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Abrapa faz mobilização para adesão do cotonicultor ao SBRHVI na Bahia

11 de Junho de 2018

No dia 8 de junho, no auditório da Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães/BA, a Abrapa reuniu os cotonicultores baianos, tradings, representantes de laboratórios para falar sobre a importância da adesão e do cumprimento dos procedimentos do programa Standard Brasil HVI, SBRHVI, e do Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão, CBRA. O momento fez parte da agenda de mobilização a que a entidade deu início em maio, e incluiu a visita para aplicação da lista de Verificação e Diagnóstico de Conformidade do Laboratório (VDCL) no laboratório da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) e da Kuhlmann, em Roda Velha. O ano de 2018 é um marco importante na recente história do CBRA, inaugurado em dezembro de 2016, já que, após funcionar em caráter experimental em 2017, ele vai operar normalmente. Também este ano, o Centro oficializou o pedido de certificação ao ICA Bremen.


O encontro com o público foi aberto pelo conselheiro consultivo e ex-presidente da Abrapa, João Carlos Jacobsen Rodrigues, que destacou os ganhos reais que a credibilidade nos resultados das análises de HVI trazem, não apenas para a imagem do algodão brasileiro, mas para a remuneração do cotonicultor. Jacobsen acredita que, em médio prazo, os produtores possam conseguir cerca de R$500 a mais por hectare.


“O algodão americano tem 500 pontos de ágio e o nosso, às vezes, 500 de deságio, por falta de aferição; de instrumentos de verificação de que o produto que foi vendido será o mesmo que chegará ao destino, e que a análise que o cliente está vendo será a mesma remetida pelo laboratório no Brasil. Precisamos eliminar os riscos, dando ao comprador a garantia de que o laudo que ele recebeu é 100% confiável. A boa notícia é que isso tem um valor que os compradores estão dispostos a pagar”, enfatiza.


Para Jacobsen, é muito importante que todos estejam comprometidos em conseguir esse status de credibilidade. “Por isso, é fundamental que o produtor cobre do laboratório a pontuação que ele tem, dentre os demais, no Brasil: quanto é o seu percentual de assertividade. Aderir ao SBRHVI não é despesa. É investimento com retorno garantido”, afirmou.


De acordo com o gestor de Qualidade da Abrapa, Edson Mizoguchi, a agenda de mobilização, que já passou pelo Mato Grosso do Sul e Bahia, prossegue até julho.

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PAP 2018/2019

07 de Junho de 2018

Embora não suficientes para a demanda individual do cotonicultor brasileiro, cuja média de custos por hectare gira em torno de R$7,6 mil, e haja disparidade entre os recursos anunciados e os efetivados, por dificuldades de acesso, o Plano Agrícola e Pecuário 2018/2019, anunciado na manhã da quarta-feira (06/06) pelo presidente da República Michel Temer contou com o apoio do setor algodoeiro, representado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), segundo a qual o modelo de cultivo da pluma no Brasil, que consorcia soja e milho, otimiza o uso do crédito federal.>


De acordo com a Abrapa, atualmente o crédito oficial representa em torno de 20% do custeio da produção. Cerca de 30% do financiamento vêm da venda antecipada às tradings, outros 30% são oriundos da indústria de químicos e fertilizantes, e o restante, eventualmente, provêm do produtor, com recursos próprios. “Pelo PAP, o limite individual de crédito é de R$3 milhões ao ano, suficientes para o plantio de 394 hectares da commodity. Ainda assim é um recurso muito importante no mix de crédito do cotonicultor”, observa o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, que representou o presidente da entidade, Arlindo de Azevedo Moura, na ocasião.


Em seu discurso, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, afirmou que a necessidade de financiamento do agro brasileiro é calculada em, aproximadamente, R$390 bilhões. “Nosso Plano Safra apresenta R$191 bilhões. Isso significa que estamos menos dependentes do crédito agrícola oficial, e que hoje, praticamente, 50% da produção nacional são aportados graças à chegada de outros agentes para financiar o agronegócio, com a política correta e responsável de redução de taxa de juros. Mostra claramente que, dentro do setor agropecuário brasileiro, os produtores também estão se capitalizando”, afirmou.



