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Abrapa divulga Relatório de Qualidade da Safra com avanços consistentes nos principais indicadores do algodão

Relatório de dezembro aponta evolução nos indicadores de resistência, comprimento, uniformidade e cor da fibra brasileira

12 de Janeiro de 2026

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) publicou o Relatório de Qualidade da Safra 2024/2025 referente às análises realizadas em dezembro. O documento aponta uma evolução consistente nos principais parâmetros físicos e tecnológicos da fibra brasileira, o que tende a reforçar sua competitividade no mercado.


Os dados indicam que 72,04% das amostras apresentaram micronaire entre 3,7 e 4,2, faixa considerada ideal. Segundo o pesquisador da Embrapa Algodão, Dr. João Paulo Saraiva, esse comportamento sinaliza uma fibra com características mais equilibradas.


“Esse resultado pode ser um indicativo de um algodão com bom conteúdo de celulose, o que tende a favorecer o desempenho da fibra no processo industrial”, afirma.


O relatório também destaca a melhora expressiva nos indicadores de resistência, comprimento e uniformidade. A safra apresentou 96,44% das amostras com resistência igual ou superior a 27,9 gf/tex, 78,25% com comprimento mínimo de 1,14 polegada (29 mm) e 94,08% com índice de uniformidade acima de 80%. Além disso, 78,73% das amostras registraram índice de fibras curtas inferior a 10%, indicando fibras mais longas e estáveis.


“Esses números indicam que a safra produziu fardos com qualidade intrínseca extremamente favorável ao mercado consumidor, e o mais importante é que essa participação vem crescendo de forma consistente desde a safra 2020/2021”, ressalta o gerente de qualidade da Abrapa, Deninson Lima.


Em relação à cor, o relatório também apresentou desempenho positivo, com elevado grau de reflectância e baixos índices de amarelecimento. Do total de amostras analisadas, 86,15% registraram Rd igual ou superior a 75,0 e 79,6% apresentaram índice de amarelo inferior a 9,0. O tipo predominante foi o 31, que representou 42,7% da safra, enquanto 72,2% das amostras foram classificadas como tipos 11, 21 e 31.


Para Deninson Lima, “Este relatório mostra que a safra 2024/2025 pode ser considerada de excelente qualidade, o que pode auxiliar no consumo do algodão pelas fiações. É um avanço em relação aos períodos anteriores, embora ainda haja espaço para melhorias nos próximos anos”, concluiu.


Acesse o relatório completo no link:
https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Relatorio-de-Qualidade-Safra-24-25-31.12.pdf

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Após recorde na exportação de algodão, setor mostra otimismo com embarques em 2026

Associação projeta demanda firme em meio a cenário de preços mais baixos

08 de Janeiro de 2026

Por Paulo Santos — Campina Grande (PB)




Líder no comércio global de algodão desde 2024, o Brasil consolidou sua participação como principal fornecedor da pluma no ano passado. As exportações atingiram o recorde de 3,03 milhões de toneladas, um crescimento de 9% sobre 2024.






Dawid Wajs, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), afirmou que o Brasil aumentou o volume de exportação mesmo em um cenário econômico desfavorável. Por ser considerado um item de segunda necessidade, o consumo de algodão no mundo tende a perder força em momentos de juros e inflação mais elevados.


“Não vemos a demanda crescer mundialmente, mas o que está acontecendo é que o Brasil está ganhando mercado em cima de outros países, seja porque eles deixaram de produzir ou por estarem carregando estoques”, disse Wajs. O dirigente também atribuiu o desempenho das vendas do Brasil ao trabalho de promoção no exterior desenvolvido por entidades setoriais.





“O algodão do Brasil é muito competitivo, tem boa qualidade e bom custo benefício. Num momento de dificuldade da economia, é um produto com essas características que ganha espaço nas fábricas mundo afora. O Brasil também passou a exportar algodão o ano inteiro, o que dá segurança de abastecimento aos compradores”, acrescentou.







Apesar do recorde no volume embarcado, as receitas com as exportações de algodão caíram 3,9% no ano, para US$ 4,9 bilhões. Essa queda refletiu principalmente o recuo dos preços do algodão na bolsa de Nova York, que acumularam baixa de 8%.







No ano passado, a China manteve-se como principal comprador do algodão brasileiro, com 512,4 mil toneladas. Na sequência apareceram Bangladesh (497,62 mil toneladas) e Paquistão (487,69 mil toneladas).







A Anea também destacou o comércio com a Índia, principal importador de algodão do mundo. As vendas brasileiras para aquele país cresceram 149% em 2025, com o envio de 251,3 mil toneladas, devido à isenção de tarifas implementadas pelos indianos.







“As taxas de exportação à Índia já estão em vigor novamente. Ainda assim, tivemos uma vitória neste ano [2025], pois esse é um mercado muito promissor. Nossa intenção é negociar com eles para conseguir alguma cota ou tarifa reduzida”, disse Wajs.







O presidente da Anea previu mais um ano de bom desempenho nas exportações. Segundo ele, a projeção da entidade está em linha com a divulgada recentemente pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). O órgão americano previu que o Brasil embarcará 3,16 milhões de toneladas da pluma em 2026.







“A safra recorde do ano passado ainda está sendo beneficiada. Mesmo com a previsão de menor colheita na nova temporada [2025/26], temos um grande estoque de passagem e um excelente custo benefício para as fiações lá fora, que devem nos permitir fazer bons volumes de exportação nesses primeiros sete meses do ano”, ressaltou.






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Anea ressalta eficiência em logística e promoção no recorde de exportações do algodão brasileiro, em 2025

08 de Janeiro de 2026

O desempenho das exportações brasileiras de algodão em dezembro de 2025 impressionou até mesmo a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea). De acordo com os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), divulgados no último dia 06, o país embarcou 452,5 mil toneladas de pluma, volume que veio acompanhado de uma receita de US$ 707,4 milhões no mês. Trata-se de um recorde histórico, que, segundo a Anea, superou em mais de 28% o volume exportado em dezembro de 2024 e confirmou a retomada consistente observada ao longo do segundo semestre. O Brasil se mantém como o maior exportador mundial de algodão.


