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Abrapa e Abiove discutem impactos do melhoramento genético na indústria de óleo de algodão

Encontro abordou a necessidade de equilíbrio entre o aumento da fibra e a perda de eficiência no processamento do caroço, e abriu caminho para ações conjuntas entre os elos da cadeia

17 de Abril de 2026

Em reunião realizada na última segunda-feira, 13/04, representantes da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e do Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt), discutiram sobre os efeitos colaterais do avanço genético do algodão focado em produtividade e qualidade da fibra sobre o caroço, matéria-prima essencial para a indústria de óleo e farelo.


O encontro evidenciou o esforço conjunto entre produtores e indústria para alinhar a produção da pluma e do óleo vegetal. De acordo com o Diretor Executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, “A reunião marca um passo importante para aproximar os elos da cadeia e buscar um equilíbrio entre produtividade no campo e qualidade industrial, desafio central para manter a competitividade do algodão brasileiro em um mercado cada vez mais pressionado por eficiência e integração”.


Quantidade de fibra versus teor de óleo


Para representantes da indústria, a variação no teor de óleo dos caroços e a fragilidade do tegumento, membrana que fica entre a casca e a semente, em algumas variedades aumenta a presença de fragmentos na fibra afeta a receita do esmagamento e traz dificuldades no beneficiamento. Já a redução no tamanho das sementes compromete o rendimento industrial e a logística de transporte e armazenamento.


Do lado da pesquisa a prioridade continua sendo o desenvolvimento de variedades que aumentam a produção de fibra por hectare. Essa diretriz está ancorada em correlações genéticas conhecidas, uma vez que, a alteração de características como tamanho do capulho ou rendimento de fibra, tem efeitos indiretos sobre o tamanho da semente e o teor de óleo. Ainda assim, na avaliação dos especialistas do IMAmt, é possível reequilibrar o germoplasma para recuperar níveis de óleo entre 18% e 20% em cerca de cinco anos. Já avanços mais ambiciosos, que levem o teor a patamares entre 25% e 30%, demandariam de uma a uma década e meia, além da busca por variabilidade genética fora das espécies atualmente utilizadas.


Além disso, o óleo de algodão disputa espaço no mercado de proteínas e de óleos vegetais com outras cadeias, como soja e milho, pressionando as margens do setor. O encontro também discutiu a necessidade de criar incentivos econômicos, como o pagamento de bônus por maior teor de óleo, que por enquanto esbarraram em entraves logísticos, especialmente na falta de segregação adequada dos lotes.


Equilíbrio entre produtividade no campo e qualidade industrial


Como encaminhamento, as entidades concordaram em avançar em três frentes. A primeira é ampliar testes e critérios de seleção, incluindo a dureza do tegumento, com expectativa de retirar do mercado, em dois a três anos, as variedades mais problemáticas; A segunda é formalizar, de maneira conjunta, as demandas da cadeia para os desenvolvedores de cultivares, integrando parâmetros industriais ao processo de melhoramento; Por fim, ganhou força a proposta de mapear os materiais atualmente em circulação e estudar mecanismos viáveis de segregação e premiação, capazes de induzir produtores e multiplicadores a priorizarem sementes com melhor desempenho para a indústria.

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