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Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 29/05/2026

ALGODÃO PELO MUNDO #29/2026

29 de Maio de 2026









Destaque da Semana 1 - A semana foi marcada por forte correção em NY, com o contrato Jul/26 acumulando queda expressiva desde o pico de maio, pressionado por liquidação de fundos, melhora parcial do clima nos EUA e petróleo em baixa.


Destaque da Semana 2 - Foi concluída na última semana a missão Cotton Brazil Dialogues Australia 2026. A agenda levou representantes da cadeia algodoeira brasileira a algumas das principais regiões produtoras da Austrália para um intercâmbio técnico sobre produção, pesquisa, logística, sustentabilidade e desenvolvimento de mercado, fortalecendo a cooperação entre dois dos maiores exportadores de algodão do mundo.


Destaque da Semana 3 - O Cotton Brazil realizou missão institucional no Vietnã. A programação passou por Hanói e Ho Chi Minh City, reunindo representantes da cadeia têxtil local para discutir mercado, qualidade e oportunidades de negócios, reforçando a presença do algodão brasileiro em um dos mercados mais estratégicos da Ásia.


Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 28/mai cotado a 76,77 U$c/lp (-1,7% vs. 21/mai). O contrato Dez/26 fechou em 79,53 U$c/lp (-0,5% vs. 21/mai).


Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 759 pts para embarque Jun/Jul-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 28/mai/26.


Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 230,3 mil toneladas nas três primeiras semanas de mai/26. A média diária de embarque foi 67,8% maior que no mesmo mês de 2025.


Altistas 1 - A queda de NY começou a estimular compras pontuais na Ásia, com negócios reportados em Vietnã, Bangladesh e China.


Altistas 2 - As vendas semanais dos EUA foram fortes, com 141,3 mil fardos para 2025/26 e 223,7 mil fardos para 2026/27, equivalentes a cerca de 32,0 mil tons e 50,7 mil tons. Os embarques também foram sólidos, com 299,3 mil fardos, cerca de 67,9 mil tons.


Altistas 3 - A China importou 165.294 tons em abril, quase três vezes o volume do mesmo mês do ano anterior, com Brasil respondendo por 57% do total. No acumulado da safra, as importações chinesas chegaram a 1,264 milhão tons, acima das 1,015 milhão tons do mesmo período anterior.


Altistas 4 - A Índia voltou a discutir a possível retirada da tarifa de importação de 11% sobre algodão estrangeiro, em meio à alta dos preços domésticos e pressão da indústria. Se confirmada, a medida pode aumentar a competitividade das importações no curto prazo.


Altistas 5 - A Cotlook elevou a estimativa de consumo mundial, com ajustes positivos em Índia, Bangladesh e Vietnã.


Baixistas 1 - A principal pressão da semana veio da forte queda de NY: o contrato Jul/26 perdeu quase 1.100 pontos, ou 12%, em nove pregões. A liquidação de posições compradas dos fundos acelerou o movimento e pressionou também os preços físicos.


Baixistas 2 - As chuvas no cinturão algodoeiro dos EUA melhoraram parcialmente as condições de plantio, inclusive em áreas secas do Texas. Embora ainda haja déficit hídrico, a percepção de risco climático diminuiu e reduziu o prêmio de risco nos preços.


Baixistas 3 - O plantio dos EUA chegou a 53% até 24/mai, em linha com a média de cinco anos e três pontos acima do ano anterior. No Texas, o avanço era de 42%, ainda abaixo da média de 45%, mas com potencial de acelerar após as chuvas.


Baixistas 4 - A China segue com ampla disponibilidade: estoques comerciais somavam 4,046 milhões tons em meados de maio, acima do mesmo período do ano anterior. Isso dá poder de barganha aos compradores chineses e reduz a urgência por compras agressivas.


Baixistas 5 - O subsídio de preço-alvo em Xinjiang foi mantido em 18.600 yuan/ton por mais três anos, aplicado a até 5,1 milhões tons. A manutenção do apoio reduz o risco de queda mais forte de área e sustenta a oferta chinesa no médio prazo.


Agenda - A comitiva do Cotton Brazil está na China para participar da China Cotton Industry Development Summit, um dos maiores eventos globais do mercado de algodão, em Chongqing. A agenda incluiu um evento de networking com a indústria têxtil, encontros com parceiros Chinatex e China National Cotton Group Corporation (CNCGC). A iniciativa busca fortalecer o relacionamento com o mercado chinês, principal destino das exportações brasileiras de algodão.


China 1 - Os preços do algodão na bolsa futura de Zhengzhou encerraram a semana com pouca variação, enquanto o volume negociado voltou a recuar em relação ao período anterior.


China 2 - O China Cotton Index (CC Index) avançou levemente para 17.637 yuans por tonelada. Já o Índice A da Cotlook (ajustado para comparação) registrou forte queda, ampliando o prêmio do mercado doméstico chinês para cerca de 3.035 yuans por tonelada (aprox. 20,05 c/lb).


China 3 - As importações chinesas de algodão em pluma somaram 165.294 toneladas em abril, volume ligeiramente inferior ao de março, mas quase três vezes superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. O Brasil foi o principal fornecedor, respondendo por 57% do total importado.


Índia - Os preços do algodão no mercado doméstico indiano permaneceram em ₹65.750 por candy para o Shankar-6 (aprox. 87,70 c/lb ex-gin) e em ₹6.655 por maund para o Punjab J-34 (cerca de 84,90 c/lb ex-gin).


Bangladesh - A atividade no mercado doméstico desacelerou devido ao feriado de Eid, e as operações devem ser retomadas gradualmente na próxima semana. Negócios recentes incluíram algodão do Benin para embarque em junho/julho e lotes da safra 2025 do Brasil para embarque em junho.


Turquia - O valor das exportações turcas de vestuário de malha e tecido plano somou US$ 1,39 bilhão em abril, alta de 16% tanto em relação ao mês anterior quanto ao mesmo período de 2025. No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, os embarques totalizam US$ 5,2 bilhões, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.


