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Abrapa publica nota técnica sobre prevenção da contaminação por plástico no algodão

Material reúne boas práticas do campo às usinas de beneficiamento e reforça o compromisso do produtor brasileiro com o algodão de qualidade

17 de Outubro de 2025

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) publicou, nesta terçafeira, 15/10, a Nota Técnica “Prevenção da Contaminação por Plástico no Algodão”, documento que consolida orientações práticas e técnicas para evitar a presença de resíduos plásticos na pluma, desde a colheita até o beneficiamento.
O material foi elaborado pela Abrapa junto ao Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), com o objetivo de apoiar produtores e profissionais das unidades de produção na adoção de procedimentos padronizados que assegurem a pureza e qualidade da fibra brasileira.


“No Brasil, a contaminação por plástico é mais um dos desafios que o cotonicultor enfrenta nas suas fazendas e UBAs. Entendendo que esse é um problema mitigável e a Abrapa está atuando para garantir que o nosso algodão mantenha o padrão de pureza e credibilidade reconhecido pelos mercados mais exigentes”, afirma o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero.


Sobre as precauções que devem ser tomadas desde a escolha do plástico adequado para embalar o algodão nas colheitadeiras e o manejo na lavoura, até o transporte e a abertura dos rolinhos (módulos) nas UBAs, o documento destaca ações preventivas que podem ser tomadas para evitar perdas econômicas, já que os problemas causados pela presença de resíduos plásticos na pluma podem prejudicar a reputação do produto no mercado internacional. Além disso, reforça a importância da comunicação entre os elos da cadeia e do cumprimento das normas de segurança.


Prevenir a contaminação tem impactos na qualidade do algodão, e consequentemente na competitividade no cenário internacional. De acordo com gerente de qualidade da Abrapa, Deninson Lima, “A contaminação por plásticos é evitável. Basta que cada etapa do processo seja conduzida com atenção, responsabilidade e comunicação. Essa disciplina é o que mantém o algodão brasileiro entre os mais valorizados do mundo”, destaca.


Acesse a Nota Técnica “Prevenção da Contaminação por Plástico no Algodão”, ela está disponível para download no link:
https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Nota-Tecnica-Contaminacao-Por-Plastico.pdf

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Sou de Algodão destaca a moda rastreável na SPFW 2025

Desfile “Trajetórias” reúne produtores, indústrias e estilistas em uma celebração coletiva da moda consciente na 60ª edição do evento, que completa 30 anos

17 de Outubro de 2025

O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), retorna à São Paulo Fashion Week (SPFW) para seu 4º desfile, reafirmando o compromisso com uma moda que nasce no campo e floresce na passarela. A apresentação acontece no dia 17 de outubro, sexta-feira, às 19h, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, em São Paulo.


Com o tema “Trajetórias”, a coleção é uma celebração do percurso da fibra nacional com certificação socioambiental pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) - um caminho que parte da terra, passa pelas mãos de agricultores e indústrias têxteis e chega à criação autoral de seis nomes expressivos da moda nacional. Os 36 looks all black a serem apresentados foram produzidos integralmente com algodão rastreável pelo programa SouABR.


Rastreabilidade como estética e essência


Nesta edição, o Sou de Algodão apresenta um retrato inédito da cadeia de valor da fibra no Brasil. A coleção a ser apresentada traz a trajetória da fibra que envolveu:




  • 6 estados - Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Piauí;

  • 41 municípios;

  • 82 fazendas certificadas ABR;

  • 61 produtores e grupos responsáveis pelo cultivo;

  • 456 trabalhadores nas fazendas;

  • 079 fardos de pluma de algodão;

  • 5 fiações (936.164,28 kg de fio);

  • 4 tecelagens (843,7 metros de tecidos);

  • 1 malharia (29,47 kg de malha);

  • 6 confecções / estilistas (81 peças assinadas pelos 6 estilistas).


“Em Trajetórias, a rastreabilidade deixa de ser apenas um dado técnico e se transforma em linguagem estética. Cada peça carrega um código de origem e uma história verdadeira”, explica Silmara Ferraresi, gestora do movimento Sou de Algodão e diretora de Relações Institucionais da Abrapa.


O presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, complementa: “Este desfile é o resultado da união de 61 produtores, seis indústrias e seis estilistas. Cada fio representa uma conexão real entre o campo e a criação - um símbolo de qualidade, rastreabilidade e compromisso coletivo com a moda responsável”.


Da terra ao tecido: um ciclo completo de colaboração


A coleção foi construída com algodão proveniente de propriedades certificadas pelo programa ABR, que garante padrões de sustentabilidade social, ambiental e econômica.


As fibras cultivadas nos seis estados brasileiros foram transformadas em fios, tecidos e malhas por seis indústrias têxteis parceiras do movimento:




  • Fio Puro (fiação) - 200 colaboradores. Reconhecida pelas certificações Better Cotton e pelo Prêmio Parceiro Estratégico Sustentável (Grupo Viveo);

  • Cataguases (fiação e tecelagem) - 1.400 colaboradores. Certificações: Better Cotton, OekoTex100, EcoCert, EcoVero, LivaEco, Lixo Zero, ZDHC e Empresa Amiga da Criança;

  • RenauxView (fiação e tecelagem) - 500 colaboradores;

  • Santana Textiles (fiação e tecelagem) - 1.700 colaboradores, com certificações pela Better Cotton, Gateway, Higg-Index e Selo Verde (Jornal Meio Ambiente);

  • Dalila Têxtil (malharia) - 700 colaboradores, com certificações OekoTex100 e Better Cotton;

  • Vicunha Têxtil (fiação e tecelagem) - 6.000 colaboradores e ampla lista de reconhecimentos: Better Cotton, ISO14001, OekoTex100, RegenagriCS e Global Recycled Standard (GRS).


Cada uma dessas empresas representa uma etapa essencial do percurso do algodão - da fiação à tecelagem, da malharia à confecção - compondo um retrato de colaboração e comprometimento com a rastreabilidade.


