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País tem safra recorde com 350, 2 mi de toneladas de grãos no ciclo 2024/2025

Volume na atual colheita é 16, 3% superior ao do ciclo passado; crescimento do resultado é atribuído à expansão de 1, 9 milhão de hectares de área cultivada

12 de Setembro de 2025

A produção nacional de grãos bateu novo recorde histórico, com 350,2 milhões de toneladas produzidas no ciclo 2024/25. O volume supera o da temporada 2022/23, quando foram colhidas 324,36 milhões de toneladas -a alta foi de 16,3%.


Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (11) pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), estatal vinculada ao MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), responsável por executar a política agrícola e de abastecimento de alimentos do país.


O evento feito em Brasília teve a presença do vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), os ministros Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar) e o presidente da Conab, Edegar Preto.


“Os três últimos anos foram recordes no Plano Safra 2023,2024 e 2025, além de recordes de exportação. O Brasil saiu do mapa da fome, e hoje temos deflação de alimentos” disse Carlos Fávaro.


Os dados do 12o Levantamento da Safra 2024/2025 apontam que a soja teve produção recorde, estimada em 171,5 milhões de toneladas, alta de 20,2 milhões de toneladas sobre a safra passada. A maior produtividade ficou com Goiás, com 4.183 kg/ha, e a menor no Rio Grande do Sul, com 2.342 kg/ha, onde as regiões produtoras passaram por altas temperaturas e chuvas irregulares.


A safra sempre envolve dois anos porque o plantio acontece em um ano e a colheita, no seguinte. A soja, por exemplo, que foi plantada no segundo semestre de 2024 (setembro a novembro), só foi colhida no primeiro semestre de 2025 (janeiro a abril).


Houve produtividade recorde na média nacional nas lavouras de milho, considerando as três safras do grão, estimada em 6.391 quilos por hectare no atual ciclo. Com isso, espera-se produção total de 139,7 milhões de toneladas na safra 2024/25, alta de 20,9% em relação a 2023/24 e a maior do produto registrada pela estatal.


Na primeira safra, a produção foi estimada em 24,9 milhões de toneladas, alta de 8,6% sobre a anterior. Na segunda, com 97% da área colhida e 3% em maturação, estima-se alta de 24,4% na produção, prevista em 112 milhões de toneladas. Para a terceira safra, com as lavouras em desenvolvimento, espera-se uma produção de 2,7 milhões de toneladas.


É esperado, ainda, um recorde para o algodão, com a produção da pluma estimada em 4,1 milhões de toneladas. O resultado traz alta de 9,7% sobre a safra anterior e é sustentado pelo aumento de 7,3% na área semeada e pelo clima favorável.


Para o arroz, que já tem colheita encerrada, a produção alcançou 12,8 milhões de toneladas, alta de 20,6% sobre 2023/24 e a 4a maior já registrada. O aumento reflete a expansão de 9,8% na área semeada e as condições climáticas favoráveis, especialmente no Rio Grande do Sul, principal estado produtor. No caso do feijão, a estimativa traz uma produção próxima a 3,1 milhões de toneladas, o que garante o abastecimento interno do país.


Das culturas de inverno, o trigo teve redução de 19,9% na área destinada ao grão ante a safra passada, totalizando 2,4 milhões de hectares. Já a produtividade deve ter recuperação, saindo de 2.579 quilos por hectare em 2024 para 3.077 kg/ha neste ano. A produção está estimada em 7,5 milhões de toneladas nesta safra, 4,5% menos que a safra passada.


O ministro Teixeira afirmou que, a despeito do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, as vendas aos americanos seguem fortes.


“O impressionante é que eu tenho ouvido dos produtores brasileiros que os americanos não estão abrindo mão dos produtos brasileiros, apesar do tarifário. Eles continuam comprando carne, comprando frutas, comprando os nossos produtos que são fundamentais para a economia americana. E eu espero que, a partir dessa semana, eles comecem a abaixar o tarifácio porque estão prejudicando muito o consumidor americano”, disse.


Fávaro criticou a gestão de Jair Bolsonaro, lembrando que se chegou a cogitar fechar a Conab.


Alckmin citou o papel da estatal na regulação de preços, evitando efeitos de sazonalidade que impactam o bolso dos consumidores. “Tem momentos que a safra é recorde e o preço cai. É a hora de comprar e a hora de fazer estoque. Lá na frente, isso é cíclico. A safra desaba e o preço dispara. É a hora de colocar produto para ter uma regularidade de preços e evitar que o povo, que o consumidor fique sempre perdendo.”


Preto afirmou que a Conab voltou a fazer estoques de alimentos, ajudando a controlar a inflação. “Voltamos a fazer estoques públicos depois de 11 anos que não tínhamos estoque de arroz. Fazia 14 anos que não havia estoque de trigo. Agora temos estoque de trigo. Temos estoque de milho. Estamos comprando mais milho para reformular os nossos estoques, estamos fazendo subvenção para o feijão”, declarou.


O governo vai liberar R$ 12 bilhões para renegociar dívidas de produtores perderam safra por adversidades climáticas.


Barcaças carregadas com soja cruzam o rio Tapajós, em Itaituba (PA)


Soja cai em 2024, mas ainda gera um terço do valor


O valor da produção de soja no Brasil foi de R$ 260,2 bilhões em 2024, queda de 25,4% ante 2023 (R$348,7 bilhões), segundo 0 IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).


