Voltar

Exportações de algodão do Brasil devem crescer 10% na safra 2025/26, projeta Anea

Competitividade e ampliação de mercados internacionais impulsionam as vendas da pluma brasileira

09 de Dezembro de 2025

A exportação de algodão brasileiro deve registrar um crescimento de cerca de 10% na temporada 2025/26, segundo projeção da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea). A alta é sustentada pela competitividade do produto nacional, pela diversificação de mercados compradores e pelo avanço recente nas compras da Índia.


Brasil deve exportar 3,2 milhões de toneladas de algodão
De acordo com o presidente da Anea, Dawid Wajs, os embarques brasileiros — que consolidam o país como maior exportador mundial da pluma — devem alcançar 3,2 milhões de toneladas entre julho de 2025 e agosto de 2026.


Mesmo diante de um cenário de ampla oferta global e de redução das importações chinesas, o executivo avalia que o algodão brasileiro mantém vantagem competitiva.


“O prêmio do algodão brasileiro segue bastante competitivo no mercado internacional, com ótima aceitação nas indústrias têxteis estrangeiras. Teremos um ano promissor, com exportações superiores às da safra anterior”, destacou Wajs, em entrevista à Reuters.


Embarques reagem após início lento da safra
Segundo o presidente da Anea, as exportações começaram de forma mais lenta neste ciclo, em razão do atraso na colheita, mas já apresentam tendência de recuperação.


“Temos estoques importantes que precisarão ser exportados. O mercado está se ajustando e deve manter um ritmo de embarques crescente nos próximos meses”, explicou.


Atualmente, o Brasil responde por cerca de um terço do comércio mundial de algodão, à frente dos Estados Unidos, segundo maior exportador global. Entre os principais compradores do algodão brasileiro estão China, Vietnã, Bangladesh, Turquia e Paquistão.


Índia se destaca nas importações com política tarifária especial
Até outubro, a China liderou as compras da nova safra, com 122 mil toneladas, seguida pela Índia, com 106,3 mil toneladas.


O aumento das importações indianas, no entanto, é considerado pontual, influenciado por uma isenção temporária de impostos de importação sobre o algodão válido até 31 de dezembro deste ano.


“A Índia, que já representa 16% das exportações desta temporada, aproveitou um momento de preços baixos e demanda global reduzida”, afirmou Wajs.


Em novembro, exportações disparam 34%
Entre julho e outubro, o Brasil embarcou 677 mil toneladas de algodão, volume 7% menor que o registrado no mesmo período do ano anterior.


No entanto, os dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam uma forte recuperação em novembro, quando os embarques somaram 402 mil toneladas, um aumento de 34,4% em relação a novembro do ano passado.


Produção nacional ultrapassa 4 milhões de toneladas
Na safra 2024/25, a produção brasileira de algodão em pluma ultrapassou 4 milhões de toneladas, consolidando o país entre os maiores produtores do mundo. Desse total, cerca de 760 mil toneladas foram destinadas ao mercado interno, de acordo com dados da Anea.


Com estoques robustos, alta qualidade do produto e mercados diversificados, o Brasil deve seguir expandindo sua presença internacional e fortalecendo sua posição de liderança no comércio global da fibra.

Quer ficar por dentro de tudo
que acontece no Portal Abrapa?

assine nossa newsletter

Voltar

Na COP30, Abrapa debate sobre o algodão brasileiro como alternativa para a moda responsável

Head de sustentabilidade da C&A também participou da apresentação e destacou a parceria da marca no programa de rastreabilidade com a associação

14 de Novembro de 2025

Na última quarta-feira, 12/11, o gerente de sustentabilidade da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Fábio Carneiro, coordenou o painel “O algodão como opção natural e competitiva na matriz têxtil: campo e consumidor” na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30). A apresentação fez parte da programação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), no espaço AgriZone.


Produção têxtil com responsabilidade socioambiental


Durante a sua apresentação, Fábio Carneiro destacou que o uso de fibras sintéticas pela indústria aumenta anualmente, enquanto a do algodão tende a queda. Fábio explicou que somente no ano de 2024, a produção de tecidos sintéticos como o poliéster e o nylon, liberou 222 milhões de toneladas de gases poluentes de efeito estufa. No mesmo período, as emissões de origem em fibras naturais não chegaram a 34 milhões de toneladas, o que representou uma redução nas suas emissões em 0,51%, se comparado com 2023. Carneiro relacionou essa tendência ao baixo custo de produção dos tecidos sintéticos e à mudança nos hábitos de consumo.


O palestrante enfatizou outro dado relacionado ao uso da terra e à geração de empregos. O Brasil é atualmente o terceiro maior produtor de algodão do planeta e o maior exportar da pluma, utilizando uma área de cultivo correspondente a apenas 0,2% de todo território nacional e gerando aproximadamente 8 milhões de empregos diretos. “A cadeia têxtil do algodão gera 1,34 milhões de empregos diretos e 8 milhões indiretos, que vão desde as fazendas, fiações e confecções até o varejo. Isso sem contabilizar as ocupações vindas a beneficiamento do caroço, que é matéria-prima para a produção de óleo de cozinha, biodiesel e ração”, afirmou Carneiro.


