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Abertura do 12º CBA destaca desafios para o fortalecimento da cotonicultura no Brasil

28 de Agosto de 2019

Teve início na manhã desta terça-feira, 27 de agosto, a 12ª edição do Congresso Brasileiro de Algodão (CBA). Na solenidade de abertura do evento, que reúne esse ano em Goiânia mais de dois mil inscritos vindos de 20 países e 21 estados brasileiros, o presidente da Abrapa, Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, Milton Garbugio, destacou que "produzir muito não basta. É preciso produzir com qualidade e eficiência do jeito certo e no tempo certo pra agradar quem vende e quem compra nosso algodão."


Na sequência, o diretor da Agência Brasileira de Cooperação – ABC, Embaixador Ruy Carlos Pereira, endossou a fala do presidente da Abrapa acrescentando a importância da reflexão sobre o futuro do setor através da cooperação técnica do Brasil com outros países da África e da América Latina, "fortalecendo as parcerias entre produtores e institutos de pesquisa objetivando o uso da fibra natural frente aos sintéticos, que em tempos de sustentabilidade não deixa dúvida de que o algodão é a melhor solução." O embaixador aproveitou para desejar votos de êxito no evento, que se reveste de grande importância, aprendizado e debate para buscar soluções para os desafios, aprimoramento de políticas públicas e ações no setor algodoeiro.


Também subiram ao palco o Secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, Antônio Carlos de Sousa Lima Neto representando o governador do estado, Ronaldo Caiado; e o deputado José Mario Schereiner, Presidente do Sistema FAEG/SENAR, representando o Presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, João Martins. Na oportunidade, quando a Abrapa comemora seus 20 anos de existência, foram homenageados os ex-presidentes da Associação, João Luiz Ribas Pessa, Jorge Maeda, Eduardo Logemann, João Carlos Jacobsen Rodrigues, Haroldo Rodrigues da Cunha, Sérgio de Marco, Gilson Pinesso, Arlindo Moura e o presidente da atual gestão, Milton Garbugio.


A Associação comemora esse ano duas décadas de trabalho incessante em busca da defesa dos interesses dos produtores de algodão e da qualificação da cotonicultura no país. Os resultados começaram a aparecer em 2001 quando o Brasil garantiu a autossuficiência da produção e abastecimento da indústria nacional. Hoje, o país é o quarto maior produtor e segundo exportador da fibra para os mercados mais exigentes do mundo. A safra 2018/2019, que ainda está sendo colhida em 1,6 milhões de hectares, aponta uma produção de 2,1 milhões de toneladas de plumas de algodão para exportação, segundo dados da Abrapa. Somados a esse número estão 700 mil toneladas de pluma com destino ao abastecimento do mercado interno, de acordo com a Abit, Associação Brasileira da Indústria Têxtil.


Marcaram presença na abertura, ainda, presidentes das associações estaduais de algodão, secretários de estado, presidentes de entidades, presidentes das empresas parceiras do setor, parlamentares, sindicatos rurais e imprensa.



ASPAS EXTRAS



Ruy Carlos Pereira - Agência Brasileira de Cooperação Técnica - ABC


"Cooperação técnica para nós é transmissão de conhecimento. A cooperação técnica no Brasil ajuda a identificar pragas e a prevenir doenças, através do compartilhamento de informações fitotécnicas."



Antônio Carlos Lima Neto - Secretário de Agricultura de Goiás


"Muito orgulho de ter um evento como esse no estado de Goiás. Isso é reflexo da força do algodão no nosso estado. Tecnologia, disponibilidade de área e participação de todos os produtores rurais, são elementos que tornam o ambiente favorável para fortalecer cada vez mais o desenvolvimento da cadeia produtiva."



José Mário Schreiner – Deputado e Presidente do Sistema FAEG/SENAR


"Uma jovem entidade de apenas 20 anos já contribuiu tanto com a cotonicultura brasileira. Há 20 anos o algodão estava praticamente dizimado. Através de aspectos sanitários, expansão da ciência, desenvolvimento de programas de sustentabilidade ambiental, hoje essa é a cadeia produtiva mais organizada do país."



Primeira plenária do 12º CBA reúne líderes do setor para discutir o desafio da safra recorde de 2,8 milhões de toneladas


 


Um Raio-X da safra 2018/2019: ônus e bônus de uma safra recorde foi o tema da primeira Plenária Master do 12º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), que teve início nesta terça-feira (dia 27), no Centro de Convenções de Goiânia. Mediado pelo analista da Agroconsult, Marcos Rubin, o debate contou com a participação do presidente da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), Milton Garbugio, do presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Julio Cézar Busato, do vice-presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Eraí Maggi Scheffer, do presidente da  Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa), Carlos Moresco, e do presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), Henrique Snitcovski.



Abrindo as discussões, Marcos Rubin destacou que o setor do algodão cresceu nos últimos três anos mais de duas vezes, com safra inédita estimada em 2,8 milhões de toneladas de pluma em 2018/2019. "Isso é muito benéfico, mas gera desafios, porque não se consegue crescer sem fazer investimentos, que precisam ser pagos ao longo do tempo. Também é preciso treinar equipes, ajustar operações, combinar com clientes. São questões inerentes ao crescimento não só no setor do algodão, mas em qualquer outro" destacou.



Entre os desafios elencados pelo analista, se destacaram a oferta global excedendo a demanda, a guerra comercial, que aumentou a competição entre Brasil e Estados Unidos, uma vez que este último está fora do mercado chinês, além da necessidade de aumentar a exportação, da falta de subsídios, da dependência da taxa de câmbio e de questões sanitárias.



"Este é um setor organizado e muito bem representado pelas associações, o que facilita o enfrentamento das 'dores do crescimento' da forma mais suave possível. O grande desafio tem sido, e vai ser ainda mais, posicionar o algodão brasileiro nos clientes; ser não só competitivo em preço, mas ter eficiência dentro das propriedades. Precisamos mostrar quem somos e brigar por mercado", salientou Rubin



Segundo Milton Garbugio, em função do rápido crescimento do volume da produção brasileira, a Abrapa vem buscando participar cada vez mais do mercado internacional. "Temos que ser eficientes, buscar cooperação com os governos estaduais e federal, mas, principalmente, promover nosso algodão lá fora, o que já é feito hoje. Nosso foco é aumentar a confiabilidade de nossos clientes" disse o presidente da associação.



Para Henrique Snitcovski, da Anea, é importante ressaltar a evolução do setor nas últimas duas décadas. "Há 20 anos o Brasil produzia apenas para cobrir a falta do algodão no segundo semestre. Hoje temos regularidade para atender o mercado ao longo de todo o ano", colocou, enfatizando que isso só foi possível graças à crescente cooperação com as associações de produtores. Otimista, o presidente da Abapa acredita que os maiores desafios ficaram no passado. "Hoje já somos 2º exportador do mundo e quarto maior produtor mundial. O mercado está aí. Temos de nos tornar conhecidos, mostrando nosso produto e diferenciais, como o sistema de análises de laboratório, dentre outros. Vamos conquistar espaço, apresentando quem somos e o que o fazemos", disse Busato.



Na avaliação do vice-presidente Ampa, Eraí Maggi, o importante agora é que cada um faça seu dever de casa. "Ao longo dos últimos anos, as associações já tiveram um trabalho muito árduo, desde a lavoura à prospecção de mercado, e conseguiram consertar muitos problemas. Temos agora que continuar com nosso trabalho", destaca Maggi. Provocado sobre o valor estimado algodão de US$ 0,60 libra-peso, Carlos Moresco disse que o desafio não é fácil, mas é possível vencê-lo. "Concordo com Eraí. O que precisamos é fazer levar essas discussões para o campo e fazer nosso dever de casa", afirmou presidente da Agopa.



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Ricardo Amorim aposta no crescimento do agro apesar das crises internacionais


 
O consultor acredita que há grandes chances de crescimento para o setor do agronegócio no Brasil, a menos que haja uma recessão da economia global e que a crise diplomática instaurada recentemente, em decorrência das declarações do presidente Jair Bolsonaro, em relação às queimadas na Amazônia, se agrave.



Eleito pela Revista Forbes como um dos 100 brasileiros mais influentes e o economista mais reconhecido do Brasil, o consultor Ricardo Amorim foi destaque na agenda do primeiro dia do 12Congresso Brasileiro de Algodão.  À frente da plenária das 11h45 do dia 27 de agosto, o apresentador do programa Manhattan Connection, da Globo News, e CEO da Ricam Consultoria, apresentou ao público do evento uma análise sobre o agronegócio brasileiro no contexto da guerra comercial e da recuperação da economia.


Amorim prevê uma aceleração da economia a partir do ano que vem, graças a fatores como a aprovação final da reforma da Previdência, a expectativa de avanço da reforma tributária, além da, recentemente aprovada, Medida Provisória que facilita a abertura de negócios no Brasil e do programa de privatização anunciado pelo Governo Federal. Para Ricardo, se não houver uma crise global de impacto maior, o país irá iniciar um novo ciclo de crescimento, atraindo investimentos externos. "Tendo por base a inovação, acredito que este é o momento certo para o agronegócio", aposta.


O consultor acredita ainda que a guerra comercial dos Estados Unidos com a China deve contribuir para impulsionar as exportações brasileiras para o gigante asiático. Ele alerta, no entanto, para o risco de que esta mesma guerra comercial possa levar a economia mundial a uma recessão, com impactos negativos para todos. "Neste caso, porém, os prejuízos serão maiores para o agronegócio americano do que para o Brasil, porque nós aqui temos um mecanismo embutido de proteção, que é a desvalorização do real que ocorre quando há algum tipo de piora na economia mundial", salienta.