Vietnã - A queda dos preços internacionais do algodão foi refletida nos preços dos fios no Vietnã, estimulando um ritmo mais forte de vendas nas últimas semanas. Apesar da melhora na comercialização, as fiações continuam relatando custos de produção elevados e margens de lucro reduzidas.


Preços - Consulte a tabela de cotações abaixo.


Quadro de cotações para 28.05_


Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com










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Experiência Sou de Algodão aproxima estudantes de moda da origem da cadeia têxtil

Iniciativa da Abrapa reúne mais de 230 alunos e professores de universidades parceiras em imersão no interior paulista para conhecer, na prática, o percurso do algodão no Brasil

27 de Maio de 2026

O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), promoveu, nos dias 20, 21 e 22 de maio, a Experiência Sou de Algodão com estudantes de cursos de Moda de oito instituições parceiras: Anhembi Morumbi, FAAL, UNIP, Universidade de Caxias do Sul (UCS), PUC-Campinas, Universidade de Sorocaba (Uniso), Centro Universitário Moura Lacerda e Senac SP. Ao longo dos três dias, 233 participantes passaram pelas cidades de Paranapanema (SP) e Itaí (SP), onde puderam conhecer, na prática, diferentes etapas da cadeia produtiva do algodão.


20 de maio - Conexão com a origem da fibra reúne mais de 100 participantes


A Experiência Sou de Algodão começou no dia 20 de maio reunindo 102 participantes das instituições Anhembi Morumbi, FAAL e UNIP em uma imersão completa na cadeia produtiva do algodão, no interior de São Paulo.


A programação, que se repetiu ao longo dos três dias, incluiu visita à sede da APPA (Associação Paulista dos Produtores de Algodão), passagem pela Fazenda Olhos D’Água, em Itaí (SP), e pela Cooperativa Agroindustrial Holambra, em Paranapanema (SP). Durante o percurso, estudantes e professores puderam acompanhar de perto todas as etapas, do campo ao beneficiamento da fibra.


Para Silmara Ferraresi, diretora de relações institucionais da Abrapa e gestora do Sou de Algodão, proporcionar esse tipo de vivência é essencial para a formação dos futuros profissionais do setor.
“A Experiência Sou de Algodão tem um papel fundamental ao aproximar estudantes da realidade da cadeia produtiva. Quando eles vivenciam o campo, entendem a dimensão do trabalho envolvido e passam a enxergar a moda de forma mais responsável e conectada com a origem da matéria-prima”, afirma.


Na mesma linha, Manami Kawaguchi Torres, gestora de relações institucionais do movimento, reforça o impacto da iniciativa. “Mais do que apresentar o percurso do algodão, essa experiência desperta um olhar mais consciente sobre toda a cadeia. Os estudantes compreendem o seu papel como futuros profissionais e como podem contribuir para uma moda mais responsável e alinhada às boas práticas do setor”.


Representando a UNIP, o coordenador Haroldo de Souza destaca a importância da vivência prática. “Essa experiência permite compreender, na prática, a origem da cadeia têxtil e o funcionamento do setor produtivo. Ao entrar em contato direto com produtores e processos reais, o aluno passa a enxergar o produto de moda de forma mais ampla, entendendo que cada criação está ligada a contextos sociais, ambientais e econômicos”, diz.


“A Experiência Sou de Algodão foi uma vivência inesquecível, que nos permitiu acompanhar de perto toda a cadeia produtiva da fibra, do campo ao produto final. Ao longo dessa jornada, os alunos compreenderam que por trás de cada peça existe uma ampla rede de pessoas, processos e tecnologias, além de um olhar cada vez mais atento para a sustentabilidade e para a construção de uma moda mais consciente”, ressalta Déborah Serretiello, coordenadora acadêmica da área de Moda da Anhembi Morumbi.


Por sua vez, Vanessa Cristina Lourenço, docente da FAAL, destaca a conexão entre criação e matéria-prima. “A experiência aproxima os alunos da origem do algodão e conecta o processo criativo à matéria-prima, algo que raramente é vivenciado em sala de aula. Esse contato direto amplia o entendimento sobre a fibra natural, valoriza a cadeia produtiva e reforça a importância de uma moda mais ética, colaborativa e consciente”, aponta.


21 de maio - Responsabilidade na cadeia da moda


No dia 21 de maio, a experiência reuniu 85 participantes das instituições UCS, PUC-Campinas, Uniso e Moura Lacerda. A imersão reforçou a importância da responsabilidade, da rastreabilidade e da visão sistêmica da cadeia da moda. Durante as visitas, os estudantes aprofundaram o entendimento sobre o impacto da produção de algodão no Brasil, bem como as boas práticas adotadas no campo e na indústria.


Para Renan Isoton, da Universidade de Caxias do Sul (UCS), a experiência contribui diretamente para a formação dos alunos. “Conhecer o início da cadeia produtiva têxtil amplia muito o entendimento dos estudantes. Essa vivência agrega conhecimento, especialmente sobre sustentabilidade e boas práticas, e contribui para formar profissionais mais conscientes e preparados para valorizar a matéria-prima nacional”, reitera.


Já Luana Crispim, da Uniso, ressalta a importância da rastreabilidade e da organização coletiva. “Foi uma oportunidade de entender a magnitude do processo, da fibra ao tecido. A experiência também evidencia a força da organização coletiva e como iniciativas como o Sou de Algodão fortalecem toda a cadeia produtiva. Para os alunos, é inspirador vivenciar isso de perto”.


Para Juliana Bononi, coordenadora do Centro Universitário Moura Lacerda, o impacto vai além do aprendizado técnico. “Estar na origem da matéria-prima transforma completamente o olhar sobre a moda. Além disso, a experiência promove conexão, troca e cria memórias importantes na formação dos alunos, tanto no aspecto profissional quanto humano”.