Divisas


Segundo Maggi, este ano, a previsão do Mapa é de exportação de 32 milhões de toneladas de milho; 85 milhões de toneladas de grão e farelo de soja; um milhão de toneladas de algodão; 35 milhões de sacas de café; 28 milhões de toneladas de açúcar, dentre outros produtos. “O agronegócio, em 2018, trará para o país US$ 97,3 bilhões, um aumento de U$9,3 milhões em relação ao último ano. Nosso saldo da balança comercial passará de US$ 83 bilhões de dólares. Este é o setor que tem dado ao país o suporte necessário para enfrentar a grande crise que nós vivemos. O setor que se movimenta com ciência, tecnologia, conhecimento e determinação”, enfatizou o ministro, lembrando ao presidente que, “se não fosse a agricultura, a pecuária e todo o agronegócio, as dificuldades do Governo seriam maiores”.



Nova linha


Na ocasião, Blairo Maggi anunciou a disposição do Governo de criar uma linha de financiamento com prazos de dez a doze anos e dois anos de carência, para socorrer os produtores que tiveram problemas específicos em determinadas áreas do setor agrícola. “Nessa modalidade de socorro, não terá subsídio. As taxas serão TLP (Taxa de Longo Prazo) mais 4,7% ao ano. É uma demonstração de que estamos atentos para não deixar que aconteça o que aconteceu no passado, quando tivemos de fazer uma renegociação imensa, que trouxe problemas para os produtores e custou caro para a nação brasileira. Interferir nesses pontos no momento correto é o que pretendemos”, concluiu.



Reconhecimento internacional


“O Governo tem de estar à altura do extraordinário sucesso que é o agronegócio. Hoje estamos renovando o nosso compromisso com o campo brasileiro, que faz do Brasil essa potência agrícola. Os recursos anunciados estimulam a produção e impulsionam o crescimento da economia brasileira”, destacou o presidente da República, Michel Temer, em sua fala, mencionando o retorno que recebe dos líderes mundiais.


“Nossa agricultura virou sinônimo de produtividade, eficiência, de segurança alimentar e eu sou testemunha disso. Quando converso com líderes de vários países, ouço elogios frequentes ao agro brasileiro, e também ao trabalho da Embrapa. Tudo isso feito se fez com respeito à natureza, sem as divergências do passado entre a produção e o meio ambiente”, relatou. Temer elogiou o trabalho do ministro Blairo Maggi e o entusiasmo dos setores agrícolas que o apoiam na criação e execução de políticas para o desenvolvimento do agronegócio do país.



Tecnologia no algodão


Segundo Temer, apoiar o produtor rural é incentivar a inovação tecnológica. “Um tempo atrás, Blairo me levou para colher algodão no Mato Grosso. Lá ele me colocou numa máquina e me disse para colher. Eu não sabia como, e ele me disse: aperta esse botãozinho que a máquina faz tudo! A máquina colhia e já ensacava”, lembrou o presidente, referindo-se às tecnologias que envolvem satélites e GPS, e a capacidade de enfardar o algodão, à medida em que os capulhos são colhidos na própria lavoura. “Esse avanço na tecnologia gera empregos para milhares de pessoas no campo e na cidade”, reconheceu.



O PAP


No custeio, em relação à safra anterior, o PAP representou incremento de 1,5%. O total de R$191 bilhão tem 80% de recursos com juros controlados, equivalentes a R$118,8 bilhão. Para investimento, são 40 bilhões a juros controlados.


Expansão da capacidade de armazenagem e inovação tecnológica (PCA e Inovagro) foram prioridades pelo sexto ano consecutivo. Os programas terão, respectivamente, R$2,15 bilhões e R$1,15 bilhão, com taxa de juros de 6,0% ao ano.

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Representantes da BCI visitam Abrapa

06 de Junho de 2018












 

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) recebe esta semana uma comitiva da Better Cotton Initiative (BCI), ONG suíça, referência internacional na certificação de algodão sustentável, que, desde 2013, opera em benchmarking com o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), da Abrapa. Além de alinhar os protocolos de licenciamento BCI e de certificação ABR, que tratam das práticas sustentáveis ¬– ambientais, sociais e econômicas – e de participar de reuniões na sede da associação em Brasília, os representantes da entidade vão percorrer fazendas produtoras de algodão no Oeste da Bahia e na região do Vale do Iuiú, naquele estado. Na safra 2016/2017, 78% da pluma produzida no Brasil foram certificados pelo programa ABR e 69% receberam o licenciamento da BCI. No período, o país produziu 1,5 milhão de toneladas de algodão em 939 mil hectares de lavouras.


