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Brasil lidera exportação de algodão, mas setor enfrenta desafios climáticos

Produtores estão investindo em práticas sustentáveis

28 de Março de 2025

O Brasil alcançou um marco histórico ao se tornar o maior exportador global de algodão na safra 2023/2024, conforme dados da Associação Brasileira dos Produtores de algodão (Abrapa). No entanto, o setor enfrenta desafios crescentes devido às mudanças climáticas, que impactam diretamente a produtividade e a qualidade da fibra brasileira.


A produção de algodão no Cerrado, que responde por 70% do volume nacional, sofre com temperaturas elevadas, baixa umidade e períodos prolongados de seca. Segundo o pesquisador Cornélio Alberto Zolin, da Embrapa Agrossilvipastoril, a adaptação do setor depende de três fatores essenciais: melhoramento genético, manejo do solo e análise de risco climático.


O melhoramento genético tem se mostrado fundamental para desenvolver variedades mais resistentes ao calor. "O algodão é sensível a altas temperaturas noturnas, o que compromete a formação da fibra", explica Zolin. No manejo do solo, estratégias como plantio direto e cobertura vegetal auxiliam na conservação da umidade e reduzem os impactos do estresse hídrico. Além disso, o Zoneamento Agrícola de Riscos Climáticos (ZARC) permite que produtores escolham o melhor período de plantio para minimizar perdas.


Estudos da Embrapa indicam que, desde 1961, a temperatura média no Cerrado aumentou entre 2°C e 4°C, enquanto a umidade relativa do ar caiu cerca de 15%. Com o calor excessivo, o ciclo de vida de pragas como o bicudo-do-algodoeiro e a mosca-branca acelera, exigindo monitoramento constante e o uso de tecnologias como drones e armadilhas inteligentes para minimizar perdas.


Para enfrentar os impactos climáticos, produtores estão investindo em práticas sustentáveis, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e o controle biológico de pragas. "A diversificação das lavouras melhora a saúde do solo e torna o sistema produtivo mais resiliente", afirma Odair Aparecido Fernandes, especialista em Manejo Integrado de Pragas da UNESP.


A certificação socioambiental também tem sido um diferencial competitivo para o algodão brasileiro no mercado internacional. Selos como o Better Cotton Initiative (BCI) garantem que a produção segue padrões sustentáveis, agregando valor ao produto.


Em Minas Gerais, a falta de chuvas entre fevereiro e março afetou lavouras de sequeiro, reduzindo o potencial produtivo. O diretor-executivo da Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa), Lício Augusto Pena de Sairre, destaca que os agricultores enfrentaram ciclos mais curtos e perdas na formação de botões florais. "Estamos incentivando o uso de práticas como plantio direto e aumento da matéria orgânica no solo para minimizar os impactos", afirma.


Com perspectivas de continuidade dos desafios climáticos, o setor algodoeiro aposta na inovação e na sustentabilidade para manter sua competitividade no mercado global.

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Cotonicultora brasileira, Ani Sanders recebe homenagem no Senado Federal

28 de Março de 2025

Parabenizando o trabalho e a liderança feminina da produtora Ani Heinrich Sanders no agronegócio, em especial, na cotonicultura, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), representada pela diretora de Relações Institucionais, Silmara Ferraresi, assistiu, nesta quarta-feira (27), a cerimônia de entrega do Diploma Bertha Lutz à produtora rural, no Plenário do Senado, em Brasília (DF). Concedido pelo Senado Federal a mulheres e instituições que se destacam na defesa dos direitos femininos e na igualdade de gênero, a honraria é um reconhecimento pela sua atuação em prol do desenvolvimento social e inclusão feminina no agronegócio. Ani Sanders está entre as 21 mulheres homenageadas deste ano, ao lado de nomes como, Fernanda Montenegro, Fernanda Torres e Viviane Senna.


"Dona Ani é um exemplo de liderança feminina no agronegócio brasileiro. Sua trajetória inspira e fortalece a presença das mulheres no setor, mostrando que é possível unir inovação, sustentabilidade e protagonismo. O reconhecimento com o Diploma Bertha Lutz é mais do que merecido e reforça a importância do seu trabalho para o desenvolvimento do agro e para a valorização da mulher no campo. Parabéns, Dona Ani, por essa conquista e por representar com tanta excelência a força feminina no setor”, afirma Silmara.


Indicada pela senadora Jussara Lima (PSD), ela foi reconhecida por sua atuação à frente de iniciativas que impulsionam a participação feminina no setor do agronegócio, promovendo inovação, sustentabilidade e desenvolvimento social. Cofundadora e Superintendente Administrativa do Grupo Progresso, em Sebastião Leal, no Piauí; presidente do Instituto Cultivar Progresso, líder do movimento Mulheres de Fibra e Embaixadora das Mulheres do Agro do Nordeste do Brasil, representando as produtoras nordestinas no Congresso Nacional das Mulheres do Agro (CNMA), Ani Sanders tem sido uma voz ativa na valorização das mulheres no campo e na implementação de práticas sustentáveis na produção agrícola.


