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Cotton Brazil conclui missão à Austrália e reforça parceria entre duas potências do algodão
03 de Junho de 2026O Cotton Brazil concluiu a missão internacional Cotton Brazil Dialogues Austrália 2026, que promoveu visitas técnicas e encontros institucionais em algumas das principais regiões produtoras de algodão da Austrália. A agenda reuniu representantes da cadeia algodoeira brasileira em uma programação de intercâmbio técnico sobre produção, pesquisa, logística, sustentabilidade e desenvolvimento de mercado, fortalecendo a relação entre dois dos maiores exportadores de algodão do mundo. Ao longo da programação, os participantes visitaram fazendas, centros de pesquisa, empresas de beneficiamento, estruturas de classificação de fibra e operações logísticas, conhecendo de perto o modelo australiano de produção e exportação. A missão percorreu cidades estratégicas da cotonicultura australiana, incluindo Moree, Wee Waa, Narrabri, Goondiwindi, Dalby, Toowoomba e Brisbane. Para Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o principal resultado da missão foi a qualidade das trocas realizadas ao longo da programação. “A missão se chamou Cotton Brazil Dialogues Austrália 2026 e acho que dificilmente poderia haver um nome melhor. Isso aconteceu, sobretudo, porque os australianos foram extremamente abertos e generosos em discutir em profundidade cada detalhe das operações, com muita transparência e disposição para compartilhar experiências”, afirmou. Um modelo de alinhamento setorial Durante a missão, a delegação brasileira conheceu algumas das principais organizações da cadeia algodoeira australiana, incluindo a Sundown Pastoral Company, a Australian Food & Fibre (AFF), a Cotton Seed Distributors (CSD), a ProClass, a Queensland Cotton, o Australian Cotton Research Institute (ACRI), além do Porto de Brisbane e do laboratório da Bayer Crop Science em Toowoomba. Para David Schmidt, produtor de algodão no Oeste da Bahia, a programação, que incluiu visitas a diferentes atores da cadeia produtiva, permitiu compreender uma das características mais marcantes da cotonicultura australiana: o alinhamento entre pesquisa, produção e instituições do setor. “Há mais de 30 anos eles trabalham a genética e toda a parte de manejo para assegurar a resistência da genética desenvolvida na cultura do algodoeiro às pragas. Esse alinhamento, que extrapola a porteira da fazenda e envolve as instituições que fomentam a cotonicultura australiana, realmente é um modelo para se inspirar no Brasil”, afirma. A integração da cadeia também foi um dos destaques para Márcio Santos, CEO da Bayer no Brasil, que acompanhou a comitiva. “Pudemos conhecer o eficiente ecossistema integrado australiano que vai da pesquisa genética, produção, processamento, à logística da exportação, ao mesmo tempo que compartilhamos a experiência brasileira de gestão da produção em larga escala. Fica claro que em conjunto temos muita oportunidade de acelerar o consumo global de fibras naturais”, acredita Santos. Água, logística e inovação Entre os temas que mais despertaram interesse dos participantes estiveram a gestão dos recursos hídricos e a eficiência logística da cadeia australiana. De acordo com Juliana de Lavor Lopes, diretora de ESG e Comunicação da Amaggi, o modelo australiano evidencia a importância estratégica da água para a competitividade da produção agrícola. “A produção de algodão na Austrália está diretamente ligada à disponibilidade de água, e o custo desse recurso é muito claro e relevante para os produtores. Isso traz um importante alerta para nós, no Brasil, sobre a necessidade de atenção crescente à questão hídrica e seus impactos sobre a competitividade da produção”, afirmou. Outro aspecto destacado por Juliana foi a operação logística observada durante a visita ao Porto de Brisbane. “O processo é altamente organizado, com forte rastreabilidade e uma operação mais simples e fluida graças ao elevado nível de automação. Isso garante mais segurança e eficiência na