Para gerente de programa sênior da BCI, Corin Wood-Jones, que se reuniu na segunda-feira (04/06) com o presidente da Abrapa, Arlindo de Azevedo Moura, e com o diretor executivo, Marcio Portocarrero, o benchmarking tem feito grandes avanços, e a expectativa da entidade é alcançar todos os produtores de algodão do Brasil. “Há muita oportunidade de crescimento e a chave para isso é gerar conhecimento sobre os benefícios que a sustentabilidade traz para o produtor, não apenas ambientais e sociais, mas também econômicos”, afirmou. “Queremos 100%, mas se alcançarmos 90%, já será um resultado fantástico”, concluiu.


Para o presidente da Abrapa, Arlindo Moura, esses encontros anuais são muito importantes para os ajustes de protocolo, que variam também com as eventuais mudanças nas legislações trabalhistas e ambientais. “Hoje o Brasil já alcançou o posto de o maior fornecedor mundial de algodão sustentável. De toda a pluma licenciada pela BCI no mundo, respondemos por 30%. Manter essa posição já é um grande desafio, mas queremos expandir a participação nesse montante”, finalizou.





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Checklist da certificação

05 de Junho de 2018

Processos de gestão mais robustos e incremento da qualificação profissional dos trabalhadores do laboratório foram os principais avanços percebidos por um dos mais respeitados especialistas em classificação de algodão do mundo, Axel Drieling, do Centro Global de Testagem e Pesquisa do Algodão (ICA Bremen). Esta foi a sua segunda visita ao Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), após um ano, desde o primeiro workshop realizado, em junho de 2017.


Drieling esteve na sede do CBRA, em Brasília, entre os dias 28 e 30 de maio, como consultor para a certificação internacional do laboratório, que será pleiteada este ano ao ICA Bremen, instituição de referência mundial que congrega o Faserinstitut Bremen, o Bremen Fibre Institute (FIBRE) e o Bremer Baumwollboerse (BBB). Se conquistar a chancela, o CBRA entra para o seleto grupo de 11 laboratórios do gênero no mundo, distribuídos na China, Austrália, Estados Unidos, Espanha, Alemanha, Grécia, Uzbequistão e África do Sul. Foram dois dias de consultoria para preparação do CBRA para certificação e um dia de treinamento das equipes dos laboratórios de HVI participantes do programa Standard Brasil HVI (SBRHVI).


De acordo com o especialista, uma vez que a Abrapa já está em fase final de cumprimento dos procedimentos em relação à estrutura e aos processos operacionais, o prazo até a conquista da certificação dependerá do andamento dos trâmites burocráticos, e da auditoria que deverá ser realizada no CBRA. “Uma das tarefas que cumprimos nesta segunda vinda do especialista Axel Drieling ao CBRA foi checar, item por item, o questionário que tínhamos previamente, e que deve ser muito parecido com o que receberemos do ICA Bremen, tão logo o processo de requerimento oficial for iniciado. Podemos dizer que dos cerca de 100 itens constantes do documento, em torno 95% já foram realizados”, afirma o gestor de Qualidade da Abrapa, Edson Mizoguchi. Na ocasião, Drieling também avaliou o programa SBRHVI.

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Crescimento sustentável: 5 de junho Dia Mundial do Meio Ambiente

05 de Junho de 2018

No acumulado de duas safras consecutivas, 2016/2017 e 2017/2018, a produção de algodão no Brasil registrou um aumento da ordem de 57%, enquanto a área cresceu 25,6%, chegando a 1,2 milhão de hectares. A diferença no ritmo de crescimento revela os ganhos de eficiência nas lavouras, conquistados a cada safra. A estimativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) é, no curso de três a cinco anos, dobrar a área plantada e subir um degrau no ranking da produção mundial, chegando ao posto de quarto maior produtor. Na safra que começa a ser colhida, o Brasil deve colher dois milhões de toneladas de algodão em pluma.