O gerente citou a presença das novas gerações no campo como um vetor de inovação tecnológica que torna a produção do algodão mais eficiente, reduzindo expressivamente o consumo de insumos nas lavouras atuais. “Quando você chega nas fazendas, você vê caras novas, pessoas jovens querendo mostrar com tecnologia e inovação os resultados na fazenda”, ressaltou.


Transparência e parceria


A convite da Abrapa, a head de sustentabilidade e comunicação da C&A Brasil, Cynthia Watanabe, participou do painel e reforçou a parceria entre a marca e o programa de rastreabilidade SouABR. Os participantes abordaram o programa de rastreabilidade da cadeia de custódia do algodão como um fator de valor agregado aos produtos feitos da pluma. Watanabe explicou que as metas para aumentar o uso de matérias-primas naturais de origem susntetável, são os principais motivos que levaram a marca a aderir ao programa.


De acordo com Cynthia “A C&A tem uma ambição de ter 80% do nosso uso de matérias-primas vindas de origem mais sustentável. Hoje, o algodão representa 66% do nosso share. A gente vem cada vez mais diminuindo o uso de fibras sintéticas e utilizando fibras naturais, como o algodão e a viscose.”


Watanabe também afirmou que a C&A entende que economia circular e economia de baixo carbono é o futuro do setor têxtil e completou: “Para que a companhia toda se movimentasse nessa agenda, estabelecemos metas que se desdobram para toda nossa liderança, do CEO ao analista. Temos o compromisso público de reduzir de 42% das nossas emissões de escopo 1, 2 e 3.”


A íntegra da apresentação da Abrapa na Cop30 está disponível no link:
https://www.youtube.com/watch?v=ftZu06Apskc

Quer ficar por dentro de tudo
que acontece no Portal Abrapa?

assine nossa newsletter

Voltar

COP 30: Entidades lançam Manifesto pela Sustentabilidade dos Grãos e Fibras

Documento foi lançando no Pavilhão AgroBrasil, na Agrizone, em Belém

14 de Novembro de 2025

Belém (12/11/2025) - O Sistema CNA/Senar e entidades do setor lançaram, na quarta (12), o “Manifesto pela Sustentabilidade dos Grãos e Fibras do Brasil”.


O lançamento ocorreu no Pavilhão AgroBrasil, espaço do Sistema CNA/Senar localizado na AgriZone, na Embrapa Amazônia Oriental. A quarta-feira (12), no local, foi dedicada aos painéis que debateram desafios, sistemas de produção e sustentabilidade dos grãos no Brasil.


O documento lançado pelas entidades reforça o compromisso da agropecuária brasileira com uma produção sustentável, competitiva e alinhada às demandas do mercado global. Além de destacar o compromisso do agro nacional com a sustentabilidade, a segurança alimentar global e a credibilidade da produção brasileira no cenário internacional.


Assinam o manifesto, além da CNA, a Abramilho, Abrapa, Aprofir Brasil, Aprosoja Brasil, Aprosoja Mato Grosso, Sistema OCB e Sistema Ocepar.


O documento diz que “o Brasil construiu uma agricultura tropical que une ciência e conservação ambiental”.


De acordo com o manifesto, o Brasil construiu, nos últimos cinquenta anos, uma agricultura tropical que multiplicou em até seis vezes a produção de grãos e fibras, com um aumento de 230% na produtividade, impulsionado por avanços científicos e tecnológicos.


O texto destaca que práticas como o plantio direto, a integração lavoura-pecuária-floresta e a fixação biológica de nitrogênio fazem parte da rotina das fazendas brasileiras e permite ganhos produtivos com menor impacto ambiental.


Além disso, afirma que, sem essas tecnologias, o país precisaria de 219 milhões de hectares adicionais para produzir o mesmo volume atual, e que isso reforça a eficiência da agricultura tropical. Outro ponto abordado é o papel do produtor rural na preservação ambiental, já que 29% de toda vegetação nativa brasileira está protegida dentro das propriedades rurais e forma a maior governança privada de áreas nativas do mundo.


A soja é apontada como um dos maiores exemplos da agricultura baseada em ciência, uma vez que a fixação biológica de nitrogênio elimina a necessidade de fertilizantes nitrogenados e evita a emissão de cerca de 260 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano.


No caso do milho, o manifesto ressalta que o Brasil é o único grande produtor mundial capaz de colher três safras anuais, sendo que duas dessas safras de culturas diferentes podem ser feitas no mesmo solo, sem expandir suas áreas cultivadas, o que favorece a diversificação e rotação de culturas, fundamentais para a sustentabilidade dos sistemas agroalimentares.


Já o setor de fibras é citado como um exemplo global de boas práticas. Cerca de 34% do algodão com certificação socioambiental no mundo é brasileiro, auditado por empresas independentes e submetido a quase 200 critérios de conformidade social, ambiental e de boas práticas agrícolas.


“Reconhecemos que o futuro da agricultura está na ciência, na inovação e na valorização de quem produz e preserva. A agricultura brasileira é parte da solução
climática e prova que é possível alimentar o mundo conservando o meio ambiente. Convidamos governos, instituições e a sociedade a caminhar juntos na construção de um futuro sustentável, liderado pela agricultura tropical”.

