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CBRA passa a fornecer amostras para programa internacional de padronização da qualidade do algodão
12 de Junho de 2026O algodão brasileiro acaba de dar um passo estratégico para consolidar sua posição no mercado internacional da pluma. O Centro Brasileiro de Referência e Análise do Algodão (CBRA), da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), foi incluído como fornecedor oficial de amostras para as rodadas interlaboratoriais do Commercial Standardization of Instrument Testing of Cotton (CSITC), iniciativa ligada ao International Cotton Advisory Committee (ICAC). Nova responsabilidade A decisão ocorre em um momento de transição no comitê internacional, após o encerramento da colaboração do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no envio de amostras. Diante desse cenário, o CBRA foi confirmado para assumir a responsabilidade pela validação, preparo e envio das amostras que serão utilizadas nos testes comparativos entre laboratórios de todo o mundo. O CSITC é uma força-tarefa internacional que reúne representantes de toda a cadeia global do algodão, de produtores e traders a pesquisadores, exportadores e indústria têxtil, com o objetivo de garantir a padronização dos métodos de classificação da fibra, especialmente por meio de instrumentação HVI (High Volume Instrument). Na prática, trata-se de assegurar que análises realizadas em diferentes países apresentem resultados consistentes e padronizados, base fundamental para a comercialização global da pluma. Capacidade técnica brasileira A entrada do CBRA nesse processo não é apenas operacional. Ela simboliza o reconhecimento da capacidade técnica brasileira em um dos ambientes mais exigentes da cotonicultura mundial. “Essa inclusão atesta a competência técnica do Brasil e consolida o CBRA como um laboratório de referência global. É um movimento que amplia o protagonismo do país em decisões estratégicas para o comércio internacional do algodão”, explica o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero. Esse reconhecimento também é compartilhado por importantes lideranças técnicas internacionais. Para Axel Drieling, do Bremen Fiber Institute e da ICA Bremen, duas das principais referências globais em análise, pesquisa e padronização da qualidade do algodão, a participação brasileira tem sido fundamental para a continuidade e o fortalecimento do programa. “Somos muito gratos ao apoio da Abrapa ao CSITC e às rodadas interlaboratoriais do programa. Com a colaboração da entidade, podemos dar continuidade aos testes e fortalecer ainda mais a base internacional que sustenta sua execução”, afirma. A participação brasileira já teve papel decisivo na segunda rodada interlaboratorial de 2026, atualmente em fase de conclusão. O CBRA foi responsável pela preparação e envio de 71 conjuntos de amostras para 54 laboratórios em diferentes países, dos quais nove são brasileiros. Cada conjunto é composto por materiais provenientes de fardos comprovadamente homogêneos, com variação controlada de propriedades, garantindo a robustez e a confiabilidade dos testes. Além da preparação das amostras, um dos principais desafios é a logística de envio internacional, que envolve exigências sanitárias, documentação alfandegária e particularidades de cada destino, fator considerado crítico para o sucesso da operação. De acordo com o gerente de qualidade da Abrapa, Deninson Lima, “Mais do que preparar amostras tecnicamente consistentes, o processo exige domínio logístico e conhecimento detalhado das exigências internacionais. Essa é uma etapa tão desafiadora quanto a própria análise laboratorial”. Impacto na valorização do algodão brasileiro A participação do Brasil ganha relevância em um momento de transição para o CSITC, que discute ajustes em sua estrutura operacional para garantir a continuidade do programa e o engajamento de instituições estratégicas. Nesse cenário, o CBRA passa a contribuir diretamente para a execução das rodadas interlaboratoriais que dão suporte à padronização internacional da classificação do algodão. A participação do laboratório central no programa também já está prevista para as terceira e quarta rodadas interlaboratoriais do CSITC. A definição foi confirmada pelo comitê técnico da iniciativa e dará continuidade ao trabalho de preparação e envio das amostras utilizadas pelos laboratórios participantes. Para Portocarrero, “A inclusão das amostras produzidas pelo CBRA no CSITC fortalece toda a cadeia produtiva brasileira, que passa a ter ainda mais peso nas discussões sobre qualidade, classificação e comercialização da fibra no mundo”. Ao assumir esse novo papel, o país reafirma sua evolução de fornecedor de matéria-prima para referência técnica internacional, um movimento que tende a gerar impactos diretos na competitividade e na valorização do algodão brasileiro no mercado externo.