Contudo, mais que apenas crescer em área e produção, os cotonicultores almejam fazer isso em bases sustentáveis, dando continuidade a uma história que começou há cerca de três décadas, quando a atividade migrou para o cerrado brasileiro. A palavra que, para muitos, é considerada um modismo, representou a diferença entre a extinção da cotonicultura no Brasil e a elevação do país ao grupo dos grandes players mundiais na produção da commodity.


Para crescer com o menor impacto possível ao meio ambiente, produtores de algodão investem em produtividade, a relação entre produção e área plantada. Nos primeiros anos da cotonicultura no cerrado, colhiam-se em média 675 quilos de pluma a cada hectare de lavoura. Na safra atual, os produtores esperam alcançar um número semelhante ao do ciclo de 2016/2017, em torno de 1,7 mil quilos de pluma por hectare. “A produtividade é o espelho de um trabalho bem-feito, que abarca a escolha das melhores variedades e tecnologias e o manejo correto da cultura, desenvolvida em condições favoráveis de clima e solo. É o que acontece no cerrado, região que concentra 97% da produção brasileira”, diz o presidente da Abrapa, Arlindo de Azevedo Moura.


Junto às demais culturas cultivadas na matriz produtiva diversificada, no cerrado, onde geralmente é consorciado à soja e ao milho, o algodão ajuda a manter o patrimônio natural ao ocupar áreas de antigas pastagens, e incorporar tecnologias avançadas em cultivares, máquinas e insumos para intensificar e tornar mais eficiente a produção e o uso dos recursos naturais. “Assim, menos aberturas de novas áreas são necessárias para o avanço agrícola, e, consequentemente, para a meta de dobrar a área plantada com algodão”, explica Moura.


Quando considerada a produção não irrigada, que é o que acontece em 96% da cotonicultura nacional, o Brasil é o campeão mundial de produtividade no algodão. No cômputo geral, perde para a Austrália, que irriga 100% de suas plantações. Aumentar a produtividade e a área plantada com o algodão vai favorecer uma escalada no Brasil no ranking dos maiores produtores de algodão, ocupando o quarto lugar, que atualmente é do Paquistão, acredita o presidente da Abrapa.



Diversificação


Arlindo Moura afirma que, além da produtividade, a rotação de culturas com soja e milho também contribui para o melhor aproveitamento da terra, pois a participação de cada cultivo pode ser balanceada dentro da própria matriz. “Se os preços do algodão são melhores que o da soja num determinado momento, ele vai avançar sobre a cultura da oleaginosa, sem precisar desmatar para isso”, exemplifica.


Com a diversificação da matriz produtiva, a atividade deixou de ser uma monocultura, como ocorrera no passado, quando a commodity estava concentrada no Nordeste brasileiro e nos estados de São Paulo e Minas Gerais. A mudança para o cerrado demandou uma revolução conceitual no cultivo do algodão do Brasil, que começou com a substituição das variedades arbustivas – anuais – pelas herbáceas, replantadas a cada safra. “Sem isso, não haveria como fazer rotação de culturas, que quebra o ciclo de pragas e doenças, evita a exaustão do solo e otimiza o uso dos adubos e fertilizantes de uma safra para outra”, diz Moura.


Segundo o pesquisador e consultor, Eleusio Curvelo Freire, a mudança da cotonicultura para o cerrado foi revolucionária. “Primeiro, por adaptar o algodão ao bioma, uma área sem qualquer tradição para este cultivo. Contamos com a Embrapa e empresas da iniciativa privada, que desenvolveram variedades específicas para o cerrado. Isso exigiu tempo e dinheiro. Hoje estamos em outra fase da tecnologia. Temos os OGMs, máquinas modernas, capazes de mensurar com precisão a quantidade necessária de sementes e insumos por área, monitoramento por satélite, manejo estratégico de pragas e doenças, conjugando defensivos químicos e biológicos, uso intensivo de drones e outras inovações que nem mesmo na cidade são vistas, como os veículos autoguiados”, afirma.



Verde conservado


Nas propriedades produtoras de algodão no cerrado, a preservação da mata nativa excede os 20% determinados por lei nas chamadas Reservas Legais (RL), e a conservação das Áreas de Preservação Permanente (APP), como topos de morro, veredas e matas ciliares, é, de acordo com Arlindo Moura, rigorosamente cumprida. “Quem descumprir a lei, colocará em risco a aquisição de crédito e a exportação. Não conseguiríamos ser o quinto maior produtor de algodão mundial nem o quarto maior exportador sem observar os aspectos legais”, afirma.