O segundo maior risco para o setor, na opinião do economista, está relacionado à repercussão negativa dos pronunciamentos do presidente Jair Bolsonaro sobre a Amazônia, na semana passada. "A motivação por trás das declarações do Bolsonaro está correta, mas a forma como ele falou é que foi completamente errada. Não é brigando e falando mal da mulher do presidente de outro país que você conseguirá mudar o que o outro pensa. Isso não funciona. As declarações que foram feitas colocam em risco as exportações brasileiras. O que a gente tem que fazer é um bom trabalho de comunicação para a opinião pública externa e, sobretudo, interna; temos que trazer informação sem brigar com ninguém. Os brasileiros e o setor agro fazendo isso só terão a ganhar", alerta Amorim.


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Conhecendo os custos e riscos como ferramenta de gestão



A sala "Custos e riscos de sistemas produtivos de algodão e de culturas concorrentes por área"  teve como debatedores o Professor Doutor Lucílio Alves, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA),da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), o diretor de Operações da empresa de produção e comercialização de commodities agrícolas O Telhar Agro, Edson Vendruscolo, do estado de Mato Grosso, e o produtor rural Paulo Almeida Schmidt, da Bahia. Em pauta, o que os especialistas entendem como "única ferramenta que o produtor tem gestão sobre a sua rentabilidade": o controle de custos, com uma análise histórica da evolução da produção, área e produtividade, apresentando um panorama da safra 2010/2011, considerada a melhor da história do algodão do Brasil, até a 2017/2018. Neste período, o Mato Grosso aumentou sua produção em 90%, enquanto na Bahia, praticamente, não houve crescimento.



Condutor da sala, Lucílio Alves apresentou uma análise de comportamento dos riscos da cotonicultura, justificando uma evolução de área muito maior no Mato Grosso do que na Bahia. Edson Vendruscolo e Paulo Schmidt detalharam os custos tanto da safra atual, como as perspectivas para a próxima safra. "Já tínhamos indicativos de um risco muito maior na Bahia que no Mato Grosso, em virtude de fortes choques de clima e também de pragas e doenças. Além disso, outro fator, a mudança de cultivo da primeira para a segunda safra no Mato Grosso. Esse modelo reduziu o risco da atividade em virtude de um custo menor e também porque a soja passou a ser uma cultura agregada ao sistema e não mais concorrente", explica Alves.



Segundo o professor, a Bahia tem custo maior que o Mato Grosso e a segunda safra do Mato Grosso tem custo menor que a primeira por ser mais curta. Atualmente, de 85 a 90% da área de algodão no Mato Grosso está em segunda safra. "Conhecer a fundo os nossos custos é a diferença entre continuar ou não na atividade. E isso é muito mais que saber o quanto gastamos com insumos, por exemplo. É preciso colocar aí taxas, juros, custos com combates às pragas, gastos com logística e armazenagem e o quanto deles pode ser compartilhado entre diferentes culturas, como soja e milho, por exemplo", disse Vendruscolo.



O produtor Paulo Schmidt é agricultor no Oeste da Bahia desde a década de 80. Em sua fala ele destacou o aumento de custos por incidências de pragas como lagartas, ramulária, nematoides e o bicudo do algodoeiro. "A cada safra nossos custos ficam mais altos à medida que as tecnologias evoluem. Hoje não tenho certeza de quem está ganhando a briga, se o BT ou a lagarta.  Não tem como escapar", queixa-se. O produtor alerta para o risco de diminuição do tempo de vida de moléculas comprovadamente eficazes e mais baratas contra o bicudo pelo uso prolongado e intensivo contra a praga, cada vez mais forte.




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Inovações científicas em genética do algodoeiro pautam sala temática no 12º CBA


A cotonicultura como vitrine para a agricultura do amanhã, é o cerne do 12º Congresso Brasileiro do Algodão - CBA,  aberto hoje (27) e segue até quinta-feira (29), no Centro de Convenções de Goiânia. E por falar em futuro, as inovações científicas em genética do algodoeiro, manipulação genética da planta e a seleção genômica, com uma abordagem voltada para o melhoramento genético foram tratados na sala temática que teve como palestrante o pesquisador do Instituto Mato-grossense do Algodão – IMAmt, Alberto Souza Bolt.


Apresentada para técnicos, a abordagem, segundo o pesquisador, foi fazer com que as pessoas percebam como o melhoramento genético vem avançando e também apresentar a transgenia no algodão, com novas abordagens em escala comercial e em pesquisa. "O melhoramento é essencial para a cultura do algodão, sem ela não existiria tanto avanço na qualidade e na produção", ressalta Bolt.


Traçando um paralelo entre passado e presente sobre transgenia e seleção genômica, Alberto Souza explicou que a primeira era pautada na inserção de genes de espécies diferentes, a exemplo da introdução de gene de bactéria para eliminar uma praga. "Hoje em dia já existem tecnologias diferentes que permitem a adição do próprio genoma do algodão". Sobre seleção genômica, ele explica "no passado, o melhoramento era feito de maneira convencional, a seleção genética era feita com base no fenótipo da planta, o que era visto e hoje em dia, temos a capacidade de fazer uma seleção genética baseada no DNA da planta".


A sala foi coordenada pelo pesquisador do Centro Francês de Pesquisa Agrícola para o Desenvolvimento Internacional - CIRAD, Marc Giband.


Alberto Souza Bolt é formado em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Possui mestrado e doutorado em Genética e Melhoramento, ambos pela Universidade Federal de Viçosa. Atualmente é pesquisador do Instituto Mato-grossense do Algodão – IMAmt no setor de genética do algodoeiro.



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Pragas emergentes e ocasionais são tema de debate no 12º Congresso Brasileiro do Algodão


As mesmas vantagens de clima e solo que fazem do Brasil um terreno propício para uma agricultura intensa e de amplo número de culturas também favorecem o surgimento de doenças e pragas, tanto permanentes quanto esporádicas. A frase é do professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Campus Ilha Solteira, Geraldo Papa, que coordenou, nesta terça-feira (dia 27), a Sala Temática Pragas Emergentes e/ou Ocasionais, dentro da programação do 12º Congresso Brasileiro do Algodão.



Na sala temática, foram abordadas as questões relativas ao crescimento da incidência de tripes, aumento dos percevejos dos tipos castanho e marrom e a ocorrência das lesmas e caracóis. Este último assunto, abordado pelo coordenador da sala. Na sua apresentação, o professor explicou os danos causados por esses animais às plântulas, hastes e pecíolos. "Eles raspam o tecido do caule e até mesmo das folhas, causando estragos semelhantes aos dos insetos, e levando à morte das plantas".



A ocorrência de lesmas e caracóis, classificados como pragas ocasionais, é favorecida pela umidade e matéria orgânica de plantios próximos. As formas de evitar seu aparecimento ou disseminação envolvem o controle mecânico em reboleiras e a dissecação prévia de áreas já infestadas.



O tema Percevejo castanho da raiz e percevejo marrom invasor foi abordado pela pesquisadora da Fundação de Apoio a Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso Lúcia Vivan, que é especialista em entomologia na área do Cerrado.  Com maior crescimento registrado nos últimos anos, a tripes é considerada uma praga emergente. O assunto foi apresentado pelo professor e pesquisador Marcos Tamai, da Universidade do Estado da Bahia, Campus Barreiras.



Uso do controle biológico na cultura do algodão é analisado durante o 12º CBA



Na próxima década, as ferramentas de combate das pragas do algodoeiro vão passar pelo Controle Biológico (CB). Essa é a aposta dos pesquisadores Pedro Neves, Fábio Albuquerque e Luciano Brauwers que falaram sobre "Panorama e Potencial de Uso de Agentes de Controle Biológico na Cultura do Algodoeiro", na tarde desta terça-feira, 27, durante o 12º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA). Para eles, o controle biológico oferece diversas ferramentas para conter o avanço de pragas e doenças que comprometem a sustentabilidade da cultura do algodão, além de já ser um negócio consolidado no Brasil e em boa parte do mundo.



Os três especialistas são unânimes ao afirmar que o controle biológico é parte de uma estratégia que inclui o Manejo Integrado de Pragas (MIP), aliando controle químico e biológico para a solução contra as pragas. "Trata-se de uma tecnologia de utilização complexa, que exige filosofia de treinamento e aperfeiçoamento constantes, conforme as condições de campo", diz Luciano Brauwers, enfatizando que o CB não deve ser usado sozinho para ter viabilidade tanto em pequenas quanto em grandes propriedades.



Para Pedro Neves, o tema não é novidade no Brasil, mas, precisa de ajustes. "O controle biológico começou a ser utilizado enquanto produção "on farm", diante da falta de produtos comerciais para controle de pragas. Porém, com algumas questões relacionadas aos custos, logística e legislação a serem melhorados", conta. Segundo ele, entre os principais problemas, estavam as contaminações, a saúde do agricultor, a perda de eficiência e virulência da ferramenta, além da pirataria. "Com o tempo, as condições foram sendo aperfeiçoadas e hoje há assistência técnica especializada, utilização de equipamentos seguros, treinamento na produção, financiamento por associações e órgãos de fomento e controle de qualidade", enfatiza.



A consolidação da ferramenta, de acordo com o especialista Fábio Albuquerque, passa pela informação. Segundo ele, o CB avançou de 20 a 25% entre os pós-graduados brasileiros, demonstrando o aumento do interesse pelo tema na última década. "Apesar de toda a burocracia, a legislação melhorou e há mais consciência dos produtores. Mas, cerca de 47% deles ainda não usa adequadamente a ferramenta porque não entende que ela deve entrar como parte integrante do sistema algodoeiro, potencializando outros métodos de controle", finaliza Albuquerque, ressaltando que ainda é preciso caminhar, prospectar e avançar mais.