“Receber o Diploma Bertha Lutz no Senado foi um momento de grandeza, sonho e reconhecimento. Como mulher do agro, me sinto honrada por estar entre grandes lideranças femininas, representando todas as mulheres que fazem progresso no campo. Esse prêmio renova minhas forças para seguir contando a história de 46 anos dedicados à produção e ao desenvolvimento do Brasil. Somos mais fortes quando estamos unidas e pensando no coletivo”, acredita Ani Sanders.


A força da mulher no agro


Nascida em Carazinho (RS) e radicada no Piauí desde 2001, Ani Sanders, mãe de três filhos, tem se consolidado como uma das principais lideranças femininas no agronegócio brasileiro. Ela está à frente de projetos como, o Movimento Mulheres de Fibra, que promove a integração de mulheres envolvidas na cadeia produtiva; o grupo Mulheres que Fazem Progresso, que estimula a participação feminina nos diversos segmentos do agro; além de integrar a Comissão Nacional das Mulheres do Agro (CNA), fomentando a capacitação e inclusão de mulheres na cadeia produtiva do setor.


Com uma trajetória marcada pelo empreendedorismo e pela inovação, Ani Sanders implementa no Grupo Progresso, tecnologias avançadas no cultivo de soja, milho e algodão, tornando a produção mais eficiente e competitiva. Seu trabalho também se destaca pelo impacto social, investindo na educação e na capacitação de trabalhadores rurais, além de incentivar práticas agrícolas sustentáveis que beneficiam as comunidades locais.


O Prêmio Bertha Lutz


Criado em 2001, o Diploma Bertha Lutz homenageia mulheres que contribuem para o avanço da igualdade de gênero e o fortalecimento dos direitos femininos no Brasil. O prêmio leva o nome de Bertha Lutz, cientista, política e líder feminista brasileira que, ao longo do século XX, se destacou na luta pelos direitos das mulheres, fundando em 1922, a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que foi crucial para a conquista do voto feminino, em 1932. Formada em Biologia pela Sorbonne, em Paris, Bertha nasceu em 1894, em São Paulo, e era filha do cientista Adolfo Lutz e da enfermeira britânica Amy Marie Gertrude Fowler.

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Grupo Técnico de Qualidade avança no monitoramento da pegajosidade do algodão

27 de Março de 2025

Após visitar as fiações Karsten e Fio Puro, em Pomerode (SC), e participar do Seminário Mesdan, que apresentou o instrumento que testa a pegajosidade do algodão — instalado no final do ano passado na unidade de Blumenau do Senai —, o Grupo Técnico (GT) de Qualidade da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) decidiu organizar uma reunião para definir um protocolo de utilização desse equipamento e os parâmetros de volume a serem adotados. Com esses dados, os laboratórios integrantes do programa Standard Brasil HVI (SBRHVI) poderão iniciar a aquisição das máquinas, realizar testes e informar os produtores sobre a presença de pegajosidade, uma das principais reclamações do mercado global. As visitas ocorreram entre os dias 25 e 26 de março.


“O equipamento permitirá a realização de testes para que os produtores possam identificar e mitigar o problema da pegajosidade, uma demanda frequente dos clientes. Embora seja um equipamento de análise volumétrica, ele não substitui o HVI. A recomendação dos fabricantes é que a amostragem varie entre 20% e 25%”, afirmou Deninson Lima, especialista em análise de pluma do Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA).


Reconhecido pela International Textile Manufacturers Federation (ITMF), o equipamento é uma ferramenta essencial para monitorar a pegajosidade. Com ele, é possível avaliar o problema e realizar ensaios a cada 100 fardos da fibra. “Trata-se de uma tecnologia moderna, de fácil operação e com pouca influência operacional. Além disso, os estudos apresentados indicam alta precisão e baixa variação de resultados”, disse.


Durante as visitas às fiações, o grupo também analisou os processos industriais, destacando a modernização e a automação, além de identificar desafios relacionados à qualidade do algodão e seu impacto na cadeia produtiva. O objetivo foi compreender as dificuldades recorrentes e as expectativas do setor em relação às melhorias de qualidade.


Inicialmente, o Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA) não adquirirá o equipamento, pois sua atuação se concentra na produção de material de referência para os laboratórios, e não na análise direta para os produtores. No entanto, futuramente, a aquisição pode ser considerada para fins estatísticos ou outros estudos.


Participaram das visitas representantes do CBRA, da Abrapa; do Centro de Análise de Fibras, da Abapa; do Laboratório de Classificação Visual e Tecnologia da Fibra de Algodão, da Agopa; da Central de Classificação de Fibra de Algodão (Minas Cotton) e do Laboratório de Classificação Instrumental da Unicotton. Esse último já adquiriu um exemplar do testador, que deve chegar em maio. Os demais estão avaliando a aquisição.

