Brasil mostra qualidade do algodão na Alemanha
Conferência debate rastreabilidade, sustentabilidade e estratégias de mercado da pluma
02 de Abril de 2026
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Por Fernando Prudente - Diretor Executivo de Algodão da Bayer
A produção e o consumo de roupas estão no centro de um debate ambiental. Nas últimas décadas, vestir-se ficou mais barato, impulsionado por movimentos como a “fast fashion”, enquanto a indústria ampliou o uso de materiais sintéticos derivados do petróleo.
Tecidos plásticos, como o poliéster, ganharam espaço por terem menor custo de produção. As consequências, porém, vão além do guarda-roupa já que a poluição plástica é um problema crescente, com impactos nos ecossistemas, no clima e na saúde.
Segundo a ONU, o mundo produz mais de 400 milhões de toneladas de plástico por ano, e um terço é usado uma vez. Microplásticos também foram identificados na água e alimentos, e roupas sintéticas contribuem com esse quadro ao liberarem microfibras plásticas durante o uso e as lavagens. Ou seja, o problema não se limita ao descarte, ele acompanha a peça ao longo do ciclo de vida.
Defender o uso das fibras naturais é uma estratégia a longo prazo para a saúde do planeta. O algodão é formado por cerca de 90% de celulose, que é biodegradável por sua constituição química. Isso não significa que a peça desapareça rapidamente, pois a degradação ocorre ao longo do tempo e depende de fatores como clima, temperatura, solo e construção do tecido.
Mas a diferença entre fibras de origem vegetal e de origem fóssil é decisiva para reduzir passivos ambientais.
Mas a discussão não termina na fibra. Etiquetas e adesivos plásticos das roupas ampliam a persistência de resíduos ao se fragmentarem em partículas menores. Aviamentos e componentes metálicos, embora não gerem microplásticos, dificultam a reciclagem e exigem a remoção antes do reaproveitamento do tecido.
E a sustentabilidade na moda envolve tanto a escolha da fibra quanto decisões de design, padronização de materiais e descarte responsável. Contudo, utilizar uma matéria-prima biodegradável, como o algodão, reconhecido pelo conforto e pela respirabilidade, é um passo rumo à economia circular.
A abordagem do ciclo de vida das roupas integra as discussões do Dia Internacional do Resíduo Zero, celebrado em 30 de março e instituído pela ONU para conscientizar sobre gestão de resíduos, consumo e produção responsáveis, incentivando um olhar de ponta a ponta para reduzir o uso de recursos e as emissões nas etapas de um produto.
O algodão brasileiro pode contribuir com essa pauta, em escala e sustentabilidade. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a previsão é que sejam produzidos 3,8 milhões de toneladas de algodão em pluma na safra 2025/26. O país também foi líder mundial na exportação de pluma no ciclo 2024/25 e mantém posição de destaque nessa temporada.
Além disso, mais de 90% da produção é cultivada em regime de sequeiro, enquanto a irrigação é adotada em algumas regiões, o que contribui para a eficiência no uso de recursos hídricos.
A sustentabilidade do algodão não se mede apenas na fibra, mas na forma como é produzido e na mensuração de seus impactos. No fim de 2024, cotonicultores mensuraram de forma inédita a pegada de carbono do algodão com dados primários de campo, por meio da calculadora Footprint PRO Carbono, desenvolvida para o sistema agrícola brasileiro em cooperação técnica entre Bayer e Embrapa.
Com dados primários dos produtores, a pegada de carbono do algodão foi de 811 kg CO₂e/t, com potencial de redução superior a 30%.
Além de criar uma referência nacional para a cultura, a mensuração, via plataforma PRO Carbono, indica onde estão as emissões e orienta ajustes de manejo para reduzi-las, em respeito às particularidades regionais e apoio a decisões mais eficientes ao longo da cadeia.
A ampliação do uso do algodão na indústria têxtil dialoga com iniciativas que aproximam o campo do consumidor. O movimento Sou de Algodão, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), promove a valorização da matéria-prima ao reunir elos da cadeia e incentivar peças com, no mínimo, 70% de fibras naturais. A articulação adota critérios socioambientais e transparência ao longo da jornada das peças para uma produção responsável.
A conexão entre quem produz e quem consome é parte da resposta que o setor pode dar à crise global do plástico. A discussão entre fibra natural e sintética não simplifica um problema complexo, mas aponta caminhos para enfrentá-lo com escolhas que reduzam impactos ambientais. O algodão brasileiro, conectado a iniciativas e a esforços de mensuração climática no campo, tem um papel a cumprir nessa agenda.