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Sala temática Nutrição do Algodoeiro


 


         Qual a dinâmica do impacto do boro na cultura do algodão?  Como as tecnologias para fertilizantes nitrogenados agregam eficiência na adubação do algodoeiro? Quais os cuidados que devem ser tomados na introdução do plantio em novas áreas? Os temas estiveram em pauta na tarde de hoje (27.08) na sala temática Alguns dos desafios da nutrição do algodoeiro, que integrou a programação do 12Congresso Brasileiro de Algodão, que acontece no Centro de Convenções de Goiânia, em Goiás, até esta quinta (29.08).
Com a coordenação do agrônomo Leandro Zancanaro, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), a sala temática trouxe orientações úteis para os produtores rurais trazidas por pesquisadores. Professor da Faculdade de Ciências Agronômicas, da UNESP, o agrônomo Ciro Rosolem forneceu uma visão geral sobre o uso do boro na fertilização do algodoeiro. "A cadeia do algodão está muito preparada para lidar com a deficiência do boro, mas é preciso  pensar também na toxidez", alertou o pesquisador, ao chamar a atenção para a dose adequada na fertilização.
Outro convidado da sala foi o  professor do Departamento de Ciência do Solo da Universidade Federal de Lavras (DCS/UFLA), Douglas Guelfi, que apresentou um panorama das tecnologias para fertilizantes nitrogenados. De acordo com Douglas, o Brasil é o quarto maior consumidor deste tipo de fertilizante do mundo, com 425 milhões de toneladas ao ano. "A forma mais antiga de aplicação destes fertilizantes é por incorporação, mas em condições climáticas adversas, podem ocorrer grandes perdas, principalmente por volatização", afirmou o pesquisador. Daí, segundo ele, a vantagem das tecnologias que garantem mais flexibilidade na aplicação do fertilizante, independente das condições climáticas.


A sala temática contou ainda com a participação do coordenador geral de pesquisa, diretor técnico e sócio-proprietário da Sigma Soluções Agronômicas Ltda, Nilvo Altmann, que falou sobre a  introdução de algodão em áreas novas, destacando aptidões, cuidados e oportunidades.



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Aumento da produtividade sem custo e controle de pragas são os destaques do Panorama da Safra na visão do GBCA


 


Os consultores que integraram o debate sobre o panorama da safra abordaram os desafios da cotonicultura nos próximos anos, com destaque para o aumento da produtividade sem aumento de custo e a importância do controle de pragas através da cooperação entre os produtores de algodão.



Especialistas do setor agro estiveram reunidos no início da tarde desta terça, dia 27 de agosto, para traçar o "Panorama da safra na visão do Grupo Brasileiro de Consultores do Algodão, GBCA", tema abordado neste primeiro dia do 12º Congresso Brasileiro do Algodão. O agrônomo, entomologista e pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná, Iapar, Walter Jorge dos Santos, coordenou a sala temática, que teve entre os palestrantes, o engenheiro agrônomo pela ESALQ/USP e consultor, Evaldo Takisawa, sócio proprietário da Ceres Consultoria.  Ele destacou a importância do produtor não procrastinar e agir rápido na solução dos problemas apresentados na lavoura. "Sempre falo que quem manda é a planta. O produtor precisa escutá-la e obedecê-la. Ouvir o campo e fazer tudo o que for importante é fundamental", acredita.


Na sequência, o engenheiro agrônomo Jonas Guerra, da Guerra Consultoria, destacou a importância do Congresso "É um fórum bastante interessante num momento delicado que o país está vivendo", disse ele, destacando os números que envolvem o estado do Mato Grosso, que nesta safra tem a previsão de produzir de 1.6 milhões de toneladas de algodão em pluma. O desafio do aumento da produtividade sem aumento do custo para os produtores foi o tema central abordado por Guerra. "Devido às pragas, doenças, ervas daninhas e erros no meio do caminho só conseguimos produzir até agora 50% do que temos capacidade.  Nós temos que avançar, aumentar a produtividade sem custo utilizando apenas a interferência no ambiente local, fazer com que a planta tenha o manejo correto para a penetração do CO2, adubo que está de graça na nossa atmosfera. Não tenham medo de aumentar a produtividade. Temos que ter no nosso armazém uma grande quantidade de produtos estocados para vender", ressaltou.


O engenheiro agrônomo baiano Ezelino Carvalho, da Equipe Consultoria Agronômica, apresentou um panorama da safra de algodão na Bahia, destacando o grande número de variedades plantadas e as dificuldades na uniformização de lotes para venda. Carvalho abordou ainda a importância do manejo fitossanitário com o trabalho cooperativo entre os produtores para o controle de pragas resistentes como o bicudo. "Se não fizemos o dever de casa, vamos ter problemas com essa praga de difícil controle. Os agricultores precisam cooperar uns com os outros, senão ninguém vai chegar no fim da estrada, todos ficarão pelo caminho. O trabalho cooperativo é fundamental", alerta. O agrônomo falou, também sobre biotecnologias, investimento em qualidade, em manejos de resistência de produtos e tecnologias e programas fitossanitários.


Encerrou o encontro, o engenheiro agrônomo, mestre em agronomia, e doutor em genética e melhoramento de plantas, Eleuzio Curvelo Freire, da Cotton Consultoria. Para ele, os estados da Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais são exemplos a serem seguidos por outros estados produtores. "Tem que seguir o exemplo desses pioneiros que fizeram esse trabalho todo no cerrado. Hoje, alimentamos 20% da população do mundo e, digo a vocês, que são as fazendas do Brasil que vão alimentar 50% da população mundial", finalizou.



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Gestão técnica e operacional das lavouras lota sala temática do 12º CBA



Especialistas do setor discutem os desafios técnicos e operacionais das lavouras de algodão nessa sala temática que registrou grande procura por parte do público presente no primeiro dia da 12ª edição do Congresso Brasileiro do Algodão.



Fechando a segunda rodada de salas temáticas deste primeiro dia do 12º. Congresso Brasileiro do Algodão aconteceu o debate sobre os "Desafios da gestão técnica e operacional das lavouras de algodão". Sob a coordenação da engenheira agrônoma e pesquisadora da Embrapa Algodão, Ana Luiza Borin, especialistas do setor trataram de assuntos relevantes tais como o uso de produtos químicos nas lavouras; a tendência do uso de insumos biológicos no controle de doenças; a necessidade de qualificação dos profissionais envolvidos no cultivo do algodão; a gestão da informação, da produtividade, do clima, entre outros.


"Hoje o grande problema do algodão são os nematoides. Perco grande parte da minha produção por causa deles. A única solução que enxergo é o uso dos biológicos. Contudo, tem muita coisa a ser feita, ainda estamos engatinhando, mas acho que esse é um caminho sem volta", diz Inácio Modesto Filho, engenheiro agrônomo e diretor técnico de agricultura do Grupo Bom Futuro.


O gerente regional Centro Oeste da SLC Agrícola, Marcio José da Silveira, divide a mesma opinião ressaltando que os produtores precisam trabalhar mais com os biológicos. "Isso é o futuro porque o algodão necessita de muita aplicação de químicos e, se nós não começarmos a trabalhar com produtos menos agressivos, a tendência é aplicarmos mais e mais produtos químicos", aponta. Ana Luiza Borin complementou que o insumo biológico não tem a praticidade do uso dos químicos, exigindo dos produtores uma readequação em relação ao uso desses insumos nas lavouras.


O planejamento e a condução das lavouras com as experiências do Grupo Bom Futuro, da SLC Agrícola e do Grupo Schlatter foram abordados pelos representantes destas empresas, que também destacaram o planejamento técnico da produtividade e a importância da gestão do clima no cultivo do algodão com o uso de geodrones e pluviômetros que permitem ao produtor tomar as melhores decisões sobre atividades relacionadas ao clima. "Isso nos ajudará a ser mais assertivos. Ainda estamos numa escala pequena, em apenas duas fazendas, mas queremos instalar pluviômetros em todas as unidades", prevê Márcio, da SLC Agrícola.


Apesar do uso destas tecnologias, André Luís da Silva, do departamento técnico do Grupo Schlatter alerta que está acontecendo uma má distribuição da chuva e, segundo ele, a cada ano está ficando pior. "Para amenizar esse risco é preciso fazer um perfil, na medida do possível, com o planejamento financeiro disso", avalia.


Na lista dos assuntos em pauta, esteve ainda o uso de plataformas tecnológicas de monitoramento em tempo real visando mostrar a qualidade das operações, medindo a eficiência com resultados satisfatórios. "Tivemos a primeira experiência com o sistema Terravion que produz imagens aéreas semanais, mapas de calor, sensor térmico, infravermelho, o que te permite programar sua aplicação localizada. Sem dúvida, são ferramentas que ajudam a entender o desenvolvimento da lavoura e ganhar produtividade", explica o agrônomo Severo Amoreli de Figueiredo Filho.



