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Movimento "Microplástico é o Fim da Linha" coloca em debate as fibras que vestimos
21 de Setembro de 2026O que existe por trás da roupa que vestimos? O que acontece com as fibras e o que elas liberam ao longo de sua vida útil? E quanto sabemos, de fato, sobre os materiais que escolhemos vestir? Essas perguntas estão no centro do Movimento Fim da Linha, que será lançado nesta quinta-feira (24), durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), em Belo Horizonte (MG). A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre a presença de microplásticos no cotidiano, especialmente aqueles associados às fibras sintéticas, e estimular escolhas mais responsáveis por parte da indústria têxtil e de consumidores. O movimento também busca valorizar as fibras naturais, incentivar pesquisa e inovação e aproximar consumidores, indústria, comunidade científica e poder público desse debate. O lançamento está diretamente conectado ao tema desta edição do CBA — “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência” — e ocorre oficialmente durante painel “Como reconectar o brasileiro à fibra natural? Um desafio de saúde pública, meio ambiente e estratégia nacional”. Ao longo dos três dias de congresso, os participantes poderão conhecer o movimento em um estande dedicado à iniciativa, com espaço para fotos, um quiz sobre fibras e o contador de micropartículas, baseado em um estudo da WWF. A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), organizadora do CBA, tomou a iniciativa de reunir entidades representativas de diferentes fibras naturais em torno do movimento. Para Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa, levar o tema ao principal encontro da cotonicultura brasileira contribui para ampliar o debate sobre o papel que as fibras naturais podem desempenhar no país. “O Brasil construiu uma cadeia de algodão qualificada, tecnológica e capaz de fornecer uma fibra natural em grande escala, com certificação socioambiental. O CBA é o espaço para discutirmos não apenas como produzir mais e melhor, mas também como ampliar o uso e a valorização dessa fibra. Para nós, falar sobre fibra natural também é falar sobre as escolhas que fazemos para o futuro”, afirma Piccoli. Fibras naturais na agenda de políticas públicas Entre as principais fontes de microplásticos estão tecidos sintéticos produzidos a partir de polímeros plásticos, como poliéster, nylon e acrílico. Ao longo de seu ciclo de vida, especialmente pelo desgaste e pelas lavagens, esses materiais podem liberar microfibras plásticas. A presença dessas partículas no organismo humano já vem sendo identificada pela ciência. Pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Universidade Livre de Berlim, por exemplo, identificou fibras e partículas de microplásticos no cérebro humano. A ciência, no entanto, ainda investiga os possíveis efeitos dessa exposição à saúde. A identificação de microplásticos no organismo ou de associações com determinados desfechos não significa, por si só, comprovar causalidade. As evidências existentes reforçam a necessidade de atenção, pesquisa e prevenção. O movimento não propõe a eliminação das fibras sintéticas. A discussão busca ampliar informação e transparência, estimular pesquisa e inovação e criar mais oportunidades para o uso das fibras naturais quando tecnicamente adequadas. Para o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, a conscientização deve caminhar ao lado da construção de políticas públicas capazes de estimular a valorização das fibras naturais. “A valorização das fibras naturais precisa ser tratada como uma agenda de longo prazo. Queremos ampliar o diálogo com governos, indústria e a comunidade científica para construir políticas públicas que estimulem pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico, criando novas aplicações e condições para ampliar a presença das fibras naturais na indústria têxtil brasileira. Esta é uma agenda que reúne saúde, sustentabilidade ambiental, desenvolvimento industrial e informação ao consumidor”, afirma Portocarrero. Cânhamo e lã se juntam ao movimento O Fim da Linha nasce com a participação da Abrapa, Ayraa Eco Friendly, Associação Brasileira de Criadores de Corriedale (ABCC), Associação