O órgão associou a redução a impactos de problemas climáticos e baixa nos preços da commodity.


Mas o grão ainda respondeu por 33,2% do valor total da produção agrícola do país no ano passado.

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Sou de Algodão leva estudantes do Senac SP para experiência imersiva em uma marca de moda

Os estudantes do curso de Design de Moda da instituição paulistana vivenciaram de perto os processos da indústria e refletiram sobre a responsabilidade na cadeia têxtil

29 de Agosto de 2025

Nesta quarta-feira (27), Sou de Algodão, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), levou estudantes e docentes do curso de Design de Moda da parceira Senac SP para uma experiência imersiva na Veste S.A Estilo, uma das maiores empresas de moda do Brasil. A imersão foi conduzida por Manami Kawaguchi Torres, gestora de Relações Institucionais do movimento, e contou com a presença especial do estilista parceiro João Pimenta, que também é consultor criativo da instituição de ensino.


A programação, que começou no início da tarde, contou com uma apresentação institucional sobre o movimento e sobre a Veste S.A Estilo, além de uma visita guiada por diferentes áreas da empresa, como Estilo, Marcas, Showroom, Tecidoteca, Modelagem e Centro de Distribuição. O grupo também acompanhou uma apresentação detalhada sobre o processo de desenvolvimento de produtos, conectando teoria e prática.


Para Manami Kawaguchi Torres, a aproximação entre o setor e os estudantes é fundamental para construir um futuro mais responsável e criativo na moda. “Nós acreditamos que a transformação da moda responsável passa, principalmente, pelas novas gerações. Estar com os estudantes, compartilhar conhecimento e mostrar como o algodão brasileiro se conecta a toda a cadeia têxtil são oportunidades muito valiosas de inspiração e diálogo”, destacou.


“Para os alunos, é uma oportunidade única estar dentro de uma empresa desse porte e compreender de perto os seus processos. Esse contato ajuda a ampliar a visão deles sobre o que pode ser um negócio de moda, a entender a dimensão que uma marca pode alcançar e o impacto que isso tem no setor. Tenho certeza de que foi uma experiência muito especial para cada um, por terem esse acesso direto a uma empresa com tamanha relevância”, afirma o estilista João Pimenta.


Além da troca de conhecimento, a experiência também proporcionou um olhar abrangente sobre os bastidores da indústria da moda. Ao circularem e conhecerem diferentes setores da empresa, os estudantes do Senac-SP puderam compreender como cada área se conecta, desde a pesquisa de tecidos até a logística de distribuição, entendendo assim, os desafios e as oportunidades do setor.


“Essa visita foi uma oportunidade muito rica de conexão entre o ensino de Design de Moda e o mercado produtivo. Fiquei impressionada com a estrutura e a governança da Veste, que abriu generosamente suas portas e dedicou uma tarde inteira para compartilhar conhecimento com nossos estudantes, professores e com o consultor criativo do curso, João Pimenta. Certamente, toda essa vivência agregou muito ao grupo, que agora terá ainda mais repertório para refletir, absorver e aplicar no desenvolvimento da coleção do Projeto Talentos Senac Moda 2025”, destaca Viviane Torres Kozesinski, docente do curso. “Destaco a forma como a empresa apresentou sua cultura organizacional, seus princípios de sustentabilidade, sua gestão humanizada e transparente, e todo o percurso do produto. São aprendizados de extrema relevância que fortalecem a formação dos futuros profissionais de moda”, completa.


“Receber os estudantes foi muito especial, porque acreditamos que abrir nossas portas é também abrir espaço para novas ideias e reflexões que ajudam a transformar o futuro da moda. A parceria com o Sou de Algodão reforça esse compromisso, já que o algodão é a principal fibra do nosso negócio e, quando cultivado de forma sustentável, representa inovação, transparência e responsabilidade”, reitera Laís Malerba Silveira, gerente de ESG da marca.


De acordo com Manami, o impacto da atividade para a formação dos futuros profissionais é muito importante. “É significativo para os alunos enxergarem, de uma forma concreta, como a indústria funciona por dentro, no dia a dia. Esse contato direto com a prática, aliado à reflexão sobre responsabilidade socioambiental, vai ampliar a visão deles enquanto criadores e futuros profissionais. Acredito que experiências como essa marcam profundamente a trajetória acadêmica e profissional de cada um”, afirma.


A iniciativa reforça o pilar Informacional do Sou de Algodão ao conectar a indústria, instituições de ensino e os estudantes, promovendo conhecimento técnico, inspiração criativa e práticas mais responsáveis na moda brasileira.

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Brasil, EUA e Austrália podem formar aliança para promover o algodão

Produtores brasileiros de algodão miram na Índia para ampliar exportações; em 2024, os embarques ao país cresceram oito vezes

18 de Agosto de 2025

Entidades do setor privado de Brasil, Estados Unidos e Austrália sinalizaram estar dispostas a trabalharem juntas para promover o algodão pelo mundo. A ideia é “mudar a narrativa” para tentar emplacar que o uso da fibra natural é mais sustentável e seguro do que as fibras sintéticas.