Conceito criativo: o preto como ponto de encontro


O conceito “Trajetórias”, criado por Paulo Borges, idealizador da SPFW e diretor criativo, ganha tradução estética pelo stylist Paulo Martinez, que retorna com uma leitura poética e simbólica do algodão.


“O preto é a soma de todas as cores, o ponto de convergência de todos os caminhos”, explica Martinez. “Optamos por uma coleção all black como gesto de celebração, um black tie para comemorar os 30 anos da semana de moda paulistana. É sobre união, sobre o encontro de todos que fazem a moda existir, do campo à passarela”.


A beleza, assinada por Jana Moraes, valoriza texturas sutis, brilho natural e variações de luz e sombra, destacando a fibra e sua versatilidade em diferentes volumes, pesos e superfícies.



Os criadores e suas interpretações


Alexandre Herchcovitch
Com 29 colaboradores, o estilista traz uma alfaiataria de algodão que rompe com o imaginário casual e assume elegância e precisão. O tricoline, o denim cru e a sarja são apresentados em sua forma essencial, sem lavagens ou artifícios.


“Meu desejo é que rastreabilidade e responsabilidade sejam o básico da moda. Que saber de onde vem o tecido seja tão natural quanto vesti-lo”, afirma Herchcovitch.


ALUF
Com 30 colaboradores, a marca dirigida por Ana Luísa Fernandes leva o algodão ao território da festa e da escultura. Vestidos volumosos, alças arquitetônicas e acabamentos delicados revelam o potencial sofisticado da fibra.


“A rastreabilidade é parte da beleza. Saber a origem do tecido é o que dá sentido ao que fazemos”, diz Ana Luisa.


Amapô
A dupla Carô Gold e Pitty Taliani, com uma equipe de quatro pessoas, revisita o próprio arquivo de 20 anos para recriar peças icônicas em novas proporções e texturas.


“Foi um exercício de desapego e de reconstrução. Cada peça renasce com a leveza de um novo começo”, conta Carô.


David Lee
Com sete colaboradores, o estilista cearense transforma o tema “Trajetórias” em metáfora visual: costuras e texturas que lembram estradas e mapas. A coleção mescla rusticidade e refinamento em looks que homenageiam o trabalhador rural e o consumidor urbano.


“O algodão é o elo entre dois mundos. Minha coleção mostra o caminho que a fibra percorre, e as pessoas por trás dele”, reitera David.


Fernanda Yamamoto
Com 15 colaboradores, Fernanda leva o algodão a construções arquitetônicas de alta precisão. Suas peças combinam listras, origamis e alfaiataria contemporânea, provando a versatilidade da fibra.


“O algodão é estrutura e suavidade, resistência e poesia. Ele é o corpo da moda brasileira”, define a estilista.


Weider Silveiro
Com sete colaboradores, Weider revisita a alfaiataria sob uma ótica fluida e sem gênero. Suas criações exploram contrastes entre o masculino e o feminino em tecidos de diferentes pesos.


“Desconstruir o algodão é um ato de afeto. Ele é humano, respirável e real”, resume o estilista.



O algodão como símbolo de união e propósito


Em “Trajetórias”, produtores, indústrias e criadores dividem o mesmo palco. Cada peça carrega a identidade de 82 fazendas e 61 grupos produtores, espalhados por 41 municípios de seis estados - um retrato vivo de uma cadeia que emprega mais de 5.400 pessoas, com presença crescente de mulheres e inclusão de trabalhadores com deficiência.


“Ver o Sou de Algodão na passarela da SPFW é testemunhar a força da moda brasileira quando ela se conecta à sua origem e projeta o futuro com consciência”, conclui Paulo Borges. “É o ciclo completo, da fibra à criação, transformado em beleza, colaboração e transparência”.



Sobre Sou de Algodão
Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 83% de toda a produção nacional de algodão.

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CBRA inicia maratona 2025 de verificação e conformidade dos laboratórios do programa SBRHVI

O momento marca o início das verificações e diagnósticos do terceiro pilar do programa SBRHVI

14 de Outubro de 2025

O Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), iniciou em setembro de 2025 a maratona anual para a Verificação e Diagnóstico de Conformidade do Laboratório (VDCL) nas unidades de Mato Grosso, como parte do protocolo do programa Standard Brasil HVI (SBRHVI). As visitas técnicas abrangeram o Laboratório de Classificação de Algodão BV Kuhlmann, em Rondonópolis, o Laboratório Petrovina Sementes, em Pedra Preta, e o da Cooperfibra, em Campo Verde.


O objetivo é garantir a transparência e a precisão dos resultados de análise de HVI. Para isso, são avaliados 55 itens da lista de VDCL, visando garantir que todos os laboratórios estejam em conformidade com os requisitos do programa.


Durante as visitas, a equipe do CBRA observou se houve melhorias nos equipamentos e na conformidade dos processos laboratoriais. “Nesta rodada, foram verificados o atendimento aos requisitos mínimos obrigatórios para que os laboratórios possam participar do programa SBRHVI. Também orientamos as unidades em relação às conformidades, ao cumprimento de todas as normativas, a implementação do sistema de gestão da qualidade, com base na norma NBR ISO/IEC 17025, avaliando sua competência técnica e padronização”, explica Deninson Lima, gerente de qualidade da Abrapa.


Os 3 pilares do SBRHVI


Para padronizar os laboratórios de análises de algodão no país e assegurar a veracidade e a transparência das características intrínsecas da fibra, o SBRHVI estrutura suas ações em três pilares fundamentais.


O primeiro deles é o de conformidade e integração aos programas do CBRA.  Através deles, os laboratórios recebem materiais de referência para verificação dos instrumentos de HVI e são monitorados. O segundo pilar é focado em todos os dados de qualidade gerados em um banco que organiza a nível nacional as informações, integrando com os demais programas da Abrapa, entregando rastreabilidade em toda a cadeia. Já o terceiro pilar é de orientação aos laboratórios e inclui treinamentos para equipes técnicas e feedbacks diários das amostras de referência.


