e é um orgulho para a Embrapa ter participado desse processo", disse Lopes, dando como exemplo os resultados da safra 2016/2017, que deve fechar em 1,5 milhões de toneladas de pluma. "O Brasil já importou algodão, depois se tornou um grande produtor, até que veio o bicudo. A migração para o cerrado representa uma retomada da nossa cotonicultura", explica o presidente da Embrapa.



O presidente da Abrapa, Arlindo de Azevedo Moura, disse que o incremento nas exportações brasileiras, com o combate mais assertivo ao bicudo, pode fazer a cultura voltar a ser expressiva em estados como Alagoas, que sediou, na última semana, entre os dias 29 de agosto e 1° de setembro, o 11° Congresso Brasileiro do Algodão (11° CBA). "Alagoas já foi um grande produtor e processador da fibra, tanto que o algodão está até na bandeira do estado. Mas não produziu um único capulho nas últimas safras, e o bicudo é uma das razões pela qual a atividade foi devastada em seu território. Com a volta dessas regiões à produção, mesmo com produtores de pequenas áreas, vamos contribuir para incrementar a oferta brasileira da fibra. Este projeto nos possibilitará alcançar a meta de dobrar a produção em cinco anos", afirmou. Ainda segundo o presidente da Abrapa, Arlindo Moura, o algodão não precisa ser uma atividade de grandes produtores. "Mas precisa ser de cotonicultores tecnificados. E a tecnologia pode ser difundida para os pequenos. Isso fará dele a grande commodity do Brasil", disse.



Marco histórico



Possibilitado pelo aporte de recursos do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), o desenvolvimento de uma variedade resistente ao bicudo será um marco na atuação do IBA. "Será, sem dúvida, um divisor de águas. Atualmente o bicudo é um problema quase exclusivo do Brasil, se considerarmos que se trata de uma praga que incide majoritariamente na América do Sul, e, nessa região, nosso país é o produtor que impacta na oferta mundial da fibra. Sendo assim, muito dificilmente haveria investimento internacional para buscar soluções. O êxito nessa iniciativa vai resultar em uma tecnologia exclusivamente pensada para as nossas condições, que vai favorecer diretamente a produtividade, a redução dos custos e, consequentemente,  a competitividade do Brasil no cenário mundial", afirma Haroldo Cunha, presidente executivo do IBA.



Nas palavras do chefe de gabinete do MAPA, Coaraci Castilho, a Plataforma do Algodão representará um impacto positivo, tanto na produtividade quanto na geração de renda em toda a sua cadeia produtiva. "Iniciativas como esta precisam ser aplaudidas e incentivadas. As parcerias com o setor privado são fundamentais, na visão do ministro Blairo Maggi, para impulsionar a ciência e a tecnologia em nosso país", recomendou Castilho. O bicudo chegou ao Brasil há aproximadamente três décadas e é considerado o maior problema fitossanitário da cultura do algodão.



A nova plataforma, segundo o diretor do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), Alvaro Salles, representa um grande desafio. "O Brasil produzindo biotecnologia é algo que pode parecer impossível para muitas pessoas, que acham que isso é tarefa para multinacionais e instituições internacionais de pesquisa. Porém, há bastante tempo, nós temos observado que é factível, sim, e isso vai ser o contraponto, assim como um grande salto em tecnologia. Vários caminhos vão se abrir com esse projeto", afirmou Salles.

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BOLETIM 12º CBA – DIA 29

30 de Agosto de 2019

Com, aproximadamente, três mil participantes, quase o dobro do previsto inicialmente pela comissão organizadora, terminou nesta quinta-feira (29/08) o 12º Congresso Brasileiro do Algodão (12º CBA), o maior evento da cotonicultura nacional, realizado este ano no Centro de Convenções de Goiânia/GO, desde a terça-feira (27/08). Um show do cantor goiano Leonardo, ícone do estilo sertanejo no Brasil, quebrou a tradição de evento sem atrações de entretenimento, para celebrar a passagem dos 20 anos da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), realizadora do congresso. A data foi lembrada em diversos momentos ao longo dos três dias, com homenagens a todos os dirigentes que já passaram pelo comando da associação. O 12º CBA contou com o apoio financeiro do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) e científico da Embrapa, além de 29 empresas patrocinadoras.


Dentre os presentes, estiveram representantes de 21 estados e 12 países, difundindo e adquirindo conhecimentos sobre a pluma, em uma megaestrutura de quase 11 mil metros quadrados de área construída. Inovações no formato e no conteúdo, fizeram parte da estratégia da Abrapa para tornar o 12º CBA ainda mais dinâmico e diversificado, em linha com os novos tempos da produção de algodão, considerada a cultura que é considerada a "vitrine da agricultura do amanhã".


Em seu discurso de encerramento, o presidente da Abrapa, Milton Garbugio, ressaltou a honra que sentiu ao ver o seu mandato coincidindo com o aniversário de duas décadas de existência da Abrapa. "Isso o torna ainda mais especial, e o melhor é que pudemos reunir no mesmo palco todos os líderes que já assumiram o comando da entidade, dispostos e atuantes", enfatizou. Segundo Garbugio, os frutos do congresso retornam para a cotonicultura, "e esta, cada vez mais avançada, exige que, ao pensarmos o conteúdo do evento, estejamos sempre mirando adiante", concluiu.



O 12° CBA em números


. 2100 inscritos, quase 3.000 participantes


. 05 workshops


. 24 salas temáticas


. 06 plenárias


. 107 palestrantes


. 175 trabalhos científicos


. 29 patrocinadores que apostaram e acreditaram no evento


. 10 startups


. Representantes de 21 estados e 12 países


. Quase 11.000 m2 de área construída.


. Mais de 1000 pessoas envolvidas na produção e construção do evento.


. 18 meses de planejamento e trabalho de pré-produção


Ciência incentivada


A pesquisa científica, grande pano de fundo do Congresso do Algodão, ganhou ainda mais destaque este ano, estimulada por prêmios atrativos, como viagens para participar de eventos internacionais da cotonicultura, bolsas de estudo no valor de R$10 mil, dentre outros, para estudantes, pesquisadores e professores-orientadores que submeteram seus trabalhos científicos sobre o algodão.


De acordo com o coordenador científico do congresso, Jean Bèlot, o objetivo das comissões Organizadora e Científica do congresso foi incentivar as universidades a direcionar trabalhos de pesquisa para o algodão. "À medida em que passa o tempo, nas diversas edições do congresso, vemos que o algodão perde espaço nas prioridades de pesquisa das universidades brasileiras. Isso nos preocupa e foi a razão de termos proposto à organização que incrementasse os prêmios. Não podemos aceitar que uma cadeia produtiva tão importante quanto o algodão não tenha uma pesquisa de alto nível", argumentou Bèlot, agradecendo aos membros da comissão científica, uma equipe multidisciplinar formada por representantes da Embrapa, consultores, produtores rurais e universidades, Carlos Moresco, Celito Breda, Fábio Echer, Fernando Lamas, Liv Severino, Leandro Zancanaro, Marcio Souza, Odilon Silva, Paulo Degrande.



Prêmios e premiados:


Melhor Trabalho Científico – Bolsa de pesquisa no valor de R$10 mil – Isabela Machado de Oliveira Lima.


Melhor Trabalho Pós-Graduação – Participação na Cotton Beltwilde Conference 2020, para Ilca Puertas de Freitas e Silva.


Melhores trabalhos Professores – Orientadores – Bolsa de R$10 mil para orientação de alunos de graduação e de pós-graduação na área de algodão: Tiago Zoz (Universidade do Mato Grosso do Sul) e Fábio Echer (Unoeste).


Categoria:




  •  Fitopatologia e Nematologia, Iuri Dario. (Prêmio: leitor de e-books Kindle)

  • Matologia e Destruição de Soqueira, Igor Guimarães Barbosa. (Prêmio: leitor de e-books Kindle).

  • Colheita, Beneficiamento, Qualidade da Fibra e do Caroço, Felipe Macedo Guimarães. (Prêmio: leitor de e-books Kindle).

  • Socioeconomia, Fábio Francisco de Lima. (Prêmio: tablet)

  • Agricultura digital – Agricultura de Precisão e Inteligência Artificial, Francielle Moreli Ferreira.

  • Produção Vegetal – Fisiologia, Fitotecnia, Nutrição de Plantas e Sistema de Produção, Julio Cesar Bogiani. (Prêmio: tablet)

  • Controle de Pragas – Entomologia e Biotecnologia, Danilo Renato Santiago Santana (Prêmio: Participação em congresso brasileiro na área temática de pesquisa do vencedor)

  • Melhoramento Vegetal e Biotecnologia, Saulo Muiniz Martins. (Prêmio: Participação na World Cotton Research Conference, no Egito, em 2020)


 


Todas as fotos do evento aqui


https://www.flickr.com/people/183817406@N03/


 


 


 


Cotonicultura: onde o futuro chega antes


O clima futurista deu o tom à programação do último dia, que debateu conectividade e o impacto das novas tecnologias que estão sendo rapidamente assimiladas no campo, acarretando transformações nos processos produtivos, relacionamentos e, principalmente, no modo de pensar.