“Estamos iniciando tratativas com os americanos e com os australianos, para, juntos, começarmos um trabalho de divulgação e de promoção do algodão como fibra natural. Já temos sinal verde de sentarmos à mesa e desenharmos um programa de promoção da fibra natural de algodão”, destacou o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gustavo Viganó Piccoli, em entrevista ao Agro Estadão.


Além da Abrapa, a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), do Brasil, a American Cotton Shippers Association (ACSA), dos Estados Unidos, e Australian Cotton Shippers Association (ACSA), da Austrália, também devem participar da aliança. “Estamos iniciando um trabalho para convencermos a grande massa da população, para mostrarmos a narrativa correta da fibra natural versus fibra fóssil”, acrescentou Piccoli.


A estratégia de levar o discurso para o consumidor final passa por demonstrar as diferenças entre o sintético e o natural. Como revela o presidente, o algodão tem perdido espaço no mercado e a intenção é apostar na sustentabilidade do produto nacional.


Índia pode ser caminho de expansão
A Abrapa vem promovendo viagens de imersão para compradores da pluma. Na última, estiveram no Brasil representantes de seis países — Turquia, Índia, China, Paquistão, Bangladesh e Vietnã. Juntos esses países correspondem a 84% das exportações de algodão do Brasil no ciclo 2024/2025. Piccoli afirma que a intenção é ampliar os negócios com todos, mas vê um potencial maior na Índia.


“A Índia, por ser um país que tem uma população muito grande, a gente imagina que em algum momento eles possam direcionar as áreas que hoje são de algodão para produção de alimentos. E aí, como o algodão que produzimos é de excelente qualidade, com preços relativamente baixos, imaginamos que a gente possa aumentar a exportação para a Índia”, explicou o presidente da associação.


De acordo com dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Índia foi o sétimo principal destino do algodão brasileiro em 2024. Foram mais de 100 mil toneladas vendidas a US$ 184,3 milhões. No comparativo com 2023, o volume exportado aumentou mais de oito vezes (+866%).


Também no ano passado, o Brasil passou a liderar as exportações mundiais da pluma, ultrapassando os Estados Unidos. Foram mais de 2,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2025/2026, Piccoli estima que o país continue no topo e aumente esse montante embarcado para aproximadamente 3,2 milhões de toneladas.


Preços apertados e produção em alta
A safra de algodão do Brasil está nos momentos finais de colheita. O último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica que o país deve ter uma safra recorde com 3,93 milhões de toneladas da pluma. Porém, o presidente da Abrapa aposta que esse resultado pode chegar às 4 milhões de toneladas.


Já os preços da commodity não tem agradado o produtor. “Faz praticamente um ano que está o preço andando de lado, estamos falando algodão aí de 65 a 70 cento de dólar por libra peso. A esse preço, a margem fica muito estreita. Eu diria que em várias situações o produtor de algodão está sem margem. Isso é problema”. A solução estaria em reduzir os custos de produção já que hoje o mercado comprador de algodão está estagnado, ou seja, não há uma demanda crescente.


Mesmo assim, com aumento de produtividade, a expectativa é de que o recorde seja batido na próxima safra. “Eu diria que a gente vai ter uma manutenção da área que tivemos nesta safra. Dificilmente teremos acréscimo de área, mas com certeza manteremos a área e tentaremos ser as mais eficientes em produtividade também”, pontuou o presidente da associação. A Conab estima que a área plantada de algodão na safra 2024/2025 é de 2,08 milhões de hectares.

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Brasil mantém liderança mundial nas exportações de algodão pela segunda temporada seguida e mira expansão sustentável

Ao final de julho deste ano, com o encerramento oficial da temporada 2024/25, o Brasil manteve, em mais um feito histórico para o agronegócio nacional, o posto de maior exportador global de algodão em pluma. 

13 de Agosto de 2025

A conquista, alcançada pela primeira vez no ano comercial anterior, representa não apenas um avanço em volumes embarcados, mas também a maturidade de um setor que alia tecnologiasustentabilidade estratégia comercial para se destacar entre os maiores players globais.


Em entrevista exclusiva ao Broto, Marcio Portocarrero, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), comenta que essa liderança coroa um modelo produtivo altamente profissionalizado. “Mais do que volume, essa conquista reflete um modelo de produção sustentável rastreável, coordenado pela Abrapa em parceria com as associações estaduais. O protagonismo brasileiro amplia nossa presença em mercados exigentes e posiciona o Brasil como referência global”, afirma.


O programa Cotton Brazil, idealizado pela Abrapa em parceria com a ApexBrasil e apoio da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), tem papel central nesse resultado. Lançado em 2020 para promover a pluma brasileira no mercado internacional, o programa nasceu com a meta de tornar o Brasil líder nas exportações até 2030. A meta, no entanto, foi antecipada em seis anos — um indicativo da eficácia da iniciativa.


De acordo com Marcelo Duarte Monteiro, diretor de Relações Internacionais da Abrapa, o Cotton Brazil mapeou os dez maiores mercados importadores do mundo — entre eles BangladeshChinaVietnãPaquistão Indonésia —, responsáveis por mais de 90% das compras globais. “Com missões internacionaiscomunicação qualificada e um escritório em Singapura, conseguimos promover não só a fibra brasileira, mas também defender o algodão como uma fibra natural de excelência”, explica.