Pesquisadores apresentam avanços
da mecanização na cultura do algodão
 


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A mecanização está presente em todos o processo de produção de algodão, da preparação do solo à colheita passando pelo plantio e  beneficiamento,  com impacto em fatores tão diferentes quanto qualidade, produtividade e custos de produção. Na tarde desta terça (27.08), produtores rurais tiveram a oportunidade de assistir a um panorama de trabalhos sobre o tema, na sala temática A mecanização como fator de melhoria da produtividade.  A atividade integra a programação do 12º Congresso Brasileiro de Algodão que acontece até esta quinta (29.08), no Centro de Convenções de Goiânia, em Goiás.
"Quando se fala nos efeitos da mecanização, é preciso pensar em produtividade num sentido amplo, que envolve não apenas aquilo que é medido em arroba por hectares, mas tudo que diz respeito à própria sustentabilidade do modelo produtivo", ressaltou, na abertura da sala, o engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste,  Fernando Lamas.
Um exemplo prático deste cenário foi demonstrado pelo presidente da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa), Carlos Moresco. Em seu trabalho, ele contou os resultados obtidos com o projeto Fazenda Samambaia, que gerou ganhos de cerca de US$ 350 por hectare a partir do investimento em equipamentos e num sistema de plantio com taxa variável de sementes e adubos.
"A mecanização com tecnologia embarcada tem alto custo e  exige mão de obra especializada, mas permite alcançar resultados em ambientes diferenciados e com uma taxa de retorno alta", afirmou o engenheiro agrônomo, ao ressaltar também que os equipamentos hoje estão mais amigáveis ao usuário.  "A agricultura 4.0 já é uma realidade", finalizou.
Geraldo Pereira, da empresa Equipe consultoria agronômica destacou em sua apresentação o impacto da mecanização na qualidade da pluma. "Hoje, só produzir não adianta, é preciso qualidade, e para isso não basta apenas máquinas de alta tecnologia, mas pessoas qualificadas", opinou. Já o consultor Milton Ide ressaltou que muito mudou nos últimos 35 anos na mecanização da lavoura. "Pulverizávamos de maneira arcaica com tratores adaptados. Mas não são as máquinas que melhoram a produção, e sim a qualidade na aplicação. Assim como quando há perdas na lavoura, a culpa não é, necessariamente, da máquina. O humano no comando das máquinas ainda é o mais importante".



Compradores e produtores querem saber: Como reduzir o índice de fibras curtas?



O comprimento das fibras é barreira técnica e econômica para a lavoura algodoeira. Por isso, o 12º Congresso Brasileiro do Algodão trouxe para os participantes a seguinte questão: "Como reduzir o índice de fibras curtas?". O tema foi abordado pelo pesquisador do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), Jean Louis Belot, pelo professor da Texas Tech University, Glenn Ritchie e pelo Mestre da Universidade de Paris XI, Jean Luc Chanselme na tarde desta terça-feira (27), em Goiânia, já que o mercado internacional tem se mostrado incomodado com os índices elevados de fibras curtas no Brasil.



Para os especialistas, a resistência, a maturidade e a força impactam diretamente no comprimento da fibra que está entre as principais reclamações dos compradores internacionais. "Existem medidas, em nível de campo, para aumentar a maturidade e preservar a fibra, ou seja, há como mitigar este problema e o produtor precisa estar consciente", afirma Jean Belot. Ele destaca ainda que a qualidade da fibra é inicialmente elaborada no campo, sendo que a variedade irá definir o padrão geral de qualidade intrínseca da fibra, cujas características têm determinismo genético importante como comprimento, diâmetro e resistência. Ele acrescenta ainda que as condições de manejo e de clima irão interferir significativamente sobre fibras. "Daí a importância de alertar os produtores, visando contribuir para a redução do índice de fibras curtas, apesar de não termos algodão de calibração ou mesmo um index de aferição adequado à realidade brasileira".



Entre as recomendações, o pesquisador aponta o manejo para reduzir o potencial de gerar fibras curtas. "Ele afeta diretamente a resistência que é o parâmetro mais importante a ser avaliado e também correlacionado à maturidade das fibras", acrescenta Belot, lembrando ainda que a escolha da variedade é fundamental para o comprimento. Outro aspecto salientado por Belot é avaliar a época do plantio, controlar a ramulária tardia, além do uso adequado dos desfoliantes e maturadores. Segundo ele a relação entre o campo e a algodoeira deve estar em harmonia porque os problemas quanto ao índice de fibras curtas são reais, mas não generalizados. "Com todas essas orientações, podemos minimizar o potencial de gerar fibras curtas, melhorar a qualidade do nosso algodão e conquistar ainda mais a confiança do comprador internacional", finaliza, Belot, ressaltando que o manejo não pode ser esquecido no operacional das fazendas brasileiras.



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Biotecnologia e práticas tradicionais se destacam nas estratégias para combate ao bicudo na próxima década


 


Soluções de curto, médio e longo prazo para controle e combate da praga foram discutidas, nesta terça-feira (dia 27), na sala temática Caminhos e soluções para o bicudo do algodoeiro em 2020/2030, durante 12º Congresso Brasileiro do Algodão, que segue até quinta-feira (dia 29), no Centro de Convenções de Goiânia. As estratégias apontadas pelos especialistas para enfrentar a principal praga da cotonicultura vão desde as práticas convencionais ao uso da biotecnologia, como o estudo na área de transgenia, que está em andamento na Embrapa.



Coordenada pelo engenheiro agrônomo e professor da Universidade Federal da Grande Dourados Paulo Degrande, a sala temática contou com a participação de especialistas e produtores, que apresentaram resultados de pesquisas, modelos de gestão de programas fitossanitários, além de outras questões relativas ao assunto.



Na sua apresentação, o coordenador da sala elencou os itens do Protocolo de Brasília que traçou as estratégias para combate ao bicudo. Nele, se destacam pontos como a redução da população do inseto no final de safra, colheita rápida e bem-feita, eliminação da soqueira, mapeamento com armadilhas, encurtamento do ciclo de plantio.



Em seguida, o presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão, Júlio Busato, e o pesquisador do Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt), Guilherme Rolim,falaram sobre experiência nos seus estados. Nos dois casos, os palestrantes ressaltaram os avanços e dificuldades encontradas para manter a praga longe das culturas e reduzir seus impactos financeiros.



"Plataforma do Algodão: desenvolvimento de algodão transgênico resistente ao bicudo", tema apresentado pelo pesquisador da Embrapa Algodão, José Cavalcanti, busca uma saída que traga mais segurança para os produtores. Segundo o estudioso, os genes usados na transformação vêm da bactéria BT (Bacillus thuringlensis). Iniciada há dois anos, a pesquisa já gerou dois genes e tem, no momento, 20 eventos em teste (bioensaios). "Mas não podemos esquecer que outras fases do projeto serão necessárias, já que a planta também quer eliminar o gene, pois não é parte dela".



O palestrante da mesa foi o consultor Walter Jorge, que já atuou como pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e acompanha o bicudo desde o início dos anos 80, quando a praga "estourou" no Brasil.  Ele falou sobre as práticas tradicionais de manejos e a perspectivas oferecidas pela biotecnologia, desenvolvida no Brasil e na Argentina. Para fechar a sala, o engenheiro florestal, Guido Sanchez, falou sobre a experiência bem-sucedida no controle do bicudo em Campos de Holambra, no Vale do Paranapanema, em São Paulo.



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Produção, moda e sustentabilidade em debate



A Pegada Hídrica de uma calça jeans no país que é o maior produtor de algodão sustentável do mundo foi o nome da sala temática do primeiro dia do Congresso Brasileiro do Algodão (12ºCBA) que trouxe à grade majoritariamente técnico-científica do evento a visão de "causa". O debate encabeçado pela Abrapa, através do diretor executivo da entidade, Marcio Portocarrero, teve como convidados a apresentadora de TV e especialista em ecologia e consumo sustentável, Chiara Gadaleta e o diretor superintendente da Vicunha, Marcel Imaizumi. Abrapa, Vicunha e o Portal Ecoera são parceiras na iniciativa que visa a calcular o consumo direto e indireto desse insumo na vida útil de uma calça jeans, desde o plantio até o consumidor final. A sala reuniu os elos da produção agrícola, da indústria e da moda e sustentabilidade para falar sobre responsabilidade compartilhada no uso do recurso hídrico.



Marcio Portocarrero, em sua apresentação, relacionou os números alcançados pela cotonicultura brasileira e a adoção de uma mentalidade sustentável que elevou o país da categoria de importador de algodão até o posto de segundo maior exportador mundial da pluma. "A sustentabilidade – ambiental, social e econômica – foi entendida como único caminho para fazer renascer e perdurar a produção de algodão no país. A bandeira se tornou um compromisso de todos os cotonicultores, representados pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que implementou o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que estabeleceu critérios para certificar, em nível nacional, a pluma sustentável e opera em benchmark com a ONG suíça Better Cotton Initiative (BCI).



Better Cotton Initiative (BCI) é referência internacional em licenciamento de algodão produzido sob os parâmetros da sustentabilidade. "Trata-se de um programa global que está presente em 21 países, e sua chancela tem sido cada vez mais um diferencial de mercado, neste momento em que há um evidente incremento de procura por produtos produzidos em bases sociais, ambientais e economicamente corretas, como consequência da conscientização do consumidor final", disse Portocarrero. O programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), é gerido em cada estado produtor de algodão pelas suas associações filiadas. A parceria referenciada contribuiu para fazer do país o campeão mundial de fibra comprovadamente sustentável, com 31% do montante chancelado pela entidade internacional.



Além de explicar como surgiu e funciona o ABR, Portocarrero informou que o programa já se prepara para dar o próximo passo, com a certificação das algodoeiras no Brasil. "Cada passo que damos na certificação representa um avanço em sustentabilidade. Essas são duas etapas inseparáveis", afirmou.



"O cotonicultor que adere ao ABR pode, automaticamente, optar por ser, também, licenciado pela BCI. A adesão aos programas é voluntária, e, ao fazê-la, ele se compromete a cumprir um rígido protocolo de boas práticas agrícolas nas suas fazendas, que contempla 224 itens, só na fase de verificação para diagnóstico que antecede a certificação, e outros 178 para a finalização do processo, que culmina com a expedição do certificado e a consequente emissão dos selos que serão fixados nos fardos", explicou o executivo.



Pegada



De acordo com Chiara Gadaleta, antes de se mensurar a "Pegada Hídrica", não se sabia um número fiel à realidade brasileira. O dado que era divulgado era importado do Estados Unidos, difundido pela americana Levis, e indicava um consumo de pouco mais de quatro mil litros por calça jeans. "Mas não sabíamos que metodologia foi utilizada para chegar a ele. Entendemos que precisávamos com urgência fazer esse cálculo, porque aí, sim, criaríamos um senso de responsabilidade compartilhada. Todos, desde o plantio até o descarte da peça, incluindo as lavagens domésticas, somos responsáveis. Esse número de 5196 litros na produção de uma calca jeans é só o começo da conversa, mas ele é importante porque será a partir dele que vamos estabelecer uma meta de redução", argumenta Gadaleta.



