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Jeans fortalece cadeia do algodão brasileiro

Peça clássica e democrática, o jeans vai muito além da moda e movimenta uma importante cadeia produtiva ligada ao agro brasileiro.

22 de Maio de 2026

No Dia Mundial do Jeans, especialistas destacam os avanços da produção nacional de denim e a valorização do algodão brasileiro no mercado têxtil.


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Dia Mundial do Jeans: Como o denim nacional ganha identidade graças ao corpo brasileiro?

No Dia Mundial do Jeans, criadores brasileiros falam ao FFW sobre a modelagem autoral do denim do país e como o corpo BR garante identidade

22 de Maio de 2026

Em 20 de maio de 1873, nascia oficialmente a calça reforçada com rebites de metal. Mais de 150 anos depois, o Dia Mundial do Jeans em 2026 consagra o tecido como o mais democrático do planeta. No Brasil, essa trajetória ganhou contornos únicos.


Sendo o maior exportador global de algodão, o país desenvolveu uma cadeia produtiva completa. Entretanto, onde o design de autor se une à sustentabilidade para criar um denim com identidade própria e alta qualidade.


Para entender essa evolução, grandes nomes do setor, parceiros do Movimento Sou de Algodão, iniciativa da Abrapa que promove a fibra natural e o consumo consciente, revelam ao FFW como o corpo e a matéria-prima nacional ditam as regras do mercado contemporâneo.


Curvas do Brasil


Um dos grandes diferenciais do produto feito no Brasil está na capacidade de entender as curvas locais. No entanto, o estilista Gui Amorim, conhecido por suas silhuetas expressivas, aponta que a modelagem precisa dialogar diretamente com a diversidade do público. Conforme destaca o criador:


“A mulher brasileira tem bunda, quadril, cintura fina, coxa, perna. É um corpo com volume, expressivo. Quem faz um jeans sem pensar nisso está muito longe de fazer um jeans brasileiro”.


Essa visão anatômica é compartilhada pela grife Amapô Jeans, capitaneada por Carô e Pitty, que foca na irreverência e na herança cultural do país para desconstruir o tecido. Segundo Carô, a essência do trabalho está na observação bem-humorada das necessidades reais dos consumidores:


“A brasileira, quando veste, olha muito para uma coisa: o bumbum. E a gente observa muito isso. Somos grandes estudiosas de bumbum, não importa a forma, o tamanho ou a textura”.


Sustentabilidade na indústria


Além do caimento perfeito, a responsabilidade ecológica se tornou o pilar central das tecelagens brasileiras. Aliás, Mara Jager, fundadora da Quinta da Glória, reforça que a preferência pela fibra natural de algodão é uma premissa inegociável de design para garantir a circularidade e o respeito ao meio ambiente.

Mara detalha sua busca pelo produto atemporal: “O jeans ideal é uma peça em fibra de algodão puro, sem lavagens, que faz história no corpo. Que 20 anos depois ainda está sendo usada, surrada e rasgada. Um jeans bem feito é timeless”.


Ademais, complementando a visão de durabilidade, o especialista Carlos Castro exalta a competitividade internacional e a infraestrutura integrada que o mercado brasileiro possui. De acordo com o profissional:


“Diversas vezes ouvi de profissionais estrangeiros o quanto o jeanswear brasileiro é completo. Nossa qualidade é invejável. O fato de a origem da nossa matéria-prima estar localizada aqui impacta diretamente no controle de qualidade”.


Dessa forma, o Dia Mundial do Jeans faz muito mais do que resgatar o passado de rebeldia da peça. Ele projeta um futuro promissor para a moda nacional.

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Dia mundial do jeans: Algodão brasileiro fortalece mercado sustentável

Produção nacional de algodão impulsiona cadeia do jeans com rastreabilidade, certificação socioambiental e inovação do campo à indústria da moda

22 de Maio de 2026

Celebrado mundialmente, o jeans vai muito além de uma peça básica do vestuário. Presente no guarda-roupa de mais de 90% dos brasileiros, o tecido, criado em 1873 nos Estados Unidos inicialmente como uniforme para trabalhadores, hoje representa um mercado bilionário e cada vez mais voltado à sustentabilidade, rastreabilidade e inovação.


Feito à base de algodão, o jeans tem no Brasil um importante protagonista da cadeia produtiva mundial. Atualmente, o país ocupa a posição de terceiro maior produtor global de algodão e lidera as exportações da commodity, abastecendo integralmente o mercado interno e destinando o excedente principalmente à indústria asiática.


Além da relevância econômica, o algodão brasileiro se destaca pelos atributos que agregam valor à produção têxtil nacional. Segundo especialistas ouvidos pelo AgroBand, o país avançou em práticas de rastreabilidade e sustentabilidade, fatores cada vez mais exigidos pelo mercado consumidor.


Hoje, mais de 79% da produção brasileira de algodão possui certificação socioambiental pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR). O setor também investe na rastreabilidade da cadeia produtiva, permitindo identificar a origem da matéria-prima até o produtor rural.


“Somos o país que tem rastreabilidade até a fazenda, chegando ao produtor. Isso contribui para uma cadeia têxtil mais responsável e transparente”, destacou uma das especialistas entrevistadas na reportagem.


Jeans ganha identidade e exclusividade


Enquanto o campo fornece a matéria-prima, a indústria e a moda transformam o tecido em peças cada vez mais sofisticadas e personalizadas. Em Belo Horizonte, uma marca especializada fez do jeans um símbolo de identidade e exclusividade, apostando em bordados, pedrarias e customizações.


Segundo a empresária entrevistada, cerca de 70% das vendas da marca são de peças em jeans. O negócio começou com jaquetas, mas expandiu para calças, saias, camisas e outras peças personalizadas.


“O jeans sempre foi uma peça clássica no guarda-roupa. Hoje conseguimos trazer identidade por meio de bordados, pedrarias e personalizações, tornando cada peça única”, afirmou.


O movimento acompanha a reinvenção do setor, que transita entre modelos casuais usados no dia a dia e produções sofisticadas que unem arte, brilho e exclusividade.


Pesquisa impulsiona inovação no campo


Outro destaque apresentado no programa foi o trabalho da pesquisa agropecuária voltada ao algodão. A Embrapa, na Paraíba, desenvolve estudos para o melhoramento genético do algodão colorido, buscando ampliar a resistência da fibra e facilitar sua inserção no mercado.


A iniciativa reforça a conexão entre campo, indústria, comércio e consumidor final, mostrando como a cadeia do algodão vai além da produção agrícola e influencia diretamente a moda e o consumo.


Versátil e atemporal, o jeans segue acompanhando diferentes momentos da rotina. “Uso do trabalho até festas, basta mudar os acessórios”, relatou uma consumidora entrevistada.