Doutor em Ecologia e Chefe Geral da Embrapa Territorial, Evaristo de Miranda contrapõe as diferentes narrativas acerca do cerrado. “Inicialmente, o bioma de mais de 200 milhões de hectares, que representa ¼ do território brasileiro, era uma terra improdutiva que ninguém queria ‘nem de herança’. Depois, no final dos anos de 1990 e início dos anos 2000, graças à agricultura e a todo investimento tecnológico, principalmente, para correção dos solos, o cerrado ficou conhecido o ‘celeiro do Brasil’. Prova disso é que 97% do algodão que o país produz, 52% da cana-de-açúcar, 73% dos pivôs de irrigação e 33% dos armazéns, com capacidade de armazenagem de 43%, estão nos lá”, enumera.


Com o ambientalismo, afirma Miranda, começou a emergir a narrativa de que o cerrado está ameaçado pelo agronegócio. “Isso não é verdade. A agricultura no cerrado não é fonte de desmatamento e sim de conservação, porque converteu áreas de pastagens em lavouras. Nos últimos 17 anos, a perda de vegetação nativa do cerrado foi de 0,25% ao ano, o que é irrisório. E, mesmo assim, não se pode creditar o desmatamento unicamente à agricultura. Parte disso pode estar associada à expansão das cidades, da malha rodoviária, por exemplo. Precisamos de números e mapas para definir isso”, afirma. “Por outro lado, quanto cresceu a renda e a produção de alimentos nesses últimos 17 anos?”, questiona.



Cerrado em expansão


Ainda de acordo com Evaristo de Miranda, no estado de São Paulo, que tem 1/3 do seu território no cerrado, nos últimos 20 anos não apenas não houve desmatamento, como o bioma está aumentando, após a revisão do Código Florestal Brasileiro.


“A expansão da agricultura está cumprindo o ideário ambientalista, que é não desmatar e converter pasto em área agrícola. Essa conversão se dá com o que há de mais moderno. O que existe de mais tecnológico e inovador está sendo aplicado no cerrado, e o resultado é intensificação, alta produtividade, uso da área integrado entre lavoura, pecuária e floresta, com rotação de culturas e plantio direto na palha”, elenca o chefe da Embrapa Territorial.


Segundo estudo contratado à instituição pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), o Oeste da Bahia é a região que mais preserva o meio ambiente naquele estado. Os 55 mil agricultores inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) somam 7,9 milhões de hectares, sendo 4,1 milhões de hectares destes, preservados. Juntas, as Reservas Legais, APPs e a vegetação excedente respondem por 52% do cerrado baiano. “Esses produtores só usam 48% dos seus imóveis. A lei os autoriza a usar 80%. Em patrimônio imobilizado, isso representa, por baixo, R$11 bilhões dedicados à preservação da vegetação nativa, mantidos às suas custas. Que outra categoria faz isso? Bombeiros, jornalistas, dentistas, médicos, advogados?”, questiona.


Pelos números da Embrapa Territorial, o cerrado da Bahia, dentro do bioma nacional, representa de 7 a 8%. Mato Grosso, 17,6%; Minas Gerais, 16,4%; Goiás, 16,2% e São Paulo, 4%. “A quase totalidade da produção brasileira de algodão está nesses estados”, diz Evaristo de Miranda, lembrando também têm cerrado no Piauí, Tocantins e Maranhão.



Sinônimo de sustentabilidade


Ao adotar uma mentalidade sustentável, o Brasil se consagrou como o maior fornecedor mundial de algodão licenciado pela ONG suíça BCI. Em 2017, aproximadamente 30% de toda a fibra licenciada pela entidade suíça Better Cotton Initiative (BCI) saíram de lavouras brasileiras. A BCI é um programa global que está presente em 21 países e é referência internacional em licenciamento de algodão produzido sob os parâmetros da sustentabilidade, conceito baseado em três pilares: ambiental, social e econômico.


Alcançar esse status exigiu dos cotonicultores nacionais a adoção de uma mentalidade orientada para a melhoria constante, um processo liderado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que congrega os cotonicultores dos dez estados produtores. O avanço sustentável tem em sua base o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), gerido pela Abrapa, e que, desde 2013, atua em benchmarking com a BCI, visando o incremento progressivo das boas práticas nas fazendas de algodão.