Brasileira de Criadores de Merino Australiano (ABCMA), Associação Brasileira de Criadores de Ideal (ABCI) e Associação Brasileira de Criadores de Ovinos Naturalmente Coloridos (ABCONC), reunindo diferentes setores em torno de uma agenda que envolve saúde, meio ambiente, ciência, consumo, indústria e desenvolvimento. Para Marcelo Sertório, sócio-fundador da Ayraa Eco Friendly, reunir diferentes fibras naturais amplia a informação disponível ao consumidor e evidencia a diversidade de características e aplicações dessas matérias-primas. A empresa atua no desenvolvimento da cadeia do cânhamo industrial no Brasil e em sua integração com outras fibras naturais. “Queremos ampliar o conhecimento sobre as fibras naturais, suas características e possibilidades. Informação é essencial para que o consumidor faça escolhas mais conscientes”, afirma Sertório. A lã Merino também integra esse movimento como uma fibra natural, renovável, biodegradável e de múltiplas aplicações. Além do vestuário, pode ser utilizada em calçados, mantas, estofados, tapetes, itens de decoração e materiais de isolamento térmico e acústico. Para a presidente da Associação Brasileira de Criadores de Merino Australiano (ABCMA), Raquel Dall’Igna Rodrigues, a união entre diferentes cadeias ajuda a mostrar à sociedade a diversidade e o potencial das fibras naturais. “Quando reunimos diferentes fibras naturais, ampliamos o acesso à informação e mostramos que existem alternativas naturais para diferentes usos no cotidiano. Essa união fortalece as cadeias produtivas, valoriza quem produz e contribui para escolhas mais conscientes e responsáveis”, afirma Raquel Rodrigues. Conheça mais sobre: Microplástico é o fim da Linha.
Abrapa apresenta Carta Aberta aos Presidenciáveis com as prioridades da cotonicultura para 2027–2030
21 de Setembro de 2026Em meio ao debate eleitoral sobre os rumos do Brasil a partir de 2027, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) apresenta aos candidatos à Presidência da República uma agenda com as principais prioridades da cotonicultura brasileira para os próximos quatro anos. Intitulada “Carta Aberta aos Presidenciáveis – A visão do setor da cotonicultura brasileira para os próximos 4 anos”, a iniciativa parte de uma mensagem central: as decisões do próximo governo serão determinantes para que o Brasil preserve sua competitividade e amplie o espaço conquistado no mercado internacional. O documento defende que a cadeia produtiva do algodão seja reconhecida como um ativo estratégico para o desenvolvimento do país e que sua competitividade seja tratada como uma política de Estado, articulando produção, indústria, comércio exterior, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento regional. Os desafios que orientam a Carta também estarão presentes nas discussões do 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), que será realizado de 24 a 26 de setembro, em Belo Horizonte (MG). Ao longo dos três dias, produtores, especialistas e representantes da cadeia estarão reunidos para debater temas estratégicos para o presente e o futuro da cotonicultura, conectando competitividade, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento do setor. Representatividade A Abrapa reúne 11 associações estaduais e representa produtores responsáveis por 99% da área plantada e 99% da produção nacional de algodão, além de 100% das exportações brasileiras da fibra. A Carta conta com a participação das associações estaduais, reforçando a representatividade das prioridades apresentadas pela cotonicultura brasileira para o ciclo 2027–2030. Construído com a participação das estaduais, o documento consolida uma visão do setor sobre temas considerados estratégicos para os próximos quatro anos e busca contribuir para o debate sobre as prioridades do país. Para o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, a posição alcançada pelo algodão brasileiro aumenta também a responsabilidade do país de construir condições para manter sua competitividade. “O Brasil conquistou uma posição de protagonismo no algodão mundial, mas liderança não é permanente. Precisamos olhar para os próximos quatro anos e construir um ambiente que dê ao produtor segurança para investir, produzir e competir. Esta Agenda é uma contribuição da cotonicultura