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Para Marcelo Duarte a relação entre curto, médio e longo prazo ditam o sentimento do setor, que tende a valorização da matéria prima, mas teme pela queda da demanda global. “A alta dos fertilizantes e combustíveis tem elevado os custos de produção, o que tende a gerar pressão sobre os preços em uma reação sistemática. O mercado do algodão observa o aumento do poliéster em meio a incertezas sobre a oferta global da pluma”, disse.
Embora haja uma reação positiva nos preços do algodão no curto prazo, Duarte alerta para os riscos de médio prazo. "Essa situação gera pressão inflacionária, o que reduz o poder de compra das pessoas e, consequentemente, a demanda por vestuário. Apesar do aumento nominal no valor da pluma, o momento é de preocupação para o setor devido às incertezas e ao aumento sistêmico nos custos de produção e logística", explica.
A valorização do algodão no mercado internacional encontra sustentação na alta das fibras sintéticas, os seus principais concorrentes. Com o petróleo em patamares elevados, o custo do poliéster sobe, tornando a fibra natural mais competitiva. No entanto, Duarte ressalta que essa alta é uma faca de dois gumes, pois o setor enfrenta o encarecimento de insumos fundamentais. "O algodão vê suporte nos preços devido ao aumento do poliéster e às incertezas sobre a oferta futura, influenciadas pela alta nos fertilizantes nitrogenados, que também possuem origem fóssil", afirma o diretor.
Para ele, o ganho no preço final da pluma acaba sendo acompanhado por um salto nos custos operacionais: "Os fertilizantes representam uma parte significativa do custo de produção e essa pressão, somada ao frete, impacta diretamente a rentabilidade final do produtor".
O aumento do custo de transporte, fretes e logística gera incertezas sobre o abastecimento global de commodities e preocupa o setor. A diminuição de margens de faturamento pode implicar em desabastecimento das indústrias e alta sobre cadeias agroindustriais.
Consolidado como o maior exportador mundial de algodão desde 2024, o Brasil se consolida como parceiro estratégico da indústria têxtil asiática. Com uma capacidade produtiva robusta e escala para atender à crescente demanda global, o país promoveu um deslocamento do eixo comercial da commodity.
Além de acompanhar tendências globais, o país passou a ditar o ritmo da oferta global como maior exportador da pluma, que sofre valorização nas bolsas internacionais e assegura a rentabilidade do produtor nacional.
Na avaliação de técnicos do setor, em um cenário de preços voláteis nas bolsas, a capacidade brasileira de oferecer previsibilidade e conformidade socioambiental tem sido o fator determinante para assegurar a rentabilidade do produtor e a preferência das fiações asiáticas.
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Por Paulo Santos — Campina Grande (PB)
A guerra no Irã, que fez o preço do petróleo disparar e ajudou o algodão a se valorizar no cenário internacional, pode prejudicar a demanda por produtos feitos a partir da pluma. A avaliação é de Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).
Durante participação na Bremen Cotton Conference, realizada em Bremen, na Alemanha, o dirigente ressaltou que, apesar da reação positiva nos preços do algodão, há riscos no médio prazo.
"Essa situação [de guerra] gera pressão inflacionária, o que reduz o poder de compra das pessoas e, consequentemente, a demanda por vestuário. Apesar do aumento nominal no valor da pluma, o momento é de preocupação para o setor devido às incertezas e ao aumento sistêmico nos custos de produção e logística", disse, em nota.
Segundo ele, o bloqueio do Estreito de Ormuz tem gerado uma "pane geral" nas rotas marítimas, elevando drasticamente o custo do transporte e do óleo diesel.
A valorização do algodão no mercado internacional encontra sustentação na alta das fibras sintéticas, os seus principais concorrentes. Com o petróleo em patamares elevados, o custo do poliéster sobe, tornando a fibra natural mais competitiva. No entanto, Duarte ressalta que essa alta é uma faca de dois gumes, pois o setor enfrenta o encarecimento de insumos fundamentais.
"O algodão vê suporte nos preços devido ao aumento do poliéster e às incertezas sobre a oferta futura, influenciadas pela alta nos fertilizantes nitrogenados, que também possuem origem fóssil", afirmou o diretor.
Para ele, o ganho no preço final da pluma acaba sendo acompanhado por um salto nos custos operacionais. "Os fertilizantes representam uma parte significativa do custo de produção e essa pressão, somada ao frete, impacta diretamente a rentabilidade final do produtor", acrescentou.