Em 2024/25, o Brasil exportou 2,837 milhões de toneladas de algodão em pluma, superando concorrentes tradicionais como os Estados Unidos e consolidando a liderança global. Tal volume, de acordo com dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e analisados pela DATAGRO, representa ainda um aumento de 0,1% ante 2023/24.


Essa praticamente manutenção acontece sem comprometer o abastecimento interno: “Atendemos 99% da demanda das indústrias têxteis brasileiras. O consumo doméstico está em torno de 720 mil toneladas, e a produção nacional permite atender ambos os mercados com segurança”, afirma Portocarrero.



Diferenciais competitivos: rastreabilidade e sustentabilidade


Um dos grandes trunfos do algodão brasileiro está na capacidade de garantir a rastreabilidade e a certificação socioambiental de grande parte da safra. Segundo Portocarrero, mais de 85% da produção nacional passa por auditorias em critérios ASG, e 100% dos fardos são rastreados por meio do Sistema Abrapa de Identificação (SAI), que utiliza QR codes e códigos de barras padronizados pela GS1 Brasil.


Esse sistema permite rastrear a fibra desde a origem, com informações detalhadas sobre a fazenda produtoracertificaçõesunidade de beneficiamento e qualidades intrínsecas da pluma. “Trata-se de um diferencial competitivo que garante transparência e atende às demandas de um mercado cada vez mais exigente”, afirma Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa.



Sou de Algodão: aproximação com o consumidor


No mercado interno, o movimento Sou de Algodão, criado pela Abrapa em 2016, vem construindo uma nova percepção sobre a fibra junto ao consumidor final. A iniciativa atua na valorização da moda consciente e da produção responsável, conectando a cadeia produtiva com marcasestilistasuniversidades e o público geral.


O projeto já conta com quase 1.800 marcas parceiras, mais de 110 milhões de tags distribuídas e parcerias com 14 universidades e 17 instituições. “A moda é uma poderosa ferramenta de comunicação, e o Sou de Algodão nos ajuda a mostrar ao consumidor que ele pode fazer escolhas mais responsáveis. Com um simples QR code na etiqueta da roupa, é possível saber toda a origem da peça”, destaca Silmara.




Além da atuação nas passarelas da São Paulo Fashion Week e no e-commerce — com loja própria no Mercado Livre —, o movimento lançou o programa SouABR, que une rastreabilidade digital com certificação socioambiental. O piloto já envolveu 99 fazendas79 produtores, milhões de quilos de fios e centenas de milhares de peças rastreadas. “É um marco que reforça nosso compromisso com a moda ética e transparente”, complementa Silmara.



Produção tecnificada e diversificada


Embora haja uma concentração significativa da produção nos estados de Mato Grosso e no oeste da Bahia, a Abrapa busca incentivar e ampliar a cotonicultura em outras regiões do Brasil, superando a alta complexidade técnica e os elevados investimentos que a cotonicultura exige em maquináriomanejo controle fitossanitário.


Nessa linha, estados como GoiásMinas GeraisMaranhãoPiauí Ceará têm recebido investimentos em capacitação técnicatransferência de tecnologia infraestrutura de escoamento. “Temos bons exemplos em Catuti (MG) e Guanambi (BA), onde pequenos produtores se organizaram em cooperativas e obtêm bons resultados”, relata Portocarrero.


Paralelamente, grandes produtores vêm investindo em tecnologias inovadoras, como biofábricas para controle biológico de pragasdrones para aplicação dirigida e uso de ferramentas de georreferenciamento para aumento da eficiência, o que também contribui positivamente para a expansão da cadeia.


Segundo Portocarrero, essas práticas já permitem a substituição de até 24% dos defensivos químicos por insumos biológicos, percentual esse que deverá continuar crescendo progressivamente nos próximos anos.



Selo ABR: agregando valor à lavoura


Um dos pilares do modelo produtivo brasileiro é o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que certifica as boas práticas trabalhistas e ambientais das propriedades produtoras.


Segundo Portocarrero, a certificação melhora a gestãoaumenta a produtividadereduz riscos legais e fortalece o acesso a mercados mais exigentes. “Além disso, o processo contribui para o engajamento das equipes e a adoção de tecnologias mais sustentáveis”, explica.


Atualmente, cerca de 83% da produção brasileira é certificada pelo ABR e também licenciada pelo programa internacional Better Cotton. Aproximadamente 93% da safra nacional é cultivada com água da chuva — outro diferencial relevante em tempos de escassez hídrica em outras partes do mundo.



Expansão com cautela e foco em novos mercados


Apesar do avanço nas exportações, a Abrapa defende que o crescimento do setor ocorra com responsabilidade e planejamento de mercado. Isso porque a demanda global por algodão está relativamente estável há mais de 12 anos, enquanto as fibras sintéticas seguem crescendo a taxas superiores a 5% ao ano.


“Não podemos incentivar uma expansão descontrolada. O mundo precisa voltar a consumir mais fibras naturais para que haja espaço para mais algodão”, alerta Portocarrero.


Nesse sentido, a entidade tem defendido campanhas globais de conscientização sobre os impactos ambientais das fibras sintéticas, que derivam de combustíveis fósseis geram microplásticos. “Acreditamos que o algodão, por ser renovávelreciclável e de menor impacto ambiental, tem um papel central na construção de uma moda mais ética e sustentável”, diz.



