Destaque da Semana 1 - A intensificação do conflito no Oriente Médio, com fechamento do Estreito de Hormuz e adicional de guerra no custo do frete, afetou o sentimento na cadeia têxtil global e aumentou a aversão a risco no algodão.
Destaque da Semana 2 - O sentimento do mercado, porém, melhorou nos últimos três dias, com cotações se estabilizando, à medida que os fundamentos do algodão melhoram e investidores globais passam a prever que a interrupção da oferta de petróleo no Golfo Pérsico pode durar pouco com as recentes ações anunciadas pelos EUA.
Canal do Cotton Brazil - Quer se manter atualizado sobre o mercado de algodão no mundo? Participe: https://bit.ly/Canal-CottonBrazil.
Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 05/mar cotado a 66,00 U$c/lp (-1,6% vs. 26/fev). O contrato Dez/26 fechou em 68,73 U$c/lp (-1,0% vs. 26/fev).
Basis Ásia - O Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 834 pts para embarque Mar/Abr-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 05/mar/26.
Oferta - A Cotlook estima a produção global de algodão em 26,16 milhões de toneladas em 2025/26, ante 26,37 milhões em 2024/25, representando recuo de aproximadamente 0,8% ano a ano. Para 2026/27, a projeção inicial é de 25,08 milhões de toneladas, indicando nova queda de cerca de 4,1% frente a 2025/26.
Demanda - A Cotlook projeta o consumo global de algodão em 25,10 milhões de toneladas em 2025/26, ante 25,51 milhões em 2024/25, indicando retração de cerca de 1,6% ano a ano. Para 2026/27, a estimativa inicial é de 25,23 milhões de toneladas, sugerindo recuperação de aproximadamente 0,5% em relação a 2025/26.
Baixistas 1 - A situação segue preocupante no Oriente Médio, com ataques dos EUA e Israel em território iraniano, retaliações nos países do Golfo Pérsico e fechamento do Estreito de Hormuz. O cenário elevou o risco de choques de energia, frete e logística para toda a cadeia do algodão.
Baixistas 2 - O dólar segue fortalecido em meio à escalada de tensões, reafirmando seu papel de moeda de refúgio; esse movimento tende a pressionar as commodities cotadas em US$, incluindo o algodão.
Baixistas 3 - Na China, embora o algodão importado esteja competitivo, estoques de fio nas fiações estão aumentando, com compradores relutantes em aceitar novos aumentos de preços, o que tende a frear compras adicionais de algodão no curto prazo.
Baixistas 4 - Em Bangladesh, o valor das exportações de vestuário em fevereiro ficou bem abaixo de janeiro e acumula queda de cerca de 4% nos primeiros oito meses do ano fiscal, ao mesmo tempo em que aumentam os temores com custos de energia.
Baixistas 5 - O algodão continua caro em relação ao poliéster. Mesmo após alguma melhora nos últimos anos, a relação de preços entre fibra natural e sintética ainda está bem acima da média histórica. Essa perda de competitividade estrutural frente ao poliéster é um freio importante para o crescimento do consumo de algodão, especialmente em cenários de renda apertada.
Baixistas 6 - A alta recente do petróleo para máxima de 12 meses, combinada com fortalecimento do dólar, reforça o risco de um novo ciclo de inflação global concentrada em energia, frete e alimentos, segmentos que concorrem diretamente com o orçamento do consumidor. Em contextos assim, o algodão historicamente é uma das primeiras commodities a sofrer destruição de demanda, pois roupas e têxteis domésticos são postergados em favor de gastos essenciais.
Altistas 1 - Uma possível escalada dos preços do poliéster, em meio ao conflito no Irã e às interrupções na cadeia petroquímica, pode provocar uma mudança no mix de fibras no mercado global de vestuário. Fibras naturais (como o algodão) e sintéticos reciclados podem ganhar espaço.
Altistas 2 - O relatório Cotton On Call da CFTC mostrou que, somando os contratos maio e julho/26, as vendas a fixar das fiações passaram a superar as compras a fixar de produtores em pouco mais de 650 mil fardos (cerca de 142 mil tons), o que significa que, para zerar essas posições, o mercado precisa comprar mais futuros do que vender.
Altistas 3 - Isso, somado ao avanço dos resgates do algodão empenhado no loan nos EUA, reduz uma parte importante da pressão vendedora estrutural sobre NY e abre espaço para movimentos de alta quando houver gatilhos de demanda ou de risco geopolítico.