 


 


Conectividade no campo para um agronegócio mais eficiente é tema em destaque no último dia do 12º CBA


Em um evento que tem o futuro como tema central, a conectividade não poderia ficar de fora da pauta de discussões. Por conta disso, o 12º Congresso Brasileiro do Algodão realizou, nesta quinta-feira (29.08), plenária sobre a seguinte questão: "A falta de conectividade é um obstáculo para tornar o agronegócio mais eficiente e inovador?". Participaram do debate o diretor Comercial da Telebras, Hélcio Vieira Junior, o head de Produtos Corporativos & IoT na TIM Brasil, Alexandre Dal Forno, e o CEO da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato.


Na sua apresentação, Hélcio Vieira Junior falou sobre o Projeto Internet para Todos, criado pelo Ministério de Ciência Tecnologia e Informação com o objetivo de levar banda larga a regiões e municípios sem acesso ou com acesso precário à Internet. Segundo ele, a Telebras já conta com 32 mil km de fibra ótica instalados, atendendo a 1.524 municípios e a uma população de 130 milhões de pessoas.


"Nossa meta é, a partir do próximo ano, estarmos presentes em 100% do país, com 34 mil km de fibra ótica, para atender a um potencial de 208 milhões de pessoas, em 5.570 municípios", afirmou o diretor Comercial da Telebras. Vieira destacou ainda a utilização de seu satélite Telebras SAT, que cobre todo o território nacional e conta, atualmente, com 9 mil postos no país, e meta de ampliação, em breve, para 50 mil. "Seremos não só a empresa como maior cobertura, como teremos a maior capacidade de atendimento".


Na sequência, o representante da TIM falou sobre a mobilização do grupo para viabilizar internet no campo a um custo mais acessível. "Estamos nesta área há dois anos e percebemos que a necessidade não era só levar a internet das coisas para o campo. O agricultor já atua hoje com muita tecnologia embarcada nas máquinas, o que é preciso é trabalhar os processos digitais. Sem a conectividade, não há agricultura 4.0", destacou. De acordo com o executivo, a TIM lidera a internet 4G nas áreas rurais, marcando presença em 3.300 municípios brasileiros. "É importante ressaltar, no entanto, que, além dos equipamentos e da oferta instalada, é preciso capacitar as pessoas que vão atuar com este modelo de agricultura".


Já o CEO da SLC Agrícola Aurélio Pavinato mostrou os resultados dos investimentos em tecnologia digital promovidos nas 16 fazendas da empresa distribuídas em seis estados brasileiros, nas áreas de planejamento agrícola, manejo das culturas e dados climáticos. Entre os avanços citados pelo executivo, estão melhorias na gestão da frota de máquinas e dos dados metereológicos, na comunicação entre os trabalhadores, na gestão dos dados meteorológicos, no controle do plantio e no levantamento de pragas e doenças, além de uma maior eficiência no processo de pulverização, com economia de até 75% no uso de herbicidas.


Na opinião de Pavinato, as novas tecnologias representam mais do que uma melhoria incremental para o setor. "A agricultura digital está sendo e será uma revolução no manejo das culturas e dos insumos e quem não investir nesta tecnologia estará fora do jogo", alertou o CEO da SLC Agrícola.  Na visão do executivo, a tendência para os próximos anos é de que o avanço tecnológico resulte em queda no preço final dos produtos, globalmente "A nossa margem de lucro virá da nossa eficiência", salientou o executivo, chamando atenção também para o grande potencial de avanço que há para a modernização da gestão agrícola no Brasil. "Na comparação com a indústria, a agricultura está menos desenvolvida no que diz respeito à gestão dos processos produtivos".


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A agricultura do amanhã ainda não chegou e já precisa mudar


De acordo com o futurista Tiago Mattos, os produtores devem estar preparados para tudo porque todas as mudanças que estão acontecendo no mundo impactam o negócio algodão


A agricultura do amanhã se constrói agora, quebrando paradigmas e exigindo do produtor uma visão de negócio ampliada, para além do algodão. O presidente do Grupo Atto, Odílio Balbinotti e o futurista Tiago Mattos, encerraram as plenárias neste último dia do 12º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), mostrando aos mais de dois mil participantes, nesta manhã desta quinta-feira (29), uma abordagem inovadora para a cultura algodoeira no Brasil.


"O sucesso do passado não garante nada no futuro. Hoje não pensamos somente em máquinas e implementos, mas também em processamento, transmissão de dados e armazenamento em nuvens. A agricultura digital chegou e temos que estar preparados para esta realidade", afirma Balbinotti, presidente do Grupo Atto, que está no mercado há 40 anos produzindo sementes em Alto Garças, no Mato Grosso. Segundo ele, a chegada da agricultura digital é fundamental para a manutenção da competitividade e o desenvolvimento de novas tecnologias, capazes de mudar paradigmas na agricultura brasileira.


Balbinotti acredita que o ambiente agro atual já está baseado na informação e se o volume de dados coletados em campo não for gerenciado adequadamente, de nada adiantam tantos avanços tecnológicos. "Até 2020, cerca de 50 bilhões de dados estarão conectados à Internet. Quando chegarmos a 2030 este número será de 1 trilhão", informa o presidente do Grupo Atto, explicando que para colocar esses dados em prática e melhorar substancialmente a produção, cada empresa terá que analisar as informações por meio da gestão do conhecimento, utilizando todas as ferramentas tecnológicas disponíveis. Entre elas, Balbinotti citou a telemetria, os sensores em implementos agrícolas, estações e radares meteorológicos, além da implantação de B.I (Business Intelligence) apropriados para cada fazenda. "As possibilidades são inimagináveis, mas, se não estivermos conectados a tudo isso, ficaremos para trás".


Neste cenário, o futurista Tiago Mattos que falou sobre a "Mudança de era e o pensamento digital". Segundo ele, quem não pensa sobre o futuro só resolve o presente com as ferramentas do passado. "O que está mudando no mundo hoje, em qualquer área, pode impactar no mercado têxtil e, consequentemente, na produção de algodão", avalia o estudioso, que trouxe cases de tecnologias inovadoras capazes de interferir no comportamento do consumidor, desde o pensamento, até a opção de compra do produto.


Para citar alguns exemplos, Mattos apresentou as roupas flexíveis que crescem junto com a pessoa, tecidos vivos e mais duráveis, impressão 3D reciclada e os humanos digitais. "Todas essas tecnologias impactam na nossa vida social e, portanto, na nossa maneira de consumir tudo, inclusive o algodão. Se a gente não olhar para fora do nicho, levamos um tiro sem saber de onde vem".


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WORKSHOPS


Congressistas colocam em prática conhecimentos adquiridos no 12º CBA


A tarde deste último dia do 12º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA) foi dedicada à prática. Os congressistas que participaram do workshop "Produtividade e mapeamento de plantas" aprenderam um pouco mais sobre a importância e as formas de mapear adequadamente as lavouras, utilizando tecnologias simples e de fácil acesso.


Eles tiveram acesso a um ambiente virtual no qual responderam a perguntas sobre a fenologia, dentro de um teste elaborado especificamente para a atividade. "Precisamos saber como é e de que forma funciona o algodoeiro para, então, manejar a planta", explica o especialista da Universidade de São Paulo (Usp), Ciro Rosolem, acompanhado por Fábio Echer e Juan Piero Antonio Raphael. "O objetivo da atividade é ensinar como identificar estágios fenológicos das plantas, realizar o mapeamento delas e interpretar esses resultados para executar a decisão do manejo", acrescenta Fábio Echer, que coordenou a parte prática da tarde.


Segundo Juan Piero, com o mapeamento, é possível estabelecer um método prático de caracterização da morfologia e do padrão de florescimento das plantas pelo registro de local das estruturas frutíferas ou vegetativas. "A finalidade é fazer um diagnóstico para a tomada de decisões durante a colheita e a constatação de fenômenos anteriores", completa o especialista, reafirmando que todas as ferramentas disponíveis devem ser exploradas e colocadas em prática sempre.


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12º CBA promove workshop sobre tecnologia e eficiência em pulverização


Entre os destaques do último dia da programação do 12º Congresso Brasileiro do Algodão, que encerra nesta quinta-feira (dia 29), em Goiânia (GO), estão os workshops para tratar de assuntos de grande interesse dos produtores e profissionais ligados à cotonicultura. Um dos mais aguardados abordou o tema Tecnologia e eficiência em pulverização: diferentes técnicas e novos modelos de gerenciamentos. A atividade aconteceu das 14h30 às 18h, com a participação de seis palestrantes, todos especialistas em suas áreas.


O workshop foi coordenado pelo engenheiro agrônomo Marcos Souza, responsável pela área de Projetos e Difusão de Tecnologias do Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt). Ele explicou que, durante a atividade, os participantes puderam conhecer mais sobre os sistemas avançados de aplicação de defesa fitossanitária do algodoeiro e novas abordagens para otimização dos recursos e redução de perdas, entre outros assuntos.


