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Abrapa e Biotrop reúnem entidades públicas e privadas em Dia de Campo sobre o uso bioinsumos no combate a pragas e doenças do algodoeiro
27 de Maio de 2026

Em meio ao avanço das discussões sobre sustentabilidade, redução do uso de químicos e modernização regulatória do setor agrícola brasileiro, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) promoveu, em parceria com a empresa de soluções biológicas, Biotrop, um dia de campo voltado à apresentação de novas tecnologias biológicas para o manejo integrado de pragas na cotonicultura. O encontro foi realizado em uma fazenda na região de Cristalina e Luziânia (GO) e reuniu representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), pesquisadores brasileiros e membros de organismos internacionais. O foco da programação foi verificar o uso de biológicos no controle do bicudo-do-algodoeiro, principal praga da cultura no país, analisando os resultados obtidos com novas ferramentas biológicas desenvolvidas para complementar o manejo tradicional da lavoura. A proposta da iniciativa foi aproximar os órgãos reguladores da realidade prática do campo e ampliar o diálogo entre pesquisa, indústria, governo e produtores. Tecnologia desenvolvida no Brasil Durante o evento, a empresa que foca exclusivamente em tecnologias biológicas e naturais para a agricultura, apresentou uma nova ferramenta biológica descoberta por pesquisadores da Biotrop no Pantanal para o controle do bicudo-do-algodoeiro, baseado na cepa do fungo Cordyceps javanica (Isaria), que mostrou capacidade para conter a proliferação do inseto. A empresa realizou demonstrações em áreas de aplicação e apresentou resultados preliminares da tecnologia que coloniza o bicudo com fungos na lavoura. Representando a companhia, Ricardo Hendges afirmou que a tecnologia tem potencial para promover a sustentabilidade da produção sem comprometer a eficiência no manejo da praga. “Sem dúvida alguma, é uma solução inovadora e sustentável, que vai trazer excelentes ganhos para toda a cotonicultura brasileira.” O diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, afirmou que iniciativas como essa ajudam a fortalecer a posição do Brasil como referência internacional em produção sustentável de algodão. “Quando aproximamos produtores, pesquisadores, empresas e órgãos reguladores dentro do campo, criamos um ambiente de construção conjunta. O futuro da cotonicultura passa pela inovação, pela sustentabilidade e pela adoção de tecnologias que conciliam produtividade e responsabilidade ambiental”, afirmou. Papel dos bioinsumos no manejo integrado de pragas Segundo o diretor da Abrapa e proprietário da fazenda que sediou o encontro, Carlos Alberto Moresco, a utilização de bioinsumos na propriedade teve início há mais de dez anos, primeiro como uma alternativa para reduzir os impactos do controle químico. Ao longo do tempo, no entanto, a prática passou a ocupar um papel estratégico, impulsionada pelas exigências do mercado internacional e pela pressão sobre os custos de produção. Ao longo das demonstrações técnicas, os participantes acompanharam áreas tratadas com produtos biológicos voltados ao controle do bicudo e discutiram a integração dessas ferramentas ao manejo já utilizado pelos produtores. Para Moresco, o uso de bioinsumos também fortalece o posicionamento do algodão brasileiro no mercado global, especialmente diante das exigências ambientais de