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No Dia do Agronegócio, algodão destaca impacto social e ambiental do setor
25 de Fevereiro de 2026No Dia do Agronegócio, a cadeia do algodão brasileiro chama atenção para uma realidade que vai além da exportação de commodities. Dados socioeconômicos e ambientais mostram que a cotonicultura tem atuado como um importante motor de desenvolvimento regional, especialmente em municípios do interior do país, combinando geração de renda, preservação ambiental e avanço nos indicadores sociais. Para a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) a data é uma oportunidade de celebrar a cultura do algodão e ampliar o diálogo sobre o setor. “O algodão é uma cultura que envolve responsabilidade socioambiental ao longo de toda a cadeia, do plantio da semente ao produto final”, afirma Marcio Portocarrero, diretor executivo da entidade. Desenvolvimento regional impulsionado pelo algodão Os impactos da atividade podem ser observados de forma concreta em municípios que concentram a produção nacional da pluma. Entre 2000 e 2022, cidades como Campo Verde (MT), Primavera do Leste (MT), Sapezal (MT) e Luís Eduardo Magalhães (BA) registraram crescimento populacional muito acima da média brasileira. Campo Verde passou de 17 mil para 45 mil habitantes no período, crescimento de 161%. Primavera do Leste saiu de 36 mil para 85 mil moradores (139%). Sapezal quase quadruplicou sua população, saltando de 8 mil para 29 mil habitantes (269%). Já Luís Eduardo Magalhães teve o avanço mais expressivo: de 19 mil para 108 mil moradores, alta de 482% em pouco mais de duas décadas. O avanço populacional foi acompanhado por melhora consistente de acordo com os indicadores de desenvolvimento. Dados do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) mostram que, entre 2013 e 2023, os quatro municípios elevaram seus índices de forma superior à média nacional. Enquanto o IFDM do Brasil cresceu cerca de 29,8% no período, a média das quatro cidades avançou 21,3%, alcançando patamar considerado de alto desenvolvimento. O índice de Campo Verde saltou de 0,611 para 0,7602, Primavera do Leste, foi de 0,6626 para 0,805, Sapezal, de 0,6052 para 0,694, e Luís Eduardo Magalhães, de 0,55 para 0,6865. Os resultados refletem melhorias em renda, educação e saúde, pilares que compõem o IFDM. Certificação socioambiental é base do avanço Parte relevante desse desempenho está associada ao Algodão Brasileiro Responsável (ABR), programa de certificação socioambiental coordenado pela Abrapa. Criado em 2012, o ABR estabelece um padrão nacional que exige boas práticas ambientais, sociais e trabalhistas em toda a cadeia produtiva da cotonicultura, critérios que asseguram que onde a pluma é plantada o meio ambiente é preservado e o desenvolvimento social alcança altos patamares de qualidade de vida para daqueles que vivem nas regiões produtoras. Atualmente, 81% de toda a produção de algodão no Brasil recebe certificação do ABR. Estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa em 6 municípios do Oeste da Bahia (Cocos, São Desidério, Correntina, Riachão das Neves, Luís Eduardo Magalhães e Barreiras) aponta que, para cada R$ 1 investido pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) no programa, são gerados R$ 5,09 em retorno socioeconômico para a população local. Os impactos incluem melhoria das condições de trabalho, fortalecimento da governança nas propriedades e maior integração entre produtores e comunidades. A percepção dos produtores reforça os números. Segundo a pesquisa, 94% reconhecem que a certificação socioambiental influencia positivamente o valor da pluma, além de contribuir para a qualificação da mão de obra, organização produtiva e aumento da visibilidade econômica das regiões produtoras. Ao mensurar de forma sistemática os efeitos do investimento em sustentabilidade, o levantamento consolida evidências de que a economia do algodão gera impactos que extrapolam a porteira. “Os dados mostram que organização setorial, governança e responsabilidade ambiental produzem efeitos duradouros sobre o desenvolvimento regional”, afirma Portocarrero.
