Últimas notícias

Jeans fortalece cadeia do algodão brasileiro
22 de Maio de 2026

No Dia Mundial do Jeans, especialistas destacam os avanços da produção nacional de denim e a valorização do algodão brasileiro no mercado têxtil.

Dia Mundial do Jeans: Como o denim nacional ganha identidade graças ao corpo brasileiro?
22 de Maio de 2026

Em 20 de maio de 1873, nascia oficialmente a calça reforçada com rebites de metal. Mais de 150 anos depois, o Dia Mundial do Jeans em 2026 consagra o tecido como o mais democrático do planeta. No Brasil, essa trajetória ganhou contornos únicos. Sendo o maior exportador global de algodão, o país desenvolveu uma cadeia produtiva completa. Entretanto, onde o design de autor se une à sustentabilidade para criar um denim com identidade própria e alta qualidade. Para entender essa evolução, grandes nomes do setor, parceiros do Movimento Sou de Algodão, iniciativa da Abrapa que promove a fibra natural e o consumo consciente, revelam ao FFW como o corpo e a matéria-prima nacional ditam as regras do mercado contemporâneo. Curvas do Brasil Um dos grandes diferenciais do produto feito no Brasil está na capacidade de entender as curvas locais. No entanto, o estilista Gui Amorim, conhecido por suas silhuetas expressivas, aponta que a modelagem precisa dialogar diretamente com a diversidade do público. Conforme destaca o criador: “A mulher brasileira tem bunda, quadril, cintura fina, coxa, perna. É um corpo com volume, expressivo. Quem faz um jeans sem pensar nisso está muito longe de fazer um jeans brasileiro”. Essa visão anatômica é compartilhada pela grife Amapô Jeans, capitaneada por Carô e Pitty, que foca na irreverência e na herança cultural do país para desconstruir o tecido. Segundo Carô, a essência do trabalho está na observação bem-humorada das necessidades reais dos consumidores: “A brasileira, quando veste, olha muito para uma coisa: o bumbum. E a gente observa muito isso. Somos grandes estudiosas de bumbum, não importa a forma, o tamanho ou a textura”. Sustentabilidade na indústria Além do caimento perfeito, a responsabilidade ecológica se tornou o pilar central das tecelagens brasileiras. Aliás, Mara Jager, fundadora da Quinta da Glória, reforça que a preferência pela fibra natural de algodão é uma premissa inegociável de design para garantir a circularidade e o respeito ao meio ambiente. Mara detalha sua busca pelo produto atemporal: “O jeans ideal é uma peça em fibra de algodão puro, sem lavagens, que faz história no corpo. Que 20 anos depois ainda está sendo usada, surrada e rasgada. Um jeans bem feito é timeless”. Ademais, complementando a visão de durabilidade, o especialista Carlos Castro exalta a competitividade internacional e a infraestrutura integrada que o mercado brasileiro possui. De acordo com o profissional: “Diversas vezes ouvi de profissionais estrangeiros o quanto o jeanswear brasileiro é completo. Nossa qualidade é invejável. O fato de a origem da nossa matéria-prima estar localizada aqui impacta diretamente no controle de qualidade”. Dessa forma, o Dia Mundial do Jeans faz muito mais do que resgatar o passado de rebeldia da peça. Ele projeta um futuro promissor para a moda nacional.

Dia mundial do jeans: Algodão brasileiro fortalece mercado sustentável
22 de Maio de 2026