exportação, algo que ainda temos oportunidade de evoluir no Brasil”, ressaltou. Além dos aspectos técnicos, Juliana destacou o valor do intercâmbio promovido pela missão. “Não é apenas sobre o Brasil aprender com a Austrália, mas sobre um intercâmbio real de experiências. Esse diálogo fortalece o setor como um todo e contribui para o desenvolvimento de ambos os mercados”, afirmou. Promoção e defesa das fibras naturais Para Leonardo Celini, diretor de Operações da SLC Agrícola, a capacidade de evolução da cadeia australiana impressiona pela combinação entre tecnologia, produtividade, qualidade e coordenação entre os diferentes agentes do setor. Os avanços observados durante a missão vão desde a genética e o uso intensivo de tecnologia até a organização da cadeia produtiva e a valorização da fibra no mercado internacional. “Um ponto que chama atenção é a união do setor contra as fibras sintéticas, além de um processo de rastreabilidade muito bem estruturado”, destacou. Na avaliação do executivo, a experiência australiana reforça a importância de o Brasil avançar em estratégias voltadas à diferenciação e à agregação de valor da fibra nacional. Para ele, iniciativas relacionadas à qualidade, rastreabilidade e promoção comercial tendem a ganhar cada vez mais relevância na disputa por mercados internacionais. “Somos um país exportador e temos obrigação de produzir com altíssima qualidade. O caminho é agregar valor e construir uma marca forte para o algodão brasileiro”, concluiu. Sobre o Cotton Brazil O Cotton Brazil é um programa internacional de promoção do algodão brasileiro desenvolvido pela Abrapa em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). A iniciativa atua na promoção comercial, no posicionamento institucional e no fortalecimento da imagem do algodão brasileiro no mercado global, destacando atributos como qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e confiabilidade no fornecimento.
Abrapa leva ao vice-presidente Geraldo Alckmin pautas estratégicas para o algodão brasileiro
03 de Junho de 2026Representantes da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) participaram, nesta terça-feira (2), de uma reunião com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o senador Jaques Wagner para discutir temas estratégicos para a cadeia produtiva do algodão. O encontro foi articulado por Carlos Ernesto Augustin e contou com a participação do diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, do presidente da entidade, Moisés Schmidt, e de representantes da Associação dos Irrigantes da Bahia (Aiba). Regulamentação dos bioinsumos Na pauta dos bioinsumos, a Abrapa solicitou apoio para conferir maior celeridade à regulamentação da legislação. Durante a reunião, o vice-presidente solicitou atenção especial à conclusão e publicação da norma, considerada estratégica para ampliar a adoção de tecnologias sustentáveis no campo. Para o diretor executivo da Abrapa, a regulamentação é fundamental para garantir segurança jurídica e ampliar o acesso dos produtores a soluções inovadoras. “Os bioinsumos representam uma ferramenta importante para aumentar a eficiência da produção agrícola e fortalecer a sustentabilidade econômica e ambiental do setor. Por isso, a regulamentação é aguardada com grande expectativa pelos produtores”, afirmou Portocarrero. Setor busca alternativas para o endividamento agrícola A situação financeira dos produtores rurais também esteve entre os principais temas da reunião. A Abrapa apresentou preocupações relacionadas ao crescente endividamento do setor e às discussões em torno do Projeto de Lei nº 5.122/2023, que trata de mecanismos para renegociação de dívidas rurais. Os representantes do setor defenderam a construção de soluções em conjunto com o Ministério da Fazenda, incluindo a criação de um fundo garantidor para ampliar o acesso ao crédito e reduzir riscos para as instituições financeiras. Também foram discutidos mecanismos de renegociação e prorrogação de parcelas de investimentos. O senador Jaques Wagner comprometeu-se a