Cada palestrante abordou um tema específico. O coordenador Marcos Souza falou sobre Problemas fitopatológicos emergentes. O engenheiro Marcos Vilela, diretor da empresa MVL Defesa Vegetal, discorreu sobre Sistemas avançados de tecnologia de aplicação na defesa fitossanitária do algodoeiro. "É melhor controlar a praga na chegada do que na saída", disse Vilela, destacando que o bicudo e as lagartas são hoje os piores problemas da cultura do algodão. Entre as tecnologias abordadas pelo especialista, está o monitoramento avançado por radar, capaz de informar a intensidade e local de incidência das pragas, permitindo uma aplicação mais precisa e eficiente dos defensivos.


Marco Gandolfo, professor da Universidade Estadual do Norte do Paraná, diretor do Centro de Ciências Agrárias, é especialista na área de Tecnologia de Aplicação de Agroquímicos comandou a apresentação sobre Tecnologia de aplicação para otimização dos recursos e redução das perdas. Por sua vez, o engenheiro agrônomo da Embrapa Meio Ambiente, Aldemir Chaim, falou sobre Avanços e desafios da aplicação eletrostática na cultura do algodão.


Já o palestrante Leandro Costa, coordenador técnico de Agricultura de Precisão do Grupo Bom Futuro, abordou o tema Pulverização aérea e terrestre em grandes áreas do Cerrado: Avanços e Desafios.  Daniel Padrão, CEO da empresa Solinftec, falou sobre Tecnologia e eficiência em pulverização: diferentes técnicas e novos modelos de gerenciamentos.


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Novas aplicações de drones na agricultura são apresentadas durante 12o CBA


Com uma variedade de aplicações que inclui da identificação e localização de plantas invasoras à avaliação da qualidade do manejo, passando pela pulverização e controle biológico, os drones vêm ganhando espaço na paisagem rural, em ritmo acelerado.  Algumas das principais novidades que estão despontando no mercado, nesta área, foram apresentadas durante o workshop Os drones na agricultura, realizado na tarde desta quinta (29.08), último dia da programação do 12º Congresso Brasileiro do Algodão, que reuniu mais de 2 mil pessoas no Centro de Convenções de Goiânia, em Goiás.


"O drone tem hoje um mercado global em franca expansão e que cresce vertiginosamente", anunciou, na abertura do workshop, o engenheiro elétrico Lucio de Castro Jorge, da Embrapa Instrumentação. De acordo com o pesquisador, a perspectiva é de que, até 2020, o mercado global de drones e geolocalização atinja a marca de US$ 127 bilhões – US$ 2 bilhões dos quais só no Brasil.  Mais de 20% deste faturamento é obtido com as aplicações na agricultura. Ainda segundo ele, a cadeia produtiva do setor, que inclui equipamentos e prestação de serviços – já emprega 100 mil profissionais no Brasil.


Na sequência da abertura do workshop realizado no formato de um bate-papo descontraído entre os pesquisadores, o coordenador da rede de Agricultura de Precisão da Embrapa Ricardo Yassushi Inamasu proporcionou uma visão do impacto dos drones no contexto mais amplo dos avanços da chamada agricultura 4.0. "Ao contrário do que acontece com a indústria, a agricultura depende de uma série de fatores naturais para obter produtividade, então a principal oportunidade que estas tecnologias nos oferecem é de chegar até os dados para fazer as escolhas corretas no tempo certo", resumiu Inamasu.


De acordo com os pesquisadores, os principais avanços na área atualmente não dizem respeito à qualidade ou a capacidade de voar dos veículos aéreos não tripulados, fabricados no Brasil e exterior em uma variedade de modelos e tamanhos, mas em tecnologias como, por exemplo,  as dos sensores, que permitem aos drones não só capturar imagens em altíssima definição como monitorar a temperatura das plantas, possibilitado até, em alguns casos,  identificar alterações metabólicas e químicas para a detecção precoce da infestação por pragas.


O workshop Os drones na agricultura contou ainda com a participação dos professores Murilo Maeda, especialista em algodão da Texas A&M AgriLife Extension, e Manuel Ferreira, coordenador do PRO-VANT, Núcleo de Pesquisas e Capacitação com Veículos Aéreos Não Tripulados da Universidade Federal de Goiás (UFG).


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Workshop busca soluções para desafios da cotonicultura


workshop Construindo Soluções Inovadoras para os Desafios Diários da Cotonicultura reuniu dezenas de participantes em um encontro em que a construção das respostas aos obstáculos do campo se deu de forma coletiva. A abertura foi feita pelo coordenador científico do 12º CBA, Jean Bèlot, que trabalhou de maneira a proporcionar a interação entre todos os participantes. "Queremos usar o conhecimento de vocês para saber do que precisam. Desse feedback sairão ideias que poderão ser concretizadas", diz.


Tatiana Espíndola é facilitadora e moderadora de planejamento e conduziu o trabalho. "Onde há mais de três pessoas decididas a pensar juntos, eu entro para ajudar", explica. O trabalho do workshop se fundamenta no diálogo e na co-criação como forma de atingir os objetivos. Os participantes foram divididos em grupos, nos quais participaram produtores, pesquisadores, técnicos, estudantes e empresários. Estes grupos trabalharam quatro temas: a); Quais os desafios e soluções inovadoras para encaixar o cultivo do algodoeiro na fazenda?; b) Quais os desafios e soluções inovadoras para resolver o operacional no dia a dia do manejo do algodoeiro?; c) Quais os desafios e soluções inovadoras para assegurar uma produção sustentável do algodão na fazenda?; d) Quais os desafios e soluções inovadoras para organizar colheita e beneficiamento para produzir uma fibra de qualidade? A primeira etapa ocorreu com um debate dentro do próprio grupo, no qual cada um apontou os desafios e buscou as soluções. A segunda etapa foi de compartilhamento dos resultados com os demais grupos.


Brainstorm


As equipes foram auxiliadas pelo professor Fernando Lamas, juntamente com Paulo de Grande, Liv Severino e o presidente da Agopa, Carlos Alberto Moresco, que atuaram como orientadores do brainstorm que ocorreu em cada grupo.


Ao fim da dinâmica, as principais ideias detectadas foram  sobre antecipar os custos e a previsão de mercado, em um intervalo de tempo maior; definir o que será terceirizado e o que será feito com maquinário e pessoal próprios; antecipar contratos com prestadores de serviços; conhecer melhor os ambientes de cultivo; rotação de princípios ativos e uso preventivo de fungicidas; associar controle químico e biológico; manejo coletivo para combate ao bicudo, maior fiscalização e respeito ao vazio sanitário; oferecer oportunidade e capacitar jovens trabalhadores; além de reconhecer e valorizar o trabalhador.


Para Carlos Alberto Moresco, o importante é levar o conhecimento gerado no workshop para as equipes nas fazendas. "Temos de compartilhar o que construímos no encontro com nossos colegas de trabalho. Não podemos determinar o preço internacional, mas podemos trabalhar para reduzir os custos de produção", aponta. Para a agrônoma Karen Bianchi, essa troca de informações e experiências cria um contexto em que todos aprendem algo. "É um formato dinâmico e muito produtivo", ressalta.


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Diversificação de culturas pode melhorar cultivo do algodão


Como a diversificação de culturas pode melhorar os sistemas de cultivo? Esse foi o questionamento feito durante um dos seis workshops da tarde desta quinta-feira (29), no 12º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA). Participaram desta atividade os especialistas Alexandre Cunha de Barcellos Ferreira, Fábio Lima de Almeida Melo, Rafael Betiatto, Táimon Semler, Valmor dos Santos e Wanderley Oishi.


Na primeira parte do Workshop, as discussões giraram em torno dos desafios técnicos típicos das lavouras como a compactação do solo, presença de pragas, qualidade de sementes e regulação de maquinário. "A grande questão é que o produtor só toma a decisão quando já está afogado nos problemas. Agir no momento certo faz toda a diferença", alerta Alexandre Ferreira, pesquisador da Embrapa Algodão. Segundo ele, como alguns resultados de intervenções demoram de dois a três anos para serem percebidos, a qualidade fitossanitária acaba sendo postergada.


Ainda assim, os especialistas acreditam que é importante diversificar os sistemas de cultivo, promovendo a rotação entre soja, milho e algodão, incluindo também a integração com a pecuária. "O que os produtores precisam entender é que há espaço para maior crescimento com a diversificação e os retornos financeiros comprovam isso nas fazendas que já trabalham dessa forma, apesar dessa ferramenta exigir mais investimentos com a busca de tecnologia e inovação", finaliza.


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Missão Compradores 2019

29 de Agosto de 2019

Durante uma semana, entre os dias 19 e 24 de agosto, vinte industriais da China, Bangladesh, Vietnã, Peru,  Turquia, Paquistão, Índia e Coreia do Sul – países que, somados, representam 80% das exportações brasileiras de algodão –embarcaram em uma expedição para conhecer algumas das principais etapas da produção nacional da fibra, na Missão Compradores 2019. Foi a quinta edição da iniciativa que a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) empreende, desde 2015, para abrir e manter mercados, principalmente, no continente asiático.