Do produtor rural às vitrines, o tecido mostra que continua se reinventando e consolidando o Brasil como referência internacional na cadeia do algodão e da moda sustentável.

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Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 22/05/2026

ALGODÃO PELO MUNDO #20/2026

22 de Maio de 2026

Destaque da Semana 1 - A Abrapa realiza agenda estratégica na Austrália, um dos principais produtores mundiais de algodão de alta qualidade. A missão tem como objetivo a troca de informações sobre melhores práticas, qualidade, logística e comercialização, além de reforçar a visão de que os produtores de fibras naturais globais devem unir forças para vencer o inimigo comum: fibras sintéticas.


Destaque da Semana 2 - A semana foi de correção em NY após a forte valorização do fim de abril. A combinação de realização de lucros, previsões de chuva nas regiões produtoras americanas e o recuo do petróleo pesou sobre as cotações. No lado positivo, compradores físicos aproveitaram os preços mais baixos para entrar no mercado.


Destaque da Semana 3 - Assim como em abril, as exportações brasileiras de algodão seguem em ritmo forte: somaram 159,6 mil toneladas nas duas primeiras semanas de mai/26. A média diária de embarque foi 74,4% maior que no mesmo mês de 2025.


Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 21/mai cotado a 77,98 U$c/lp (-7,1% vs. 14/mai). O contrato Dez/26 fechou em 79,73 U$c/lp (-5,6% vs. 14/mai).


Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 765 pts para embarque Mai/Jun-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 21/mai/26.


Baixistas 1 - A falta de novidades sobre a implementação do acordo de US$ 17 bilhões em compras agrícolas americanas pela China deixou o algodão sem catalisador positivo próprio. Sem confirmação de compras, o mercado perdeu força para sustentar a alta recente.


Baixistas 2 - Também não houve anúncio de compras pela Reserva do Estado chinesa, apesar dos rumores recentes. A ausência desse comprador oficial frustrou expectativas e reforçou o movimento de correção.


Baixistas 3 - A queda semanal de 4,4% no petróleo Brent reduziu o suporte indireto ao algodão. Com petróleo mais barato, o poliéster tende a ficar mais competitivo, o que pesa sobre a atratividade relativa da fibra natural.


Baixistas 4 - O alívio nas tensões EUA–Irã retirou parte do prêmio de risco geopolítico embutido nos mercados. Esse movimento reduziu posições compradas em petróleo e enfraqueceu o suporte macro que vinha ajudando commodities.


Baixistas 5 - A declaração de Trump de que as conversas com o Irã estão nas “fases finais” acalmou os mercados. Para o algodão, isso tirou parte do impulso especulativo ligado ao risco geopolítico e ao petróleo alto.


Altistas 1 - As chuvas previstas para os EUA não chegam a dissipar as preocupações com a safra. O cinturão algodoeiro americano segue em situação crítica, com 97% das áreas produtoras ainda enfrentando algum grau de seca. Mesmo que as precipitações se concretizem, ainda é cedo para avaliar seu real impacto.


Altistas 2 - A China importou cerca de 170 mil tons de algodão em abril, bem acima das cerca de 60 mil tons de abril do ano anterior. No acumulado ago-abr, as importações somaram 1,27 milhão tons, contra 1,01 milhão tons no mesmo período de 2024/25.


Altistas 3 - As importações chinesas de fios de algodão também aceleraram, chegando a cerca de 200 mil tons em abril, alta de 87% frente ao mesmo mês do ano anterior. Esse movimento indica algum suporte ao consumo têxtil regional, mesmo com cautela nas compras de pluma.


Altistas 4 - No Vietnã, os preços de fios subiram com o aumento recente do custo de reposição do algodão. Mesmo com margens apertadas, esse repasse parcial reduz a pressão imediata sobre as fiações.


Altistas 5 - As exportações brasileiras seguem em ritmo forte na safra 2025/26. No acumulado de ago/25 a abr/26, os embarques somam 2,34 milhões de toneladas, volume 9,2% superior ao registrado no mesmo período da temporada anterior, reforçando a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional.


China 1 - As importações chinesas de algodão em pluma somaram cerca de 170 mil toneladas em abril, volume ligeiramente abaixo de março, mas bem acima das cerca de 60 mil toneladas registradas no mesmo mês do ano passado. No acumulado de ago/abr, as compras alcançaram aproximadamente 1,27 milhão de toneladas, contra 1,01 milhão no mesmo período de 2024/25.


China 2 - Os preços do algodão na bolsa futura de Zhengzhou registraram novas perdas na semana. O contrato setembro já acumula queda de 4,5% desde a máxima recente registrada no início do mês. O volume negociado também foi menor.


Índia 1 - Os preços do algodão no mercado doméstico indiano registraram leve queda na semana. O Shankar-6 recuou ₹100, para cerca de ₹66.650 por candy (aprox. 88,10 c/lb ex-gin), enquanto o Punjab J-34 caiu ₹40, para ₹6.690 por maund (cerca de 84,20 c/lb).


Índia 2 - As importações indianas de algodão em pluma somaram 27.177 toneladas em março, volume 59% acima de fevereiro, mas 20% abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado. No acumulado de ago/mar, as compras totalizam 824.594 toneladas, ainda significativamente acima do mesmo período de 2024/25. O Brasil respondeu por 25% do total.


Bangladesh 1 - Parte das fiações segue cautelosa diante da maior volatilidade dos preços do algodão e da estabilidade dos valores dos fios. Ainda assim, algumas empresas fecharam recentemente compras tanto para embarque próximo quanto para o início do próximo ano.


Bangladesh 2 - As indústrias de vestuário relatam boa carteira de pedidos até junho, embora a demanda para o segundo semestre ainda pareça mais lenta. Algumas empresas continuam operando com capacidade reduzida devido aos custos e à disponibilidade de energia. O setor também deverá interromper atividades na próxima semana por conta do feriado de Eid.


Paquistão 1 - O clima segue quente e seco em grande parte do cinturão produtor de algodão do Paquistão, com temperaturas na faixa dos 40 °C. O plantio avançou recentemente nas regiões de semeadura, embora o calor intenso tenha exigido replantio em algumas áreas.


Paquistão 2 - Os estoques disponíveis no mercado doméstico permanecem limitados, levando fiações com necessidade imediata a aceitarem preços mais altos para garantir suprimentos.


Egito 1 - As vendas externas de algodão egípcio aumentaram 659 toneladas na semana encerrada em 16 de maio, com destaque para maior demanda da Índia e reduções nas compras de China e Paquistão.


EUA - EUA e China realizaram reuniões e concordaram em conduzir as relações futuras sob o princípio de “estabilidade estratégica construtiva”. Entre os temas discutidos esteve um possível compromisso da China de comprar ao menos US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas norte-americanos até 2028.