compradores internacionais. “Os cotonicultores sofrem uma pressão muito grande vinda dos custos de produção, e a diminuição de princípios ativos químicos na cadeia melhora a margem e aumenta o valor agregado do algodão brasileiro, em função dos acordos internacionais. Então, o uso de biológicos também coloca o Brasil na vanguarda da produção sustentável”, avalia. Entidades públicas e privadas tiveram imersão no campo A especialista em coordenação de projetos de cooperação internacional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO),[BZ5.1] Adriana Gregolin, destacou que a visita técnica permite compreender de forma mais concreta os desafios enfrentados pelos produtores no manejo de pragas. “É importante a gente ver o nível tecnológico que o produtor de algodão tem hoje na sua propriedade. É importante a gente saber das dores desse produtor em relação ao manejo de pragas, especificamente aqui no caso, o bicudo-do-algodoeiro.” Segundo ela, o avanço dos produtos biológicos representa uma mudança estrutural no modelo de produção agrícola e exige maior integração entre inovação e regulação pública. “A inovação tecnológica precisa vir para o campo para trazer soluções mais sustentáveis, soluções que tragam menor impacto à saúde humana e menor impacto ao meio ambiente. Os produtos biológicos são um caminho sem volta.” Para a pesquisadora e analista da Embrapa Algodão Bruna Tripode, o contato direto com o campo contribui para aprimorar políticas públicas e acelerar processos ligados à agricultura regenerativa. “Esse momento de troca de experiências, onde nós saímos das nossas mesas de análise no laboratório e viemos conhecer a realidade do campo e as dores do produtor rural, é fundamental para o desenvolvimento de novas tecnologias para o algodão produzido no Brasil.” Já o gerente de produtos da Anvisa, Juliano Malte, ressaltou que o diálogo entre produtores e reguladores é essencial para aperfeiçoar os processos de avaliação de novas tecnologias. “Para nós que ficamos no setor regulador é importante estarmos próximos do produtor rural, de onde é utilizada a tecnologia porque precisamos saber como é que isso de fato funciona na prática.” Integração entre biológicos e químicos Além das autoridades brasileiras, o encontro contou com representantes internacionais ligados à pesquisa agropecuária. A bióloga Daniela Vitti, mestre em gestão ambiental do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária da Argentina (INTA), equivalente à Embrapa no país vizinho, destacou que as novas ferramentas biológicas não substituem completamente os defensivos convencionais, mas ampliam as possibilidades dentro do manejo integrado. Segundo ela, o combate ao bicudo ainda depende fortemente do uso de inseticidas químicos, o que torna estratégica a incorporação de novas alternativas mais sustentáveis. “Os produtos biológicos, que a gente está vendo aqui no campo hoje, eles vêm para somar a esse manejo. Não é uma ferramenta que vem para substituir o químico, mas sim para a gente fazer essa integração, o manejo integrado de pragas, com o uso dessas novas tecnologias.” A pesquisadora também ressaltou a importância da aproximação entre produtores e instituições de pesquisa no desenvolvimento de soluções adaptadas à realidade do campo. “É uma alegria imensa estar aqui hoje conhecendo o que o produtor e a pesquisa estão fazendo e desenvolvendo em conjunto para trazer soluções para a nossa agricultura brasileira.”

