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Plantio da nova safra de algodão entra na reta final, enquanto o Brasil conclui o beneficiamento de uma produção recorde, aponta relatório da Abrapa 
23 de Fevereiro de 2026

Até 12 de fevereiro de 2026, 97,4% da área projetada para a nova safra já havia sido semeada no país, segundo levantamento da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa). Restam áreas pontuais a serem implantadas principalmente na Bahia (4%), Minas Gerais (10%), Piauí (8%) e Mato Grosso (2%). Em Mato Grosso, o ritmo de implantação do algodão de segunda safra ficou acima da média dos últimos cinco anos para o mês de janeiro, segundo dados do IMEA, dentro da janela considerada ideal.  Apesar do bom andamento do plantio, a área cultivada deve reduzir em 5,5% e totalizar 2,05 milhões de hectares na safra 2025/2026. As estimativas estão em atualização e uma nova projeção será apresentada em 9 de março de 2026, durante reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados do Ministério da Agricultura e Pecuária.  Beneficiamento confirma safra histórica  Enquanto a nova safra avança no campo, o beneficiamento da colheita 2024/2025 entra na fase final. Até meados de fevereiro, 99% do volume colhido já havia passado pelas algodoeiras brasileiras, restando pequenas parcelas no Mato Grosso e na Bahia.  A produção estimada pela Abrapa é recorde, 4,25 milhões de toneladas de algodão, crescimento de 14,8% em relação à safra 2023/2024. O ganho veio tanto da expansão produtiva quanto do aumento da produtividade média, que atingiu 316,8 arrobas de algodão em caroço por hectare, alta de 3,6% frente ao ciclo anterior.  Os números estão alinhados às projeções da Conab, que estima a produção de pluma da safra 2024/2025 em 4,076 milhões de toneladas, avanço de 10% sobre o volume da temporada 2023/2024.  Exportações seguem fortes, com China na liderança  No comércio exterior, o algodão brasileiro mantém desempenho robusto. Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, o país exportou 1,722 milhão de toneladas, com receita de US$ 2,73 bilhões. A China liderou as compras neste período, importando 480,4 mil toneladas, o equivalente a 28% do total embarcado.  Além da China, chamaram atenção os aumentos das exportações para a Índia e a Turquia, ambas com crescimento próximo de 80 mil toneladas no período. O Vietnã, por outro lado, reduziu significativamente suas compras, com queda de 154,8 mil toneladas no acumulado, configurando o principal destaque negativo.  Para o ano comercial 2025/2026, a Abrapa projeta exportações de 3,2 milhões de toneladas, volume 13% superior ao do ciclo anterior, reforçando o papel do Brasil como um dos principais fornecedores globais da fibra.  Estoques sobem e pressionam preços  Mesmo com o crescimento das exportações, o avanço da produção mantém os estoques finais em patamar alto. Com produção estimada em 4,25 milhões de toneladas e embarques projetados em 3,2 milhões, os estoques ao fim de julho de 2025 devem alcançar 835 mil toneladas, alta de 65% em relação à safra passada. A relação estoque/uso deve subir de 14% para 21% até julho de 2026.  Esse cenário tem impacto direto sobre os preços internos. Desde novembro de 2025, o indicador do Cepea vem sendo negociado próximo ao preço mínimo estipulado pelo governo federal, de R$ 114,58 por arroba de pluma. No Mato Grosso, principal polo produtor, os preços médios de janeiro de 2026 ficaram 5,7% abaixo desse patamar.  Mercado internacional aponta maior oferta  No cenário global, o relatório mensal divulgado em 10 de fevereiro de 2026 pelo USDA indica aumento da oferta mundial de algodão na safra 2025/2026. A produção global foi estimada em 26,10 milhões de toneladas, crescimento de 1,1% frente ao ciclo anterior.  Entre os principais produtores, o USDA projeta expansão significativa na China, no Brasil e na Índia, enquanto Austrália, Turquia e Estados Unidos devem registrar retração. O consumo global, por sua vez, foi estimado em 25,85 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo do observado na safra passada.  Com produção maior e consumo mais fraco, os estoques mundiais devem subir para 16,35 milhões de toneladas em 2025/2026, alta de 1,8% na comparação anual, um contexto que reforça a pressão sobre os preços internacionais e exige atenção redobrada dos produtores e da indústria.  Acesse o relatório completo: https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Relatorio_safra_Abrapa.fev2026.vf_.pdf