Preços - Consulte a tabela de cotações abaixo.


Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

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Qualidade, escala e rastreabilidade impulsionam o algodão brasileiro na Ásia

“A China continua um mercado importante, mas o Brasil avançou significativamente na diversificação de destinos…”

22 de Maio de 2026

Marcelo Duarte Monteiro é diretor de relações internacionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão – Abrapa e CEO da Asia-Brazil Agro Alliance, formado em administração pela UFMT, com mestrado pela FGV.


AgriBrasilis – Como a Ásia se tornou o principal mercado para o algodão brasileiro?


Marcelo Duarte – A consolidação da Ásia como destino do algodão brasileiro é resultado de um movimento estruturado ao longo de mais de uma década. Houve, de um lado, o crescimento acelerado da indústria têxtil asiática, especialmente em países como China, Vietnã, Bangladesh e Indonésia, e, de outro, um esforço coordenado do Brasil em se posicionar como fornecedor confiável.


A Abrapa, em parceria com a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão – ANEA e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos – ApexBrasil, estruturou o programa Cotton Brazil, que intensificou a promoção comercial do algodão brasileiro no exterior, com ações focadas em buscar e fidelizar compradores. Isso permitiu não apenas ampliar presença, mas construir relacionamento direto com fiações e tradings, garantindo previsibilidade e confiança no fornecimento.


A instalação de um escritório avançado do Cotton Brazil em Singapura foi um marco para estarmos próximos dos grandes compradores, consolidando relações com os maiores consumidores do mundo.


AgriBrasilis – O Brasil ainda depende excessivamente da China ou já consolidou outros mercados?


Marcelo Duarte – A China continua um mercado importante, mas o Brasil avançou significativamente na diversificação de destinos. Temos uma presença muito mais equilibrada em países do Sudeste Asiático, Sul da Ásia e até no Oriente Médio. Vietnã, Índia e Bangladesh, por exemplo, têm ganhado relevância crescente.


Essa diversificação reduz riscos comerciais e geopolíticos, além de permitir maior estabilidade nas exportações. Portanto, embora a China ainda seja relevante, o algodão brasileiro não é excessivamente dependente de um único mercado.


AgriBrasilis – Como o produto brasileiro se compara ao dos EUA e da Austrália em qualidade e preço?


Marcelo Duarte – O algodão brasileiro é altamente competitivo em ambos os aspectos. Em qualidade, temos um produto consistente, com bom comprimento de fibra, resistência e uniformidade, resultado de investimento em tecnologia, manejo e beneficiamento. Nossos laboratórios de análise de HVI (High Volume Instrument), garantem que o nosso cliente do outro lado do mundo receba o algodão padronizado de acordo com referências internacionais de qualidade.


Em termos de preço, o Brasil costuma ser competitivo devido à eficiência produtiva em larga escala. Em relação aos Estados Unidos, competimos diretamente em qualidade e escala, enquanto a Austrália também apresenta um produto de excelência, porém com menor volume disponível. O diferencial brasileiro está justamente na combinação entre qualidade, confiabilidade e disponibilidade ao longo do ano.


AgriBrasilis – A logística brasileira está preparada para sustentar o crescimento do algodão no mercado asiático?


Marcelo Duarte – A logística ainda é um dos principais desafios do Brasil, mas houve avanços importantes nos últimos anos. A ampliação de investimentos em terminais portuários, como é o caso de Salvador, têm contribuído para maior eficiência.


As regiões produtoras, principalmente no Mato Grosso e no oeste da Bahia, operam com planejamento junto a tradings e portos. Além disso, a Abrapa implementou o ABR-LOG, que estende as práticas de certificação e gestão aos terminais retroportuários.


Ainda existem gargalos, especialmente no transporte rodoviário. Para sustentar o crescimento das exportações, será fundamental continuar investindo em infraestrutura multimodal e reduzir custos logísticos, que ainda impactam a competitividade.


AgriBrasilis – Qual é a importância da sustentabilidade, da rastreabilidade e da certificação na valorização para o setor?


Marcelo Duarte – São pilares do posicionamento do algodão brasileiro no mercado internacional. Certificações como o Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e o Better Cotton Initiative (BCI) atestam nosso produto de acordo com critérios rigorosos de sustentabilidade ambiental, social e econômica.


A rastreabilidade atende a uma demanda crescente de marcas e consumidores por transparência na cadeia produtiva. Isso não apenas agrega valor ao produto, mas também abre portas em mercados mais exigentes, especialmente na Europa e em segmentos premium da indústria têxtil.


As regulamentações de circularidade e conformidade socioambiental se tornaram compromissos das principais marcas e varejistas com os consumidores e, por isso, a certificação deixou de ser apenas um diferencial e se torna requisito para acesso a mercados de alto valor.


AgriBrasilis – Quais devem ser os impactos da próxima safra nas exportações?


Marcelo Duarte – A próxima safra tende a manter o Brasil em posição de destaque no mercado internacional de algodão, com produção que passa os 3 milhões de toneladas e


potencial de crescimento nas exportações em relação ao ano anterior. Esse desempenho ainda dependerá de fatores como condições climáticas, demanda internacional e dinâmica de preços.


Caso se confirme uma boa produtividade, o Brasil pode ampliar ainda mais sua participação no comércio global, especialmente se continuar avançando na diversificação de mercados e na agregação de valor por meio da sustentabilidade e da qualidade do produto.

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Workshop promovido pela Abrapa debate manejo integrado de pragas e doenças do algodão

Evento reuniu associações estaduais, pesquisadores, entidades públicas e privadas para discutir manejo integrado, avanço dos biológicos e estratégias sustentáveis de controle fitossanitário do algodão

18 de Maio de 2026

O avanço de estratégias integradas no combate às principais pragas e doenças do algodão foi tema do 3º Workshop Integrado de Pragas e Doenças do Algodão, promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) através do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) nesta quarta-feira, 14/05, em Brasília.


O encontro, que contou com apoio da Bayer, reuniu associações estaduais, representantes da indústria, pesquisadores nacionais e internacionais para discutir os principais desafios fitossanitários enfrentados pela cotonicultura brasileira e as alternativas para tornar a produção mais eficiente e sustentável. A programação foi dividida em três temas prioritários: 1) Manejo de Bicudo e Lagartas; 2) Manejo de Doenças, como ramulária e mancha-alvo; e 3) Uso de Biológicos;


Abrapa destaca necessidade de avanços regulatórios para reforçar o MIPD


O evento reforçou a importância do manejo durante a entressafra e da adoção de estratégias regionais coordenadas para evitar perdas de produtividade e conter o aumento dos custos.