Quer ficar por dentro de tudo
que acontece no Portal Abrapa?

assine nossa newsletter

Voltar

Conversa com o Futuro: O agro está na moda

No primeiro episódio da série especial do Globo Rural Cast, uma conversa sobre o algodão, da semente à indústria da moda

10 de Novembro de 2025

O agro está na moda. Mas será que a moda está no agro? No primeiro episódio da série especial Conversa com o Futuro, Silmara Ferraresi, diretora de Relação Institucionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e Weider Silveiro, estilista, falam sobre a relação entre a cadeia produtiva do algodão e a indústria de moda.

Acesse aqui:
https://globorural.globo.com/podcasts/globo-rural-cast/noticia/2025/11/conversa-com-o-futuro-o-agro-esta-na-moda.ghtml

Quer ficar por dentro de tudo
que acontece no Portal Abrapa?

assine nossa newsletter

Voltar

Sou de Algodão lança política de adesão do Programa SouABR e reforça rastreabilidade da moda brasileira no Congresso Internacional da Abit

04 de Novembro de 2025

O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), lançou oficialmente, nos dias 29 e 30 de outubro, durante o Congresso Internacional da Abit, em São Paulo, a Política de Adesão do programa SouABR. O lançamento aconteceu no Espaço Sou de Algodão, estande do movimento no evento, que apresentou informações sobre o programa e sobre o compromisso do algodão brasileiro com a responsabilidade socioambiental e a rastreabilidade.


Desde o início dos anos 2000, a Abrapa – e, posteriormente, o Sou de Algodão – têm trabalhado para fortalecer uma moda mais responsável e conectada à origem da fibra que compõe cada peça.


Em 2004, a Abrapa lançou o Sistema Abrapa de Identificação (SAI), marco inicial da rastreabilidade do algodão brasileiro. O avanço veio em 2012, com a criação do Algodão Brasileiro Responsável (ABR), um programa de certificação que atesta boas práticas sociais, ambientais e econômicas nas fazendas produtoras.


O movimento Sou de Algodão nasceu em outubro de 2016, ampliando o diálogo com o consumidor e o setor criativo da moda. Três anos depois, em 2019, o sistema de rastreabilidade por blockchain foi desenvolvido, garantindo total transparência entre o campo e a indústria. Em 2021, surgiu o programa SouABR, que conecta essa rastreabilidade a marcas e confecções.


Atualmente, o programa contabiliza mais de 578 mil peças lançadas com algodão rastreável, por meio de 19 indústrias têxteis parceiras e marcas como Almagrino, Calvin Klein, C&A, Dohler, Dudalina, Individual, Renner, Reserva e Youcom.


No último dia 17 de outubro, durante a São Paulo Fashion Week N60, o movimento apresentou o desfile Trajetórias, reunindo seis estilistas parceiros para a criação de 36 looks all black, com algodão rastreável – uma celebração à moda feita com propósito e origem.


 

Nova fase: política de adesão para marcas


Com o lançamento da Política de Adesão do programa SouABR, o movimento dá um novo passo rumo à expansão da moda consciente, oferecendo às marcas um modelo estruturado de engajamento e reconhecimento dentro do programa.


“Nosso objetivo é ampliar o alcance do SouABR, convidando novas marcas e indústrias a fazerem parte dessa cadeia de valor transparente. A política de adesão traz clareza sobre critérios, responsabilidades e benefícios, fortalecendo a relação entre o algodão brasileiro e o consumidor final”, explica Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa e gestora do Sou de Algodão.


Já Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa, destaca: “O programa SouABR já conecta o produtor, a indústria e o varejo. Agora, queremos que cada marca participante se torne um agente de conscientização sobre o impacto positivo do algodão responsável no meio ambiente e na economia”.


Presença institucional e diálogo com o setor


O Espaço Sou de Algodão no Congresso Internacional da Abit foi um ponto de encontro para profissionais, marcas e representantes da cadeia têxtil interessados em conhecer mais sobre o movimento e o programa SouABR. Além do lançamento da política, o estande apresentou materiais informativos, vídeos e cases de marcas que já integram a iniciativa.


“O Sou de Algodão é uma iniciativa exemplar da Abrapa, que há quase uma década conecta toda a cadeia têxtil em torno de valores fundamentais: sustentabilidade, inovação e orgulho do que é produzido no Brasil. Desde o início, a Abit tem se somado a esse movimento que une o campo, a indústria e o consumidor em uma mesma causa, que é valorizar o algodão brasileiro e o trabalho de quem o transforma em qualidade e propósito. Esse é o verdadeiro diferencial do movimento, que vem se fortalecendo e conquistando espaço ao levar consigo a credibilidade e a certificação da responsabilidade brasileira”, reitera Fernando Pimentel, diretor superintendente e presidente emérito da Abit.