apoiar as articulações junto ao governo federal em busca de alternativas para o setor. Fibras naturais e microplásticos entram no debate sobre competitividade A valorização das fibras naturais e os impactos ambientais associados aos materiais sintéticos foram tratados como temas estratégicos para o futuro da cadeia têxtil. Durante a reunião, a Abrapa apresentou a Emenda nº 52 à Medida Provisória nº 1.357, proposta pelo senador Carlos Fávaro, que prevê a criação de uma Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incidente sobre produtos têxteis importados, com alíquotas proporcionais à participação de fibras sintéticas em sua composição. A proposta prevê que os recursos arrecadados sejam destinados a um fundo voltado ao financiamento de inovação, desenvolvimento tecnológico, campanhas de conscientização e iniciativas de incentivo ao uso de fibras naturais e produtos sustentáveis. Ao apresentar o tema, o setor destacou experiências internacionais voltadas à redução dos impactos ambientais dos tecidos sintéticos e ao estímulo ao consumo de fibras naturais. O vice-presidente demonstrou receptividade à proposta e solicitou ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) o aprofundamento das discussões com representantes do setor. Sustentabilidade, rastreabilidade e etiquetagem Os participantes também discutiram os desafios impostos pelas novas exigências internacionais relacionadas à sustentabilidade, rastreabilidade e economia circular. Temas como passaporte digital de produtos, comprovação de origem sustentável e transparência das informações ao consumidor foram apontados como fatores cada vez mais relevantes para a competitividade da cadeia têxtil brasileira. Nesse contexto, a Abrapa informou que está em andamento, em parceria com a ABIT e o MDIC, a construção de um acordo de cooperação técnica para modernização das normas de etiquetagem de produtos têxteis no Brasil. As mudanças buscam ampliar a transparência para o consumidor e preparar o setor para atender às exigências dos mercados internacionais, fortalecendo a competitividade das fibras naturais e da indústria têxtil nacional. Para a Abrapa, a reunião representou um avanço importante no diálogo institucional com o governo federal em torno de temas prioritários para a cotonicultura brasileira. “Os encaminhamentos definidos deverão dar continuidade às discussões sobre bioinsumos, crédito rural, competitividade da indústria têxtil e valorização das fibras naturais nos mercados nacional e internacional”, avaliou Portocarrero.
Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 29/05/2026
29 de Maio de 2026Destaque da Semana 1 - A semana foi marcada por forte correção em NY, com o contrato Jul/26 acumulando queda expressiva desde o pico de maio, pressionado por liquidação de fundos, melhora parcial do clima nos EUA e petróleo em baixa. Destaque da Semana 2 - Foi concluída na última semana a missão Cotton Brazil Dialogues Australia 2026. A agenda levou representantes da cadeia algodoeira brasileira a algumas das principais regiões produtoras da Austrália para um intercâmbio técnico sobre produção, pesquisa, logística, sustentabilidade e desenvolvimento de mercado, fortalecendo a cooperação entre dois dos maiores exportadores de algodão do mundo. Destaque da Semana 3 - O Cotton Brazil realizou missão institucional no Vietnã. A programação passou por Hanói e Ho Chi Minh City, reunindo representantes da cadeia têxtil local para discutir mercado, qualidade e oportunidades de negócios, reforçando a presença do algodão brasileiro em um dos mercados mais estratégicos da Ásia. Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 28/mai cotado a 76,77 U$c/lp (-1,7% vs. 21/mai). O contrato Dez/26 fechou em 79,53 U$c/lp (-0,5% vs. 21/mai). Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 759 pts para embarque Jun/Jul-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 28/mai/26. Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 230,3 mil toneladas nas três primeiras semanas de mai/26. A média diária de embarque foi 67,8% maior que no mesmo mês de 2025. Altistas 1 - A queda de NY começou a estimular compras pontuais na Ásia, com negócios reportados em Vietnã, Bangladesh e China. Altistas 2 - As vendas semanais dos EUA foram fortes, com 141,3 mil fardos para 2025/26 e 223,7 mil fardos para 2026/27, equivalentes a cerca de 32,0 mil tons e 50,7 mil tons. Os embarques também foram sólidos, com 299,3 mil fardos, cerca de 67,9 mil tons. Altistas 3 - A China importou 165.294 tons em abril, quase três vezes o volume do mesmo mês do ano anterior, com Brasil respondendo por 57% do total. No acumulado da safra, as importações chinesas chegaram a 1,264 milhão tons, acima das 1,015 milhão tons do mesmo período anterior. Altistas 4 - A Índia voltou a discutir a possível retirada da tarifa de importação de 11% sobre algodão estrangeiro, em meio à alta dos preços domésticos e pressão da indústria. Se confirmada, a medida pode aumentar a competitividade das importações no curto prazo. Altistas 5 - A Cotlook elevou a estimativa de consumo mundial, com ajustes positivos em Índia, Bangladesh e Vietnã. Baixistas 1 - A principal pressão da semana veio da forte queda de NY: o contrato Jul/26 perdeu quase 1.100 pontos, ou 12%, em nove pregões. A liquidação de posições compradas dos fundos acelerou o movimento e pressionou também os preços físicos. Baixistas 2 - As chuvas no cinturão algodoeiro dos EUA melhoraram parcialmente as condições de plantio, inclusive em áreas secas do Texas. Embora ainda haja déficit hídrico, a percepção de risco climático diminuiu e reduziu o prêmio de risco nos preços. Baixistas 3 - O plantio dos EUA chegou a 53% até 24/mai, em linha com a média de cinco anos e três pontos acima do ano anterior. No Texas, o avanço era de 42%, ainda abaixo da média de 45%, mas com potencial de acelerar após as chuvas. Baixistas 4 - A China segue com ampla disponibilidade: estoques comerciais somavam 4,046 milhões tons em meados de maio, acima do mesmo período do ano anterior. Isso dá poder de barganha aos compradores chineses e reduz a urgência por compras agressivas. Baixistas 5 - O subsídio de preço-alvo em Xinjiang foi mantido em 18.600 yuan/ton por mais três anos, aplicado a até 5,1 milhões tons. A manutenção do apoio reduz o risco de queda mais forte de área e sustenta a oferta chinesa no médio prazo. Agenda - A comitiva do Cotton Brazil está na China para participar da China Cotton Industry Development Summit, um dos maiores eventos globais do mercado de algodão, em Chongqing. A agenda incluiu um evento de networking com a indústria têxtil, encontros com parceiros Chinatex e China National Cotton Group Corporation (CNCGC). A iniciativa busca fortalecer o relacionamento com o mercado chinês, principal destino das exportações brasileiras de algodão. China 1 - Os preços do algodão na bolsa futura de Zhengzhou encerraram a semana com pouca variação, enquanto o volume negociado voltou a recuar em relação ao período anterior. China 2 - O China Cotton Index (CC Index) avançou levemente para 17.637 yuans por tonelada. Já o Índice A da Cotlook (ajustado para comparação) registrou forte queda, ampliando o prêmio do mercado doméstico chinês para cerca de 3.035 yuans por tonelada (aprox. 20,05 c/lb). China 3 - As importações chinesas de algodão em pluma somaram 165.294 toneladas em abril, volume ligeiramente inferior ao de março, mas quase três vezes superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. O Brasil foi o principal fornecedor, respondendo por 57% do total importado. Índia - Os preços do algodão no mercado doméstico indiano permaneceram em ₹65.750 por candy para o Shankar-6 (aprox. 