O terceiro e último dia do 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), nesta quinta-feira (24), em Belo Horizonte (MG), colocou no centro das discussões os desafios para ampliar a presença das fibras naturais no mercado brasileiro e o debate sobre os microplásticos. A programação também reuniu pesquisadores, produtores e especialistas em torno de temas técnicos que impactam diretamente a produtividade, a qualidade e a competitividade da cotonicultura.
Um dos principais momentos do dia foi a plenária “Como reconectar o brasileiro à fibra natural? Um desafio de saúde pública, meio ambiente e estratégia nacional”. O debate reuniu diferentes elos da cadeia para discutir o avanço das fibras sintéticas no mercado brasileiro e os caminhos para ampliar o espaço do algodão e de outras fibras naturais.
A discussão partiu de um contraste: ao mesmo tempo em que o Brasil ocupa posição de protagonismo mundial na produção e exportação de algodão, a fibra natural vem perdendo participação no mercado interno para materiais sintéticos. O painel abordou temas como consumo, indústria, moda, saúde, meio ambiente, inovação e a necessidade de ampliar a informação disponível ao consumidor.
Microplásticos em debate
Na sequência, o tema ganhou novo espaço com o lançamento do movimento “Microplástico é o Fim da Linha”, durante coletiva realizada no Congresso. A iniciativa busca ampliar a informação e estimular pesquisa, inovação e diálogo sobre os microplásticos provenientes de fibras sintéticas, além de valorizar as fibras naturais.
O movimento reúne diferentes atores e parte da proposta de ampliar o conhecimento sobre os materiais presentes nas roupas, seus impactos ao longo do ciclo de vida e as alternativas que podem ser construídas pela indústria, pela ciência e pela sociedade.
A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) participa dessa discussão defendendo que o tema seja tratado com base em informação, pesquisa e evidências científicas. A valorização das fibras naturais também integra as prioridades apresentadas pela entidade na Carta Aberta aos Presidenciáveis 2027–2030, lançada nesta semana.
Ciência e desafios do campo
A programação do último dia também aprofundou questões diretamente relacionadas ao manejo e à produtividade das lavouras.
Entre os temas debatidos estiveram as doenças foliares do algodoeiro. Pesquisas apresentadas no Congresso mostraram avanço da ocorrência da ramulária e da mancha-alvo e dimensionaram os impactos que o aumento da severidade dessas doenças pode provocar sobre a produtividade.
As pragas sugadoras também estiveram em pauta. Especialistas discutiram como períodos de calor e estiagem podem favorecer a ocorrência de insetos como pulgão e mosca-branca, reforçando a importância do monitoramento e de estratégias de manejo capazes de preservar a eficiência das ferramentas de controle.
Outro destaque foi a qualidade da fibra brasileira. Especialistas apresentaram a evolução de características como comprimento e resistência nas últimas safras e discutiram desafios relacionados a contaminantes, riscos durante o beneficiamento e à capacidade dos laboratórios de classificação diante do crescimento da produção nacional.
Com o encerramento da programação desta quinta-feira, o 15º CBA concluiu três dias de debates sobre ciência, tecnologia, mercado, sustentabilidade, inovação e competitividade. Realizado pela Abrapa, o Congresso reuniu em Belo Horizonte diferentes elos da cadeia produtiva em torno dos desafios atuais e dos caminhos para o futuro do algodão brasileiro.
Confira a cobertura completa no site do 15º Congresso Brasileiro do Algodão.
As fotos oficiais dos três dias de programação estão disponíveis no Flickr do CBA.
Terceiro dia do 15º CBA coloca fibras naturais e microplásticos no centro do debate e encerra programação em Belo Horizonte
Último dia do Congresso reuniu debates sobre valorização do algodão, qualidade da fibra, manejo e desafios técnicos da produção
24 de Setembro de 2026