Plantio da nova safra de algodão entra na reta final, enquanto o Brasil conclui o beneficiamento de uma produção recorde, aponta relatório da Abrapa
23 de Fevereiro de 2026Até 12 de fevereiro de 2026, 97,4% da área projetada para a nova safra já havia sido semeada no país, segundo levantamento da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa). Restam áreas pontuais a serem implantadas principalmente na Bahia (4%), Minas Gerais (10%), Piauí (8%) e Mato Grosso (2%). Em Mato Grosso, o ritmo de implantação do algodão de segunda safra ficou acima da média dos últimos cinco anos para o mês de janeiro, segundo dados do IMEA, dentro da janela considerada ideal. Apesar do bom andamento do plantio, a área cultivada deve reduzir em 5,5% e totalizar 2,05 milhões de hectares na safra 2025/2026. As estimativas estão em atualização e uma nova projeção será apresentada em 9 de março de 2026, durante reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados do Ministério da Agricultura e Pecuária. Beneficiamento confirma safra histórica Enquanto a nova safra avança no campo, o beneficiamento da colheita 2024/2025 entra na fase final. Até meados de fevereiro, 99% do volume colhido já havia passado pelas algodoeiras brasileiras, restando pequenas parcelas no Mato Grosso e na Bahia. A produção estimada pela Abrapa é recorde, 4,25 milhões de toneladas de algodão, crescimento de 14,8% em relação à safra 2023/2024. O ganho veio tanto da expansão produtiva quanto do aumento da produtividade média, que atingiu 316,8 arrobas de algodão em caroço por hectare, alta de 3,6% frente ao ciclo anterior. Os números estão alinhados às projeções da Conab, que estima a produção de pluma da safra 2024/2025 em 4,076 milhões de toneladas, avanço de 10% sobre o volume da temporada 2023/2024. Exportações seguem fortes, com China na liderança No comércio exterior, o algodão brasileiro mantém desempenho robusto. Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, o país exportou 1,722 milhão de toneladas, com receita de US$ 2,73 bilhões. A China liderou as compras neste período, importando 480,4 mil toneladas, o equivalente a 28% do total embarcado. Além da China, chamaram atenção os aumentos das exportações para a Índia e a Turquia, ambas com crescimento próximo de 80 mil toneladas no período. O Vietnã, por outro lado, reduziu significativamente suas compras, com queda de 154,8 mil toneladas no acumulado, configurando o principal destaque negativo. Para o ano comercial 2025/2026, a Abrapa projeta exportações de 3,2 milhões de toneladas, volume 13% superior ao do ciclo anterior, reforçando o papel do Brasil como um dos principais fornecedores globais da fibra. Estoques sobem e pressionam preços Mesmo com o crescimento das exportações, o avanço da produção mantém os estoques finais em patamar alto. Com produção estimada em 4,25 milhões de toneladas e embarques projetados em 3,2 milhões, os estoques ao fim de julho de 2025 devem alcançar 835 mil toneladas, alta de 65% em relação à safra passada. A relação estoque/uso deve subir de 14% para 21% até julho de 2026. Esse cenário tem impacto direto sobre os preços internos. Desde novembro de 2025, o indicador do Cepea vem sendo negociado próximo ao preço mínimo estipulado pelo governo federal, de R$ 114,58 por arroba de pluma. No Mato Grosso, principal polo produtor, os preços médios de janeiro de 2026 ficaram 5,7% abaixo desse patamar. Mercado internacional aponta maior oferta No cenário global, o relatório mensal divulgado em 10 de fevereiro de 2026 pelo USDA indica aumento da oferta mundial de algodão na safra 2025/2026. A produção global foi estimada em 26,10 milhões de toneladas, crescimento de 1,1% frente ao ciclo anterior. Entre os principais produtores, o USDA projeta expansão significativa na China, no Brasil e na Índia, enquanto Austrália, Turquia e Estados Unidos devem registrar retração. O consumo global, por sua vez, foi estimado em 25,85 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo do observado na safra passada. Com produção maior e consumo mais fraco, os estoques mundiais devem subir para 16,35 milhões de toneladas em 2025/2026, alta de 1,8% na comparação anual, um contexto que reforça a pressão sobre os preços internacionais e exige atenção redobrada dos produtores e da indústria. Acesse o relatório completo: https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Relatorio_safra_Abrapa.fev2026.vf_.pdf
Algodão brasileiro mira acordo comercial para avançar na Índia