Na abertura do workshop, o vice-presidente da Abrapa, Paulo Aguiar, afirmou que a agricultura tropical exige soluções cada vez mais integradas para equilibrar produtividade e sustentabilidade. Segundo ele, os produtos biológicos vêm ganhando espaço como alternativa complementar aos defensivos químicos, especialmente diante da pressão por sistemas produtivos mais sustentáveis e eficientes.


De acordo com Aguiar: “O desafio da agricultura tropical exige cada vez mais inovação e integração de tecnologias. Os biológicos ajudam a reduzir o uso de defensivos químicos, mas também precisamos avançar no desenvolvimento e na aprovação de novas moléculas que já são utilizadas nos Estados Unidos e na Europa. O objetivo deste workshop é justamente reunir diferentes elos da cadeia para avançarmos em um modelo de produção mais sustentável dentro do programa ABR”.


Durante a sua fala, o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, antecipou que o Ministério da Agricultura deverá lançar ainda neste mês o Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (SISPA) do novo Marco Regulatório dos Defensivos Agrícolas. A iniciativa construída com investimentos da associação, vai unificar os sistemas de liberação de pareceres do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para agilizar o registro de novas molécula para insumos agrícolas.


Portocarrero também citou a importância do manejo integrado de pragas para a redução de custos de produção. “O grande desafio hoje para os produtores de algodão é aumentar a produtividade e reduzir custos, o que se torna um desafio, diante do atual cenário mundial.  Para termos mais eficiência nas operações precisamos trabalhar com a integração dos biológicos e com tudo o que temos disponível em termos de tecnologia e manejo para aumentarmos a margem.


O diretor executivo da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Gustavo Prado, falou sobre o alinhamento dos objetivos entre as entidades em relação ao MIPD. “Existe um alinhamento muito forte entre a Abrapa e a Abapa na busca por soluções que unam sustentabilidade, produtividade e competitividade para a cotonicultura brasileira. O mais importante é ver todos os elos da cadeia na mesma direção, compartilhando conhecimento, experiências de campo e boas práticas que fortalecem os resultados do algodão brasileiro”, explicou.


Representando a Bayer, o gerente de marketing de algodão, Eduardo Correa, afirmou que iniciativas como o workshop ajudam a aproximar a indústria das necessidades do produtor rural e fortalecem o desenvolvimento de soluções alinhadas à realidade do campo brasileiro.


Manejo do bicudo e lagartas


O combate ao bicudo e às lagartas ocupou a maior parte da programação. Especialistas defenderam que o manejo integrado depende de planejamento contínuo, monitoramento e integração entre diferentes ferramentas de controle.


A abertura do painel sobre bicudo trouxe um panorama da praga nas principais regiões produtoras do país, com participações do pesquisador do Instituto Mato Grossense de Algodão,  Dr. Edson Júnior, do gerente fitossanitário da Abapa, Dr. Giorge Gomes, e do coordenador de fitossanidade do grupo SLC Agrícola, Alexandre Pisoni. Na sequência, a destruição de soqueira apareceu como um dos grandes desafios atuais da cotonicultura. Em palestra específica sobre o tema, o Dr. Edson Júnior reforçou que a eliminação adequada dos restos culturais segue sendo um gargalo para muitos produtores, apesar de seu papel central no manejo do bicudo.


Durante seu painel, o professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Dr. Jorge Torres, destacou que o manejo começa ainda na entressafra. Torres reforçou que o vazio sanitário continua sendo essencial, mas precisa estar associado a outras estratégias para garantir eficiência no controle da praga.


Outro destaque foi a apresentação da Rede Bicudo Brasil, conduzida pelo pesquisador da Fundação Bahia, Me. Allef Silva. Segundo o pesquisador, os ensaios sobre o bicudo são realizados simultaneamente em diferentes regiões produtoras do país, permitindo comparar resultados em distintas condições climáticas e produtivas. Os dados obtidos serviram de base técnica para orientar as recomendações de manejo mais eficientes para cada realidade regional.


Na discussão sobre manejo de lagartas, o pesquisador em entemologia da Multcrop, Dr. Antonio Carlos, apresentou estratégias voltadas ao controle das principais espécies que afetam o algodoeiro. Já o professor da Universidade Federal de Pelotas, Dr. Daniel Bernardi, abordou o comparativo de eficácia entre inseticidas genéricos e moléculas mais efetivas no manejo de lagartas. Complementando o debate, o sócio diretor da Holagri, Guido Sanchez, relembrou a trajetória de controle da lagarta-rosada, que, para ele, é um case que demonstra como alinhamento regional é importante para mitigar pragas em várias culturas, incluindo do algodoeiro.


O fortalecimento do refúgio e os desafios relacionados à adoção da prática foi abordado pelo gerente de marketing da Bayer Algodão, Eduardo Correa. O gerente citou as inovações da Bayer em relação aos defensivos e mostrou os dados de como cada um deles tem funcionado de acordo com a praga e a região que foram aplicados no país.


Para contribuir com o debate e a troca de experiências entre cientistas e produtores, ocorreu entre as apresentações duas rodadas de discussão mediadas pelo gerente de sustentabilidade da Abrapa, Fábio Carneiro. A primeira delas contou com o produtor de algodão do estado da Bahia, Jarbas Bergamaschi, o Dr. Edson Junior, junto com o Dr. Jorge Torres e foi dedicada a discutir estratégias regionais e o fortalecimento do manejo integrado. A segunda rodada reuniu o professor da Escola Superior de Agricultura Luiz Queiroz, da Universidade de São Paulo, o pós-doutor em Biologia Molecular Aplicada à Entomologia, Celso Omoto, a Coordenadora de Desenvolvimento e Extensão do Departamento de Agricultura e Pesca do estado de Queensland, na Austrália, a PhD em sobrevivência de Spodoptera Litura em algodão Bollgard 3, Sharna Holman, o agrônomo da Fazenda Sete Povos (BA), Ricardo Atarass, e Alexandre Pisoni.


Doenças desafiam eficiência dos fungicidas


O manejo de doenças ganhou espaço com discussões voltadas principalmente ao avanço da ramulária e da mancha-alvo nas lavouras brasileiras. Pesquisadores alertaram para o aumento da resistência dos patógenos e para a necessidade de revisão das estratégias atualmente utilizadas no campo.


Representando a Fundação Chapadão, o pesquisador Dr. Deivid Sacon afirmou que as ferramentas disponíveis atualmente já não conseguem controlar as doenças de forma plenamente efetiva. Segundo ele, a redução do intervalo entre aplicações e a combinação de fungicidas têm apresentado resultados mais consistentes nas lavouras de Mato Grosso do Sul.