“Foi um resultado altamente positivo, com maior volume mensal da história, coroando uma retomada impressionante após um início de temporada mais lento, e ainda temos muito trabalho pela frente para escoar uma safra que também foi recorde”, explica o presidente da associação, Dawid Wajs, que credita parte do sucesso ao trabalho de promoção do algodão brasileiro no mundo, através do programa Cotton Brasil, que reúne Anea, Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e ApexBrasil. Além disso, Wajs ressalta a participação de mais portos na logística brasileira, que segue ainda concentrada no Porto de Santos. “Mais do que dobramos os volumes embarcados pelo Porto de Salvador, reforçando a importância de uma logística mais equilibrada e resiliente para o setor”, destaca Wajs.


No acumulado de 2025, o Brasil exportou 3,03 milhões de toneladas de pluma, crescimento de 9% em volume na comparação anual. Mesmo em um cenário de preços internacionais pressionados, a receita total alcançou US$ 4,93 bilhões, mantendo o algodão entre os principais produtos da pauta exportadora do agronegócio brasileiro.

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Algodão brasileiro reafirma seu protagonismo global em 2025

Retrospectiva do algodão mostra os avanços alcançados pelo setor nos últimos 12 meses

22 de Dezembro de 2025

Em 2025, o trabalho da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em conjunto com as 11 associações estaduais, reforçou o posicionamento do algodão como uma cultura responsável e estratégica para o agronegócio brasileiro.


De acordo com o Presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, o sucesso do algodão brasileiro em 2025 está baseado nos 4 pilares que norteiam o trabalho da Abrapa. "Através da implementação estruturada de práticas voltadas à sustentabilidade, à rastreabilidade, à qualidade e à promoção, conduzidas de forma organizada por meio dos programas da Abrapa, a cadeia consolidou um posicionamento sólido e articulado, capaz de avançar de maneira consistente em conquistas e em agendas socioambientais estratégicas para o país”, avalia o presidente.


No encerramento do ano, apresentamos um balanço das principais conquistas dos últimos 12 meses nos quatro pilares estratégicos do algodão brasileiro e das perspectivas que se desenham para 2026.


Sustentabilidade: renovação com a BCI e participação na COP 30 foram destaques


Desde sua criação, em 2012, o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) orienta os cotonicultores a produzirem de acordo com rigorosos parâmetros de sustentabilidade socioambiental. Na safra 2024/2025, o ABR assegurou que 83% do algodão brasileiro fosse certificado segundo padrões internacionais de produção responsável, fortalecendo o posicionamento e o reconhecimento no mercado global.


Para dar continuidade a esse sucesso, o programa começou 2025 renovando a sua parceria com o Better Cotton Institute (BCI), benchmark que garante que o certificado BCI chegue às fazendas brasileiras e leve o algodão nacional para os clientes mais exigentes da indústria global.


A participação da Abrapa na COP30 também contribuiu para projetar o algodão brasileiro no cenário internacional. O gerente de Sustentabilidade da entidade, Fábio Carneiro, destacou o alcance das práticas responsáveis adotadas no país e apresentou o algodão como uma alternativa natural às fibras sintéticas na indústria têxtil, hoje entre as maiores fontes de poluição por microplásticos.


Qualidade: atuação em conjunto com as associações estaduais


Em 2025, a Abrapa realizou seis workshops de qualidade em municípios de Goiás, Bahia e Mato Grosso, capacitando 1.440 profissionais envolvidos em toda a cadeia a produtiva. A entidade também realizou treinamentos nos estados produtores para inspetores de Unidade de Beneficiamento de Algodão (UBA) e de algodão em pluma, que atuam nos laboratórios de análise de todo o Brasil, uma prerrogativa do terceiro pilar do Standard Brasileiro HVI (SBHRVI), focado em capacitação e difusão de conhecimento.


Em 2026, o Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA) completará dez anos de atuação voltada à padronização de laboratórios. Apenas em 2025, mais de 14 milhões de fardos foram analisados pelos laboratórios, gerando dados que passam a integrar as informações no Sistema Abrapa de Identificação, o programa mais antigo de rastreabilidade do algodão brasileiro.


Rastreabilidade: SouABR lança política de adesão ao mercado


Lançado em 2021, o SouABR é o programa de rastreabilidade da Abrapa que assegura transparência em toda a cadeia de custódia do algodão brasileiro. Por meio de um QR Code aplicado às peças, o consumidor final tem acesso a informações completas sobre a origem e a trajetória do produto, da semente ao guarda-roupa.


Em 2025, o programa avançou com o lançamento de sua política de adesão, possibilitando que qualquer marca que atenda aos requisitos estabelecidos ofereça rastreabilidade em suas peças, assegurando o acesso aos dados da cadeia produtiva e ampliando a transparência do setor.


Sou de Algodão: movimento completa 10 anos em 2026


A trajetória do algodão também foi destaque no São Paulo Fashion Week 2025, por meio do movimento Sou de Algodão. O desfile reuniu seis estilistas de renome da moda brasileira para traduzir, nas passarelas, a importância da rastreabilidade e a conexão entre o consumidor e as histórias das milhares de pessoas que trabalham na cadeia produtiva.


“O público da moda está cada vez mais exigente em relação à origem e aos processos de produção do que consome. Nesse cenário, a rastreabilidade confere ainda mais credibilidade ao algodão brasileiro, tanto no mercado interno quanto no exterior”, afirmou a diretora de Relações Institucionais da Abrapa e gestora do movimento Sou de Algodão, Silmara Ferraresi.


Em 2026, o movimento que foi lançado na SPFW para unir a cadeia produtiva e têxtil e estimular o uso do algodão brasileiro completa 10 anos. "O Sou de Algodão mostra como o algodão é importante para o Brasil e o mundo através da comunicação, ações e campanhas. Nesses 10 anos, dialogamos com pessoas cada vez mais preocupada com origem, qualidade e sustentabilidade daquilo que consome", analisa a diretora.


Cotton Brazil amplia diálogo em defesa da fibra natural


No comércio exterior, 2025 consolidou o Brasil como líder global do algodão ao unir escala, competitividade e sustentabilidade. O país é o terceiro maior produtor mundial e o primeiro exportador desde 2024, respondendo por 33% das exportações globais.


Na safra 2024/2025, foram embarcadas 2,8 milhões de toneladas, gerando US$ 4,8 bilhões em receita. O Brasil ampliou sua participação em todos os principais mercados importadores, com destaque para Índia, Egito e Paquistão.