As visitas integram o terceiro pilar do programa SBRHVI, que por ser orientativo, tem o compartilhamento das documentações normativas, visando garantir a conformidade e precisão das análises de algodão em pluma por instrumento de HVI.


Sobre o SBRHVI


O programa Standard Brasil HVI (SBRHVI) representa a consolidação do compromisso da Abrapa com a excelência nas análises de algodão realizadas no país. Criado em 2016, o programa tem como finalidade assegurar a credibilidade dos resultados e, assim, fortalecer a transparência e a rastreabilidade das análises por instrumentos de alto volume (HVI) conduzidas pelos laboratórios de classificação instrumental em operação no Brasil.


Para o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, o SBRHVI marcou um avanço significativo na reputação do algodão brasileiro no mercado internacional, e ajudou a impulsionar as exportações. Para ele, “A tecnologia dos aparelhos HVI é reconhecida comercialmente em escala global, permite medições mais precisas do que a observação visual e registra características intrínsecas e extrínsecas da fibra, que influenciam diretamente no valor do produto e na sua adequação às exigências de cada comprador”, explicou o diretor.


Atualmente, 83% da produção nacional conta com total transparência nos resultados de HVI, reflexo da ampla adesão dos produtores ao programa.

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Sou de Algodão na SPFW 2025: moda rastreável assume protagonismo

Desfile “Trajetórias” reúne produtores, indústrias e estilistas em uma celebração coletiva da moda consciente na 60ª edição do evento, que completa 30 anos

13 de Outubro de 2025

O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), retorna à São Paulo Fashion Week (SPFW) para seu 4º desfile, na principal semana de moda do país, reafirmando a força de uma cadeia produtiva que une sustentabilidade, inovação e design. O desfile acontece no dia 17 de outubro, sexta-feira, às 19h, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, em São Paulo.


Com o tema “Trajetórias”, a coleção celebra o caminho do algodão brasileiro com certificação socioambiental, desde o campo até a criação de moda autoral, com 36 looks all black, desenvolvidos no âmbito do programa de rastreabilidade SouABR (Algodão Brasileiro Responsável).


Moda rastreável: o futuro é coletivo


Nesta edição, o Sou de Algodão apresenta um panorama inédito da rastreabilidade da fibra no Brasil: são 82 fazendas, 61 produtores, seis estados e seis indústrias têxteis que integram a cadeia de custódia do algodão certificado ABR utilizado na coleção.


“Em nosso quarto desfile na SPFW, a rastreabilidade do algodão brasileiro com certificação socioambiental assume o protagonismo”, explica Silmara Ferraresi, gestora do movimento Sou de Algodão e diretora de Relações Institucionais da Abrapa. “É uma trajetória coletiva que reúne produtores, indústrias e estilistas para mostrar que o futuro da moda é responsável e transparente”.


O presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, reforça: “Cada peça é fruto de uma conexão genuína entre campo e passarela. O algodão brasileiro é símbolo de qualidade, rastreabilidade e compromisso com práticas responsáveis; valores que ganham forma e significado neste desfile”.


Seis estados, uma só fibra


O desfile reúne peças compostas por algodão cultivado na Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Piauí - estados onde o programa ABR certifica propriedades que seguem padrões sociais, ambientais e de governança.


A coleção também evidencia a atuação de seis indústrias têxteis brasileiras que integram a cadeia de custódia do algodão: Cataguases e RenauxView - que assinam os tecidos de camisaria -, Santana Textiles e Vicunha - responsáveis pelos denim -, Dalila - que trabalha com malharia -, e Fio Puro, que representa a fiação, completando o ciclo da fibra até o tecido final.


Cada novelo de fio, que virou rolo de tecido, que se transformou em cada look traz em si o percurso de uma fibra cultivada com responsabilidade, comprovada por um sistema de rastreabilidade, que conecta o produtor ao consumidor final.


Trajetórias: conceito e styling por Paulo Martinez


Para o stylist Paulo Martinez, o conceito “Trajetórias” nasce da ideia de celebrar os caminhos percorridos, do campo à criação, da fibra ao corpo.


A escolha do all black traduz essa conexão de forma simbólica: o preto absoluto é o ponto onde todas as cores se encontram, como se cada etapa do processo convergisse em uma única expressão de unidade e força.


“O conceito do all black veio de um lugar de comemoração, inspirado em uma festa black tie para celebrar os 30 anos da semana de moda paulistana”, explica Martinez. “Mais do que uma estética, é um gesto de respeito. Um agradecimento a todos que constroem a moda de forma consciente e coletiva”.


Na passarela, 36 looks formam uma narrativa contínua que atravessa territórios, técnicas e linguagens. A cor única revela a essência do algodão, sua textura, peso, toque e movimento, sem distrações, permitindo que cada um dos seis estilistas traduza, à sua maneira, as infinitas possibilidades da fibra natural.


Os criadores e suas trajetórias


Alexandre Herchcovitch
Herchcovitch propõe uma leitura sofisticada e emocional do algodão, deslocando-o de seu imaginário casual. Em sua coleção, o tricoline ganha leveza, o denim aparece cru e a sarja revela sua textura original, sem lavagens ou interferências.


“O que mais me atrai no algodão é a percepção. Meu desejo é que a rastreabilidade seja algo natural, o básico da moda. Que todos saibam de onde vem o que vestem”, diz o estilista, cujo trabalho propõe uma moda honesta e essencial, em que a beleza surge do próprio material.


ALUF
A ALUF apresenta o algodão em sua forma mais inesperada: como matéria-prima de vestidos de festa e silhuetas escultóricas. São peças de volumes inusitados, alças em 3D e acabamentos delicados, que revelam a sofisticação e a versatilidade da fibra natural.


A coleção mostra que o algodão também pode ser luxo, fluidez e emoção, sem perder sua essência sustentável. “Cada look traduz o encontro entre o artesanal e o contemporâneo. A rastreabilidade é parte da beleza; saber de onde vem o tecido é o que dá sentido ao que fazemos”, explica Ana Luisa Fernandes, diretora criativa da marca.


