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Nota oficial: Abrapa e ANEA alertam para impactos de mudanças na tributação de remessas internacionais

07 de Abril de 2026

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (ANEA) em linha com manifestações já apresentadas pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e pela Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), acompanham com preocupação a possibilidade de revisão da tributação sobre remessas internacionais de até US$ 50. A eventual redução ou extinção dessa tributação pode intensificar a entrada de produtos têxteis importados no país, majoritariamente de origem sintética e derivados de combustíveis fósseis. Esse cenário tende a ampliar a concorrência com a indústria nacional, comprometendo condições isonômicas de competitividade, além de gerar impactos ambientais e à saúde humana.


Avanço das importações e perfil das fibras


As importações têxteis cresceram de cerca de 1,1 milhão de toneladas em 2015 para mais de 2 milhões em 2024, incluindo fibras, fios, tecidos e confecções. Desse total, aproximadamente 94% correspondem a fibras sintéticas e artificiais, enquanto o algodão e outras fibras naturais representam menos de 6%. Esse avanço tem provocado desequilíbrio no consumo de têxteis no Brasil, levando a uma queda expressiva e contínua da participação das fibras naturais nos produtos acabados consumidos no país: ela caiu de 42% para 27%, mesmo com o aumento da produção nacional de algodão. Em contrapartida, o consumo de fibras sintéticas cresceu quase 70%, impulsionado principalmente pelas importações.


Impactos ambientais e à saúde humana

A ampliação desse fluxo tende a aumentar a geração de resíduos persistentes e microplásticos. Estimase que cerca de 35% dos microplásticos presentes nos oceanos tenham origem em têxteis sintéticos. Além disso, estudos recentes apontam possíveis riscos à saúde humana, com a presença de microplásticos no organismo associada a processos inflamatórios, doenças cardiovasculares e impactos nos sistemas imunológico e endócrino.


Impactos econômicos e sociais
No campo econômico e social, a possível redução da tributação pode pressionar a indústria têxtil nacional e reduzir o valor agregado do algodão brasileiro. O complexo algodão-têxtil gera cerca de 1,3 milhão de empregos formais e 8 milhões indiretos, sendo aproximadamente 60% ocupados por mulheres. Diante desse contexto, as entidades reforçam que o debate deve ser conduzido com visão de longo prazo, considerando seus impactos sobre a economia, o meio ambiente e a sociedade. Um ambiente competitivo equilibrado é essencial para fortalecer a indústria nacional, preservar empregos e avançar rumo a uma cadeia têxtil mais sustentável.

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Abrapa 27 anos: A união dos produtores transformou um cenário adverso em sucesso

Por Gustavo Piccoli

07 de Abril de 2026

A Abrapa comemora 27 anos neste dia 07 de abril. E, assim como os melhores tecidos de algodão, essa história é uma história tecida por muitos fios. No ano de 1999, produtores de diferentes regiões do Brasil decidiram caminhar juntos para reconstruir e renovar a cotonicultura nacional. Em um momento marcado pela crise do bicudo, que devastou lavouras em todo o país, a associação nasceu com um propósito claro: somar forças para fazer o algodão brasileiro retomar sua relevância econômica, social e histórica.

A união dos produtores transformou um cenário adverso em uma história de superação, organização e crescimento. O que começou como uma resposta a uma crise tornou-se um modelo de articulação setorial. As parcerias construídas com instituições de pesquisa, entidades do agro, indústria, governo e mercados internacionais fortaleceram o setor em diferentes frentes: a qualidade evoluiu diretamente no campo e passou a ser atestada por análises confiáveis e padronizadas; saímos na frente na produção com certificação socioambiental, com a criação do Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), em 2012; e nos tornamos referência em rastreabilidade, acompanhando o algodão da semente ao guarda-roupa. Os resultados desse esforço foram colhidos ao longo dos anos e em 2024, chegamos ao posto de maior exportador mundial de algodão.

E a Abrapa segue sendo a expressão dessa união. Mais do que representar uma commodity, é a tradução do trabalho coletivo de produtores e 11 associações estaduais que transformaram o algodão, a principal fibra natural do mundo, em presença no dia a dia, em cuidado com as pessoas, em responsabilidade ambiental e em parte essencial da identidade do brasileiro.