87,70 c/lb ex-gin) e em ₹6.655 por maund para o Punjab J-34 (cerca de 84,90 c/lb ex-gin). Bangladesh - A atividade no mercado doméstico desacelerou devido ao feriado de Eid, e as operações devem ser retomadas gradualmente na próxima semana. Negócios recentes incluíram algodão do Benin para embarque em junho/julho e lotes da safra 2025 do Brasil para embarque em junho. Turquia - O valor das exportações turcas de vestuário de malha e tecido plano somou US$ 1,39 bilhão em abril, alta de 16% tanto em relação ao mês anterior quanto ao mesmo período de 2025. No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, os embarques totalizam US$ 5,2 bilhões, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Vietnã - A queda dos preços internacionais do algodão foi refletida nos preços dos fios no Vietnã, estimulando um ritmo mais forte de vendas nas últimas semanas. Apesar da melhora na comercialização, as fiações continuam relatando custos de produção elevados e margens de lucro reduzidas. Preços - Consulte a tabela de cotações abaixo. Quadro de cotações para 28.05_ Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com
Experiência Sou de Algodão aproxima estudantes de moda da origem da cadeia têxtil
27 de Maio de 2026O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), promoveu, nos dias 20, 21 e 22 de maio, a Experiência Sou de Algodão com estudantes de cursos de Moda de oito instituições parceiras: Anhembi Morumbi, FAAL, UNIP, Universidade de Caxias do Sul (UCS), PUC-Campinas, Universidade de Sorocaba (Uniso), Centro Universitário Moura Lacerda e Senac SP. Ao longo dos três dias, 233 participantes passaram pelas cidades de Paranapanema (SP) e Itaí (SP), onde puderam conhecer, na prática, diferentes etapas da cadeia produtiva do algodão. 20 de maio - Conexão com a origem da fibra reúne mais de 100 participantes A Experiência Sou de Algodão começou no dia 20 de maio reunindo 102 participantes das instituições Anhembi Morumbi, FAAL e UNIP em uma imersão completa na cadeia produtiva do algodão, no interior de São Paulo. A programação, que se repetiu ao longo dos três dias, incluiu visita à sede da APPA (Associação Paulista dos Produtores de Algodão), passagem pela Fazenda Olhos D’Água, em Itaí (SP), e pela Cooperativa Agroindustrial Holambra, em Paranapanema (SP). Durante o percurso, estudantes e professores puderam acompanhar de perto todas as etapas, do campo ao beneficiamento da fibra. Para Silmara Ferraresi, diretora de relações institucionais da Abrapa e gestora do Sou de Algodão, proporcionar esse tipo de vivência é essencial para a formação dos futuros profissionais do setor. “A Experiência Sou de Algodão tem um papel fundamental ao aproximar estudantes da realidade da cadeia produtiva. Quando eles vivenciam o campo, entendem a dimensão do trabalho envolvido e passam a enxergar a moda de forma mais responsável e conectada com a origem da matéria-prima”, afirma. Na mesma linha, Manami Kawaguchi Torres, gestora de relações institucionais do movimento, reforça o impacto da iniciativa. “Mais do que apresentar o percurso do algodão, essa experiência desperta um olhar mais consciente sobre toda a cadeia. Os estudantes compreendem o seu papel como futuros profissionais e como podem contribuir para uma moda mais responsável e alinhada às boas práticas do setor”. Representando a UNIP, o coordenador Haroldo de Souza destaca a importância da vivência prática. “Essa experiência permite compreender, na prática, a origem da cadeia têxtil e o funcionamento do setor produtivo. Ao entrar em contato direto com produtores e processos reais, o aluno passa a enxergar o produto de moda de forma mais ampla, entendendo que cada criação está ligada a contextos sociais, ambientais e econômicos”, diz. “A Experiência Sou de Algodão foi uma vivência inesquecível, que nos permitiu acompanhar de perto toda a cadeia produtiva da fibra, do campo ao produto final. Ao longo dessa jornada, os alunos compreenderam que por trás de cada peça existe uma ampla rede de pessoas, processos e tecnologias, além de um olhar cada vez mais atento para a sustentabilidade e para a construção de uma moda mais consciente”, ressalta Déborah Serretiello, coordenadora acadêmica da área de Moda da Anhembi Morumbi. Por sua vez, Vanessa Cristina Lourenço, docente da FAAL, destaca a conexão entre criação e matéria-prima. “A experiência aproxima os alunos da origem do algodão e conecta o processo criativo à matéria-prima, algo que raramente é vivenciado em sala de aula. Esse contato direto amplia o entendimento sobre a fibra natural, valoriza a cadeia produtiva e reforça a importância de uma moda mais ética, colaborativa e consciente”, aponta. 