Últimas notícias

Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 17/04/2026
17 de Abril de 2026

Destaque da Semana 1 - As cotações de algodão em NY fecharam em alta pela 15ª sessão consecutiva, atingindo o maior nível desde maio de 2024. O mercado segue sustentado por forte sentimento altista, tensões logísticas e geopolíticas e crescente preocupação com o impacto da seca nos EUA. Destaque da Semana 2 - Depois de atingir recorde em março, as exportações brasileiras seguem em ritmo forte: somaram 136,0 mil toneladas nas duas primeiras semanas de abril. A média diária de embarque foi 62,6% maior do que no mesmo mês de 2025. Canal do Cotton Brazil - Quer se manter atualizado sobre o mercado de algodão no mundo? Participe: https://bit.ly/Canal-CottonBrazil. Fonte: Cotton Brazil. Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 16/abr cotado a 78,13 U$c/lp (+3,7% vs. 09/abr). O contrato Dez/26 fechou em 78,99 U$c/lp (+2,8% vs. 09/abr). Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 1014 pts para embarque Abr/Mai-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 16/abr/26. Altistas 1 - A seca persistente nos EUA, com 95% das áreas de plantio de algodão no país sob algum nível de seca, aumenta o risco de abandono de lavouras. O problema não é apenas quantos hectares serão plantados, mas quanto dessa área realmente chegará à colheita. Altistas 2 - A BCO elevou a estimativa de consumo chinês 2025/26 para 8,98 milhões de tons e aumentou as importações para 1,3 milhão de tons após a alocação antecipada de 300 mil tons de quota adicional. Esse ajuste confirma uso interno firme e necessidade maior de algodão importado. Altistas 3 - Um dos principais pontos de sustentação do mercado no curto prazo pode ser o aperto de algodão pronto para exportação imediata. Com o Brasil avançando no fim do seu ciclo comercial e com parte da safra nova de outras origens ainda em fase inicial de disponibilidade, o mercado pode atravessar uma janela em que a oferta exportável fique mais curta, exigindo preços e basis mais firmes para atrair vendas. Altistas 4 - As tensões no Oriente Médio seguem dando suporte indireto ao algodão, por meio da alta da energia e das restrições à oferta de fertilizantes. Esse ambiente eleva o custo de produção agrícola e amplia os riscos para a safra nova em diversas origens. Altistas 5 - O forte volume negociado em opções de compra (calls), com 73.132 contratos nos últimos dois pregões, indica posicionamento agressivo na expectativa de novas altas. Esse comportamento sugere que parte do mercado ainda vê espaço para extensão do rali, principalmente se o clima nos EUA continuar adverso. Baixistas 1 - Apesar da força técnica da alta, o volume diário de negócios caiu para 73.283 contratos, bem abaixo da média dos sete pregões anteriores, de 115 mil contratos por dia. Isso sugere que o rali recente perdeu participação e pode ficar mais vulnerável à realização de lucros e oscilações bruscas. Baixistas 2 - O próprio mercado segue descrevendo o rali como tecnicamente forte, mas frágil, diante de demanda de exportação fraca e sinais mistos do consumo. Isso significa que, sem confirmação de compras físicas mais consistentes, a alta pode encontrar dificuldade para se sustentar nesses níveis. Baixistas 3 - A Cotlook destaca que a alta acelerada dos futuros começa a bater no teto da demanda, porque muitas fiações não conseguem repassar integralmente o custo do algodão para o fio e para o tecido. Baixistas 4 - Um indicador disto é que as vendas semanais de algodão dos EUA recuaram para 161,1 mil fardos, queda de 49% frente à semana anterior. O dado mostra que o físico continua presente, mas longe de um quadro de compras agressivas generalizadas. Baixistas 5 - Importante lembrar que o algodão segue pressionado por excesso de oferta relativa, competição com poliéster e crescimento tímido da demanda. A direção do mercado de algodão depende do cenário macro e de algum choque de oferta. Brasil 1 - A Abrapa revisou a estimativa da safra 2025/26, projetando produção de 3,82 milhões de toneladas, queda de 10% em relação ao ciclo anterior, com área plantada de 2,05 milhões de hectares (-5,5%). Apesar do recuo, o Brasil mantém a liderança como maior exportador global, com embarques de 347,8 mil toneladas em mar/26, alta de 45,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Leia o Relatório de Safra aqui:https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Relatorio_safra_Abril_2026.pdf Brasil 2 - A Abrapa destacou, em seu Relatório de Estatística do Algodão, que a produção global está estimada em 26,53 milhões de toneladas, alta de 2,1% frente a 2024/25. Entre os principais produtores, são projetados aumentos na oferta da China (+828 mil toneladas) e do Brasil (+545 mil toneladas), enquanto Austrália, Turquia e Estados Unidos devem registrar queda na produção. Leia o Relatório de Estatística do Algodão aqui:https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Relatorio_de_estatistica_Abril.pdf Qualidade - A Abrapa divulgou o relatório final de qualidade da safra 2024/25, com um panorama completo da pluma brasileira após a análise de praticamente toda a produção já colhida, beneficiada e classificada. Ao todo, foram avaliados 17,4 milhões de fardos por meio do sistema HVI, o equivalente a cerca de 4,25 milhões de toneladas. Leia o Relatório de qualidade aqui:https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Relatorio-de-Qualidade-Safra-24-25-Marco.pdf China 1 - Os contratos futuros de algodão em Zhengzhou voltaram a subir de forma generalizada, com volume negociado elevado, acima de 4,6 milhões de contratos, concentrado principalmente no vencimento de setembro. Ao mesmo tempo, o China Cotton Index avançou para 16.957 yuans por tonelada. China 2 - O plantio do algodão na região de Xinjiang alcançou cerca de 63% da área, avanço de 38 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025. Produtores locais relatam aumento nos custos de fertilizantes, com alta média de 400 a 500 yuans por tonelada na comparação anual. Índia 1 - A Cotton Association of India (CAI) elevou sua estimativa de produção doméstica de algodão para a safra 2025/26 em 350 mil fardos (170 kg), totalizando 32,4 milhões de fardos. Índia 2 - Os preços domésticos do algodão em pluma avançaram na semana, com o Shankar-6 subindo cerca de ₹500 por candy, para ₹60.000 por candy (≈81,55 c/lb), enquanto o Punjab J-34 teve alta de ₹45 por maund, para ₹6.000 por maund (≈77,75 c/lb). Paquistão - O plantio do algodão retomou ritmo com o retorno de condições quentes e secas nas principais regiões produtoras. Uma leve onda de calor foi registrada em Sindh, com temperaturas na faixa dos altos 30°C, e condições semelhantes devem persistir no curto prazo. Bangladesh 1 - Os preços dos fios continuaram em alta, enquanto a escassez de energia segue impactando a produção de parte das fábricas de vestuário. Diante da volatilidade dos preços do algodão, algumas fiações reduziram novas compras e priorizaram a execução de contratos já firmados. Bangladesh 2 - As importações de algodão somaram 131.409 toneladas em março, alta de 9% em relação a fevereiro, mas queda de 11% na comparação anual. O Brasil respondeu por 38% do total importado. EUA - O plantio inicial do algodão avança em ritmo superior ao do ano passado na maioria dos estados. Chuvas pontuais foram registradas no oeste do Texas e em partes do Delta, mas grande parte do cinturão produtor ainda enfrenta condições de seca. Preços - Consulte a tabela de cotações abaixo. Quadro de cotações para 16.04 Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