O tema continuou em pauta na apresentação do Dr. Fabiano Perina (Embrapa Algodão), sobre o manejo assertivo de Ramulariopsis pseudoglycines e Corynespora cassiicola. Os especialistas defenderam que o avanço das doenças exige um manejo mais técnico e integrado, associando monitoramento, posicionamento correto de produtos e estratégias preventivas para preservar a eficiência das moléculas disponíveis.


Biológicos avançam, mas exigem estrutura e tecnologia


O uso de biológicos apareceu como estratégia promissora para a cotonicultura, embora especialistas tenham ressaltado que a adoção dessas ferramentas ainda exige mudanças importantes dentro das propriedades rurais.


Em palestra sobre desafios e casos de sucesso no uso de biológicos, o produtor e engenheiro agrônomo Cézar Busato relatou experiências do oeste baiano e afirmou que o sucesso dessas tecnologias depende de estruturas e processos que não fazem parte da rotina tradicional das fazendas. Segundo ele, o avanço dos biológicos permitiu reduzir significativamente o uso de químicos e contribuiu diretamente para solucionar problemas relacionados ao mofo branco nas áreas produtivas.


A importância dos biológicos no equilíbrio do sistema produtivo é uma das principais vantagens na visão dos especialistas. Quando corretamente posicionados, esses produtos ajudam a reduzir o desenvolvimento de fungos e vírus, reforçando o manejo integrado e ampliando a sustentabilidade das lavouras.


Fortalecimento de alianças internacionais


Participantes da Austrália, Paraguai e Argentina destacaram a evolução das estratégias de manejo adotadas pelo Brasil e a importância da integração entre produtores, pesquisadores e indústria para enfrentar os desafios fitossanitários.


Daniela Vitti, bióloga e mestre em gestão ambiental do INTA (Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária da Argentina), ressaltou a importância de eventos técnicos desenvolvimento da agricultura sustentável na América Latina.


“Eventos como esse são mais que positivos para promover as alianças e cooperações entre países. Temos pontos em comum com a produção do algodão, então o compartilhamento dos conhecimentos nos ajuda a enfrentar os desafios, mesmo que tenhamos muitas diferenças em termos ambientais para cada região algodoeira, há muitas de coisas que podemos colaborar para o manejo do cultivo, para a produção e para a cadeia”, comentou Vitti.


Construção coletiva de soluções


No encerramento, o gerente de sustentabilidade da Abrapa, Fábio Carneiro, citou o MIPD como um dos temas prioritários do Programa ABR por ser uma forma de buscar o equilíbrio do sistema produtivo através do monitoramento, aliado ao uso racional de defensivos e da biotecnologia, promovendo uma cotonicultura mais responsável.


“O grande avanço do MIPD está na integração entre pesquisa, tecnologia e experiência prática no campo. O algodão brasileiro evolui quando toda a cadeia trabalha de forma coordenada para construir soluções sustentáveis e eficientes”, afirmou.

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Brasil e Austrália fortalecem diálogo sobre pesquisa, produção sustentável e colaboração em fibra natural 

Missão Cotton Brazil Dialogues Australia 2026 acontece entre os dias 17 e 22 de maio e levará delegação brasileira a algumas das principais regiões produtoras de algodão do país 

16 de Maio de 2026

Cotton Brazil realizará missão internacional "Cotton Brazil Dialogues" na Austrália



O Cotton Brazil realizará a missão internacional "Cotton Brazil Dialogues" na Austrália entre os dias 17 e 22 de maio de 2026. A programação levará uma delegação brasileira para visitas técnicas e encontros institucionais em algumas das principais regiões produtoras de algodão da Austrália. A iniciativa tem como objetivo promover o intercâmbio técnico entre os setores algodoeiros brasileiro e australiano, com foco em inovação, sustentabilidade, pesquisa aplicada, eficiência no uso da água, logística e gestão agrícola, contando com apoio do Rabobank.


Ao longo da programação, os participantes visitarão fazendas, centros de pesquisa, laboratórios, algodoeiras, empresas de classificação de fibra e estruturas logísticas estratégicas que dão suporte às exportações australianas de algodão.


Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a missão fortalece o posicionamento internacional do algodão brasileiro e amplia o diálogo técnico com mercados e importantes players globais do setor.


"Como responsáveis pela produção do algodão, a fibra natural mais reconhecida do mundo, é importante fortalecer nossos laços com outros países produtores e construir uma agenda conjunta", afirma Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa e integrante da delegação.



Agenda técnica



A programação terá início em Sydney e seguirá por regiões estratégicas da cotonicultura australiana, incluindo Moree, Wee Waa, Narrabri, Goondiwindi, Dalby, Toowoomba e Brisbane.


Entre os destaques da agenda está a visita à Sundown Pastoral Company, uma das maiores produtoras de algodão da Austrália e referência em eficiência no uso da água e sustentabilidade no campo. O roteiro inclui ainda a propriedade Keytah, localizada em New South Wales, reconhecida internacionalmente pelos altos índices de produtividade e pelo avançado modelo de gestão hídrica. A fazenda produz até 78 mil fardos de algodão por ano.


A missão também visitará a Australian Food & Fibre (AFF), uma das principais empresas do agronegócio australiano com operações integradas em toda a cadeia do algodão, além da Cotton Seed Distributors (CSD), empresa especializada em melhoramento genético e desenvolvimento de sementes de algodão.


Outro ponto importante da programação será a visita ao Australian Cotton Research Institute (ACRI), um dos principais centros de pesquisa da Austrália voltados para produtividade, manejo de pragas, uso eficiente da água e práticas agrícolas sustentáveis.


A agenda inclui ainda encontros com representantes da Warakirri Asset Management, uma das maiores plataformas de investimentos agrícolas da Austrália, e da ProClass, principal empresa independente de classificação de algodão do país.


Na etapa final da missão, os participantes visitarão as instalações da Queensland Cotton, integrante da Olam Agri, além do laboratório da Bayer Crop Science em Toowoomba e do Porto de Brisbane, principal corredor logístico de exportação agrícola do estado de Queensland.



Pesquisadores australianos visitaram o Brasil



Durante o mês de maio, antes da visita da delegação brasileira à Austrália, um grupo de pesquisadores australianos da The Cotton Research and Development Corporation (CRDC), por meio do programa de extensão CottonInfo, esteve no Brasil para uma agenda focada em intercâmbio técnico sobre temas como manejo de pragas, resiliência climática e saúde do solo. O grupo visitou fazendas nos estados de Mato Grosso e Bahia, instituições de pesquisa e participou de um workshop técnico sobre Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIPD), organizado pela Abrapa em Brasília.