Celebrado mundialmente, o jeans vai muito além de uma peça básica do vestuário. Presente no guarda-roupa de mais de 90% dos brasileiros, o tecido, criado em 1873 nos Estados Unidos inicialmente como uniforme para trabalhadores, hoje representa um mercado bilionário e cada vez mais voltado à sustentabilidade, rastreabilidade e inovação. Feito à base de algodão, o jeans tem no Brasil um importante protagonista da cadeia produtiva mundial. Atualmente, o país ocupa a posição de terceiro maior produtor global de algodão e lidera as exportações da commodity, abastecendo integralmente o mercado interno e destinando o excedente principalmente à indústria asiática. Além da relevância econômica, o algodão brasileiro se destaca pelos atributos que agregam valor à produção têxtil nacional. Segundo especialistas ouvidos pelo AgroBand, o país avançou em práticas de rastreabilidade e sustentabilidade, fatores cada vez mais exigidos pelo mercado consumidor. Hoje, mais de 79% da produção brasileira de algodão possui certificação socioambiental pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR). O setor também investe na rastreabilidade da cadeia produtiva, permitindo identificar a origem da matéria-prima até o produtor rural. “Somos o país que tem rastreabilidade até a fazenda, chegando ao produtor. Isso contribui para uma cadeia têxtil mais responsável e transparente”, destacou uma das especialistas entrevistadas na reportagem. Jeans ganha identidade e exclusividade Enquanto o campo fornece a matéria-prima, a indústria e a moda transformam o tecido em peças cada vez mais sofisticadas e personalizadas. Em Belo Horizonte, uma marca especializada fez do jeans um símbolo de identidade e exclusividade, apostando em bordados, pedrarias e customizações. Segundo a empresária entrevistada, cerca de 70% das vendas da marca são de peças em jeans. O negócio começou com jaquetas, mas expandiu para calças, saias, camisas e outras peças personalizadas. “O jeans sempre foi uma peça clássica no guarda-roupa. Hoje conseguimos trazer identidade por meio de bordados, pedrarias e personalizações, tornando cada peça única”, afirmou. O movimento acompanha a reinvenção do setor, que transita entre modelos casuais usados no dia a dia e produções sofisticadas que unem arte, brilho e exclusividade. Pesquisa impulsiona inovação no campo Outro destaque apresentado no programa foi o trabalho da pesquisa agropecuária voltada ao algodão. A Embrapa, na Paraíba, desenvolve estudos para o melhoramento genético do algodão colorido, buscando ampliar a resistência da fibra e facilitar sua inserção no mercado. A iniciativa reforça a conexão entre campo, indústria, comércio e consumidor final, mostrando como a cadeia do algodão vai além da produção agrícola e influencia diretamente a moda e o consumo. Versátil e atemporal, o jeans segue acompanhando diferentes momentos da rotina. “Uso do trabalho até festas, basta mudar os acessórios”, relatou uma consumidora entrevistada. Do produtor rural às vitrines, o tecido mostra que continua se reinventando e consolidando o Brasil como referência internacional na cadeia do algodão e da moda sustentável.

Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 22/05/2026
22 de Maio de 2026