Ele também apontou a contradição entre a crescente preocupação ambiental e o avanço das fibras sintéticas derivadas do petróleo. Entre os fatores que explicam a perda de participação do algodão no mercado global, citou a estagnação da produtividade, os impactos das mudanças climáticas e desafios estruturais como as questões logísticas.
Por fim, ele reforçou a necessidade de o setor comunicar melhor seus atributos, como a alta rastreabilidade, sendo o algodão a segunda commodity mais rastreável do mundo, atrás apenas do café, e simplificar a mensagem de sustentabilidade para o consumidor final.
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A terceira turma da Brazilian Cotton School foi concluída na última semana consolidando mais uma edição do programa que vem se firmando como uma das principais iniciativas de formação executiva do setor algodoeiro do país. Ao longo de três semanas intensivas, os participantes vivenciaram uma jornada completa de aprendizado, conectando teoria e prática em diferentes elos da cadeia produtiva.
Criada de forma conjunta pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e pela Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), a escola tem como propósito qualificar profissionais para uma compreensão ampla e estratégica do mercado, desde a produção até a comercialização internacional do produto.
Além das aulas em Brasília (DF) e São Paulo (SP), ministradas por 60 especialistas do setor, a programação incluiu uma série de visitas técnicas que proporcionaram uma imersão prática e inédita aos participantes. “As visitas técnicas foram fundamentais para conectar teoria e prática, trazendo uma visão real e estratégica do setor”, destacou Marcella Guerreiro Wehrle, diretora executiva da Associação Paulista dos Produtores de Algodão (APPA) e participante da terceira turma. “Foi uma experiência transformadora, que ampliou minha visão sobre a cotonicultura e toda a sua cadeia produtiva”, completou.
Um dos destaques do cronograma foi a visita ao Porto de Santos, principal corredor de exportação do algodão brasileiro, onde o grupo acompanhou de perto os caminhos da logística portuária e as operações de embarque da fibra com passagem pelo Terminal Alemoa, onde ocorre o carregamento de fardos de algodão em contêiner. “A turma pôde ver fisicamente 4 mil toneladas de fardos estocados e as operações de recebimento, manobras, consolidação e todas as movimentações de containers nos pátios do terminal”, detalhou Luiz Magalhães Ozores, conselheiro da S. Magalhães.
Ainda no litoral paulista, a escola proporcionou, pela primeira vez, uma visita à Sede da Praticagem, onde os participantes da Cotton School puderam compreender o papel estratégico dos práticos na condução segura de navios e na eficiência das operações portuárias — etapa fundamental para a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.
Já a experiência em campo este ano foi em uma das fazendas de algodão do Grupo Moresco, em Cristalina (GO), referência em tecnologia e produtividade. A atividade ofereceu uma aula de práticas modernas de manejo, sustentabilidade e integração de processos, reforçando a importância da origem da fibra dentro da cadeia, além de visita à GM Algodoeira, dentro da fazenda, especializada no beneficiamento de fibras. Dentro do módulo de plantio e colheita, a terceira turma da escola também teve uma experiência na Casa John Deere, em Campinas (SP), e no Centro de Treinamento da montadora.
Chegando na ponta final da cadeia, a imersão contemplou o setor industrial, com visita técnica à Santista Têxtil em Americana (SP). Lá, os participantes acompanharam as diferentes etapas de transformação do algodão em produto final, compreendendo as exigências da indústria e os padrões de qualidade demandados pelo mercado. Complementando a visão técnica, o grupo esteve presente no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), reconhecido pela excelência na formação profissional e no desenvolvimento tecnológico, aprofundando o entendimento sobre inovação, qualificação de mão de obra e o futuro da indústria têxtil.
Para a diretoria da Brazilian Cotton School, a terceira turma reafirma o papel da iniciativa na formação de lideranças capazes de atuar de forma estratégica em um setor cada vez mais globalizado e exigente. “A escola nasce da integração entre os diferentes elos da cadeia, e essa vivência prática fortalece justamente essa visão sistêmica, essencial para o momento que o Brasil vive como protagonista no mercado mundial de algodão”, destaca o diretor da escola, Jonas Nobre.
A curadoria do conteúdo da escola é realizada pelo engenheiro agrônomo, Sérgio Dutra, mestre em Agronomia pela ESALQ/USP, doutor em Agronomia no Programa de Energia na Agricultura da FCA – UNESP de Botucatu e consultor. “Nós buscamos aperfeiçoar a cada ano os conteúdos, além de ampliar o número de mentores convidados, avaliando, tanto os temas permanentes, como os temas transversais que são alterados a cada ano conforme necessidade”, relatou Dutra.