Jeans fortalece cadeia do algodão brasileiro
22 de Maio de 2026

No Dia Mundial do Jeans, especialistas destacam os avanços da produção nacional de denim e a valorização do algodão brasileiro no mercado têxtil.

Dia Mundial do Jeans: Como o denim nacional ganha identidade graças ao corpo brasileiro?
22 de Maio de 2026

Em 20 de maio de 1873, nascia oficialmente a calça reforçada com rebites de metal. Mais de 150 anos depois, o Dia Mundial do Jeans em 2026 consagra o tecido como o mais democrático do planeta. No Brasil, essa trajetória ganhou contornos únicos. Sendo o maior exportador global de algodão, o país desenvolveu uma cadeia produtiva completa. Entretanto, onde o design de autor se une à sustentabilidade para criar um denim com identidade própria e alta qualidade. Para entender essa evolução, grandes nomes do setor, parceiros do Movimento Sou de Algodão, iniciativa da Abrapa que promove a fibra natural e o consumo consciente, revelam ao FFW como o corpo e a matéria-prima nacional ditam as regras do mercado contemporâneo. Curvas do Brasil Um dos grandes diferenciais do produto feito no Brasil está na capacidade de entender as curvas locais. No entanto, o estilista Gui Amorim, conhecido por suas silhuetas expressivas, aponta que a modelagem precisa dialogar diretamente com a diversidade do público. Conforme destaca o criador: “A mulher brasileira tem bunda, quadril, cintura fina, coxa, perna. É um corpo com volume, expressivo. Quem faz um jeans sem pensar nisso está muito longe de fazer um jeans brasileiro”. Essa visão anatômica é compartilhada pela grife Amapô Jeans, capitaneada por Carô e Pitty, que foca na irreverência e na herança cultural do país para desconstruir o tecido. Segundo Carô, a essência do trabalho está na observação bem-humorada das necessidades reais dos consumidores: “A brasileira, quando veste, olha muito para uma coisa: o bumbum. E a gente observa muito isso. Somos grandes estudiosas de bumbum, não importa a forma, o tamanho ou a textura”. Sustentabilidade na indústria Além do caimento perfeito, a responsabilidade ecológica se tornou o pilar central das tecelagens brasileiras. Aliás, Mara Jager, fundadora da Quinta da Glória, reforça que a preferência pela fibra natural de algodão é uma premissa inegociável de design para garantir a circularidade e o respeito ao meio ambiente. Mara detalha sua busca pelo produto atemporal: “O jeans ideal é uma peça em fibra de algodão puro, sem lavagens, que faz história no corpo. Que 20 anos depois ainda está sendo usada, surrada e rasgada. Um jeans bem feito é timeless”. Ademais, complementando a visão de durabilidade, o especialista Carlos Castro exalta a competitividade internacional e a infraestrutura integrada que o mercado brasileiro possui. De acordo com o profissional: “Diversas vezes ouvi de profissionais estrangeiros o quanto o jeanswear brasileiro é completo. Nossa qualidade é invejável. O fato de a origem da nossa matéria-prima estar localizada aqui impacta diretamente no controle de qualidade”. Dessa forma, o Dia Mundial do Jeans faz muito mais do que resgatar o passado de rebeldia da peça. Ele projeta um futuro promissor para a moda nacional.

Dia mundial do jeans: Algodão brasileiro fortalece mercado sustentável
22 de Maio de 2026

Celebrado mundialmente, o jeans vai muito além de uma peça básica do vestuário. Presente no guarda-roupa de mais de 90% dos brasileiros, o tecido, criado em 1873 nos Estados Unidos inicialmente como uniforme para trabalhadores, hoje representa um mercado bilionário e cada vez mais voltado à sustentabilidade, rastreabilidade e inovação. Feito à base de algodão, o jeans tem no Brasil um importante protagonista da cadeia produtiva mundial. Atualmente, o país ocupa a posição de terceiro maior produtor global de algodão e lidera as exportações da commodity, abastecendo integralmente o mercado interno e destinando o excedente principalmente à indústria asiática. Além da relevância econômica, o algodão brasileiro se destaca pelos atributos que agregam valor à produção têxtil nacional. Segundo especialistas ouvidos pelo AgroBand, o país avançou em práticas de rastreabilidade e sustentabilidade, fatores cada vez mais exigidos pelo mercado consumidor. Hoje, mais de 79% da produção brasileira de algodão possui certificação socioambiental pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR). O setor também investe na rastreabilidade da cadeia produtiva, permitindo identificar a origem da matéria-prima até o produtor rural. “Somos o país que tem rastreabilidade até a fazenda, chegando ao produtor. Isso contribui para uma cadeia têxtil mais responsável e transparente”, destacou uma das especialistas entrevistadas na reportagem. Jeans ganha identidade e exclusividade Enquanto o campo fornece a matéria-prima, a indústria e a moda transformam o tecido em peças cada vez mais sofisticadas e personalizadas. Em Belo Horizonte, uma marca especializada fez do jeans um símbolo de identidade e exclusividade, apostando em bordados, pedrarias e customizações. Segundo a empresária entrevistada, cerca de 70% das vendas da marca são de peças em jeans. O negócio começou com jaquetas, mas expandiu para calças, saias, camisas e outras peças personalizadas. “O jeans sempre foi uma peça clássica no guarda-roupa. Hoje conseguimos trazer identidade por meio de bordados, pedrarias e personalizações, tornando cada peça única”, afirmou. O movimento acompanha a reinvenção do setor, que transita entre modelos casuais usados no dia a dia e produções sofisticadas que unem arte, brilho e exclusividade. Pesquisa impulsiona inovação no campo Outro destaque apresentado no programa foi o trabalho da pesquisa agropecuária voltada ao algodão. A Embrapa, na Paraíba, desenvolve estudos para o melhoramento genético do algodão colorido, buscando ampliar a resistência da fibra e facilitar sua inserção no mercado. A iniciativa reforça a conexão entre campo, indústria, comércio e consumidor final, mostrando como a cadeia do algodão vai além da produção agrícola e influencia diretamente a moda e o consumo. Versátil e atemporal, o jeans segue acompanhando diferentes momentos da rotina. “Uso do trabalho até festas, basta mudar os acessórios”, relatou uma consumidora entrevistada. Do produtor rural às vitrines, o tecido mostra que continua se reinventando e consolidando o Brasil como referência internacional na cadeia do algodão e da moda sustentável.

Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 22/05/2026
22 de Maio de 2026

Destaque da Semana 1 - A Abrapa realiza agenda estratégica na Austrália, um dos principais produtores mundiais de algodão de alta qualidade. A missão tem como objetivo a troca de informações sobre melhores práticas, qualidade, logística e comercialização, além de reforçar a visão de que os produtores de fibras naturais globais devem unir forças para vencer o inimigo comum: fibras sintéticas. Destaque da Semana 2 - A semana foi de correção em NY após a forte valorização do fim de abril. A combinação de realização de lucros, previsões de chuva nas regiões produtoras americanas e o recuo do petróleo pesou sobre as cotações. No lado positivo, compradores físicos aproveitaram os preços mais baixos para entrar no mercado. Destaque da Semana 3 - Assim como em abril, as exportações brasileiras de algodão seguem em ritmo forte: somaram 159,6 mil toneladas nas duas primeiras semanas de mai/26. A média diária de embarque foi 74,4% maior que no mesmo mês de 2025. Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 21/mai cotado a 77,98 U$c/lp (-7,1% vs. 14/mai). O contrato Dez/26 fechou em 79,73 U$c/lp (-5,6% vs. 14/mai). Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 765 pts para embarque Mai/Jun-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 21/mai/26. Baixistas 1 - A falta de novidades sobre a implementação do acordo de US$ 17 bilhões em compras agrícolas americanas pela China deixou o algodão sem catalisador positivo próprio. Sem confirmação de compras, o mercado perdeu força para sustentar a alta recente. Baixistas 2 - Também não houve anúncio de compras pela Reserva do Estado chinesa, apesar dos rumores recentes. A ausência desse comprador oficial frustrou expectativas e reforçou o movimento de correção. Baixistas 3 - A queda semanal de 4,4% no petróleo Brent reduziu o suporte indireto ao algodão. Com petróleo mais barato, o poliéster tende a ficar mais competitivo, o que pesa sobre a atratividade relativa da fibra natural. Baixistas 4 - O alívio nas tensões EUA–Irã retirou parte do prêmio de risco geopolítico embutido nos mercados. Esse movimento reduziu posições compradas em petróleo e enfraqueceu o suporte macro que vinha ajudando commodities. Baixistas 5 - A declaração de Trump de que as conversas com o Irã estão nas “fases finais” acalmou os mercados. Para o algodão, isso tirou parte do impulso especulativo ligado ao risco geopolítico e ao petróleo alto. Altistas 1 - As chuvas previstas para os EUA não chegam a dissipar as preocupações com a safra. O cinturão algodoeiro americano segue em situação crítica, com 97% das áreas produtoras ainda enfrentando algum grau de seca. Mesmo que as precipitações se concretizem, ainda é cedo para avaliar seu real impacto. Altistas 2 - A China importou cerca de 170 mil tons de algodão em abril, bem acima das cerca de 60 mil tons de abril do ano anterior. No acumulado ago-abr, as importações somaram 1,27 milhão tons, contra 1,01 milhão tons no mesmo período de 2024/25. Altistas 3 - As importações chinesas de fios de algodão também aceleraram, chegando a cerca de 200 mil tons em abril, alta de 87% frente ao mesmo mês do ano anterior. Esse movimento indica algum suporte ao consumo têxtil regional, mesmo com cautela nas compras de pluma. Altistas 4 - No Vietnã, os