Quer ficar por dentro de tudo
que acontece no Portal Abrapa?

assine nossa newsletter

Voltar

Como o potencial de reciclagem transformou o jeans no ‘alumínio dos têxteis’ para grandes varejistas

Com capacidade de transformação sem perder integridade, o chamado ‘jeans circular’ entrou na mira do mercado têxtil, mas ainda enfrenta limitações para crescer no País

04 de Novembro de 2025

De forma voluntária ou em troca por desconto, um cliente leva sua calça jeans usada até uma loja de roupas e deposita a peça em uma caixa. Ela é coletada, processada e vira fios de algodão para a confeccionar novas peças, que voltam à loja para serem adquiridas por novos consumidores.


O movimento é um exemplo do chamado jeans circular, que busca aumentar a utilidade do material que seria descartado ou ficaria em desuso, inserindo novamente o tecido na cadeia produtiva. No Brasil, esse processo vem ganhando espaço, com grandes varejistas de moda fazendo anúncios relacionados ao jeans circular, quase em sincronia.


Em setembro, a Riachuelo levou às lojas a sua maior coleção de jeans reciclado, com a utilização de quase 10 toneladas de aparas do tecido. No Grupo Renner, a Youcom lançou sua primeira coleção de jeans circular tingido na cor preta. Já a C&A anunciou nova coleção com jeans circular nas lojas para esta semana, chegando ao total de 50 mil peças neste ano.


Uma das razões que explica a escolha do jeans para a reciclagem está relacionada a questões técnicas, segundo profissionais ouvidos pelo Estadão. Eles explicam que o jeans tem altíssima reciclabilidade para a indústria têxtil, sem perder sua integridade. Em termos comparativos, a resistência da fibra é semelhante ao que o alumínio significa para a reciclagem na metalurgia.


No entanto, diferentemente do metal, que conta com infraestrutura e precificação atrativas para reciclagem no Brasil, o jeans ainda possui limitações para a obtenção de volumes de tecidos, tingimento e processamento mais avançado. O processo acaba ficando mais caro e resultando, em alguns relatos, na necessidade de diminuição das margens de lucro para evitar repasse dos custos para o consumidor.


Mesmo assim, o jeans aparece com grande potencial em um mercado que corre para atender metas de sustentabilidade agressiva e redução de tecidos de origem mais poluente. A popularidade das peças, a mudança no comportamento do consumidor, que exige medidas de sustentabilidade de forma mandatória, e a movimentação de mercado com a recente chegada da sueca H&M ao Brasil também são citados como impulsionadores da tendência (entenda mais abaixo).


Produção do jeans circular
No processo de circularidade, o produto que não vem de uma matéria-prima originária ou virgem, mas de um material feito com insumo processado, ressalta a engenheira têxtil Michelle Souza, consultora do Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil do Senai (Senai CETIQT). Esse ponto explica as limitações do insumo pontuadas pelas varejistas.


No caso do jeans, há duas formas de obtenção desse material: ou por meio das peças de pós-consumo, a partir da coleta de roupas de consumidores finais, ou por meio do processo de pré-consumo, quando a empresa usa as aparas de tecidos virgens que sobram das peças novas durante a confecção.


O processamento é feito por um equipamento desfibrador, que tritura o material até obter fibra de algodão, e esse insumo dá origem a um novo fio. “O jeans é um material mais grosso, mais pesado, então ele é mais fácil de passar por esse processo. E ele não tem uma exigência de ser um fio muito fino, muito rebuscado, como a seda, por exemplo.”


Apesar da resistência aos múltiplos processamentos, a fibra reciclada precisa, por razões técnicas, ser adicionada ao algodão virgem para compor fios de qualidade para uma nova peça. A técnica de desfibragem resulta, na maior parte das vezes, em fibras curtas de algodão. Com a junção com o algodão virgem, é possível obter fibras mais longas, que são necessárias para a formação dos fios.


Os jeans que resultam disso têm qualidade bastante similar às peças feitas com 100% de algodão virgem, diz Souza. “É um material que tem uma durabilidade enorme. A qualidade e a durabilidade vão ser a mesma de um jeans virgem, não se acabam por ser reciclado. E, no fim, ele ainda pode ser desfibrado e virar estopa ou barbante, no futuro.”


 

Aproveitamento de aparas na Riachuelo


Para fazer sua maior coleção de jeans circular, composta por 42 mil peças, a Riachuelo juntou 9,4 toneladas de tecido de aparas de fábrica. O material correspondeu a 25% dos insumos usados na linha Pool Loop. Os outros 75% do tecido tiveram acréscimo de algodão ABR virgem (Algodão Brasileiro Responsável), resultando em mais de 58 mil metros de tecido.


Segundo a diretora de sustentabilidade da Riachuelo, Taciana Abreu, o resultado veio a partir de um estudo prévio feito em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT), para entender como beneficiar os tecidos residuais de fábrica. A empresa está fazendo testes para aumentar em 50% o uso do fio reciclado. “A visão é escalar esse projeto tanto em volume quanto em participação do reciclado dentro da base do fio.”


O alcance desse objetivo, porém, passa por barreiras estruturais, ressalta Abreu. “A cadeia não está pronta. Temos pouco tempo de desenvolvimento industrial para a reciclagem têxtil (com) adaptação de maquinário e aquisição de novos equipamentos. Há um ambiente regulatório (política de resíduos sólidos) que está chegando para que a indústria se mexa, em que precisamos nos antecipar.”