Sou de Algodão leva a fibra natural e a moda brasileira para a Bahia Farm Show
09 de Junho de 2026De 8 a 13 de junho, Luís Eduardo Magalhães (BA) receberá a Bahia Farm Show. E o algodão vai chegar com tudo ao evento: a Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), em parceria com a Abapa (Associação Baiana dos Produtores de Algodão), monta a Vila do Algodão, um espaço de 300 m² dedicado a contar a jornada da fibra, do campo à peça de roupa, para produtores, profissionais do agronegócio e o público em geral. O último ambiente da Vila do Algodão é também o mais próximo do consumidor final: a Loja Sou de Algodão. Com o mote Escolha fibra natural!, o espaço comercializa camisetas adultas e infantis, polos e outros itens com a marca do movimento, todos produzidos com 100% algodão brasileiro. Mais do que uma loja, o ambiente é um painel vivo sobre a fibra: as paredes trazem o glossário da moda natural, com os principais tecidos feitos de algodão e suas características, além de um painel que mostra a trajetória completa, da semente ao capulho, do caroço à pluma, e os subprodutos gerados ao longo desse caminho. A área também conta com uma zona de experiência sensorial dedicada aos tecidos, onde o visitante pode tocar diferentes tipos de malhas e tramas feitas de algodão, e com uma campanha interativa sobre a importância da etiqueta: uma tela exibe conteúdo sobre composição têxtil, cuidados com o produto e o que a lei brasileira exige que conste em cada peça de roupa. Adriana Meira e o orgulho do algodão baiano O ponto alto da programação acontece na sexta-feira, 12 de junho, com a presença da estilista baiana Adriana Meira, parceira do Sou de Algodão. Para a Bahia Farm Show, Adriana criou uma estampa exclusiva celebrando o orgulho do algodão baiano, que estará disponível entre as peças comercializadas na loja. Ao longo do dia, ela conduz duas oficinas de personalização têxtil voltadas para costureiras locais e mulheres da região, compartilhando suas técnicas autorais. À tarde, Adriana participa de um talk sobre seu processo criativo, sua trajetória como estilista e o lugar da moda autoral baiana e brasileira, com ênfase em estilistas independentes e no valor das manualidades. Vozes do movimento Para Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa, levar o Sou de Algodão à Bahia Farm Show é uma forma de conectar dois universos que caminham juntos. "O Brasil é um dos maiores produtores de algodão do mundo, e a Bahia tem papel central nessa história. A Vila do Algodão e a Loja Sou de Algodão mostram que essa fibra não termina no campo, ela chega à roupa que o brasileiro veste todo dia. Queremos que as pessoas reconheçam isso e façam escolhas mais conscientes na hora de comprar." Silmara Ferraresi reforça o caráter educativo e afetivo da iniciativa. "A Loja Sou de Algodão na Bahia Farm Show é muito mais do que um ponto de venda. É um convite para conhecer a fibra de verdade, sentir, aprender, entender por que vale escolher o natural. E ter a Adriana Meira nessa conversa é inspirador: ela traduz, pela moda autoral baiana, tudo aquilo que o algodão representa em termos de identidade, qualidade e valorização do que é feito no Brasil." Sobre Sou de Algodão Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 83% de toda a produção nacional de algodão. Abrace este movimento: Site: www.soudealgodao.com.br Facebook, Instagram, Youtube, LinkedIn e Pinterest: @soudealgodao TikTok: @soudealgodao_
Abrapa e Abapa apresentam “Vila do Algodão” na Bahia Farm Show
09 de Junho de 2026A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) marcará presença na Bahia Farm Show 2026, realizada entre os dias 8 e 13 de junho, em Luís Eduardo Magalhães (BA). Com uma programação voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva do algodão, a entidade participará de eventos estratégicos para o setor, incluindo a inauguração do novo Centro de Análise de Fibras da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) e ações de promoção do movimento Sou de Algodão. A feira, considerada a maior do Norte e Nordeste do país, reunirá produtores de todos os setores agropecuários, empresas, instituições de pesquisa e representantes do agronegócio brasileiro. A delegação da Abrapa será liderada pelo presidente da entidade, Gustavo Piccoli, que participará das agendas institucionais previstas ao longo do evento. Para Piccoli, a participação da Abrapa na Bahia Farm Show representa uma oportunidade de destacar os avanços da cotonicultura nacional, aproximar o setor produtivo da