preços de fios subiram com o aumento recente do custo de reposição do algodão. Mesmo com margens apertadas, esse repasse parcial reduz a pressão imediata sobre as fiações. Altistas 5 - As exportações brasileiras seguem em ritmo forte na safra 2025/26. No acumulado de ago/25 a abr/26, os embarques somam 2,34 milhões de toneladas, volume 9,2% superior ao registrado no mesmo período da temporada anterior, reforçando a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional. China 1 - As importações chinesas de algodão em pluma somaram cerca de 170 mil toneladas em abril, volume ligeiramente abaixo de março, mas bem acima das cerca de 60 mil toneladas registradas no mesmo mês do ano passado. No acumulado de ago/abr, as compras alcançaram aproximadamente 1,27 milhão de toneladas, contra 1,01 milhão no mesmo período de 2024/25. China 2 - Os preços do algodão na bolsa futura de Zhengzhou registraram novas perdas na semana. O contrato setembro já acumula queda de 4,5% desde a máxima recente registrada no início do mês. O volume negociado também foi menor. Índia 1 - Os preços do algodão no mercado doméstico indiano registraram leve queda na semana. O Shankar-6 recuou ₹100, para cerca de ₹66.650 por candy (aprox. 88,10 c/lb ex-gin), enquanto o Punjab J-34 caiu ₹40, para ₹6.690 por maund (cerca de 84,20 c/lb). Índia 2 - As importações indianas de algodão em pluma somaram 27.177 toneladas em março, volume 59% acima de fevereiro, mas 20% abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado. No acumulado de ago/mar, as compras totalizam 824.594 toneladas, ainda significativamente acima do mesmo período de 2024/25. O Brasil respondeu por 25% do total. Bangladesh 1 - Parte das fiações segue cautelosa diante da maior volatilidade dos preços do algodão e da estabilidade dos valores dos fios. Ainda assim, algumas empresas fecharam recentemente compras tanto para embarque próximo quanto para o início do próximo ano. Bangladesh 2 - As indústrias de vestuário relatam boa carteira de pedidos até junho, embora a demanda para o segundo semestre ainda pareça mais lenta. Algumas empresas continuam operando com capacidade reduzida devido aos custos e à disponibilidade de energia. O setor também deverá interromper atividades na próxima semana por conta do feriado de Eid. Paquistão 1 - O clima segue quente e seco em grande parte do cinturão produtor de algodão do Paquistão, com temperaturas na faixa dos 40 °C. O plantio avançou recentemente nas regiões de semeadura, embora o calor intenso tenha exigido replantio em algumas áreas. Paquistão 2 - Os estoques disponíveis no mercado doméstico permanecem limitados, levando fiações com necessidade imediata a aceitarem preços mais altos para garantir suprimentos. Egito 1 - As vendas externas de algodão egípcio aumentaram 659 toneladas na semana encerrada em 16 de maio, com destaque para maior demanda da Índia e reduções nas compras de China e Paquistão. EUA - EUA e China realizaram reuniões e concordaram em conduzir as relações futuras sob o princípio de “estabilidade estratégica construtiva”. Entre os temas discutidos esteve um possível compromisso da China de comprar ao menos US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas norte-americanos até 2028. Preços - Consulte a tabela de cotações abaixo. Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