Outro ponto levantado por Abreu é a necessidade de investimento para desenvolvimento e escala da cadeia. Para a coleção Pool Loop, o preço — em torno de R$ 179,90 para uma calça feminina — foi fruto de um acordo para diminuição de margens de lucro e otimização de estratégia logística. Ver o potencial de lucratividade do jeans para a cadeia de reciclagem têxtil pode fazer com que o apetite do mercado e dos financiadores impulsione o setor.


“O Brasil recicla 98% do alumínio porque a indústria já se organizou para a entrada e saída desse material ser constante. Toda uma cadeia se organizou para isso. Como a reciclabilidade do alumínio é muito alta, ele tem valor no mercado de reciclagem. O algodão (obtido no jeans) é o material que tem o maior potencial hoje de virar o nosso alumínio”, prevê.


 

Coleta de jeans usados na C&A
Já a C&A, no mês passado, chegou a oito anos do Movimento ReCiclo, estrutura que disponibiliza caixas nas lojas para recolha de roupas usadas e doadas voluntariamente por clientes. A maior parte das peças segue para a doação e uma parte menor é destinada para a fabricação de peças de jeans, que são colocadas à venda por ciclos.


Segundo a empresa, desde 2021, 250 mil peças com materiais reciclados já foram colocadas em circulação. Desse montante, 25 mil foram às lojas em julho. Uma outra coleção, também com 25 mil peças, foi anunciada para chegar às lojas nesta semana.


As peças são identificadas nas etiquetas como jeans circular, mas não há diferenças de qualidade em relação às demais peças, explica a gerente sênior de ESG da C&A, Cyntia Kasai. Desde o início das fabricação dessas peças, ela percebe que a cadeia vem conseguindo evoluir na qualidade do material entregue. A evolução também se deu na possibilidade de ofertas de jeans na cor off-white, em vez de tecidos já tingidos.


“As primeiras cargas de fio tinham nozinhos, eram um pouco mais grossas, e você conseguia perceber um pouco dessas irregularidades no produto final. Viemos em um trabalho muito forte de inovação, para ter cada vez fios mais finos e que trouxessem um acabamento mais coeso.”


Sem abrir valores, Kasai diz que a C&A fez investimentos para que o jeans circular chegasse às lojas com preço semelhante às demais peças, mas avalia que, hoje, com outras empresas investindo no mesmo produto, já se tem um preço mais competitivo. “Conseguimos expandir o volume e esse custo hoje caiu, porque agora também há outros players maiores fazendo o fio reciclado. Há um movimento do setor.”


 

Jeans circular tingido na Youcom
Na Youcom, do Grupo Renner, há um trabalho de “bonificação” dos clientes para estimular à logística circular do jeans. A empresa não paga pelo tecido recebido, mas oferece 15% de desconto na aquisição de uma calça jeans àqueles que levarem uma peça usada a uma loja, em um projeto chamado Jeans for Change.


“Dar o desconto mantém a nossa cadeia circulando, inclusive o jeans com algodão reciclado pode voltar”, diz a diretora de estilo da Youcom, Bárbara Barreira. “O desconto é colocado só no jeans mesmo, porque queremos trabalhar no ciclo do jeans.”


O volume arrecadado por meio da estratégia foi usado na primeira coleção de jeans circular tingido de preto da marca, cujo total de unidades não foi aberto pela empresa. A companhia considerou o tingimento um grande avanço, diante das restrições técnicas que dificultam obter diferentes cores de fibra reciclada já tingida de azul. O processo envolveu um ano de desenvolvimento e de testes de qualidade e durabilidade, e, segundo o diretor de sustentabilidade da Renner, Eduardo Ferlauto, ainda possui limitações.


“Esse reciclado vem a partir de uma tecnologia mecânica processada no Brasil. Não temos ainda, no País, a tecnologia química, e a cor normalmente é definida pela segregação de cores de resíduos que são iguais. Então, o tingimento parte de uma base um pouco disforme. Além disso, essa tecnologia mecânica rompe a fibra, e esse rompimento também gera, em alguns casos, uma disformidade na coloração”, explica.


Barreira acrescenta que as limitações ainda não permitem uma criatividade tão ampla no trato com o jeans reciclado, mas diz que o tecido já está “mais bem resolvido” do que os demais. “Pesquisamos muitos players, inclusive internacionais, e esse é um desafio da indústria. Sabemos que vamos ter que ser insistentes, seguir testando, nos unir a outros players para conseguir gerar essas propostas.”


 

H&M: concorrência ou tendência?
O movimento sincrônico de coro ao jeans circular por grandes varejistas no Brasil ocorre em meio à chegada, em agosto deste ano, de uma grande concorrente internacional ao País, a varejista sueca de moda H&M. A companhia é conhecida por ações públicas relacionadas à sustentabilidade, incluindo coleções com jeans reciclado, e está inaugurando sua terceira loja física no Brasil nesta quinta-feira, 30, com intenção de expandir.