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Equipe de especialistas em qualidade realiza visita técnica ao polo têxtil de Santa Catarina para levar soluções ao mercado têxtil internacional

O estado, que lidera a produção têxtil do país, é referência no uso do algodão brasileiro em fábricas e fiações

07 de Agosto de 2025

O estado de Santa Catarina, reconhecido nacionalmente pela sua produção têxtil, também é referência no trabalho com o algodão brasileiro. Entre os dias 3 e 6 de agosto, o polo têxtil do estado recebeu a visita técnica dos consultores da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que querem entender como as fiações do estado conseguem produzir toneladas de fios usando apenas o algodão brasileiro.

Qualidade e produtividade

O Brasil lidera as exportações de algodão no mundo, porém indústrias de fiações asiáticas enfrentam alguns desafios ao trabalharem com o algodão brasileiro. Os principais deles estão relacionados à contaminação e pegajosidade da fibra, que afetam o rendimento no processo industrial.

A presença das cascas do caroço do algodão, de microplásticos e de pegajosidade na pluma, requer pausas constantes na produção, para que sejam realizadas limpezas nas máquinas industriais. Esse processo acaba por diminuir a produtividade de fios por hora de trabalho. A depender da quantidade de contaminação presente na pluma utilizada, o maquinário pode quebrar e gerar prejuízos para as fiações.

Edson Mizoguchi, gerente de qualidade da Abrapa, explica que essas “características ocasionalmente encontradas no algodão brasileiro se devem principalmente a fatores externos. No caso da pegajosidade, a presença de pragas como a mosca branca, deixa a fibra mais pegajosa, o que dificulta o trabalho das máquinas de fiação. Em relação às questões de contaminação, problemas relacionados ao seed-coat e ao plástico, se devem ao processo desde a colheita ao beneficiamento.”.

Desafios e melhores práticas para a utilização do algodão brasileiro

Esses aspectos, não geram um impacto tão grande nas fiações do país, que trabalham na sua imensa maioria apenas com a matéria-prima nacional. Para levar o conhecimento da indústria têxtil nacional para os compradores estrangeiros do algodão brasileiro, Varun Vaid, consultor do Wazir Advisors, está trazendo cases de Santa Catarina para fazerem parto do workshop “Desafios e melhores práticas para a utilização do algodão brasileiro em fiações”, que compõe a agenda da edição 2025 da Missão Compradores. O workshop será ministrado no dia 07 de agosto, em Brasília, para os participantes da Missão.

Para o Diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, “A Missão Compradores nos dá oportunidades para compartilhar conhecimento sobre o algodão brasileiro diretamente com os clientes. É importante poder apresentar a eles todos os aspectos da fibra brasileira, e ensiná-los como contornar possíveis problemas.”

Missão compradores

A Missão Compradores é um evento realizado anualmente pela Abrapa, através do programa de promoção do algodão brasileiro para o mercado internacional, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e a Agência Nacional de Exportadores de Algodão (Anea). Desde 2015, a iniciativa traz ao Brasil compradores da pluma para conhecerem o algodão brasileiro através de uma imersão na realidade da cotonicultura no país.

Foco em qualidade

A qualidade é uma área estratégica para a atuação da Abrapa em 2025, ano em que realizou encontros de qualidade da fibra e workshops em três dos principais estados produtores do Brasil. Somente em Mato Grosso, mais de 200 profissionais foram certificados para atuarem como inspetores de qualidade em Unidades de Beneficiamento de Algodão (UBA).

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Supply Chain 4.0: certificação do algodão brasileiro é destaque em seminário

Silmara Ferraresi apresentou os avanços da Abrapa e do movimento Sou de Algodão em rastreabilidade na cotonicultura

23 de Junho de 2025

Na última segunda-feira (16), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Universidade de São Paulo (USP) promoveram o seminário Supply Chain 4.0 - Rastreabilidade Digital na sede da CNI, em São Paulo. Com o objetivo de discutir estratégias para novas tecnologias e modelos, o evento reuniu lideranças do setor industrial, especialistas em logística, tecnologia, compliance e sustentabilidade, além de representantes do meio acadêmico e do setor público.


Entre os destaques da programação, esteve a participação de Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa e gestora do movimento Sou de Algodão, no painel “Tecnologias digitais e seus impactos nas certificações”. Ao lado de Carina Pereira Lins, gerente de sustentabilidade da Associação Brasileira de Automação GS1 Brasil e Alexandre Harkaly, sócio diretor estratégico de integração da QIMA, com moderação de Marcos Heleno Guerson, superintendente do IPEM/SP, Silmara compartilhou a trajetória da rastreabilidade no setor algodoeiro nacional, com ênfase nas certificações socioambientais e no papel da tecnologia para garantir a transparência da cadeia.


“Rastreabilidade é uma história de 20 anos no algodão brasileiro. A gente começou em 2004, com o Sistema Abrapa de Identificação (SAI), identificando apenas a unidade de beneficiamento, e hoje conseguimos monitorar da fazenda até o varejo”, explicou Silmara. Em 2012, veio a criação do ABR (Algodão Brasileiro Responsável), o programa de certificação socioambiental, que, posteriormente, em 2021, uniu-se ao SAI e aos demais elos da cadeia têxtil no Brasil. Dessa união surgiu o SouABR, que oferece transparência da origem da matéria-prima, comprovadamente certificada na peça de roupa.