"É muito importante trazer para o congresso um olhar conectado com a atualidade. A moda é o repórter do seu tempo e, portanto, precisa falar sobre sustentabilidade, e, especificamente, sobre água. Esse é um evento técnico e ele precisa estar junto com o conceito de causa. O painel no CBA amplificou na cadeia produtiva uma conversa que é necessária, que pode render muitos frutos e o ambiente é muito propício", disse Gadaleta. Ela acrescenta que a parceria do Pegada Hídrica com a Vicunha e a Abrapa a surpreendeu muito positivamente. "Fiquei encantada com o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que eu conhecia pouco", revela.  A ideia do projeto que tem por base "medir para gerir" começou há dois anos. "Queríamos entender como a cadeia olhava o recurso hídrico e escolhemos entre a camiseta branca e a calca jeans, a peça mais querida do guarda-roupa do brasileiro.




Grande entusiasta



Para o diretor-superintendente da Vicunha, Marcel Imaizumi, participar do 12º CBA é parte de uma estratégia de sensibilizar o público para um movimento que está vindo do elo da cadeia do consumidor. "A gente vem contribuir com percepções de mudança de comportamento do mercado e como isso vai influenciar no futuro as decisões de compra, inclusive do próprio algodão. O Brasil tem tudo para ser ainda mais competitivo, a primeira escolha dentre os fornecedores de algodão, mas tem um trabalho muito grande a se fazer. A Vicunha é uma grande entusiasta do ABR pelo que ele representa em termos de certificação e rastreabilidade, e ainda há muito a se desenvolver no programa no sentido de causa, que é a sustentabilidade.




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12º CBA reúne pesquisadores sobre novas biotecnologias em algodão


 


Sustentando o alto nível técnico apresentado já no primeiro dia do 12ª Congresso Brasileiro do Algodão, três profissionais reuniram conteúdo sobre o uso das principais biotecnologias herbicidas em algodão, seus resultados e as expectativas para os novos lançamentos. Sob coordenação e comissão científica do presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão – Ampa, Alexandre Schenkel, a sala temática recebeu como palestrantes o pesquisador do Instituto Mato-grossense do Algodão – IMAmt, Edson de Andrade Júnior; Ramiro Ovejero, Líder de Manejo de Resistência de Plantas Daninhas, da Bayer e Rodrigo Werle, Professor Assistente do Departamento de Sistemas de Extensão de Culturas Cientista de Ervas Daninhas, da Universidade de Wisconsin-Madison, que participou por videoconferência para falar sobre "Uso da tecnologia Dicamba® na soja no estado do Wisconsin, Estados Unidos".



"O uso das biotecnologias está exclusivamente relacionado ao controle das plantas daninhas resistentes". A frase de Edson de Andrade Júnior é apoiada pelo panorama atual da área algodoeira no Brasil, apresentado na sala temática no 12º CBA. Os dados demonstram a safra 18/19, com área de aproximadamente 1,6 milhões de hectares, as tecnologias usadas e seus altos custos de produção para controle das plantas invasoras e resistentes aos herbicidas glifosato, dicamba e glufosinato.



Ainda sem data prevista para lançamento, Edson Júnior apresentou na ocasião, informações sobre o Algodão Enlist resistente ao 2,4-D e glufosinato de amônio.



Líder de Manejo de Resistência de Plantas Daninhas, da Bayer, Ramiro Ovejero, abordou na palestra "A tecnologia XTend em soja e algodão". Segundo ele, é preciso debater tecnicamente os problemas atuais já pensando no futuro. "Nosso objetivo é atingir a melhor produtividade possível para ser mais competitivo". Ovejero defendeu o uso da biotecnologia como forma de contribuir positivamente para a inovação da cotonicultura brasileira, como na geração de oportunidades para o manejo de resistência. "É preciso pensar como será o manejo e seu impacto.



No meio da plateia envolvida com o conteúdo, o diretor de finanças da Polato Sementes, Flávio Garcia, definiu as palestras como enriquecedoras para tomada de decisão referente à gestão de custos. "Mesmo sendo de uma área administrativa, é importante estar atento às mudanças para se antecipar na gestão e controle e não deixar que isso se reflita na produção".



O 12º Congresso Brasileiro do Algodão (12º CBA) acontece entre os dias 27 e 29 de agosto, em Goiânia/GO, e é realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), com apoio financeiro do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) e científico da Embrapa.

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Missão Compradores 2019

24 de Agosto de 2019

Em um jantar promovido ontem (22/08) em Brasília, com presença de representantes do Governo Brasileiro, da indústria e da produção agrícola de algodão, além de industriais têxteis asiáticos, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) entregou à ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, e ao representante do Ministério das Relações Exteriores, Alexandre Ghislene, o projeto de abertura de um escritório permanente da Abrapa em Singapura, na Ásia, a ser estabelecido pelos cotonicultores, com apoio do Governo Federal e dos exportadores de algodão. A iniciativa visa a fortalecer a presença do algodão brasileiro naquele continente, hoje destino de mais de 90% da pluma nacional.


A cerimônia fez parte da programação da Missão Compradores 2019, expedição anual que vem sendo empreendida pela Abrapa desde de 2015, e que, até sábado (24/08), leva um grupo de 20 integrantes, oriundos dos maiores destinos da pluma brasileira: China, Bangladesh, Vietnã, Turquia, Paquistão, Índia e Coreia do Sul, para conhecer o modo brasileiro de produção da algodão. A Missão Compradores visitou os três maiores estados cotonicultores – Mato Grosso, Bahia e Goiás –além de Brasília e São Paulo, numa agenda de visitas a unidades produtivas da pluma e a etapas como beneficiamento, classificação e fiação. Eles também passaram pelo Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), no Distrito Federal.


De julho de 2018 a junho de 2019, o Brasil deve fechar o ciclo de exportações de algodão da safra 2017/2018 em 1,27 milhões toneladas, confirmando sua nova posição de segundo maior exportador da pluma, atrás dos Estados Unidos. Para a safra em curso, 2018/2019, a estimativa é de que os embarques se aproximem dos dois milhões de toneladas. Os números vêm na esteira de uma produção recorde, de cerca de 2,83 milhões de toneladas, que estão sendo colhidas em 1,63 mil hectares de área plantada, com produtividade de 1,73 mil quilos de pluma por hectare.


Localização estratégica


"No ano em que celebramos duas décadas de existência da Abrapa, empreendemos esta que eu reputo como iniciativa audaciosa, de estar presente no destino da nossa pluma, abrindo e desenvolvendo novos mercados na Ásia. Escolhemos Singapura pela localização geográfica estratégica, e teremos um executivo porta-voz permanente lá", explica o presidente da Abrapa, Milton Garbugio. No projeto entregue durante o jantar, estavam delineados os objetivos e a estratégia dos agricultores, que buscam apoio do Governo Federal para viabilizá-lo.


A ministra Tereza Cristina, ao receber a proposta, enfatizou a importância de incrementar as relações com a Ásia, bem como a continuação da Missão Compradores, que, ao seu ver, deveria ser replicada por outros setores do agro. "A vinda desses industriais estrangeiros para o Brasil permite que eles vejam com os próprios olhos o que acontece aqui. Ouvir a declaração desse visitante da Turquia prova que eles saíram impressionados, e isso repercute lá fora, melhor que qualquer propaganda", conclui a ministra, referindo-se à fala do gerente de Vendas e Logística da companhia turca Bossa, que integra o grupo de visitantes estrangeiros, Alper Deniz, eleito pelos demais para se pronunciar durante a solenidade.


"Não estou acostumado a fazer declarações em público, ainda mais na presença de pessoas importantes, mas entendo, pela prática, que a primeira coisa a fazer é agradecer, à Abrapa e às tradings pela ótima organização da Missão Compradores, durante a qual vimos muita coisa. Estamos impressionados com tudo o que testemunhamos até aqui. As reuniões foram marcadas por um evidente senso de abertura.  As pessoas falaram com clareza sobre o que precisam e o que querem, e todos os interlocutores mostraram os seus objetivos. Para mim, em particular, o que mais me impressionou foi o esforço em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias. Foi uma semana incrível", disse o visitante.


Aliança


O projeto Ásia envolve, como parceiros da Abrapa, a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e os Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e de Relações Exteriores (MRE), através da Apex Brasil. Na solenidade, Milton Garbugio e o presidente da Anea, Henrique Snitcovski entregaram uma cópia do documento aos representantes da Apex, Alberto Bicca; do MRE, Alexandre Ghislene, além da ministra Tereza Cristina.


De acordo com o presidente da Anea, Henrique Snitcovski, a Missão Compradores e a Vendedores ­– que, respectivamente, traz industriais têxteis, sobretudo da Ásia, para conhecer a produção de algodão no Brasil, e leva cotonicultores brasileiros para conhecer o mercado comprador­–, foram importantes para elevar o país à posição de grande player global, mas, na conjuntura atual, são necessários novos esforços, como o projeto anunciado na solenidade.


"Mais de 85% das nossas exportações de pluma vão para Ásia. O ponto a que o Brasil Chegou, como o quarto maior produtor mundial e o segundo maior exportador, torna mandatório que estejamos perto, mostrando que produzimos bem, com qualidade, e que temos capacidade de atender à demanda asiática por pluma, com regularidade. Temos que estar lá para promover nosso algodão e tirar dúvidas dos compradores", argumenta o presidente da Anea. Ele enfatiza que, há 20 anos, o Brasil era importador de algodão e agora é o segundo maior exportador mundial.