para esse debate e, principalmente, para o futuro do país”, afirma Piccoli O que a cotonicultura espera do próximo governo A Agenda 2027–2030 reúne propostas em oito frentes consideradas estratégicas: fertilizantes; bioinsumos; segurança jurídica e estabilidade regulatória; reforma tributária; abertura comercial; infraestrutura e logística; modernização da política agrícola; e políticas públicas para o fortalecimento das fibras naturais. Entre as preocupações está a dependência brasileira de fertilizantes importados, apontada no documento como uma vulnerabilidade diante de oscilações cambiais, tensões geopolíticas e eventuais restrições nas cadeias globais de suprimento. A Abrapa também defende a conclusão da regulamentação da Lei nº 15.070/2024, que estabeleceu o marco regulatório dos bioinsumos. Na infraestrutura, a entidade chama atenção para gargalos em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, armazenagem e energia. Já na política agrícola, propõe o fortalecimento dos instrumentos de crédito e gestão de riscos, ampliação do seguro agropecuário e maior acesso ao mercado de capitais e a novas fontes de financiamento. A abertura de mercados também aparece entre as prioridades. A Abrapa defende acelerar negociações comerciais, fortalecer a atuação diplomática e sanitária e enfrentar barreiras tarifárias e não tarifárias, buscando diversificar os destinos do algodão brasileiro e reduzir a concentração das exportações. Para o diretor-executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, a Agenda busca antecipar ao próximo governo os pontos que serão determinantes para a capacidade de crescimento da cotonicultura brasileira. “O Brasil construiu uma cotonicultura altamente tecnológica, sustentável e competitiva. Agora, precisamos garantir condições para continuar avançando. Infraestrutura, segurança jurídica, política agrícola, abertura de mercados e inovação não são pautas isoladas. São fatores que, juntos, determinam a nossa capacidade de produzir, investir e competir no mercado mundial nos próximos anos”, afirma Portocarrero. Fibras naturais entram na agenda do próximo governo Outro eixo do documento é a defesa de uma política nacional de valorização das fibras naturais. A Abrapa propõe estímulos à inovação e à indústria têxtil nacional, compras públicas sustentáveis, desenvolvimento de materiais de base biológica e ações de conscientização sobre os benefícios das fibras naturais. A proposta reforça uma pauta que já vem sendo defendida pela Abrapa: ampliar a valorização das fibras naturais por meio de pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. A entidade defende políticas públicas que estimulem novas aplicações e aprimorem características de desempenho e usabilidade dessas fibras, ampliando sua presença na indústria têxtil, inclusive em combinações com outras matérias-primas. A iniciativa também busca fomentar pesquisas sobre os possíveis impactos das fibras sintéticas e dos microplásticos à saúde e ao meio ambiente, contribuindo para escolhas e políticas públicas baseadas em conhecimento científico. A valorização das fibras naturais deverá permanecer na agenda institucional da Abrapa na próxima legislatura, tanto no Congresso Nacional quanto junto ao Governo Federal e aos ministérios relacionados ao tema. A proposta é ampliar o diálogo sobre pesquisa, inovação, saúde, sustentabilidade e desenvolvimento industrial, criando condições para que fibras como o algodão ganhem novas aplicações e maior participação na indústria têxtil brasileira. Agenda de Estado Mais do que reunir demandas setoriais, o documento propõe que a cotonicultura seja reconhecida como um ativo estratégico para o desenvolvimento brasileiro, conectando competitividade, inovação, industrialização, sustentabilidade e inserção internacional. “Queremos estabelecer um diálogo com quem pretende governar o Brasil sobre o país que queremos construir nos próximos anos. O algodão conecta produção, indústria, geração de empregos, exportações, inovação e sustentabilidade. Criar condições para que essa cadeia continue avançando significa também ampliar a capacidade do Brasil de gerar desenvolvimento e agregar valor ao que produz”, reforça o presidente da Abrapa Gustavo Piccoli. Confira na íntegra: Carta aos Presienciáveis.