Segundo Silmara, a preocupação em assegurar toda a trajetória e a qualidade do algodão brasileiro para o mercado foi um dos principais motores de inovação da cadeia. “O nosso desafio sempre foi garantir que o algodão que chega lá fora realmente veio de uma fazenda certificada, com manejo ambientalmente correto”.


Durante sua apresentação, Silmara também demonstrou como o Programa SouABR e suas etiquetas inteligentes oferecem uma rastreabilidade completa e acessível. “Hoje, o consumidor escaneia um QR Code e percorre toda a trajetória da peça: ele vê a fazenda, a fiação, a tecelagem e sabe que aquele algodão tem uma história, construída com responsabilidade”.


Ela também destacou a complexidade dos primeiros projetos, e a importância da parceria com marcas como C&A, Renner, Reserva, Veste e Calvin Klein. “A primeira coleção com rastreabilidade do campo ao varejo levou quase 3 anos para sair do papel. Foi um exercício de confiança, maturidade e construção coletiva”.


Além da Abrapa, o seminário contou com apresentações sobre desafios de compliance, transparência, novas tecnologias, cases internacionais e caminhos para o desenvolvimento de projetos de inovação, com foco na rastreabilidade digital. A programação foi voltada a gestores e líderes de agroindústrias, especialistas de logística e supply chain, pesquisadores, startups, consultorias e representantes de entidades governamentais.



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Marco Legal para o Licenciamento Ambiental deve melhorar competitividade do algodão brasileiro

De acordo com a Senadora Tereza Cristina (PP-MS), a nova Lei do Licenciamento Ambiental será aprovada em breve pelo Senado, mas ainda enfrentará resistências no plenário da Câmara Federal

21 de Maio de 2025

Depois de 21 anos tramitando no Congresso Nacional, a nova Lei do Licenciamento Ambiental (PL2159/2021) voltou a ser discutida no Senado. Na última terça-feira (20/05), a proposta do Marco Legal para o Licenciamento Ambiental, foi aprovada na Comissão de Meio-Ambiente (CMA) e na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA). Segundo o relatório feito pela Senadora Tereza Cristina (PP-MS) em conjunto com o Senador Confúcio Moura (MDB-RO), a lei não fragiliza o licenciamento e nem revoga nenhuma punição por crimes ambientais, apenas irá padronizar o processo a nível nacional. No Brasil, existem mais de 27 mil normas de meio-ambiente, neste cenário a centralização regulatória se faz necessária para atrair investimentos para o interior do país.


Atualmente, a autorização ocorre de acordo com leis municipais, estaduais e resoluções do CONAMA, o que torna os processos longos e complicados, além de criar impedimentos arbitrários para o desenvolvimento do setor agrícola brasileiro. Com processos que duram aproximadamente 10 anos para a liberação de licenças, a legislação vigente não impede apenas a construção de obras simples, mas acaba também causando problemas estruturais mais complexos, como a construção de hidroelétricas para o fornecimento de energia nas áreas mais isoladas do país, desestimulando os investidores nacionais e estrangeiros.


Impactos no agro e na infraestrutura


No total, são 5.063 obras, entre rodovias, ferrovias, hidrovias, linhas de transmissão, gasodutos e dutos de fibras ópticas, que estão paradas por problemas relacionados ao licenciamento ambiental. A competitividade brasileira no mercado internacional também é afetada, o impedimento legal para obras de infraestrutura que possam facilitar o escoamento das safras através de rodovias, ferrovias e portos, prejudica a exportação dos produtos nacionais.


A expectativa é que o Marco Legal para o Licenciamento Ambiental, traga maior transparência e previsibilidade para os investimentos no campo e segurança jurídica ao produtor rural principalmente no que tange a necessidade de exigência ambiental para atividade agropecuária de baixo ou médio impacto.


Cotonicultura pode ganhar impulso com a nova lei


Em carta aberta, a Frente Parlamentar da Agricultura (FPA) e outras 89 entidades do setor do agropecuário, incluindo a Abrapa, manifestaram total apoio ao relatório apresentado pela Senadora Tereza Cristina, citando que “além das diretrizes gerais, é necessário um reordenamento administrativo que estabeleça uma distribuição mais equilibrada das responsabilidades e prazos entre os setores públicos e privados”.


Para Marcio Portocarreiro, Diretor Executivo da Abrapa, caso a nova Lei do Licenciamento Ambiental entre em vigor, ela irá beneficiar o setor algodoeiro do país. Segundo Marcio, “diminuir a burocracia nos processos de licenciamento tende a destravar obras de infraestrutura que facilitará o armazenamento e escoamento da produção de algodão, melhorando a nossa competitividade. Além das questões de infraestrutura, a nova lei também irá colaborar com a produção rural de médio e baixo impacto”.

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Setor algodoeiro se une pela sustentabilidade da produção nacional

Em nota, ABRAPA, ANEA, ABIT e a Bolsa Brasileira de Mercadorias, explicam o que faz a produção de algodão brasileira ser responsável e sustentável.

20 de Maio de 2025

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e a Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM) publicaram uma nota conjunta em que reforçam a sustentabilidade do algodão brasileiro. A declaração do setor vem como uma resposta à matéria e a entrevista publicada pelo portal Deutsche Welle Brasil, em maio de 2025. Nos conteúdos publicados pelo portal, a produção do algodão brasileiro foi acusada de greenwashing, expressão em inglês que em tradução livre significa “lavagem verde”, quando uma empresa ou produto tentam se promover usando a sustentabilidade apenas no discurso, sem ter um real compromisso com a questão socioambiental.   