"Foi um trabalho de muitos anos para chegarmos até aqui. Agora temos o desafio de aumentar ainda mais a nossa presença no mercado consumidor. Precisamos estar perto para entender qual a necessidade dos nossos compradores, quais as tendências, quem são os nossos competidores e que ações de marketing eles também estão tomando", conclui Snitcovski.



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Missão Compradores 2019

23 de Agosto de 2019

Em uma operação que inclui visitas a três estados, além do Distrito Federal, com passagem por fazendas, fiações e indústrias de beneficiamento de algodão, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) dá início, oficialmente hoje (19/08), à Missão Compradores 2019. Trata-se de uma iniciativa que a entidade desenvolve desde 2015 de trazer industriais têxteis estrangeiros para conhecer a cadeia produtiva da fibra no Brasil. Este ano, a expedição conta com 20 integrantes, oriundos dos maiores destinos da pluma brasileira: China, Bangladesh, Vietnã, Turquia, Paquistão, Índia e Coreia do Sul. Até o dia 24 de agosto, o grupo terá passado pelo Mato Grosso, Bahia e Goiás, visitando unidades produtivas de algodão e etapas como o beneficiamento da pluma, a classificação e a fiação, assim como o Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), que fica e Brasília.


"A Missão Compradores é uma das mais importantes ações que a Abrapa desenvolve na promoção do algodão brasileiro. Esse ano, ela tem um caráter ainda mais especial, pois conquistamos nesta safra o segundo lugar no ranking mundial de exportadores da commodity. Embarcaremos em torno de 2,1 milhões de toneladas de pluma. Se, antes, tudo o que produzíamos tinha destino certo, agora, temos de ser bons vendedores, e disputar o mercado com outros produtores. Por isso é tão importante mostrar os nossos diferenciais competitivos, como a modernidade e a sustentabilidade da produção no Brasil", explica o presidente da Abrapa, Milton Garbugio. Segundo ele, durante os dias em que permanecerão no país, os estrangeiros terão uma mostra fiel do modo brasileiro de produzir e, principalmente, da seriedade com a qual os cotonicultores lidam com a classificação instrumental de algodão.


"Um dos momentos mais importantes da programação é quando apresentamos na teoria e mostramos na prática o nosso programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), que padronizou a classificação de pluma no país, conferindo muito mais segurança e credibilidade para os negócios com o nosso produto. Além de conferir importantes laboratórios de análise nos três maiores estados cotonicultores do Brasil, o grupo visitará o laboratório central de classificação, o CBRA, em Brasília, onde o melhor da tecnologia, aliado a critérios rígidos, são aplicados para fortalecer a nossa imagem no mercado global", conclui Garbugio.

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Mobilização e visita técnica no novo Laboratório de Análise de Fibra da Ampasul

27 de Junho de 2019

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) realizou, no dia 25 de junho, mobilização com os cotonicultores do estado de Mato Grosso do Sul, para fomentar a adesão deles ao programa Standard Brasil HVI, na safra 2018/2019. O encontro no estado foi conduzido pela Associação Sul Matogrossense dos Produtores de algodão (Ampasul). Na oportunidade, os participantes receberam informações sobre o funcionamento do programa, sua importância para a garantia da qualidade do algodão brasileiro, vantagens para os produtores, legislação e normas pertinentes.



Recém construído, o Laboratório de Análise de Fibra da Ampasul será inaugurado no próximo dia 26 de julho. Segundo o gerente do laboratório, José Lúcio Matos, o centro foi transferido da antiga sede da associação para a nova, que será inaugurada na mesma data. "Mantivemos o maquinário, mas mudamos as instalações, agora mais modernas e adequadas", explica Matos. A estrutura tem capacidade de trabalhar com 4,800 mil amostras/dia e conta com dois novos equipamentos de HVI 1000, da marca Uster, totalizando quatro máquinas. Além disso, possui salas de climatização ativa e passiva. Os produtores presentes à mobilização puderam conhecer a estrutura do centro, guiados pelo gerente do laboratório, José Lúcio Matos.



 No dia seguinte à mobilização, o gestor de Qualidade da Abrapa, Edson Mizoguchi, procedeu à vista técnica ao centro. Em sua avaliação, "todos os detalhes foram concebidos de acordo com as melhores práticas laboratoriais".  Passada essa fase de mobilização, a Ampasul dará início ao envio dos convites para a safra 2018/2019 para seus produtores.



"A mobilização foi muito produtiva e percebemos que os produtores estão interessados em entender mais sobre o programa e aderir a ele. A visita técnica é 'puxada', mas entendemos que esse nível de exigência é essencial para se manter o padrão de qualidade, e elevar a confiabilidade do algodão do Brasil. No dia a dia das operações, nem sempre percebemos onde estamos falhando", considera Matos.

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Representantes da Abrapa reúnem-se com embaixador da China

26 de Junho de 2019

O novo recorde de produção de algodão no Brasil, estimado em 2,8 milhões de toneladas de pluma, e o consequente aumento das exportações, que devem chegar 1,6 milhão de toneladas, estão impelindo os cotonicultores brasileiros a intensificar o relacionamento com a Ásia, principal destino (97,5%) da pluma nacional embarcada para o mercado externo. Na última terça-feira (25/06), os vice-presidentes da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Júlio Cézar Busato e Alexandre Schenkel, que também presidem, respectivamente, a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) e a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), reuniram-se com o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, na sede da embaixada chinesa, em Brasília.



Com apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), do Ministério das Relações Exteriores (MRE), através da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), a Abrapa desenha a estratégia para garantir mercado no oriente para o excedente do produto. A entidade enfatiza que o Brasil – que na safra 2018/2019 conquistou o posto de segundo maior exportador mundial do algodão–, mais que escala, pode assegurar qualidade e confiabilidade na commodity, com garantia cumprimento dos contratos.



As medidas para aumentar e consolidar o mercado asiático devem, dentro de alguns meses, ir além das visitas e missões de intercâmbio entre produtores brasileiros e industriais asiáticos, explicam Busato e Schenkel. Segundo os vice-presidentes, a Abrapa deve instaurar um escritório permanente na Ásia, em uma parceria com o Mapa e o MRE, via Apex. Os cotonicultores explicaram a Wanming o percurso que se deu entre o país sair da posição de importador de algodão, no início dos anos de 1990, para tornar-se o segundo maior exportador e quarto lugar no ranking global da produção da fibra. "Uma trajetória de incorporação de tecnologia e de profissionalismo que ainda está em curso. Dobramos a produção de algodão nas últimas três safras e acreditamos que, dentro de cinco a oito anos, iremos ultrapassar os Estados Unidos em fornecimento do produto", afirma Júlio Busato. Atualmente, os EUA embarcam 3,8 milhões de toneladas e o Brasil vai exportar 1,6 milhão na safra 2018/2019, ocupando o posto que era da Índia.



Oportunidade



Embora produza mais que o dobro de algodão que o Brasil, em torno de seis milhões de toneladas de pluma, a China também é um grande importador. De acordo com os dados do International Cotton Advisory Committee (ICAC), o país consome cerca de nove milhões de toneladas em seu parque têxtil. "A China é uma grande consumidora do Algodão brasileiro. Hoje, em torno de 25% da pluma exportada vai para aquele país. Somos fornecedores confiáveis e queremos crescer ainda mais no mercado chinês, mantendo esta parceria de qualidade e comprometimento", explica Alexandre Schenkel.



Para Júlio Busato, a investida brasileira no mercado chinês "passa por explicar quem nós somos de fato. A história da nova cotonicultura nacional tem menos de 30 anos e ainda paira sobre ela os ecos de um período em que não tínhamos qualidade e não honrávamos os nossos contratos. Hoje isso mudou, graças ao trabalho dos produtores, representados pela Abrapa", diz. Ele e Schenkel consideram positivo o encontro com o embaixador chinês, do qual também participou o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero.


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Cotonicultores consideram positivo o Plano Safra 2019/2020

19 de Junho de 2019

Pelo menos duas das mais importantes reivindicações dos cotonicultores brasileiros ao Governo Federal foram contempladas no Plano Safra 2019/2020, apresentado nesta terça-feira (18) em solenidade conduzida pelo presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, no Palácio do Planalto: emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Certificado de Crédito do Agronegócio (CDCA) em moeda estrangeira, com correção cambial no exterior, além do Patrimônio de Afetação, que dá ao produtor a possibilidade de fracionar o bem dado como garantia na contratação de crédito nos financiamentos agropecuários. Os representantes da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), consideraram que o Plano Safra avançou em pontos importantes, como na ampliação de fontes de financiamento, e ao contemplar simultaneamente os pequenos, médios e grandes agricultores. Estiveram presentes na solenidade, representando o setor algodoeiro, o vice-presidente da Abrapa e presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Júlio Cézar Busato, e os presidentes da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA), Alexandre Schenkel, e da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa), Carlos Alberto Moresco, além do diretor executivo da entidade nacional, Marcio Portocarrero.



O Plano Safra disponibilizou R$222,74 bilhões em crédito, sendo R$169,33 para custeio, comercialização e industrialização, e R$53,41 para investimento. Além do presidente Jair Bolsonaro, estavam na cerimônia o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, os ministros da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Economia, respectivamente, Tereza Cristina e Paulo Guedes, além do secretário de Política Agrícola do Mapa, Eduardo Marques, e do presidente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Marcio Lopes de Freitas.



De acordo com o vice-presidente da Abrapa, Júlio Cézar Busato, o referenciamento em moeda estrangeira dos títulos do agronegócio é um grande avanço. "Teremos o título em moeda estrangeira, para negociar com fundos e traders, ampliando as possibilidades de recursos para custeio e investimento", explica Busato. Uma das grandes inovações do Plano Safra, segundo Busato, foi o Patrimônio de Afetação. "Antes, para conseguir um financiamento, o produtor tinha que comprometer todo o seu patrimônio como garantia, mesmo que o valor do bem fosse muito maior do que o recurso tomado. Dessa forma, o acesso ao crédito é ampliado", diz.