O grupo passou pelos três maiores polos cotonicultores do Brasil, em ordem decrescente de volume, Mato Grosso, Bahia e Goiás, onde visitaram lavouras, usinas de beneficiamento, fiações e laboratórios de classificação, assim como o Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), que fica e Brasília. Os visitantes travaram conhecimento com um dos modelos mais modernos, sustentáveis e tecnificados de cotonicultura do mundo. A Missão Compradores tem apoio das associações estaduais do Mato Grosso (Ampa), Bahia (Abapa) e Goiás (Agopa).



No dia 22 de agosto, como parte da agenda da Missão Comparadores em Brasília, a Abrapa promoveu um jantar para representantes do Governo Brasileiro, tradings, cotonicultores e empresas do setor. Na ocasião, a entidade entregou à ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, e aos representantes do Ministério das Relações Exteriores, Alexandre Ghislene, e da Apex Brasil, Alberto Bicca, o projeto de promoção do algodão brasileiro no exterior. A estratégia inclui a instalação e um escritório permanente da Abrapa em Singapura e conta com o apoio do Governo Federal e dos exportadores de algodão. A iniciativa visa a fortalecer a presença naquele continente, hoje destino de mais de 90% da pluma nacional.




Experiência in loco




O conceito simples do "ver para crer" é a base da estratégia da Abrapa para incrementar o rol de compradores entre as indústrias internacionais. Para isso, a associação conta com o apoio das tradings que intermediam os negócios com a pluma. Nesta edição, Cofco, Cargill, Ecom, Reinhart e Dreyfus foram os parceiros que ajudaram a associação dos produtores na identificação de potenciais compradores e na condução da agenda antes e durante a temporada do grupo no Brasil.



Na opinião de visitantes e traders, trazer os estrangeiros é mais eficaz que qualquer propaganda. "Estamos impressionados com tudo o que testemunhamos até aqui. As reuniões foram marcadas por um evidente senso de abertura.  As pessoas falaram com clareza sobre o que precisam e o que querem, e todos os interlocutores mostraram os seus objetivos. Para mim, em particular, o que mais me impressionou foi o esforço em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias. Foi uma semana incrível", disse o representante da empresa turca Bossa, Alper Deniz.





História recente




Ao longo de sua história no Brasil, a cotonicultura teve modelos diversos de produção e migrou por quase todo o território nacional até chegar ao cerrado, na década de 90, quando a atividade se desenvolveu sob novos paradigmas, elevando o país da condição de importador de algodão para a de segundo maior exportador mundial. "A história recente de sucesso da cotonicultura brasileira ainda não foi suficiente para apagar completamente a imagem de uma produção antiquada e de baixa qualidade, por isso é tão importante trazer essas pessoas para conhecer a nossa realidade, os programas da Abrapa, como o Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e o Standard Brasil HVI (SBRHVI), respectivamente, de sustentabilidade e qualidade de classificação, bem como o nosso programa de rastreamento, o Sistema Abrapa de Identificação (SAI)", explica o presidente da entidade Milton Garbugio.



 "Muitos de nós que estamos aqui há uma semana só conhecíamos a produção do algodão através de números e informações estatísticas. Tivemos a oportunidade de conhecer a terra e de ter contato com os produtores e beneficiadores. Com certeza, muitos negócios podem acontecer de agora em diante, pois sabemos que podemos contar com produtores amigos e, principalmente, confiáveis.", afirmou Jose Omar Samander, da Creditex, do Peru.



Para o trader Dawid Wajs, da Louis Dreyfus Company, as missões de compradores e também a de vendedores – que leva os produtores do Brasil para estreitar laços com o mercado, sobretudo asiático – são muito importantes para o país formar multiplicadores no mundo. "Os visitantes comprovaram in loco a qualidade da fibra e a capacidade dos produtores de garantir volume e constância na oferta. Sentem-se mais confortáveis para começar os testes com nosso algodão, uma vez que a primeira experiência vai requerer do comprador alguns ajustes na fábrica. Se ele conhecer antes o produto, ao voltar para o seu país, ele vai se sentir muito mais seguro para testar. Outros visitantes que já usam algodão brasileiro passam a comprar mais", argumenta Wajs.



Ver para crer



Tanto quanto abrir e manter mercados, o desafio da Abrapa é ganhar a confiança dos compradores internacionais. Por isso, o incremento da credibilidade da fibra, que repercute em valorização e aumento de negócios, é a aposta da associação. A estratégia é compartilhada pelas tradings participantes, como a Reinhart. "Essas iniciativas têm grande efetividade, porque as pessoas precisam ver para acreditar", diz o vice-presidente da companhia para o Sudeste Asiático, Danny Van Namen. Em sua opinião, "o próximo passo é o Brasil não apenas promover algodão, mas desenvolver sua marca própria", sugere. Ele observou que a boa safra de 2018/2019 teve impactos positivos no ânimo dos agentes de cada uma das etapas visitadas. "Esta safra está indo muito bem. Vi a felicidade no rosto das pessoas, nas usinas de beneficiamento. Estou muito esperançoso de que eles vão exportar bastante e não teremos reclamações por causa do clima", prevê.



"Foi muito bom. É um período muito curto, mas pudemos ter uma ideia de tudo o que se faz aqui no Brasil. Na hora que eles veem com os próprios olhos o que se faz aqui, mudam totalmente a percepção sobre o algodão brasileiro. Muitos ainda têm uma ideia muito ultrapassada, sobre falhas de uniformidade de fibras e outros aspectos ruins que são coisas que ficaram para trás", diz o trader representante da Ecom, Gregoire Negre. Segundo ele, todo o trabalho que foi feito pelos produtores, para chegar ao nível que chegaram, ainda não foi totalmente difundido como informação entre os compradores mundiais. "A melhor e mais rápida maneira de difundir essa nova realidade é trazer o comprador para ver de perto a cadeia produtiva na origem. Cada pessoa que está aqui vai voltar para seus países e conversar sobre o que viu. Isso tem grande potencial para aumentar vendas", concluiu.




"A Abrapa está fazendo o dever de casa dentro e fora da porteira. O Brasil conseguiu destaque mundial em termos de qualidade e eficiência na produção de pluma, mas isso não é o bastante para o grande player que hoje ele é. Precisamos vender bem e o nosso maior comprador é a Ásia, que tem uma distância geográfica muito grande em relação a nós, e muitas lacunas em termos de conhecimento sobre o que fazemos aqui, tanto que quando eles veem de perto, se surpreendem com a tecnologia empregada nas fazendas e o profissionalismo das entidades. Tem muita efetividade essa ação, ela complementa o trabalho que a Abrapa já faz ao visitar os países compradores", diz Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa.

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O futuro começa hoje

29 de Agosto de 2019

O historiador, professor e escritor Leandro Karnal desafiou o público, explicando como interpretar tendências, definir ações e decidir situações que ainda estão por vir


“Panta Rei”, tudo muda. Para o historiador Leandro Karnal, essa teoria, criada pelo filósofo grego Heráclito, é a que melhor define a atualidade, cujo quadro político, moral e ético apresenta mudanças intensas em ritmo acelerado. Daí, a necessidade de clareza na definição das estratégias, palavra que já faz parte da rotina dos produtores de algodão no Brasil. Dentro desse conceito mais amplo, Karnal explicou aos participantes do 12º Congresso Brasileiro do Algodão que “O futuro começa hoje”. A plenária contou com a participação de dois mil congressistas na manhã desta quarta-feira (28), em Goiânia.


Em um mundo que consegue atomizar o conhecimento e colocar qualquer informação na palma das mãos, toda mudança é imperativa e rápida. “A sua realidade ligada ao algodão é única. Nada é da mesma forma e todos os participantes deste Congresso voltarão diferentes para suas fazendas e unidades produtivas”, afirma. “Saímos do poderio da força física, passamos para a era dos ditames do capital e hoje estamos diante do poder implacável da inteligência, grande responsável pela circulação da riqueza mundial”, avalia Karnal, ressaltando que são as criações, com base na sustentabilidade, na segurança e na confiança, que estão revolucionando a sociedade. “Então, podemos concluir que a criatividade e a capacidade de adaptação às mudanças são as principais ferramentas para o sucesso em qualquer área. E o cérebro humano é uma máquina eficaz nisso”, garante.


Mas, para chegar a esse ponto, é preciso sair da zona de conforto e encarar os desafios impostos nos cenários de crise. “Tudo o que me tranquiliza, me afasta do sucesso. Eu só mostro o meu melhor quando sou estimulado. Isso é do ser humano e é na crise que crescemos. Nossa vida é uma eterna administração de crise, mas é preciso ter em mente que as crises sempre passam”, diz o historiador ressaltando que o imperativo do universo é a mudança.


“Não mudar é fatal porque estamos num mundo volátil, repleto de incertezas, complexidade e ambiguidade”, explica Karnal, lembrando que quem planta algodão hoje não pode perder de vista que o mercado está globalizado. “A maneira de cultivar estava nas mãos dos mais velhos e agora, qualquer jovem de 16 anos sabe mais do que eu porque essa geração já nasce sabendo”. Então, segundo ele, o produtor tem que se renovar, reciclar e valorizar novas ideias, criar novos hábitos. “É hora de repensar estratégias, aplicativos, tecnologias porque o paradigma de ser produtor mudou. A todo instante mudam produtos, sementes e até modelos de gestão”.