20 de Fevereiro de 2026Representantes do setor de algodão viajaram para a Ásia e participam das negociações para ampliar o comércio da pluma para a Índia, um dos principais polos da indústria têxtil global. A delegação liderada pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) acompanha a agenda presidencial no continente e aposta na ampliação do Acordo de Comércio Preferencial para ganhar competitividade no mercado indiano. O setor algodoeiro busca a redução das tarifas de exportação do produto nacional e a criação de cotas com tarifa zero, medidas que podem ampliar a competitividade da pluma nacional no mercado indiano. A comitiva, composta por Cotton Brazil, a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e a ApexBrasil, terá reuniões com representantes do Ministério dos Têxteis da Índia para apresentar um estudo com perspectivas de produção e comércio entre os países. Fernando Rati, gestor do Cotton Brazil, reforçou o trabalho da organização na análise de mercados e indústria têxtil global. “A expectativa do setor é que o algodão seja inserido entre os produtos para ampliação da preferência tarifária e que isso amplie a competitividade frente às outras origens”, destacou à CNN Brasil. O Ministério dos Têxteis é a principal entidade indiana para negociações e políticas públicas do país no segmento, o que inclui o algodão de diversos agentes. Hoje, Estados Unidos e Austrália são os principais clientes da indústria indiana. O gestor destaca que as negociações estão em patamar inicial, mas destaca os diferenciais competitivos do Brasil para avançar no acordo comercial. “O estudo que encaminhamos às autoridades demonstra a competitividade do agronegócio brasileiro, com um preço inferior de mercado e qualidade de fibra muito demandada pelos indianos”, afirmou Rati ao CNN Agro. Os representantes do setor acompanham o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, nas negociações para a ampliação do Acordo de Comércio Preferencial (ACP) entre o Mercosul e a Índia. Segundo Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa, a ampliação da participação brasileira na Índia reflete a construção de confiança com a indústria local. "Há espaço para aprofundar ainda mais essa parceria nos próximos anos”, afirmou. Abertura comercial com a Índia Além de se destacar como segundo maior produtor de algodão do mundo, a Índia também abriga o segundo maior parque industrial têxtil . Esta é a terceira vez que a delegação do Cotton Brazil realiza uma agenda estruturada no país. O setor tem intensificado missões comerciais e técnicas à Índia, em um movimento alinhado à reorganização das cadeias globais e à estratégia brasileira de expansão no mercado asiático. Os resultados já se refletem nos números do comércio exterior. Após a realização do primeiro Cotton Brazil Outlook, série de encontros para a promoção do algodão brasileiro realizado em 2024 nos polos industriais indianos, as exportações brasileiras de algodão para o país saltaram de 8 mil para 160 mil toneladas, elevando a participação do Brasil entre as origens exportadoras de 4% para 24%. No mesmo período, Estados Unidos, Austrália e países africanos perderam espaço no mercado indiano. Durante o ano comercial 2025/26, o Brasil já embarcou 185 mil toneladas para a Índia. Para o vice-presidente da Abrapa, Celestino Zanella, a parceria entre Brasil e Índia vai além de fatores comerciais. “A cotonicultura brasileira alia produtividade a rigor socioambiental, hoje indispensável para a competitividade da indústria asiática. Ao entregar uma fibra rastreável e sustentável, o Brasil oferece mais do que uma commodity”, concluiu. Algodão e mercado Têxtil A Abrapa projeta exportações de 3,2 milhões de toneladas de algodão na safra 2025/26, alta de 13% sobre o ciclo anterior. A China, responsável por 32% das compras brasileiras na última safra, deve seguir como principal destino. Com embarques de 2,8 milhões de toneladas no ciclo passado, o Brasil consolidou-se como maior exportador mundial da pluma. Para a temporada atual, porém, a área plantada deve recuar 5,5%, para 2,05 milhões de hectares. Mais da metade do algodão produzido no Brasil abastece o mercado internacional, com o país liderando as exportações globais. Atualmente, o mercado nacional consome cerca de 700 mil toneladas de algodão, mas quer alcançar o primeiro milhão de toneladas anuais até 2030, segundo entidades do setor. As importações da indústria têxtil atingiram US$ 6,6 bilhões, resultando em déficit comercial de US$ 5,7 bilhões para a cadeia de vestuário. Atualmente, a indústria nacional consome cerca de 700 mil toneladas da pluma brasileira, mas a meta é, ao menos, chegar a 1 milhão de toneladas, segundo a Abrapa. A indústria têxtil transforma fibras em fios e tecidos, enquanto a confecção utiliza esses insumos para produzir roupas e outros bens. Apesar de integradas, as duas atividades enfrentam volatilidade ligada ao preço do algodão, principal matéria-prima do setor.