Esse desempenho é impulsionado pelo projeto setorial Cotton Brazil, responsável por orientar a estratégia internacional do setor. O diretor de relações internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, explicou que o próximo ano será essencial para a manutenção do mercado conquistado. Segundo ele, “Em 2026 e 2027, o Cotton Brazil terá como foco a defesa de mercado, o fortalecimento da imagem e a expansão do consumo frente às fibras sintéticas. Para isso, continuamos priorizando os dez maiores compradores do algodão brasileiro, responsáveis por 96% das importações mundiais, mas expandimos nossas ações voltadas ao varejista e ao consumidor final, que se concentram na Europa e Estados Unidos".


Congresso Brasileiro de Algodão (CBA) acontece em Belo Horizonte em 2026


A organização do CBA 2026 já está em andamento. O tema da sua próxima edição será “Algodão Brasileiro: Fibra Natural, uma jornada com propósito, qualidade e transparência”. O evento está marcado para setembro de 2026, na cidade de Belo Horizonte, e tem expectativa de público recorde.


Neste ano, a 14ª edição do CBA, que aconteceu em 2024, ganhou o primeiro lugar no Prêmio Caio, na categoria que reconhece os melhores congressos nacionais. O Prêmio Caio é comparado ao “Oscar” dos eventos no Brasil.


Segundo o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, o reconhecimento concedido ao 14º CBA simboliza um marco na trajetória do Congresso e reflete o protagonismo alcançado pelo algodão brasileiro no cenário internacional. “Além de conquistarmos a liderança nas exportações globais, o CBA registrou o maior público de sua história. Essa premiação consolida esse momento histórico vivido pela Abrapa”, afirmou.


 


 

 

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Parceria entre Abrapa e BCI é renovada até 2028

Com a extensão da parceria entre as instituições, unidades produtivas certificadas pelo ABR podem continuar aderindo ao Better Cotton Initiative (BCI)  

20 de Dezembro de 2025

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e a Better Cotton Initiative (BCI) anunciaram a renovação do acordo de benchmark entre o Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e o Better Cotton Standard System (BCSS) até 2028. O alinhamento, que antes era válido até 2025, garante a continuidade da parceria estratégica iniciada em 2014. 


Com a renovação, os produtores brasileiros poderão continuar fornecendo volumes significativos de algodão licenciados pela BCI durante os próximos dois anos. De acordo com o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, “A parceria reconhece o compromisso do programa ABR com a responsabilidade socioambiental e garante que o país siga como um dos maiores e mais influentes polos produtores de algodão do mundo".  


Sustentabilidade como diferencial competitivo  


Criado para certificar as propriedades que produzem adotando as melhores práticas de sustentabilidade, o ABR estabelece 180 itens de verificação que incluem gestão correta de recursos naturais, condições de trabalho adequadas, conformidade legal e implementação de práticas de melhoria contínua. O programa é conduzido pela Abrapa em parceria com as associações estaduais, que orienta os produtores em todas as etapas do processo. 


De acordo com o presidente da Abrapa Gustavo Piccoli, o programa se tornou um diferencial competitivo para os produtores brasileiros tanto no mercado internacional quanto no nacional. “O mundo quer saber como nosso algodão é produzido. Com o ABR, mostramos que o Brasil está preparado para liderar a oferta de uma fibra responsável, segura e alinhada aos padrões de sustentabilidade”, explicou.  


Renovação é positiva para os produtores, afirma presidente da Abrapa 


Para Piccoli, “O objetivo das duas instituições com a prorrogação é reafirmar o compromisso com a promoção de práticas sustentáveis, rastreáveis e de alta qualidade para consolidar o Brasil como referência internacional em produção responsável de algodão”. Piccoli também afirmou que essa é uma parceria benéfica para os produtores. “É muito importante para o produtor brasileiro que o nosso algodão tenha uma certificação internacional como a da BCI, é papel da Abrapa disponibilizar esta opção ao cotonicultor”.  

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Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa -   19/12/2025

ALGODÃO PELO MUNDO #50/2025     

19 de Dezembro de 2025

Destaque da Semana - Congresso aprova pacote subsídio emergencial imediato de US$ 1 bilhão aos cotonicultores americanos. Enquanto isso, o mercado global de algodão segue pressionado, com o Índice A (média de preços na Ásia) em torno de 73 U$c/lb, patamar mais baixo desde 2020.


Canal do Cotton Brazil - Quer se manter atualizado sobre o mercado de algodão no mundo? Participe: https://bit.ly/Canal-CottonBrazil.


Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 18/dez cotado a 65,66 U$c/lp (-0,62% vs. 11/dez). O contrato Dez/26 fechou em 67,15 U$c/lp (-0,68% vs. 11/dez).


Basis Ásia - O Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 682 pts para embarque Jan/Fev-26 (Middling 1-1/8"; 31-3-36), fonte Cotlook 18/dez/25.


Altistas 1 - Os preços domésticos na China (CC Index perto de 97 U$c/lb) seguem com prêmio relevante sobre o algodão importado, mesmo após quedas recentes no Índice A. Esse diferencial mantém o algodão estrangeiro competitivo para as fiações chinesas, especialmente em lotes de melhor qualidade.


Altistas 2 - As importações de algodão pela China em nov/25 deram um salto para 120 mil tons (35% sobre mês anterior e 11% sobre ano anterior), sendo o maior número mensal desde jan/2024.


Altistas 3 - A China também importou em nov/25 150 mil tons de fios de algodão, maior número mensal desde dez/24. A melhora simultânea nas compras de fio e de pluma indica uma recuperação gradual da atividade têxtil na China.


Altistas 4 - ABRAPA projeta produção brasileira em torno de 3,83 milhões tons em 2026, 10% abaixo da colheita de 2025.


Altistas 5 - Em vários mercados asiáticos de fio (como Vietnã e Índia), há sinais de leve melhora no ritmo de negócios, com alguns aumentos marginais de preços e pequenos ganhos de margem.


Altistas 6 - As fibras sintéticas perderam competitividade relativa na China: o preço do poliéster recuou para cerca de 41% do valor do algodão, menor relação desde out/23.  Essa compressão limita o espaço para novas substituições de algodão por fibras químicas no curto prazo.


Baixistas 1 - Pacote de ajuda emergencial dos EUA destina cerca de US$ 1 bilhão ao algodão, o que equivale a algo próximo de 14-15 US$c/lb (US$ 5 por arroba de pluma) para o produtor americano – um colchão de renda que tende a sustentar área, manter oferta elevada e atuar como fator baixista para os preços no médio prazo.


Baixistas 2 - A posição dos fundos em NY continua fortemente vendida: especuladores ainda carregam mais de 61 mil contratos líquidos vendidos, mesmo após recompras recentes.