Destaque da Semana 1 - A Abrapa realiza agenda estratégica na Austrália, um dos principais produtores mundiais de algodão de alta qualidade. A missão tem como objetivo a troca de informações sobre melhores práticas, qualidade, logística e comercialização, além de reforçar a visão de que os produtores de fibras naturais globais devem unir forças para vencer o inimigo comum: fibras sintéticas. Destaque da Semana 2 - A semana foi de correção em NY após a forte valorização do fim de abril. A combinação de realização de lucros, previsões de chuva nas regiões produtoras americanas e o recuo do petróleo pesou sobre as cotações. No lado positivo, compradores físicos aproveitaram os preços mais baixos para entrar no mercado. Destaque da Semana 3 - Assim como em abril, as exportações brasileiras de algodão seguem em ritmo forte: somaram 159,6 mil toneladas nas duas primeiras semanas de mai/26. A média diária de embarque foi 74,4% maior que no mesmo mês de 2025. Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 21/mai cotado a 77,98 U$c/lp (-7,1% vs. 14/mai). O contrato Dez/26 fechou em 79,73 U$c/lp (-5,6% vs. 14/mai). Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 765 pts para embarque Mai/Jun-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 21/mai/26. Baixistas 1 - A falta de novidades sobre a implementação do acordo de US$ 17 bilhões em compras agrícolas americanas pela China deixou o algodão sem catalisador positivo próprio. Sem confirmação de compras, o mercado perdeu força para sustentar a alta recente. Baixistas 2 - Também não houve anúncio de compras pela Reserva do Estado chinesa, apesar dos rumores recentes. A ausência desse comprador oficial frustrou expectativas e reforçou o movimento de correção. Baixistas 3 - A queda semanal de 4,4% no petróleo Brent reduziu o suporte indireto ao algodão. Com petróleo mais barato, o poliéster tende a ficar mais competitivo, o que pesa sobre a atratividade relativa da fibra natural. Baixistas 4 - O alívio nas tensões EUA–Irã retirou parte do prêmio de risco geopolítico embutido nos mercados. Esse movimento reduziu posições compradas em petróleo e enfraqueceu o suporte macro que vinha ajudando commodities. Baixistas 5 - A declaração de Trump de que as conversas com o Irã estão nas “fases finais” acalmou os mercados. Para o algodão, isso tirou parte do impulso especulativo ligado ao risco geopolítico e ao petróleo alto. Altistas 1 - As chuvas previstas para os EUA não chegam a dissipar as preocupações com a safra. O cinturão algodoeiro americano segue em situação crítica, com 97% das áreas produtoras ainda enfrentando algum grau de seca. Mesmo que as precipitações se concretizem, ainda é cedo para avaliar seu real impacto. Altistas 2 - A China importou cerca de 170 mil tons de algodão em abril, bem acima das cerca de 60 mil tons de abril do ano anterior. No acumulado ago-abr, as importações somaram 1,27 milhão tons, contra 1,01 milhão tons no mesmo período de 2024/25. Altistas 3 - As importações chinesas de fios de algodão também aceleraram, chegando a cerca de 200 mil tons em abril, alta de 87% frente ao mesmo mês do ano anterior. Esse movimento indica algum suporte ao consumo têxtil regional, mesmo com cautela nas compras de pluma. Altistas 4 - No Vietnã, os preços de fios subiram com o aumento