Brasil negocia ampliação de acordo com Índia no setor de algodão
20 de Fevereiro de 2026Por Cibelle Bouças — Belo Horizonte 19/02/2026 18h52 Uma delegação formada por representantes do Cotton Brazil, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e da ApexBrasil acompanha a agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, à Ásia. O objetivo é negociar a ampliação do acordo de comércio preferencial entre Mercosul e Índia, para, entre outras coisas, aumentar as exportações de algodão ao país, em vigor desde 2009. A meta do governo brasileiro é expandir a lista de 450 produtos com descontos tarifários para até 4 mil, incluindo óleos vegetais, algodão, etanol, feijão e frutas, além de máquinas, equipamentos, terras raras, entre outros. Segundo a Abrapa, o foco do setor é reduzir tarifas de importação do algodão brasileiro de 11% e criar cotas com tarifa zero. “Nós acreditamos que o potencial de exportar para a Índia com a redução das alíquotas pode chegar a 300 mil toneladas por ano. Isso representa em torno de US$ 500 milhões de receita para o Brasil só com esse destino o destino indiano”, afirma o vice-presidente da Abrapa, Celestino Zanella. No ciclo comercial 2024/25 o Brasil exportou 160 mil toneladas de algodão para a Índia. A Índia é um dos maiores produtores mundiais de algodão e abriga o segundo maior parque industrial têxtil do mundo. O setor tem intensificado as missões comerciais e técnicas à Índia desde 2024. Desde então, as exportações brasileiras de algodão para a Índia passaram de 8 mil toneladas para 160 mil toneladas, elevando a participação do Brasil entre as origens exportadoras de 4% para 24%. “Nosso objetivo é fortalecer parcerias estratégicas, promover a rastreabilidade e a sustentabilidade da fibra brasileira e consolidar o Brasil como fornecedor confiável para a indústria têxtil indiana”, afirmou Fernando Rati, gestor do Cotton Brazil. A comitiva empresarial terá reuniões com representantes do Ministério dos Têxteis da Índia para apresentar um estudo sobre sinergias entre os dois países na área. Após a agenda presidencial, os representantes vão visitar os principais polos industriais indianos para a realização do Cotton Brazil Outlook, série de eventos e workshops para promover o algodão brasileiro. As atividades começam em Nova Delhi, seguem para Ahmedabade e Coimbatore, tradicionais polos têxteis, e terminam em Mumbai, onde a agenda se estende até o dia 28.
