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Abrapa 27 anos: A união dos produtores transformou um cenário adverso em sucesso
07 de Abril de 2026A Abrapa comemora 27 anos neste dia 07 de abril. E, assim como os melhores tecidos de algodão, essa história é uma história tecida por muitos fios. No ano de 1999, produtores de diferentes regiões do Brasil decidiram caminhar juntos para reconstruir e renovar a cotonicultura nacional. Em um momento marcado pela crise do bicudo, que devastou lavouras em todo o país, a associação nasceu com um propósito claro: somar forças para fazer o algodão brasileiro retomar sua relevância econômica, social e histórica. A união dos produtores transformou um cenário adverso em uma história de superação, organização e crescimento. O que começou como uma resposta a uma crise tornou-se um modelo de articulação setorial. As parcerias construídas com instituições de pesquisa, entidades do agro, indústria, governo e mercados internacionais fortaleceram o setor em diferentes frentes: a qualidade evoluiu diretamente no campo e passou a ser atestada por análises confiáveis e padronizadas; saímos na frente na produção com certificação socioambiental, com a criação do Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), em 2012; e nos tornamos referência em rastreabilidade, acompanhando o algodão da semente ao guarda-roupa. Os resultados desse esforço foram colhidos ao longo dos anos e em 2024, chegamos ao posto de maior exportador mundial de algodão. E a Abrapa segue sendo a expressão dessa união. Mais do que representar uma commodity, é a tradução do trabalho coletivo de produtores e 11 associações estaduais que transformaram o algodão, a principal fibra natural do mundo, em presença no dia a dia, em cuidado com as pessoas, em responsabilidade ambiental e em parte essencial da identidade do brasileiro. Os desafios sempre existirão e continuarão se renovando. Mas a história da Abrapa mostra que, quando produtores caminham juntos e constroem parcerias sólidas, a capacidade de superar crises se fortalece e o futuro se constrói com mais solidez. Celebrar os 27 anos da Abrapa é celebrar a união que deu novo rumo à cotonicultura brasileira e tudo o que a força dos produtores é capaz de promover. Gustavo Piccoli é produtor de algodão e desde 2025 ocupa o cargo de presidente da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa).
Abrapa adere a manifesto e reforça oposição ao fim da “taxa das blusinhas”
07 de Abril de 2026A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) formalizou adesão ao manifesto contra a possibilidade de extinção da chamada “taxa das blusinhas”, medida que instituiu a cobrança de tributos sobre produtos importados vendidos por plataformas estrangeiras de e-commerce. A movimentação ocorre em meio a discussões no governo sobre uma eventual revisão da política tributária aplicada a remessas internacionais de baixo valor. De acordo com o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli: “A proposta representa um risco concreto de retrocesso para a cadeia produtiva nacional, especialmente em setores diretamente impactados pela concorrência internacional, como o têxtil e o de vestuário ambos fortemente conectados à produção de algodão no país”. Retrocesso para a indústria brasileira O manifesto sustenta que o fim da isenção tributária, iniciado em 2023 com a cobrança de ICMS no âmbito do programa Receita Federal do Brasil e ampliado em 2024 com a instituição do imposto de importação, contribuiu para uma série de avanços econômicos. Entre eles, a geração de milhões de empregos, a retomada do crescimento da indústria e do varejo e o aumento da arrecadação federal. Dados citados no documento indicam que, desde a implementação das medidas, o comércio criou cerca de 860 mil empregos diretos, enquanto a indústria gerou outros 578 mil postos formais. No mesmo período, o Brasil registrou taxa de desemprego de 5,1% ao fim de 2025, a menor da série histórica. Piccoli destaca que esses resultados também se refletem no campo. “O fortalecimento da indústria têxtil nacional amplia a demanda por matéria-prima brasileira, consolidando o algodão como um dos pilares da indústria brasileira de transformação”. Impacto fiscal Outro ponto ressaltado é o impacto fiscal. De acordo com o manifesto, apenas em 2024 o comércio recolheu R$ 246 bilhões em tributos federais, um acréscimo de R$ 36,9 bilhões em relação ao ano anterior. Já a arrecadação com o imposto de importação sobre remessas internacionais somou cerca de R$ 5 bilhões em 2025. A reversão da política, segundo estimativas apresentadas, poderia resultar em perda anual próxima de R$ 42 bilhões para a União. Hábitos de consumo Na avaliação das entidades signatárias, a chamada “taxa das blusinhas” não restringiu o consumo, mas contribuiu para equilibrar a concorrência. Pesquisa do Instituto Locomotiva, citada no manifesto, aponta que a maioria dos consumidores manteve ou até ampliou compras em plataformas internacionais, mesmo após a tributação, enquanto parte migrou para o varejo nacional. As entidades que lançaram o manifesto reforçam que a manutenção da medida é fundamental para garantir previsibilidade e segurança aos investimentos. A expectativa do setor é que apenas o comércio invista cerca de R$ 100 bilhões no país em 2026, movimento que poderia ser comprometido em caso de mudanças no atual modelo tributário. Contexto internacional Ao aderir ao documento, a Abrapa se soma a um amplo conjunto de representantes da indústria e do varejo que defendem a continuidade da política atual. O manifesto também insere o Brasil em um contexto internacional. Países como Estados Unidos, membros da União Europeia têm adotado medidas semelhantes para tributar remessas internacionais e proteger suas cadeias produtivas, diante da expansão de plataformas globais de e-commerce. Leia o manifesto na íntegra: Manifesto_Isonomia_Tributária

