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Na Semana da Pessoa com Deficiência, Abrapa destaca MP das Blusinhas como oportunidade para avançar em políticas públicas de sustentabilidade e redução dos microplásticos

Durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, entidade se une a organizações em defesa da ciência, da prevenção e de políticas públicas para reduzir a exposição aos micro e nanoplásticos.

24 de Agosto de 2026

Entidades da sociedade civil e do setor produtivo se unem, durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, celebrada entre 21 e 28 de agosto, em uma mobilização para ampliar a conscientização sobre os possíveis impactos da exposição aos microplásticos e nanoplásticos na saúde humana, com atenção especial ao desenvolvimento neurológico infantil.

A mobilização ganhou  adesão de diferentes setores da sociedade e reúne entidades do setor produtivo, organizações da sociedade civil e representantes do Congresso Nacional.

A Nota de Conscientização: Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla chama a atenção para fatores ambientais capazes de comprometer o neurodesenvolvimento e defende maior articulação entre famílias, profissionais da saúde, pesquisadores, universidades, setor produtivo, indústria, governos e sociedade civil.

A nota destaca que a presença de resíduos e partículas plásticas já é observada na água, no solo, no ar e em alimentos consumidos diariamente. A exposição humana pode ocorrer tanto pela ingestão quanto pela inalação dessas partículas.

O documento também chama atenção para estudos que vêm investigando os efeitos da exposição crônica aos micro e nanoplásticos, especialmente em períodos considerados críticos para o desenvolvimento, como a gestação, a infância e a adolescência. A mobilização ressalta, ainda, a necessidade de ampliar as pesquisas sobre os efeitos dessas partículas no organismo humano e transformar o conhecimento científico em ações de prevenção.

Da conscientização à ação

Além do alerta, as entidades defendem a construção de uma agenda que envolva ciência, prevenção, inovação e sustentabilidade.

Entre as medidas apontadas estão o desenvolvimento de tecnologias capazes de reduzir a liberação de microplásticos, o estímulo à economia circular, a gestão adequada de resíduos, a inovação em materiais de menor impacto ambiental e a construção de políticas públicas destinadas a reduzir a exposição da população.

A proposta é estabelecer uma rede de cooperação que envolva diferentes setores da sociedade e permita avançar tanto na produção de conhecimento quanto na adoção de medidas preventivas.

Fibras sintéticas também entram no debate

Um dos pontos abordados pela nota é a presença das microfibras plásticas liberadas por tecidos sintéticos de origem fóssil, como poliéster, nylon e acrílico, durante o uso e as lavagens.

O documento cita o estudo da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), elaborado por Boucher e Friot (2017), segundo o qual essas fibras respondem por aproximadamente 35% da poluição por microplásticos que chega aos oceanos.

Como alternativa, a mobilização defende o estímulo a materiais e fibras de menor impacto ambiental, incluindo o incentivo à inovação em fibras naturais e blends sustentáveis.

Para a Abrapa, signatária do documento, esse é um debate que precisa avançar também sobre os padrões de produção e consumo da cadeia têxtil.

“Estamos diante de uma discussão que vai muito além do algodão. É uma agenda de saúde, ciência, sustentabilidade e responsabilidade com as próximas gerações. Como setor produtivo, temos o dever de participar desse diálogo e contribuir para que as escolhas de hoje considerem seus impactos no futuro, explica o presidente da Abrapa”, explica o presidente da Abrapa Gustavo Piccoli.

Debate chega também ao Congresso

A discussão ganha relevância em um momento em que o Congresso Nacional analisa medidas com impacto direto sobre o mercado de vestuário e a cadeia têxtil.

Entre elas está a Medida Provisória nº 1.357/2026, conhecida como “MP das blusinhas”, que trata da tributação incidente sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas por meio de plataformas de comércio eletrônico.

A Abrapa acompanha a tramitação da matéria e tem defendido que a discussão sobre o acesso de produtos têxteis importados ao mercado brasileiro considere não apenas aspectos tributários e comerciais, mas também a composição das peças e os impactos ambientais associados às diferentes fibras.

Para o presidente Piccoli trazer essa dimensão para o debate é uma forma de estimular escolhas mais conscientes e políticas públicas que conciliem competitividade, desenvolvimento econômico, saúde e sustentabilidade.

“A mobilização reforça, assim, uma mensagem mais ampla: reduzir a exposição aos microplásticos e proteger as futuras gerações depende de ações que começam nas escolhas individuais, mas passam necessariamente pela ciência, pela indústria, pelo setor produtivo e pelas decisões de políticas públicas”.

Confira na íntegra: Nota de Conscientização_ 

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