Algodão brasileiro mira acordo comercial para avançar na Índia 
20 de Fevereiro de 2026

Representantes do setor de algodão viajaram para a Ásia e participam das negociações para ampliar o comércio da pluma para a Índia, um dos principais polos da indústria têxtil global. A delegação liderada pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) acompanha a agenda presidencial no continente e aposta na ampliação do Acordo de Comércio Preferencial para ganhar competitividade no mercado indiano. O setor algodoeiro busca a redução das tarifas de exportação do produto nacional e a criação de cotas com tarifa zero, medidas que podem ampliar a competitividade da pluma nacional no mercado indiano. A comitiva, composta por Cotton Brazil, a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e a ApexBrasil, terá reuniões com representantes do Ministério dos Têxteis da Índia para apresentar um estudo com perspectivas de produção e comércio entre os países. Fernando Rati, gestor do Cotton Brazil, reforçou o trabalho da organização na análise de mercados e indústria têxtil global. “A expectativa do setor é que o algodão seja inserido entre os produtos para ampliação da preferência tarifária e que isso amplie a competitividade frente às outras origens”, destacou à CNN Brasil. O Ministério dos Têxteis é a principal entidade indiana para negociações e políticas públicas do país no segmento, o que inclui o algodão de diversos agentes. Hoje, Estados Unidos e Austrália são os principais clientes da indústria indiana. O gestor destaca que as negociações estão em patamar inicial, mas destaca os diferenciais competitivos do Brasil para avançar no acordo comercial. “O estudo que encaminhamos às autoridades demonstra a competitividade do agronegócio brasileiro, com um preço inferior de mercado e qualidade de fibra muito demandada pelos indianos”, afirmou Rati ao CNN Agro. Os representantes do setor acompanham o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, nas negociações para a ampliação do Acordo de Comércio Preferencial (ACP) entre o Mercosul e a Índia. Segundo Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa, a ampliação da participação brasileira na Índia reflete a construção de confiança com a indústria local. "Há espaço para aprofundar ainda mais essa parceria nos próximos anos”, afirmou. Abertura comercial com a Índia Além de se destacar como segundo maior produtor de algodão do mundo, a Índia também abriga o segundo maior parque industrial têxtil . Esta é a terceira vez que a delegação do Cotton Brazil realiza uma agenda estruturada no país. O setor tem intensificado missões comerciais e técnicas à Índia, em um movimento alinhado à reorganização das cadeias globais e à estratégia brasileira de expansão no mercado asiático. Os resultados já se refletem nos números do comércio exterior. Após a realização do primeiro Cotton Brazil Outlook, série de encontros para a promoção do algodão brasileiro realizado em 2024 nos polos industriais indianos, as exportações brasileiras de algodão para o país saltaram de 8 mil para 160 mil toneladas, elevando a participação do Brasil entre as origens exportadoras de 4% para 24%. No mesmo período, Estados Unidos, Austrália e países africanos perderam espaço no mercado indiano. Durante o ano comercial 2025/26, o Brasil já embarcou 185 mil toneladas para a Índia. Para o vice-presidente da Abrapa, Celestino Zanella, a parceria entre Brasil e Índia vai além de fatores comerciais. “A cotonicultura