Raysa Ruschel, professora da PUC-Campinas, destaca que a experiência proporcionou aos estudantes uma vivência essencialmente prática e complementar ao conteúdo visto em sala de aula. “O contato direto com a fazenda e com a etapa industrial permite que os alunos compreendam, de forma concreta, toda a cadeia produtiva do algodão, algo que normalmente é trabalhado apenas de forma teórica. Tenho certeza que a visita ampliou a visão dos estudantes sobre o papel do estilista, que passa a tomar decisões mais conscientes e embasadas ao entender todo o processo envolvido na produção da fibra e dos tecidos”.


22 de maio - Imersão finaliza com foco na prática


Encerrando a programação, o dia 22 de maio contou com 46 participantes do Senac SP, que também vivenciaram a jornada completa da fibra, desde o campo até o beneficiamento. O contato direto com as diferentes etapas do processo permitiu aos estudantes compreender a escala da produção, a tecnologia envolvida e a relevância do algodão para a indústria da moda e para a economia brasileira.


“Vivenciar o processo do algodão, da semente à pluma, é algo que transforma a forma como os alunos enxergam a moda. A experiência amplia o conhecimento sobre a fibra natural, reforça a importância de compreender a origem dos materiais e contribui para a formação de profissionais mais conscientes e responsáveis”, enfatiza Daniela Nunes Figueira Belschansky, professora do Senac SP.


Ao longo dos três dias, a Experiência Sou de Algodão reforçou seu papel como ponte entre o universo acadêmico e o setor produtivo, contribuindo para uma formação mais completa, crítica e alinhada às demandas contemporâneas da moda.


Sobre Sou de Algodão
Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 79% de toda a produção nacional de algodão.


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Sou de Algodão leva inovação e rastreabilidade ao Agro Summit

Luciano Thomé e Castro, coordenador geral do movimento e sócio da Markestrat Group, apresentou o programa SouABR durante o principal evento de tecnologia do agronegócio brasileiro

27 de Maio de 2026

O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), marcou presença no Agro Summit, realizado na quarta-feira (20), na Expo D. Pedro, em Campinas (SP). O coordenador geral do movimento e sócio da Markestrat Group, Luciano Thomé e Castro, conduziu uma palestra sobre o programa SouABR, apresentando ao público do evento como a rastreabilidade e a responsabilidade socioambiental estão transformando a cadeia produtiva do algodão brasileiro.


O Agro Summit é o principal evento no Brasil totalmente dedicado a apresentar soluções em sistemas, softwares de gestão e tecnologias para o agronegócio. Organizado pelo Grupo Portal ERP, ele conecta produtores, especialistas e empresas para debater a transformação digital e a inovação no campo.


Durante a palestra, Luciano contextualizou o programa dentro do ecossistema da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) e do movimento Sou de Algodão, explicando como o SouABR integra os pilares de sustentabilidade, rastreabilidade, qualidade e promoção para conectar todos os elos da cadeia, da fazenda ao guarda-roupa do consumidor final.


O programa SouABR, lançado em 2021, permite a rastreabilidade física do algodão com certificação ABR (Algodão Brasileiro Responsável) ao longo de toda a cadeia de custódia, passando por fiações, malharias, tecelagens, confecções e varejistas. As informações de cada etapa são registradas e compartilhadas via blockchain, garantindo transparência e confiabilidade para marcas e consumidores. Para ter o selo SouABR, as peças devem conter no mínimo 50% de algodão com rastreabilidade física certificada na cadeia de fornecedores.


"O Brasil é um dos poucos países do mundo com rastreabilidade fardo a fardo no algodão, e o SouABR leva isso até o guarda-roupa do consumidor. Estar no Agro Summit para apresentar esse programa é uma oportunidade de mostrar que o algodão brasileiro não é referência apenas em volume e qualidade, mas também em tecnologia, transparência e responsabilidade", destaca Luciano.


O SouABR já conta com 209 fazendas, 140 produtores e 87.088 fardos de algodão rastreados, além de marcas como C&A, Renner, Reserva, Calvin Klein, Almagrino e Döhler entre as varejistas homologadas. Ao todo, mais de 622 mil peças já foram rastreadas pelo programa.


A participação no Agro Summit reforça o compromisso do Sou de Algodão em levar a pauta da rastreabilidade e da inovação para os principais fóruns do agronegócio brasileiro, aproximando o campo da moda e mostrando como a tecnologia pode ser aliada da transparência e do consumo responsável.

Sobre Sou de Algodão
Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 83% de toda a produção nacional de algodão.


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MAPA lança sistema para modernizar e integrar registro de defensivos e bioinsumos no Brasil

Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (SISPA) criado em parceria com a Abrapa, Itamaraty e PNUD promete acelerar análises, reduzir burocracia e modernizar o fluxo regulatório do setor agrícola

27 de Maio de 2026

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) lança nesta terça-feira (26) o Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (SISPA), plataforma estruturada em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para modernizar e acelerar o registro de defensivos agrícolas e bioinsumos no Brasil. Previsto no Marco Legal dos Defensivos Agrícolas de 2023, o sistema nasce com a missão de enfrentar um dos principais gargalos históricos do setor: a morosidade e a fragmentação dos processos regulatórios dos defensivos agrícolas.


Durante a cerimônia de lançamento, o diretor-executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, citou a expectativa de celeridade que o sistema trará. “O diferencial do SISPA está justamente em permitir que essas análises ocorram de forma simultânea, integrada e digitalizada, reduzindo o chamado “efeito pingue-pongue” de documentos entre os órgãos.”


Celeridade nos processos e prazos de registro


O SISPA centraliza em uma única plataforma eletrônica todo o fluxo de peticionamento de registros, alterações pós-registro e apresentação de dossiês técnicos de produtos agrícolas e de controle ambiental. A expectativa é reduzir drasticamente o tempo e a burocracia enfrentada pelas empresas, que antes precisavam encaminhar documentos separadamente, muitas vezes em processos físicos, para diferentes órgãos federais.