O foco no tecido circular seria uma estratégia competitiva? De acordo com as varejistas ouvidas pelo Estadão, não. As empresas ressaltaram que, se a H&M passar a demandar jeans reciclado de fábricas brasileiras, isso poderá ajudar toda a cadeia a superar alguns gargalos relacionados a volume e aos custos de produção, em um ganho de escala no qual há um benefício comum. Além disso, segundo elas, o movimento pela sustentabilidade parte de uma jornada em crescimento nas empresas no Brasil, sem interferência de uma ação de concorrência.


 

CEO da H&M explica proposta da rede sueca
A professora de cenários do varejo na FIA Business School, Patrícia Cotti, faz a mesma avaliação, pontuando que esse é um movimento que aconteceria independentemente da presença da H&M no País. Para a especialista, que também é diretora de pesquisas do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), a sustentabilidade para essas empresas já saiu de um patamar de diferencial competitivo para algo mandatório, com a mudança de um perfil consumidor cada vez mais exigente com a agenda de sustentabilidade.


“Há muitos consumidores que estão mais preocupados com essas pautas de sustentabilidade. Isso deixou de ser um diferencial e começou a fazer parte do cotidiano do consumo”, diz. “Obviamente que a H&M entrando faz com que as pautas de inovação de negócios sejam aceleradas nas demais empresas, mas é um movimento que, independentemente da H&M, já aconteceria dentro do mercado brasileiro, porque já era uma discussão de algum tempo, mesmo ainda a passos lentos.”


Procurada pelo Estadão, a H&M afirmou que “ainda não pode compartilhar planos específicos para o mercado brasileiro neste momento”. A companhia evitou comentar diretamente sobre a venda de jeans circular na subsidiária, mas informou que a sustentabilidade está no centro do negócio, incluindo investimentos em modelos circulares e reciclagem têxtil.


“Para nós, a forma como crescemos é fundamental. Não se trata de vender mais, mas de ampliar nossas fontes de receita, tendo a sustentabilidade no centro de tudo o que fazemos. Isso inclui, por exemplo, novos investimentos e o desenvolvimento de modelos de negócio circulares, como recomércio (revenda), reparo ou tecnologias de reciclagem para têxteis pós-consumo”, diz a varejista sueca.

Quer ficar por dentro de tudo
que acontece no Portal Abrapa?

assine nossa newsletter

Voltar

Brasil e Indonésia firmam acordo de cooperação em medidas sanitárias

24 de Outubro de 2025

O Brasil e a Indonésia firmaram acordo de cooperação em medidas sanitárias e fitossanitárias e em questões de certificação. O memorando de entendimento foi assinado pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e pelo chefe da Autoridade de Quarentena da Indonésia (IQA), Sahat Manaor Panggabean, na manhã desta quinta-feira, 23, em Jacarta, durante visita da comitiva presidencial brasileira. Em nota, o Ministério da Agricultura afirmou que o memorando tem por objetivo criar e consolidar a cooperação entre o Brasil e a Indonésia, especialmente no que se refere ao comércio de produtos agropecuários entre os dois países. O documento inclui, ainda, a troca de informações sobre políticas sanitárias e fitossanitárias, a cooperação em processos de certificação eletrônica e inspeção pré-fronteira, investigações conjuntas em casos de fraude ou questões sanitárias, ações em análise de risco, rastreabilidade, vigilância e resposta a emergências. O acordo prevê colaboração no reconhecimento de equivalência de medidas sanitárias, capacitação técnica, intercâmbio de experiências e realização de atividades de facilitação do comércio. "Grandes oportunidades se abrem para o agro brasileiro. O Brasil já tem uma boa relação comercial com a Indonésia e busca avançar ainda mais, incluindo o encerramento do contencioso sobre a exportação de carnes de frango brasileiras para o país. A abertura desse mercado, além da ampliação das exportações de café e algodão, reforça o papel do agronegócio como pilar da relação entre Brasil e Indonésia", afirmou Fávaro. O ministro se reuniu, ainda, com o ministro Coordenador de Assuntos Alimentares da Indonésia, Zulkifli Hasan, e com o ministro do Comércio, Budi Santoso. As autoridades apresentaram o programa nacional de merenda escolar, para a ampliação do acesso a alimentos de qualidade para crianças em idade escolar. O Brasil quer exportar frango ao mercado indonésio com destinação a esse programa.

Quer ficar por dentro de tudo
que acontece no Portal Abrapa?

assine nossa newsletter

Voltar

Abrapa leva inovações para indústria têxtil no ITMA Asia + CITME

Com foco na indústria têxtil mundial, brasileiros lançam sistema de consulta de algodão por lotes e a plataforma Knowledge Hub

24 de Outubro de 2025

Pela primeira vez, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) participa da ITMA Asia + CITME, um dos maiores eventos globais de maquinário têxtil que ocorre de 28 a 31 de outubro em Singapura. Para marcar sua estreia, o Brasil lança duas inovações: a rastreabilidade por lote e o Cotton Brazil Knowledge Hub, uma plataforma digital aberta com informações técnicas e boas práticas sobre o uso da fibra brasileira.