Qualidade, escala e rastreabilidade impulsionam o algodão brasileiro na Ásia
22 de Maio de 2026

Marcelo Duarte Monteiro é diretor de relações internacionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão – Abrapa e CEO da Asia-Brazil Agro Alliance, formado em administração pela UFMT, com mestrado pela FGV. AgriBrasilis – Como a Ásia se tornou o principal mercado para o algodão brasileiro? Marcelo Duarte – A consolidação da Ásia como destino do algodão brasileiro é resultado de um movimento estruturado ao longo de mais de uma década. Houve, de um lado, o crescimento acelerado da indústria têxtil asiática, especialmente em países como China, Vietnã, Bangladesh e Indonésia, e, de outro, um esforço coordenado do Brasil em se posicionar como fornecedor confiável. A Abrapa, em parceria com a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão – ANEA e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos – ApexBrasil, estruturou o programa Cotton Brazil, que intensificou a promoção comercial do algodão brasileiro no exterior, com ações focadas em buscar e fidelizar compradores. Isso permitiu não apenas ampliar presença, mas construir relacionamento direto com fiações e tradings, garantindo previsibilidade e confiança no fornecimento. A instalação de um escritório avançado do Cotton Brazil em Singapura foi um marco para estarmos próximos dos grandes compradores, consolidando relações com os maiores consumidores do mundo. AgriBrasilis – O Brasil ainda depende excessivamente da China ou já consolidou outros mercados? Marcelo Duarte – A China continua um mercado importante, mas o Brasil avançou significativamente na diversificação de destinos. Temos uma presença muito mais equilibrada em países do Sudeste Asiático, Sul da Ásia e até no Oriente Médio. Vietnã, Índia e Bangladesh, por exemplo, têm ganhado relevância crescente. Essa diversificação reduz riscos comerciais e geopolíticos, além de permitir maior estabilidade nas exportações. Portanto, embora a China ainda seja relevante, o algodão brasileiro não é excessivamente dependente de um único mercado. AgriBrasilis – Como o produto brasileiro se compara ao dos EUA e da Austrália em qualidade e preço? Marcelo Duarte – O algodão brasileiro é altamente competitivo em ambos os aspectos. Em qualidade, temos um produto consistente, com bom comprimento de fibra, resistência e uniformidade, resultado de investimento em tecnologia, manejo e beneficiamento. Nossos laboratórios de análise de HVI (High Volume Instrument), garantem que o nosso cliente do outro lado do mundo receba o algodão padronizado de acordo com referências internacionais de qualidade. Em termos de preço, o Brasil costuma ser competitivo devido à eficiência produtiva em larga escala. Em relação aos Estados Unidos, competimos diretamente em qualidade e escala, enquanto a Austrália também apresenta um produto de excelência, porém com menor volume disponível. O diferencial brasileiro está justamente na combinação entre qualidade, confiabilidade e disponibilidade ao longo do ano. AgriBrasilis – A logística brasileira está preparada para sustentar o crescimento do algodão no mercado asiático? Marcelo Duarte – A logística ainda é um dos principais desafios do Brasil, mas houve avanços importantes nos últimos anos. A ampliação de investimentos em terminais portuários, como é o caso de Salvador, têm contribuído para maior eficiência. As regiões produtoras, principalmente no Mato Grosso e no oeste da Bahia, operam com planejamento junto a tradings e portos. Além disso, a Abrapa implementou o ABR-LOG, que estende as práticas de certificação e gestão aos terminais retroportuários. Ainda existem gargalos, especialmente no transporte rodoviário. Para sustentar o crescimento das exportações, será fundamental continuar investindo em infraestrutura multimodal e reduzir custos logísticos, que ainda impactam a competitividade. AgriBrasilis – Qual é a importância da sustentabilidade, da rastreabilidade e da certificação na valorização para o setor? Marcelo Duarte – São pilares do posicionamento do algodão brasileiro no mercado internacional. Certificações como o Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e o Better Cotton Initiative (BCI) atestam nosso produto de acordo com critérios rigorosos de sustentabilidade ambiental, social e econômica. A rastreabilidade atende a uma demanda crescente de marcas e consumidores por transparência na cadeia produtiva. Isso não apenas agrega valor ao produto, mas também abre portas em mercados mais exigentes, especialmente na Europa e em segmentos premium da indústria têxtil. As regulamentações de circularidade e conformidade socioambiental se tornaram compromissos das principais marcas e varejistas com os consumidores e, por isso, a certificação deixou de ser apenas um diferencial e se torna requisito para acesso a mercados de alto valor. AgriBrasilis – Quais devem ser os impactos da próxima safra nas exportações? Marcelo Duarte – A próxima safra tende a manter o Brasil em posição de destaque no mercado internacional de algodão, com produção que passa os 3 milhões de toneladas e potencial de crescimento nas exportações em relação ao ano anterior. Esse desempenho ainda dependerá de fatores como condições climáticas, demanda internacional e dinâmica de preços. Caso se confirme uma boa produtividade, o Brasil pode ampliar ainda mais sua participação no comércio global, especialmente se continuar avançando na diversificação de mercados e na agregação de valor por meio da sustentabilidade e da qualidade do produto.

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