Segundo Karnal, o ideal de futuro pode instigar o homem, mas, a verdade, é que ele nunca chega. “É simplesmente decorrência do presente. E o presente é cultivado por decisões do passado. Por isso, o ser humano não pode saber, nem sentir o futuro”. Dessa forma, o palestrante explica que o passado serve como experiência, o presente é o momento de agir e o futuro significa refletir sobre os caminhos que levam em direção ao que se quer, ou seja, a capacidade de se antecipar. “Mas isto não é futuro. É estratégia”, afirma.


Esta deve ser uma das tarefas do empreendedor na atualidade: a capacidade de antever situações e cenários; se adaptar, imaginar o que pode acontecer e, então, estar preparado para algo ainda novo. “Quem não se renova, não sai da zona de conforto e não se modifica, fica para trás. Nesse aspecto, o conhecimento é mola propulsora para evoluir na vida e nos negócios”, reforça Karnal, que lançou um desafio aos participantes: “Olhar além do ambiente imediato é importante em qualquer área. Busque, aspire, queira mais e conheça algo novo sempre. Traga a sustentabilidade, a segurança e confiança do produto para a planilha do Excel e crie novas relações”.


De acordo com Karnal, inserir inovação permanentemente numa lavoura algodoeira é ousar. “E essa característica também é fundamental porque, para plantar no Brasil, é preciso ousadia. Quem ousa tem mais chance de errar, mas o erro é uma mensagem para o planejamento e para a administração das fazendas. E, cada um desses erros, me torna melhor e me faz ver além do fim da safra”, reforça o historiador, lembrando que todos podem fazer muito mais do que acreditam. “E o custo de tudo isso é apenas o esforço. Seja a transformação que você quer no mundo. Então, tente fazer sempre o melhor, faça de forma boa, eficaz, efetiva e mude. Feito isso, você estará dando um passo matemático para o sucesso”.


Leandro Karnal é professor Doutor na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), desde 1996. Graduado em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos - RS) e Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), possui pós-doutorado no México e Paris. Suas abordagens aliam história cultural, antropologia e filosofia. É ainda escritor e membro do conselho editorial das principais publicações acadêmicas da área na Unicamp e na Unisinos.


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Plenária coloca em pauta os desafios em infraestrutura e logística para o agronegócio


 


Nesta quarta-feira (dia 28), a plenária Infraestrutura e logística para um agronegócio forte reuniu, no final da manhã, o especialista em planejamento financeiro e estratégico de empresa, Marcos Ribeiro, e o fundador e sócio-diretor do Grupo Agroconsult, André Pessôa, para discutir as perspectivas do setor.


Empreendedor com mais de 25 anos de experiência no segmento de transporte, o CEO da Bravo Serviços Logísticos, Marcos Ribeiro, apresentou um panorama da situação do Brasil, nesta área, em comparação com os principais concorrentes da cadeia do agronegócio, como Estados Unidos e China.



“Somos o 8o maior PIB da economia mundial, o 56o país em desempenho logístico e o 50o em infraestrutura”, ressaltou Marcos Ribeiro, demonstrando, por meio de uma série de estatísticas, o cenário desfavorável para o país em fatores como custo logístico, extensão das ferrovias e rodovias pavimentadas, além da dependência em relação ao modal rodoviário.



De acordo com CEO da Bravo, estudos demonstram que será preciso um investimento de R$ 1 trilhão nos modais ferroviário, rodoviário e portuário para que o Brasil atinja um índice de desempenho logístico semelhante ao dos Estados Unidos. “Como vamos conseguir este um trilhão de reais ?”, indagou o empresário ao final da sua apresentação. “Com garantia jurídica, política e estabilidade. O governo precisa estabelecer parcerias público-privadas e criar um ambiente saudável para os investimentos“, finalizou.



Já o presidente da Agroconsult André Pessôa fez uma apresentação voltada para as perspectivas para o mercado de algodão “Se tem um setor que está acostumado a superar desafios, é o do algodão. Crescemos muito nos últimos 20 anos e, agora, estamos entrando em um novo patamar, que é consolidar  o novo tamanho da cultura e desenvolver estratégias para não regredir”, disse André Pessôa, no início da sua apresentação. Ele destacou que, com a safra recorde colhida este ano, aumenta também o volume a ser exportado, que pode chegar a um total de 2 milhões de toneladas, caso as condições sejam favoráveis. A China continua sendo o principal comprador brasileiro.



O executivo falou também das perspectivas da cultura para os concorrentes do Brasil, especialmente os Estados Unidos, maior produtor mundial. “Ao contrário da safra passada, quando houve uma queda na produção, o algodão americano teve um ritmo normal, e deve colher cerca de 5 milhões de toneladas, um  milhão a mais do que no ciclo anterior”. Já a Austrália, apesar de uma queda de produção, ainda conta com estoques, enquanto a Índia deve registrar uma boa produção.



De acordo com Pessôa, hoje sua grande preocupação é com a redução da demanda global por algodão. Em outubro de 2018, dados divulgados pela Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontavam uma demanda de 28 milhões de toneladas. Quase um ano depois, esta estimativa é de 26 milhões de toneladas.



“O algodão vem perdendo espaço no ‘market share’ para outras fibras naturais e sintéticas, por isso uma recuperação da indústria têxtil não significa um crescimento do algodão. Mas sofremos quando o setor têxtil não cresce”, disse. O empresário também ressaltou que é importante estar atento a reduções de exportação da China, apesar da guerra comercial daquele país com os EUA favorecere o Brasil.



André Pessôa falou ainda sobre questões como o preço do algodão no mercado mundial e o câmbio. “O câmbio com o dólar alto pode favorecer o produtor, mas isso vai depender muito do seu nível de endividamento na moeda americana”. Depois da apresentação dos palestrantes, foi aberto espaço para dúvidas e questionamentos dos participantes.



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Desempenho das variedades de algodão disponíveis para o cerrado é debatido no 12º CBA


O Brasil é o quarto maior produtor de algodão e, na safra 2018/2019, conquistou o segundo lugar no ranking de maiores exportadores mundiais da pluma. Dados otimistas da Embrapa revelam ainda, que esta é a quarta cultura mais importante da agricultura do país, ficando atrás apenas da soja, cana de açúcar e milho. Mas o que é preciso fazer para manter a qualidade da fibra, aliada à alta produtividade e sustentabilidade da lavoura? Essa questão foi discutida durante a sala temática no 12º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), evento realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) de 27 a 29 de agosto. Um time de especialistas se reuniu no Centro de Convenções de Goiânia para apresentar dados sobre o desempenho das variedades de algodão disponíveis para o Cerrado brasileiro.



Dividida em três etapas, as apresentações foram abertas pelo coordenador da mesa, o pesquisador do IMAmt, Jean Bélot que recebeu o pesquisador da Embrapa Algodão, Francisco Farias, para falar sobre regionalização das cultivares, seguindo com Eleusio Freire, consultor técnico da Cotton Consultoria.



De acordo com Eleusio, das 56 variedades que existem no mercado brasileiro chegou-se ao consenso de haver oito variedades mais adaptadas produtivas e com melhor qualidade da fibra. “Como todo mundo está plantando variedades de qualidade, isso tem influência direta na produtividade. Para a indústria têxtil esse número menor de variedades é extremamente positivo, pois elas podem com características de fibras uniformes e de ótima qualidade”, ressalta.



Francisco Farias reuniu dados sobre a importância da seleção das melhores variedades para condições do cerrado brasileiro. “Esses materiais não podem deixar de ter adaptabilidade e estabilidade, conseguindo se manter produtivos mesmo com a variação ambiental”. Francisco apresentou as metodologias GGE Biplot & Binns (1988), relacionando os ambientes favoráveis para o cultivo do algodoeiro no Cerrado.


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O solo e sua importância para a produtividade


A sala temática que abordou o tema “Solos: atributos físicos e biológicos – efeitos sobre a produtividade do algodoeiro” esteve sob o comando do pesquisador da Embrapa, Fernando Mendes Lamas. O encontro tem objetivo de chamar a atenção dos profissionais da cotonicultura para além do aspecto químico do solo, mostrando que as questões físicas e biológicas representam uma grande questão para a agricultura atual. “Muitas vezes, um fertilizante químico não obtém o resultado esperado porque o problema é de outra natureza. Cuidar dos aspectos físicos e biológicos do solo reduz custos de produção”, aponta.


A também pesquisadora da Embrapa, Ieda Carvalho apresentou resultados da pesquisa do uso da bioanálise de solo como a mais nova aliada da sustentabilidade na agricultura brasileira. O trabalho apontou dados do diagnóstico realizado em 52 talhões de 24 propriedades em 15 municípios de Goiás, que consiste em agregar duas enzimas (betaglicosidase e sulfatase) às análises de rotina da terra. “Isso possibilita ao produtor acessar, entender e interpretar sua saúde e memória”, explica.