Os desafios sempre existirão e continuarão se renovando. Mas a história da Abrapa mostra que, quando produtores caminham juntos e constroem parcerias sólidas, a capacidade de superar crises se fortalece e o futuro se constrói com mais solidez. Celebrar os 27 anos da Abrapa é celebrar a união que deu novo rumo à cotonicultura brasileira e tudo o que a força dos produtores é capaz de promover.

 

Gustavo Piccoli é produtor de algodão e desde 2025 ocupa o cargo de presidente da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa).

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Abrapa adere a manifesto e reforça oposição ao fim da “taxa das blusinhas”

Entidade que representa produtores de algodão se une a entidades do setor produtivo em defesa da isonomia tributária e da competitividade nacional

07 de Abril de 2026

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) formalizou adesão ao manifesto contra a possibilidade de extinção da chamada “taxa das blusinhas”, medida que instituiu a cobrança de tributos sobre produtos importados vendidos por plataformas estrangeiras de e-commerce.


A movimentação ocorre em meio a discussões no governo sobre uma eventual revisão da política tributária aplicada a remessas internacionais de baixo valor. De acordo com o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli: “A proposta representa um risco concreto de retrocesso para a cadeia produtiva nacional, especialmente em setores diretamente impactados pela concorrência internacional, como o têxtil e o de vestuário ambos fortemente conectados à produção de algodão no país”.


Retrocesso para a indústria brasileira


O manifesto sustenta que o fim da isenção tributária, iniciado em 2023 com a cobrança de ICMS no âmbito do programa Receita Federal do Brasil e ampliado em 2024 com a instituição do imposto de importação, contribuiu para uma série de avanços econômicos. Entre eles, a geração de milhões de empregos, a retomada do crescimento da indústria e do varejo e o aumento da arrecadação federal.


Dados citados no documento indicam que, desde a implementação das medidas, o comércio criou cerca de 860 mil empregos diretos, enquanto a indústria gerou outros 578 mil postos formais. No mesmo período, o Brasil registrou taxa de desemprego de 5,1% ao fim de 2025, a menor da série histórica.


Piccoli destaca que esses resultados também se refletem no campo. “O fortalecimento da indústria têxtil nacional amplia a demanda por matéria-prima brasileira, consolidando o algodão como um dos pilares da indústria brasileira de transformação”.


Impacto fiscal


Outro ponto ressaltado é o impacto fiscal. De acordo com o manifesto, apenas em 2024 o comércio recolheu R$ 246 bilhões em tributos federais, um acréscimo de R$ 36,9 bilhões em relação ao ano anterior. Já a arrecadação com o imposto de importação sobre remessas internacionais somou cerca de R$ 5 bilhões em 2025. A reversão da política, segundo estimativas apresentadas, poderia resultar em perda anual próxima de R$ 42 bilhões para a União.


Hábitos de consumo


Na avaliação das entidades signatárias, a chamada “taxa das blusinhas” não restringiu o consumo, mas contribuiu para equilibrar a concorrência. Pesquisa do Instituto Locomotiva, citada no manifesto, aponta que a maioria dos consumidores manteve ou até ampliou compras em plataformas internacionais, mesmo após a tributação, enquanto parte migrou para o varejo nacional.


As entidades que lançaram o manifesto reforçam que a manutenção da medida é fundamental para garantir previsibilidade e segurança aos investimentos. A expectativa do setor é que apenas o comércio invista cerca de R$ 100 bilhões no país em 2026, movimento que poderia ser comprometido em caso de mudanças no atual modelo tributário.


Contexto internacional


Ao aderir ao documento, a Abrapa se soma a um amplo conjunto de representantes da indústria e do varejo que defendem a continuidade da política atual.


O manifesto também insere o Brasil em um contexto internacional. Países como Estados Unidos, membros da União Europeia têm adotado medidas semelhantes para tributar remessas internacionais e proteger suas cadeias produtivas, diante da expansão de plataformas globais de e-commerce.