sociedade e reforçar o compromisso com a qualidade, a sustentabilidade e a rastreabilidade do algodão brasileiro. “Ao reunir tecnologia, qualidade e iniciativas de promoção da fibra, a participação da Abrapa na Bahia Farm Show 2026 reforça o posicionamento do algodão brasileiro como uma das cadeias produtivas mais organizadas, sustentáveis e competitivas do agronegócio nacional”. Novo Centro de Análise de Fibras reforça produção do Matopiba Um dos principais momentos da programação será a inauguração do novo Centro de Análise de Fibras da Abapa, no dia 8 de junho. Considerado o maior laboratório de análise de fibras de algodão da América Latina, o empreendimento foi concebido para atender à crescente demanda por análises das fibras produzidas na fronteira agrícola do Matopiba. Com 5,7 mil metros quadrados de área construída, a nova unidade terá capacidade para realizar até 70 mil análises de amostras por dia. Os resultados da safra 2024/2025 evidenciam a relevância da construção da nova estrutura na região. Em 2025, o laboratório da Abapa analisou 3.581.238 fardos de algodão que faziam parte do Programa de Qualidade do Algodão Brasileiro (PQAB). Desse total, 3.575.521 fardos foram certificados pelo programa, alcançando índice de conformidade de 99,85% e respondendo por 56,5% dos certificados de qualidade emitidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na última safra. Segundo o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, a nova estrutura representa um marco para a cotonicultura nacional. “O Centro de Análise de Fibras da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) não é só o maior da América Latina, é também referência e símbolo de qualidade. Na safra 2024/2025, o laboratório certificou mais de 3,5 milhões de fardos, alcançando um índice de assertividade de 99,85%. Um orgulho para o algodão brasileiro.” Vila do Algodão destaca inovação, conhecimento e conexão com o consumidor Uma das principais novidades da Bahia Farm Show 2026 será a Vila do Algodão, espaço temático idealizado pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e o movimento Sou de Algodão. O complexo foi concebido para aproximar o público da cotonicultura brasileira por meio de experiências interativas e conteúdos voltados a temas estratégicos para o setor, como sustentabilidade, qualidade da fibra, mercado, rastreabilidade e inovação. Para a presidente da Abapa, Alessandra Zanotto, a Vila do Algodão foi concebida para aproximar o público de uma cadeia produtiva que faz parte do cotidiano das pessoas, mas cuja dimensão e complexidade nem sempre são conhecidas. “A Vila do Algodão nasce com o propósito de ser um espaço de encontro, conhecimento e troca de experiências. Queremos apresentar ao público tudo o que existe por trás da produção do algodão, desde a sustentabilidade e a tecnologia empregadas no campo até a qualidade da fibra que chega à indústria e ao consumidor. É uma oportunidade de aproximar ainda mais a sociedade de um setor que gera desenvolvimento, emprego e renda para o Brasil.” A programação contará com uma série de atrações, incluindo cafeteria, estúdio para gravação de podcasts, espaços de convivência e a loja do movimento Sou de Algodão, que oferecerá produtos confeccionados com a fibra natural brasileira. No dia 12 de junho, sexta-feira, Adriana Meira, estilista baiana e parceira do movimento Sou de Algodão, vai realizar oficinas de costura para associadas e costureiras da região. “A Bahia Farm Show reúne um público diverso e oferece uma excelente oportunidade para mostrar que o algodão vai muito além da porteira. Com a loja do Sou de Algodão na Vila, queremos aproximar as pessoas da fibra natural, apresentar produtos que carregam a qualidade do algodão brasileiro e fortalecer uma conexão cada vez maior entre quem produz e quem consome”, explica a diretora de Relações Institucionais da Abrapa, Silmara Ferraresi, que acompanhará a programação da feira. Cotton Cine e Conhecendo o Agro completam atrações na Bahia Farm Show O espaço também receberá ações do Programa Educacional Conhecendo o Agro, promovido pela Abapa, que levará mais uma vez o projeto Cotton Cine à feira, proporcionando atividades educativas voltadas à aproximação do público com a realidade do campo e da produção agrícola. Além disso, a entidade aproveitará o evento para lançar a sétima edição do Prêmio Abapa de Jornalismo, quando serão divulgados o regulamento, as categorias e os valores da premiação, considerada uma das mais importantes do segmento agropecuário no país.