O aumento de um ponto percentual na taxa de juros, que passou de 7% no Plano Safra 2018/2019, para 8%, no de 2019/2020, não foi visto como um problema pelos cotonicultores. "Incremento na taxa de juros decorre da situação econômica do país.


Precisamos de disponibilidade e agilidade no fornecimento dos recursos Apesar de ser um custo financeiro alto, considerando a rentabilidade do negócio atualmente, esse incremento na taxa não é tão relevante, desde que o Governo se comprometa a garantir mais recursos e levar dinheiro para o seguro rural que é importante para o pequeno, médio e grande produtor", disse Júlio Busato. As taxas de juros para os pequenos produtores (Pronaf) vão variar de 3% a 4,6% ao ano e de 6% ao ano, para os médios produtores (Pronamp).



O seguro rural também ganhou destaque no Plano Safra 2019/2020. O orçamento nesta edição do programa é de R$1 bilhão, contra R$440 milhões, em 2019/2019. O valor segurado passou de R$18,6 bilhões para R$42 bilhões. A área segurada saiu de R$6,9 milhões para R$15,6 milhões, com apólices de R$212,100 milhões, ante R$93,900 no Plano Safra anterior.



"Este Plano Safra tem o grande mérito de tratar o agronegócio como um só, pela primeira vez, entendendo que pequenos, médios e grandes agricultores se somam e não são conflitantes", concluiu Busato.



O vice-presidente da Abrapa e presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA), destacou a importância da inclusão dos pontos defendidos pela associação nacional e disse que os produtores do Mato Grosso ficaram contentes com o Plano Safra.


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CARTA ABERTA DA ABRAPA CONTRA PROPOSTA DA CARGILL

17 de Junho de 2019

O anúncio do investimento de R$30 milhões, pela empresa CARGILL, destinados a "zerar o desmatamento" no cerrado brasileiro foi recebido com surpresa e preocupação pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que se une às diversas entidades do agronegócio nacional em agravo à companhia americana.



O cerrado é o grande polo produtor de alimentos e fibras têxteis do mundo, e sua função torna-se cada dia mais relevante em função do crescimento da população mundial. Nesse bioma se pratica um modelo moderno extremamente produtivo e absolutamente sustentável de agricultura tropical, que faz do país um grande player global. Não há concorrentes no planeta em agricultura sustentável que se equiparem ao nosso país.



Soa-nos estranho o interesse de uma empresa estrangeira, que tem no esmagamento da soja a sua principal função, em limitar a produção agrícola no bioma. Em primeiro lugar, porque os produtores regionais não apenas cumprem o que preconiza a legislação ambiental brasileira e o Código Florestal Brasileiro, como vão além.



Nas propriedades produtoras de algodão do cerrado, a preservação da mata nativa excede os 20% determinados por lei nas chamadas Reservas Legais (RL), e a conservação das Áreas de Preservação Permanente (APP), como topos de morro, veredas e matas ciliares, é rigorosamente cumprida. Quem descumprir a lei, colocará em risco a aquisição de crédito e a exportação. Não conseguiríamos ser o quarto maior produtor de algodão mundial nem o segundo maior exportador sem observar os aspectos legais.



No final dos anos de 1990 e início dos anos 2000, graças à agricultura e a todo investimento tecnológico, principalmente, para correção dos solos, o cerrado ficou conhecido o 'celeiro do Brasil'. Prova disso é que 99% do algodão que o país produz, 52% da cana-de-açúcar, 73% dos pivôs de irrigação e 33% dos armazéns, com capacidade de armazenagem de 43%, estão localizados neste bioma, segundo dados da Embrapa Territorial.



A agricultura no cerrado não é fonte de desmatamento e sim de conservação, porque converteu áreas de pastagens em lavouras. Nos últimos 17 anos, segundo a Embrapa Territorial, a perda de vegetação nativa do cerrado foi de 0,25% ao ano, o que é irrisório. E, mesmo assim, não se pode creditar o desmatamento unicamente à agricultura. Parte disso pode estar associada à expansão das cidades, da malha rodoviária, por exemplo



A expansão da agricultura está cumprindo o ideário ambientalista, que é não desmatar e converter pasto em área agrícola. Essa conversão se dá com o que há de mais moderno. O que existe de mais tecnológico e inovador está sendo aplicado no cerrado, e o resultado é intensificação, alta produtividade, uso da área integrado entre lavoura, pecuária e floresta, com rotação de culturas e plantio direto na palha.



Segundo estudo contratado à instituição federal pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), o Oeste da Bahia é a região que mais preserva o meio ambiente naquele estado. Os 55 mil agricultores inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) somam 7,9 milhões de hectares, sendo 4,1 milhões de hectares destes, preservados. Juntas, as Reservas Legais, APPs e a vegetação excedente respondem por 52% do cerrado baiano. Esses produtores só usam 48% dos seus imóveis. A lei os autoriza a usar 80%. Em patrimônio imobilizado, isso representa, por baixo, R$11 bilhões dedicados à preservação da vegetação nativa, mantidos às suas custas.



O discurso de promoção de uma moratória do cerrado encontra ouvidos leigos e se propaga virulentamente, com falácias perigosas: para quem depende do agro para comer – todos nós –, para quem tem nele o seu sustento – 1/3 dos empregos no Brasil provêm do agronegócio – e para a posição que o país conquistou no mundo, de grande produtor de grãos e proteínas.



Não nos esqueçamos:


·      O Brasil produz alimentos para nutrir seis vezes o tamanho da sua população.


·      1,2 bilhões de pessoas no mundo já dependem do Brasil para comer (FAO)


·      Nos próximos dez anos haverá uma demanda adicional de 400 mil pessoas na dependência das lavouras brasileiras, num total de 1,6 bilhão de pessoas! Tudo isso, utilizando apenas 10% do território nacional.


·      Sem o cerrado, será impossível!

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Abrapa participa da Conferência Mundial da Better Cotton Initiative (BCI) em Xangai

12 de Junho de 2019












Entre os dias  11 e  13 de junho, a Abrapa participou da Conferência Mundial da Better Cotton Initiative (BCI) em Xangai, na China. O encontro reuniu toda a cadeia produtiva do algodão mundial, desde o setor produtivo até as maiores marcas têxteis, e teve como tema Driving Change from Field to Fashion, ou Promovendo Mudanças do Campo à Moda.


No primeiro dia do evento, o gestor de sustentabilidade da Abrapa, Fernando Rati, apresentou os principais números do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que atua em benchmarking com a BCI no Brasil desde 2013, e a plataforma de rastreabilidade do algodão nacional aos representantes das maiores marcas mundiais, como Levi's, Adidas, Nike, Puma e H&M, além de grandes compradores de fibra europeus e asiáticos.


No terceiro e último dia do evento, a Abrapa participou do painel de experiências de grandes produtores, juntamente com representantes da Austrália, Estados Unidos e China. No painel os integrantes debateram sobre as principais inovações e perspectivas para os respectivos países na produção de algodão.


A entidade internacional Better Cotton Initiative está presente em 21 países e atualmente licencia com boas práticas agrícolas 23% do total de algodão produzido no mundo. O Brasil está em primeiro lugar no ranking mundial, contribuindo com 31% de todo o algodão sustentável licenciado pela BCI.





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Mobilização do programa SBRHVI em Goiás

06 de Junho de 2019

Dando sequência ao calendário de visitas de mobilização do programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), a Abrapa esteve em Goiânia (GO), no dia 30 de maio, para conversar sobre a iniciativa e alertar para a importância da máxima adesão dos produtores. Todos os laboratórios que atendem aos cotonicultores brasileiros já aderiram à iniciativa, que visa a harmonizar os resultados obtidos nas análises instrumentais de pluma no país. Na oportunidade, a Abrapa realizou a visita de verificação no Laboratório de Classificação Visual e Tecnológica da Fibra de Algodão, da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa). A visita de verificação integra o calendário anual do SBRHVI, como parte do 3º pilar, de orientação aos laboratórios participantes.



De acordo com Edson Mizoguchi, o encontro se dá antes do início da safra no estado. "Eles já começaram a receber amostras, mas isso será intensificado a partir de junho. É importante que os laboratórios atendam aos requisitos do programa e que os produtores façam parte da iniciativa. O clima estava muito favorável ao engajamento dos cotonicultores", disse Mizoguchi.



Na associação, a reunião foi conduzida pelo gerente do laboratório da Agopa, Rhudson Assolari, que abriu o encontro com dados da capacidade de análise do centro, normas exigidas no Brasil e no exterior, taxas de confiabilidade e frequência da manutenção dos equipamentos.



Para o presidente da Agopa, Carlos Alberto Moresco, o programa SBRHVI veio para "solidificar a credibilidade do algodão brasileiro e do laboratório central da Abrapa, o Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA). Sem dúvida um diferencial competitivo na conquista de mercados", afirmou. Moresco conta que, seguindo os passos do CBRA, o laboratório da Agopa também vai buscar a certificação de Bremen. "Nossa meta é alcançá-la em 2020", concluiu.




Presente à reunião, o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, destacou a geração de valor da fibra como uma razão crucial para a adesão ao programa. "Com informações online será possível formar lotes com dados fidedignos, acessíveis ao comprador ou trading, que poderão pagar pela qualidade", explicou.

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Algodão brasileiro – a pluma sustentável

05 de Junho de 2019

Fibra natural, ecológica e biodegradável, o algodão vem atravessando os milênios no topo da preferência da humanidade como matéria-prima para a fabricação de suas roupas. E no dia em que o mundo comemora o Dia do Meio Ambiente, 5 de junho, os agricultores brasileiros celebram as conquistas da cotonicultura nacional, que só foram possíveis com a adoção ampla do conceito de sustentabilidade nas lavouras. Em 2019, o país se prepara para colher 2,8 milhões de toneladas de pluma de algodão. No contexto mundial de produção de 26,7 milhões de toneladas, o país é o quarto maior produtor e, pela primeira vez, assume o posto de segundo maior exportador no ranking global.