Na sua terceira edição, a Brazilian Cotton School formou um total de 36 novos embaixadores no mercado do algodão brasileiro. “Ter participado da BCS neste momento da minha carreira foi um divisor de águas. Vindo, originalmente, do setor de grãos e oleagionosas, a BCS me proporcionou, em algumas semanas, um alicerce para desenvolver um conhecimento mais profundo acerca do setor”, avaliou o participante, André Barbieri, gerente de Inteligência de Mercado da Bunge.
Informações para a imprensa:
Sara Kirchhof
secretaria@braziliancottonschool.com.br
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O Brasil é o maior exportador de algodão do mundo e o terceiro maior produtor da pluma. Agora, um dos focos do setor é a melhoria contínua da qualidade da fibra que é matéria-prima para a indústria têxtil nacional e internacional.
Com esse objetivo, a Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa) e a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) realizaram, na última sexta-feira, 27 de março, em Goiânia, um workshop dedicado às melhores práticas, do manejo à comercialização, com resultados comprovados em qualidade. O encontro reuniu especialistas representantes de diferentes elos da cadeia produtiva, entre produtores, comerciantes e industriais em oito painéis temáticos.
Excelência técnica e visão de mercado
O painel “Classificação, contaminantes e padronização da fibra”, apresentado pela diretora de relações institucionais da Abrapa, Silmara Ferraresi, pelo pesquisador da Embrapa João Paulo Saraiva e pelo gerente do laboratório de qualidade da Agopa, Rhudson Assolari, detalhou desafios e avanços na classificação do algodão brasileiro, além dos impactos dos contaminantes na produção industrial e na reputação da fibra. A padronização e a formação de lotes na comercialização também estiveram em pauta.
A dimensão estratégica da qualidade foi destacada por Ferraresi, ao relacionar o rigor técnico ao posicionamento do produto no mercado internacional. A diretora também enfatizou o papel da comunicação e da imagem do setor: “A qualidade é o nosso melhor argumento de venda. Quando mostramos ao mundo que o algodão brasileiro tem rastreabilidade e um padrão técnico rigoroso, estamos consolidando a marca do Brasil como um fornecedor confiável”, afirmou
Na abordagem técnica, Rhudson Assolari conduziu módulos sobre legislação e prática de classificação, ressaltando o compromisso com a precisão: “Nosso papel aqui é garantir que o resultado que sai do laboratório seja o espelho fiel do que o produtor colheu, assegurando que cada fardo goiano esteja pronto para atender às exigências das fiações mais modernas”, explicou.
Qualidade e reputação
Os desafios da indústria têxtil e a importância da gestão da qualidade na geração de valor da fibra brasileira foram discutidos em painel com o gerente do programa Cotton Brazil, Fernando Rati, o vice-presidente da Fiasul, Franco Manfroi, e o gestor de estratégia e operação da divisão de exportação de produtos agrícolas da Timbro, João Paulo Lima.
Rati destacou o crescente interesse das fiações asiáticas pelo algodão brasileiro, atribuindo esse movimento ao avanço da qualidade da fibra nacional. No entanto, apontou entraves relacionados à contaminação, especialmente por pegajosidade e presença de plástico. Segundo ele, “A resolução de desafios técnicos pode aumentar consideravelmente as exportações do algodão brasileiro para os países asiáticos. A nossa qualidade é muito alta, o nosso maior problema é o nível de contaminação”.
Sob a ótica da indústria, Manfroi reforçou a preocupação com contaminantes: “O mercado têxtil brasileiro é bastante exigente e as indústrias de fiação evitam ao máximo produzir com algodão contaminado por plásticos para evitar problemas na cadeia”. A pegajosidade também foi apontada como fator de desperdício e de imperfeições no fio durante o processo industrial.
Integração da cadeia
Além dos painéis, o workshop promoveu uma mesa-redonda sobre o futuro do algodão brasileiro, com foco na integração entre produção, indústria e mercado global. Participaram do debate o presidente da Agopa, Haroldo Cunha, o diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), Dawid Wajs, e o produtor de algodão e membro do conselho da Abrapa, Luiz Carlos Bergamaschi.
Para Wajs, iniciativas como o workshop sinalizam ao mercado o compromisso do setor com a excelência. “Eventos como esse são essenciais para levar conhecimento para os produtores e dar um sinal para o mercado que qualidade é uma preocupação da cadeia do algodão brasileiro. Eu diria que a principal ação deve ser em relação aos contaminantes como plástico e fragmentos de semente (sead coat). Esse cuidado é necessário para manter o nível de reputação do algodão brasileiro”.