Em resposta, as principais entidades que representam o algodão no Brasil, afirmam que as publicações fazem parte de uma narrativa que associa erroneamente o aumento da exportação da pluma com o uso de defensivos agrícolas. De acordo com nota publicada, a DW ignorou os dados técnicos, certificações internacionais e o protagonismo global do Brasil na cotonicultura responsável.


A resposta ao veículo foi dividida em 5 pontos principais que explicam as razões pelas quais a produção brasileira seja considerada responsável e sustentável, já que além da adoção das melhores práticas agrícolas por parte dos produtores, a fibra também é renovável, biodegradável e se aplica aos princípios da economia circular.   


Atualmente, o Brasil é o maior produtor mundial de algodão certificado pela Better Cotton, que é uma organização sem fins lucrativos, que promove melhores padrões no cultivo e práticas de cultivo de algodão em 22 países. As entidades se colocaram à disposição da imprensa e convidaram o veículo e os demais interessados a conhecerem o trabalho realizado pelo setor algodoeiro no Brasil.


Confira a resposta completa das entidades no link: Nota do setor algodoeiro brasileiro

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Dia Mundial do Jeans: 4 estilistas que estão revolucionando o denim no Brasil

Parceiros do movimento Sou de Algodão, eles ressignificam o denim com moda autoral, inovação e compromisso com a sustentabilidade

20 de Maio de 2025

O jeans sempre foi símbolo de atitude, versatilidade e reinvenção. Neste dia 20 de maio, celebramos o Dia Mundial do Jeans, em referência à patente registrada por Levi Strauss e Jacob Davis em 1873, o marco do nascimento do jeans moderno. Desde então, a peça se tornou um verdadeiro ícone global, capaz de atravessar gerações, estilos e fronteiras.


Mais do que um clássico do guarda-roupa, o jeans tem sido ressignificado por profissionais criativos, que apostam em design consciente, processos inovadores e no uso de algodão brasileiro de qualidade, rastreável e responsável.


Pensando nisso, o movimento Sou de Algodão destaca o trabalho de quatro estilistas parceiros que vêm revolucionando o uso do denim no país. As coleções assinadas por esses nomes mostram que é possível unir estética, identidade e compromisso com o futuro, provando que o jeans brasileiro tem muito a dizer, e também vestir.


Estúdio Traça: jeans como ferramenta de expressão e reconstrução
Criado em 2016 pelo estilista Gui Amorim, o Estúdio Traça é, hoje, um dos nomes mais instigantes da moda autoral brasileira. Com base em São Paulo, a marca desfilou nas últimas edições da Casa de Criadores, e tem como eixo criativo o upcycling, utilizando resíduos têxteis - sobretudo o denim - como matéria-prima para dar nova vida a peças únicas e ousadas. “O jeans não é uma tendência, é um clássico que precisa ser constantemente atualizado”, afirma o estilista, que enxerga no jeans brasileiro um potencial de reinvenção e resistência.


Com uma trajetória marcada por colaborações de peso com marcas como Serg Denim, Levi’s Brasil e Kit Kat, o Estúdio Traça também já vestiu grandes nomes da música e do entretenimento, como Anitta, Pabllo Vittar, Gloria Groove, Ludmilla, Pedro Sampaio, Luísa Sonza e Marina Sena. A marca tem se destacado por seu olhar contemporâneo sobre o jeans, e por um trabalho autoral que mistura moda, arte e discurso social.


Reptilia: entre a arquitetura, o minimalismo e o denim como matéria de criação
Fundada pela estilista e arquiteta Heloisa Strobel, a Reptilia nasceu do desejo de construir peças que unissem forma, função e propósito. A marca, que tem atelier próprio e atua no modelo slow fashion, combina processos artesanais e inovação tecnológica com uma estética autoral e atemporal. Suas criações refletem a influência da arquitetura modernista, das artes visuais e do minimalismo, em coleções que trazem silhuetas contemporâneas e livres de gênero, com forte compromisso ambiental e social.


Para Heloisa, o denim é uma das grandes forças da moda brasileira, tanto criativa quanto economicamente. “O jeans é um motor propulsor da moda nacional. O Brasil tem algo raríssimo, porque ele domina toda a cadeia do denim, desde a plantação do algodão até o produto final. Isso nos coloca em posição de destaque no mundo. O jeans e o biquíni são parte da nossa identidade cultural”, afirma.


Entre os grandes momentos da marca está o lançamento do Vestido Kefren, uma peça de festa feita em denim, que rompe com os usos tradicionais do tecido. “Essa peça representa bem o nosso desejo de ressignificar o jeans. Foi usado pela top Vivi Orth na nossa campanha de verão no Edifício Louvre, no centro de São Paulo, e é um dos nossos orgulhos”, conta Heloisa.


Amapô Jeans: o jeans com alma brasileira e espírito livre
Ícone da moda nacional desde os anos 2000, a Amapô Jeans é conhecida por suas criações cheias de personalidade, irreverência e originalidade. Fundada pelas estilistas Carô Gold e Pitty Taliani, a marca é uma das maiores responsáveis por trazer protagonismo ao jeans nacional dentro da moda autoral. Com modelagens ousadas, lavagens criativas e uma abordagem que mistura cultura urbana, pop art e tropicalismo, a Amapô transformou o denim em tela para suas narrativas visuais e sociais.


