Entidades da sociedade civil e do setor produtivo se unem, durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, celebrada entre 21 e 28 de agosto, em uma mobilização para ampliar a conscientização sobre os possíveis impactos da exposição aos microplásticos e nanoplásticos na saúde humana, com atenção especial ao desenvolvimento neurológico infantil.
A Nota de Conscientização: Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla chama a atenção para fatores ambientais capazes de comprometer o neurodesenvolvimento e defende maior articulação entre famílias, profissionais da saúde, pesquisadores, universidades, setor produtivo, indústria, governos e sociedade civil.
Entre os signatários estão a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Federação Nacional das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Fenapaes), Frente Parlamentar Mista das APES, Frente Parlamentar Mista da Inovação e Tecnologias em Saúde para Doenças Raras, Frente Parlamentar da Mista da Saúde e o Movimento De Olho no Material Escolar.
A nota destaca que a presença de resíduos e partículas plásticas já é observada na água, no solo, no ar e em alimentos consumidos diariamente. A exposição humana pode ocorrer tanto pela ingestão quanto pela inalação dessas partículas.
O documento também chama atenção para estudos que vêm investigando os efeitos da exposição crônica aos micro e nanoplásticos, especialmente em períodos considerados críticos para o desenvolvimento, como a gestação, a infância e a adolescência. A mobilização ressalta, ainda, a necessidade de ampliar as pesquisas sobre os efeitos dessas partículas no organismo humano e transformar o conhecimento científico em ações de prevenção.
Da conscientização à ação
Além do alerta, as entidades defendem a construção de uma agenda que envolva ciência, prevenção, inovação e sustentabilidade.
Entre as medidas apontadas estão o desenvolvimento de tecnologias capazes de reduzir a liberação de microplásticos, o estímulo à economia circular, a gestão adequada de resíduos, a inovação em materiais de menor impacto ambiental e a construção de políticas públicas destinadas a reduzir a exposição da população.
A proposta é estabelecer uma rede de cooperação que envolva diferentes setores da sociedade e permita avançar tanto na produção de conhecimento quanto na adoção de medidas preventivas.
Fibras sintéticas também entram no debate
Um dos pontos abordados pela nota é a presença das microfibras plásticas liberadas por tecidos sintéticos de origem fóssil, como poliéster, nylon e acrílico, durante o uso e as lavagens.
O documento cita o estudo da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), elaborado por Boucher e Friot (2017), segundo o qual essas fibras respondem por aproximadamente 35% da poluição por microplásticos que chega aos oceanos.
Como alternativa, a mobilização defende o estímulo a materiais e fibras de menor impacto ambiental, incluindo o incentivo à inovação em fibras naturais e blends sustentáveis.
Para a Abrapa, signatária do documento, esse é um debate que precisa avançar também sobre os padrões de produção e consumo da cadeia têxtil.
“Estamos diante de uma discussão que vai muito além do algodão. É uma agenda de saúde, ciência, sustentabilidade e responsabilidade com as próximas gerações. Como setor produtivo, temos o dever de participar desse diálogo e contribuir para que as escolhas de hoje considerem seus impactos no futuro, explica o presidente da Abrapa”, explica o presidente da Abrapa Gustavo Piccoli.
Debate chega também ao Congresso
A discussão ganha relevância em um momento em que o Congresso Nacional analisa medidas com impacto direto sobre o mercado de vestuário e a cadeia têxtil.
Entre elas está a Medida Provisória nº 1.357/2026, conhecida como “MP das blusinhas”, que trata da tributação incidente sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas por meio de plataformas de comércio eletrônico.
A Abrapa acompanha a tramitação da matéria e tem defendido que a discussão sobre o acesso de produtos têxteis importados ao mercado brasileiro considere não apenas aspectos tributários e comerciais, mas também a composição das peças e os impactos ambientais associados às diferentes fibras.
Para o presidente Piccoli trazer essa dimensão para o debate é uma forma de estimular escolhas mais conscientes e políticas públicas que conciliem competitividade, desenvolvimento econômico, saúde e sustentabilidade.
“A mobilização reforça, assim, uma mensagem mais ampla: reduzir a exposição aos microplásticos e proteger as futuras gerações depende de ações que começam nas escolhas individuais, mas passam necessariamente pela ciência, pela indústria, pelo setor produtivo e pelas decisões de políticas públicas”.
Confira na íntegra a Nota de Conscientização.
Na Semana da Pessoa com Deficiência, Abrapa destaca MP das Blusinhas como oportunidade para avançar em políticas públicas de sustentabilidade e redução dos microplásticos
Durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, entidade se une a organizações em defesa da ciência, da prevenção e de políticas públicas para reduzir a exposição aos micro e nanoplásticos.
24 de Agosto de 2026