Organizado pela International Textile Machinery Association (ITMA) e pela China International Textile Machinery Exhibition (CITME), o ITMA Asia + CITME reúne empresas, fabricantes e entidades do setor têxtil mundial. Um cenário ideal para os produtores brasileiros de algodão apresentarem ao mundo suas inovações.


“A rastreabilidade sempre foi um dos principais ativos do algodão brasileiro. Recentemente, identificamos que a consulta de dados por lotes, e não apenas por fardos, seria um diferencial importante. Desenvolvemos o sistema e o lançamento será feito oficialmente aqui no ITMA”, afirma Fernando Rati, gerente do Cotton Brazil, programa de promoção internacional da Abrapa.


O novo Sistema de Busca por Lotes permite a análise de um lote inteiro de algodão, reunindo diversos fardos em uma única consulta. O resultado é um dossiê completo com dados sobre o produtor, a planta de descaroçamento, o laboratório de classificação, a análise HVI e as certificações socioambientais (ABR, BCI e governo brasileiro).


Já o Knowledge Hub (https://cottonbrazilknowledgehub.com/) reúne informações, relatórios técnicos e conteúdos educativos sobre o algodão brasileiro. “Com dados confiáveis e orientação técnica, o portal permite que o industrial obtenha um maior desempenho operacional ao usar a pluma brasileira”, explica Rati.


Durante os quatro dias do evento, a Abrapa realiza apresentações técnicas sobre rastreabilidade, qualidade e performance do algodão brasileiro. Entre os temas programados, estão perspectivas de safra e exportações, desafios e soluções para a fiação de algodão brasileiro, além de tingimento com a fibra brasileira.


O embaixador do Brasil em Singapura, Luciano Mazza de Andrade, confirmou presença junto à comitiva brasileira no ITMA Asia + CITME. A delegação é coordenada pela Abrapa e formada por produtores e exportadores brasileiros.


Números. Terceiro maior produtor e maior exportador de algodão no mundo, o Brasil tornou-se um importante player para as indústrias têxteis ao redor do globo. No ciclo 2024/25, colheu 4,11 milhões de toneladas e exportou 2,83 milhões de toneladas para mais de 70 países. Desse total, 95,95% foram embarcadas para países asiáticos.


Cotton Brazil. A atuação internacional da Abrapa é realizada por meio do CottonBrazil, programa que promove o algodão brasileiro e desenvolve novos mercados. A iniciativa é feita em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e tem apoio da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea).

Quer ficar por dentro de tudo
que acontece no Portal Abrapa?

assine nossa newsletter

Voltar

10 tendências do SPFW N60 que vão dominar as ruas depois da semana de moda

Babados, franjas, couro, xadrez, poá e bolsas excêntricas são algumas das tendências do SPFW N60 que prometem invadir o street style

23 de Outubro de 2025

De 13 a 20 de outubro, a Semana de Moda de São Paulo trouxe uma programação intensa que celebrou 30 anos do evento com desfiles, performances e coleções carregadas de referências culturais e experimentação. A capital paulista voltou a receber o público para conferir de perto as propostas dos grandes nomes e das novas marcas que vêm ganhando espaço nas passarelas.


Nesta edição, as tendências do SPFW N60 se destacaram por um diálogo entre tradição e brincadeira: do recorte teatral das golas às bolsas divertidas, que transformam acessórios em verdadeiras obras de arte. Entre referências artesanais e construções cenográficas, vimos peças que já nascem com cara de hit de temporada — prontas para migrar das passarelas ao street style e ao guarda-roupa contemporâneo. Continue lendo a fim de saber mais!



1. Babados
Os babados apareceram com força — especialmente em vestidos. Exemplos marcantes incluem o look de renda preto de Amir Slama com babados na cintura, o vestido mullet da Cria Costura em tecidos coloridos e a homenagem da Meninos Rei às vestimentas das baianas. Essa linguagem feminina e fluida ganha versões elegantes e outras mais divertidas, prontas para combinar com botas e acessórios robustos.



2. Franjas
As franjas criaram movimento nas passarelas: apareceram na barra do vestido da Bold Strap, na blusa da Cria Costura e no look colorido de Flávia Aranha. Esse elemento traz um balanço performático que realça o caminhar e, como resultado, dá cara de festa a peças do dia a dia.


3. Laços
Acima de tudo, os laços retornam como detalhe estrutural e decorativo: vemos o top no conjunto da À La Garçonne, gravata de amarrações da Santa Resistência e o vestido feito de laços da Sou de Algodão. A tendência flerta com o romantismo literal, mas ganha modernidade em cortes assimétricos e tecidos inesperados.


4. Volume no quadril
Silhuetas com volume no quadril surgem em vestidos e saias — do vestido no desfile da Apartamento 03 às saias da Fauve e Weider Silveiro, que tem diálogo com o tutu de balé. É uma aposta que reinterpreta nervuras clássicas e cria proporções dramáticas, ou seja, ótima para quem busca um ponto focal no look.


5. Golas estruturadas
Golas teatrais e estruturadas apareceram como assinatura em desfiles de Angela Brito, Apartamento 03 e Weider Silveiro. Elas transformam camisas e vestidos em peças de impacto, emprestando assim um ar cenográfico e editorial às coleções.