Câmara Setorial do Algodão atualiza cenário da safra e debate estratégias para ampliar mercados da fibra brasileira
16 de Setembro de 2026O cenário da safra brasileira, os desafios para ampliar o consumo interno e as exportações e a valorização das fibras naturais estiveram no centro dos debates da Reunião Ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados, realizada nesta terça-feira (15), em formato híbrido. Presidida por Gustavo Piccoli, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a Câmara reuniu representantes dos diferentes elos da cadeia produtiva para analisar o atual momento da cotonicultura e discutir estratégias para ampliar a competitividade do algodão brasileiro nos mercados interno e internacional. A agenda contou com apresentações da Abrapa, Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea). Safra brasileira Durante a reunião, a Abrapa apresentou a atualização da safra 2025/26. A estimativa é de aproximadamente 4,144 milhões de toneladas de pluma, em uma área plantada de 1,996 milhão de hectares. Segundo o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, os números ainda poderão sofrer ajustes até o fechamento oficial da temporada. Representantes das associações estaduais também apresentaram o andamento da colheita nas diferentes regiões produtoras. De maneira geral, foram relatadas boas produtividades e condições satisfatórias de produção, apesar de impactos pontuais relacionados ao regime de chuvas e à ocorrência de pragas. Dados do laboratório central apresentados durante a reunião também apontaram melhora nos diferentes fatores de qualidade do algodão brasileiro. Para Piccoli, o momento reforça a necessidade de olhar para toda a cadeia diante do crescimento da produção brasileira. “O Brasil ampliou sua produção, conquistou espaço no mercado internacional e hoje ocupa uma posição estratégica no fornecimento mundial de algodão. Nosso desafio é continuar conquistando mercados, mas também criar condições para ampliar o consumo e a transformação dessa matéria-prima dentro do Brasil”, afirma o presidente da Abrapa. Valorização das fibras naturais Como destaque, a Abrapa apresentou a proposta de construção de um projeto de lei voltado à valorização das fibras naturais e ao enfrentamento da poluição por microplásticos. A iniciativa prevê a criação de uma contribuição incidente sobre a importação de produtos têxteis acabados produzidos com fibras sintéticas. A proposta busca estimular o uso de fibras naturais, como o algodão, e destinar os recursos arrecadados a ações de inovação, sustentabilidade, mitigação da poluição por microplásticos, rastreabilidade ambiental e modernização industrial. O diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, destacou que a entidade irá atuar para fortalecer a articulação da proposta na próxima legislatura e ampliar o diálogo com os diferentes elos da cadeia. “A intenção é aperfeiçoar a iniciativa e construir apoio para uma agenda que concilie competitividade da indústria brasileira, inovação e valorização das fibras naturais”, afirmou Portocarrero. Indústria e mercado: mais espaço para o algodão brasileiro A situação da indústria têxtil nacional também esteve no centro das discussões. O presidente da Abit, Fernando Valente Pimentel, apresentou um panorama do setor marcado pela retração da produção e pelo avanço das importações. Entre janeiro e agosto de 2026, as importações brasileiras de vestuário cresceram 50,3% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado de 12 meses, a produção têxtil apresentou retração de 1,9%, enquanto a produção de vestuário caiu 4,2%. Pimentel explicou que entre os desafios está ampliar o consumo interno de algodão para aproximadamente 1 milhão de toneladas, estimulando investimentos capazes de transformar uma parcela maior da matéria-prima dentro do país. Já no mercado externo, a Anea apresentou perspectiva de novo recorde das exportações brasileiras na próxima temporada. A entidade estima a produção nacional em aproximadamente 4,178 milhões de toneladas, número próximo à projeção apresentada pela Abrapa. Apesar das boas perspectivas, o cenário exige atenção. Segundo o presidente da Anea, Dawid Wajs, o Brasil permanece competitivo no mercado internacional, mas enfrenta desafios para o escoamento de uma safra elevada, em um cenário de compradores mais cautelosos e maior disputa pelos mercados. A diversificação dos portos utilizados para os embarques, com destaque para o crescimento de Salvador como alternativa a Santos, também foi apontada como estratégica. Ao final da reunião, os participantes reforçaram a importância da atuação integrada da cadeia produtiva, com investimentos em pesquisa, inovação, sustentabilidade, novos usos e agregação de valor ao algodão brasileiro. A próxima reunião ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados está prevista para 9 de dezembro de 2026.