Na prática, o novo sistema elimina o antigo modelo fragmentado e cria um protocolo único digital. Pedidos realizados fora da plataforma centralizada deixam de ter validade regulatória, consolidando o SISPA como a principal porta de entrada para os processos de registro no país.


Outra inovação da ferramenta será a possibilidade de cumprimento dos novos prazos máximos exigidos pela lei, com 24 meses para produtos novos e prazos ainda menores para genéricos e equivalentes. Se os órgãos não cumprirem o prazo na plataforma, abre-se caminho para os mecanismos de registro temporário previstos na nova lei.


A iniciativa também é considerada estratégica para o avanço dos bioinsumos no Brasil. O setor avalia que a digitalização e integração dos fluxos poderão acelerar a liberação de soluções biológicas e tecnologias mais sustentáveis, hoje frequentemente impactadas pela lentidão das análises regulatórias.


Mais transparência na avaliação tripartite


Apesar da centralização administrativa sob coordenação do MAPA, o sistema mantém o modelo tripartite de avaliação previsto após vetos presidenciais ao texto original aprovado pelo Congresso. Assim, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária continua responsável pelas análises toxicológicas e de risco à saúde humana, enquanto o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis segue encarregado das avaliações ambientais e ecotoxicológicas. Já o MAPA mantém a análise de eficiência agronômica e a coordenação do fluxo administrativo.


Neste sentido, o secretário nacional de meio ambiente urbano e qualidade ambiental, Adalberto Maluf, explicou a importância da criação do sistema para unificar o modelo tripartite de análise. “O SISPA funcionará como o grande tripé que une a agricultura, a saúde e o meio ambiente, na tentativa não só de modernização, de trazer fermentas tecnológicas, mas em especial de dar mais transparência no monitoramento das ações dos órgãos envolvidos.”


A transparência será um dos principais ganhos do sistema. Previsto no artigo 58 da Lei nº 14.785/2023, o SISPA permitirá rastrear em tempo real o andamento dos processos, identificando em qual órgão cada pedido está em análise. O mecanismo também será decisivo para garantir o cumprimento dos novos prazos máximos estabelecidos pela legislação, como o limite de 24 meses para avaliação de produtos inéditos e períodos menores para produtos equivalentes e genéricos.


Cooperação internacional


A Abrapa apoiou a construção do sistema, atuando na articulação institucional e no financiamento da iniciativa em parceria com o Itamaraty e apoio do PNUD. Inspirado no modelo australiano de registros de defensivos, o projeto é visto como um exemplo de cooperação entre setor produtivo, governo e organismos internacionais para modernização regulatória.


A expectativa é que o modelo brasileiro se torne referência para outros países em desenvolvimento interessados em modernizar seus sistemas de registro agrícola, ampliando o protagonismo internacional do Brasil na agenda de inovação e sustentabilidade no agro.


Para o diretor da Agência Brasileira de Cooperação (ABR), o embaixador Ruy Ferreira, o SISPA é uma ferramenta que terá impacto nas relações comerciais e diplomáticas do Brasil. “Objetivo do Itamaraty é levar esse projeto para outros países da América Latina, Caribe e África. Nós também pensamos no desenvolvimento de um sistema voltado para o Sul Global. Este modelo tripartite caracteriza em muitos aspectos as iniciativas de cooperação internacional para o desenvolvimento que é praticada pelo Brasil, baseada no diálogo, no compartilhamento de conhecimento e na articulação entre múltiplos atores institucionais.”


O ministro da agricultura e pecuária, André de Paula, analisou o impacto positivo que o SISPA terá no posicionamento do Brasil no que tange o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. “O SISPA é um instrumento que nos ajudará a superar barreiras criadas por países que competem conosco na produção agropecuária, mesmo não tendo a mesma capacidade produtiva do Brasil.”

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Abrapa e Biotrop reúnem entidades públicas e privadas em Dia de Campo sobre o uso bioinsumos no combate a pragas e doenças do algodoeiro

Em ação conjunta, Abrapa e Biotrop apresentam solução biológica para o combate ao bicudo do algodoeiro

27 de Maio de 2026

Em meio ao avanço das discussões sobre sustentabilidade, redução do uso de químicos e modernização regulatória do setor agrícola brasileiro, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) promoveu, em parceria com a empresa de soluções biológicas, Biotrop, um dia de campo voltado à apresentação de novas tecnologias biológicas para o manejo integrado de pragas na cotonicultura. O encontro foi realizado em uma fazenda na região de Cristalina e Luziânia (GO) e reuniu representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), pesquisadores brasileiros e membros de organismos internacionais.


O foco da programação foi verificar o uso de biológicos no controle do bicudo-do-algodoeiro, principal praga da cultura no país, analisando os resultados obtidos com novas ferramentas biológicas desenvolvidas para complementar o manejo tradicional da lavoura. A proposta da iniciativa foi aproximar os órgãos reguladores da realidade prática do campo e ampliar o diálogo entre pesquisa, indústria, governo e produtores.


Tecnologia desenvolvida no Brasil


Durante o evento, a empresa que foca exclusivamente em tecnologias biológicas e naturais para a agricultura, apresentou uma nova ferramenta biológica descoberta por pesquisadores da Biotrop no Pantanal para o controle do bicudo-do-algodoeiro, baseado na cepa do fungo Cordyceps javanica (Isaria), que mostrou capacidade para conter a proliferação do inseto. A empresa realizou demonstrações em áreas de aplicação e apresentou resultados preliminares da tecnologia que coloniza o bicudo com fungos na lavoura.


Representando a companhia, Ricardo Hendges afirmou que a tecnologia tem potencial para promover a sustentabilidade da produção sem comprometer a eficiência no manejo da praga. “Sem dúvida alguma, é uma solução inovadora e sustentável, que vai trazer excelentes ganhos para toda a cotonicultura brasileira.”


O diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, afirmou que iniciativas como essa ajudam a fortalecer a posição do Brasil como referência internacional em produção sustentável de algodão. “Quando aproximamos produtores, pesquisadores, empresas e órgãos reguladores dentro do campo, criamos um ambiente de construção conjunta. O futuro da cotonicultura passa pela inovação, pela sustentabilidade e pela adoção de tecnologias que conciliam produtividade e responsabilidade ambiental”, afirmou.


Papel dos bioinsumos no manejo integrado de pragas


Segundo o diretor da Abrapa e proprietário da fazenda que sediou o encontro, Carlos Alberto Moresco, a utilização de bioinsumos na propriedade teve início há mais de dez anos, primeiro como uma alternativa para reduzir os impactos do controle químico. Ao longo do tempo, no entanto, a prática passou a ocupar um papel estratégico, impulsionada pelas exigências do mercado internacional e pela pressão sobre os custos de produção.


Ao longo das demonstrações técnicas, os participantes acompanharam áreas tratadas com produtos biológicos voltados ao controle do bicudo e discutiram a integração dessas ferramentas ao manejo já utilizado pelos produtores.


Para Moresco, o uso de bioinsumos também fortalece o posicionamento do algodão brasileiro no mercado global, especialmente diante das exigências ambientais de compradores internacionais. “Os cotonicultores sofrem uma pressão muito grande vinda dos custos de produção, e a diminuição de princípios ativos químicos na cadeia melhora a margem e aumenta o valor agregado do algodão brasileiro, em função dos acordos internacionais. Então, o uso de biológicos também coloca o Brasil na vanguarda da produção sustentável”, avalia.


Entidades públicas e privadas tiveram imersão no campo


A especialista em coordenação de projetos de cooperação internacional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO),[BZ5.1] Adriana Gregolin, destacou que a visita técnica permite compreender de forma mais concreta os desafios enfrentados pelos produtores no manejo de pragas. “É importante a gente ver o nível tecnológico que o produtor de algodão tem hoje na sua propriedade. É importante a gente saber das dores desse produtor em relação ao manejo de pragas, especificamente aqui no caso, o bicudo-do-algodoeiro.”
Segundo ela, o avanço dos produtos biológicos representa uma mudança estrutural no modelo de produção agrícola e exige maior integração entre inovação e regulação pública. “A inovação tecnológica precisa vir para o campo para trazer soluções mais sustentáveis, soluções que tragam menor impacto à saúde humana e menor impacto ao meio ambiente. Os produtos biológicos são um caminho sem volta.”


Para a pesquisadora e analista da Embrapa Algodão Bruna Tripode, o contato direto com o campo contribui para aprimorar políticas públicas e acelerar processos ligados à agricultura regenerativa. “Esse momento de troca de experiências, onde nós saímos das nossas mesas de análise no laboratório e viemos conhecer a realidade do campo e as dores do produtor rural, é fundamental para o desenvolvimento de novas tecnologias para o algodão produzido no Brasil.”


Já o gerente de produtos da Anvisa, Juliano Malte, ressaltou que o diálogo entre produtores e reguladores é essencial para aperfeiçoar os processos de avaliação de novas tecnologias. “Para nós que ficamos no setor regulador é importante estarmos próximos do produtor rural, de onde é utilizada a tecnologia porque precisamos saber como é que isso de fato funciona na prática.”


Integração entre biológicos e químicos


Além das autoridades brasileiras, o encontro contou com representantes internacionais ligados à pesquisa agropecuária. A bióloga Daniela Vitti, mestre em gestão ambiental do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária da Argentina (INTA), equivalente à Embrapa no país vizinho, destacou que as novas ferramentas biológicas não substituem completamente os defensivos convencionais, mas ampliam as possibilidades dentro do manejo integrado.


Segundo ela, o combate ao bicudo ainda depende fortemente do uso de inseticidas químicos, o que torna estratégica a incorporação de novas alternativas mais sustentáveis. “Os produtos biológicos, que a gente está vendo aqui no campo hoje, eles vêm para somar a esse manejo. Não é uma ferramenta que vem para substituir o químico, mas sim para a gente fazer essa integração, o manejo integrado de pragas, com o uso dessas novas tecnologias.”

A pesquisadora também ressaltou a importância da aproximação entre produtores e instituições de pesquisa no desenvolvimento de soluções adaptadas à realidade do campo. “É uma alegria imensa estar aqui hoje conhecendo o que o produtor e a pesquisa estão fazendo e desenvolvendo em conjunto para trazer soluções para a nossa agricultura brasileira.”

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Jeans fortalece cadeia do algodão brasileiro

Peça clássica e democrática, o jeans vai muito além da moda e movimenta uma importante cadeia produtiva ligada ao agro brasileiro.

22 de Maio de 2026

No Dia Mundial do Jeans, especialistas destacam os avanços da produção nacional de denim e a valorização do algodão brasileiro no mercado têxtil.


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Dia Mundial do Jeans: Como o denim nacional ganha identidade graças ao corpo brasileiro?

No Dia Mundial do Jeans, criadores brasileiros falam ao FFW sobre a modelagem autoral do denim do país e como o corpo BR garante identidade

22 de Maio de 2026

Em 20 de maio de 1873, nascia oficialmente a calça reforçada com rebites de metal. Mais de 150 anos depois, o Dia Mundial do Jeans em 2026 consagra o tecido como o mais democrático do planeta. No Brasil, essa trajetória ganhou contornos únicos.


Sendo o maior exportador global de algodão, o país desenvolveu uma cadeia produtiva completa. Entretanto, onde o design de autor se une à sustentabilidade para criar um denim com identidade própria e alta qualidade.


Para entender essa evolução, grandes nomes do setor, parceiros do Movimento Sou de Algodão, iniciativa da Abrapa que promove a fibra natural e o consumo consciente, revelam ao FFW como o corpo e a matéria-prima nacional ditam as regras do mercado contemporâneo.