Baixistas 3 - A projeção de consumo mundial de algodão para 2025/26 foi reduzida novamente, para cerca de 25 milhões tons, com recuo concentrado em Índia, Turquia e Vietnã.  O relatório da Cotlook destaca que a produção segue superior ao consumo, mantendo a tendência de estoques em alta.


Baixistas 4 - Apesar de não terem sido divulgados os dados até a última semana de nov/25 ainda, as vendas externas dos EUA seguem modestas: na semana encerrada em 27/nov, as vendas líquidas de upland somaram cerca de 136 mil fardos, 7-8% abaixo da semana anterior e bem abaixo da média de quatro semanas.


Baixistas 5 - Há um grande volume de algodão não vendido ou não fixado nas mãos de produtores e traders, o que tende a gerar forte pressão de venda acima de 66-67 U$c/lb (basis Mar/26). Esse “teto” de oferta limita o potencial de ralis mais longos em NY no curto prazo.


Baixistas 6 - A política tarifária entre EUA e China continua pesando sobre o sentimento do setor: a Cotlook destaca que, desde o início de 2025, o Índice A oscilou em faixa estreita, mas sob tendência de queda associada ao impasse nas negociações comerciais. Sem sinais claros de acordo ou de estímulos ao consumo, o risco é de que os preços permaneçam deprimidos por mais tempo.


Oferta - A Cotlook elevou sua estimativa para a produção global de algodão em 2025/26 para 26,016 milhões tons (+410 mil tons), com aumento puxado principalmente pela China, onde a produção foi revisada para cerca de 7,7 milhões tons.


Demanda - A Cotlook revisou sua estimativa de consumo global de algodão em 2025/26 para 25,046 milhões tons (-1,8% vs 2024/25). Diante da maior produção, os estoques globais poderão subir 970 mil tons até o mesmo período de 2026.


China - A produção 2025/26 foi revisada para cerca de 7,7 milhões tons, após confirmação de produtividade acima do esperado em Xinjiang. Colheita e beneficiamento estão praticamente concluídos.


EUA 1 - As vendas e embarques de algodão americano seguem em ritmo moderado, com pouco apetite adicional de compradores chave (Vietnã, China, Paquistão), o que mantém basis mais baixo e parte da safra ancorada no programa de empréstimo (loan) do governo.


EUA 2 - Farmer Bridge Assistance (FBA): anúncio de novo apoio pontual à safra 2025; estimativas do farmdoc indicam taxa de US$ 115/acre para o algodão, o que equivale a cerca de 14-15 US$c/lb (US$ 5 por arroba) para o produtor americano.


EUA 3 - Calendário de recebimento: segundo o USDA, os pagamentos do FBA serão calculados sobre as áreas de 2025 declaradas ao FSA até 19 de dezembro de 2025 e deverão ser depositados até 28 de fevereiro de 2026, injetando caixa relevante no pós-colheita da safra 2025


EUA 4 - Com as recentes quedas nos preços internacionais, o montante que o produtor americano recebe de subsídio do “Loan” subiu para cerca de 200 pts. Com esse subsídio maior, o produtor dos EUA tende a aceitar bids mais baixos no físico, dando espaço para os tradings reduzirem os prêmios pagos e aumentando a pressão de baixa sobre o basis do algodão americano nas exportações.


Vietnã - A projeção de consumo foi reduzida para 1,6 milhão tons em 2025/26, refletindo margens apertadas nas fiações e exportações de vestuário mais fracas que o desejado. O Vietnã segue empatado com o Paquistão como quinto maior comprador da safra brasileira 2025/26 até nov/25.


Bangladesh - O consumo projetado recuou levemente para 1,7 milhão tons em 2025/26, ainda um dos maiores da Ásia, mas abaixo de anos de pico. As fiações seguem comprando algodão “aos poucos”, mantendo estoques enxutos por conta da combinação de pedidos incertos de confecção, custo financeiro elevado e competição de fios importados mais baratos.


Índia - A estimativa de consumo caiu para 5,23 milhões tons em 2025/26, enquanto o país explora intensamente a janela de importação com tarifa reduzida (até 31/dez).


SIGA 1 - A Abrapa lançará o Sistema Integrado de Gestão do Algodão (SIGA) a partir de 15/jan, plataforma digital que centralizará o acesso a todos os programas do algodão brasileiro, desenvolvida em parceria com as associações estaduais.


SIGA 2 - O sistema marcará um novo passo na modernização da gestão, rastreabilidade e sustentabilidade da cotonicultura nacional. O acesso será feito por siga.abrapa.com.br com as mesmas credenciais existentes, mantendo também o link antigo durante a transição.


Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 214 mil tons no acumulado das duas primeiras semanas de dez/25. A média diária de embarque é 27,4% maior em relação a dez/24.


Beneficiamento 2024/25 - Até o dia de ontem (18/12) foram beneficiados nos estados da BA (97%), GO (100%), MA (84%), MG (99%), MS (100%), MT (91%), PI (100%), PR (100%) e SP (100%). Total Brasil: 92,63%.


Plantio 2025/26 - Até o dia de ontem (18/12) foram semeados nos estados da BA (52%), GO (45%), MG (60%), MS (40%), MT (1%), PI (38,9%), PR (100%) e SP (65%). Total Brasil: 13,76%.


Preços - Consulte a tabela de cotações e diferenciais abaixo:


Quadro de cotações para 18 -12


Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

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ABRAPA lança o SIGA, nova plataforma digital que integra os programas do algodão brasileiro

Sistema unifica acesso a iniciativas de sustentabilidade, rastreabilidade e qualidade, simplificando a adesão aos programas ABR, licenciamento Better Cotton e SAI

18 de Dezembro de 2025

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) lançará, a partir de 15 de janeiro, o Sistema Integrado de Gestão do Algodão (SIGA), uma nova plataforma digital que passa a centralizar o acesso a todos os programas do algodão brasileiro. Desenvolvido em conjunto com as associações estaduais que integram a Abrapa, o SIGA marca um novo passo na modernização da gestão, da rastreabilidade e da sustentabilidade da cotonicultura nacional.


De acordo com o gerente de tecnologia da informação da Abrapa, Eberson Terra, “O SIGA está sendo construído de forma colaborativa, ouvindo representantes de todos os envolvidos e principalmente as associações estaduais. Nosso objetivo é garantir uma experiência unificada em que a jornada seja fácil e rápida para suprir as necessidades diárias dentro da cadeia do algodão brasileiro de cada usuário.”