Na safra 2016/2017, 78% da pluma produzida no Brasil foram certificados pelo programa ABR e 69% receberam o licenciamento da BCI. No período, o país produziu 1,5 milhão de toneladas de pluma, em 939 mil hectares de lavouras.


“O benchmarking do ABR com a BCI é coordenado em todo o território nacional pela Abrapa, sendo implantado e executado pelas associações estaduais de produtores que a compõem. É sem dúvida um fator de diferenciação da nossa fibra no mercado internacional e contribui, somado a outras iniciativas da nossa associação, para o fortalecimento da imagem do algodão brasileiro e para o reconhecimento do país como origem sustentável de fibra”, diz Arlindo Moura.


Segundo Moura, a demanda por algodão sustentável é crescente, fruto da conscientização do cliente final. “Inúmeras marcas relevantes de vestuário estão comprometidas com o consumo de algodão sustentável, e almejam comprar exclusivamente algodão com a certificação BCI nos próximos anos, como a Adidas, Nike, H&M, C&A, dentre outras. Mesmo no mercado brasileiro, há indústrias que hoje dão preferência ou exclusividade ao algodão chancelado por esses programas. A sustentabilidade é um caminho que, para o bem das pessoas e do planeta, não permite retrocesso”, afirma.

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Nota Oficial

30 de Maio de 2018

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que, no primeiro momento da greve, manifestou o seu apoio à paralisação dos caminhoneiros autônomos e empresários, entende que o movimento ultrapassou o limiar da segurança nacional e da responsabilidade ao se estender por tantos dias.

Estamos na iminência de uma grande safra de algodão, estimada em 1,9 milhão de toneladas de pluma, e os estados que já iniciaram a colheita estão sofrendo as consequências da greve, com problemas no beneficiamento e na comercialização do algodão já colhido na safra 2017/2018.

Para transportar toda a safra, são necessários cerca de 62 mil caminhões, que levarão a commodity até as indústrias nacionais e aos portos de Santos e Paranaguá, de onde parte para o mercado externo. O caroço de algodão, importante insumo da pecuária, também é transportado por caminhão, para alimentar os rebanhos nacionais. Além de atrapalhar o cumprimento dos contratos de fornecimento de fibra e caroço, a greve também compromete o frete de retorno, com os fertilizantes e defensivos que serão utilizados para o plantio da safra seguinte.

Na safra 2016/2017, a cotonicultura gerou 1,22 milhão de empregos, que representaram uma massa salarial anual de US$ 11,81 bilhões. Somam-se a esses, os milhares de postos de trabalho na indústria e no comércio, setores que previam crescimento, com os primeiros sinais de retomada da economia, em 2018. Se a greve continuar, não só os novos empregos necessários ao aumento da produção estão fadados a não existir, como os que hoje já existem estarão ameaçados. Isso inclui os empregos e serviços dos próprios caminhoneiros, pois, sem produção, não há o que transportar.

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Vicunha e Abrapa anunciam parceria para o movimento Sou de Algodão

28 de Maio de 2018

Uma das principais líderes mundiais na produção de índigos e brim, a Vicunha Têxtil firma parceria com o movimento Sou de Algodão. O anúncio foi feito na última quinta-feira (24), após o painel liderado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), na 23ª edição do Clube da Fibra, evento da FMC Agrícola, que reúne representantes de todo o setor algodoeiro, desde o dia 23 até 26 de maio, em São Paulo. Lançado em 2016, o movimento já conta com aproximadamente 30 parceiros – dentre os quais, algumas das maiores têxteis do país – unidos pelo desejo de aumentar a demanda pelo algodão no mercado brasileiro, através da conscientização do consumidor final. A meta da Abrapa é, em cinco anos, incrementar em dez pontos percentuais a presença da fibra na indústria nacional.