Leia o manifesto na íntegra:
Manifesto_Isonomia_Tributária


 

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Brasil mostra qualidade do algodão na Alemanha

Conferência debate rastreabilidade, sustentabilidade e estratégias de mercado da pluma

02 de Abril de 2026

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Algodão brasileiro é destaque em evento realizado na Alemanha

Entrevista com a diretora de relações institucionais da Abrapa, Silmara Ferraresi

02 de Abril de 2026

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Algodão se valoriza, mas perde espaço no campo

02 de Abril de 2026

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Algodão brasileiro ganha destaque na Europa em evento global na Alemanha

02 de Abril de 2026

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Algodão: fibra sustentável versus plástico

Ampliar o uso de fibras naturais, além de reduzir impactos ambientais, estimula uma moda mais sustentável

02 de Abril de 2026







A produção e o consumo de roupas estão no centro de um debate ambiental. Nas últimas décadas, vestir-se ficou mais barato, impulsionado por movimentos como a “fast fashion”, enquanto a indústria ampliou o uso de materiais sintéticos derivados do petróleo.






Tecidos plásticos, como o poliéster, ganharam espaço por terem menor custo de produção. As consequências, porém, vão além do guarda-roupa já que a poluição plástica é um problema crescente, com impactos nos ecossistemas, no clima e na saúde.


Segundo a ONU, o mundo produz mais de 400 milhões de toneladas de plástico por ano, e um terço é usado uma vez. Microplásticos também foram identificados na água e alimentos, e roupas sintéticas contribuem com esse quadro ao liberarem microfibras plásticas durante o uso e as lavagens. Ou seja, o problema não se limita ao descarte, ele acompanha a peça ao longo do ciclo de vida.





Defender o uso das fibras naturais é uma estratégia a longo prazo para a saúde do planeta. O algodão é formado por cerca de 90% de celulose, que é biodegradável por sua constituição química. Isso não significa que a peça desapareça rapidamente, pois a degradação ocorre ao longo do tempo e depende de fatores como clima, temperatura, solo e construção do tecido.







Mas a diferença entre fibras de origem vegetal e de origem fóssil é decisiva para reduzir passivos ambientais.





Mas a discussão não termina na fibra. Etiquetas e adesivos plásticos das roupas ampliam a persistência de resíduos ao se fragmentarem em partículas menores. Aviamentos e componentes metálicos, embora não gerem microplásticos, dificultam a reciclagem e exigem a remoção antes do reaproveitamento do tecido.







E a sustentabilidade na moda envolve tanto a escolha da fibra quanto decisões de design, padronização de materiais e descarte responsável. Contudo, utilizar uma matéria-prima biodegradável, como o algodão, reconhecido pelo conforto e pela respirabilidade, é um passo rumo à economia circular.







A abordagem do ciclo de vida das roupas integra as discussões do Dia Internacional do Resíduo Zero, celebrado em 30 de março e instituído pela ONU para conscientizar sobre gestão de resíduos, consumo e produção responsáveis, incentivando um olhar de ponta a ponta para reduzir o uso de recursos e as emissões nas etapas de um produto.





O algodão brasileiro pode contribuir com essa pauta, em escala e sustentabilidade. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a previsão é que sejam produzidos 3,8 milhões de toneladas de algodão em pluma na safra 2025/26. O país também foi líder mundial na exportação de pluma no ciclo 2024/25 e mantém posição de destaque nessa temporada.







Além disso, mais de 90% da produção é cultivada em regime de sequeiro, enquanto a irrigação é adotada em algumas regiões, o que contribui para a eficiência no uso de recursos hídricos.





A sustentabilidade do algodão não se mede apenas na fibra, mas na forma como é produzido e na mensuração de seus impactos. No fim de 2024, cotonicultores mensuraram de forma inédita a pegada de carbono do algodão com dados primários de campo, por meio da calculadora Footprint PRO Carbono, desenvolvida para o sistema agrícola brasileiro em cooperação técnica entre Bayer e Embrapa.







Com dados primários dos produtores, a pegada de carbono do algodão foi de 811 kg CO₂e/t, com potencial de redução superior a 30%.







Além de criar uma referência nacional para a cultura, a mensuração, via plataforma PRO Carbono, indica onde estão as emissões e orienta ajustes de manejo para reduzi-las, em respeito às particularidades regionais e apoio a decisões mais eficientes ao longo da cadeia.







A ampliação do uso do algodão na indústria têxtil dialoga com iniciativas que aproximam o campo do consumidor. O movimento Sou de Algodão, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), promove a valorização da matéria-prima ao reunir elos da cadeia e incentivar peças com, no mínimo, 70% de fibras naturais. A articulação adota critérios socioambientais e transparência ao longo da jornada das peças para uma produção responsável.