Para reforçar o compromisso da Abrapa com a inovação, a sustentabilidade e a rastreabilidade, pilares que sustentam a reputação do algodão brasileiro no mercado nacional e internacional, o sistema terá uma interface mais simples, intuitiva e integrada, reunindo em um único ambiente os sistemas da Abrapa que acompanham a jornada do algodão do plantio ao beneficiamento.


O acesso poderá ser feito pelo endereço siga.abrapa.com.br, utilizando o mesmo usuário e senha já existentes. Durante um período de transição, também será possível acessar o sistema pelo link antigo (sistemas.abrapa.com.br).


“O SIGA é um novo caminho para o algodão brasileiro. Ele conecta todos os programas da Abrapa em um só lugar, facilita processos e reforça a transparência e a eficiência da gestão setorial”, destacou o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli.


Adesão ao ABR e ao Better Cotton passa pelo SIGA


A partir da safra 2025/2026, a adesão aos programas Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e Better Cotton (BCI) será realizada exclusivamente pelo SIGA. O sistema também será o meio utilizado para que os produtores e responsáveis pelo ABR possam optar por adiar a adesão ou acompanhar, em tempo real, o status de cada fazenda habilitada.


Entre as principais novidades do novo sistema estão:


-  Adesão em grupo, sem necessidade de convites individuais;


- Visualização de todas as fazendas vinculadas ao perfil do produtor, com acompanhamento do status de liberação conforme a associação estadual;


-  Possibilidade de aderir ou pular a adesão até o início do beneficiamento;


-  Ambiente único e integrado, que torna o processo mais rápido e organizado.


Em caso de dúvidas sobre acesso ou navegação, a equipe da Abrapa está à disposição para prestar suporte aos usuários.


Dúvidas sobre o sistema: TI da Abrapa (61) 3028-9700


Dúvidas sobre a adesão do ABR e BCI: entre em contato com a sua associação estadual ou em sustentabilidade@abrapa.com.br

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Pressão por rastreabilidade e impacto climático leva setor têxtil a reforçar governança e gestão de riscos

Com certificação B, novos comitês internos e adoção das normas IFRS S1 e S2, Lunelli, Lupo e Renner sinalizam maturidade crescente na gestão de impactos e transparência da indústria têxtil

18 de Dezembro de 2025

Valor Econômico

Por Naiara Bertão, Prática ESG — São Paulo

Com a pressão crescente por responsabilidade socioambiental sobre o setor da moda, grandes companhias brasileiras vêm ampliando esforços em governança, mensuração e transparência. As iniciativas vão desde a busca por certificações independentes e a revisão de processos internos até a adoção de padrões internacionais de divulgação financeira relacionados à sustentabilidade. Lunelli, Lupo e Lojas Renner S.A. estão entre os exemplos mais recentes desse movimento, que indica uma tentativa de fortalecer a gestão de riscos, impactos e compromissos ESG (sigla em inglês para questões ambientais, sociais e de governança corporativa).

A Lojas Renner foi a primeira varejista do mundo e uma das duas companhias abertas no Brasil a adiantar a publicação do Relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade, primeira divulgação em conformidade com as normas internacionais IFRS S1 e S2. As normas, equivalentes no Brasil aos pronunciamentos CBPS 01 e 02, exigem divulgação estruturada de riscos, métricas e impactos climáticos com auditoria externa. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) passará a exigir das empresas listadas na bolsa de valores brasileira (B3) o documento a partir do exercício social de 2026, com reporte em 2027. Até então, a publicação é voluntária e, além da Renner, apenas a mineradora Vale divulgou seu relatório este ano, e a B3, a bolsa de valores do país, anunciou recentemente que vai publicar no ano que vem com dados de 2025.

Para a Renner, a antecipação foi encarada como uma oportunidade de avaliar suas práticas e onde ainda pode avançar. “É claro que ser o primeiro significa não ter referência sobre como fazer. Mas vimos que poderia ser mais positivo do que negativo adiantar o relatório”, conta Regina Frederico Durante, vice-presidente de Gente, Sustentabilidade e Relações Institucionais da Lojas Renner S.A..

Ela conta que desde 2011 a empresa publica anualmente o relatório de sustentabilidade seguindo o padrão do GRI e já incorporou, ao longo do tempo, outros frameworks de divulgação de informações ESG, como do SASB e da Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD). Contudo, as exigências do IFRS S1 e S2 vão além do habitual e exigem um esforço duplo, de mapeamento e análise de risco, sob o ponto de vista de sustentabilidade e financeira.

Eduardo Ferlauto, diretor de Sustentabilidade da Renner, explica que o diagnóstico e as escutas de stakeholders levaram quase um ano. “Já tínhamos mapeado, desde 2022, o impacto das ondas de calor e inundações pela metodologia do TCFD, mas faltava materialidade financeira”, conta.

Por exigir dados e análises que extrapolam o Financeiro e a Sustentabilidade, foi necessária uma conexão com outras áreas da companhia, como Controladoria, Riscos, Governança Corporativa, Planejamento Financeiro e Relações com Investidores (RI). “O IFRS é um novo paradigma para o valuation das empresas. É importante ter claro como [a gestão de riscos e oportunidades ligadas a clima e sustentabilidade] se conecta à estratégia de negócio”, diz Ferlauto. A metodologia seguiu o COSO Enterprise Risk Management (ERM) 2017, um padrão de gestão de riscos corporativos que foca na integração da gestão de riscos com a estratégia e o desempenho para criar valor à empresa.

O executivo comenta que tanto a decisão de se antecipar em relação ao mercado quanto o documento final passou pela validação de comitês internos de Auditoria, Gestão de Riscos e Sustentabilidade e também pelo Conselho de Administração. A empresa também contratou a EY pra fazer a auditoria externa. “A governança é importante para dar segurança e para permitir que seja feita uma integração entre a estratégia de sustentabilidade e a estratégia da companhia”, comenta Ferlauto.

Os resultados mostram impacto financeiro líquido positivo de R$ 100 milhões em 2024, mesmo diante de eventos climáticos extremos. Em dez anos, a projeção da Renner é de geração de caixa de R$ 191 milhões a R$ 217 milhões. Os ganhos vêm principalmente do consumo de energia renovável de baixo impacto e do aumento das vendas de produtos mais sustentáveis.