Bergamaschi reforçou a responsabilidade dos produtores na manutenção da qualidade: “Um pouco de capricho na lavoura resolve muito. Para a indústria, a mensagem é que podem confiar no algodão brasileiro”
Já Haroldo Cunha destacou o momento estratégico para o setor e a necessidade de atuação conjunta. “Qualidade é transparência, seriedade e consciência. Um produtor pode desagiar a origem como um todo, impactando a percepção dos compradores do algodão brasileiro. É muito importante que o público diverso que está aqui entenda que a responsabilidade da qualidade é de todos. Um trabalho conjunto. A qualidade é feita todo dia, com a noção de coletividade”.
O encontro foi encerrado com a avaliação de que a integração entre as instituições e os diferentes elos da cadeia é fundamental para assegurar que a pluma brasileira mantenha o padrão de excelência exigido pelo mercado internacional.
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A evolução da cotonicultura brasileira — hoje uma das mais tecnificadas e competitivas do mundo — passa, necessariamente, pela produção científica. No centro desse avanço estão os trabalhos desenvolvidos por estudantes, pesquisadores e professores orientadores, que conectam conhecimento acadêmico às demandas reais do campo e contribuem diretamente para decisões mais assertivas, produtivas e sustentáveis.
No Congresso Brasileiro de Algodão (CBA), essa conexão ganha protagonismo. O evento se consolida como um dos principais espaços de difusão científica do setor, reunindo pesquisas aplicadas que dialogam com os desafios da cadeia produtiva — do manejo à qualidade da fibra, passando por sustentabilidade e inovação tecnológica.
Para quem está no início da trajetória, o impacto da pesquisa é imediato. Giovanna Mattos, estudante premiada na última edição do CBA, destaca o papel transformador da experiência. “Participar do congresso foi extremamente enriquecedor. Ter meu trabalho reconhecido como o melhor da categoria graduação representa um marco importante na minha trajetória acadêmica”, afirma. Segundo ela, a pesquisa científica “é fundamental para a evolução da cotonicultura brasileira, pois gera conhecimento que auxilia na tomada de decisão no campo e contribui diretamente para o aumento da produtividade e conservação dos recursos naturais”.
A jovem também reforça o papel do congresso como porta de entrada para o mercado. “É uma oportunidade única de aprendizado, troca de experiências e crescimento profissional. O contato com profissionais e empresas amplia a visão sobre o setor e fortalece o interesse em seguir na área”, completa.
Do ponto de vista de quem já atua na pesquisa, o reconhecimento também representa um estímulo para seguir avançando. Larissa Teodoro, pesquisadora premiada no último CBA, destaca que a ciência é a base para o desenvolvimento sustentável da cultura. “A pesquisa científica deve ser a rota principal para o avanço da cotonicultura no Brasil, pois permite decisões mais assertivas e economicamente viáveis em toda a cadeia produtiva”, explica.
Ela ressalta que, em uma cultura complexa como o algodão, cada decisão impacta diretamente o resultado final. “Uma escolha equivocada pode afetar produtividade, qualidade da fibra e sustentabilidade da produção. Por isso, a ciência se torna indispensável em todas as etapas”, pontua. Para Larissa, a diversidade de temas abordados nos trabalhos apresentados no CBA — que vão do aumento de produtividade à sustentabilidade e qualidade industrial — reforça o nível de maturidade tecnológica do setor.
Já na visão do professor orientador, o processo científico vai além da geração de conhecimento: é também um instrumento de formação profissional e de conexão com o mercado. Fábio Echer, orientador premiado na última edição do congresso, destaca o papel do CBA nesse ciclo. “A participação no congresso coloca os estudantes em contato com toda a cadeia produtiva, ampliando sua rede de relacionamento e contribuindo para o desenvolvimento pessoal e profissional”, afirma.
Segundo ele, o caráter técnico do evento permite aproximar teoria e prática. “O CBA possibilita aos estudantes estabelecerem uma ligação direta entre a ciência e sua aplicação no campo, o que é fundamental para o processo formativo”, explica. Além disso, Echer destaca que os trabalhos científicos também cumprem uma função estratégica na troca de conhecimento. “É uma via de mão dupla: ao mesmo tempo em que os estudantes apresentam seus resultados, os questionamentos de produtores e técnicos geram novas ideias e hipóteses de pesquisa”.
Essa dinâmica contínua entre pesquisa e prática é o que sustenta o avanço da cotonicultura brasileira. Ao transformar dados em soluções e conhecimento em inovação, os trabalhos científicos apresentados no CBA reforçam o papel da ciência como um dos principais motores de desenvolvimento do setor — conectando gerações, integrando saberes e preparando o campo para os desafios do futuro.
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