A conexão entre quem produz e quem consome é parte da resposta que o setor pode dar à crise global do plástico. A discussão entre fibra natural e sintética não simplifica um problema complexo, mas aponta caminhos para enfrentá-lo com escolhas que reduzam impactos ambientais. O algodão brasileiro, conectado a iniciativas e a esforços de mensuração climática no campo, tem um papel a cumprir nessa agenda.














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Guerra no Oriente Médio e pressão inflacionária diminui demanda por algodão

Conflito eleva custos de produção ao produtor enquanto pressão inflacionária sobre o consumidor pode diminuir a procura por derivados da pluma

02 de Abril de 2026




Kaique Cangirana, da CNN Brasil, São Paulo


A guerra no Oriente Médio sustenta as cotações do algodão e pressionam a indústria a utilizar a fibra sintética, isso ocorre pela alta nos custos de produção e inflação sobre a agroindústria, segundo a avaliação de Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, a Abrapa.


Enquanto os preços do algodão sobem, sustentados pela alta do petróleo, a fibra sintética ganha espaço na produção de tecidos e acirra a concorrência com a pluma. Por outro lado, a pressão inflacionária esperada para o médio prazo devido a guerra, diminui a capacidade de compra do consumidor, que também passa a optar por tecidos como o poliéster.


Para Marcelo Duarte a relação entre curto, médio e longo prazo ditam o sentimento do setor, que tende a valorização da matéria prima, mas teme pela queda da demanda global. “A alta dos fertilizantes e combustíveis tem elevado os custos de produção, o que tende a gerar pressão sobre os preços em uma reação sistemática. O mercado do algodão observa o aumento do poliéster em meio a incertezas sobre a oferta global da pluma”, disse.


Embora haja uma reação positiva nos preços do algodão no curto prazo, Duarte alerta para os riscos de médio prazo. "Essa situação gera pressão inflacionária, o que reduz o poder de compra das pessoas e, consequentemente, a demanda por vestuário. Apesar do aumento nominal no valor da pluma, o momento é de preocupação para o setor devido às incertezas e ao aumento sistêmico nos custos de produção e logística", explica.


A valorização do algodão no mercado internacional encontra sustentação na alta das fibras sintéticas, os seus principais concorrentes. Com o petróleo em patamares elevados, o custo do poliéster sobe, tornando a fibra natural mais competitiva. No entanto, Duarte ressalta que essa alta é uma faca de dois gumes, pois o setor enfrenta o encarecimento de insumos fundamentais. "O algodão vê suporte nos preços devido ao aumento do poliéster e às incertezas sobre a oferta futura, influenciadas pela alta nos fertilizantes nitrogenados, que também possuem origem fóssil", afirma o diretor.


Para ele, o ganho no preço final da pluma acaba sendo acompanhado por um salto nos custos operacionais: "Os fertilizantes representam uma parte significativa do custo de produção e essa pressão, somada ao frete, impacta diretamente a rentabilidade final do produtor".


O aumento do custo de transporte, fretes e logística gera incertezas sobre o abastecimento global de commodities e preocupa o setor. A diminuição de margens de faturamento pode implicar em desabastecimento das indústrias e alta sobre cadeias agroindustriais.


Consolidado como o maior exportador mundial de algodão desde 2024, o Brasil se consolida como parceiro estratégico da indústria têxtil asiática. Com uma capacidade produtiva robusta e escala para atender à crescente demanda global, o país promoveu um deslocamento do eixo comercial da commodity.


Além de acompanhar tendências globais, o país passou a ditar o ritmo da oferta global como maior exportador da pluma, que sofre valorização nas bolsas internacionais e assegura a rentabilidade do produtor nacional.


Na avaliação de técnicos do setor, em um cenário de preços voláteis nas bolsas, a capacidade brasileira de oferecer previsibilidade e conformidade socioambiental tem sido o fator determinante para assegurar a rentabilidade do produtor e a preferência das fiações asiáticas.



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Apesar da alta nos preços do algodão, guerra pode prejudicar demanda

Valorização da pluma no mercado internacional encontra sustentação na alta das fibras sintéticas

02 de Abril de 2026

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