brasileira alia produtividade a rigor socioambiental, hoje indispensável para a competitividade da indústria asiática. Ao entregar uma fibra rastreável e sustentável, o Brasil oferece mais do que uma commodity”, concluiu. Algodão e mercado Têxtil  A Abrapa projeta exportações de 3,2 milhões de toneladas de algodão na safra 2025/26, alta de 13% sobre o ciclo anterior. A China, responsável por 32% das compras brasileiras na última safra, deve seguir como principal destino. Com embarques de 2,8 milhões de toneladas no ciclo passado, o Brasil consolidou-se como maior exportador mundial da pluma. Para a temporada atual, porém, a área plantada deve recuar 5,5%, para 2,05 milhões de hectares. Mais da metade do algodão produzido no Brasil abastece o mercado internacional, com o país liderando as exportações globais. Atualmente, o mercado nacional consome cerca de 700 mil toneladas de algodão, mas quer alcançar o primeiro milhão de toneladas anuais até 2030, segundo entidades do setor. As importações da indústria têxtil atingiram US$ 6,6 bilhões, resultando em déficit comercial de US$ 5,7 bilhões para a cadeia de vestuário. Atualmente, a indústria nacional consome cerca de 700 mil toneladas da pluma brasileira, mas a meta é, ao menos, chegar a 1 milhão de toneladas, segundo a Abrapa. A indústria têxtil transforma fibras em fios e tecidos, enquanto a confecção utiliza esses insumos para produzir roupas e outros bens. Apesar de integradas, as duas atividades enfrentam volatilidade ligada ao preço do algodão, principal matéria-prima do setor.

Brasil negocia ampliação de acordo com Índia no setor de algodão
20 de Fevereiro de 2026

Por Cibelle Bouças — Belo Horizonte 19/02/2026 18h52   Uma delegação formada por representantes do Cotton Brazil, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e da ApexBrasil acompanha a agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, à Ásia. O objetivo é negociar a ampliação do acordo de comércio preferencial entre Mercosul e Índia, para, entre outras coisas, aumentar as exportações de algodão ao país, em vigor desde 2009. A meta do governo brasileiro é expandir a lista de 450 produtos com descontos tarifários para até 4 mil, incluindo óleos vegetais, algodão, etanol, feijão e frutas, além de máquinas, equipamentos, terras raras, entre outros. Segundo a Abrapa, o foco do setor é reduzir tarifas de importação do algodão brasileiro de 11% e criar cotas com tarifa zero. “Nós acreditamos que o potencial de exportar para a Índia com a redução das alíquotas pode chegar a 300 mil toneladas por ano. Isso representa em torno de US$ 500 milhões de receita para o Brasil só com esse destino o destino indiano”, afirma o vice-presidente da Abrapa, Celestino Zanella. No ciclo comercial 2024/25 o Brasil exportou 160 mil toneladas de algodão para a Índia. A Índia é um dos maiores produtores mundiais de algodão e abriga o segundo maior parque industrial têxtil do mundo. O setor tem intensificado as missões comerciais e técnicas à Índia desde 2024. Desde então, as exportações brasileiras de algodão para a Índia passaram de 8 mil toneladas para 160 mil toneladas, elevando a participação do Brasil entre as origens exportadoras de 4% para 24%. “Nosso objetivo é fortalecer parcerias estratégicas, promover a rastreabilidade e a sustentabilidade da fibra brasileira e consolidar o Brasil como fornecedor confiável para a indústria têxtil indiana”, afirmou Fernando Rati, gestor do Cotton Brazil. A comitiva empresarial terá reuniões com representantes do Ministério dos Têxteis da Índia para apresentar um estudo sobre sinergias entre os dois países na área. Após a agenda presidencial, os representantes vão visitar os principais polos industriais indianos para a realização do Cotton Brazil Outlook, série de eventos e workshops para promover o algodão brasileiro. As atividades começam em Nova Delhi, seguem para Ahmedabade e Coimbatore, tradicionais polos têxteis, e terminam em Mumbai, onde a agenda se estende até o dia 28.