A relação entre os impressionantes números da cotonicultura nacional e o meio ambiente é mais estreita do que se imagina. E isso tem menos a ver com as condições naturais favoráveis ao cultivo – clima, solo e disponibilidade de terras agricultáveis –, do que com a capacidade do produtor de algodão de manejar de forma correta e racional esses recursos, que embora sejam abundantes e renováveis, são finitos.



Há pouco mais de 20 anos, a sustentabilidade – ambiental, social e econômica – foi entendida como único caminho para fazer renascer e perdurar a produção de algodão no país. A bandeira se tornou um compromisso de todos os cotonicultores, representados pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que implementou o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que estabeleceu critérios para certificar, em nível nacional, a pluma sustentável e opera em benchmark com a ONG suíça Better Cotton Initiative (BCI).



Better Cotton Initiative (BCI) é referência internacional em licenciamento de algodão produzido sob os parâmetros da sustentabilidade. Trata-se de um programa global que está presente em 21 países, e sua chancela tem sido cada vez mais um diferencial de mercado, neste momento em que há um evidente incremento de procura por produtos produzidos em bases sociais, ambientais e economicamente corretas, como consequência da conscientização do consumidor final.



Com ações assertivas e consenso entre os cotonicultores para a importância das boas práticas, desde que o cultivo do algodão se intensificou no cerrado, o Brasil, que importava a pluma no final dos anos de 1990 passou a ser um dos maiores fornecedores mundiais.  Hoje ostenta com orgulho o título de maior provedor global de algodão licenciado pela BCI.





O Benchmark



O programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), é gerido em cada estado produtor de algodão pelas suas associações filiadas. A parceria referenciada contribuiu para fazer do país o campeão mundial de fibra comprovadamente sustentável, com 31% do montante chancelado pela entidade internacional.



O cotonicultor que adere ao ABR pode, automaticamente, optar por ser, também, licenciado pela BCI. A adesão aos programas é voluntária, e, ao fazê-la, ele se compromete a cumprir um rígido protocolo de boas práticas agrícolas nas suas fazendas, que contempla 224 itens, só na fase de verificação para diagnóstico que antecede a certificação, e outros 178 para a finalização do processo, que culmina com a expedição do certificado e a consequente emissão dos selos que serão fixados nos fardos.



Esses requisitos abarcam desde os aspectos gerenciais dos empreendimentos agrícolas até o cumprimento da legislação brasileira ambiental e trabalhista, que são consideradas das mais avançadas do mundo. Incluem, ainda, a observância das normas de segurança do trabalho, a proibição da utilização de mão de obra infantil e de trabalho forçado ou análogo a escravo, além da proteção ao meio ambiente, com aplicação de boas técnicas agronômicas na produção da commodity.




Números



Do total de algodão produzido no globo, 19% são licenciados pela BCI.


No Brasil, a estimativa de área plantada, certificada ABR, para a safra 2018/19, é de 1.3 milhão de hectares, número 38% superior ao da safra 2017/18.



Já produção de pluma certificada ABR no Brasil na safra 2018/19 é estimada em, aproximadamente, 2,2 milhões de toneladas, número 42% superior ao alcançado na safra 2017/18. Para o BCI, a previsão de licenciamento é de de 2,1 milhões de toneladas de pluma de algodão. "Este número nos indica que 80% da safra colhida no Brasil são de algodão certificado, comprovadamente sustentável. E o percentual de adesão cresce a cada ano", considera o presidente da Abrapa, Milton Garbugio.



O pilar ambiental



Em linhas gerais, os critérios ambientais preconizados pelo ABR/BCI determinam que a produção de algodão, para receber a certificação/licenciamento, seja alinhada ao Código Florestal Brasileiro e com a Legislação Ambiental. O protocolo elenca itens de verificação e de certificação sobre outorga de água, sobre uso racional do recurso hídrico, com comprometimento e metas de redução de consumo ao longo dos anos, além Itens de verificação e certificação sobre proibição de aplicação de ingredientes ativos que são proibidos por convenções internacionais.


Todas as fazendas certificadas/licenciadas têm um plano de recuperação de áreas degradadas, com metas bem estabelecidas para aumentar a área produtiva da fazenda. O protocolo ABR e BCI também apresenta itens para conservação da fauna e da flora, além de requisitos que incentivam a utilização de produtos biológicos para Manejo Integrado de Pragas e Doenças no algodão. O cumprimento de cada uma das etapas e critérios envolvidos para a obtenção do ABR/BCI é auditado por empresas certificadoras independentes, reconhecidas internacionalmente.




Muito além dos protocolos



Mas a produção sustentável de algodão é muito mais que checklist. Visando aumentar a produtividade nas lavouras, preservar o solo, quebrar o ciclo de pragas e doenças, os produtores adotam técnicas agronômicas diferenciadas, e decisões acertadas desde o início da produção, no centro-oeste brasileiro garantem mais eficiência nas lavouras, qualidade no produto e sustentabilidade no cultivo.



Diversificação



Uma das principais mudanças no modelo de cotonicultura praticado no cerrado, em comparação aos anteriores, foi a substituição da monocultura por uma matriz produtiva diversificada, na qual a commodity é consorciada, principalmente, à soja e ao milho, o que possibilita a alternância entre eles. A técnica da rotação de cultura preserva o solo, otimiza o uso dos insumos agrícolas, como fertilizantes, e traz outras vantagens econômicas, como o balanceamento do plantio de acordo com as condições de preço de mercado e custo de produção de cada um dos cultivos. A alternância entre os cultivos também quebra o ciclo de pragas e doenças do algodoeiro, que põem em risco as lavouras e aumentam o custo de produção.



 


Plantio direto



Trata-se de uma técnica sustentável na qual o Brasil é líder mundial. Ela consiste em deixar a palha da safra anterior no solo, para criar uma cobertura de matéria orgânica e evitar o impacto de implementos como o arado. Isso preserva a terra e a microfauna que habita nela, evitando a sua exaustão.



Recuperar para crescer



Junto às demais culturas cultivadas nesse modelo de matriz produtiva, o algodão também ajuda a manter o patrimônio natural do cerrado, ao ocupar áreas de antigas pastagens e incorporar tecnologias avançadas em cultivares, máquinas e insumos para intensificar e tornar mais eficiente a produção e o uso dos recursos naturais. Assim, menos aberturas de novas áreas são necessárias para o avanço agrícola.



Regado pela chuva



As condições climáticas do cerrado favoreceram o plantio do algodão em regime de sequeiro, sem irrigação artificial. Na safra 2018/2019, apenas 8% das lavouras de algodão do país são irrigadas, e, ainda assim, o algodão brasileiro se destaca pelo desempenho nas plantações. Quando considerada a produção não irrigada, o Brasil é o campeão mundial de produtividade no algodão. No cômputo geral, é o quinto lugar. Perde para, Austrália, Israel, Turquia e China, nessa ordem, que fazem uso intensivo da irrigação artificial. Alguns deles, em 100% de suas plantações.



Verde conservado




Nas propriedades produtoras de algodão no cerrado, a preservação da mata nativa excede os 20% determinados por lei nas chamadas Reservas Legais (RL), e a conservação das Áreas de Preservação Permanente (APP), como topos de morro, veredas e matas ciliares, é rigorosamente cumprida. Sem observar os aspectos legais, o Brasil não teria como ser quarto maior produtor de algodão mundial nem o segundo maior exportador.



De acordo com dados levantados pela Embrapa Territorial, a agricultura no cerrado não é fonte de desmatamento e sim de conservação, porque converteu áreas de pastagens em lavouras. Nos últimos 17 anos, a perda de vegetação nativa do cerrado foi de 0,25% ao ano.



Sou de Algodão



Entender a importância da sustentabilidade fez diferença dentro de cada fazenda de algodão e ressignificou a pluma do Brasil, hoje reconhecida pelo mercado mundial como sustentável. Mas era preciso que esse conceito também-chegasse ao guarda-roupa. Por isso, a Abrapa lançou, em 2016, na São Paulo Fashion Week, o movimento Sou de Algodão. Seu objetivo é esclarecer e enfatizar as vantagens da matéria-prima para a natureza e para quem usa, e, assim, incrementar o seu consumo no Brasil.



"A Abrapa, junto com a empresa Markestrat/USP, estudou os hábitos de compras de produtos têxteis pelos brasileiros – de vestuário a produtos de casa mesa e banho –, em diversos níchos, e desenhou uma estratégia que pudesse ser mais que um programa institucional, tornando-se uma onda, um movimento capaz de engajar todos os que se preocupam com o bem do planeta, o bem-estar social na produção e, claro, com estilo", afirma Milton Garbugio.



Mostrando que o algodão, além de ser uma fibra natural, biodegradável, durável, versátil, confortável e bonita, também é sustentável, inclusivo, democrático e a favor da diversidade, dentre muitos outros atributos, o movimento está chegando cada vez mais longe.



"Primeiro, conclamamos os elos da cadeia que atuam diretamente na produção. Depois, fomos conversar com quem pensa a moda e lança as tendências, estilistas, designers, professores, estudantes e a indústria têxtil e de confecção. Agora, cada vez mais, ganhamos a adesão do varejo, e seguimos rumo à nossa meta de conquistar a preferência desse consumidor consciente", diz o presidente da Abrapa.  Em maio, o movimento Sou de Algodão alcançou 100 marcas engajadas e desde a criação nomes importantes da moda têm ajudado a levar essa ideia ainda mais longe, como, Paulo Borges, Martha Medeiros, Chiara Gadaleta, João Pimenta, e muitos outros.


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