recente do custo de reposição do algodão. Mesmo com margens apertadas, esse repasse parcial reduz a pressão imediata sobre as fiações. Altistas 5 - As exportações brasileiras seguem em ritmo forte na safra 2025/26. No acumulado de ago/25 a abr/26, os embarques somam 2,34 milhões de toneladas, volume 9,2% superior ao registrado no mesmo período da temporada anterior, reforçando a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional. China 1 - As importações chinesas de algodão em pluma somaram cerca de 170 mil toneladas em abril, volume ligeiramente abaixo de março, mas bem acima das cerca de 60 mil toneladas registradas no mesmo mês do ano passado. No acumulado de ago/abr, as compras alcançaram aproximadamente 1,27 milhão de toneladas, contra 1,01 milhão no mesmo período de 2024/25. China 2 - Os preços do algodão na bolsa futura de Zhengzhou registraram novas perdas na semana. O contrato setembro já acumula queda de 4,5% desde a máxima recente registrada no início do mês. O volume negociado também foi menor. Índia 1 - Os preços do algodão no mercado doméstico indiano registraram leve queda na semana. O Shankar-6 recuou ₹100, para cerca de ₹66.650 por candy (aprox. 88,10 c/lb ex-gin), enquanto o Punjab J-34 caiu ₹40, para ₹6.690 por maund (cerca de 84,20 c/lb). Índia 2 - As importações indianas de algodão em pluma somaram 27.177 toneladas em março, volume 59% acima de fevereiro, mas 20% abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado. No acumulado de ago/mar, as compras totalizam 824.594 toneladas, ainda significativamente acima do mesmo período de 2024/25. O Brasil respondeu por 25% do total. Bangladesh 1 - Parte das fiações segue cautelosa diante da maior volatilidade dos preços do algodão e da estabilidade dos valores dos fios. Ainda assim, algumas empresas fecharam recentemente compras tanto para embarque próximo quanto para o início do próximo ano. Bangladesh 2 - As indústrias de vestuário relatam boa carteira de pedidos até junho, embora a demanda para o segundo semestre ainda pareça mais lenta. Algumas empresas continuam operando com capacidade reduzida devido aos custos e à disponibilidade de energia. O setor também deverá interromper atividades na próxima semana por conta do feriado de Eid. Paquistão 1 - O clima segue quente e seco em grande parte do cinturão produtor de algodão do Paquistão, com temperaturas na faixa dos 40 °C. O plantio avançou recentemente nas regiões de semeadura, embora o calor intenso tenha exigido replantio em algumas áreas. Paquistão 2 - Os estoques disponíveis no mercado doméstico permanecem limitados, levando fiações com necessidade imediata a aceitarem preços mais altos para garantir suprimentos. Egito 1 - As vendas externas de algodão egípcio aumentaram 659 toneladas na semana encerrada em 16 de maio, com destaque para maior demanda da Índia e reduções nas compras de China e Paquistão. EUA - EUA e China realizaram reuniões e concordaram em conduzir as relações futuras sob o princípio de “estabilidade estratégica construtiva”. Entre os temas discutidos esteve um possível compromisso da China de comprar ao menos US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas norte-americanos até 2028. Preços - Consulte a tabela de cotações abaixo. Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