Altistas 4 - Relatórios recentes indicam negócios recentes de algodão brasileiro e norte-americano para China, Vietnã e Sul da Ásia, mostrando que há demanda efetiva nesses níveis de preço.
Altistas 5 - Na China, com estoques em porto estimados em cerca de 550 mil tons e mais de dois terços da safra 2025/26 já vendida, muitas fiações seguem interessadas em importar, o que sustenta a procura por algodão brasileiro e americano.
Altistas 6 - Projeções iniciais sugerem queda da produção em 2026/27 em alguns exportadores importantes, como a Austrália, devido a cenário de água mais apertado para irrigação e preços pouco atrativos. Se confirmadas reduções também em área nos EUA e em outros países, o balanço global tende a se apertar mais à frente.
Agenda - Na terça-feira 10/mar, o USDA divulgará o relatório WASDE de março, com atualização das projeções de produção, consumo, comércio e estoques mundiais de algodão e demais commodities agrícolas.
Mundo 1 - Segundo o ICAC, a safra 2026/27 deve registrar queda de ~4% na produção, para algo em torno de 24,8 milhões de toneladas, enquanto o consumo se mantém perto de 25,0 milhões de toneladas, deixando o balanço global um pouco mais apertado.
Mundo 2 - O comércio mundial é projetado em cerca de 9,6 milhões de toneladas, com Brasil e EUA mantendo o protagonismo nas exportações e Bangladesh e Vietnã como principais destinos, apoiados em setores têxteis em expansão.
Mundo 3 - China segue como maior produtor e consumidor, mas o avanço das fibras sintéticas tende a limitar o crescimento da demanda por algodão, mesmo com a perspectiva de estoques globais um pouco mais justos.
Mundo 4 - Clima mais instável e falta de água em regiões como Paquistão e partes dos EUA já afetam a perspectiva de produção, enquanto novas políticas comerciais e incertezas tarifárias podem aumentar a volatilidade de preços na temporada.
China - A CNCotton trabalha com produção de 7,41 milhões de tons, consumo de 8,16 milhões e importações de 1,1 milhão de tons em 2025/26, com estoques finais projetados em 6,88 milhões de tons (+330 mil vs 2024/25). O mercado interno segue relativamente abastecido, mas com espaço para importações competitivas.
EUA - A discussão da nova Farm Bill começou na Câmara em 3/mar, com o setor agropecuário pressionando por atualização de programas de apoio diante do aumento dos custos e da perda de participação no comércio mundial.
Vietnã - Fiações vietnamitas relatam boa carteira de pedidos de tecidos e vestuário até o segundo trimestre de 2026, com destaque para artigos produzidos com algodão norte-americano. As compras concentram-se em algodão disponível em portos ou em estoques consignados, e o algodão brasileiro de safra 2025 também desperta interesse em função do preço competitivo frente a outras origens.
Paquistão - A tensão crescente na fronteira Paquistão-Afeganistão e o ambiente regional mais instável atuam como freio para novos contratos de algodão, em especial para embarques mais distantes.
Aprendizagem – Começa na próxima semana a 3ª edição do Brazilian Cotton School, iniciativa das quatro principais instituições da cadeia do algodão no Brasil: Abrapa, Abit, Anea e BBM. O curso terá três semanas e reunirá mais de 30 profissionais de diferentes elos da cadeia, com programação dividida entre Brasília e São Paulo.
Qualidade da fibra - A Abrapa disponibiliza uma plataforma digital que amplia a transparência e o acesso às informações sobre a qualidade da fibra do algodão brasileiro. A ferramenta permite consultas personalizadas sobre a evolução das principais características das amostras, com dados atualizados diariamente. Acesse https://abrapa.com.br/sbrhvi.
Exportações 1 - As exportações brasileiras de algodão somaram 270,5 mil toneladas em fev/26, queda de 1,5% em comparação com fev/25.
Exportações 2 - No acumulado de ago/25 a fev/26, as exportações brasileiras de algodão somam 2 milhões de toneladas, alta de 4,8% com relação ao mesmo período em 24/25.
Beneficiamento 2024/25 - O beneficiamento já está em fase final, restando apenas o estado de MT, que se encontra com 99% concluído, para o encerramento total do beneficiamento. Total Brasil: 99,27%
Plantio 2025/26 - Até o dia de ontem (05/03), a semeadura foi finalizada em praticamente todos os estados. Restam apenas Minas Gerais (99%) e Piauí (94,52%) para a conclusão do plantio. Total Brasil: 99,89%
Preços - Consulte a tabela de cotações abaixo:
Quadro de cotações para 05-03 (1).xlsx - Google Planilhas
Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com