“Solo saudável, planta saudável”. Com este entendimento, Ieda Carvalho verificou que as fazendas produtoras de algodão em Goiás têm preservado o solo, e que a rotação de culturas, o plantio direto e a integração lavoura-pecuária-floresta são caminhos para o aprimoramento.


Doutor em Agronomia, Anderson Bergamin falou sobre os atributos físicos do solo e sua relação com a produtividade do algodoeiro em diversos sistemas de cultivo. Anderson mostrou como avaliar a compactação e resolver este problema. A apresentação envolveu ainda questões como a disponibilidade de água, rotação de culturas e, principalmente, o sistema radicular e sua importância para ambientes de cultivo com algodão. “As braquiárias apresentam um potencial de melhoria na qualidade física do solo por meio de seu volumoso sistema radicular”, enfatiza.


Os testes foram iniciados em 2016 nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia. “Atualmente, começamos a ver na prática das fazendas aquilo que a pesquisa apontou”, comemora.


Por fim, o engenheiro agrônomo Ronaldo Watanabe falou sobre o sistema de produção de algodão em solo arenoso. O estudo vem sendo feito desde 2014 no estado do Mato Grosso e tem como objetivo produzir algodão em solos com menos de 15% de argila, o que, geralmente, consegue garantir certa produtividade para a soja. “O ideal é que o solo possua mais de 40% de argila em sua composição para uma boa produtividade de algodão” compara.


Para Ronaldo, assim como ocorre com vários outros fatores relacionados à terra, a integração de culturas como algodão, milho e soja possibilita melhorar a produtividade e é capaz de mudar as características biológicas do ambiente. “Trata-se da reciclagem de micronutrientes, um fator importantíssimo para a saúde do solo”, conclui.


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Combate às pragas spodoptera, ácaro rajado e mosca branca é abordado em sala temática no 12º CBA


 


Dentro da programação do 12º Congresso Brasileiro do Algodão, que acontece até esta quinta-feira (dia 29), em Goiânia, foi realizada, na tarde desta quarta-feira (dia 28), a Sala Temática Situação atual e alternativas de controle de Spodoptera, ácaro rajado e mosca branca no contexto do Manejo integrado de pragas (MIP). As discussões foram coordenadas pelo engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Algodão, José Ednilson Miranda, que tem ampla experiência na área de Entomologia Agrícola, atuando nos temas de manejo integrado de pragas do algodoeiro, controle biológico, plantas e inseticidas.


Segundo Miranda, hoje a spodoptera - também conhecida como lagarta do cartucho, o ácaro rajado e a mosca branca respondem por cerca de um terço das pragas que atingem o algodoeiro: “As três juntas são um problema do tamanho do bicudo”, explica o pesquisador, que atua no Núcleo Goiânia da Embrapa Algodão.


A estimativa é que as três pragas exigem uma média de 19 aplicações de defensivos por safra, praticamente a mesma intensidade utilizada no caso do bicudo. “Considerando-se hoje o custo do preço da produção do algodão, nosso levantamento mostrou que o valor gasto para combater a spodopetra, os ácaros e mosca branca pode chegar a quase R$ 1,2 mil por hectare.


Professor e pesquisador da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Campus Barreiras, Marco Tamai, falou sobre o tema Situação atual dos ácaros do algodoeiro: problemática, medidas de controle e resultados de pesquisa. Tamai destacou a importância do controle do ácaro-verde e, em especial do ácaro-rajado ainda na soja, uma vez que o animal migra de um cultivo para o outro, causando danos às duas culturas.


Situação atual de Spodoptera frugiperda no MT, medidas de controle e desempenho das tecnologias foi o assunto abordado, em seguida, por Jacob Netto, pesquisador entomologista do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt). Atuando na área de manejo integrado de pragas, controle químico e controle biológico, Jacob possui experiência nas áreas de entomologia e fitossanidade.


Já na sua apresentação na sala temática, Cristina de Paula, engenheira agrônoma do Grupo Bom Futuro, falou sobre Mosca branca: problemática atual, medidas de controle e resultados de experimentação. Cristiane ministra palestras e treinamentos para equipes técnicas do Grupo Bom Futuro, para diagnose e quantificação de doenças nas culturas de soja, milho e algodão.


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Especialistas alertam quanto aos riscos ligados à fusariose na cultura algodoeira



A Fusariose é a principal doença do algodoeiro de ciclo anual. As plantas doentes mostram um quadro bastante variável de sintomas, a depender do grau de resistência da variedade e das condições ambientais existentes. Como a obtenção de variedades resistentes é a medida de controle economicamente viável, este tema esteve em pauta na tarde desta quarta-feira (28) durante o 12º Congresso Brasileiro do Algodão, em Goiânia. Os especialistas, Luiz Gonzaga Chitarra, Rafael Galbieri e Alfredo Ricieri Dias alertaram os participantes quanto aos riscos de inserção da Fusariose nas lavouras de algodão no Brasil.


“Manejamos não apenas uma cultura, mas um sistema agrícola inteiro, o que não é tarefa fácil diante da enormidade do agronegócio algodão no país”, enfatiza Chitarra. Para ele, problemas fitopatológicos como esse precisam de atenção, uma vez que a disseminação do patógeno pode se dar pela semente, por partículas de terra contaminada, arrastadas pelo vento ou pela água, além de implementos agrícolas infectados. “As áreas de cultivo contaminadas permanecem nessa condição por um longo período, pois o organismo sobrevive no solo, produzindo esporos de resistência e sobre restos culturais de algodão ou outros materiais orgânicos”, alerta.


Por isso, segundo o especialista, é importante conhecer aspectos que evitem a introdução do Fusarium no Brasil. Entre eles está a qualidade das sementes, que devem ser geneticamente puras, com alto poder de germinação, vigor, livre de contaminantes e padronizadas. “A maioria dos patógenos é transmitida pelas sementes, então, quando o produtor recebe um lote de sementes, precisa identificar as várias espécies de Fusarium que podem vir junto com elas”, explica Chitarra, acrescentando que existem 14 espécies do patógeno que causa danos expressivos à cultura.


Existem oito raças da Fusariose no mundo. No Brasil, foi detectada apenas a raça 6, porém, o maior risco é a introdução da raça 4, originária da Índia, mas já detectada na Califórnia, Novo México e Texas. “Trata-se de uma raça que causa muitos prejuízos à lavoura e, uma vez introduzida, fica difícil controlar ou erradicar porque é uma doença que pode infectar com muita severidade as plantas brasileiras”, diz Chitarra, explicando que a transmissão da Índia para os EUA se deu via importação de sementes e equipamentos agrícolas usados. “E para evitar que essa realidade chegue ao Brasil, pesquisadores, produtores, consultores e técnicos precisam trabalhar juntos, estabelecendo medidas de controle para evitar o trânsito de máquinas, escolher sementes sadias de fornecedores idôneos, promover a rotação de culturas e usar cultivares resistentes. Prevenir é sempre melhor do que remediar”, finaliza.


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Pesquisadores debatem estratégias de controle de ervas daninhas nas culturas de algodão


 


Nos últimos anos, com a utilização em larga escala de variedades transgênicas, os produtores rurais e pesquisadores vêm identificando a emergência de variedades de plantas daninhas resistentes a herbicidas. Diferentes alternativas de combate a este problema foram debatidas na tarde desta terça (28.08), na sala temática Manejo das plantas daninhas no cultivo do algodoeiro. A atividade integrou a programação do 12o Congresso Brasileiro de Algodão, que acontece até esta quinta (29.08), no Centro de Convenções de Goiânia, em Goiás.



Consultor do Instituto Matogrossense de Algodão (IMAmt), o agrônomo Anderson Cavenaghi fez uma análise das principais plantas daninhas nas culturas de soja, algodão e milho, citando espécies como capim-de-galinha, capim-amargoso, buva e caruru, que vêm preocupando os produtores por sua resistência ao glifosato e outros herbicidas largamente utilizados hoje. “Fica claro que se usarmos a mesma estratégia sempre, uma hora não teremos mais resultados, por isso é preciso pensar num planejamento estratégico do manejo”, destacou o pesquisador.



O pesquisador Robson Osipe, da Universidade Estadual do Norte do Paraná, relatou um cenário semelhante ao discorrer sobre as plantas daninhas resistentes a herbicidas e manejo nos sistemas de produção do sul do Brasil e do Centro Oeste. “Para mim, a maior quebra de paradigma no controle das plantas daninhas, hoje, é o retorno do uso de herbicidas pré-emergentes, apesar do custo elevado e do receio dos produtores com o risco de toxidez”, relatou Robson,


Já o pesquisador da Embrapa Algodão, Alexandre Cunha de Barcelos, chamou atenção para a importância do manejo integrado de ervas daninhas, com a adoção de estratégias de manejo preventivo e cultural – como a limpeza das máquinas para evitar a infestação pelo transporte de sementes – e o sistema de plantio direto, no qual a criação de uma cobertura com palha e restos de vegetais contribui para impedir a germinação e emergência de espécies daninhas.