Qualidade, escala e rastreabilidade impulsionam o algodão brasileiro na Ásia
22 de Maio de 2026

Marcelo Duarte Monteiro é diretor de relações internacionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão – Abrapa e CEO da Asia-Brazil Agro Alliance, formado em administração pela UFMT, com mestrado pela FGV. AgriBrasilis – Como a Ásia se tornou o principal mercado para o algodão brasileiro? Marcelo Duarte – A consolidação da Ásia como destino do algodão brasileiro é resultado de um movimento estruturado ao longo de mais de uma década. Houve, de um lado, o crescimento acelerado da indústria têxtil asiática, especialmente em países como China, Vietnã, Bangladesh e Indonésia, e, de outro, um esforço coordenado do Brasil em se posicionar como fornecedor confiável. A Abrapa, em parceria com a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão – ANEA e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos – ApexBrasil, estruturou o programa Cotton Brazil, que intensificou a promoção comercial do algodão brasileiro no exterior, com ações focadas em buscar e fidelizar compradores. Isso permitiu não apenas ampliar presença, mas construir relacionamento direto com fiações e tradings, garantindo previsibilidade e confiança no fornecimento. A instalação de um escritório avançado do Cotton Brazil em Singapura foi um marco para estarmos próximos dos grandes compradores, consolidando relações com os maiores consumidores do mundo. AgriBrasilis – O Brasil ainda depende excessivamente da China ou já consolidou outros mercados? Marcelo Duarte – A China continua um mercado importante, mas o Brasil avançou significativamente na diversificação de destinos. Temos uma presença muito mais equilibrada em países do Sudeste Asiático, Sul da Ásia e até no Oriente Médio. Vietnã, Índia e Bangladesh, por exemplo, têm ganhado relevância crescente. Essa diversificação reduz riscos comerciais e geopolíticos, além de permitir maior estabilidade nas exportações. Portanto, embora a China ainda seja relevante, o algodão brasileiro não é excessivamente dependente de um único mercado. AgriBrasilis – Como o produto brasileiro se compara ao dos EUA e da Austrália em qualidade e preço? Marcelo Duarte – O algodão brasileiro é altamente competitivo em ambos os aspectos. Em qualidade, temos um produto consistente, com bom comprimento de fibra, resistência e uniformidade, resultado de investimento em tecnologia, manejo e beneficiamento. Nossos laboratórios de análise de HVI (High Volume Instrument), garantem que o nosso cliente do outro lado do mundo receba o algodão padronizado de acordo com referências internacionais de qualidade. Em termos de preço, o Brasil costuma ser competitivo devido à eficiência produtiva em larga escala. Em relação aos Estados Unidos, competimos diretamente em qualidade e escala, enquanto a Austrália também apresenta um produto de excelência, porém com menor volume disponível. O diferencial brasileiro está justamente na combinação entre qualidade, confiabilidade e disponibilidade ao longo do ano. AgriBrasilis – A logística brasileira está preparada para sustentar o crescimento do algodão no mercado asiático? Marcelo Duarte – A logística ainda é um dos principais desafios do Brasil, mas houve avanços importantes nos últimos anos. A ampliação de investimentos em terminais portuários, como é o caso de Salvador, têm contribuído para maior eficiência. As regiões produtoras, principalmente no Mato Grosso e no oeste da Bahia, operam com planejamento junto a tradings e portos. Além disso, a Abrapa implementou o ABR-LOG, que estende as práticas de certificação e gestão aos terminais retroportuários. Ainda existem gargalos, especialmente no transporte rodoviário. Para sustentar o crescimento das exportações, será fundamental continuar investindo em infraestrutura multimodal e reduzir custos logísticos, que ainda impactam a competitividade. AgriBrasilis – Qual é a importância da sustentabilidade, da rastreabilidade e da certificação na valorização para o setor? Marcelo Duarte – São pilares do posicionamento do algodão brasileiro no mercado internacional. Certificações como o Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e o Better Cotton Initiative (BCI) atestam nosso produto de acordo com critérios rigorosos de sustentabilidade ambiental, social e econômica. A rastreabilidade atende a uma demanda crescente de marcas e consumidores por transparência na cadeia produtiva. Isso não apenas agrega valor ao produto, mas também abre portas em mercados mais exigentes, especialmente na Europa e em segmentos premium da indústria têxtil. As regulamentações de circularidade e conformidade socioambiental se tornaram compromissos das principais marcas e varejistas com os consumidores e, por isso, a certificação deixou de ser apenas um diferencial e se torna requisito para acesso a mercados de alto valor. AgriBrasilis – Quais devem ser os impactos da próxima safra nas exportações? Marcelo Duarte – A próxima safra tende a manter o Brasil em posição de destaque no mercado internacional de algodão, com produção que passa os 3 milhões de toneladas e potencial de crescimento nas exportações em relação ao ano anterior. Esse desempenho ainda dependerá de fatores como condições climáticas, demanda internacional e dinâmica de preços. Caso se confirme uma boa produtividade, o Brasil pode ampliar ainda mais sua participação no comércio global, especialmente se continuar avançando na diversificação de mercados e na agregação de valor por meio da sustentabilidade e da qualidade do produto.

