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Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 15/05/2026

ALGODÃO PELO MUNDO #19/2026

15 de Maio de 2026

Destaque da Semana 1 - O WASDE do USDA foi altista ao projetar queda dos estoques mundiais em 2026/27 e redução dos estoques finais dos EUA, mas isso não foi suficiente para sustentar NY. O mercado já estava tecnicamente esticado, e a tentativa de romper 89,00 U$c/lb falhou. Jul/26 iniciou uma correção forte após fazer máxima de 88,88 U$c/lb.


Destaque da Semana 2 - O gatilho baixista foi o relatório de exportações dos EUA, com vendas líquidas de apenas 47,7 mil fardos, o menor volume do ano comercial, mostrando que as fiações não sustentaram compras acima de 83,00–84,00 U$c/lb. Jul/26 caiu de 87,36 para 82,86 U$c/lb no mesmo pregão, enquanto a região de 81,00–82,00 U$c/lb virou a principal linha de defesa do mercado.


Destaque da Semana 3 - As exportações brasileiras de algodão se mantiveram em ritmo acelerado, somando 95,96 mil toneladas na primeira semana de maio. A média diária de embarques ficou 109,7% acima da registrada em mai/25, reforçando o forte desempenho das vendas externas brasileiras.


Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 14/mai cotado a 83,96 U$c/lp (+1,2% vs. 07/mai). O contrato Dez/26 fechou em 84,48 U$c/lp (+0,9% vs. 07/mai).


Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 769 pts para embarque Mai/Jun-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 14/mai/26.


Altistas 1 - O último WASDE do USDA trouxe uma leitura altista para o algodão. A primeira estimativa para 2026/27 projeta consumo mundial no maior nível dos últimos 6 anos, em aproximadamente 26,5 milhões de toneladas, enquanto a produção cai para cerca de 25,3 milhões de toneladas.


Altistas 2 - O cenário gera um déficit global de oferta e reduz os estoques finais, reforçando a percepção de mercado mais apertado.


Altistas 3 - O Brasil segue como protagonista no comércio internacional. O USDA projeta o país como maior exportador mundial, com volume recorde de aproximadamente 3,27 milhões de toneladas, seguido pelos Estados Unidos, com cerca de 2,68 milhões de toneladas.


Altistas 4 - Ainda segundo o WASDE, o Vietnã deve se tornar o maior importador global, mostrando que a demanda asiática continua relevante.


Altistas 5 - O risco climático dentro e fora dos EUA segue no radar. Preocupação com El Niño para Austrália e Índia. Oeste do Texas continuava seco, com pouca previsão de alívio antes do fim de maio.


Baixistas 1 - O WASDE altista não foi suficiente para sustentar o mercado, mostrando que a demanda física fraca pesou mais do que o balanço mais apertado de 2026/27.


Baixistas 2 - O relatório de exportações dos EUA foi fraco, com vendas líquidas de apenas 47,7 mil fardos, o menor volume do ano comercial.


Baixistas 3 - O basis está caindo porque muitas tradings estão carregadas com algodão das safras 2025 e 2026. Com pouco carregamento entre Jul/26 e Dez/26, o custo de manter algodão em estoque pressiona vendedores a reduzir prêmios.


Baixistas 4 - A reunião entre Xi Jinping e Donald Trump decepcionou parte do mercado por não trazer confirmação de compras chinesas de commodities agrícolas dos EUA. Sem anúncio concreto para o algodão, o mercado perdeu parte do prêmio de expectativa que havia sido incorporado antes do encontro.


Baixistas 5 - O clima nos EUA trouxe algum alívio baixista, com previsão de chuvas no Oeste do Texas nos próximos 10 dias e melhora marginal da umidade do solo. Ainda assim, a região segue precisando de volumes mais fortes de chuva.


Agenda - O Cotton Brazil realizará entre os dias 17 e 22 de maio a missão internacional “Cotton Brazil Dialogues Australia 2026”, levando uma delegação brasileira para visitas técnicas e encontros institucionais em algumas das principais regiões produtoras de algodão da Austrália. A agenda terá foco em pesquisa aplicada, sustentabilidade, eficiência hídrica, logística e inovação.


Anuário 1 - O Brasil atingiu 31% de participação no comércio global de algodão na safra 2024/25, consolidando sua liderança nas exportações mundiais da fibra, segundo dados do Anuário Cotton Brazil 2025.


Anuário 2 - O país também se consolidou como o terceiro maior produtor global de algodão, com 3,7 milhões de toneladas — equivalente a 15% da safra mundial —, ficando atrás apenas da China, líder do ranking, com 6,4 milhões de toneladas (25%), e da Índia, com 5 milhões de toneladas (20%).


Confira o relatório completo aqui - https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Anuario-Cotton-Brazil-2025-PT.pdf?utm_source=chatgpt.com


China 1 - Os preços do algodão na bolsa futura de Zhengzhou inverteram a tendência e encerraram a semana em queda. O contrato para setembro recuou 255 yuans, para 16.500 yuans por tonelada, enquanto o volume negociado aumentou significativamente em relação à semana anterior, encurtada por feriado.


China 2 - O China Cotton Index (CC Index) também caiu, encerrando a semana em 17.967 yuans por tonelada.


China 3 - O presidente dos EUA, Donald Trump, realizou uma visita oficial de três dias à China, em meio a esforços para aproximar as relações entre os dois países. Durante encontro em Pequim, o líder chinês Xi Jinping afirmou que China e EUA devem atuar como parceiros, e não rivais, destacando que a cooperação pode trazer benefícios mútuos.


Índia - O governo indiano aprovou um reajuste nos preços mínimos de suporte (MSP) para o algodão na safra 2026/27. O valor para algodão de fibra média subirá 7,2%, passando de ₹7.710 para ₹8.267 por quintal, enquanto o preço para fibras longas avançará 6,8%, para ₹8.667.


Paquistão 1 - O clima segue quente e seco nas principais regiões produtoras de algodão do Paquistão, com temperaturas atingindo a faixa dos 40 °C. Apesar das condições adversas, o plantio avança em bom ritmo, embora parte das lavouras tenha sido replantada. Produtores também relatam restrições hídricas em algumas regiões.


Paquistão 2 - Os preços do algodão em caroço permanecem elevados no Paquistão, com negócios recentes fechados entre 9.700 e 10.000 rúpias por 40 quilos.


Bangladesh 1 - A demanda de importação em Bangladesh segue concentrada em algodão disponível para embarques imediatos ou já em trânsito, com o objetivo de atender necessidades pontuais. Foram registrados negócios futuros envolvendo algodão brasileiro e da África Ocidental, além de maior interesse por algodão orgânico da Índia.


Bangladesh 2 - Custos elevados de energia e dificuldades no abastecimento também seguem afetando a indústria têxtil. Dados preliminares indicam que o país importou mais de 178 mil toneladas de algodão em abril, o maior volume mensal em várias safras.


EUA - O plantio de algodão alcançou 29% da área prevista até 10 de maio, levemente acima dos 27% registrados no mesmo período do ano passado. O avanço foi mais acelerado em parte do cinturão produtor, enquanto Texas — principal estado produtor do país — atingiu 27% da área plantada, em linha com 2025.


Austrália - O mercado australiano registrou aumento nas vendas por parte dos produtores, impulsionado pela alta dos preços em Nova York. Para a próxima safra, porém, cresce a expectativa de redução significativa da produção diante do risco de formação do fenômeno El Niño.


Preços - Consulte a tabela de cotações abaixo.

Quadro de cotações para 14.05


Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

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