Abrapa transforma processos de auditoria com tecnologia desenvolvida junto às estaduais
09 de Setembro de 2026Uma prancheta, formulários impressos e um checklist com cerca de 200 questões começam a dar lugar ao celular ou tablet. A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) avança na digitalização de seus processos com a implementação de um novo aplicativo para as atividades de diagnóstico e auditoria relacionadas às certificações ABR e ABR-UBA. A ferramenta permite, com autorização prévia, que informações e evidências sejam registradas diretamente em campo. Pelo aplicativo, o auditor pode responder ao checklist, incluir observações por áudio, registrar fotos e vídeos e anexar evidências. Etapas que antes dependiam de papel, planilhas e posterior inserção das informações em sistemas passam a integrar um único fluxo digital, por meio da Web e do aplicativo. A mudança reduz etapas intermediárias e permite que resultados e eventuais não conformidades sejam acompanhados com maior rapidez, ampliando também a segurança e a confiabilidade das informações. Para o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, o aplicativo representa um passo importante na estratégia de modernização dos sistemas utilizados pela entidade e pelas associações estaduais. “Quando investimos em tecnologia, buscamos tornar os processos mais eficientes, seguros e conectados à realidade de quem está na ponta. Esse aplicativo é resultado de uma construção conjunta com as nossas associações estaduais e mostra o caminho que queremos seguir: usar a inovação para fortalecer a atuação das estaduais, facilitar o trabalho das equipes e gerar cada vez mais valor para os produtores”, afirma Piccoli. Construção conjunta Antes do desenvolvimento da ferramenta, a equipe de tecnologia da Abrapa realizou reuniões, workshops e visitas a campo para ouvir as associações estaduais e compreender as diferentes realidades das regiões produtoras. A solução foi desenvolvida para atender às normas e regras dos programas e às diretrizes das normas ISO que os norteiam e, ao mesmo tempo, adaptar-se às particularidades operacionais de cada estado e associação. “Tecnologia não desenvolve apenas software. Entrega experiência. E, para entregar uma boa experiência, precisamos conhecer o negócio de ponta a ponta, entender a realidade de quem vai utilizar a ferramenta e construir a solução junto com esse usuário”, explica a gerente de Tecnologia e Produtos da Abrapa, Michely Maia. Mato Grosso e Bahia estão entre os estados que participam das primeiras etapas de implementação e validação em campo. As atividades seguem o cronograma e a realidade de cada associação estadual e incluem treinamentos, acompanhamento dos usuários e ajustes na ferramenta. Na Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), que participou da construção e dos testes da solução, a mudança já permite comparar o novo fluxo com o processo anteriormente realizado de forma manual. “Antes, o auditor fazia o trabalho em campo e depois ainda precisava inserir os dados em planilhas para que as informações seguissem para as outras etapas. Além de mais demorado e cansativo para as equipes, mais pessoas manuseavam esses dados, maior era a possibilidade de erro. Nossa contribuição foi levar essa experiência de campo para a construção de uma ferramenta que trouxesse mais agilidade, segurança e qualidade ao processo”, explica a coordenadora socioambiental da Ampa, Marlene Rodrigues. Com a digitalização, as informações geradas durante a auditoria e o Plano de Correção de Não Conformidades (PCNC), quando necessário, passam a integrar a plataforma. Marlene conta que o produtor poderá acessar as informações de sua auditoria e acompanhar as providências e os respectivos prazos. “Para as estaduais, os dados digitalizados também ampliam as possibilidades de geração de indicadores”, destaca a coordenadora socioambiental da Ampa. Transformação digital O aplicativo é uma das entregas do Siga, plataforma estruturada pela Abrapa para integrar e modernizar seus sistemas. A ferramenta foi construída a partir da escuta das associações estaduais e também das certificadoras envolvidas nas auditorias. “Essa entrega muda a forma como fazemos a gestão das certificações ABR e ABR-UBA. A ferramenta conecta as diferentes etapas, desde o planejamento e o diagnóstico pré-auditoria até a auditoria, a gestão das não conformidades e a emissão do certificado, em uma plataforma mais simples de utilizar e alinhada aos requisitos e protocolos da certificação”, afirma o CTO da Abrapa, Eberson Terra. A expectativa é que a integração reduza etapas operacionais, amplie a confiabilidade das informações e contribua para uma gestão cada vez mais ágil e orientada por dados.