Workshop promovido pela Abrapa debate manejo integrado de pragas e doenças do algodão
18 de Maio de 2026

O avanço de estratégias integradas no combate às principais pragas e doenças do algodão foi tema do 3º Workshop Integrado de Pragas e Doenças do Algodão, promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) através do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) nesta quarta-feira, 14/05, em Brasília. O encontro, que contou com apoio da Bayer, reuniu associações estaduais, representantes da indústria, pesquisadores nacionais e internacionais para discutir os principais desafios fitossanitários enfrentados pela cotonicultura brasileira e as alternativas para tornar a produção mais eficiente e sustentável. A programação foi dividida em três temas prioritários: 1) Manejo de Bicudo e Lagartas; 2) Manejo de Doenças, como ramulária e mancha-alvo; e 3) Uso de Biológicos; Abrapa destaca necessidade de avanços regulatórios para reforçar o MIPD O evento reforçou a importância do manejo durante a entressafra e da adoção de estratégias regionais coordenadas para evitar perdas de produtividade e conter o aumento dos custos. Na abertura do workshop, o vice-presidente da Abrapa, Paulo Aguiar, afirmou que a agricultura tropical exige soluções cada vez mais integradas para equilibrar produtividade e sustentabilidade. Segundo ele, os produtos biológicos vêm ganhando espaço como alternativa complementar aos defensivos químicos, especialmente diante da pressão por sistemas produtivos mais sustentáveis e eficientes. De acordo com Aguiar: “O desafio da agricultura tropical exige cada vez mais inovação e integração de tecnologias. Os biológicos ajudam a reduzir o uso de defensivos químicos, mas também precisamos avançar no desenvolvimento e na aprovação de novas moléculas que já são utilizadas nos Estados Unidos e na Europa. O objetivo deste workshop é justamente reunir diferentes elos da cadeia para avançarmos em um modelo de produção mais sustentável dentro do programa ABR”. Durante a sua fala, o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, antecipou que o Ministério da Agricultura deverá lançar ainda neste mês o Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (SISPA) do novo Marco Regulatório dos Defensivos Agrícolas. A iniciativa construída com investimentos da associação, vai unificar os sistemas de liberação de pareceres do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para agilizar o registro de novas molécula para insumos agrícolas. Portocarrero também citou a importância do manejo integrado de pragas para a redução de custos de produção. “O grande desafio hoje para os produtores de algodão é aumentar a produtividade e reduzir custos, o que se torna um desafio, diante do atual cenário mundial.  Para termos mais eficiência nas operações precisamos trabalhar com a integração dos biológicos e com tudo o que temos disponível em termos de tecnologia e manejo para aumentarmos a margem. O diretor executivo da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Gustavo Prado, falou sobre o alinhamento dos objetivos entre as entidades em relação ao MIPD. “Existe um alinhamento muito forte entre a Abrapa e a Abapa na busca por soluções que unam sustentabilidade, produtividade e competitividade para a cotonicultura brasileira. O mais importante é ver todos os elos da cadeia na mesma direção, compartilhando conhecimento, experiências de campo e boas práticas que fortalecem os resultados do algodão brasileiro”, explicou. Representando a Bayer, o gerente de marketing de algodão, Eduardo Correa, afirmou que iniciativas como o workshop ajudam a aproximar a indústria das necessidades do produtor rural e fortalecem o desenvolvimento de soluções alinhadas à realidade do campo brasileiro. Manejo do bicudo e lagartas O combate ao bicudo e às lagartas ocupou a maior parte da programação. Especialistas defenderam que o manejo integrado depende de planejamento contínuo, monitoramento e integração entre diferentes ferramentas de controle. A abertura do painel sobre bicudo trouxe um panorama da praga nas principais regiões produtoras do país, com participações do pesquisador do Instituto Mato Grossense de Algodão,  Dr. Edson Júnior, do gerente fitossanitário da Abapa, Dr. Giorge Gomes, e do coordenador de fitossanidade do grupo SLC Agrícola, Alexandre Pisoni. Na sequência, a destruição de soqueira apareceu como um dos grandes desafios atuais da cotonicultura. Em palestra específica sobre o tema, o Dr. Edson Júnior reforçou que a eliminação adequada dos restos culturais segue sendo um gargalo para muitos produtores, apesar de seu papel central no manejo do bicudo. Durante seu painel, o professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Dr. Jorge Torres, destacou que o manejo começa ainda na entressafra. Torres reforçou que o vazio sanitário continua sendo essencial, mas precisa estar associado a outras estratégias para garantir eficiência no controle da praga. Outro destaque foi a apresentação da Rede Bicudo Brasil, conduzida pelo pesquisador da Fundação Bahia, Me. Allef Silva. Segundo o pesquisador, os ensaios sobre o bicudo são realizados simultaneamente em diferentes regiões produtoras do país, permitindo comparar resultados em distintas condições climáticas e produtivas. Os dados obtidos serviram de base técnica para orientar as recomendações de manejo mais eficientes para cada realidade regional. Na discussão sobre manejo de lagartas, o pesquisador em entemologia da