Amapô
A dupla Carô Gold e Pitty Taliani, da Amapô, parte de seu próprio arquivo de 20 anos para revisitar e reconstruir peças icônicas da marca.


Cada look renasce em versão all black, como uma nova leitura sobre o passado; uma coleção que é também um gesto de memória e reinvenção.


“Foi um exercício de desapego e de desconstrução do algodão”, conta Carô. “Recondicionamos o tecido para novos usos, como um vestido de festa feito inteiramente em malha piquet. A rastreabilidade, neste contexto, é tranquilizadora. Ela nos reconecta com o que movimenta o mundo”.


David Lee
Inspirado literalmente pelo tema “Trajetórias”, David Lee transforma o percurso  do algodão em metáfora visual: costuras e texturas se entrelaçam para formar desenhos que lembram estradas, mapas e fluxos. Sua coleção carrega referências utilitárias e campesinas, que equilibram rusticidade e refinamento.


“O algodão é versátil, durável e tem uma modelagem impecável. As pessoas muitas vezes não sabem o caminho que a fibra percorre, e é esse o percurso que eu quis mostrar”, reitera. Em suas peças, cada dobra e cada costura contam uma história, representando o elo invisível entre o trabalhador do campo e o consumidor urbano.


Fernanda Yamamoto
Acostumada a experimentar técnicas artesanais e estruturas complexas, a Fernanda Yamamoto mergulha pela primeira vez em uma coleção composta inteiramente por algodão. Ela leva a fibra para lugares inesperados, com peças de arquitetura têxtil precisa, que combina listras, risca de giz e origamis.


“O algodão é muito mais do que leveza ou casualidade. É uma fibra de construção, de resistência e de sutileza. Ele pode ser tudo, de estruturado a fluido”.


Sua proposta convida à reflexão sobre a potência técnica e expressiva do algodão, e sobre como a moda pode ser simultaneamente artesanal, contemporânea e responsável.


Weider Silveiro
Weider revisita sua trajetória pessoal e propõe uma alfaiataria desconstruída em algodão, que desafia gênero e tradições. O estilista explora contrastes entre o feminino e o masculino, com cortes de precisão, volumes inesperados e tecidos de diferentes pesos.


“Desconstruir a alfaiataria é prazeroso. O algodão é cheio de possibilidades, é confortável, respirável e humano. Saber de onde vem o tecido é um gesto de afeto, é sobre pessoas e não só sobre máquinas”, afirma o criativo, que sintetiza a essência do desfile ao afirmar a moda como expressão humana, consciente e conectada à origem.


O algodão como símbolo de união


Em “Trajetórias”, cada estilista percorre seu próprio caminho criativo, mas todos partem da mesma fibra: o algodão brasileiro certificado e rastreável.


Das fazendas às passarelas, o desfile do Sou de Algodão reafirma que a moda do futuro é feita de colaboração, transparência e propósito.


“A SPFW sempre foi um espaço de expressão e de transformação coletiva. Ver o Sou de Algodão celebrar essa trajetória é testemunhar a força da moda brasileira quando ela se conecta à sua origem, e projeta o futuro com consciência. Este desfile traduz a beleza do ciclo completo, da fibra à criação, e reafirma que inovação e responsabilidade caminham juntas no novo tempo da moda”, completa Paulo Borges, idealizador e diretor criativo da SPFW.


Sobre Sou de Algodão
Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 82% de toda a produção nacional de algodão.

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Brasil constrói aliança global para a defesa do algodão 

Durante o ICA Trade Event 2025, em Dubai, a Abrapa enfatizou parceria entre Brasil, Estados Unidos e Austrália em prol da fibra natural

10 de Outubro de 2025

A delegação brasileira concluiu a semana de trabalhos no ICA Trade Event 2025, realizado em Dubai, com resultado positivo. Além da rodada de negócios e do fortalecimento de parcerias comerciais, a participação da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) no evento anual da International Cotton Association (ICA) consolidou o Brasil como importante voz na defesa do algodão como fibra natural, mais sustentável e saudável que as sintéticas.


“Um dos pontos altos do ICA foi a reunião trilateral entre Brasil, Estados Unidos e Austrália. O encontro teve um tom extremamente colaborativo, com os países discutindo estratégias conjuntas de promoção, comunicação e defesa institucional do algodão”, analisa Marcelo Duarte, Diretor de Relações Internacionais da Abrapa.  Também foram abordadas iniciativas legislativas em curso, como o projeto americano BACA (Buy American Cotton Act), que prevê créditos tributários (tax credits) para marcas e varejistas que utilizarem algodão americano, além de propostas de regulação internacional para reduzir a poluição por microplásticos.


Para Duarte, a disposição dos países em trabalhar lado a lado, inclusive em temas de defesa legislativa e políticas públicas, marcou um novo capítulo nas relações entre os grandes exportadores.


O presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, também destacou a importância da união entre os grandes países produtores em defesa da pluma. “Estamos construindo com os Estados Unidos e a Austrália uma frente unificada para conscientizar governos e consumidores sobre a importância de escolher fibras naturais em vez das sintéticas. O consumo crescente de fibras fósseis gera poluição e causa danos à saúde humana. Defender o algodão é defender o meio ambiente e a qualidade de vida”, afirmou.


Na avaliação da presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Alessandra Zanotto, o ICA Trade Event foi uma oportunidade para reforçar a união internacional do setor pelo aumento do consumo do algodão e combate às fibras sintéticas. “Um dos temas mais importantes tratados no evento foi o dos desafios para aumentar o consumo de algodão no mundo. Ele superou qualquer competitividade comercial entre os concorrentes do mercado internacional, que se concentraram em encontrar soluções viáveis para a superação do baixo consumo global da fibra.”, concluiu Zanotto.


Cotton Brazil Luncheon reuniu produtores brasileiros e líderes mundiais do setor


Pelo segundo ano consecutivo, a Abrapa promoveu o Cotton Brazil Luncheon, encontro de negócios que reuniu cerca de 160 executivos e investidores no dia 7 de outubro, Dia Mundial do Algodão. A programação contou com três painéis temáticos sobre safra, exportações e tendências de mercado.