Abrapa promove abertura de mercado europeu para a moda brasileira
20 de Fevereiro de 2026

Entre os dias 3 e 5 de fevereiro, os programas de promoção do algodão brasileiro da Abrapa, o movimento Sou de Algodão e o Cotton Brazil, marcam presença no Première Vision Paris, evento considerado uma das principais vitrines globais da indústria da moda. Em parceria com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), a entidade montou um espaço dedicado a designers brasileiros, reforçando o posicionamento do país como fornecedor de matéria-prima e design de alto valor agregado. Uma das maiores vitrines da moda global Reconhecida como um dos mais importantes eventos internacionais de insumos para a indústria têxtil, a Première Vision é realizada na capital francesa e reúne fabricantes, estilistas e compradores de diversos países. A feira apresenta inovações em tecidos, fios, acessórios e tecnologias sustentáveis, com uma curadoria rigorosa que orienta tendências e conecta criatividade à produção industrial em escala global. A edição de fevereiro de 2026 tem como tema “Territórios de Savoir-Faire” (Territórios do Saber-Fazer), propondo uma imersão na identidade geográfica do artesanato e da indústria. A proposta é valorizar o conhecimento tradicional aliado à inovação, destacando modelos produtivos que respeitam o meio ambiente e as competências locais como pilares do futuro da moda. Do campo à passarela Nesse contexto, a Abrapa apresenta o algodão brasileiro sob o conceito “Brazil: from Farm to Fashion”, utilizando o tema dos territórios para consolidar o país como origem de excelência tanto da pluma quanto do design. O espaço da entidade exibe looks do desfile Trajetórias, apresentado pelo movimento Sou de Algodão na última edição da São Paulo Fashion Week (SPFW), que destacou a cadeia de custódia do algodão brasileiro. As peças são assinadas por estilistas como Fernanda Yamamoto, Weider Silveiro e Alexandre Herchcovitch. Foto: Reprodução/Instagram @abrapabrasil Transparência da fazenda ao guarda-roupa A presença da moda brasileira na Première Vision é apresentada pela rastreabilidade integral da produção do algodão nacional. Por meio do programa SouABR, iniciativa da Abrapa que monitora a cadeia produtiva da semente ao guarda-roupa, o setor comprova transparência e conformidade com normas socioambientais, transformando a matéria-prima em um ativo estratégico para a exportação. Ao integrar desenvolvimento tecnológico no campo e produção criativa na indústria, o algodão brasileiro marca presença na feira com design contemporâneo diretamente associado à preservação e à valorização de seu território produtivo. Abertura de mercado para a moda brasileira Com a consolidação do acordo entre Mercosul e União Europeia, a participação do Brasil na Première Vision ganha ainda mais relevância. A feira surge como uma plataforma estratégica para que a moda nacional comece desde agora a capitalizar a abertura de acesso ao segundo maior mercado consumidor do mundo. A estratégia da Abrapa é posicionar o evento como vitrine para o algodão brasileiro, que já atende aos critérios de sustentabilidade, rastreabilidade e conformidade exigidos pelo mercado europeu.

Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 20/20/2026
20 de Fevereiro de 2026

Destaque da semana 1 - Nesta semana, durante o USDA Agricultural Outlook Forum 2026, o órgão americano apresentou suas primeiras projeções para a safra 2026/27, indicando área a ser plantada com algodão este ano nos EUA de 9,4 milhões de acres – valor superior aos 8,99 milhões de acres estimados no início de fevereiro pela pesquisa de intenção de plantio do National Cotton Council (NCC). Segundo o órgão, o consumo global deve voltar a superar a produção esta safra. Destaque da Semana 2 – Começou a missão Cotton Brazil para a Índia. Com o objetivo de promover e valorizar o algodão brasileiro no país do sul da Ásia, uma delegação de produtores, executivos e exportadores realizará uma série de eventos, reuniões e visitas técnicas no país durante os próximos 7 dias. A missão começou em Nova Deli com a participação da Abrapa na visita do presidente Lula ao país, que contou com a inauguração do primeiro escritório da Apex Brasil na localidade. Destaque da Semana 3 – A delegação do Cotton Brazil também teve reunião com lideranças do Ministério Têxtil da Índia, Invest Índia e representantes do corpo diplomático brasileiro, para apresentação do estudo de sinergia e complementariedade entre Brasil e Índia no setor do algodão. Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 19/fev cotado a 65,73 U$c/lp (-0,4% vs. 12/fev). O contrato Dez/26 fechou em 68,27 U$c/lp (-0,3% vs. 12/fev). Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 849 pts para embarque Mar/Abr-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 19/fev/26. Oferta – A Cotlook estima a produção global de algodão em 26,16 milhões de toneladas em 2025/26, ante 26,37 milhões em 2024/25, representando recuo de aproximadamente 0,8% ano a ano.  Demanda – A Cotlook projeta o consumo global de algodão em 25,10 milhões de toneladas em 2025/26, ante 25,51 milhões em 2024/25, indicando retração de cerca de 1,6% ano a ano. Altistas 1 – No Agricultural Outlook Forum, o USDA apresentou a projeção que em 26/27, o consumo mundial de algodão volte a superar a produção (≈ 26,1 vs 25,3 milhões de toneladas), reduzindo os estoques finais globais para cerca de 15,5 milhões de tons e a relação estoque/uso para 59%. Esse leve aperto no balanço, depois de anos de oferta confortável, dá um viés moderadamente altista para o mercado no médio prazo.   Altistas 2 – Para a China, o USDA projeta queda de produção de cerca de 7,6 para 7,0 milhões de toneladas em 26/27, ao mesmo tempo em que o consumo sobe levemente para 8,6 milhões de tons e as importações aumentam 25%, para cerca de 1,5 milhão de tons. A combinação de menos algodão doméstico e mais importação reforça o papel da China como importador-chave na próxima safra (26/27).   Altistas 3 – Mesmo com área um pouco maior em 26/27 (9,4 milhões de acres, +1,3%), o USDA projeta produção americana ligeiramente menor, em torno de 2,96 milhões de toneladas (13,6 milhões de fardos), por causa de taxa de abandono mais alta e área colhida menor. Com exportações em 2,66 milhões de tons (12,2 milhões de fardos) e uso interno estável, os estoques finais dos EUA caem para 4,2 milhões de fardos (≈ 0,9 milhão de tons). Altistas 4 - A pesquisa de intenção de plantio do National Cotton Council aponta para uma queda maior de área nos EUA (8,99 milhões de acres, queda de 3,2% frente à safra atual), com projeção de produção em 12,7 milhões de fardos (≈ 2,8 milhões de tons), o menor volume desde 2015/16.   Altistas 5 – O USDA confirma o Brasil como maior exportador mundial pelo terceiro ano seguido, com embarques de 14,5 milhões de fardos em 2025/26 (≈ 3,2 milhões de tons), algo como 33% do comércio global. Mesmo com a produção brasileira recuando para cerca de 3,8 milhões de tons em 2026/27 (17,5 milhões de fardos), o país segue como principal fornecedor, seguido por EUA e Austrália.   