Para o presidente da Abrapa, Arlindo de Azevedo Moura, o engajamento da Vicunha reflete a importância que a iniciativa vem ganhando ao longo dos elos da cadeia produtiva, com destaque para a indústria têxtil, de confecções e o varejo. “Quando uma empresa como a Vicunha, com toda sua tradição e credibilidade, abraça o movimento, ele se fortalece, potencializando a atração de novos parceiros. O grande lastro das parcerias que fazemos no Sou de Algodão é a associação de valores positivos. Dentre estes, ressalto a sustentabilidade. Estamos muito felizes em ter a Vicunha Têxtil conosco. Trata-se de uma empresa com meio século de história na transformação dessa matéria-prima nobre em tecidos e fios, que se preocupa com pessoas e com o meio ambiente e tem o algodão como sua principal matéria-prima”, afirma.


Segundo a Abrapa, na safra 2017/2018, que está sendo colhida, a expectativa dos produtores é de alcançar dois milhões de toneladas de pluma de algodão, um crescimento de 20,7% em relação ao ciclo anterior. “O que queremos com o Sou de Algodão é, num futuro próximo, que o parque têxtil nacional use mais a nossa fibra, atendendo a um aumento de demanda nos pontos de venda, impulsionado por um consumidor que entende e se preocupa com o que está comprando. Que se importa com o modo como a sua roupa foi produzida e busca os benefícios de um produto que é natural, confortável, antialérgico, versátil e que deixa a sua pele respirar melhor”, conclui Arlindo Moura.


Protagonismo


A Vicunha conta com unidades fabris no Brasil (CE e RN), Equador e Argentina, além de centros de distribuição e escritórios comerciais espalhados pela América Latina, Europa e Ásia.


“Estamos muito felizes em fazer parte desse movimento. Como indústria, reconhecemos que é nossa missão colaborar com mudanças necessárias para o desenvolvimento do setor têxtil, especialmente no que se refere à transparência, inovação e sustentabilidade. Ao mesmo tempo, torna-se evidente nosso papel de conscientização junto a toda cadeia produtiva, em um contexto de transformações nos âmbitos social, econômico e ambiental. O Sou de Algodão sintetiza esse propósito e nos orgulhamos de poder valorizar o protagonismo dessa matéria-prima em um momento-chave para o mercado”, afirma Marcel Imaizumi, Diretor Executivo de Operações e Planejamento Estratégico da Vicunha.



Sobre a Vicunha Têxtil


Líder mundial na produção de índigos e brins, a Vicunha Têxtil está sempre antenada com o que há de mais inovador no setor, trazendo a mais alta qualidade e tecnologia às suas coleções. Baseados em constantes pesquisas que apontam as principais tendências de moda e comportamento no mundo, os índigos e brins Vicunha visam não apenas atender à demanda, mas surpreender um mercado em constante transformação.

Os tecidos Vicunha estão presentes nas passarelas nacionais e internacionais das principais semanas de moda do mundo. Sua versatilidade também pode ser conferida nas mais variadas peças de coleções de marcas renomadas, de grifes famosas a grandes redes varejistas.

A fabricante marca presença anualmente em feiras mundiais do ramo têxtil e participa dos maiores eventos de moda do país, apoiando desfiles de estilistas conceituados e novos designers. O suporte a profissionais que trabalham em prol de propostas inclusivas e o incentivo a jovens talentos são características da Vicunha Têxtil, que atua há 50 anos no setor.

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Em 30 anos, o agro brasileiro se modernizou. A lei de defensivos agrícolas, não.

21 de Maio de 2018

Nas últimas três décadas, a agricultura brasileira deu um salto de modernidade, que resultou em mais eficiência nas fazendas, aumento da produção e menos necessidade de abertura de áreas para as lavouras. Para isso, foi preciso investimento em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias para a prevenção e combate das pragas e doenças que tanto afetam a agricultura tropical. Cultivares, máquinas, equipamentos, defensivos químicos e biológicos tornaram-se mais assertivos e sustentáveis e o Brasil virou um dos maiores provedores de alimentos do mundo, assegurando grande parte do suprimento global. Mas para continuar nesse caminho e garantir a segurança alimentar de uma população mundial que deve chegar em breve a nove bilhões de pessoas, o agro precisa de leis que acompanhem o seu avanço, sem colocar em risco a segurança do meio ambiente e seres humanos. A proposta do PL 3200/2015, a Lei dos Defensivos, é tornar o processo de registro de químicos menos burocrático e mais eficiente, como já acontece em diversos países.

Uma lei criada há 30 anos, se deixada como está, pode ser a diferença entre fartura e escassez para bilhões de vidas humanas.