Durante o encontro, a delegação brasileira transmitiu uma mensagem clara e positiva sobre o algodão brasileiro, focada nos avanços consistentes em qualidade, na confiabilidade do sistema de classificação e rastreabilidade, e no forte compromisso dos produtores com sustentabilidade, eficiência e inovação.


Além dessa agenda, a delegação brasileira aproveitou o evento para estreitar laços comerciais com tradings, corretores e importadores na já tradicional “Sala Abrapa”, espaço de relacionamento e rodadas de negócios organizado pela entidade. Presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Orcival Guimarães acompanhou de perto a agenda e saiu do evento com uma ‘lição de casa’.


“Ouvimos o mercado e ficou claro que nosso foco é seguir em busca da melhoria contínua do nosso algodão. Temos condições de evoluir ainda e continuar entregando um produto de qualidade. O trabalho feito pelas lideranças da Abrapa e da Ampa ao longo dos anos abriu mercados e consolidou uma reputação sólida – e é nossa missão mantê-la”, afirmou.


Produtor e diretor-presidente da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato explica que o país ocupa hoje uma posição de liderança em todos os debates globais sobre qualidade. “Como grande exportador, o Brasil é definidor de mercado, o que aumenta nossa responsabilidade”, observou.


Na avaliação do vice-presidente da Abrapa, Celestino Zanella, além da qualidade, os cotonicultores brasileiros têm pela frente outro desafio: contribuir para aumentar o consumo global de algodão. “E estamos no caminho certo, pois a colaboração que estamos construindo com outros países produtores vai resultar na ampliação da demanda pela fibra natural”, analisou.


O evento em Dubai marcou o início de uma série de ações internacionais da Abrapa em outubro. A promoção mundial da fibra brasileira é feita pela Abrapa por meio do Cotton Brazil, programa desenvolvido em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e com apoio da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea).


Saiba mais em www.cottonbrazil.com.

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Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 10/10/2025

ALGODÃO PELO MUNDO #40/2025   

10 de Outubro de 2025



Após alguns dias intensos em Dubai, participando do evento anual da ICA (International Cotton Association) e de várias reuniões paralelas com empresas e entidades do setor, fica claro que o setor está entrando em um momento de virada decisiva.

O clima geral foi de cautela diante do cenário de preços e da imprevisibilidade geopolítica, mas também de mobilização, senso de urgência e alinhamento entre os grandes países exportadores.

Pela primeira vez, observou-se uma convergência real de discurso e propósito entre Brasil, EUA e Austrália, abrindo espaço para uma nova fase de cooperação global.

O grande tema: recuperar espaço entre as fibras têxteis

O principal foco das discussões foi a necessidade de o algodão reconquistar participação no mercado global de fibras, hoje amplamente dominado pelas sintéticas derivadas do petróleo.

O consenso é de que, após anos de retração, o setor precisa agir de forma coordenada, estratégica e assertiva.

Para cada ponto percentual de participação de mercado que o algodão recupera, isso representa aproximadamente 1,2 milhão de toneladas adicionais de consumo.

Além do impacto econômico, essa expansão significaria geração de renda no campo, mais empregos e menor emissão de microplásticos no planeta — um incentivo concreto para ação imediata.

Colaboração inédita entre Brasil, EUA e Austrália

Um dos pontos altos da ICA foi a reunião trilateral entre Brasil, Estados Unidos e Austrália, com participação ativa de Abrapa e Anea, representando o Brasil, e apoio institucional da ApexBrasil.

O encontro teve um tom extremamente colaborativo, com os países discutindo estratégias conjuntas de promoção, comunicação e defesa institucional do algodão.  Também foram abordadas iniciativas legislativas em curso, como o projeto americano BACA (Buy American Cotton Act), que prevê créditos tributários (tax credits) para marcas e varejistas que utilizarem algodão americano, além de propostas de regulação internacional para reduzir a poluição por microplásticos.

A disposição dos países em trabalhar lado a lado — inclusive em temas de defesa legislativa e políticas públicas — marcou um novo capítulo nas relações entre os grandes exportadores.

Um novo encontro foi agendado para dentro de um mês, reforçando o senso de urgência e o comprometimento real com a coordenação global.

O Brasil em destaque – Cotton Brazil Luncheon

Durante o evento, Abrapa e Anea, com o apoio da ApexBrasil, promoveram o Cotton Brazil Luncheon, que reuniu mais de 150 representantes da indústria global — entre fiações, tradings, associações e agentes de origem e destino.

O almoço foi considerado um grande sucesso, fortalecendo a imagem e a credibilidade do Brasil na comunidade do ICA.

A delegação brasileira transmitiu uma mensagem clara e positiva:

•o algodão brasileiro vem registrando avanços consistentes em qualidade;

•o sistema de classificação e rastreabilidade está entre os mais confiáveis do mundo;

•e os produtores demonstram forte compromisso com sustentabilidade, eficiência e inovação.

Também foi destacada a preocupação dos produtores com o cenário de preços, e o fato de que muitos estão avaliando migrar parte da área para o milho na próxima safra, o que poderá reduzir a oferta de algodão em 2025/26.

Microplásticos – o tema central da sustentabilidade

Um dos temas mais debatidos no ICA 2025 foi o impacto dos microplásticos provenientes das fibras sintéticas.

Pesquisas apresentadas mostraram que entre 30% e 35% dos microplásticos encontrados nos oceanos têm origem em tecidos sintéticos como poliéster, nylon e acrílico, que liberam partículas microscópicas a cada lavagem.

Essas partículas não se degradam, são ingeridas por peixes e outros organismos marinhos e já foram detectadas em amostras de sangue, pulmões, cérebro e outras partes do corpo humano.  O problema, antes visto apenas sob a ótica ambiental, hoje é reconhecido como questão de saúde pública global.

Para mais informações: https://scan.page/p/OnbC2j

O debate também enfatizou a necessidade de regulação internacional, com propostas para restringir a poluição por microplásticos.