Baixistas 1 – O USDA destaca que, apesar do crescimento econômico global, o consumo de algodão está estagnado há quase 20 anos: desde 2007/08 não passa de ~120 milhões de fardos, enquanto o consumo total de fibras têxteis subiu de 337 para 520 milhões de fardos-equivalentes, puxado por fibras sintéticas. A participação do algodão caiu de mais de 35% para cerca de 22% da fibra têxtil mundial. Baixistas 2 – O estudo mostra que, desde a crise de 2008, os preços relativos do algodão frente ao poliéster dobraram: a relação algodão/poliéster, que girava em torno de 1,0 antes de 2007, passou a média de 1,70 depois disso, com picos acima de 2,0. Essa vantagem de custo das fibras sintéticas faz com que, na ausência de forte preferência do consumidor, a indústria têxtil opte por poliéster e outras fibras artificiais.  Baixistas 3 – Mesmo com a queda prevista em 2026/27, os estoques globais permanecem historicamente altos, na casa de 71 milhões de fardos (≈ 15,5 milhões de tons), o terceiro menor nível em 10 anos, mas ainda bem acima das mínimas registradas em ciclos de alta mais fortes. Esse colchão de oferta tende a conter movimentos mais agressivos de alta no curto prazo.   Baixistas 4 - O contrato May/26 em NY continua preso em uma faixa estreita de 63–65 U$c/lb, com pequena perda semanal, mesmo após notícias de menor área nos EUA e ajustes de safra no Brasil. A incapacidade do mercado de reagir de forma consistente a fatores altistas reforça a leitura de manutenção de preços deprimidos. Baixistas 5 - Relatório semanal de mercado nos EUA mostra que as vendas externas continuam abaixo da média sazonal e que os embarques ainda não atingem o ritmo necessário para cumprir a meta de exportações do USDA para 2025/26.   Agenda - Até 28 de fevereiro, uma delegação brasileira formada por representantes do Cotton Brazil, da Abrapa, da Anea e da ApexBrasil cumpre agenda na Índia. Agenda 2 - A Cotton Brazil terá reuniao com SWAK (Associação das Indústrias Têxteis da Coreia do Sul) e participação na agenda presidencial e ministerial em Seul em 23/Fev. China 1 - Esta semana a China comemora a chegada do Ano Novo Chinês, com pouca atividade empresarial em todo o país. O sentimento para a volta do feriado é positivo, já que os últimos dados de PMI do setor têxtil de algodão indicam alta de 3,18 pontos em janeiro, indicando expansão da atividade, com aumento de novos pedidos e das taxas de utilização das fiações. China 2 - No mercado doméstico, o CC Index foi cotado ao equivalente de 104,23 U$c/lb, enquanto o contrato Maio/26 na bolsa de Zhengzhou girou em torno de 95,40 U$c/lb, com preços de poliéster e viscose relativamente estáveis.  Essa relação de preços reforça que o algodão continua significativamente mais caro que as fibras sintéticas, o que favorece a substituição parcial por poliéster em alguns segmentos de fio e tecido. Paquistão - As fiações seguem ativas na compra de pluma doméstica e importada. O fato de as fiações aceitarem basis firmes em um cenário de margens ainda apertadas indica necessidade real de reposição e reforça a atratividade de algodão de melhor qualidade, inclusive do Brasil. Bangladesh - O mercado de fio se mantém firme: preços internos de fio em alta e melhores margens das fiações. Além disso, o recente anúncio do acordo comercial  com os EUA, que deve abrir espaço para acesso preferencial a têxteis com algodão americano, tende a sustentar a demanda por algodão. Índia - Os preços domésticos de Shankar-6 subiram para cerca de ₹54.500 por candy (≈ 76,65 U$c/lb).  Com pluma retida em estoques públicos pela estatal CCI e preços domésticos elevados, o algodão indiano segue pouco competitivo, o que abre espaço adicional para importação de Brasil, EUA e Austrália, mesmo com a volta do imposto de importação de 11%. Indonésia - Um pacote de 11 acordos comerciais com os EUA incluiu o compromisso de compra de algodão americano ao longo dos próximos anos. Esse movimento fortalece o vínculo das fiações locais com o algodão americano e tende a ameaçar a liderança brasileira nas importações do país. Workshop - Entre 9 e 13 de fevereiro, a Abrapa realizou no CBRA o Workshop de Manutenção Uster HVI ClassingQ Pro, em parceria com a Uster. O treinamento reuniu inspetores dos 13 laboratórios do programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), com foco na manutenção e operação dos equipamentos HVI, reforçando a precisão e a confiabilidade das análises da fibra.  