Abrapa promove abertura de mercado europeu para a moda brasileira
20 de Fevereiro de 2026Entre os dias 3 e 5 de fevereiro, os programas de promoção do algodão brasileiro da Abrapa, o movimento Sou de Algodão e o Cotton Brazil, marcam presença no Première Vision Paris, evento considerado uma das principais vitrines globais da indústria da moda. Em parceria com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), a entidade montou um espaço dedicado a designers brasileiros, reforçando o posicionamento do país como fornecedor de matéria-prima e design de alto valor agregado. Uma das maiores vitrines da moda global Reconhecida como um dos mais importantes eventos internacionais de insumos para a indústria têxtil, a Première Vision é realizada na capital francesa e reúne fabricantes, estilistas e compradores de diversos países. A feira apresenta inovações em tecidos, fios, acessórios e tecnologias sustentáveis, com uma curadoria rigorosa que orienta tendências e conecta criatividade à produção industrial em escala global. A edição de fevereiro de 2026 tem como tema “Territórios de Savoir-Faire” (Territórios do Saber-Fazer), propondo uma imersão na identidade geográfica do artesanato e da indústria. A proposta é valorizar o conhecimento tradicional aliado à inovação, destacando modelos produtivos que respeitam o meio ambiente e as competências locais como pilares do futuro da moda. Do campo à passarela Nesse contexto, a Abrapa apresenta o algodão brasileiro sob o conceito “Brazil: from Farm to Fashion”, utilizando o tema dos territórios para consolidar o país como origem de excelência tanto da pluma quanto do design. O espaço da entidade exibe looks do desfile Trajetórias, apresentado pelo movimento Sou de Algodão na última edição da São Paulo Fashion Week (SPFW), que destacou a cadeia de custódia do algodão brasileiro. As peças são assinadas por estilistas como Fernanda Yamamoto, Weider Silveiro e Alexandre Herchcovitch. Foto: Reprodução/Instagram @abrapabrasil Transparência da fazenda ao guarda-roupa A presença da moda brasileira na Première Vision é apresentada pela rastreabilidade integral da produção do algodão nacional. Por meio do programa SouABR, iniciativa da Abrapa que monitora a cadeia produtiva da semente ao guarda-roupa, o setor comprova transparência e conformidade com normas socioambientais, transformando a matéria-prima em um ativo estratégico para a exportação. Ao integrar desenvolvimento tecnológico no campo e produção criativa na indústria, o algodão brasileiro marca presença na feira com design contemporâneo diretamente associado à preservação e à valorização de seu território produtivo. Abertura de mercado para a moda brasileira Com a consolidação do acordo entre Mercosul e União Europeia, a participação do Brasil na Première Vision ganha ainda mais relevância. A feira surge como uma plataforma estratégica para que a moda nacional comece desde agora a capitalizar a abertura de acesso ao segundo maior mercado consumidor do mundo. A estratégia da Abrapa é posicionar o evento como vitrine para o algodão brasileiro, que já atende aos critérios de sustentabilidade, rastreabilidade e conformidade exigidos pelo mercado europeu.
Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 20/20/2026
20 de Fevereiro de 2026Destaque da semana 1 - Nesta semana, durante o USDA Agricultural Outlook Forum 2026, o órgão americano apresentou suas primeiras projeções para a safra 2026/27, indicando área a ser plantada com algodão este ano nos EUA de 9,4 milhões de acres – valor superior aos 8,99 milhões de acres estimados no início de fevereiro pela pesquisa de intenção de plantio do National Cotton Council (NCC). Segundo o órgão, o consumo global deve voltar a superar a produção esta safra. Destaque da Semana 2 – Começou a missão Cotton Brazil para a Índia. Com o objetivo de promover e valorizar o algodão brasileiro no país do sul da Ásia, uma delegação de produtores, executivos e exportadores realizará uma série de eventos, reuniões e visitas técnicas no país durante os próximos 7 dias. A missão começou em Nova Deli com a participação da Abrapa na visita do presidente Lula ao país, que contou com a inauguração do primeiro escritório da Apex Brasil na localidade. Destaque da Semana 3 – A delegação do Cotton Brazil também teve reunião com lideranças do Ministério Têxtil da Índia, Invest Índia e representantes do corpo diplomático brasileiro, para apresentação do estudo de sinergia e complementariedade entre Brasil e Índia no setor do algodão. Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 19/fev cotado a 65,73 U$c/lp (-0,4% vs. 12/fev). O contrato Dez/26 fechou em 68,27 U$c/lp (-0,3% vs. 12/fev). Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 849 pts para embarque Mar/Abr-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 19/fev/26. Oferta – A Cotlook estima a produção global de algodão em 26,16 milhões de toneladas em 2025/26, ante 26,37 milhões em 2024/25, representando recuo de aproximadamente 0,8% ano a ano. Demanda – A Cotlook projeta o consumo global de algodão em 25,10 milhões de toneladas em 2025/26, ante 25,51 milhões em 2024/25, indicando retração de cerca de 1,6% ano a ano. Altistas 1 – No Agricultural Outlook Forum, o USDA apresentou a projeção que em 26/27, o consumo mundial de algodão volte a superar a produção (≈ 26,1 vs 25,3 milhões de toneladas), reduzindo os estoques finais globais para cerca de 15,5 milhões de tons e a relação estoque/uso para 59%. Esse leve aperto no balanço, depois de anos de oferta confortável, dá um viés moderadamente altista para o mercado no médio prazo. Altistas 2 – Para a China, o USDA projeta queda de produção de cerca de 7,6 para 7,0 milhões de toneladas em 26/27, ao mesmo tempo em que o consumo sobe levemente para 8,6 milhões de tons e as importações aumentam 25%, para cerca de 1,5 milhão de tons. A combinação de menos algodão doméstico e mais importação reforça o papel da China como importador-chave na próxima safra (26/27). Altistas 3 – Mesmo com área um pouco maior em 26/27 (9,4 milhões de acres, +1,3%), o USDA projeta produção americana ligeiramente menor, em torno de 2,96 milhões de toneladas (13,6 milhões de fardos), por causa de taxa de abandono mais alta e área colhida menor. Com exportações em 2,66 milhões de tons (12,2 milhões de fardos) e uso interno estável, os estoques finais dos EUA caem para 4,2 milhões de fardos (≈ 0,9 milhão de tons). Altistas 4 - A pesquisa de intenção de plantio do National Cotton Council aponta para uma queda maior de área nos EUA (8,99 milhões de acres, queda de 3,2% frente à safra atual), com projeção de produção em 12,7 milhões de fardos (≈ 2,8 milhões de tons), o menor volume desde 2015/16. Altistas 5 – O USDA confirma o Brasil como maior exportador mundial pelo terceiro ano seguido, com embarques de 14,5 milhões de fardos em 2025/26 (≈ 3,2 milhões de tons), algo como 33% do comércio global. Mesmo com a produção brasileira recuando para cerca de 3,8 milhões de tons em 2026/27 (17,5 milhões de fardos), o país segue como principal fornecedor, seguido por EUA e Austrália. Baixistas 1 – O USDA destaca que, apesar do crescimento econômico global, o consumo de algodão está estagnado há quase 20 anos: desde 2007/08 não passa de ~120 milhões de fardos, enquanto o consumo total de fibras têxteis subiu de 337 para 520 milhões de fardos-equivalentes, puxado por fibras sintéticas. A participação do algodão caiu de mais de 35% para cerca de 22% da fibra têxtil mundial. Baixistas 2 – O estudo mostra que, desde a crise de 2008, os preços relativos do algodão frente ao poliéster dobraram: a relação algodão/poliéster, que girava em torno de 1,0 antes de 2007, passou a média de 1,70 depois disso, com picos acima de 2,0. Essa vantagem de custo das fibras sintéticas faz com que, na ausência de forte preferência do consumidor, a indústria têxtil opte por poliéster e outras fibras artificiais. Baixistas 3 – Mesmo com a queda prevista em 2026/27, os estoques globais permanecem historicamente altos, na casa de 71 milhões de fardos (≈ 15,5 milhões de tons), o terceiro menor nível em 10 anos, mas ainda bem acima das mínimas registradas em ciclos de alta mais fortes. Esse colchão de oferta