“Chamou atenção durante nossa visita ao Brasil o quanto o setor agrícola é inovador e tecnologicamente avançado, a força da pesquisa aplicada e a forma como diferentes atores trabalham juntos para impulsionar o sucesso da agricultura, especialmente do algodão”, afirmou Jamie Street, agrônomo consultor baseado em St George, Queensland, especializado na produção australiana de algodão.



Referências globais na produção de algodão



A Austrália é considerada uma das principais referências mundiais na produção de algodão, especialmente em eficiência de irrigação, pesquisa aplicada e integração entre produção e logística de exportação. Ao mesmo tempo, o Brasil consolidou sua posição como um dos maiores produtores e exportadores de algodão do mundo, impulsionado por systems produtivos em larga escala, avanços tecnológicos, iniciativas de sustentabilidade, investimentos contínuos em rastreabilidade e programas de qualidade, além da capacidade de garantir oferta ao mercado global durante todo o ano.


A missão técnica cria uma oportunidade de aprendizado mútuo entre dois importantes players globais do setor algodoeiro, permitindo a troca de experiências e a exploração de diferentes abordagens relacionadas à produtividade, inovação e produção sustentável.



Relações internacionais



O Cotton Brazil Dialogues foi lançado em 2025 com o objetivo de fortalecer as relações institucionais e técnicas entre o algodão brasileiro e mercados estratégicos, promovendo maior aproximação entre produtores, representantes da indústria, pesquisadores e demais agentes da cadeia têxtil global, além de ampliar a promoção do algodão como fibra natural e sustentável.


"O Cotton Brazil Dialogues foi criado com o propósito de construir conexões de longo prazo entre o algodão brasileiro e atores estratégicos da cadeia global de valor. Dentro do contexto dessa iniciativa, vemos o intercâmbio com outros países produtores de algodão como fundamental para gerar valor para todo o setor", afirmou Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa.



Sobre o Cotton Brazil



O Cotton Brazil é um programa de promoção internacional do algodão brasileiro desenvolvido pela Abrapa em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). A iniciativa atua na promoção comercial, no posicionamento institucional e no fortalecimento da imagem do algodão brasileiro no mercado global, destacando atributos como qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e confiabilidade no fornecimento.

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Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 15/05/2026

ALGODÃO PELO MUNDO #19/2026

15 de Maio de 2026

Destaque da Semana 1 - O WASDE do USDA foi altista ao projetar queda dos estoques mundiais em 2026/27 e redução dos estoques finais dos EUA, mas isso não foi suficiente para sustentar NY. O mercado já estava tecnicamente esticado, e a tentativa de romper 89,00 U$c/lb falhou. Jul/26 iniciou uma correção forte após fazer máxima de 88,88 U$c/lb.


Destaque da Semana 2 - O gatilho baixista foi o relatório de exportações dos EUA, com vendas líquidas de apenas 47,7 mil fardos, o menor volume do ano comercial, mostrando que as fiações não sustentaram compras acima de 83,00–84,00 U$c/lb. Jul/26 caiu de 87,36 para 82,86 U$c/lb no mesmo pregão, enquanto a região de 81,00–82,00 U$c/lb virou a principal linha de defesa do mercado.


Destaque da Semana 3 - As exportações brasileiras de algodão se mantiveram em ritmo acelerado, somando 95,96 mil toneladas na primeira semana de maio. A média diária de embarques ficou 109,7% acima da registrada em mai/25, reforçando o forte desempenho das vendas externas brasileiras.


Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 14/mai cotado a 83,96 U$c/lp (+1,2% vs. 07/mai). O contrato Dez/26 fechou em 84,48 U$c/lp (+0,9% vs. 07/mai).


Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 769 pts para embarque Mai/Jun-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 14/mai/26.


Altistas 1 - O último WASDE do USDA trouxe uma leitura altista para o algodão. A primeira estimativa para 2026/27 projeta consumo mundial no maior nível dos últimos 6 anos, em aproximadamente 26,5 milhões de toneladas, enquanto a produção cai para cerca de 25,3 milhões de toneladas.


Altistas 2 - O cenário gera um déficit global de oferta e reduz os estoques finais, reforçando a percepção de mercado mais apertado.


Altistas 3 - O Brasil segue como protagonista no comércio internacional. O USDA projeta o país como maior exportador mundial, com volume recorde de aproximadamente 3,27 milhões de toneladas, seguido pelos Estados Unidos, com cerca de 2,68 milhões de toneladas.


Altistas 4 - Ainda segundo o WASDE, o Vietnã deve se tornar o maior importador global, mostrando que a demanda asiática continua relevante.


Altistas 5 - O risco climático dentro e fora dos EUA segue no radar. Preocupação com El Niño para Austrália e Índia. Oeste do Texas continuava seco, com pouca previsão de alívio antes do fim de maio.


Baixistas 1 - O WASDE altista não foi suficiente para sustentar o mercado, mostrando que a demanda física fraca pesou mais do que o balanço mais apertado de 2026/27.


Baixistas 2 - O relatório de exportações dos EUA foi fraco, com vendas líquidas de apenas 47,7 mil fardos, o menor volume do ano comercial.


Baixistas 3 - O basis está caindo porque muitas tradings estão carregadas com algodão das safras 2025 e 2026. Com pouco carregamento entre Jul/26 e Dez/26, o custo de manter algodão em estoque pressiona vendedores a reduzir prêmios.


Baixistas 4 - A reunião entre Xi Jinping e Donald Trump decepcionou parte do mercado por não trazer confirmação de compras chinesas de commodities agrícolas dos EUA. Sem anúncio concreto para o algodão, o mercado perdeu parte do prêmio de expectativa que havia sido incorporado antes do encontro.


Baixistas 5 - O clima nos EUA trouxe algum alívio baixista, com previsão de chuvas no Oeste do Texas nos próximos 10 dias e melhora marginal da umidade do solo. Ainda assim, a região segue precisando de volumes mais fortes de chuva.


Agenda - O Cotton Brazil realizará entre os dias 17 e 22 de maio a missão internacional “Cotton Brazil Dialogues Australia 2026”, levando uma delegação brasileira para visitas técnicas e encontros institucionais em algumas das principais regiões produtoras de algodão da Austrália. A agenda terá foco em pesquisa aplicada, sustentabilidade, eficiência hídrica, logística e inovação.


Anuário 1 - O Brasil atingiu 31% de participação no comércio global de algodão na safra 2024/25, consolidando sua liderança nas exportações mundiais da fibra, segundo dados do Anuário Cotton Brazil 2025.


Anuário 2 - O país também se consolidou como o terceiro maior produtor global de algodão, com 3,7 milhões de toneladas — equivalente a 15% da safra mundial —, ficando atrás apenas da China, líder do ranking, com 6,4 milhões de toneladas (25%), e da Índia, com 5 milhões de toneladas (20%).