Cotton Brazil conclui missão à Austrália e reforça parceria entre duas potências do algodão
03 de Junho de 2026O Cotton Brazil concluiu a missão internacional Cotton Brazil Dialogues Austrália 2026, que promoveu visitas técnicas e encontros institucionais em algumas das principais regiões produtoras de algodão da Austrália. A agenda reuniu representantes da cadeia algodoeira brasileira em uma programação de intercâmbio técnico sobre produção, pesquisa, logística, sustentabilidade e desenvolvimento de mercado, fortalecendo a relação entre dois dos maiores exportadores de algodão do mundo. Ao longo da programação, os participantes visitaram fazendas, centros de pesquisa, empresas de beneficiamento, estruturas de classificação de fibra e operações logísticas, conhecendo de perto o modelo australiano de produção e exportação. A missão percorreu cidades estratégicas da cotonicultura australiana, incluindo Moree, Wee Waa, Narrabri, Goondiwindi, Dalby, Toowoomba e Brisbane. Para Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o principal resultado da missão foi a qualidade das trocas realizadas ao longo da programação. “A missão se chamou Cotton Brazil Dialogues Austrália 2026 e acho que dificilmente poderia haver um nome melhor. Isso aconteceu, sobretudo, porque os australianos foram extremamente abertos e generosos em discutir em profundidade cada detalhe das operações, com muita transparência e disposição para compartilhar experiências”, afirmou. Um modelo de alinhamento setorial Durante a missão, a delegação brasileira conheceu algumas das principais organizações da cadeia algodoeira australiana, incluindo a Sundown Pastoral Company, a Australian Food & Fibre (AFF), a Cotton Seed Distributors (CSD), a ProClass, a Queensland Cotton, o Australian Cotton Research Institute (ACRI), além do Porto de Brisbane e do laboratório da Bayer Crop Science em Toowoomba. Para David Schmidt, produtor de algodão no Oeste da Bahia, a programação, que incluiu visitas a diferentes atores da cadeia produtiva, permitiu compreender uma das características mais marcantes da cotonicultura australiana: o alinhamento entre pesquisa, produção e instituições do setor. “Há mais de 30 anos eles trabalham a genética e toda a parte de manejo para assegurar a resistência da genética desenvolvida na cultura do algodoeiro às pragas. Esse alinhamento, que extrapola a porteira da fazenda e envolve as instituições que fomentam a cotonicultura australiana, realmente é um modelo para se inspirar no Brasil”, afirma. A integração da cadeia também foi um dos destaques para Márcio Santos, CEO da Bayer no Brasil, que acompanhou a comitiva. “Pudemos conhecer o eficiente ecossistema integrado australiano que vai da pesquisa genética, produção, processamento, à logística da exportação, ao mesmo tempo que compartilhamos a experiência brasileira de gestão da produção em larga escala. Fica claro que em conjunto temos muita oportunidade de acelerar o consumo global de fibras naturais”, acredita Santos. Água, logística e inovação Entre os temas que mais despertaram interesse dos participantes estiveram a gestão dos recursos hídricos e a eficiência logística da cadeia australiana. De acordo com Juliana de Lavor Lopes, diretora de ESG e Comunicação da Amaggi, o modelo australiano evidencia a importância estratégica da água para a competitividade da produção agrícola. “A produção de algodão na Austrália está diretamente ligada à disponibilidade de água, e o custo desse recurso é muito claro e relevante para os produtores. Isso traz um importante alerta para nós, no Brasil, sobre a necessidade de atenção crescente à questão hídrica e seus impactos sobre a competitividade da produção”, afirmou. Outro aspecto destacado por Juliana foi a operação logística observada durante a visita ao Porto de Brisbane. “O processo é altamente organizado, com forte rastreabilidade e uma operação mais simples e fluida graças ao elevado nível de automação. Isso garante mais segurança e eficiência na exportação, algo que ainda temos oportunidade de evoluir no Brasil”, ressaltou. Além dos aspectos técnicos, Juliana destacou o valor do intercâmbio promovido pela missão. “Não é apenas sobre o Brasil aprender com a