tende a conter movimentos mais agressivos de alta no curto prazo. Baixistas 4 - O contrato May/26 em NY continua preso em uma faixa estreita de 63–65 U$c/lb, com pequena perda semanal, mesmo após notícias de menor área nos EUA e ajustes de safra no Brasil. A incapacidade do mercado de reagir de forma consistente a fatores altistas reforça a leitura de manutenção de preços deprimidos. Baixistas 5 - Relatório semanal de mercado nos EUA mostra que as vendas externas continuam abaixo da média sazonal e que os embarques ainda não atingem o ritmo necessário para cumprir a meta de exportações do USDA para 2025/26. Agenda - Até 28 de fevereiro, uma delegação brasileira formada por representantes do Cotton Brazil, da Abrapa, da Anea e da ApexBrasil cumpre agenda na Índia. Agenda 2 - A Cotton Brazil terá reuniao com SWAK (Associação das Indústrias Têxteis da Coreia do Sul) e participação na agenda presidencial e ministerial em Seul em 23/Fev. China 1 - Esta semana a China comemora a chegada do Ano Novo Chinês, com pouca atividade empresarial em todo o país. O sentimento para a volta do feriado é positivo, já que os últimos dados de PMI do setor têxtil de algodão indicam alta de 3,18 pontos em janeiro, indicando expansão da atividade, com aumento de novos pedidos e das taxas de utilização das fiações. China 2 - No mercado doméstico, o CC Index foi cotado ao equivalente de 104,23 U$c/lb, enquanto o contrato Maio/26 na bolsa de Zhengzhou girou em torno de 95,40 U$c/lb, com preços de poliéster e viscose relativamente estáveis. Essa relação de preços reforça que o algodão continua significativamente mais caro que as fibras sintéticas, o que favorece a substituição parcial por poliéster em alguns segmentos de fio e tecido. Paquistão - As fiações seguem ativas na compra de pluma doméstica e importada. O fato de as fiações aceitarem basis firmes em um cenário de margens ainda apertadas indica necessidade real de reposição e reforça a atratividade de algodão de melhor qualidade, inclusive do Brasil. Bangladesh - O mercado de fio se mantém firme: preços internos de fio em alta e melhores margens das fiações. Além disso, o recente anúncio do acordo comercial com os EUA, que deve abrir espaço para acesso preferencial a têxteis com algodão americano, tende a sustentar a demanda por algodão. Índia - Os preços domésticos de Shankar-6 subiram para cerca de ₹54.500 por candy (≈ 76,65 U$c/lb). Com pluma retida em estoques públicos pela estatal CCI e preços domésticos elevados, o algodão indiano segue pouco competitivo, o que abre espaço adicional para importação de Brasil, EUA e Austrália, mesmo com a volta do imposto de importação de 11%. Indonésia - Um pacote de 11 acordos comerciais com os EUA incluiu o compromisso de compra de algodão americano ao longo dos próximos anos. Esse movimento fortalece o vínculo das fiações locais com o algodão americano e tende a ameaçar a liderança brasileira nas importações do país. Workshop - Entre 9 e 13 de fevereiro, a Abrapa realizou no CBRA o Workshop de Manutenção Uster HVI ClassingQ Pro, em parceria com a Uster. O treinamento reuniu inspetores dos 13 laboratórios do programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), com foco na manutenção e operação dos equipamentos HVI, reforçando a precisão e a confiabilidade das análises da fibra. Exportações - As exportações brasileiras de algodão* somaram 149,2 mil toneladas nas duas primeiras semanas de fev/26*. A média diária de embarque foi 8,6% maior que no mesmo mês de 2025. Beneficiamento 2024/25 - Até o dia de ontem, não houve alteração nos volumes beneficiados nos estados em que o processo ainda está em andamento. Restam apenas os estados da BA (99%) e MT (99%) para a conclusão do beneficiamento. Total Brasil: 99,09%. Plantio 2025/26 – Até o dia de ontem (19/02) foram semeados nos estados da BA (98%), GO (100%), MA (100%), MG (94%), MS (100%), MT (99%), PI (92,43%), PR (100%) e SP (92%). Total Brasil: 98,61% Preços - Consulte a tabela de cotações e diferenciais abaixo. Quadro de cotações para 19 -02 Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com