Brasil mantém liderança global nas exportações de algodão, apesar de recuo na produção, aponta Relatório de Safra da Abrapa
15 de Abril de 2026

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) divulgou nesta terça-feira,14/04, o relatório de abril da safra 2025/2026. A entidade revisou para baixo a produção da safra, que deve ser de 3,82 milhões de toneladas de pluma, queda de 10% com relação ao ciclo anterior. A estimativa de área plantada está em 2,05 milhões de hectares, retração de 5,5% em comparação com 2024/2025. A semeadura da safra já foi finalizada em todas as regiões produtoras do Brasil, 70% das lavouras estão em fase de formação de maçãs, período que antecede o surgimento das plumas. Condições climáticas adversas acendem alerta de disponibilidade hídrica em regiões como o sul do Mato Grosso, enquanto na Bahia há perdas pontuais, sem comprometer a expectativa geral de rendimento. Exportações e mercado internacional No mercado externo, o Brasil consolida sua posição como maior exportador mundial de algodão. Em março de 2026, foram exportadas 347,8 mil toneladas da pluma, alta de 45,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior, gerando receita de US$ 530,1 milhões. A China liderou como principal destino, com 29% dos embarques ou 672,6 mil toneladas importadas, seguida por Índia, com 131,4 mil toneladas e Bangladesh com 75,4 mil toneladas, países que ampliaram significativamente suas compras. No acumulado do ano comercial, de agosto de 2025 a março de 2026, o país exportou volume recorde de 2,34 milhões de toneladas, registrando um avanço de 9,2%, com receita de US$ 3,67 bilhões. A projeção para o ciclo completo é de 3,15 milhões de toneladas exportadas, alta de 11,1%, mantendo o Brasil como maior exportador mundial. A balança comercial do algodão segue amplamente superavitária, com saldo de US$ 3,67 bilhões no período, apesar de leve queda de 1,6% na comparação anual. Em NY o contrato com vencimento em maio de 2026 encerrou o mês cotado em 70,0 US$ cents/libra-peso, alta de 8,4% no mês, refletindo maior dinamismo do mercado e recuperação dos preços. A produção global de algodão deve crescer 2,1%, alcançando 26,53 milhões de toneladas, enquanto o consumo recua levemente. Cenário doméstico Do ponto de vista de oferta e demanda, o aumento dos estoques chama atenção. A projeção é de que os estoques finais alcancem 880 mil toneladas até julho de 2026, alta de 381 mil toneladas, crescimento expressivo frente ao ano anterior. Na produção industrial o setor têxtil e de confecções segue relevante, com 25,5 mil empresas, 1,31 milhão de empregos diretos e faturamento de R$221 bilhões. As exportações têxteis e de confecção brasileiras acumulam queda de 4,0% entre janeiro e março de 2026. Já as importações de vestuário acumulam alta de 39,6% no mesmo período. Acesse o relatório completo: https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Relatorio_safra_Abril_2026.pdf