Austrália, mas sobre um intercâmbio real de experiências. Esse diálogo fortalece o setor como um todo e contribui para o desenvolvimento de ambos os mercados”, afirmou. Promoção e defesa das fibras naturais Para Leonardo Celini, diretor de Operações da SLC Agrícola, a capacidade de evolução da cadeia australiana impressiona pela combinação entre tecnologia, produtividade, qualidade e coordenação entre os diferentes agentes do setor. Os avanços observados durante a missão vão desde a genética e o uso intensivo de tecnologia até a organização da cadeia produtiva e a valorização da fibra no mercado internacional. “Um ponto que chama atenção é a união do setor contra as fibras sintéticas, além de um processo de rastreabilidade muito bem estruturado”, destacou. Na avaliação do executivo, a experiência australiana reforça a importância de o Brasil avançar em estratégias voltadas à diferenciação e à agregação de valor da fibra nacional. Para ele, iniciativas relacionadas à qualidade, rastreabilidade e promoção comercial tendem a ganhar cada vez mais relevância na disputa por mercados internacionais. “Somos um país exportador e temos obrigação de produzir com altíssima qualidade. O caminho é agregar valor e construir uma marca forte para o algodão brasileiro”, concluiu. Sobre o Cotton Brazil O Cotton Brazil é um programa internacional de promoção do algodão brasileiro desenvolvido pela Abrapa em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). A iniciativa atua na promoção comercial, no posicionamento institucional e no fortalecimento da imagem do algodão brasileiro no mercado global, destacando atributos como qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e confiabilidade no fornecimento.
Abrapa leva ao vice-presidente Geraldo Alckmin pautas estratégicas para o algodão brasileiro
03 de Junho de 2026Representantes da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) participaram, nesta terça-feira (2), de uma reunião com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o senador Jaques Wagner para discutir temas estratégicos para a cadeia produtiva do algodão. O encontro foi articulado por Carlos Ernesto Augustin e contou com a participação do diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, do presidente da entidade, Moisés Schmidt, e de representantes da Associação dos Irrigantes da Bahia (Aiba). Regulamentação dos bioinsumos Na pauta dos bioinsumos, a Abrapa solicitou apoio para conferir maior celeridade à regulamentação da legislação. Durante a reunião, o vice-presidente solicitou atenção especial à conclusão e publicação da norma, considerada estratégica para ampliar a adoção de tecnologias sustentáveis no campo. Para o diretor executivo da Abrapa, a regulamentação é fundamental para garantir segurança jurídica e ampliar o acesso dos produtores a soluções inovadoras. “Os bioinsumos representam uma ferramenta importante para aumentar a eficiência da produção agrícola e fortalecer a sustentabilidade econômica e ambiental do setor. Por isso, a regulamentação é aguardada com grande expectativa pelos produtores”, afirmou Portocarrero. Setor busca alternativas para o endividamento agrícola A situação financeira dos produtores rurais também esteve entre os principais temas da reunião. A Abrapa apresentou preocupações relacionadas ao crescente endividamento do setor e às discussões em torno do Projeto de Lei nº 5.122/2023, que trata de mecanismos para renegociação de dívidas rurais. Os representantes do setor defenderam a construção de soluções em conjunto com o Ministério da Fazenda, incluindo a criação de um fundo garantidor para ampliar o acesso ao crédito e reduzir riscos para as instituições financeiras. Também foram discutidos mecanismos de renegociação e prorrogação de parcelas de investimentos. O senador Jaques Wagner comprometeu-se a apoiar as articulações junto ao governo federal em busca de alternativas para o setor. Fibras naturais e microplásticos entram no debate sobre competitividade A valorização das fibras naturais e os impactos ambientais associados aos materiais sintéticos foram tratados como temas estratégicos para o futuro da cadeia têxtil. Durante a reunião, a Abrapa apresentou a Emenda nº 52 à Medida