Curvas do Brasil


Um dos grandes diferenciais do produto feito no Brasil está na capacidade de entender as curvas locais. No entanto, o estilista Gui Amorim, conhecido por suas silhuetas expressivas, aponta que a modelagem precisa dialogar diretamente com a diversidade do público. Conforme destaca o criador:


“A mulher brasileira tem bunda, quadril, cintura fina, coxa, perna. É um corpo com volume, expressivo. Quem faz um jeans sem pensar nisso está muito longe de fazer um jeans brasileiro”.


Essa visão anatômica é compartilhada pela grife Amapô Jeans, capitaneada por Carô e Pitty, que foca na irreverência e na herança cultural do país para desconstruir o tecido. Segundo Carô, a essência do trabalho está na observação bem-humorada das necessidades reais dos consumidores:


“A brasileira, quando veste, olha muito para uma coisa: o bumbum. E a gente observa muito isso. Somos grandes estudiosas de bumbum, não importa a forma, o tamanho ou a textura”.


Sustentabilidade na indústria


Além do caimento perfeito, a responsabilidade ecológica se tornou o pilar central das tecelagens brasileiras. Aliás, Mara Jager, fundadora da Quinta da Glória, reforça que a preferência pela fibra natural de algodão é uma premissa inegociável de design para garantir a circularidade e o respeito ao meio ambiente.

Mara detalha sua busca pelo produto atemporal: “O jeans ideal é uma peça em fibra de algodão puro, sem lavagens, que faz história no corpo. Que 20 anos depois ainda está sendo usada, surrada e rasgada. Um jeans bem feito é timeless”.


Ademais, complementando a visão de durabilidade, o especialista Carlos Castro exalta a competitividade internacional e a infraestrutura integrada que o mercado brasileiro possui. De acordo com o profissional:


“Diversas vezes ouvi de profissionais estrangeiros o quanto o jeanswear brasileiro é completo. Nossa qualidade é invejável. O fato de a origem da nossa matéria-prima estar localizada aqui impacta diretamente no controle de qualidade”.


Dessa forma, o Dia Mundial do Jeans faz muito mais do que resgatar o passado de rebeldia da peça. Ele projeta um futuro promissor para a moda nacional.

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Dia mundial do jeans: Algodão brasileiro fortalece mercado sustentável

Produção nacional de algodão impulsiona cadeia do jeans com rastreabilidade, certificação socioambiental e inovação do campo à indústria da moda

22 de Maio de 2026

Celebrado mundialmente, o jeans vai muito além de uma peça básica do vestuário. Presente no guarda-roupa de mais de 90% dos brasileiros, o tecido, criado em 1873 nos Estados Unidos inicialmente como uniforme para trabalhadores, hoje representa um mercado bilionário e cada vez mais voltado à sustentabilidade, rastreabilidade e inovação.


Feito à base de algodão, o jeans tem no Brasil um importante protagonista da cadeia produtiva mundial. Atualmente, o país ocupa a posição de terceiro maior produtor global de algodão e lidera as exportações da commodity, abastecendo integralmente o mercado interno e destinando o excedente principalmente à indústria asiática.


Além da relevância econômica, o algodão brasileiro se destaca pelos atributos que agregam valor à produção têxtil nacional. Segundo especialistas ouvidos pelo AgroBand, o país avançou em práticas de rastreabilidade e sustentabilidade, fatores cada vez mais exigidos pelo mercado consumidor.


Hoje, mais de 79% da produção brasileira de algodão possui certificação socioambiental pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR). O setor também investe na rastreabilidade da cadeia produtiva, permitindo identificar a origem da matéria-prima até o produtor rural.


“Somos o país que tem rastreabilidade até a fazenda, chegando ao produtor. Isso contribui para uma cadeia têxtil mais responsável e transparente”, destacou uma das especialistas entrevistadas na reportagem.


Jeans ganha identidade e exclusividade


Enquanto o campo fornece a matéria-prima, a indústria e a moda transformam o tecido em peças cada vez mais sofisticadas e personalizadas. Em Belo Horizonte, uma marca especializada fez do jeans um símbolo de identidade e exclusividade, apostando em bordados, pedrarias e customizações.


Segundo a empresária entrevistada, cerca de 70% das vendas da marca são de peças em jeans. O negócio começou com jaquetas, mas expandiu para calças, saias, camisas e outras peças personalizadas.


“O jeans sempre foi uma peça clássica no guarda-roupa. Hoje conseguimos trazer identidade por meio de bordados, pedrarias e personalizações, tornando cada peça única”, afirmou.


O movimento acompanha a reinvenção do setor, que transita entre modelos casuais usados no dia a dia e produções sofisticadas que unem arte, brilho e exclusividade.


Pesquisa impulsiona inovação no campo


Outro destaque apresentado no programa foi o trabalho da pesquisa agropecuária voltada ao algodão. A Embrapa, na Paraíba, desenvolve estudos para o melhoramento genético do algodão colorido, buscando ampliar a resistência da fibra e facilitar sua inserção no mercado.


A iniciativa reforça a conexão entre campo, indústria, comércio e consumidor final, mostrando como a cadeia do algodão vai além da produção agrícola e influencia diretamente a moda e o consumo.


Versátil e atemporal, o jeans segue acompanhando diferentes momentos da rotina. “Uso do trabalho até festas, basta mudar os acessórios”, relatou uma consumidora entrevistada.


Do produtor rural às vitrines, o tecido mostra que continua se reinventando e consolidando o Brasil como referência internacional na cadeia do algodão e da moda sustentável.

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Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 22/05/2026

ALGODÃO PELO MUNDO #20/2026

22 de Maio de 2026

Destaque da Semana 1 - A Abrapa realiza agenda estratégica na Austrália, um dos principais produtores mundiais de algodão de alta qualidade. A missão tem como objetivo a troca de informações sobre melhores práticas, qualidade, logística e comercialização, além de reforçar a visão de que os produtores de fibras naturais globais devem unir forças para vencer o inimigo comum: fibras sintéticas.