21 de maio - Responsabilidade na cadeia da moda No dia 21 de maio, a experiência reuniu 85 participantes das instituições UCS, PUC-Campinas, Uniso e Moura Lacerda. A imersão reforçou a importância da responsabilidade, da rastreabilidade e da visão sistêmica da cadeia da moda. Durante as visitas, os estudantes aprofundaram o entendimento sobre o impacto da produção de algodão no Brasil, bem como as boas práticas adotadas no campo e na indústria. Para Renan Isoton, da Universidade de Caxias do Sul (UCS), a experiência contribui diretamente para a formação dos alunos. “Conhecer o início da cadeia produtiva têxtil amplia muito o entendimento dos estudantes. Essa vivência agrega conhecimento, especialmente sobre sustentabilidade e boas práticas, e contribui para formar profissionais mais conscientes e preparados para valorizar a matéria-prima nacional”, reitera. Já Luana Crispim, da Uniso, ressalta a importância da rastreabilidade e da organização coletiva. “Foi uma oportunidade de entender a magnitude do processo, da fibra ao tecido. A experiência também evidencia a força da organização coletiva e como iniciativas como o Sou de Algodão fortalecem toda a cadeia produtiva. Para os alunos, é inspirador vivenciar isso de perto”. Para Juliana Bononi, coordenadora do Centro Universitário Moura Lacerda, o impacto vai além do aprendizado técnico. “Estar na origem da matéria-prima transforma completamente o olhar sobre a moda. Além disso, a experiência promove conexão, troca e cria memórias importantes na formação dos alunos, tanto no aspecto profissional quanto humano”. Raysa Ruschel, professora da PUC-Campinas, destaca que a experiência proporcionou aos estudantes uma vivência essencialmente prática e complementar ao conteúdo visto em sala de aula. “O contato direto com a fazenda e com a etapa industrial permite que os alunos compreendam, de forma concreta, toda a cadeia produtiva do algodão, algo que normalmente é trabalhado apenas de forma teórica. Tenho certeza que a visita ampliou a visão dos estudantes sobre o papel do estilista, que passa a tomar decisões mais conscientes e embasadas ao entender todo o processo envolvido na produção da fibra e dos tecidos”. 22 de maio - Imersão finaliza com foco na prática Encerrando a programação, o dia 22 de maio contou com 46 participantes do Senac SP, que também vivenciaram a jornada completa da fibra, desde o campo até o beneficiamento. O contato direto com as diferentes etapas do processo permitiu aos estudantes compreender a escala da produção, a tecnologia envolvida e a relevância do algodão para a indústria da moda e para a economia brasileira. “Vivenciar o processo do algodão, da semente à pluma, é algo que transforma a forma como os alunos enxergam a moda. A experiência amplia o conhecimento sobre a fibra natural, reforça a importância de compreender a origem dos materiais e contribui para a formação de profissionais mais conscientes e responsáveis”, enfatiza Daniela Nunes Figueira Belschansky, professora do Senac SP. Ao longo dos três dias, a Experiência Sou de Algodão reforçou seu papel como ponte entre o universo acadêmico e o setor produtivo, contribuindo para uma formação mais completa, crítica e alinhada às demandas contemporâneas da moda. Sobre Sou de Algodão Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 79% de toda a produção nacional de algodão. Abrace este movimento: Site: www.soudealgodao.com.br Facebook, Instagram, Youtube, LinkedIn e Pinterest: @soudealgodao TikTok: @soudealgodao_
Sou de Algodão leva inovação e rastreabilidade ao Agro Summit