Provisória nº 1.357, proposta pelo senador Carlos Fávaro, que prevê a criação de uma Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incidente sobre produtos têxteis importados, com alíquotas proporcionais à participação de fibras sintéticas em sua composição. A proposta prevê que os recursos arrecadados sejam destinados a um fundo voltado ao financiamento de inovação, desenvolvimento tecnológico, campanhas de conscientização e iniciativas de incentivo ao uso de fibras naturais e produtos sustentáveis. Ao apresentar o tema, o setor destacou experiências internacionais voltadas à redução dos impactos ambientais dos tecidos sintéticos e ao estímulo ao consumo de fibras naturais. O vice-presidente demonstrou receptividade à proposta e solicitou ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) o aprofundamento das discussões com representantes do setor. Sustentabilidade, rastreabilidade e etiquetagem Os participantes também discutiram os desafios impostos pelas novas exigências internacionais relacionadas à sustentabilidade, rastreabilidade e economia circular. Temas como passaporte digital de produtos, comprovação de origem sustentável e transparência das informações ao consumidor foram apontados como fatores cada vez mais relevantes para a competitividade da cadeia têxtil brasileira. Nesse contexto, a Abrapa informou que está em andamento, em parceria com a ABIT e o MDIC, a construção de um acordo de cooperação técnica para modernização das normas de etiquetagem de produtos têxteis no Brasil. As mudanças buscam ampliar a transparência para o consumidor e preparar o setor para atender às exigências dos mercados internacionais, fortalecendo a competitividade das fibras naturais e da indústria têxtil nacional. Para a Abrapa, a reunião representou um avanço importante no diálogo institucional com o governo federal em torno de temas prioritários para a cotonicultura brasileira. “Os encaminhamentos definidos deverão dar continuidade às discussões sobre bioinsumos, crédito rural, competitividade da indústria têxtil e valorização das fibras naturais nos mercados nacional e internacional”, avaliou Portocarrero.
Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 29/05/2026
29 de Maio de 2026Destaque da Semana 1 - A semana foi marcada por forte correção em NY, com o contrato Jul/26 acumulando queda expressiva desde o pico de maio, pressionado por liquidação de fundos, melhora parcial do clima nos EUA e petróleo em baixa. Destaque da Semana 2 - Foi concluída na última semana a missão Cotton Brazil Dialogues Australia 2026. A agenda levou representantes da cadeia algodoeira brasileira a algumas das principais regiões produtoras da Austrália para um intercâmbio técnico sobre produção, pesquisa, logística, sustentabilidade e desenvolvimento de mercado, fortalecendo a cooperação entre dois dos maiores exportadores de algodão do mundo. Destaque da Semana 3 - O Cotton Brazil realizou missão institucional no Vietnã. A programação passou por Hanói e Ho Chi Minh City, reunindo representantes da cadeia têxtil local para discutir mercado, qualidade e oportunidades de negócios, reforçando a presença do algodão brasileiro em um dos mercados mais estratégicos da Ásia. Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 28/mai cotado a 76,77 U$c/lp (-1,7% vs. 21/mai). O contrato Dez/26 fechou em 79,53 U$c/lp (-0,5% vs. 21/mai). Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 759 pts para embarque Jun/Jul-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 28/mai/26. Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 230,3 mil toneladas nas três primeiras semanas de mai/26. A média diária de embarque foi 67,8% maior que no mesmo mês de 2025. Altistas 1 - A queda de NY começou a estimular compras pontuais na Ásia, com negócios reportados em Vietnã, Bangladesh e China. Altistas 2 - As vendas semanais dos EUA foram fortes, com 141,3 mil fardos para 2025/26 e 223,7 mil fardos para 2026/27, equivalentes a cerca de 32,0 mil tons e 50,7 mil tons. Os embarques também foram sólidos, com 299,3 mil fardos, cerca de 67,9 mil tons. Altistas 3 - A China importou 165.294 tons em abril, quase três vezes o volume do mesmo mês do ano anterior, com Brasil respondendo