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Guerra comercial EUA-China gera incerteza no comércio internacional

Apetite chinês por algodão apresentou recuo de 58% no primeiro bimestre de 2025 em relação ao ano anterior

26 de Março de 2025

A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China tem gerado incerteza no comércio internacional. Para se ter uma ideia, as exportações semanais de algodão do país norte-americano somaram 101.058 fardos, o menor volume semanal desde outubro.


As informações constam no Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa desta sexta-feira (21).


Confira os destaques trazidos pelo Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa:


Algodão em NY – O contrato Jul/25 fechou nesta quinta 20/mar cotado a 67,57 U$c/lp (-0,2% vs. 13/mar). O contrato Dez/25 fechou em 69,36 U$c/lp (+0,2% vs. 13/mar).


Basis Ásia – Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 841 pts para embarque Mar/Abr-25 (Middling 1-1/8″ (31-3-36), fonte Cotlook 20/mar/25).


Baixistas 1 – As exportações semanais de algodão dos EUA somaram 101.058 fardos, o menor volume semanal desde outubro. A China cancelou 49.300 fardos.


Baixistas 2 – O Federal Reserve dos EUA manteve as taxas de juros inalteradas, mas aumentou a previsão de inflação para 2025 para 2,7% (antes era 2,5%).


Altistas 1 – O plantio de algodão nos EUA já começou no Sul do Texas, mas sob condições de seca severa.


Altistas 2 – O Monitor de Seca dos EUA indicou que as regiões High Plains e Rolling Plains estão em condições de seca moderada a anormal.


Plantio 1 – A disponibilidade de água também causa apreensão no Paquistão, onde o plantio acelerou nesta semana.


Plantio 2 – Já na China, a expectativa é de que a semeadura avance na próxima semana a partir do sul de Xinjiang, rumo às áreas do norte.


Fiações 1 – Na Índia, as fiações operam quase que na capacidade total, apesar da limitação na oferta. Em Bangladesh, a produção está reduzida.

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Anpii Bio reúne líderes para impulsionar bioinsumos no Brasil

Durante o encontro, o presidente da entidade reforçou a necessidade de políticas públicas e incentivos para o setor

26 de Março de 2025

A Anpii Bio promoveu recentemente um jantar em Brasília (DF) para celebrar os avanços do setor de bioinsumos e discutir os próximos passos para a plena regulamentação da Lei dos Bioinsumos. O evento reuniu mais de 100 participantes, incluindo representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Anvisa, CNA, Aprosoja, Abrapa, além de parlamentares e lideranças do setor produtivo.


O Brasil é o maior mercado mundial de bioinsumos, com uma indústria que movimentou R$ 5,7 bilhões na última safra e previsão de crescimento de 60% até 2030. Segundo a Dunham Trimmer LLC, o país já representa 11,3% do consumo global, podendo atingir 16,4% até o final da década.


Para Júlia Emanuela de Souza, diretora de Relações Institucionais da Anpii Bio, a regulamentação é essencial para fortalecer o setor. “Trabalhamos para criar um ambiente favorável à inovação e garantir que os bioinsumos tenham um papel cada vez mais estratégico na produção agrícola”, afirmou.


A Lei dos Bioinsumos, sancionada no final de 2024, foi um marco para o setor, mas regulamentações complementares ainda são necessárias. Durante o jantar, Guilherme de Figueiredo, presidente da Anpii Bio, reforçou a necessidade de políticas públicas e incentivos para manter o Brasil na liderança global do segmento.


A Anpii Bio seguirá atuando para reduzir burocracias, facilitar o registro de bioinsumos multifuncionais e estimular a pesquisa científica, promovendo o crescimento sustentável da Nova Revolução Verde.

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Como guerra tarifária pode mudar o consumo mundial de algodão

Brasil pode tirar vantagem desse cenário, com aumento das exportações; mas há desafios

24 de Março de 2025

Uma nova versão da guerra tarifária promovida pelos EUA contra alguns de seus parceiros comerciais terá impactos consideráveis para alguns setores do agronegócios, e a cadeia do algodão não está imune a esses efeitos. De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o tema tem sido o foco das atenções de produtores, exportadores e indústria.


Durante a reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados, do Ministério da Agricultura, realizada em Brasília, o diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, destacou os efeitos positivos e negativos com as tensões comerciais envolvendo as principais economias do mundo.


Para ele, de bom para o Brasil, a guerra comercial pode promover a melhoria dos prêmios do algodão na Ásia, uma maior competitividade no mercado chinês e a possibilidade de aumento das exportações no curto prazo.


“No entanto, há desafios, como a queda nas cotações da Bolsa de Nova York, maior concorrência em outros mercados e o fato de que o Brasil já ampliou significativamente sua participação na China, reduzindo o espaço para novos ganhos expressivos. Além disso, como o algodão importado pela China é majoritariamente usado para exportação de produtos têxteis, a taxação sobre esses bens pode limitar a demanda”, explicou, em nota.