Exportações - As exportações brasileiras de algodão* somaram 149,2 mil toneladas nas duas primeiras semanas de fev/26*. A média diária de embarque foi 8,6% maior que no mesmo mês de 2025. Beneficiamento 2024/25 - Até o dia de ontem, não houve alteração nos volumes beneficiados nos estados em que o processo ainda está em andamento. Restam apenas os estados da BA (99%) e MT (99%) para a conclusão do beneficiamento. Total Brasil: 99,09%. Plantio 2025/26 –  Até o dia de ontem (19/02) foram semeados nos estados da BA (98%), GO (100%), MA (100%), MG (94%), MS (100%), MT (99%), PI (92,43%), PR (100%) e SP (92%). Total Brasil: 98,61% Preços - Consulte a tabela de cotações e diferenciais abaixo. Quadro de cotações para 19 -02 Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

Parceria entre Abrapa e Uster capacita inspetores para modernização da classificação do algodão
19 de Fevereiro de 2026

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) sediou, entre os dias 9 e 13 de fevereiro, o Workshop de Manutenção Uster HVI ClassingQ Pro, um curso técnico focado na manutenção e operação dos instrumentos HVI (High Volume Instrument) da linha 1000 Classing Q-Pro. O evento, realizado no Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), faz parte do terceiro pilar do programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), focado na capacitação e geração de conhecimento. O curso reuniu inspetores de todos os laboratórios que integram o SBRHVI. O treinamento, realizado em parceria com a Uster, líder mundial no fornecimento de instrumentos HVI (High Volume Instrument) para a classificação e análise da qualidade da fibra de algodão. teve como objetivo alinhar o conhecimento técnico sobre as funcionalidades mais modernas de automação e melhoria na análise da pluma. Durante cinco dias, profissionais dos 13 laboratórios que fazem parte do programa SBRHVI participaram de sessões teóricas e práticas voltadas para a manutenção preventiva e corretiva, visando garantir a assertividade dos resultados durante a safra. Para o gerente de qualidade da Abrapa e coordenador do evento, Deninson Lima, o encontro está diretamente relacionado com a credibilidade da pluma brasileira no mercado externo. "Esse evento é fundamental para promover um alinhamento sobre os processos de manutenção dos instrumentos HVI da principal fabricante, que é a Uster. O objetivo final é que, durante toda a safra, os laboratórios mantenham o mesmo nível de excelência, entregando resultados que deem cada vez mais credibilidade para o algodão brasileiro", afirmou Lima. Troca de experiências e alta demanda O workshop focou especialmente na tecnologia Q-Pro com Automic, sistema de automação para a análise de micronaire. A atualização é estratégica para laboratórios de alta produtividade, como o da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), que processa volumes superiores a 4,5 milhões de amostras provenientes da região do Matopiba. O analista de controle de qualidade do laboratório da Abapa, Iago Paixão, explicou a importância essa formação para os profissionais da região.  “O workshop está sendo bastante interessante para nós, pois é uma visão de um equipamento novo, e estamos aprimorando os nossos conhecimentos que poderemos repassar para os demais encarregados. É importante para a nossa região manter os nossos equipamentos bem revisados e a manutenção em dia. A expectativa do treinamento está sendo excelente. Muito aprendizado, muita informação sendo repassada”, esclareceu. Equipes preparadas para a próxima safra A integração entre as equipes operacionais também foi destacada pelos participantes como um ponto alto da programação. A troca de informações sobre falhas comuns e soluções técnicas visa reduzir o tempo de máquina parada durante o pico da colheita. José Lúcio, gerente do laboratório da Coabra em Sinop (MT), destacou o impacto direto na prestação de serviço aos associados. "Por sermos um laboratório novo e operarmos 100% com aparelhos Q-Pro, é essencial entendermos esse processo de automação. Estar aqui nos permite ser mais assertivos na manutenção diária e proporcionar uma melhor qualidade de serviço para nossos associados", explicou Lúcio. O conhecimento compartilhado em Brasília será agora replicado nos laboratórios regionais, preparando as equipes para a demanda da próxima safra nacional.

Sistemas Abrapa