por 57% do total. No acumulado da safra, as importações chinesas chegaram a 1,264 milhão tons, acima das 1,015 milhão tons do mesmo período anterior. Altistas 4 - A Índia voltou a discutir a possível retirada da tarifa de importação de 11% sobre algodão estrangeiro, em meio à alta dos preços domésticos e pressão da indústria. Se confirmada, a medida pode aumentar a competitividade das importações no curto prazo. Altistas 5 - A Cotlook elevou a estimativa de consumo mundial, com ajustes positivos em Índia, Bangladesh e Vietnã. Baixistas 1 - A principal pressão da semana veio da forte queda de NY: o contrato Jul/26 perdeu quase 1.100 pontos, ou 12%, em nove pregões. A liquidação de posições compradas dos fundos acelerou o movimento e pressionou também os preços físicos. Baixistas 2 - As chuvas no cinturão algodoeiro dos EUA melhoraram parcialmente as condições de plantio, inclusive em áreas secas do Texas. Embora ainda haja déficit hídrico, a percepção de risco climático diminuiu e reduziu o prêmio de risco nos preços. Baixistas 3 - O plantio dos EUA chegou a 53% até 24/mai, em linha com a média de cinco anos e três pontos acima do ano anterior. No Texas, o avanço era de 42%, ainda abaixo da média de 45%, mas com potencial de acelerar após as chuvas. Baixistas 4 - A China segue com ampla disponibilidade: estoques comerciais somavam 4,046 milhões tons em meados de maio, acima do mesmo período do ano anterior. Isso dá poder de barganha aos compradores chineses e reduz a urgência por compras agressivas. Baixistas 5 - O subsídio de preço-alvo em Xinjiang foi mantido em 18.600 yuan/ton por mais três anos, aplicado a até 5,1 milhões tons. A manutenção do apoio reduz o risco de queda mais forte de área e sustenta a oferta chinesa no médio prazo. Agenda - A comitiva do Cotton Brazil está na China para participar da China Cotton Industry Development Summit, um dos maiores eventos globais do mercado de algodão, em Chongqing. A agenda incluiu um evento de networking com a indústria têxtil, encontros com parceiros Chinatex e China National Cotton Group Corporation (CNCGC). A iniciativa busca fortalecer o relacionamento com o mercado chinês, principal destino das exportações brasileiras de algodão. China 1 - Os preços do algodão na bolsa futura de Zhengzhou encerraram a semana com pouca variação, enquanto o volume negociado voltou a recuar em relação ao período anterior. China 2 - O China Cotton Index (CC Index) avançou levemente para 17.637 yuans por tonelada. Já o Índice A da Cotlook (ajustado para comparação) registrou forte queda, ampliando o prêmio do mercado doméstico chinês para cerca de 3.035 yuans por tonelada (aprox. 20,05 c/lb). China 3 - As importações chinesas de algodão em pluma somaram 165.294 toneladas em abril, volume ligeiramente inferior ao de março, mas quase três vezes superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. O Brasil foi o principal fornecedor, respondendo por 57% do total importado. Índia - Os preços do algodão no mercado doméstico indiano permaneceram em ₹65.750 por candy para o Shankar-6 (aprox. 87,70 c/lb ex-gin) e em ₹6.655 por maund para o Punjab J-34 (cerca de 84,90 c/lb ex-gin). Bangladesh - A atividade no mercado doméstico desacelerou devido ao feriado de Eid, e as operações devem ser retomadas gradualmente na próxima semana. Negócios recentes incluíram algodão do Benin para embarque em junho/julho e lotes da safra 2025 do Brasil para embarque em junho. Turquia - O valor das exportações turcas de vestuário de malha e tecido plano somou US$ 1,39 bilhão em abril, alta de 16% tanto em relação ao mês anterior quanto ao mesmo período de 2025. No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, os embarques totalizam US$ 5,2 bilhões, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Vietnã - A queda dos preços internacionais do algodão foi refletida nos preços dos fios no Vietnã, estimulando um ritmo mais forte de vendas nas últimas semanas. Apesar da melhora na comercialização, as fiações continuam relatando custos de produção elevados e margens de lucro reduzidas. Preços - Consulte a tabela de cotações abaixo. Quadro de cotações para 28.05_ Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