Segundo o diretor, com as novas tarifas anunciadas para 2025, os EUA podem perder ainda mais participação na China, consolidando o Brasil como principal fornecedor, mas sem a mesma intensidade da primeira fase da guerra comercial, num primeiro momento.


Ainda de acordo com Marcelo Duarte, o fim da isenção fiscal "De Minimis" – que permitia importações de até US$ 800 sem tributação, nos EUA – também pode afetar o consumo global, reduzindo a competitividade dos produtos têxteis chineses à base de poliéster e contribuindo para o aumento da demanda por produtos de maior qualidade, feitos de algodão.


“Isso pode significar menor demanda por produtos sintéticos de baixa qualidade via correios e maior importação de produtos de algodão via os canais convencionais de importação”, detalhou.


Exportações


De acordo com os números apresentados pela Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) na reunião, de julho de 2024 até março de 2025, o Brasil já embarcou 2,2 milhões de toneladas de pluma, enquanto no último ano comercial (jul2024/jun2025), o volume exportado foi de 2,5 milhões de toneladas. O presidente da Anea, Miguel Faus, afirma que o cenário global é de preços reprimidos, devido a uma demanda internacional enfraquecida, influenciada por fatores como inflação e baixas taxas de juros.


“A China segue sendo um destino importante para o algodão brasileiro, mas a concorrência dos Estados Unidos deve se intensificar em mercados onde o Brasil tem se consolidado nos últimos anos, como Índia, Egito, Paquistão, Bangladesh, Vietnã e Turquia”, destacou.


“Os Estados Unidos, por sua vez, estão negociando um acordo de livre comércio com a Índia para isentar 60 mil toneladas de algodão da tarifa de importação, o que pode impactar a participação brasileira nesse mercado”, acrescentou Faus.


Segundo o presidente da Anea, a logística de exportação tem se destacado, permitindo que o Brasil bata recordes no escoamento do algodão. “A logística não deve ser um grande problema, desde que haja disponibilidade de navios, contêineres e rotas de transporte - atualmente, cerca de 50% da safra já foi vendida”.


Preços


Na avaliação do presidente da Anea, não haverá grandes mudanças para os preços da pluma nos próximos meses, já que a oferta mundial ainda é maior que o consumo. “A demanda também está abaixo do esperado, o que impede uma valorização expressiva do produto. No entanto, o mercado tem mostrado uma autorregulação: quando os preços caem muito, a demanda tende a crescer, o que ajuda a equilibrar as cotações”.


Projeção de safra


Ainda na reunião da Câmara Setorial, a Abrapa informou que a estimativa da área de lavouras ocupadas com a cultura em 2024/25 é um pouco superior ao projetado pela Conab na safra passada, que foi de 3,70 milhões de toneladas.


A entidade reforça que a confirmação de área vai depender do desempenho da produtividade esperada pelos cotonicultores, em 1842 quilos por hectare, o que já representa 3,2% a menos do que a registrada no ciclo anterior. No momento, ocorrências de veranicos têm alertado produtores em algumas regiões de Estados como Bahia e Goiás.


De acordo com o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, os números ainda são preliminares, já que a safra em Mato Grosso, maior produtor do país, está no início.


“Podemos dizer que tudo está ocorrendo dentro da normalidade até aqui, mas existem preocupações com relação ao clima, e alguns Estados já sentem os efeitos da estiagem. Mas tivemos notícias de que já choveu na Bahia, por exemplo. De todo modo, ainda é cedo para fechar as previsões. Preferimos sempre ser conservadores em nossas projeções”, afirmou Picolli.

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Brazilian Cotton School encerra primeira semana com foco em qualidade, sustentabilidade e mercado global

21 de Março de 2025

Depois de uma semana cheia de conteúdos sobre os muitos aspectos que envolvem o algodão e de uma visita a uma fazenda produtora da fibra, os alunos da segunda edição da Brazilian Cotton School já se preparam para uma nova etapa da imersão, a partir de segunda-feira (24), em São Paulo, onde estão previstas visitas técnicas a indústrias têxteis, laboratórios e ao Porto de Santos.


 A Brazilian Cotton School é uma iniciativa conjunta entre a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM). A jornada de conhecimento permite ao participante uma visão 360º do setor, desde as operações de produção, transformação, comercialização, regulação e promoção da matéria-prima. “Para a Abrapa, foi uma semana extremamente produtiva em Brasília e uma grande satisfação receber os participantes, proporcionando uma troca de experiências para todos os envolvidos”, afirmou Gustavo Piccoli, presidente da entidade.


