
"Consumo sustentável não é apenas sobre a sacola. O que está dentro dela é ainda mais importante." Imagem: Make the Label Count.
A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) reforçou seu apoio à iniciativa da coalizão internacional Make the Label Count (MTLC), que solicita à Comissão Europeia o reconhecimento dos materiais renováveis de origem sustentável (Sustainably Sourced Renewable Materials – SSRMs) nas futuras regras de Ecodesign para o setor têxtil da União Europeia.
Em carta pública encaminhada no dia 29 de junho à comissária europeia para Meio Ambiente, Resiliência Hídrica e Economia Circular Competitiva, Jessika Roswall, a coalizão defende que a regulamentação adote critérios científicos, transparentes e comparáveis para avaliar a sustentabilidade dos diferentes materiais utilizados pela indústria têxtil.
A proposta é que as futuras normas não se limitem a indicadores como reciclabilidade ou métricas restritas de ciclo de vida. Em vez disso, a avaliação deve considerar aspectos como práticas agrícolas responsáveis, saúde do solo, gestão eficiente dos recursos hídricos, proteção da biodiversidade e contribuição para o desenvolvimento das comunidades rurais.
A carta também propõe que as exigências de transparência sejam aplicadas de forma equivalente às fibras de origem fóssil. Segundo a coalizão, todos os materiais devem ser avaliados sob critérios comparáveis, considerando a origem das matérias-primas, as práticas de produção, os impactos ambientais e os resultados ao final do ciclo de vida, garantindo condições equitativas entre fibras naturais e sintéticas.
Para a gerente de Parcerias Internacionais da Abrapa, Lisa Ventura, o reconhecimento das fibras naturais por meio de critérios baseados na ciência é fundamental para assegurar uma concorrência justa no mercado global.
"O algodão brasileiro demonstra que escala e sustentabilidade podem caminhar juntas. À medida que o setor têxtil global evolui, os marcos regulatórios de sustentabilidade precisam ser construídos com base em metodologias confiáveis e fundamentadas na ciência, garantindo condições equitativas para todos os materiais", afirma.
Como integrante da Make the Label Count, a Abrapa participa ativamente do diálogo com formuladores de políticas públicas europeus para contribuir com a construção de regras que reflitam, de forma equilibrada, os atributos ambientais, sociais e econômicos das fibras naturais produzidas de forma sustentável.
Debate com impacto global
Para a Abrapa, a discussão vai além do mercado europeu. As regras em elaboração pela União Europeia tendem a influenciar políticas públicas, padrões de sustentabilidade e exigências comerciais em diversos mercados internacionais, tornando estratégica a participação do Brasil nesse processo.
Para o diretor executivo da Abrapa, Márcio Portocarrero, acompanhar a construção dessas regras é estratégico para garantir que o algodão produzido de forma sustentável seja avaliado de maneira justa no mercado internacional.
"A União Europeia vem estabelecendo referências regulatórias que acabam influenciando mercados em diversas partes do mundo. Por isso, é fundamental que essas normas sejam construídas com base em critérios científicos, transparentes e comparáveis, reconhecendo os atributos das fibras naturais produzidas de forma sustentável”, afirma Márcio Portocarrero.
A associação defende que metodologias de avaliação da sustentabilidade sejam abrangentes, comparáveis e fundamentadas em evidências científicas, garantindo que o algodão e outras fibras naturais sejam reconhecidos pelos benefícios que oferecem ao longo de toda a cadeia produtiva.
A Make the Label Count reúne mais de 80 organizações de diferentes países, entre produtores de fibras naturais, fabricantes, marcas e organizações da sociedade civil. A coalizão atua para que a sustentabilidade dos produtos têxteis seja medida por metodologias justas, confiáveis e baseadas na ciência, assegurando tratamento equilibrado entre materiais naturais e sintéticos.
A participação da Abrapa na iniciativa fortalece a representação dos produtores brasileiros de algodão em um dos principais debates regulatórios que deverão definir o futuro da sustentabilidade da indústria têxtil mundial.