Destaque da Semana 2 - A semana foi de correção em NY após a forte valorização do fim de abril. A combinação de realização de lucros, previsões de chuva nas regiões produtoras americanas e o recuo do petróleo pesou sobre as cotações. No lado positivo, compradores físicos aproveitaram os preços mais baixos para entrar no mercado.


Destaque da Semana 3 - Assim como em abril, as exportações brasileiras de algodão seguem em ritmo forte: somaram 159,6 mil toneladas nas duas primeiras semanas de mai/26. A média diária de embarque foi 74,4% maior que no mesmo mês de 2025.


Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 21/mai cotado a 77,98 U$c/lp (-7,1% vs. 14/mai). O contrato Dez/26 fechou em 79,73 U$c/lp (-5,6% vs. 14/mai).


Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 765 pts para embarque Mai/Jun-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 21/mai/26.


Baixistas 1 - A falta de novidades sobre a implementação do acordo de US$ 17 bilhões em compras agrícolas americanas pela China deixou o algodão sem catalisador positivo próprio. Sem confirmação de compras, o mercado perdeu força para sustentar a alta recente.


Baixistas 2 - Também não houve anúncio de compras pela Reserva do Estado chinesa, apesar dos rumores recentes. A ausência desse comprador oficial frustrou expectativas e reforçou o movimento de correção.


Baixistas 3 - A queda semanal de 4,4% no petróleo Brent reduziu o suporte indireto ao algodão. Com petróleo mais barato, o poliéster tende a ficar mais competitivo, o que pesa sobre a atratividade relativa da fibra natural.


Baixistas 4 - O alívio nas tensões EUA–Irã retirou parte do prêmio de risco geopolítico embutido nos mercados. Esse movimento reduziu posições compradas em petróleo e enfraqueceu o suporte macro que vinha ajudando commodities.


Baixistas 5 - A declaração de Trump de que as conversas com o Irã estão nas “fases finais” acalmou os mercados. Para o algodão, isso tirou parte do impulso especulativo ligado ao risco geopolítico e ao petróleo alto.


Altistas 1 - As chuvas previstas para os EUA não chegam a dissipar as preocupações com a safra. O cinturão algodoeiro americano segue em situação crítica, com 97% das áreas produtoras ainda enfrentando algum grau de seca. Mesmo que as precipitações se concretizem, ainda é cedo para avaliar seu real impacto.


Altistas 2 - A China importou cerca de 170 mil tons de algodão em abril, bem acima das cerca de 60 mil tons de abril do ano anterior. No acumulado ago-abr, as importações somaram 1,27 milhão tons, contra 1,01 milhão tons no mesmo período de 2024/25.


Altistas 3 - As importações chinesas de fios de algodão também aceleraram, chegando a cerca de 200 mil tons em abril, alta de 87% frente ao mesmo mês do ano anterior. Esse movimento indica algum suporte ao consumo têxtil regional, mesmo com cautela nas compras de pluma.


Altistas 4 - No Vietnã, os preços de fios subiram com o aumento recente do custo de reposição do algodão. Mesmo com margens apertadas, esse repasse parcial reduz a pressão imediata sobre as fiações.


Altistas 5 - As exportações brasileiras seguem em ritmo forte na safra 2025/26. No acumulado de ago/25 a abr/26, os embarques somam 2,34 milhões de toneladas, volume 9,2% superior ao registrado no mesmo período da temporada anterior, reforçando a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional.


China 1 - As importações chinesas de algodão em pluma somaram cerca de 170 mil toneladas em abril, volume ligeiramente abaixo de março, mas bem acima das cerca de 60 mil toneladas registradas no mesmo mês do ano passado. No acumulado de ago/abr, as compras alcançaram aproximadamente 1,27 milhão de toneladas, contra 1,01 milhão no mesmo período de 2024/25.


China 2 - Os preços do algodão na bolsa futura de Zhengzhou registraram novas perdas na semana. O contrato setembro já acumula queda de 4,5% desde a máxima recente registrada no início do mês. O volume negociado também foi menor.


Índia 1 - Os preços do algodão no mercado doméstico indiano registraram leve queda na semana. O Shankar-6 recuou ₹100, para cerca de ₹66.650 por candy (aprox. 88,10 c/lb ex-gin), enquanto o Punjab J-34 caiu ₹40, para ₹6.690 por maund (cerca de 84,20 c/lb).


Índia 2 - As importações indianas de algodão em pluma somaram 27.177 toneladas em março, volume 59% acima de fevereiro, mas 20% abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado. No acumulado de ago/mar, as compras totalizam 824.594 toneladas, ainda significativamente acima do mesmo período de 2024/25. O Brasil respondeu por 25% do total.


Bangladesh 1 - Parte das fiações segue cautelosa diante da maior volatilidade dos preços do algodão e da estabilidade dos valores dos fios. Ainda assim, algumas empresas fecharam recentemente compras tanto para embarque próximo quanto para o início do próximo ano.


Bangladesh 2 - As indústrias de vestuário relatam boa carteira de pedidos até junho, embora a demanda para o segundo semestre ainda pareça mais lenta. Algumas empresas continuam operando com capacidade reduzida devido aos custos e à disponibilidade de energia. O setor também deverá interromper atividades na próxima semana por conta do feriado de Eid.


Paquistão 1 - O clima segue quente e seco em grande parte do cinturão produtor de algodão do Paquistão, com temperaturas na faixa dos 40 °C. O plantio avançou recentemente nas regiões de semeadura, embora o calor intenso tenha exigido replantio em algumas áreas.


Paquistão 2 - Os estoques disponíveis no mercado doméstico permanecem limitados, levando fiações com necessidade imediata a aceitarem preços mais altos para garantir suprimentos.