“A orientação mais importante é que apenas o herbicida sozinho não será eficiente, em médio e longo prazo, como medida de controle”, afirmou o pesquisador, ao ressaltar ainda a importância da diversificação de culturas. “Ao fazer rotação de culturas, no entanto, o produtor deve utilizar diferentes cultivares de transgênicos para diferentes herbicidas; se for usar sempre soja, milho e algodão resistentes a glifosato, ele pode ter problemas”, orientou.



Por último, o pesquisador do Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt), Edson de Andrade, falou sobre o controle de tigueras no sistema soja-algodão. Engenheiro agrônomo   com mestrado e doutorado em Agricultura Tropical pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Edson tem trabalhos sobre temas como manejo de plantas daninhas nas culturas do algodão e soja, plantas daninhas resistentes no estado de Mato Grosso e a destruição química de soqueira do algodoeiro.


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Sala temática traça raio-x da qualidade da fibra de algodão



Especialistas do segmento têxtil avaliam como é a qualidade da fibra do algodão brasileiro



“A fibra brasileira e os mercados compradores” foi o tema desta sala, que integrou a programação do segundo dia do 12º Congresso Brasileiro do Algodão. Os participantes tiveram a oportunidade de ver um panorama da qualidade da fibra de algodão brasileiro pela perspectiva de produtores e compradores. Na ocasião, foram apresentadas estatísticas de qualidade da fibra de todas as principais regiões produtoras de algodão no país e como essa qualidade está sendo percebida pela indústria nacional e internacional.



“A qualidade de fibra é uma área bem interessante e o Brasil tem avançado muito. O algodão brasileiro está tentando ganhar uma reputação do produto de boa qualidade. Há um progresso muito grande nos últimos cinco, dez anos”, acredita o coordenador da sala, Liv Severino, agrônomo e chefe geral da Embrapa Algodão.



Para ele, o Brasil avançou muito na questão de qualidade de fibra, mas ainda há muito o que melhorar. “É uma coisa interessante que quando a gente avança, começa a compreender o quanto precisa avançar ainda mais. É o contrário do que seria o senso comum. Hoje a gente está visualizando muitas outras coisas que a gente precisa agora começar a trabalhar. Na verdade, pela estrutura que foi montada em qualidade da fibra agora nós temos condição de atacar coisas muito mais ambiciosas. Realmente, o algodão está melhorando muito a qualidade, estamos conquistando este reconhecimento. Agora, temos que mantê-lo dando passos muito maiores para o futuro”, aponta Liv.



Integrou o time desta sala, o técnico têxtil Edson Mizoguchi, gestor do Centro de Referência em Análise de Algodão (CBRA) Abrapa, com a palestra "Classificação HVI da fibra brasileira". Ele mostrou aos presentes a evolução da classificação do algodão ao longo dos últimos anos, o que gerou uma uniformização dos resultados obtidos garantindo precisão e confiabilidade. “O programa de análise de classificação tecnológica do algodão tem como objetivo principal garantir o resultado de origem e dar credibilidade e transparência a esses resultados. Para tanto, era necessário que o Brasil tivesse um centro que pudesse ser referência para os demais laboratórios. Assim, surgiu o Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), laboratório central situado em Brasília, com certificação internacional. Nosso principal programa é o algodão de checagem”, explica Edson.



A análise com HVI é feita em quase 100% do algodão nacional, diz Ariel Coelho, engenheiro industrial, diretor da CDI do Brasil, filial da CDI Cotton Distributors INC. “Crescemos em produção e qualidade e hoje somos o maior produtor do hemisfério sul”, conta. Em sua palestra, Ariel falou sobre o mercado comprador dessa safra gigante que está sendo colhida agora destacando, ao lado da China, país que foi o maior importador do algodão brasileiro em 2018, países como a Indonésia, Bangladesh e Turquia e em menor escala o Paquistão. “O algodão brasileiro é bem parecido com o americano, com boa penetração no mercado internacional, principalmente o asiático. Nosso algodão tem certificação BCI, o que garante a sustentabilidade e cria um cenário confortável, com produtores que cumprem todas as regras e honram contratos.


O encontro teve, também, a presença do matemático, técnico têxtil e classificador de algodão Francisco Freitas, que trouxe um pouco de sua experiência como gerente industrial no Grupo Vicunha, desde 1986, para falar sobre "A qualidade da fibra para as indústrias brasileiras", tema de sua palestra. Para Freitas, o algodão brasileiro tem atingido as necessidades da Vicunha. “Cada vez mais utilizaremos o algodão nacional. E agora que o Brasil tem a disponibilidade de fornecer algodão o ano inteiro evita que precisemos importar”, comemora. Contudo, para fortalecer o algodão nacional, ele apontou as melhorias que se fazem necessárias a exemplo da contaminação por metais, como parafusos e peças metálicas; plástico amarelo, entre outros materiais. “A contaminação por metais é uma das mais preocupantes, porque pode ocasionar incêndios nas fábricas, causando danos à indústria”, alerta.


 


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Especialistas do Brasil e EUA debatem sobre a fisiologia do algodoeiro


 


A sala temática tratou da fisiologia do algodoeiro como passo importante para a produção de uma fibra com qualidade, além de ressaltar os estresses aos quais a lavoura está sujeita, como o encharcamento, sombreamento e seca.



 “Fisiologia do algodoeiro para produzir uma fibra de qualidade” é o tema desta sala que abriu a segunda rodada de palestras da tarde da quarta-feira, 28 de agosto. Nesse segundo dia do 12º Congresso Brasileiro do Algodão, especialistas do Brasil e dos Estados Unidos se reuniram para tratarem dos principais estresses abióticos aos quais a lavoura algodoeira está sujeita, como encharcamento, sombreamento e seca, além da modulação do crescimento visando tornar a cultura mais precoce, sem prejuízos na produtividade e qualidade.


Coordenador da sala e palestrante, Fábio Echer, engenheiro agrônomo, Dr. Prof. e pesquisador na Unoeste, Presidente Prudente (SP), falou sobre o "Sombreamento e encharcamento: efeitos sobre a fisiologia, produtividade e qualidade do algodão. Echer acredita que estes estresses podem contribuir para a perda de estruturas reprodutivas da planta. A depender do período de sombreamento, o impacto pode ser maior ou menor. Quando acontece no período de florescimento, os impactos são mais severos. “Estamos tentando entender as possíveis soluções para minimizar o problema. Ainda estamos trabalhando com hipóteses, mas sabemos que existe uma solução”, pontua.


O aumento da dose de nitrogênio pode ajudar na recuperação da produtividade, desde que haja umidade suficiente no solo e não haja limitação por temperatura e isso pode vir acompanhado de uma redução da qualidade.


Já o encharcamento se caracteriza pela diminuição da concentração de oxigênio no solo abaixo de 10%, o que ocasiona danos porque as raízes não conseguem respirar. O problema é mais grave em terrenos argilosos e pode ter consequências como a limitação no crescimento articular, diminuição da expansão da folha, baixa absorção de nitrogênio, entre outras. Entre as medidas de prevenção está a ausência de restrição física e química no solo.


Na sequência, o público presente teve a oportunidade de aprender sobre os prejuízos que o déficit de água acarreta na fisiologia do algodão com o americano Glenn Ritchie, PhD, Prof. of Physiology na Texas Tech University.  Durante a palestra “Estresse Hídrico: entendendo o impacto do déficit de água na fisiologia do algodão e no manejo”, Ritchie explicou que a falta de água é, sem dúvida, um fator limitante na cotonicultura e pode acarretar danos irreversíveis na qualidade da fibra. Encerrou a mesa de debates, o palestrante Rogério Ferreira, da Basf, que falou sobre a “Modulação do crescimento visando a precocidade da lavoura: impacto sobre a produtividade e qualidade”.


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Pesquisadores defendem importância do conhecimento dos ambientes produtivos para a gestão da adubação


Como o conhecimento sobre os ambientes de produção pode ajudar os produtores rurais em suas tomadas de decisão para a realização de uma gestão de adubação mais eficaz? Esta foi uma das questões em destaque na sala temática Gestão da adubação com foco em sistemas e ambientes de produção de algodão, realizada na tarde desta quarta-feira (28.08), como parte da agenda do 12o Congresso Brasileiro do Algodão. O evento reúne mais de 2 mil participantes do Brasil e exterior até esta quinta (29.09), no Centro de Convenções de Goiânia, em Goiás.


Promovido no formato de um talk show, sob a condução da agrônoma Ana Luiza Dias Coelho Borin, da Embrapa Algodão, a sala temática proporcionou um bate-papo dinâmico entre diferentes pesquisadores que são referência na área de adubação, com espaço para o diálogo com a plateia ao final.


Doutora em Ciência do Solo pela Universidade Federal de Lavras - com pesquisas realizadas desde 2011 sobre fertilidade do solo e nutrição de plantas - Ana Borin começou realizando uma caracterização dos sistemas e ambientes onde se concentram as culturas do algodão, no chamado bioma cerrado. Na sequência, o debate se voltou para o balanço e as exigências nutricionais destes ambientes, e seu impacto para a gestão da adubação.