Nesse contexto, o algodão se destaca como solução natural e imediata — biodegradável, renovável e livre de microplásticos — oferecendo à indústria têxtil uma alternativa concreta e positiva diante das novas exigências regulatórias e sociais.

Perspectivas de mercado

Apesar do clima de cooperação e das mensagens positivas vindas da ICA, o mercado físico e futuro segue pressionado.

•O excesso de oferta global, o consumo moderado e as compras lentas continuam pesando sobre os preços.

•Fiações e varejistas mantêm políticas de compra “just in time”, evitando estoques.

•O volume de fixações pendentes e de vendas de produtores ainda limita movimentos de alta mais consistentes.

Mesmo assim, há fatores de suporte: a necessidade das fiações em manter o abastecimento impede uma queda mais acentuada.

Além disso, preços mínimos e ajuda governamental nos EUA diminuem a pressão de venda.

Conclusão

A ICA Dubai 2025 deixou evidente que o algodão está diante de uma oportunidade histórica de reposicionamento.

O setor mostrou-se mais unido, estratégico e consciente de seu papel global, e o Brasil foi um dos protagonistas dessa nova fase, levando uma mensagem de qualidade, sustentabilidade e compromisso com o futuro.

O desafio agora é converter essa convergência institucional em resultados tangíveis — campanhas conjuntas, medidas normativas/legislativas e ações coordenadas de promoção e comunicação — que reaproximem o algodão do consumidor final e consolidem a fibra natural como a escolha inteligente, moderna e responsável para nosso futuro.

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Agenda - Os próximos eventos são a Textile Exchange em Lisboa (13-17/out), o evento anual da ITMF e IAF na Indonésia (24-25/out) e a estreia brasileira no ITMA Asia + CITME (28-31/out).

Preços - Consulte tabela abaixo ⬇

Quadro de cotações para 09-10

Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

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Mais de 9 milhões de fardos de algodão brasileiro já passaram por análise laboratorial na safra 2024/2025

De acordo com o relatório de qualidade de setembro, publicado pela Abrapa, 49% da safra 2024/2025 já foi atestada

09 de Outubro de 2025

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), publicou na tarde desta quinta-feira, 09/10, o relatório de qualidade do algodão brasileiro. O documento é relativo aos fardos da safra 2024/2025, que foram analisados até setembro deste ano, pelos 13 laboratórios que fazem parte do programa SBRHVI.


De todo montante analisado, 76% apresentam fibras longas, com um comprimento acima de 1,14 polegadas. Em comparação a 2024, houve um aumento de mais de 5% nas fibras com tamanho acima de 1,20 polegadas.


Os fardos analisados também apresentam evolução na resistência, apresentando 96,8% do total com índices iguais ou maiores a 28 gf/tex, maior quantidade registrada nesta faixa, desde 2020.


Para saber mais informações, acesse o relatório completo no link:


https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Relatorio-de-Qualidade-Setembro-2025.pdf

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Brasil aproveita eventos internacionais para fortalecer exportações

Em outubro, Abrapa participa de quatro eventos mundiais defendendo a fibra natural e divulgando inovações em rastreabilidade, qualidade e sustentabilidade

08 de Outubro de 2025

Outubro é um mês de intensa agenda internacional para a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Em função do Dia Mundial do Algodão (7 de outubro), as principais organizações do setor promovem neste período seus eventos anuais. Ocupando o posto de maior exportador de pluma do globo, o Brasil marca presença em todos, levando a mensagem de defesa da fibra natural e mostrando inovações em rastreabilidade, qualidade e sustentabilidade na produção.


O primeiro dos quatro eventos programados para outubro começou na terça (7), em Dubai. O ICA Trade Event 2025, promovido pela International Cotton Association (ICA), segue até quinta (9) tendo como tema central “The Future of Cotton – O Futuro do Algodão”. Com previsão de reunir mais de 500 representantes do segmento, o congresso tem sido aproveitado pelo Brasil para estreitar relações com importadores e traders.


Pelo segundo ano consecutivo, a Abrapa promoveu seu “Cotton Brazil Luncheon”, um encontro com cerca de 160 líderes e representantes da cadeia produtiva mundial do algodão que antecede o início do ICA Trade Event. Na edição deste ano, que ocorreu no Dia do Algodão (7 de outubro), três painéis temáticos abordaram assuntos estratégicos: previsões da safra e das exportações, tendências de mercado e visão de futuro para produção e consumo de algodão no mundo.


A programação foi conduzida pelo diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, que coordena o Cotton Brazil, programa que promove internacionalmente a fibra brasileira. Como debatedores, participaram importantes nomes da cotonicultura nacional, como os presidentes da Abrapa, Gustavo Piccoli, e da Associação Nacional de Exportadores de Algodão (Anea), Dawid Wajs, além de João Paulo Lima (Anea), Haroldo Cunha (Agopa/Abrapa), Alexandre De Marco (Ampa/Abrapa), Ariel Coelho (Anea), Aurélio Pavinato (SLC), Orcival Guimarães (Ampa/Abrapa) e Alessandra Zanotto (Abapa/Abrapa).


Além do Luncheon, a Abrapa organizou novamente uma série de rodadas de negócios na “Sala Abrapa”, reunindo tradings, corretores e cotonicultores. O objetivo foi fomentar a troca de informações, fortalecer relacionamentos comerciais e criar oportunidades de mercado.


O segundo evento de outubro será a Textile Exchange Conference 2025, que ocorre de 13 a 17 de outubro, em Lisboa (Portugal). O programa Cotton Brazil terá um estande para promover o diálogo com marcas internacionais sobre sustentabilidade e rastreabilidade do algodão brasileiro, aproveitando o tema deste ano (“Shifting Landscapes - Paisagens em transformação”).


A Textile Exchange é uma organização global sem fins lucrativos que incentiva boas práticas na cotonicultura visando reduzir impactos sobre clima e natureza. Criou o conceito de “algodão preferencial” (pCotton), que reconhece fibras cultivadas com critérios de responsabilidade ambiental e social.