MP das blusinhas: Abrapa mantém defesa de políticas de incentivo às fibras naturais
04 de Setembro de 2026A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) seguirá defendendo políticas públicas de incentivo ao uso de fibras naturais e de conscientização sobre os impactos dos microplásticos, após a análise da Medida Provisória nº 1.357/2026, conhecida como “MP das blusinhas”. Durante a tramitação da MP, nesta primeira semana de setembro, a Abrapa acompanhou as discussões no Congresso e contribuiu com informações técnicas sobre o avanço das fibras sintéticas no mercado brasileiro, os impactos associados aos microplásticos e a importância de ampliar o espaço das fibras naturais, como o algodão. Entre as propostas apresentadas estava a Emenda nº 52, de autoria do senador Carlos Fávaro, que previa a criação de uma contribuição sobre a importação de produtos têxteis acabados contendo fibras sintéticas. A proposta buscava, entre outros objetivos, reduzir a poluição por microplásticos e estimular a produção, o consumo e a inovação em fibras naturais. A emenda não foi incorporada ao texto da MP. A avaliação durante a tramitação foi de que a proposta criava uma nova contribuição que extrapolava o objeto principal da medida provisória, além de envolver questões que demandariam discussão específica. Para a Abrapa, porém, o encerramento dessa discussão dentro da MP não encerra a pauta. A entidade dará continuidade às ações de comunicação, conscientização e produção de informações sobre microplásticos e fibras naturais. A discussão também poderá avançar no Congresso por meio de um projeto de lei específico, a partir da próxima legislatura, permitindo que o tema seja analisado de maneira mais ampla. Segundo o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, a MP abriu espaço para um debate importante sobre o avanço das fibras sintéticas e a necessidade de valorizarmos as fibras naturais. “Vamos continuar contribuindo com informações e dialogando para que o Brasil possa construir políticas públicas que estimulem escolhas mais sustentáveis e ampliem o espaço do algodão”, afirma.
MP das blusinhas: Abrapa defende valorização das fibras naturais no debate sobre importações
31 de Agosto de 2026A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) acompanha a reta final da tramitação da Medida Provisória nº 1.357/2026, conhecida como “MP das blusinhas”. A entidade defende que o debate no Congresso Nacional considere, além dos aspectos tributários e comerciais, a competitividade da cadeia produtiva nacional, os impactos ambientais relacionados ao avanço das fibras sintéticas e a importância da valorização das fibras naturais produzidas no Brasil. Editada pelo governo federal em maio deste ano, a MP zera o Imposto de Importação de 20% incidente sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas pela internet. A matéria precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado no início de setembro para não perder a validade. Caso isso não ocorra, deixa de valer a alíquota zero atualmente aplicada a essas compras, com o retorno da tributação de 20% prevista anteriormente. O presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, explica que o Brasil construiu uma cotonicultura competitiva, responsável e reconhecida internacionalmente, mas que olhar para o mercado interno também é essencial. “Precisamos discutir quais materiais e modelos de produção queremos estimular. Não se trata apenas de uma discussão tributária. É uma discussão sobre competitividade, sustentabilidade e sobre o futuro da cadeia têxtil brasileira”, afirma. A discussão ganha dimensão ainda maior diante da relevância econômica e social da cadeia têxtil nacional. O Brasil possui a quinta maior indústria têxtil do mundo e a maior cadeia completa e verticalizada do Ocidente, reunindo desde a produção da matéria-prima até a comercialização do produto final. O setor responde por mais de 1,3 milhão de empregos diretos e gera impacto econômico indireto para mais de 8 milhões de famílias brasileiras. Para a entidade, a discussão não significa ser contrária às importações ou à concorrência, mas defender condições mais equilibradas de competição. “Enquanto