27 de Maio de 2026O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), marcou presença no Agro Summit, realizado na quarta-feira (20), na Expo D. Pedro, em Campinas (SP). O coordenador geral do movimento e sócio da Markestrat Group, Luciano Thomé e Castro, conduziu uma palestra sobre o programa SouABR, apresentando ao público do evento como a rastreabilidade e a responsabilidade socioambiental estão transformando a cadeia produtiva do algodão brasileiro. O Agro Summit é o principal evento no Brasil totalmente dedicado a apresentar soluções em sistemas, softwares de gestão e tecnologias para o agronegócio. Organizado pelo Grupo Portal ERP, ele conecta produtores, especialistas e empresas para debater a transformação digital e a inovação no campo. Durante a palestra, Luciano contextualizou o programa dentro do ecossistema da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) e do movimento Sou de Algodão, explicando como o SouABR integra os pilares de sustentabilidade, rastreabilidade, qualidade e promoção para conectar todos os elos da cadeia, da fazenda ao guarda-roupa do consumidor final. O programa SouABR, lançado em 2021, permite a rastreabilidade física do algodão com certificação ABR (Algodão Brasileiro Responsável) ao longo de toda a cadeia de custódia, passando por fiações, malharias, tecelagens, confecções e varejistas. As informações de cada etapa são registradas e compartilhadas via blockchain, garantindo transparência e confiabilidade para marcas e consumidores. Para ter o selo SouABR, as peças devem conter no mínimo 50% de algodão com rastreabilidade física certificada na cadeia de fornecedores. "O Brasil é um dos poucos países do mundo com rastreabilidade fardo a fardo no algodão, e o SouABR leva isso até o guarda-roupa do consumidor. Estar no Agro Summit para apresentar esse programa é uma oportunidade de mostrar que o algodão brasileiro não é referência apenas em volume e qualidade, mas também em tecnologia, transparência e responsabilidade", destaca Luciano. O SouABR já conta com 209 fazendas, 140 produtores e 87.088 fardos de algodão rastreados, além de marcas como C&A, Renner, Reserva, Calvin Klein, Almagrino e Döhler entre as varejistas homologadas. Ao todo, mais de 622 mil peças já foram rastreadas pelo programa. A participação no Agro Summit reforça o compromisso do Sou de Algodão em levar a pauta da rastreabilidade e da inovação para os principais fóruns do agronegócio brasileiro, aproximando o campo da moda e mostrando como a tecnologia pode ser aliada da transparência e do consumo responsável. Sobre Sou de Algodão Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 83% de toda a produção nacional de algodão. Abrace este movimento: Site: www.soudealgodao.com.br Facebook, Instagram, Youtube, LinkedIn e Pinterest: @soudealgodao TikTok: @soudealgodao_
MAPA lança sistema para modernizar e integrar registro de defensivos e bioinsumos no Brasil
27 de Maio de 2026O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) lança nesta terça-feira (26) o Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (SISPA), plataforma estruturada em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para modernizar e acelerar o registro de defensivos agrícolas e bioinsumos no Brasil. Previsto no Marco Legal dos Defensivos Agrícolas de 2023, o sistema nasce com a missão de enfrentar um dos principais gargalos históricos do setor: a morosidade e a fragmentação dos processos regulatórios dos defensivos agrícolas. Durante a cerimônia de lançamento, o diretor-executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, citou a expectativa de celeridade que o sistema trará. “O diferencial do SISPA está justamente em permitir que essas análises ocorram de forma simultânea, integrada e digitalizada, reduzindo o chamado “efeito pingue-pongue” de documentos entre os órgãos.” Celeridade nos processos e prazos de registro O SISPA centraliza em uma única plataforma eletrônica todo o fluxo de peticionamento de registros, alterações pós-registro e apresentação de dossiês técnicos de produtos agrícolas e de controle ambiental. A expectativa é reduzir drasticamente o tempo e a burocracia enfrentada pelas empresas, que antes precisavam encaminhar documentos separadamente, muitas vezes em processos físicos, para diferentes órgãos federais. Na