Multcrop, Dr. Antonio Carlos, apresentou estratégias voltadas ao controle das principais espécies que afetam o algodoeiro. Já o professor da Universidade Federal de Pelotas, Dr. Daniel Bernardi, abordou o comparativo de eficácia entre inseticidas genéricos e moléculas mais efetivas no manejo de lagartas. Complementando o debate, o sócio diretor da Holagri, Guido Sanchez, relembrou a trajetória de controle da lagarta-rosada, que, para ele, é um case que demonstra como alinhamento regional é importante para mitigar pragas em várias culturas, incluindo do algodoeiro. O fortalecimento do refúgio e os desafios relacionados à adoção da prática foi abordado pelo gerente de marketing da Bayer Algodão, Eduardo Correa. O gerente citou as inovações da Bayer em relação aos defensivos e mostrou os dados de como cada um deles tem funcionado de acordo com a praga e a região que foram aplicados no país. Para contribuir com o debate e a troca de experiências entre cientistas e produtores, ocorreu entre as apresentações duas rodadas de discussão mediadas pelo gerente de sustentabilidade da Abrapa, Fábio Carneiro. A primeira delas contou com o produtor de algodão do estado da Bahia, Jarbas Bergamaschi, o Dr. Edson Junior, junto com o Dr. Jorge Torres e foi dedicada a discutir estratégias regionais e o fortalecimento do manejo integrado. A segunda rodada reuniu o professor da Escola Superior de Agricultura Luiz Queiroz, da Universidade de São Paulo, o pós-doutor em Biologia Molecular Aplicada à Entomologia, Celso Omoto, a Coordenadora de Desenvolvimento e Extensão do Departamento de Agricultura e Pesca do estado de Queensland, na Austrália, a PhD em sobrevivência de Spodoptera Litura em algodão Bollgard 3, Sharna Holman, o agrônomo da Fazenda Sete Povos (BA), Ricardo Atarass, e Alexandre Pisoni. Doenças desafiam eficiência dos fungicidas O manejo de doenças ganhou espaço com discussões voltadas principalmente ao avanço da ramulária e da mancha-alvo nas lavouras brasileiras. Pesquisadores alertaram para o aumento da resistência dos patógenos e para a necessidade de revisão das estratégias atualmente utilizadas no campo. Representando a Fundação Chapadão, o pesquisador Dr. Deivid Sacon afirmou que as ferramentas disponíveis atualmente já não conseguem controlar as doenças de forma plenamente efetiva. Segundo ele, a redução do intervalo entre aplicações e a combinação de fungicidas têm apresentado resultados mais consistentes nas lavouras de Mato Grosso do Sul. O tema continuou em pauta na apresentação do Dr. Fabiano Perina (Embrapa Algodão), sobre o manejo assertivo de Ramulariopsis pseudoglycines e Corynespora cassiicola. Os especialistas defenderam que o avanço das doenças exige um manejo mais técnico e integrado, associando monitoramento, posicionamento correto de produtos e estratégias preventivas para preservar a eficiência das moléculas disponíveis. Biológicos avançam, mas exigem estrutura e tecnologia O uso de biológicos apareceu como estratégia promissora para a cotonicultura, embora especialistas tenham ressaltado que a adoção dessas ferramentas ainda exige mudanças importantes dentro das propriedades rurais. Em palestra sobre desafios e casos de sucesso no uso de biológicos, o produtor e engenheiro agrônomo Cézar Busato relatou experiências do oeste baiano e afirmou que o sucesso dessas tecnologias depende de estruturas e processos que não fazem parte da rotina tradicional das fazendas. Segundo ele, o avanço dos biológicos permitiu reduzir significativamente o uso de químicos e contribuiu diretamente para solucionar problemas relacionados ao mofo branco nas áreas produtivas. A importância dos biológicos no equilíbrio do sistema produtivo é uma das principais vantagens na visão dos especialistas. Quando corretamente posicionados, esses produtos ajudam a reduzir o desenvolvimento de fungos e vírus, reforçando o manejo integrado e ampliando a sustentabilidade das lavouras. Fortalecimento de alianças internacionais Participantes da Austrália, Paraguai e Argentina destacaram a evolução das estratégias de manejo adotadas pelo Brasil e a importância da integração entre produtores, pesquisadores e indústria para enfrentar os desafios fitossanitários. Daniela Vitti, bióloga e mestre em gestão ambiental do INTA (Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária da Argentina), ressaltou a importância de eventos técnicos desenvolvimento da agricultura sustentável na América Latina. “Eventos como esse são mais que positivos para promover as alianças e cooperações entre países. Temos pontos em comum com a produção do algodão, então o compartilhamento dos conhecimentos nos ajuda a enfrentar os desafios, mesmo que tenhamos muitas diferenças em termos ambientais para cada região algodoeira, há muitas de coisas que podemos colaborar para o manejo do cultivo, para a produção e para a cadeia”, comentou Vitti. Construção coletiva de soluções No encerramento, o gerente de sustentabilidade da Abrapa, Fábio Carneiro, citou o MIPD como um dos temas prioritários do Programa ABR por ser uma forma de buscar o equilíbrio do sistema produtivo através do monitoramento, aliado ao uso racional de defensivos e da biotecnologia, promovendo uma cotonicultura mais responsável. “O grande avanço do MIPD está na integração entre pesquisa, tecnologia e experiência prática no campo. O algodão brasileiro evolui quando toda a cadeia trabalha de forma coordenada para construir soluções sustentáveis e eficientes”, afirmou.

Sistemas Abrapa