Já a ITMF Annual Conference e o IAF World Fashion Convention 2025 serão nos dias 24 e 25 de outubro em Yogyakarta (Indonésia). Os eventos unificados da ITMF e da IAF são reconhecidos por anualmente destacarem as principais inovações e tecnologias da indústria têxtil global. Neste ano, o Brasil participa da programação oficial do congresso no dia 24. Às 13h, Marcelo Duarte conduz a palestra “The Case for Cotton: Innovation, Availability, Affordability & Sustainability – O caso do algodão: inovação, viabilidade, acessibilidade e sustentabilidade”.


Encerrando o mês, de 28 a 31 de outubro, o Brasil participa pela primeira vez do ITMA Asia + CITME, evento líder em maquinário têxtil promovido pela International Textile Machinery Association (ITMA) e pela China International Textile Machinery Exhibition (CITME). Durante o evento, a Abrapa lançará duas inovações para a indústria têxtil mundial. Uma delas é o “Knowledge Hub”, plataforma online de boas práticas e orientação técnica para o uso da fibra brasileira. A segunda é a nova funcionalidade de rastreabilidade que permite a consulta por lote.


As agendas internacionais da Abrapa são parte integrante do programa Cotton Brazil, desenvolvido em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). A iniciativa tem o apoio da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea).

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Dia Mundial do Algodão: Brasil é referência em exportações e produção sustentável

Desde 2024, país lidera os embarques globais da pluma; certificação e rastreabilidade também são destaques da cadeia produtiva

08 de Outubro de 2025

No Dia Mundial do Algodão, nesta terça-feira (7/10), os produtores celebram a data com dados robustos para a cadeia produtiva. Desde 2024, o Brasil se consolidou como o maior exportador mundial de algodão e terceiro maior produtor mundial da pluma. No ano comercial de 2024/2025, foram produzidas 4,11 milhões de toneladas, enquanto o volume de exportação no mesmo período alcançou 2,83 milhões de toneladas.


Dados da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura mostram que a cotonicultura está entre as cinco principais culturas agrícolas do país, com o Valor Bruto da Produção (VBP) estimado em R$ 36,6 bilhões até agosto de 2025.


“O algodão é um exemplo do quanto o agro brasileiro pode crescer com tecnologia, sustentabilidade e agregação de valor. Cada hectare cultivado representa emprego, renda e inovação. Conquistamos novos mercados e aumentamos a credibilidade do algodão brasileiro mundo afora. Celebrar o Dia Mundial do Algodão é reconhecer o papel dos nossos produtores e da pesquisa nacional, que colocam o Brasil entre os maiores produtores e exportadores globais”, destacou, em comunicado, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro.


Para a safra 2025/2026, a expectativa é de um crescimento de 3,5% na área e de 0,7% na produção, alcançando um recorde de 4,09 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).


Mas para chegar a esse status, os cotonicultores investiram não só no aumento da produtividade das lavouras, como também desenvolveram uma série de ações sustentáveis por toda a cadeia de produção.


Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), das fazendas da fibra no Brasil, 83% têm suas produções certificadas pelo Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e pela Better Cotton, iniciativas que comprovam a adoção de parâmetros sustentáveis.


De acordo com o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, a produção de uma fibra responsável é um dos grandes diferenciais do algodão brasileiro no mercado internacional.


“O consumidor está cada vez mais exigente em relação à preservação ambiental e às práticas de sustentabilidade. Para responder à demanda, grandes marcas têm buscado soluções que estejam alinhadas a esses valores. Nesse contexto, o algodão brasileiro se destaca como uma matéria-prima que une qualidade e sustentabilidade”, destacou Piccoli, em nota.


Diferencial
As marcas que utilizam algodão brasileiro como matéria-prima agregam valor ao produto final devido às características intrínsecas da pluma nacional. A rastreabilidade é garantida por dois programas da Abrapa que têm como objetivo assegurar a transparência e a origem de cada fardo comercializado. O primeiro é o Sistema Abrapa de Identificação (SAI).



A diretora de Relações Institucionais da Abrapa, Silmara Ferraresi, explica: “Todo fardo de algodão produzido no Brasil recebe uma etiqueta que dá acesso às informações sobre a fazenda de origem, certificações, análises laboratoriais das características da fibra, unidades de beneficiamento e todo o trajeto percorrido até os portos ou fiações nacionais”.


O segundo programa é o Sou ABR, que amplia a rastreabilidade até o consumidor final. “O Sou ABR agrega os dados do SAI às informações das fiações, tecelagens e confecções pelas quais o algodão passa até se transformar em roupa. Por meio da tecnologia blockchain, rastreia toda a cadeia de custódia da fibra”, acrescenta Ferraresi.


No Brasil, empresas do segmento do varejo de moda, como C&A, Renner e Calvin Klein, já oferecem linhas de produtos rastreáveis em suas lojas, trazendo confiabilidade e valor agregado às coleções.


Inovação para as lavouras
Desde o final da década de 1990, quando o setor atravessava sua maior crise produtiva, a inovação tem sido o motor da recuperação e da expansão da cotonicultura no Brasil. O melhoramento genético aumentou a produtividade por hectare e reduziu a necessidade de expansão das áreas cultivadas. Atualmente, o algodão ocupa apenas 0,25% do território brasileiro.


Outra inovação importante foi a adoção do cultivo em sequeiro aliado ao sistema de plantio direto. Hoje, 92% do algodão brasileiro é cultivado apenas com água da chuva. O plantio direto, que envolve o mínimo revolvimento do solo e a manutenção de cobertura vegetal, ajuda a preservar a umidade, reduzir o desperdício de água e aproximar a produção nacional da agricultura regenerativa.


Para o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, “o futuro do algodão brasileiro está amparado em sustentabilidade, rastreabilidade e qualidade, sempre apoiado na tecnologia para evoluir em harmonia com a sociedade e o meio ambiente”.