A qualidade da análise de algodão foi um dos temas abordados na primeira semana da capacitação, e teve como facilitadores Edson Mizoguchi, gestor do Programa Standard Brasil HVI (SBRHVI) da Abrapa, e Rhudson Assolari, gerente do Laboratório de Análises de Fibra da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa), que apresentaram os programas Standard Brasil HVI (SBRHVI) e o Programa de Qualidade do Algodão Brasileiro (PQAB). Já a rastreabilidade e a promoção no mercado interno ficaram a cargo de Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa, que apresentou o Sistema Abrapa de Identificação (SAI) e o programa Sou Algodão Brasileiro Responsável (SouABR), responsável por contar a história de uma peça de algodão, desde a semente até o guarda-roupa. Fábio Carneiro, gestor de Sustentabilidade da Abrapa, detalhou os protocolos de certificação ABR, ABR-UBA e ABR-LOG, que asseguram boas práticas na produção, beneficiamento e logística da matéria-prima.


Na quinta-feira (20), os alunos deixaram a sala de aula para uma visita à Fazenda Pamplona, no município de Cristalina, que é considerada modelo de produção da fibra no Brasil. Na sexta (21), foi a vez de falar de mercado externo. Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa, abordou a conjuntura da commodity e a promoção do algodão brasileiro promovida pelo programa Cotton Brazil, parceria entre Abrapa, ApexBrasil e Anea.


“A primeira semana do curso foi intensa e de muita troca de conhecimento sobre produção agrícola, dentro e fora da classe. O primeiro módulo do curso foi coroado com uma visita à Fazenda Pamplona. Agora, seguimos para a próxima etapa em São Paulo com muita energia”, afirmou Marcelo Escorel, diretor da Brazilian Cotton School.


Para Mayron Toshio Kaneko da Silva, operador portuário na Wilson Sons / Tecon, em Salvador, um dos alunos do curso, a experiência está sendo surpreendente. “Desde o primeiro dia, imergimos em um ambiente dinâmico, com professores que apresentaram aulas interativas, combinando teoria e prática, proporcionando um entendimento sobre cada etapa da produção. A visita técnica e os estudos de caso reais, tornaram o aprendizado estimulante. Como operador portuário, sendo a parte final da cadeia logística, confesso que estou impressionado pois não tinha noção de todos os desafios enfrentados. Estou animado para o que vem por aí, nas próximas duas semanas".


 

Foto: SLC Agrícola

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Sou de Algodão promove encontros em universidades parceiras de Goiás e São Paulo

Iniciativa da Abrapa realizou palestras para mais de 160 estudantes e docentes, destacando a importância da criatividade, transparência e responsabilidade na moda

21 de Março de 2025

Seguindo a agenda de compromissos com as universidades parceiras, entre os dias 19 e 20 de março, o Sou de Algodão, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), promoveu três apresentações, sendo na Universo, em Goiânia, na Universidade Estadual do Goiás (UEG), e na Anhembi Morumbi, em São Paulo. Ao todo, mais de 160 estudantes e docentes dos cursos de Moda destas instituições foram impactados pelas conversas conduzidas por Manami Kawaguchi, gestora de relações institucionais do movimento, e seus convidados. Ela foi a responsável por mostrar as possibilidades criativas usando o algodão, além de compartilhar os pilares de trabalho do movimento e da Associação, alinhados à sustentabilidade e à valorização da fibra nacional.

O primeiro encontro aconteceu na Universidade Salgado de Oliveira (Universo), e contou com a presença de Lucas Caslú, vencedor do 3º Desafio Sou de Algodão + Casa de Criadores. Em forma de bate-papo, o estudante do último ano do curso de Design de Moda da instituição, falou sobre suas estratégias e a importância do trabalho coletivo. "Compartilhei um pouco sobre o meu processo criativo, além de falar sobre minha trajetória, o que faço atualmente e os detalhes da próxima coleção. Também dividi alguns dos meus planos para o futuro”, explica Lucas.

“A palestra foi um verdadeiro sucesso! A participação do Lucas foi incrível, compartilhando sua experiência como vencedor do 3º Desafio e destacando a importância da criatividade e persistência. A interação com os alunos foi maravilhosa, tornando essa uma experiência enriquecedora para todos”, comenta Suely Calafiori, Coordenadora do curso de Design de Moda da Universo.

Na parte da noite, Manami conduziu uma palestra na UEG destacando o trabalho da Abrapa, seus pilares estruturais e projetos, como os programas de sustentabilidade, rastreabilidade, qualidade e promoção. Entre os principais pontos mencionados, a gestora ressaltou a liderança do Brasil na produção de algodão responsável e a capacidade de atender integralmente a demanda interna. Também destacou que os setores têxtil e de confecção são o segundo maior gerador de empregos no Brasil.

Além de compreenderem a importância da transparência e da sustentabilidade, os estudantes puderam conhecer de perto as diversas possibilidades de se trabalhar com o algodão, uma fibra natural, versátil e amplamente disponível no Brasil. “O algodão brasileiro oferece inúmeras oportunidades criativas para os futuros profissionais da moda, desde o design até a confecção, e contribui para o desenvolvimento de uma indústria mais responsável e conectada com as demandas do consumidor”, reforça Manami.