O coordenador de pesquisa da SLC Agricola Marquel Holzschuh mostrou os resultados de um levantamento sobre textura do solo e produtividade nas fazendas da empresa em seis estados do Centro Oeste e Nordeste. “A comparação da análise da distribuição da argila no solo com o mapa da produção deixa bem claro que, quanto mais argiloso o solo, mais produtivo ele é”, afirmou o agrônomo, ao explicar que a textura argilosa é mais comum na região Cetro Oeste, enquanto no Nordeste predominam os solos arenosos.


Ainda assim, os pesquisadores chamam atenção para o fato de que dentro dos campos de uma mesma fazenda podem ser encontrados diferentes ambientes produtivos. “Não podemos esquecer no dia a dia que o solo tem uma heterogeneidade”, alertou Ana Borin.  A afirmação foi reiterada pelo agrônomo Leandro Zancanaro, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT). “É preciso que nos ajustemos à necessidade do solo, levando em conta se estamos lidando com um ambiente mais ou menos frágil e responsivo à fertilização”, ressaltou Leandro. Neste mesmo contexto, o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo (MG). Álvaro Resende deu sequência ao debate, mostrando os resultados de pesquisas sobre estoque de nutrientes e tamponamento (controle de pH) das áreas. “É possível refinar a gestão da adubação quando conhecemos melhor as dinâmicas dos nossos ambientes de produção”, defendeu o pesquisador.


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Manejo e boas práticas diminuem a resistência de pragas aos inseticidas e toxinas



O refúgio agrícola é essencial? Existem práticas mais recomendadas para o cultivo das variedades Bt? Qual conjunto de técnicas garante a eficiência da tecnologia e o aumento de produtividade sem colocar a lavoura em risco? Essas respostas foram dadas pelos especialistas Celso Omoto, Celito Breda, Paulo Degrande, Daniela Okuma e Fábio dos Santos durante o 12º Congresso Brasileiro do Algodão, na tarde desta quarta-feira (28), em Goiânia.



A chegada da tecnologia Bt no algodão beneficiou os agricultores, apresentando vantagens sobre o método convencional de controle de pragas. Mas, o primeiro algodão transgênico aprovado no Brasil, em 2005, pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) ainda traz dúvidas e preocupa os produtores quanto ao manejo e à suscetibilidade de insetos e toxina Bt.



Ficou claro para os congressistas que não há como ser eficiente sem levar boas práticas de manejo para o campo. “O monitoramento de pragas é a base para decisões corretas em todos os sentidos. Por isso, precisamos investir em pessoas, sistemas e processos, no intuito de aperfeiçoar esse monitoramento”, afirma Paulo Degrande, ressaltando que as estratégias devem estar baseadas nos ecossistemas, buscando a prevenção, análise e as realidades locais.



“Dessa forma, dentro das boas práticas agrícolas não se pode desconsiderar a eliminação de restos culturais, rotação e sucessão de culturas, uso de inseticidas e manejo de habitat, entre outros aspectos”, avalia Degrande, pontuando que existem cinco momentos do manejo, todos com a mesma importância, a serem considerados: pré safra, plantação, reprodutiva, final do ciclo e entre safra.



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Controle e prevenção à ramulária são debatidos no 12º Congresso Brasileiro do Algodão



Um dos destaques da programação do segundo dia do 12º CBA foi a Sala Temática que abordou, na tarde desta quarta-feira (dia 28), O manejo de doenças do algodoeiro, das 16h30 às 18h. Na coordenação da sala, estava o pesquisador da Embrapa Algodão, Alderi Araújo, engenheiro agrônomo com mestrado e doutorado na área de Fitopatologia.


Sua palestra focou na ramulária, a doença mais importante do algodoeiro, nas estratégias de controle e nos resultados obtidos nos ensaios de rede para avaliar os fungicidas, na safra 2017/2018.  Segundo o pesquisador, o principal objetivo da rede é a padronização de experimentos para ter resultados aplicáveis a toda regiões produtoras do país. O trabalho tem a parceria da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA).


“A ramulária está dispersa por toda produção de algodão no país, concentrada praticamente no Cerrado (mais de 99%). Fatores do climáticos favorecem a disseminação do fungo, como a temperatura quente e a umidade da chuva na região do Cerrado, no período do plantio. Ao mesmo tempo que propicia o desenvolvimento da planta, o clima favorece o avanço do problema”, disse o pesquisador.


Alderi destacou que o controle da doença, que é muito difícil de combater, depende de variáveis como medidas culturais, intervenções genéticas e químicas. “Há cultivares resistentes, mas não imunes aos fungos que causadores da ramulária”.


A sala temática contou ainda com a participação do engenheiro agrônomo Daniel Rosa, que falou sobre a resistência aos fungicidas e apresentou o Plano de Manejo Consciente da Syngenta, onde atua como gerente de Pesquisa e Desenvolvimento. “Hoje, procuramos ser mais proativos que reativos”, afirmou Rosa. Já o gerente agrícola do Grupo Bom Jesus, Eziquiel Vitor, apresentou o tema Visão do produtor sobre o controle de doenças em algodoeiro.


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Ferramentas de monitoramento podem diminuir perdas com nematoides



O manejo dos nematoides nos sistemas de cultura dos cerrados esteve em pauta na tarde desta quarta-feira (28), durante o 12º Congresso Brasileiro do Algodão, em Goiânia. O trio de especialistas, Fabiano Perina, Rafael Galbieri e Rosângela Silva falaram sobre os fatores agravantes que contribuem para o desenvolvimento dessa praga.



“Os nematoides preocupam a cotonicultura brasileira mas existem controles biológicos, genéticos, culturais e químicos que podem ajudar os produtores de forma integrada”, avalia Fabiano Perina, que trouxe um panorama da infestação de nematoides no Oeste da Bahia. Segundo ele, nas safras 2016/2017 e 2017/2018, cerca de 85% das áreas monitoradas foram detectadas com nematoide das lesões e 37% delas, com nematoide das galhas. “Apesar do índice ser menor, é justamente este segundo tipo que causa os maiores prejuízos na região do cerrado”, diz. O estudo contemplou 98 fazendas, 835 amostras em 11 municípios baianos.



Para os especialistas, a grande dificuldade por parte dos produtores é a rotação de cultura completa, a implementação das plantas de cobertura e o elevado trânsito de máquinas nas safras recordes como as de agora. “Esses implementos não são higienizados adequadamente, o que dissemina o nematoide rapidamente para áreas livres”, explica.



Segundo Galbieri, o manejo cultural adequado, a escolha das cultivares mais resistentes ou tolerantes, além do controle biológico da praga e tratos culturais simples são capazes de minimizar o impacto do nematoide nas lavouras. “O ideal é tomar as medidas preventivas para não deixar a praga entrar na fazenda mas, uma vez instalado, o produtor tem que acompanhar e controlar a infestação, usando essas ferramentas de forma associada para que esse conjunto de soluções integradas possa diminuir as perdas na produção”, finaliza Galbieri.



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12º CBA tem sala temática sobre colheita e beneficiamento do algodão



Antes de entender sobre colheita e beneficiamento do algodão, é preciso entender sobre todo o ciclo de produção da planta, desde o planejamento agrícola até a entrega final do produto ao cliente. Para compartilhar experiências sobre esses processos mecânicos e sobre como o gerenciamento e planejamento estratégico podem resultar em números positivos de produção e aumento da qualidade da fibra, o 12º Congresso Brasileiro do Algodão CBA - trouxe representantes de empresas agrícolas especializadas para expor sobre como é feita a colheita e o beneficiamento da planta.


Coordenada pelo chefe geral da Embrapa Algodão, Liv Severino, a sala recebeu como palestrante Luciano Bizzi, gerente de mecanização da SLC Agrícola e Giancarlo Goldoni, sócio coordenador de Engenharia na Cotimes do Brasil. Ambos compartilharam os modelos de produção das empresas.


Bizzi explicou como acontece o processo de mecanização do algodão. Segundo ele, um procedimento de logística de alto custo e que se faz necessário planejamento antes de acontecer de fato a colheita, com objetivo de minimizar todos os impactos do ciclo. “A gente retira uma amostra da planta na lavoura e faz uma análise prévia para saber como está a planta no campo. As condições de colheita, as regulagens das máquinas, velocidade de beneficiamento, tudo é minuciosamente calculado. Após esse estudo é que partimos para os processos mecanizados de colheita e beneficiamento”.


Durante a palestra no CBA, foram apresentados não só os processos de gerenciamento das máquinas, mas também a gestão de pessoal para gerar um melhor aproveitamento de trabalho, ganho em qualidade e aumento em rendimento.


Um dos pontos abordados pela SLC foi a padronização dos processos de colheita e também de limpeza das máquinas. O gerente explicou que além de manter a qualidade da fibra, isso gera a melhoria nos processos periféricos e aproveitamento da jornada do trabalho. “Nossas reuniões são feitas na lavoura. Desde a equipe que faz as refeições até a diretoria”.


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