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Mato Grosso do Sul sedia a primeira mobilização para adesão ao SBRHVI na safra 2017/2018.

11 de Maio de 2018

Representantes de todos os elos da cadeia produtiva do algodão em Mato Grosso do Sul se reuniram na quinta-feira (10/05) para falar sobre rastreabilidade, em uma ação liderada pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) com a Associação Sul Matogrossense dos Produtores de Algodão (Ampasul). O tema é foco do programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), uma das prioridades da Abrapa em seu trabalho pelo incremento da credibilidade, fortalecimento da imagem e abertura de mercado para o algodão brasileiro.

Um dos primeiros estados a colher na safra em curso, o Mato Grosso do Sul tem previsão de produzir em torno de 56 mil toneladas de pluma, ou 137 mil toneladas de algodão em caroço, em seus 30,5 mil hectares de lavouras. O encontro foi realizado na Casa do Produtor Rural de Chapadão do Sul. Na ocasião, os participantes puderam conhecer mais sobre o movimento Sou de Algodão, iniciativa da Abrapa para fomentar o consumo no mercado interno e chamar atenção para as vantagens da fibra natural.

Para o diretor executivo da Ampasul, Adão Hoffmann, o resultado da mobilização foi muito positivo, tanto em público, quanto em conscientização. “Podemos dizer que a quase totalidade da cadeia produtiva do algodão, sendo praticamente todas as fazendas, além de algodoeiras e consultores estiveram representados. Acredito que vamos ter uma adesão bem significativa ao SBRHVI”, disse o executivo, lembrando que a transparência, requisito fundamental da rastreabilidade, implica na abertura de dados e ajustes operacionais “e isso

sempre pode causar alguma resistência. Mas, da mesma forma que ocorreu com outros programas da Abrapa, como o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), a resistência será progressivamente quebrada, e a adesão vai se tornar uma demanda natural do mercado”, prevê.

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Moda Sustentável

09 de Maio de 2018

O Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), juntamente com o Movimento Sou de Algodão, foram a tônica das palestras do presidente da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa), Carlos Alberto Moresco, e da consultura da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Manami Kawaguchi, que falou sobre o movimento Sou de algodão, na segunda-feira, dia 7, para os estudantes do curso de Design de Moda, da Faculdade Universo, em Goiânia. Moresco e Manami foram os convidados para a Semana da Moda, evento voltado à discussão da produção têxtil em seus mais variados aspectos.

Moresco apresentou dados sobre o aumento da produção de algodão sustentável no Brasil, por meio do programa ABR. Atualmente, o país é o maior produtor da fibra dentro dos critérios internacionais de sustentabilidade, atingindo 30% de todo o volume mundial. Os pilares econômico, ambiental e social foram apresentados, de forma a mostrar o nível de comprometimento da cotonicultura brasileira com o meio ambiente, com a qualidade de vida do trabalhador e com a abertura dos mercados mais exigentes em todo o planeta.

“Atualmente, 93% da produção de algodão em Goiás tem certificação de sustentabilidade. Nossa meta é chagar a 100%”, diz. As certificações requerem uma adequação de mais de 270 requisitos por parte do produtor, garantindo a segurança do trabalhador, a preservação do solo e dos recursos ambientais e a rentabilidade da produção. As auditorias para a certificação pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e licenciamento pela Better Cotton Initiative (BCI) são realizadas por certificadoras independentes, de terceira parte. Desde 2013, ABR e BCI operam em benchmarking no Brasil. A ABR é uma organização internacional, com sede na Suíça, que atua para melhorar a produção mundial do algodão. Seus associados são entidades que representam produtores, marcas de confecção prestigiadas, varejistas, fornecedores e outros elos da cadeia econômica do algodão, além da sociedade civil.


Moda


Manami Kawaguchi falou sobre as estratégias que o algodão brasileiro tem buscado para compartilhar, com a sociedade, informações sobre as vantagens do uso da fibra natural no desenvolvimento da moda. A palestra teve o objetivo de mostrar aos estudantes a importância do tecido de algodão para a saúde do consumidor, aliada às possibilidades que oferece na produção e design de moda. O momento também foi de esclarecer dúvidas sobre seu processo de fabricação, desde o plantio até a chegada ao mercado.

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