6. Peças de couro
O couro apareceu em peças com texturas diversas: sobretudo e casacos assinados pela FORCA, minissaia texturizada da Handred e um vestido da Lilly Sarti que ganhou saia leve floral por baixo, criando desse modo contraste entre a rigidez do couro e a leveza do tule.


7. Pelúcia e plumas
Texturas volumosas dominaram alguns momentos: Gloria Coelho trouxe um vestido rosa claro todo em plumas em um desfile realizado no metrô, enquanto marcas como FORCA e Lilly Sarti apostaram em casacos de pelúcia. Assim, pudemos conferir conforto e teatralidade lado a lado.


8. Xadrez
O xadrez, com toda a certeza um clássico do outono-inverno, apareceu em versões contemporâneas nos looks da Dendezeiro, Sou de Algodão e em peças de Herchcovitch/Alexandre. Desse modo, a estampa segue sendo base para coordenações com peças lisas e mix de texturas.


9. Poá
A estampa de bolinhas foi a padronagem da vez, combinada com outras linguagens visuais: apareceu na Fauve em coordenação com listras, na Handred com detalhes vermelhos e na Patricia Vieira misturado a estampas florais — prova de que o poá segue versátil e moderno.


10. Bolsas diferentonas
Enfim, os acessórios assumiram papel de protagonista no SPFW N60. As bolsas em formato de luva no desfile de Apartamento 03, a bolsa-casinha de Monopoly de Dario Mittmann e a bolsa em formato de teclado de madeira assinada por Ronaldo Fraga, por exemplo, mostram como a turma do design brincou com função e narrativa nas passarelas.


Como usar as tendências do SPFW N60 sem exagerar
A chave para adotar as tendências do SPFW N60 no dia a dia é equilibrar: escolha um ponto de impacto (babados, bolsa-espetáculo ou gola estruturada) e combine com peças neutras. Misturar texturas, como por exemplo couro com plumas ou poá com xadrez, funciona quando há um fio condutor — cor, material ou proporção — que una o look.

Quer ficar por dentro de tudo
que acontece no Portal Abrapa?

assine nossa newsletter

Voltar

6 marcas que destacaram o que é do Brasil nos desfiles do SPFW N60

Essas coleções mostraram que as riquezas nacionais são fonte inesgotável de criatividade na moda

23 de Outubro de 2025

A edição comemorativa de 30 anos do São Paulo Fashion Week, que aconteceu entre 13 e 20 de outubro, mostrou que as riquezas culturais, ambientais e sociais do Brasil são fonte inesgotável de inspiração e criatividade na moda.


Entre celebrar o legado de figuras importantes para a história do nosso país e valorizar matérias-primas que movem a nossa economia, várias marcas provaram que dá para desenvolver coleções deslumbrantes e inovadoras com o que é daqui. Abaixo, destacamos 6 desfiles que foram baseados exatamente nisso.


6 MARCAS QUE DESTACARAM O QUE É BRASILEIRO NA PASSARELA DO SPFW N60
Apartamento 03
O estilista Luiz Claudio Silva resgatou códigos circenses ao trazer como figura condutora de sua coleção Benjamin de Oliveira, considerado o primeiro palhaço negro do Brasil. Com sua mistura de texturas, entre plumas, canutilhos e lurex, as peças exuberantes prenderam a atenção do público.


LED
A marca mineira LED, comandada pelos diretores criativos Célio Dias e Cleu Oliver, celebrou o Carnaval como engenharia popular, transformando a passarela em uma verdadeira festa.


Normando
Os estilistas Marcos Normando e Emídio Contente tiveram como tema principal a mitologia amazônica, trazendo narrativas ancestrais tanto de seres que já existem como de seres criados por eles. Destaca-se o uso inédito por uma marca brasileira de microorganismos nativos para fazer o tingimento natural das peças, mostrando que aqui também se cria inovação na moda.


Ateliê Mão de Mãe
A coleção ‘Tropicália’, desenvolvida por Patrick Fortuna e Vinicius Santana, homenageia esse movimento cultural como forma de resistência. Eles se inspiram na liberdade e ousadia criativas de figuras icônicas para esse período e para o legado do Brasil na arte como um todo, tais como Gal Costa, Maria Bethânia, Gilberto Gil e Caetano Veloso.


Catarina Mina
A marca cearense de Celina Hissa ressaltou a potência e a versatilidade da carnaúba, palmeira conhecida como ‘árvore da vida’, e sua importância para a economia cearense, desde a raiz até as folhas.


Sou de Algodão
Em seu quarto desfile no São Paulo Fashion Week, o movimento Sou de Algodão une marcas e estilistas brasileiros – Alexandre Herchcovitch, Aluf, Amapô, David Lee, Fernada Yamamoto e Weider Silveiro – para trazer suas próprias visões criativas ao algodão brasileiro com certificação ambiental.


Leia mais em: https://capricho.abril.com.br/moda/marcas-que-destacaram-o-que-e-do-brasil-nos-desfiles-do-spfw-n60/

Quer ficar por dentro de tudo
que acontece no Portal Abrapa?

assine nossa newsletter