Confira o relatório completo aqui - https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Anuario-Cotton-Brazil-2025-PT.pdf?utm_source=chatgpt.com


China 1 - Os preços do algodão na bolsa futura de Zhengzhou inverteram a tendência e encerraram a semana em queda. O contrato para setembro recuou 255 yuans, para 16.500 yuans por tonelada, enquanto o volume negociado aumentou significativamente em relação à semana anterior, encurtada por feriado.


China 2 - O China Cotton Index (CC Index) também caiu, encerrando a semana em 17.967 yuans por tonelada.


China 3 - O presidente dos EUA, Donald Trump, realizou uma visita oficial de três dias à China, em meio a esforços para aproximar as relações entre os dois países. Durante encontro em Pequim, o líder chinês Xi Jinping afirmou que China e EUA devem atuar como parceiros, e não rivais, destacando que a cooperação pode trazer benefícios mútuos.


Índia - O governo indiano aprovou um reajuste nos preços mínimos de suporte (MSP) para o algodão na safra 2026/27. O valor para algodão de fibra média subirá 7,2%, passando de ₹7.710 para ₹8.267 por quintal, enquanto o preço para fibras longas avançará 6,8%, para ₹8.667.


Paquistão 1 - O clima segue quente e seco nas principais regiões produtoras de algodão do Paquistão, com temperaturas atingindo a faixa dos 40 °C. Apesar das condições adversas, o plantio avança em bom ritmo, embora parte das lavouras tenha sido replantada. Produtores também relatam restrições hídricas em algumas regiões.


Paquistão 2 - Os preços do algodão em caroço permanecem elevados no Paquistão, com negócios recentes fechados entre 9.700 e 10.000 rúpias por 40 quilos.


Bangladesh 1 - A demanda de importação em Bangladesh segue concentrada em algodão disponível para embarques imediatos ou já em trânsito, com o objetivo de atender necessidades pontuais. Foram registrados negócios futuros envolvendo algodão brasileiro e da África Ocidental, além de maior interesse por algodão orgânico da Índia.


Bangladesh 2 - Custos elevados de energia e dificuldades no abastecimento também seguem afetando a indústria têxtil. Dados preliminares indicam que o país importou mais de 178 mil toneladas de algodão em abril, o maior volume mensal em várias safras.


EUA - O plantio de algodão alcançou 29% da área prevista até 10 de maio, levemente acima dos 27% registrados no mesmo período do ano passado. O avanço foi mais acelerado em parte do cinturão produtor, enquanto Texas — principal estado produtor do país — atingiu 27% da área plantada, em linha com 2025.


Austrália - O mercado australiano registrou aumento nas vendas por parte dos produtores, impulsionado pela alta dos preços em Nova York. Para a próxima safra, porém, cresce a expectativa de redução significativa da produção diante do risco de formação do fenômeno El Niño.


Preços - Consulte a tabela de cotações abaixo.


Quadro de cotações para 14.05


Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

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Brasil atinge 31% de participação no comércio global de algodão em 2024/25, aponta anuário do Cotton Brazil

15 de Maio de 2026

Lançado nesta quarta-feira (13/05), o Anuário Cotton Brazil 2025 reúne os principais resultados e números do projeto ao longo de 2025, além de apresentar um panorama da oferta e demanda mundial de algodão no ano comercial 2024/25. A publicação destaca o avanço do Brasil no mercado internacional da fibra, consolidando o país como líder global nas exportações e ampliando sua participação no comércio mundial de algodão, além de trazer números consolidados dos programas SAI, SouABR, SBRHVI e ABR, implementados pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão.


Destaques do Anuário Cotton Brazil 2025




  • O Brasil manteve a liderança no ranking mundial de exportações e alcançou 31% de participação no comércio global de algodão em 2024/25.

  • A produção mundial de algodão somou 25,3 milhões de toneladas no período. A China liderou o ranking, com 6,4 milhões de toneladas e 25% de market share, seguida pela Índia, com 5 milhões de toneladas e 20% de participação.

  • O Brasil consolidou-se como o terceiro maior produtor global, com 3,7 milhões de toneladas — volume equivalente a 15% da safra mundial — superando os Estados Unidos, que registraram 3,1 milhões de toneladas.

  • Entre os principais produtores, o Brasil registrou crescimento de 17% na produção em relação ao ciclo anterior, enquanto os Estados Unidos avançaram 19% e a China, 14%. Já a Índia apresentou retração de 10%.

  • Bangladesh assumiu a liderança mundial nas importações de algodão, com 1,82 milhão de toneladas adquiridas, o equivalente a 21% do volume global negociado.

  • O Vietnã tornou-se o principal destino do algodão brasileiro em 2024/25, importando 531 mil toneladas da pluma nacional, alta de 35% em relação ao ciclo anterior.

  • O relatório também apresenta uma análise do consumo de algodão nos dez países prioritários do projeto: China, Índia, Turquia, Paquistão, Bangladesh, Vietnã, Coreia do Sul, Indonésia, Egito e Tailândia.


Leia o anuário completo em:
https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Anuario-Cotton-Brazil-2025-PT.pdf

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Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 08/05/2026

ALGODÃO PELO MUNDO #18/2026

08 de Maio de 2026

Destaque da Semana 1 - A volatilidade macro segue elevada, com dólar, petróleo e geopolítica interferindo no comportamento dos fundos e no apetite por risco. O algodão mostrou resistência e fechou positivo, mesmo com queda do petróleo. Os preços perderam força nos últimos dias com a melhora do plantio nos EUA, que está avançando acima da média de cinco anos, e com a expectativa de aumento de área no país.


Destaque da Semana 2 - As exportações brasileiras de algodão foram o principal destaque positivo da semana, somando 370,4 mil toneladas em abril/26. O volume representa um recorde histórico para embarques no mês de abril e ficou 54,9% acima do registrado em abr/24.


Destaque da Semana 3 - Um novo estudo publicado na revista Nature Climate Change aponta que microplásticos suspensos na atmosfera também contribuem para o aquecimento global. Segundo pesquisadores, partículas plásticas coloridas absorvem luz solar e retêm calor enquanto circulam pelo ar, ampliando os efeitos das mudanças climáticas. O impacto estimado equivale a cerca de 16% do efeito de retenção de calor causado pelo carbono negro, considerado o segundo maior fator de aquecimento global, atrás apenas do dióxido de carbono.


Canal do Cotton Brazil - Quer se manter atualizado sobre o mercado de algodão no mundo? Participe: https://bit.ly/Canal-CottonBrazil. Fonte: Cotton Brazil.


Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 07/mai cotado a 83,00 U$c/lp (+1,0% vs. 30/abr). O contrato Dez/26 fechou em 83,69 U$c/lp (+1,0% vs. 30/abr).


Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 770 pts para embarque Mai/Jun-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 07/mai/26.


Altistas 1 - A alta recente de NY ganhou força com entrada de fundos e recompra de posições vendidas, reforçando o viés técnico positivo de curto prazo. A Cotlook avalia que os futuros encerraram um ciclo baixista de vários anos e podem estar na primeira fase de um mercado mais altista.


Altistas 2 - Os embarques semanais dos EUA seguiram fortes, com 327,5 mil fardos corridos na semana encerrada em 30/abr, volume acima do necessário para cumprir a meta atual de exportação do USDA. A leitura de mercado é que o USDA pode elevar a projeção de exportações dos EUA e reduzir estoques finais.


Altistas 3 - O clima no oeste do Texas continua sendo o principal risco altista para a nova safra americana. A previsão de maio ainda aponta seca em muitas áreas, o que deve impactar produtividade e abandono de lavouras.


Altistas 4 - A combinação de bolsas americanas firmes e dólar mais fraco tende a sustentar commodities, incluindo algodão. O argumento é que a melhora do apetite ao risco, liderada por ações de tecnologia e inteligência artificial, pode reduzir a busca por dólar quando as tensões geopolíticas diminuírem.


Altistas 5 - O mercado chinês discute uma possível liberação de estoques da reserva estatal, estimada em 2,5 a 3,0 milhões tons. Mesmo sendo uma medida para conter preços internos, historicamente leilões podem ser seguidos por recomposição de estoques, o que teria efeito positivo sobre importações futuras.


Baixistas 1 - A principal pressão negativa vem da demanda fraca no curto prazo, com vendas semanais dos EUA em apenas 123,3 mil fardos corridos. O mercado físico segue ativo, mas as fiações compram apenas o necessário, sem apetite para coberturas longas.


Baixistas 2 - A alta forte dos preços travou parte importante da demanda física na Ásia. Muitas fiações passaram a comprar apenas volumes mínimos para cobrir necessidades imediatas.


Baixistas 3 - A Cotlook informou que mesmo fiações eficientes enfrentam margens muito apertadas ou negativas com NY na faixa média de 80 U$c/lb. Compradores downstream resistem a aceitar novos aumentos de preço, limitando a continuidade da alta.


Baixistas 4 - O aumento das posições compradas de fundos no contrato julho virou fator de risco. A forte presença especulativa torna o mercado vulnerável a correções rápidas caso os preços percam suportes técnicos importantes.


Baixistas 5 - A Índia ainda discute possível redução ou retirada da tarifa de importação de 11%, mas o Ministério da Agricultura indicou que os estoques atuais são suficientes para atender a demanda restante desta safra. Sem mudança imediata na tarifa, o impulso comprador indiano pode ser limitado.


Exportações - No acumulado de ago/25 a abr/26, as exportações brasileiras somam 2,71 milhões de toneladas, alta de 13,7% com relação ao mesmo período em 24/25.


Qualidade — A Abrapa intensificou a preparação das Unidades de Beneficiamento de Algodão (UBAs) para a safra 2025/2026 com treinamentos voltados à formação de inspetores de qualidade. A capacitação, realizada em Luís Eduardo Magalhães em parceria com a Abapa, e em Chapadão do Sul em parceria com a Ampasul, faz parte das ações do Programa de Qualidade do Algodão Brasileiro (PQAB).


Fibra — As associações estaduais, em parceria com a Abrapa, também estão realizando uma série de eventos técnicos voltados para a qualidade da fibra. Só na última semana, foram realizados encontros em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, e Sapezal, Campo Verde e Sorriso, no Mato Grosso. Especialistas, consultores e produtores discutiram estratégias de integração entre campo, beneficiamento e laboratório para elevar a competitividade do algodão nacional, com foco em qualidade, rastreabilidade e padronização da fibra.


China 1 - Os preços do algodão na plataforma futura de Zhengzhou registraram forte alta no primeiro pregão após o feriado, antes de devolver parte dos ganhos nos dias seguintes. O contrato para setembro avançou 330 yuans no acumulado, encerrando cotado a 16.755 yuans por tonelada.


China 2 - O China Cotton Index também avançou ao longo da semana, encerrando o período cotado a 18.211 yuans por tonelada.


China 3 - A BCO informou que emergências de algodão já são observadas em 89% das áreas cultivadas em Xinjiang. As temperaturas seguem em elevação na região, favorecendo o bom desenvolvimento das lavouras.


Índia 1 - Os preços do algodão no mercado doméstico indiano registraram forte alta, com níveis mais altos em rúpias desde dezembro de 2022. A cotação média do Shankar-6 avançou ₹4.500, para ₹66.250 por candy ex-gin (88,80 cents/lp).


Índia 2 - O governo indiano anunciou um plano de cinco anos para melhorar a produtividade do algodão no país, com investimentos de ₹5.659,22 crore (cerca de US$ 598 milhões). A iniciativa tem como meta dobrar os rendimentos das lavouras até 2030/31 por meio do desenvolvimento de sementes de alto rendimento e modernização.


Paquistão 1 - As altas temperaturas podem exigir o replantio do algodão em algumas áreas produtoras. O clima quente e seco tem predominado no cinturão algodoeiro, com temperaturas atingindo a faixa dos 40 °C. Apesar das condições climáticas adversas, os trabalhos no campo avançam em bom ritmo.


Paquistão 2 - Os preços do algodão em caroço seguem elevados no Paquistão, com negócios recentes para entrega entre o fim de maio e o início de junho fechados entre 9.500 e 10.000 rúpias por 40 quilos.


Bangladesh 1 - A demanda por fios segue aquecida em Bangladesh, sustentada por encomendas firmes da indústria têxtil. Fiações têm ampliado compras de algodão para embarques próximos e estoques locais, enquanto importações de fios da Índia apresentam desaceleração.


Bangladesh 2 - O algodão brasileiro da safra 2027 voltou a registrar demanda recente por parte de compradores de Bangladesh, em meio ao movimento das fiações para garantir abastecimento nos próximos ciclos.


Turquia - A demanda por fios segue relativamente firme na Turquia, com muitas indústrias já apresentando carteiras de pedidos preenchidas até julho. Parte do setor, porém, avalia que o ritmo acelerado das vendas pode estar ligado a fatores temporários associados ao conflito no Oriente Médio.


Vietnã - A atividade comercial permaneceu lenta no mercado vietnamita, em meio às preocupações com o cenário macroeconômico e geopolítico. Ainda assim, volumes limitados de algodão dos Estados Unidos, Austrália e Brasil foram negociados para complementar necessidades pontuais.


Preços - Consulte a tabela de cotações abaixo:


Quadro de cotações para 07.05


Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

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