Brasil mantém liderança de exportações de algodão mesmo com produção menor
15 de Abril de 2026

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) publicou, nesta terça-feira (14), o relatório de abril para a safra 2024/2025. Segundo a associação, o Brasil exportou 347,8 mil toneladas, em março de 2026,  uma receita de US$ 530,1 milhões. O volume exportado foi 45,4% maior que no mesmo mês do ano anterior. Dentre os destinos, a China foi o principal consumidor do algodão brasileiro, em março de 2026. O País asiático importou 30% do total embarcado. China e Índia foram os destaques positivos do mês, somados, aumentaram em 125,3 mil toneladas o volume embarcado do produto nacional, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Bangladesh, Vietnã e Turquia são outros parceiros de destaque para a pluma brasileira. Por outro lado, o destaque negativo foram as exportações para o Paquistão, os embarques recuaram em 19,1 mil toneladas, em comparação a março de 2025. Para Marcio Portocarrero, diretor-executivo da Abrapa, o país consolida parceiros comerciais sólidos. “A China mantém um volume histórico, enquanto Índia e Bangladesh aumentam sua demanda pelo algodão brasileiro. Esperamos que a índia cresça ainda mais, por sua indústria têxtil poderosa e os recentes acordos comerciais para a parceria com o Brasil”, disse à CNN Brasil. No acumulado de agosto de 2025 a março de 2026, o país exportou 2340,3 mil toneladas e totalizou uma receita de US$ 3,67 milhões. O volume embarcado é recorde nos oito primeiros meses do ano comercial, e 9,2% maior ao registrado no mesmo período em 2024/2025. Nesse período, a China se manteve como o principal destino das exportações e representou 29% do total embarcado. O diretor acredita que os volumes se estabeleçam mês a mês. “Março não é um mês de grandes embarques e ainda assim conseguimos registrar um volume significativo. A constância no mercado e segurança do comprador pela pluma é o principal fator para as linhas de produção indústrial ao redor do mundo. Qualidade e sustentabilidade também influenciam muito na escolha pelo algodão do Brasil”, destacou. Com o fechamento do ano comercial 2024/2025, o Brasil confirmou sua posição como maior exportador global no ano, pela segunda vez na história. Para 2025/2026, as exportações são projetadas em 3,15 milhões de toneladas, alta de 11,1% com relação ao último ano comercial. Balança comercial O superávit da balança comercial brasileira do algodão foi de US$ 3,67 bilhões entre agosto de 2025 a março de 2026. O valor é 1,6% menor que no mesmo período do ano passado. No acumulado de agosto de 2025 a março de 2026, as importações nacionais de algodão aumentaram em 2,3%, em relação aos mesmos meses em 2024, totalizando 629 toneladas, que equivalem a US$ 1,7 milhão de aquisições internacionais. Os EUA foram os principais fornecedores com 38% do total adquirido. Em março de 2026, o indicador Cepea/Esalq encerrou o mês cotado em 75,46 centavos de dólar por libra-peso, alta de 10,7% em comparação com o início do mês. Em comparação com o final de março de 2024, as cotações nacionais (em dólares) acumularam alta de 2,1%. Na Bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em maio de 2026 encerrou o mês cotado em 70,0 US$ cents/libra-peso, uma alta de 8,4% no mês. Projeções de safra A produção é projetada em 3,82 milhões de toneladas de pluma, queda de 10% com relação ao ciclo 2024/2025. A estimativa é de 2,05 milhões de hectares para a área plantada, uma queda de 5,5%, ante a safra passada. A projeção de área plantada da Abrapa é levemente superior à divulgada pela Conab em abril. A Conab projeta a produção de pluma da safra 24/25 em 3,79 milhões de toneladas e estima uma área plantada de algodão em 2,01 milhões de hectares. Portocarrero destaca que a redução da área plantada representa um movimento estratégico “A redução de área não significa perda alguma, pois o desempenho da produtividade tem sido favorável. A tendência de oferta do produto também aumenta a expectativa de compradores por um preço ideal e estratégico. Essa oferta ajustada ajuda em termos de competitividade”, concluiu. Com a semeadura da safra 2025/2026 finalizada no país, a associação estima que 70% das lavouras brasileiras de algodão estão em formação de maçãs, período crítico para definição das produtividades de campo. No sul do estado do Mato Grosso, a menor chuva e o avanço para o fim do período chuvoso já acendem alerta para a disponibilidade hídrica, especialmente em áreas de segunda safra e semeaduras tardias. Na Bahia, a chuva levou a perdas do baixeiro no algodão plantado mais cedo. Ainda assim, a expectativa de produtividade continua semelhante à da safra passada. Com a produção e exportações projetadas, os estoques finais projetados para julho de 2026 são de 880 mil toneladas, alta de 381 mil toneladas com relação a julho de 2025. O USDA estima estoques mundiais de 16,77 milhões de toneladas para 2025/2026, alta de 4,0% no comparativo com o fechamento da safra 2024/25. De acordo com o relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção global está estimada em 26,53 milhões de toneladas, uma alta de 2,1%, em comparação a 2024/2025. Dentre os maiores produtores mundiais, é projetada alta na oferta chinesa (+828 mil ton) e brasileira (+545 mil toneladas). O consumo global foi projetado em 25,94 milhões de toneladas, leve queda de 0,2% em comparação com a safra passada. A China permanece como o maior consumidor mundial, com uma previsão de alta de 2,6% no consumo de algodão no país para 2025/2026.