"É sempre um prazer receber o movimento em nosso curso, e a palestra ministrada pela Manami foi mais uma experiência enriquecedora para nossos alunos. O auditório da UEG Laranjeiras/Goiânia estava lotado, e os 40 estudantes do primeiro período tiveram a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos sobre o algodão e suas inúmeras possibilidades criativas. Nossa parceria com o Sou de Algodão, que já nos proporcionou talks, palestras e visitas técnicas inspiradoras, segue fortalecida, contribuindo para a formação de designers mais conscientes e preparados para o mercado”, comemora a Profa. Ma. Carla Barros Nascimento, da UEG.



Já no dia seguinte, em São Paulo, foi a vez dos alunos da Anhembi Morumbi conhecerem mais sobre o Sou de Algodão. Junto com a estilista parceira Heloisa Strobel, responsável pela marca Reptilia, a aula magna destacou o trabalho da profissional no mercado da moda, que desfila sua nova coleção na edição N59 da São Paulo Fashion Week, em abril.


“Estamos cada vez mais entusiasmados com essa parceria, que nos permite proporcionar aos jovens estudantes oportunidades concretas de transformar seus sonhos profissionais em realidade, sempre com foco na sustentabilidade e no uso consciente dos recursos na Moda. Nosso agradecimento especial à Heloisa Strobel, que compartilhou sua trajetória e inspirou os futuros profissionais do universo fashion”, comenta Déborah Serretiello, Coordenadora dos cursos de Moda da Anhembi Morumbi.


Outro destaque da palestra foi a discussão sobre a visão do consumidor que está cada vez mais preocupado com a sustentabilidade e a busca por transparência das empresas. Segundo Manami, o Brasil tem a vantagem de conseguir produzir uma moda 100% nacional. “É preciso conscientizar os futuros profissionais sobre a importância de toda a cadeia e a valorização da indústria nacional. A moda brasileira tem grande vantagem: criadores talentosos, uma indústria diversificada e uma cadeia produtiva responsável. Podemos mostrar por quantas mãos aquela peça passa até chegar a quem compra, já que temos uma cadeia têxtil completa e verticalizada, desde a produção da matéria prima, que é produzida com responsabilidade socioambiental e certificada”, conclui.


Sobre Sou de Algodão


Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 82% de toda a produção nacional de algodão.

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Cadeia produtiva do algodão avalia perspectivas da safra 24/25

Setor discute cenário global, guerra comercial e impactos no consumo, além das projeções de produção e exportação da fibra

21 de Março de 2025

Com expectativa de crescimento de área plantada estimada em 10,3% em 2024/2025, a safra brasileira de algodão deve chegar a 3,95 milhões de toneladas do produto beneficiado (pluma), de acordo com os números apresentados pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), na reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), realizada em Brasília. Guerra comercial, cenário econômico global, preços e pontos de atenção em relação do clima deram o tom da reunião de número 78ª da câmara, a primeira de quatro anuais.


 Além de incremento de área e produção e exportações, o setor pode ter um aumento de até 20 mil toneladas no consumo da indústria nacional, que no ano passado fechou em 750 mil toneladas e o Brasil tem ampliado mercado para além da China, em países como Egito, Paquistão e Índia. A próxima reunião da Câmara está prevista para 30 de junho.


Normalidade


A estimativa da área de lavouras ocupadas com a cultura é um pouco superior ao projetado pela Conab na safra passada, que foi de 3,70 milhões de toneladas. A confirmação vai depender do desempenho da produtividade esperada pelos cotonicultores, em 1842 quilos por hectare, o que já representa 3,2% a menos do que a registrada no ciclo anterior. No momento, ocorrências de veranicos têm alertado produtores em algumas regiões de estados como Bahia e Goiás.


De acordo com o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, que conduziu a reunião pela primeira vez, sucedendo o ex-presidente da associação e da Câmara, Alexandre Schenkel, os números ainda são preliminares, já que a safra em Mato Grosso, maior produtor do país, está no início.


“Podemos dizer que tudo está ocorrendo dentro da normalidade até aqui, mas existem preocupações com relação ao clima, e alguns estados já sentem os efeitos da estiagem. Mas tivemos notícias de que hoje (19), já choveu na Bahia, por exemplo. De todo modo, ainda é cedo para fechar as previsões. Preferimos sempre ser conservadores em nossas projeções”, afirmou Picolli.


Guerra Comercial


O tema do clima perdeu protagonismo na reunião para a pauta que tem sido o foco das atenções de produtores, exportadores e indústria, a guerra tarifária entre Estados Unidos e China, e as repercussões sobre o consumo da fibra. De acordo do diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, a nova fase da guerra comercial – a primeira foi em julho de 2018 – traz impactos diretos para o algodão brasileiro. Dentre os positivos, Duarte destacou a melhoria do basis na Ásia, uma maior competitividade no mercado chinês e a possibilidade de aumento das exportações no curto prazo.