produtos importados podem chegar ao mercado brasileiro beneficiados pela desoneração, quem produz, investe e gera empregos no país permanece submetido à carga tributária nacional e a um conjunto de normas, controles e exigências regulatórias. Entendemos que essa diferença de condições também deve fazer parte do debate no Congresso”, explica Piccoli. CIDE-Têxtil: indução econômica para estimular materiais de menor impacto ambiental Ainda no debate da MP nº 1.357/2026, a Abrapa apoia a discussão proposta pela Emenda nº 52, de autoria do senador Carlos Fávaro (PSD-MT), que prevê a criação da CIDE-Têxtil. A proposta estabelece uma tributação progressiva sobre produtos têxteis acabados importados, de acordo com a participação de fibras sintéticas em sua composição. Pela proposta, produtos com até 20% de fibras sintéticas estariam sujeitos à alíquota de 2%; aqueles com composição entre 20% e 50%, a 5%; entre 50% e 80%, a 8%; e produtos com mais de 80% de fibras sintéticas, a 10%. A iniciativa busca utilizar a tributação como instrumento de indução econômica para estimular materiais de menor impacto ambiental e fortalecer as fibras naturais e a cadeia produtiva nacional. A proposta também prevê a destinação de recursos para ações relacionadas à agricultura sustentável, economia circular, ecodesign, inovação e desenvolvimento de materiais de menor impacto ambiental. Além do algodão, a proposta pode beneficiar outras cadeias de fibras naturais produzidas no Brasil, como seda, linho, sisal e juta. Essas cadeias contribuem para bioeconomias regionais, geração de empregos no campo e desenvolvimento local. Para o presidente da Abrapa, o debate representa uma oportunidade para colocar sustentabilidade, competitividade e valorização das fibras naturais na mesma agenda.“Estamos à disposição do Parlamento para esclarecer dúvidas, compartilhar informações técnicas e contribuir para um diálogo qualificado sobre sustentabilidade da cadeia têxtil. O setor brasileiro do algodão tem conhecimento e experiência para contribuir com esse debate”, afirma Piccoli. O presidente reforça ainda que o Brasil se consolida como líder mundial nas exportações de algodão, segundo o Relatório de Safra da Abrapa 2025/2026, mas o mercado doméstico convive com o avanço de produtos importados produzidos com fibras sintéticas. “Somos uma potência mundial na produção de uma fibra natural e renovável, enquanto ampliamos nossa dependência de fibras sintéticas importadas. É uma contradição que precisa fazer parte desse debate”, destaca. Fibras sintéticas: meio ambiente e saúde humana Outro ponto levantado pela Abrapa é o impacto ambiental relacionado ao crescimento do uso de fibras sintéticas derivadas do petróleo, como poliéster, nylon e acrílico. Durante o uso, a lavagem e o descarte de roupas confeccionadas com esses materiais, partículas conhecidas como microplásticos podem chegar ao meio ambiente e aos sistemas de abastecimento de água. Estudos científicos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do The New England Journal of Medicine já identificaram a presença de microplásticos no organismo humano, ampliando as preocupações e o debate científico sobre seus possíveis efeitos na saúde. Com o objetivo de ampliar a conscientização sobre o tema, a Abrapa também aderiu a uma Nota de Conscientização sobre micro e nanoplásticos, que chama atenção para a presença crescente dessas partículas no cotidiano e reforça a importância da prevenção, do avanço das pesquisas científicas e da construção de políticas públicas capazes de reduzir a exposição da população. Nesse contexto, o debate da MP nº 1.357/2026 também abre espaço para discutir alternativas de menor impacto ambiental e a valorização das fibras naturais. Segundo o diretor-executivo da entidade, Marcio Portocarrero, a Associação busca ampliar a discussão para além do consumo de fibras naturais, incorporando também os impactos das escolhas de consumo sobre a saúde e a sustentabilidade ambiental. “A Abrapa seguirá contribuindo tecnicamente com o Congresso para ampliar o debate sobre os impactos das fibras sintéticas e a importância econômica, social e ambiental da valorização das fibras naturais”, afirma.