A análise de riscos climáticos identificou ameaças como inundações, ondas de calor, incêndios florestais e secas. Ao mesmo tempo, mapeou oportunidades ligadas à demanda crescente por produtos responsáveis, ao uso de energia renovável e a novas tecnologias. O plano de transição para matérias-primas de menor impacto inclui projeções de receitas e custos associados.

Por outro lado, entre as oportunidades encontradas estão o uso de energia renovável e a venda de produtos mais sustentáveis. Juntos, essas duas frentes têm o potencial de impacto positivo entre R$ 424 milhões e R$ 488 milhões no fluxo de caixa operacional, sem descontar os impostos. A Renner já opera com 100% de energia renovável - desde 2021, contratada via mercado livre de energia - solar, eólica e pequenas centrais hidrelétricas (PCH) - o que gerou, em 2024, uma economia de 24% em relação à energia convencional.

Para ampliar seu portfólio de produtos sustentáveis, porém, a empresa precisou fortalecer a governança da agenda ESG. Algumas metas colocadas lá atrás já foram concluídas entre 2018 e 2021 e novos compromissos foram firmados até 2030, distribuídos em três pilares: soluções climáticas, circulares e regenerativas; conexões que amplificam; e relações humanas e diversas. Regina, VP de Sustentabilidade, reforça que engajar toda a cadeia de fornecimento segue sendo um dos maiores desafios do setor.

“A tecnologia e a inovação desempenham um papel estratégico na gestão da sustentabilidade em nossa empresa”, conta a executiva. A incorporação da inteligência artificial, por exemplo, tem sido “decisiva”, segundo ela, para fortalecer a governança. “Automatizamos e digitalizamos processos, aumentamos a precisão na gestão de riscos e otimizamos recursos, trazendo mais transparência.” ​

Além de contar com o alto nível de automação no centro de distribuição e lojas, a companhia investiu em tecnologias para fazer a gestão de perto da cadeia de sua cadeia de fornecedores. ​A empresa desenvolveu um modelo preditivo que alcança 63% de assertividade na identificação de não conformidades críticas, elevando a eficiência e a maturidade ESG da cadeia produtiva. “Além disso, estamos implementando uma ferramenta de rastreabilidade para obter transparência de todo o nosso processo produtivo", completa.

Ao longo dos últimos cinco anos, a Renner tem investido em melhorar seus processos de monitoramento e desenvolvimento da cadeia de fornecimento sob a ótica das melhores práticas de sustentabilidade, de acordo com a executiva. Entre os resultados citados estão o rastreamento de 53,5 milhões de peças de vestuário, que representam 28,2% do volume de compras global. Ao aumentar em 50% a eficiência no processo de monitoramento​ da cadeia produtiva, também conseguiu acelerar a verificação dos fornecimento sob a ótica das melhores práticas de sustentabilidade, de acordo com a executiva. Entre os resultados citados estão o rastreamento de 53,5 milhões de peças de vestuário, que representam 28,2% do volume de compras global. Ao aumentar em 50% a eficiência no processo de monitoramento​ da cadeia produtiva, também conseguiu acelerar a verificação dos fornecedores frente aos requisitos ESG.

O engajamento dos fornecedores também aumentou na qualificação online oferecida pela companhia e, ao menos 70% deles usam sistemas automáticos para disponibilizar informações. “Quase metade dos fornecedores - 48,3% - já disponibilizam inventários GHG Escopo 1 e 2 diretamente na nossa plataforma digital​”, conta.

A varejista incentiva os fornecedores a inovarem, seja em pesquisa de fios menos poluentes como alternativas aos de fontes fósseis ou em novas ideias de economia circular para lidar com resíduos industriais e no pós-consumo. O algodão, uma das principais matérias-primas da indústria têxtil, apesar de ser natural, sofre com o aquecimento do planeta, o que tem obrigado as empresas a buscar alternativas em fibras naturais. Além disso, é uma cultura que demanda muita água - em muitos casos, irrigação intensiva - e depende de fertilizantes sintéticos.

Segundo os dados do relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade apresentado pela empresa, em 2024, a Renner consumiu 19,5 mil toneladas de algodão (dos quais 97% certificados), 10,4 mil toneladas de poliéster (2,6% certificados) e 6 mil toneladas de viscose (94% certificados).

O custo das matérias-primas é, no longo prazo, o maior efeito negativo no fluxo de caixa, representando entre R$ 148 milhões e R$ 172 milhões adicionais em 10 anos. Inundações e ondas de calor podem trazer prejuízos entre R$ 88 milhões a R$ 99 milhões no mesmo período, calcula a empresa.

A aposta da indústria tem sido em programas de algodão orgânico e certificado segundo boas práticas socioambientais - como é o caso da Better Cotton Initiative (BCI). “O Brasil hoje é um grande celeiro do algodão, ao lado de Índia e China, mas podemos nos deparar com um cenário de escassez. Por isso, precisamos pensar estratégias para blindar o negócio, tanto olhando pela ótica dos riscos, quanto das oportunidades”, comenta Ferlauto. Ele cita projetos com algodão agroflorestal e ecológico. A companhia também faz parte de um programa da _Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) de rastreabilidade do algodão, o Sou de Algodão_, conjunto com outras varejistas e marcas de roupas.

Hoje, 70% das peças vendidas nas lojas Renner são produzidas no Brasil. Nos últimos anos, o grupo seguiu um movimento chamado de nearshoring, que traz a produção mais próxima do mercado consumidor por uma questão de custo e maior controle.

Selo B como um diferencial competitivo

A Lunelli, gestora das marcas de produtos têxteis Lunender, Lunelli Malhas e Tecidos, Lez a Lez, Alakazoo, Hangar 33, Fico e Vila Flor e cujo faturamento bateu R$ 1,6 bilhão em 2024, conquistou em 2025 a Certificação Sistema B, reconhecido globalmente por avaliar não apenas desempenho ambiental e social, mas também governança e transparência. O selo — administrado pelo B Lab — analisa cinco pilares: Governança, Trabalhadores, Comunidade, Meio Ambiente e Clientes. A Lunelli é o segundo grupo têxtil brasileiro com mais de miil colaboradores a obter o reconhecimento.

“Passamos a fazer parte de um seleto grupo, que integra um movimento global de transformação, composto por negócios que colocam as pessoas e o planeta no centro das decisões, e que atuam de forma colaborativa para gerar impacto positivo e duradouro”, comenta Viviane Cecilia Lunelli, presidente da Lunelli. A companhia também participa do Pacto Global da ONU no Brasil.