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Da semente ao guarda-roupa: a etiqueta que conta a história do algodão

No dia do algodão, saiba como tecnologia, rastreabilidade e sustentabilidade se entrelaçam na cadeia que conecta o campo à moda no maior País produtor de algodão do mundo

07 de Outubro de 2025

Quando o assunto é algodão, o Brasil se destaca no cenário nacional e internacional. Na safra 2024/2025, os agricultores produziram 4,11 milhões de toneladas, enquanto o volume de exportação no mesmo período alcançou 2,83 milhões de toneladas. O resultado mantém o País no topo do ranking global de exportadores e em terceiro no de produtores da pluma.


Além do desempenho econômico, há aspectos ambientais que contribuem com a comemoração do setor nesta terça-feira, 7, Dia Internacional do Algodão. Atualmente, 83% das fazendas brasileiras de algodão têm suas produções certificadas pelo Programa Algodão Brasileiro Responsável — padrão nacional de certificação socioambiental do algodão no Brasil — e pela Better Cotton — maior programa de sustentabilidade do algodão do mundo. As iniciativas comprovam a adoção de parâmetros sustentáveis, que são certificados por auditorias externas. São avaliados 195 itens de conformidade socioambiental, que vão desde o uso racional da água até as condições de trabalho no campo.


Mas a história do algodão brasileiro vai muito além da produção: ele carrega uma identidade rastreável, conectando o campo à moda, o produtor ao consumidor. Assim, cada etiqueta é transformada em um documento vivo de origem.


Rastreabilidade de milhões
A rastreabilidade do algodão nacional começou há mais de duas décadas, quando o Brasil se preparava para expandir suas exportações. Em 2004, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) criou o Sistema Abrapa de Identificação (SAI), que passou a acompanhar cada fardo de algodão desde o beneficiamento.


Naquele momento, o Brasil precisava de um sistema confiável que comprovasse a qualidade e a origem de cada fardo para competir com gigantes como os Estados Unidos. “Os americanos já faziam rastreabilidade há praticamente 40 anos. Para entrar no mercado internacional, o Brasil precisava de uma identificação individualizada dos fardos”, lembra Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa. Hoje, a cada safra, mais de 15 milhões de fardos são identificados. No ciclo 2024/2025, estima-se uma identificação superior a 18 milhões de fardos.


Identidade própria
Apesar de ter sido inspirado no modelo norte-americano, o programa logo ganhou identidade própria. No início, cada fardo trazia apenas dados da algodoeira responsável pelo beneficiamento. Hoje, a etiqueta carrega informações completas sobre a fazenda de origem, o produtor, as certificações socioambientais e até a localização geográfica da propriedade.


Em 2012, a rastreabilidade ganhou um reforço fundamental com a criação do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR). Nesse período, as fazendas passaram a ser certificadas e auditadas. Com essa integração, o consumidor — e toda a cadeia têxtil — passou a ter acesso a um maior conjunto de informações: número do certificado ABR, licença Better Cotton, dados de qualidade do fardo, certificação da unidade de beneficiamento e laudos emitidos pelo Ministério da Agricultura. “Hoje, quando uma fiação recebe um fardo brasileiro, ela tem o certificado de qualidade emitido pelo ministério, o certificado socioambiental da fazenda e da algodoeira, e a garantia de que aquele algodão tem origem comprovada”, explica a diretora.


Campo e moda andam juntos: SouABR
A vontade dos produtores de ver o algodão das suas fazendas chegar com nome e origem às lojas deu origem ao SouABR. O movimento foi lançado em 2019 pela Abrapa para conectar o setor agrícola à indústria têxtil e ao consumidor final. “Era um desejo antigo do produtor brasileiro, de quando ele comprasse uma roupa numa loja, soubesse que ali tem algodão que veio da fazenda dele”, recorda Silmara.


As primeiras parcerias foram as marcas Reserva e Renner, que ajudaram a estruturar a cadeia de custódia e a plataforma digital. Nas etiquetas das roupas, um QR Code permite ao consumidor visualizar toda a jornada da fibra: o nome do produtor, a fazenda, as certificações e o caminho percorrido até o produto final. “Tudo isso na palma da mão […]. O consumidor vê o mapa da fazenda, a fiação, a tecelagem e as certificações.”, explica Silmara.


Desde então, o avanço tem sido constante. “Agora a gente já está ultrapassando as 500 mil peças rastreadas”, conta Silmara. O projeto-piloto do SouABR, iniciado em 2021 e que reúne marcas como Renner, C&A, Calvin Klein, Dudalina, Grupo Veste (Individual e Aramis) e Almagrino, será concluído em dezembro de 2025. A partir de janeiro de 2026, a iniciativa será aberta a todas as varejistas interessadas em integrar a cadeia de custódia do algodão brasileiro.


Mais do que números, cada etiqueta representa uma cadeia de pessoas e práticas sustentáveis que transformam o algodão brasileiro em símbolo de confiança e identidade. “O consumidor de hoje talvez ainda não pague mais por um produto sustentável, mas as próximas gerações, a Z e a Alfa, que estão chegando, têm uma compra guiada por propósito. Elas querem saber de onde vem o que consomem”, declara a diretora da Abrapa, destacando o olhar para a tendência de mercado.


Tecnologia
A tecnologia é um ponto-chave na rastreabilidade do algodão brasileiro. Cada fardo é identificado com uma etiqueta exclusiva e acompanhado por laudos técnicos. E, desde 2020, as informações passaram a ser armazenadas também em blockchain, tecnologia que garante integridade e transparência. “Chamamos de rastreabilidade física, porque ela é real, não é compensação de créditos. A fiação declara fardo por fardo, e o sistema acumula os dados de cada elo, registrando tudo em blockchain”, diz Silmara.


Isso significa que, a cada etapa — fazenda, algodoeira, fiação, tecelagem, confecção e varejo —, as informações são confirmadas e outras novas acrescentadas, formando uma linha do tempo digital que não pode ser alterada.


Fonte: https://agro.estadao.com.br/agricultura/da-semente-ao-guarda-roupa-a-etiqueta-que-conta-a-historia-do-algodao

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