Abrapa participa de reunião na FPA com André de Paula, novo ministro da agricultura do governo
15 de Abril de 2026

Na última terça-feira, 14/04, o Diretor Executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, participou de reunião promovida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) com o novo ministro da agricultura do governo Lula, André de Paula. O objetivo da reunião foi alinhar com o ministro as demandas do setor até o final do seu mandato. Entre as principais pautas discutidas estão o PRODES, o PRONARA, o endividamento rural, a regulamentação dos defensivos agrícolas e bioinsumos, e ajustes para o Plano Safra 2026/2027. Aproximação com o Executivo Para o presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion (PP/PR), o encontro com o ministro serviu para construir pontes entre o setor, o Congresso e Executivo "André de Paula nos sinalizou portas abertas no ministério para a gente poder estar mais próximo, naquela antiga 'construção de pontes' que a gente fala há tanto tempo". Portocarrero avaliou o encontro de forma positiva, reforçando a importância das pautas discutidas para a produção de algodão no país. “A Abrapa mantém diálogo com o governo federal em torno de temas estratégicos para o setor. Nossa avaliação é de que há espaço para que essas decisões sejam construídas em conjunto”, afirmou. Leia o documento elaborado pela FPA de pautas de interesse do setor na íntegra: Pauta Ministro André de Paula - RA 14.04

Abrapa recebe representante da Apaece para imersão sobre qualidade do algodão 
15 de Abril de 2026