Segundo a executiva, essa conquista só foi possível pelo engajamento dos funcionários, fornecedores e outros parceiros. “Assim como nós, eles acreditam na força da construção coletiva e na evolução contínua do nosso setor”, acrescenta. O grupo tem quase 5 mil funcionários, 46 lojas (13 lojas próprias) e, em 2024, produziu aproximadamente 26,5 milhões de peças.

Os princípios do movimento B foram traduzidos internamente em um modelo de gestão, com destaque para a sustentabilidade econômica, geração de emprego e renda e produção com menor impacto ambiental. A companhia compra algodão com certificação Better Cotton e, desde 2018, usa em suas peças “viscose responsável”, tecido que utiliza a fibra ecológica Lenzing EcoVero, extraída da madeira e produzida com menos água.

Em seu relatório de sustentabilidade mais recente, consta uma série de ações para reduzir desperdícios, como, por exemplo, a transformação do resíduo têxtil em novas fibras para a fiação e reincorporação no processo produtivo. Foram implementadas tecnologias de lavagem que reduzem entre 20 e 30% no consumo de água - no jeans, por exemplo, a etapa de lavagem usa hoje apenas um copo de 250 ml de água, redução de 99% em relação ao processo convencional. O restante da água é reutilizada após tratamento.

O grupo optou ainda pelo uso de corantes reativos bi-funcionais de baixo impacto ambiental e a etapa de amaciamento por nebulização, aumentando a durabilidade das peças. “Também aplicamos laser para fazer os efeitos de “desgaste” do jeans, substituindo o processo de lavanderia com água e produzindo uma peça com técnicas mais limpas e livres de produtos químicos”, traz o relatório. Em 2024, conseguiu reduzir em 19% o envio de resíduos a aterros sanitários.

Na pauta social, mais de R$ 1,4 milhão foi investido, em 2024, em projetos sociais relacionados ao cuidado da pessoa idosa, criança e adolescente, incentivo ao esporte e cultura, entre doações, patrocínios e incentivos fiscais. Tudo isso contou para a obtenção do Selo de Empresa B.

Reforço na governança para avançar mais rápido

Há dois anos e meio na Lupo, após atuar como fornecedor da empresa por mais de 25 anos, Vinicius Morbeck, diretor Industrial e coordenador de Sustentabilidade do grupo, tem liderado a estruturação de uma governança mais ampla voltada a práticas ESG, com a criação de sistemas formais, comitês e rotinas permanentes de acompanhamento.

Ainda que o grupo já mantinha iniciativas socioambientais próprias e parcerias anteriores à sua chegada, agora os processos estão mais formalizados. Hoje, a companhia conta com um comitê de ESG, envolvendo representantes de fábrica, jurídico e Recursos Humanos, e grupos expandidos com representantes de outras áreas. A empresa montou “minicomitês temáticos”, de químicos a comunidades, responsáveis por levantar riscos, impactos e necessidades de investimento. As atualizações são apresentadas periodicamente à diretoria e à presidência.

“Tenho delegado pessoas para conversar com cada grupo. São reuniões focadas no tema, consolidando tudo e acompanhando as ações”, explica o executivo. As atualizações são levadas à diretoria e ao presidente, especialmente quando há necessidade de dinheiro. A cada três meses, o comitê administrativo revisa os avanços, dificuldades e define próximos passos.

As metas de sustentabilidade foram reorganizadas com ajuda da consultoria Ricca, com foco em dupla materialidade. “Foi um grande divisor de águas para a gente”, diz Morbeck. O trabalho considerou três empresas de referência no setor têxtil, avaliou impactos, riscos e questões financeiras e resultou na divisão do plano em 11 grupos temáticos, com frentes ambientais, sociais e de governança.

No pilar ambiental, por exemplo, a Lupo trabalha com redução de resíduos, água e emissões de CO₂, com objetivos robustos para 2030. No social, o foco é inclusão e diversidade em todas as unidades — no Brasil e no Paraguai — respeitando as particularidades locais. Em governança, a prioridade é integrar riscos ao negócio, incluindo financeiros e socioambientais, criando planos de mitigação. “Cinquenta por cento do nosso plano está no ambiental; 30% a 35% no social e 15% em governança de riscos integrados ao negócio”, detalha.

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Presidente da Abapa representa a cotonicultura na inauguração da nova sede da ApexBrasil

A cerimônia também celebrou a abertura de 500 novos mercados internacionais

17 de Dezembro de 2025

Convidada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) para representar o setor algodoeiro, a presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Alessandra Zanotto Costa, participou da solenidade de inauguração da nova sede da ApexBrasil, realizada nesta segunda-feira (15), em Brasília. A cerimônia também celebrou a abertura de 500 novos mercados internacionais entre 2023 e 2025 e teve presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do vice e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, dentre outras autoridades. A nova sede da ApexBrasil foi concebida como um espaço integrado à cidade. Com cerca de 17 mil metros quadrados, sua localização é estratégica próxima, ao Parque da Cidade, em Brasília.


Em seu discurso, Alessandra afirmou falar “como quem vive o campo no dia a dia, conhece os riscos da atividade e entende que produzir bem é apenas parte do desafio”. Para a presidente da Abapa, o papel da ApexBrasil é estratégico. “O produtor brasileiro produz com qualidade, eficiência e responsabilidade, mas produzir bem não é suficiente. O verdadeiro desafio é transformar produção em mercado, mercado em valor e valor em desenvolvimento. É exatamente nesse ponto que a ApexBrasil é fundamental”, afirmou. Como exemplo, a presidente da Abapa citou o Cotton Brazil como um catalisador das exportações da fibra, afirmando que o projeto setorial desenvolvido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), pela Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e pela ApexBrasil, ilustra uma bem-sucedida iniciativa de promoção internacional.


A presidente da Abapa também reconheceu o trabalho dos adidos agrícolas, embaixadores e equipes diplomáticas brasileiras na abertura e manutenção de mercados, além de iniciativas como o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), da ApexBrasil, que prepara empresas e cadeias produtivas para atuar no comércio internacional.