Egito 1 - As vendas externas de algodão egípcio aumentaram 659 toneladas na semana encerrada em 16 de maio, com destaque para maior demanda da Índia e reduções nas compras de China e Paquistão.


EUA - EUA e China realizaram reuniões e concordaram em conduzir as relações futuras sob o princípio de “estabilidade estratégica construtiva”. Entre os temas discutidos esteve um possível compromisso da China de comprar ao menos US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas norte-americanos até 2028.


Preços - Consulte a tabela de cotações abaixo.


Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

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Qualidade, escala e rastreabilidade impulsionam o algodão brasileiro na Ásia

“A China continua um mercado importante, mas o Brasil avançou significativamente na diversificação de destinos…”

22 de Maio de 2026

Marcelo Duarte Monteiro é diretor de relações internacionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão – Abrapa e CEO da Asia-Brazil Agro Alliance, formado em administração pela UFMT, com mestrado pela FGV.


AgriBrasilis – Como a Ásia se tornou o principal mercado para o algodão brasileiro?


Marcelo Duarte – A consolidação da Ásia como destino do algodão brasileiro é resultado de um movimento estruturado ao longo de mais de uma década. Houve, de um lado, o crescimento acelerado da indústria têxtil asiática, especialmente em países como China, Vietnã, Bangladesh e Indonésia, e, de outro, um esforço coordenado do Brasil em se posicionar como fornecedor confiável.


A Abrapa, em parceria com a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão – ANEA e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos – ApexBrasil, estruturou o programa Cotton Brazil, que intensificou a promoção comercial do algodão brasileiro no exterior, com ações focadas em buscar e fidelizar compradores. Isso permitiu não apenas ampliar presença, mas construir relacionamento direto com fiações e tradings, garantindo previsibilidade e confiança no fornecimento.


A instalação de um escritório avançado do Cotton Brazil em Singapura foi um marco para estarmos próximos dos grandes compradores, consolidando relações com os maiores consumidores do mundo.


AgriBrasilis – O Brasil ainda depende excessivamente da China ou já consolidou outros mercados?


Marcelo Duarte – A China continua um mercado importante, mas o Brasil avançou significativamente na diversificação de destinos. Temos uma presença muito mais equilibrada em países do Sudeste Asiático, Sul da Ásia e até no Oriente Médio. Vietnã, Índia e Bangladesh, por exemplo, têm ganhado relevância crescente.


Essa diversificação reduz riscos comerciais e geopolíticos, além de permitir maior estabilidade nas exportações. Portanto, embora a China ainda seja relevante, o algodão brasileiro não é excessivamente dependente de um único mercado.


AgriBrasilis – Como o produto brasileiro se compara ao dos EUA e da Austrália em qualidade e preço?


Marcelo Duarte – O algodão brasileiro é altamente competitivo em ambos os aspectos. Em qualidade, temos um produto consistente, com bom comprimento de fibra, resistência e uniformidade, resultado de investimento em tecnologia, manejo e beneficiamento. Nossos laboratórios de análise de HVI (High Volume Instrument), garantem que o nosso cliente do outro lado do mundo receba o algodão padronizado de acordo com referências internacionais de qualidade.


Em termos de preço, o Brasil costuma ser competitivo devido à eficiência produtiva em larga escala. Em relação aos Estados Unidos, competimos diretamente em qualidade e escala, enquanto a Austrália também apresenta um produto de excelência, porém com menor volume disponível. O diferencial brasileiro está justamente na combinação entre qualidade, confiabilidade e disponibilidade ao longo do ano.


AgriBrasilis – A logística brasileira está preparada para sustentar o crescimento do algodão no mercado asiático?


Marcelo Duarte – A logística ainda é um dos principais desafios do Brasil, mas houve avanços importantes nos últimos anos. A ampliação de investimentos em terminais portuários, como é o caso de Salvador, têm contribuído para maior eficiência.


As regiões produtoras, principalmente no Mato Grosso e no oeste da Bahia, operam com planejamento junto a tradings e portos. Além disso, a Abrapa implementou o ABR-LOG, que estende as práticas de certificação e gestão aos terminais retroportuários.


Ainda existem gargalos, especialmente no transporte rodoviário. Para sustentar o crescimento das exportações, será fundamental continuar investindo em infraestrutura multimodal e reduzir custos logísticos, que ainda impactam a competitividade.


AgriBrasilis – Qual é a importância da sustentabilidade, da rastreabilidade e da certificação na valorização para o setor?


Marcelo Duarte – São pilares do posicionamento do algodão brasileiro no mercado internacional. Certificações como o Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e o Better Cotton Initiative (BCI) atestam nosso produto de acordo com critérios rigorosos de sustentabilidade ambiental, social e econômica.


A rastreabilidade atende a uma demanda crescente de marcas e consumidores por transparência na cadeia produtiva. Isso não apenas agrega valor ao produto, mas também abre portas em mercados mais exigentes, especialmente na Europa e em segmentos premium da indústria têxtil.


As regulamentações de circularidade e conformidade socioambiental se tornaram compromissos das principais marcas e varejistas com os consumidores e, por isso, a certificação deixou de ser apenas um diferencial e se torna requisito para acesso a mercados de alto valor.


AgriBrasilis – Quais devem ser os impactos da próxima safra nas exportações?


Marcelo Duarte – A próxima safra tende a manter o Brasil em posição de destaque no mercado internacional de algodão, com produção que passa os 3 milhões de toneladas e


potencial de crescimento nas exportações em relação ao ano anterior. Esse desempenho ainda dependerá de fatores como condições climáticas, demanda internacional e dinâmica de preços.


Caso se confirme uma boa produtividade, o Brasil pode ampliar ainda mais sua participação no comércio global, especialmente se continuar avançando na diversificação de mercados e na agregação de valor por meio da sustentabilidade e da qualidade do produto.

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