A busca por elevar o padrão de qualidade do algodão brasileiro e ampliar a produção em novas fronteiras levou a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) a receber, nesta semana, a diretora executiva da Associação dos Produtores de Algodão do Estado do Ceará (Apaece), uma das 11 associações estaduais filiadas à entidade, Francieli Silva, para uma imersão técnica no Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA).  Potencial produtivo do Algodão Mocó  Doutoranda em Fisiologia e Melhoramento Genético de Plantas pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Francieli desenvolve uma pesquisa voltada à qualidade da fibra e ao potencial produtivo do algodão mocó (Gossypium hirsutum L. var. marie-galante), espécie nativa do semiárido. A variedade, historicamente presente na região, voltou ao radar científico e produtivo por suas características de adaptação e pela possibilidade de apresentar mecanismos resistência ao bicudo-do-algodoeiro.  “Acreditamos que, após décadas de exposição ao bicudo, o algodão mocó possa ter desenvolvido mecanismos naturais de resistência, com mudanças genéticas e fisiológicas importantes para o setor”, explica Francieli.  O estudo envolve experimentos em diferentes ambientes, análise de densidade populacional e mapeamento genético, com o objetivo de identificar genes associados à resistência a pragas e à qualidade da fibra. Segundo a pesquisadora, o material também apresenta atributos de interesse para o mercado, como fibra extralonga e alta resistência.  Processo de avaliação da qualidade da fibra  A passagem pelo CBRA tem papel central nesse processo. No laboratório, referência nacional em classificação de algodão, Francieli acompanha de perto os protocolos de análise instrumental da fibra, etapa considerada estratégica para validar os resultados obtidos em campo.  “Minha vinda aqui tem como objetivo conhecer, na prática, como funciona o processo de avaliação da qualidade da fibra e como o saber científico contribui diretamente para as exigências do mercado”, afirma.   Além do caráter acadêmico, a visita está inserida em um projeto mais amplo de reestruturação da cotonicultura no Ceará. A retomada da cultura também carrega um importante componente simbólico e histórico. “O Ceará tem uma memória afetiva com o algodão”, afirma Francieli.  “O objetivo também é conhecer a estrutura laboratorial para apoiar a implantação de um laboratório no Ceará, voltado à qualidade. A gente quer retomar a cultura do algodão com foco em um produto diferenciado, com rastreabilidade e padrão elevado, inspirado em modelos internacionais”, diz.  A estratégia inclui o fortalecimento de sistemas de certificação, o uso de fardos individualizados e o desenvolvimento de uma identidade própria para o algodão cearense que já conta inclusive com marca registrada.  Algodão e o fortalecimento das cadeias produtivas locais  Outro eixo do projeto está na integração com iniciativas agroecológicas e cadeias produtivas locais. A produção envolve tanto variedades convencionais quanto algodões coloridos, com foco na geração de sementes certificadas e rastreáveis. Entre os materiais utilizados, destacam-se cultivares com maior rendimento de fibra e outras com potencial para produção de caroço, voltado à alimentação animal e à indústria.  O algodão também surge como peça estratégica para a retomada da produção de biodiesel no estado. A cultura deve se somar a oleaginosas como girassol e mamona na oferta de matéria-prima, ampliando as oportunidades econômicas no semiárido. 

Abrapa publica Relatório de Estatística com atualização dos dados de oferta e demanda global do algodão
14 de Abril de 2026

Nesta terça-feira, 14 de abril, a Abrapa publicou o Relatório de Estatística do Algodão. Além de trazer os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que mostram dados globais de oferta e demanda do algodão, o documento também traz informações de safra e exportações brasileiras detalhadas. Veja os principais destaques do Relatório: Produção Global - Estimada em 26,53 milhões de toneladas, registrando alta de 2,1%, em comparação a 2024/2025. Dentre os maiores produtores mundiais, são projetadas altas nas ofertas chinesa (+828 mil ton) e brasileira, (+545 mil toneladas). Há previsão de queda nas ofertas da Austrália (-239 mil toneladas), da Turquia (-195 mil toneladas) e dos Estados Unidos (-108 mil toneladas), se comparadas com o ano comercial 2024/2025. China – Produção prevista em 7,80 milhões de toneladas. Mesmo com a safra maior, o USDA elevou a estimativa de importações em 90 mil toneladas e revisou o consumo em 110 mil toneladas para cima. Exportações Globais - O Brasil permanece como maior exportador global da safra 2025/2026, com uma estimativa de de 3,16 milhões de toneladas embarcadas. Para abril, o USDA reduziu as projeções de exportação indiana em 43 mil toneladas. Importações - Para o mês de abril é projetada uma queda de 34 milhões de toneladas nas importações apesar do aumento de 87 mil toneladas da China e 43,54 mil toneladas da Índia. A previsão de queda é influenciada principalmente pelas estimativas do Paquistão (-65,34 mil ton), de Bangladesh e do Vietnã, ambos com queda em 43,54 mil toneladas. Grande salto - As exportações para a Índia seguem como principal destaque para o mês de março. Se comparado com o mesmo período do ano passado, as importações indianas de pluma brasileira foram de 3.110 para 41.387 toneladas. Consumo no mundo- Projeção de 25,94 milhões de toneladas consumidas, leve queda de 0,2% em comparação com a safra passada. Estoques Globais - O USDA estima estoques mundiais de 16,77 milhões de toneladas, para 2025/2026, alta de 4,0% no comparativo com o fechamento da safra 2024/25. Acesse o Relatório completo: https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Relatorio_de_estatistica_Abril.pdf

Sistemas Abrapa