prática, o novo sistema elimina o antigo modelo fragmentado e cria um protocolo único digital. Pedidos realizados fora da plataforma centralizada deixam de ter validade regulatória, consolidando o SISPA como a principal porta de entrada para os processos de registro no país. Outra inovação da ferramenta será a possibilidade de cumprimento dos novos prazos máximos exigidos pela lei, com 24 meses para produtos novos e prazos ainda menores para genéricos e equivalentes. Se os órgãos não cumprirem o prazo na plataforma, abre-se caminho para os mecanismos de registro temporário previstos na nova lei. A iniciativa também é considerada estratégica para o avanço dos bioinsumos no Brasil. O setor avalia que a digitalização e integração dos fluxos poderão acelerar a liberação de soluções biológicas e tecnologias mais sustentáveis, hoje frequentemente impactadas pela lentidão das análises regulatórias. Mais transparência na avaliação tripartite Apesar da centralização administrativa sob coordenação do MAPA, o sistema mantém o modelo tripartite de avaliação previsto após vetos presidenciais ao texto original aprovado pelo Congresso. Assim, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária continua responsável pelas análises toxicológicas e de risco à saúde humana, enquanto o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis segue encarregado das avaliações ambientais e ecotoxicológicas. Já o MAPA mantém a análise de eficiência agronômica e a coordenação do fluxo administrativo. Neste sentido, o secretário nacional de meio ambiente urbano e qualidade ambiental, Adalberto Maluf, explicou a importância da criação do sistema para unificar o modelo tripartite de análise. “O SISPA funcionará como o grande tripé que une a agricultura, a saúde e o meio ambiente, na tentativa não só de modernização, de trazer fermentas tecnológicas, mas em especial de dar mais transparência no monitoramento das ações dos órgãos envolvidos.” A transparência será um dos principais ganhos do sistema. Previsto no artigo 58 da Lei nº 14.785/2023, o SISPA permitirá rastrear em tempo real o andamento dos processos, identificando em qual órgão cada pedido está em análise. O mecanismo também será decisivo para garantir o cumprimento dos novos prazos máximos estabelecidos pela legislação, como o limite de 24 meses para avaliação de produtos inéditos e períodos menores para produtos equivalentes e genéricos. Cooperação internacional A Abrapa apoiou a construção do sistema, atuando na articulação institucional e no financiamento da iniciativa em parceria com o Itamaraty e apoio do PNUD. Inspirado no modelo australiano de registros de defensivos, o projeto é visto como um exemplo de cooperação entre setor produtivo, governo e organismos internacionais para modernização regulatória. A expectativa é que o modelo brasileiro se torne referência para outros países em desenvolvimento interessados em modernizar seus sistemas de registro agrícola, ampliando o protagonismo internacional do Brasil na agenda de inovação e sustentabilidade no agro. Para o diretor da Agência Brasileira de Cooperação (ABR), o embaixador Ruy Ferreira, o SISPA é uma ferramenta que terá impacto nas relações comerciais e diplomáticas do Brasil. “Objetivo do Itamaraty é levar esse projeto para outros países da América Latina, Caribe e África. Nós também pensamos no desenvolvimento de um sistema voltado para o Sul Global. Este modelo tripartite caracteriza em muitos aspectos as iniciativas de cooperação internacional para o desenvolvimento que é praticada pelo Brasil, baseada no diálogo, no compartilhamento de conhecimento e na articulação entre múltiplos atores institucionais.” O ministro da agricultura e pecuária, André de Paula, analisou o impacto positivo que o SISPA terá no posicionamento do Brasil no que tange o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. “O SISPA é um instrumento que nos ajudará a superar barreiras criadas por países que competem conosco na produção agropecuária, mesmo não tendo a mesma capacidade produtiva do Brasil.”