Mais do que cifras 


A dirigente ressaltou o papel do algodão como uma fibra alinhada às demandas contemporâneas. “O algodão é natural, biodegradável, reciclável e não polui oceanos, animais ou pessoas com microplásticos. Existe uma história e um compromisso por trás de cada camiseta e de cada calça jeans, e precisamos comunicar isso cada vez mais ao consumidor”, afirmou, destacando também a importância da ApexBrasil nesse processo de conscientização. Alessandra fez questão de ressaltar o papel da Bahia nessa trajetória. No Oeste baiano, a cultura foi vetor de desenvolvimento regional, estruturando uma cadeia moderna, competitiva e sustentável, construída com diálogo institucional e uma relação madura com o Governo do Estado.


Alessandra chamou atenção para a importância de fortalecer a indústria nacional, especialmente o setor têxtil, como forma de agregar valor à produção. Segundo ela, o parque industrial brasileiro consome atualmente cerca de 750 mil toneladas de algodão por ano, com potencial para alcançar 1 milhão de toneladas. Ao final do evento, a presidente teve a oportunidade de conversar com os ministros Favaro e Alckmin, enfatizando a importância de seguirem em frente – governo e iniciativa privada – em políticas públicas a favor das fibras naturais.


Superação


Durante o evento, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, destacou a trajetória de superação da cotonicultura brasileira e o papel dos produtores na reconstrução do setor após períodos de dificuldade. “Temos que agradecer aos empresários brasileiros que acreditaram que era possível voltar a produzir algodão depois do bicudo, melhorar a qualidade e transformar o produto em um dos mais exportados do mundo”, afirmou.


Em 2024, o Brasil se tornou o maior exportador mundial de algodão, respondendo por cerca de 33% das exportações globais. Para a safra 2024/2025, a expectativa é de embarques da ordem de 2,8 milhões de toneladas, com geração de aproximadamente US$ 4,8 bilhões em divisas. Já para 2025/2026, a projeção é superar 3 milhões de toneladas exportadas, com receitas acima de US$ 5 bilhões. Atualmente, o setor atua de forma estruturada em dez mercados prioritários, que concentram 96% das importações globais da fibra, com crescimento da participação brasileira em todos eles desde 2019, incluindo destinos como Índia e Egito.


Novos mercados


Para o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, a maior força da Agência está na atuação direta do governo federal na promoção internacional do País. “A estratégia de inserção global passou por uma mudança de rumo, com a retomada do diálogo com diferentes países e líderes globais, fortalecendo a imagem do Brasil no exterior”, argumentou. Já o presidente da República ressaltou que a abertura dos 500 novos mercados reflete o amadurecimento da relação entre o governo e o setor empresarial. “O que interessa é a qualidade daquilo que a gente está oferecendo. Não só de preço, mas também de qualidade. E é isso que a gente está fazendo”, afirmou.


Na mesma linha, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, avaliou que os novos mercados abertos comprovam a capacidade da exportação brasileira. “O empresário, do outro lado, compra um produto, faz o primeiro contêiner, vê que ele é bom, que chega na hora certa, que tem demanda e o Brasil aguenta suprir, e isso amplia o fruto desses 500 mercados”, garantiu. Já o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou os efeitos positivos da reforma tributária sobre o comércio exterior. Segundo ele, a desoneração total das exportações poderá elevar em até 17% o volume exportado pelo Brasil após sua implementação completa, conforme estudo do Ipea. Alckmin também projetou que o País deve alcançar recorde de US$ 345 bilhões em exportações neste ano.






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Abrapa lança campanha de adesão ao Programa ABR

16 de Dezembro de 2025

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) deu início à campanha de adesão ao Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) para a safra 2025/2026.


A iniciativa marca o começo de um novo ciclo para os produtores que desejam fortalecer suas práticas de sustentabilidade e comprovar o compromisso com uma cotonicultura responsável e transparente.


Nos próximos meses, a Abrapa vai divulgar, em seus canais oficiais, uma série de conteúdos educativos sobre o protocolo ABR — o padrão nacional de certificação socioambiental do algodão brasileiro.


As publicações vão abordar desde os benefícios da certificação até os principais mitos e dúvidas sobre o processo, incentivando mais fazendas a fazer parte dessa jornada.


Fique de olho e acompanhe as novidades da campanha!


5 motivos para aderir ao ABR




  1. Reconhecimento socioambiental
    O selo ABR comprova que sua fazenda segue práticas sustentáveis, respeitando o meio ambiente, as pessoas e a legislação trabalhista. É o padrão nacional de certificação do algodão responsável no Brasil.



  1. Valorização da produção
    O algodão certificado pelo ABR ganha credibilidade no mercado e agrega valor à fibra, fortalecendo a imagem do produtor e da cadeia produtiva como um todo.



  1. Acesso a mercados exigentes
    Ser ABR abre portas para compradores e marcas que priorizam matérias-primas rastreáveis e sustentáveis — dentro e fora do país.



  1. Gestão mais eficiente
    O processo de certificação estimula controles internos mais rigorosos, com indicadores de desempenho, uso racional de insumos, segurança e conformidade legal.



  1. Desenvolvimento regional
    Ao promover boas práticas sociais e ambientais, o ABR fortalece comunidades locais, gera empregos e impulsiona o crescimento sustentável do algodão brasileiro.


Como obter a certificação ABR




  1. Adesão


As associações estaduais filiadas à Abrapa orientam e acompanham todo o processo de adesão dos produtores. O corpo técnico oferece treinamentos e suporte para a formalização da participação no Programa ABR.




  1. Diagnóstico
    As associações aplicam o checklist prévio do Programa ABR para avaliar a conformidade da fazenda. Caso sejam identificados ajustes necessários, é elaborado um plano de correção com metas específicas a serem cumpridas.



  1. Auditoria independente
    As unidades produtivas passam por auditoria realizada por uma equipe independente, que verifica o cumprimento dos requisitos do protocolo e a veracidade das informações prestadas.



  1. Certificação e licenciamento
    Com o laudo positivo dos auditores, a fazenda recebe a certificação ABR. Além disso, ao atender requisitos adicionais, pode se qualificar para o licenciamento Better Cotton (BCI), ampliando o reconhecimento internacional da produção.


Produzir com responsabilidade é o caminho


A adesão ao Programa ABR é mais do que uma escolha técnica — é um compromisso com o futuro da cotonicultura brasileira. Dessa forma, o produtor contribui para uma cadeia mais justa, transparente e sustentável, fortalecendo a imagem do algodão brasileiro no mundo.


Quer saber mais sobre como participar?


Clique aqui para entrar em contato com a associação estadual de produtores de algodão da sua região e iniciar o processo de adesão ao Programa ABR.


Quem planta algodão com responsabilidade, colhe mais oportunidades.

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