“No entanto, há desafios, como a queda nas cotações da Bolsa de Nova York, maior concorrência em outros mercados e o fato de que o Brasil já ampliou significativamente sua participação na China, reduzindo o espaço para novos ganhos expressivos. Além disso, como o algodão importado pela China é majoritariamente usado para exportação de produtos têxteis, a taxação sobre esses bens pode limitar a demanda”, explicou. Segundo o diretor, com as novas tarifas anunciadas para 2025, os EUA podem perder ainda mais participação na China, consolidando o Brasil como principal fornecedor, mas sem a mesma intensidade da primeira fase da guerra comercial, num primeiro momento.


De Minimis


Ainda de acordo com Marcelo Duarte, o fim da isenção fiscal "De Minimis" – que permitia importações de até US$ 800 sem tributação, nos EUA – também pode afetar o consumo global, reduzindo a competitividade dos produtos têxteis chineses à base de poliéster e contribuindo para o aumento da demanda por produtos de maior qualidade, feitos de algodão.  “Isso pode significar menor demanda por produtos sintéticos de baixa qualidade via correios e maior importação de produtos de algodão via os canais convencionais de importação”, explicou.


Exportações


De acordo com os números apresentados pela Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) na reunião, de julho de 2024 até março de 2025, o Brasil já embarcou 2,2 milhões de toneladas de pluma, enquanto no último ano comercial (jul2024/jun2025), o volume de algodão exportado foi de 2.58 milhões de toneladas. O presidente da Anea, Miguel Faus, afirma que o cenário global é de preços reprimidos, devido a uma demanda internacional enfraquecida, influenciada por fatores como inflação e baixas taxas de juros. “A China segue sendo um destino importante para o algodão brasileiro, mas a concorrência dos Estados Unidos deve se intensificar em mercados onde o Brasil tem se consolidado nos últimos anos, como Índia, Egito, Paquistão, Bangladesh, Vietnã e Turquia”, destacou.


“Os Estados Unidos, por sua vez, estão negociando um acordo de livre comércio com a Índia para isentar 60 mil toneladas de algodão da tarifa de importação, o que pode impactar a participação brasileira nesse mercado”, disse Faus.


Metade já vendida


Segundo o presidente da Anea, a logística de exportação tem se destacado, permitindo que o Brasil bata recordes no escoamento do algodão. “A logística não deve ser um grande problema, desde que haja disponibilidade de navios, contêineres e rotas de transporte - atualmente, cerca de 50% da safra já foi vendida”, disse. Os números divulgados pelo USDA confirmam o maior exportador mundial de algodão também nesta safra.


“Quanto aos preços, a tendência é de estabilidade, uma vez que a produção global ainda supera o consumo, limitando aumentos significativos nos valores. A demanda também está abaixo do esperado, o que impede uma valorização expressiva do produto. No entanto, o mercado tem mostrado uma autorregulação: quando os preços caem muito, a demanda tende a crescer, o que ajuda a equilibrar as cotações.

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Primeira reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados avalia perspectivas para a safra 2024/2025

Setor discute cenário global, guerra comercial e impactos no consumo, além das projeções de produção e exportação da fibra.

21 de Março de 2025

Com expectativa de crescimento de área plantada estimada em 10,3% – 2.145,5 milhões de hectares – em 2024/2025, a safra brasileira de algodão deve chegar a 3,95 milhões de toneladas do produto beneficiado (pluma), de acordo com os números apresentados pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), na quarta-feira (19), na reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), realizada em Brasília. Guerra comercial, cenário econômico global, preços e pontos de atenção em relação do clima deram o tom da reunião de número 78ª da câmara, a primeira de quatro anuais.


 Além de incremento de área e produção e exportações, o setor pode ter um aumento de até 20 mil toneladas no consumo da indústria nacional, que no ano passado fechou em 750 mil toneladas e o Brasil tem ampliado mercado para além da China, em países como Egito, Paquistão e Índia. A próxima reunião da Câmara está prevista para 30 de junho.


Normalidade


A estimativa da área de lavouras ocupadas com a cultura é um pouco superior ao projetado pela Conab na safra passada, que foi de 3,70 milhões de toneladas. A confirmação vai depender do desempenho da produtividade esperada pelos cotonicultores, em 1842 quilos por hectare, o que já representa 3,2% a menos do que a registrada no ciclo anterior. No momento, ocorrências de veranicos têm alertado produtores em algumas regiões de estados como Bahia e Goiás.


De acordo com o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, que conduziu a reunião pela primeira vez, sucedendo o ex-presidente da associação e da Câmara, Alexandre Schenkel, os números ainda são preliminares, já que a safra em Mato Grosso, maior produtor do país, está no início.


“Podemos dizer que tudo está ocorrendo dentro da normalidade até aqui, mas existem preocupações com relação ao clima, e alguns estados já sentem os efeitos da estiagem. Mas tivemos notícias de que hoje (19), já choveu na Bahia, por exemplo. De todo modo, ainda é cedo para fechar as previsões. Preferimos sempre ser conservadores em nossas projeções”, afirmou Picolli.