A marca fez história na São Paulo Fashion Week, onde desfilou por mais de uma década, e hoje segue trilhando caminhos alternativos com coleções cápsula, colaborações e forte presença em canais digitais. Além disso, a Amapô se tornou referência por sua abordagem divertida e inclusiva da moda, com coleções agênero, peças em tamanhos amplos e campanhas que celebram corpos diversos.


Para Carô e Pitty, o jeans é mais do que uma peça básica, é um símbolo de liberdade. “Acreditamos que o jeans brasileiro tem identidade própria. Ele traduz nossa criatividade, ousadia e mistura cultural. Nosso trabalho sempre foi sobre dar voz a essa potência com humor, cor e uma boa dose de ironia”, reiteram as criadoras da marca.


Korshi 01: versatilidade urbana com DNA contemporâneo
Criada em 2018 pelo estilista PK Korshi, a Korshi 01 nasceu em São Paulo com a missão de traduzir a brutalidade poética da cidade em peças que dialogam com o movimento, a multiplicidade e a adaptação. Jovem, ousada e focada em design funcional, a marca se destaca por explorar a multifuncionalidade e a versatilidade, criando roupas que acompanham os diferentes momentos do dia, sem perder estilo e autenticidade.


A relação com o denim sempre esteve presente no universo da Korshi 01, especialmente como símbolo de resistência e experimentação. Um dos momentos mais significativos da trajetória da marca foi a colaboração com a Vicunha para a revista VTrends. Da parceria, nasceram peças que logo se tornaram ícones da marca, como a jaqueta destacável, a calça que se transforma e o trench coat de denim, todos pensados com o conceito de adaptação e praticidade.


Para PK Korshi, o jeans é uma matéria-prima fundamental para expressar o estilo urbano com sofisticação. “O denim é um dos tecidos mais poderosos da moda brasileira. Ele transita com facilidade entre o casual e o elegante, e ainda abre espaço para inovação sustentável. Na Korshi 01, o jeans é mais do que material, é uma ferramenta criativa e expressiva”, afirma o estilista.

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BASF promove painel sobre moda e responsabilidade com a estilista Martha Medeiros

Apoio platino do movimento Sou de Algodão, a empresa destacou a importância da fibra na moda autoral durante convenção anual

16 de Maio de 2025

Na última quarta-feira (14), a patrocinadora platino do Sou de Algodão, BASF, realizou a sua convenção anual com todo o time em Atibaia, no interior de São Paulo. O encontro estratégico, que marca o início do novo ano-safra, incluiu a apresentação dos direcionais do negócio, a celebração de conquistas e a definição das metas do período.


Como parte da agenda do evento, a BASF promoveu um painel inspiracional com três nomes que simbolizam diferentes pilares de excelência: Luciana Salton, diretora executiva da Vinícola Salton, que falou sobre responsabilidade; João Branco, um dos principais líderes de Marketing da América Latina, que abordou o tema agilidade; e Martha Medeiros, estilista parceira do movimento Sou de Algodão, que levou ao palco uma fala sobre superação.


Martha Medeiros compartilhou com os convidados sua história de dedicação à moda artesanal e autoral, tendo o algodão como sua principal matéria-prima. Em sua fala, ela destacou a importância da evolução contínua, da capacitação permanente e do compromisso em “tentar ser melhor a cada dia”. A estilista também reforçou a importância do algodão brasileiro e responsável para o desenvolvimento de uma moda sofisticada, ética e conectada com a identidade nacional.


“Para a BASF, é uma imensa satisfação ser parceira do Movimento Sou de Algodão, que tem como principal objetivo conscientizar a moda nacional para o uso de uma matéria-prima de qualidade, e que é produzida de maneira responsável. Nesse sentido, foi uma honra termos recebido a Martha Medeiros em nossa convenção de vendas. Estilista e empreendedora, ela tem sido responsável por colocar o algodão brasileiro em uma posição de destaque, por meio de suas criações que ultrapassaram fronteiras. O time BASF saiu motivado por sua história de vida, moldada por inconformismo, foco e melhora contínua”, afirmou Warley Palota, gerente Sênior de Marketing Algodão da BASF.


Ao final do painel, a BASF reiterou o seu compromisso com o Sou de Algodão, como uma iniciativa essencial para fortalecer a cadeia produtiva e aproximar o algodão brasileiro do consumidor final, promovendo diálogo, conscientização e valorização do trabalho de quem produz e transforma essa fibra em peças de alta qualidade.


“Estar ao lado do nosso apoio platino durante o painel foi uma oportunidade única de reforçar o valor do algodão brasileiro, como símbolo de inovação, conexão e responsabilidade com o consumidor. O Sou de Algodão ganha força com essa união entre os elos da cadeia. Além disso, ver uma estilista parceira como a Martha Medeiros, que tem o algodão como alma do seu trabalho, inspirar um time tão estratégico, mostra que estamos no caminho certo para valorizar ainda mais a nossa fibra”, reforça Silmara Ferraresi, Diretora de Relações Institucionais da Abrapa.

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