Guerra Comercial


O tema do clima perdeu protagonismo na reunião para a pauta que tem sido o foco das atenções de produtores, exportadores e indústria, a guerra tarifária entre Estados Unidos e China, e as repercussões sobre o consumo da fibra. De acordo do diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, a nova fase da guerra comercial – a primeira foi em julho de 2018 – traz impactos diretos para o algodão brasileiro. Dentre os positivos, Duarte destacou a melhoria do basis na Ásia, uma maior competitividade no mercado chinês e a possibilidade de aumento das exportações no curto prazo.


“No entanto, há desafios, como a queda nas cotações da Bolsa de Nova York, maior concorrência em outros mercados e o fato de que o Brasil já ampliou significativamente sua participação na China, reduzindo o espaço para novos ganhos expressivos. Além disso, como o algodão importado pela China é majoritariamente usado para exportação de produtos têxteis, a taxação sobre esses bens pode limitar a demanda”, explicou. Segundo o diretor, com as novas tarifas anunciadas para 2025, os EUA podem perder ainda mais participação na China, consolidando o Brasil como principal fornecedor, mas sem a mesma intensidade da primeira fase da guerra comercial, num primeiro momento.


De Minimis


Ainda de acordo com Marcelo Duarte, o fim da isenção fiscal "De Minimis" – que permitia importações de até US$ 800 sem tributação, nos EUA – também pode afetar o consumo global, reduzindo a competitividade dos produtos têxteis chineses à base de poliéster e contribuindo para o aumento da demanda por produtos de maior qualidade, feitos de algodão.  “Isso pode significar menor demanda por produtos sintéticos de baixa qualidade via correios e maior importação de produtos de algodão via os canais convencionais de importação”, explicou.


Exportações


De acordo com os números apresentados pela Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) na reunião, de julho de 2024 até março de 2025, o Brasil já embarcou 2,2 milhões de toneladas de pluma, enquanto no último ano comercial (jul2024/jun2025), o volume de algodão exportado foi de 2.58 milhões de toneladas. O presidente da Anea, Miguel Faus, afirma que o cenário global é de preços reprimidos, devido a uma demanda internacional enfraquecida, influenciada por fatores como inflação e baixas taxas de juros. “A China segue sendo um destino importante para o algodão brasileiro, mas a concorrência dos Estados Unidos deve se intensificar em mercados onde o Brasil tem se consolidado nos últimos anos, como Índia, Egito, Paquistão, Bangladesh, Vietnã e Turquia”, destacou.


“Os Estados Unidos, por sua vez, estão negociando um acordo de livre comércio com a Índia para isentar 60 mil toneladas de algodão da tarifa de importação, o que pode impactar a participação brasileira nesse mercado”, disse Faus.


Metade já vendida


Segundo o presidente da Anea, a logística de exportação tem se destacado, permitindo que o Brasil bata recordes no escoamento do algodão. “A logística não deve ser um grande problema, desde que haja disponibilidade de navios, contêineres e rotas de transporte - atualmente, cerca de 50% da safra já foi vendida”, disse. Os números divulgados pelo USDA confirmam o maior exportador mundial de algodão também nesta safra.


“Quanto aos preços, a tendência é de estabilidade, uma vez que a produção global ainda supera o consumo, limitando aumentos significativos nos valores. A demanda também está abaixo do esperado, o que impede uma valorização expressiva do produto. No entanto, o mercado tem mostrado uma autorregulação: quando os preços caem muito, a demanda tende a crescer, o que ajuda a equilibrar as cotações.


Indústria


O setor têxtil brasileiro fechou 2024 com crescimento de 4,8%, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), presente à reunião. A confecção avançou quase 4% e o varejo, cerca de 3%. No entanto, as importações cresceram cerca de 20%, o que preocupa a indústria.


“Quando as importações crescem em um ritmo bem superior ao do mercado, perdemos espaço”, alerta Fernando Pimentel, presidente da Abit, destacando que 23% a 25% do vestuário vendido no Brasil já vem do exterior. Para 2025, segundo a entidade, o cenário é de insegurança, com juros elevados e pressão sobre o consumo. A expectativa de crescimento caiu para 2% no setor têxtil e até 1% na confecção, bem abaixo dos números de 2024. “O consumidor está espremido pelos preços dos alimentos, energia e outros itens essenciais, o que reduz sua capacidade de compra”, aponta Pimentel.


A boa notícia da indústria para os produtores é que o consumo de algodão no mercado interno pode crescer até 20 mil toneladas. Mas depende do cenário econômico. “Se não houver mudança forte nos preços relativos favorecendo os sintéticos, dá para imaginar um leve avanço”. Ele reforça que a competição global segue desigual: “Não temos oposição ao comércio internacional, mas sim a um comércio desequilibrado e desleal”, concluiu.

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