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Dia Mundial do Algodão: tecnologias transformam pluma brasileira na maior do mundo

07 de Outubro de 2024

Neste 7 de outubro, em que celebramos o Dia Mundial do Algodão, temos muitos motivos para comemorar, principalmente, o cotonicultor, que trabalha diariamente para produzir a melhor pluma do mundo. Na safra 2023/24, o setor levou o Brasil ao posto de maior produtor com uma colheita de 3,7 milhões de toneladas, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em uma área plantada de 1,99 milhão de hectares, de acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa). Além disso, o país já é consolidado como o maior produtor e exportador global de algodão responsável, com 1,98 milhão de toneladas certificadas, também segundo o órgão.


Olhando pelo retrovisor, até os anos 1990, quando o cultivo era de pouca escala, baixa tecnologia e impactado seriamente pela principal praga, o bicudo, não poderíamos imaginar que em 30 anos haveria um salto gigante na cadeia da pluma. Hoje, temos um protagonismo mundial graças ao produtor de algodão, que apostou na cultura e nas ferramentas essenciais: de biotecnologia, passando pelo tratamento de sementes, até os defensivos químicos e biológicos que estão chegando. Tudo isso para produzir o melhor algodão do mundo com qualidade, sustentabilidade, produtividade e rentabilidade.


Sabemos que o cultivo do algodão não é fácil e que exige muita tecnologia, principalmente, no manejo das pragas e doenças, já que foram elas que devastaram as plantações do país em décadas passadas e nos tornaram até importadores da pluma durante um grande período. Mas hoje, podemos deixar os percalços na história e entender como está sendo a trajetória de crescimento e exemplo mundial. Tudo começa com pesquisa e desenvolvimento de inovações que vêm sendo as propulsoras da cultura.


Entre os exemplos, evoluções tecnológicas, podemos começar citando a biotecnologia que vai dentro da semente, o principal bem do produtor. Hoje, ela já oferece proteção às lagartas durante todo o ciclo da cultura. Outra ferramenta aliada é o tratamento da semente, que proporciona o controle dos nematoides na raiz da planta. Ainda há o pacote de herbicidas, inseticidas e fungicidas, que auxiliam no controle de plantas daninhas, insetos e fungos que impactam a lavoura.


Não é só porque atingimos grandes conquistas na cadeia mundial do algodão que a pesquisa e desenvolvimento das tecnologias param. Elas seguem e em ritmo intenso, pois hoje o foco é atender às necessidades que os produtores enfrentam no campo. Neste caminho, ainda temos os insumos biológicos, que devem seguir com o manejo equilibrado com os químicos, além do lançamento de mais soluções para seguir protegendo a pluma mais famosa do mundo: a brasileira.


A safra 2024/25 vem aí e o algodão deve seguir entre os destaques da nossa produção. Segundo a 12ª edição da “Perspectivas para a Agropecuária - Safra 2024/25”, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área da nova temporada deve ser de 2.007 mil hectares, alta de 3,2% em relação à safra 2023/24. Já a produção deve bater 3,68 milhões de toneladas, crescimento de 1,1% na comparação com o período anterior. No Dia Mundial do Algodão, não nos faltam motivos para celebrar. É evolução em produção, sustentabilidade, rastreabilidade e tecnologias, tudo para seguir maximizando a produtividade da cultura e o protagonismo do agronegócio brasileiro e de sua pluma, que já está presente em todo o mundo.

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Dia mundial do algodão: Brasil deve manter liderança das exportações

País deve ter aumento de área e produção na safra 2024/25, mas cenário de preços é um ponto de atenção aos produtores

07 de Outubro de 2024

Nesta segunda-feira (7/10), quando é comemorado o Dia Mundial de Algodão, o Brasil tem muitos motivos para comemorar. No ano passado, o país ultrapassou os EUA e se consolidou como o principal exportador global da pluma. Em 2024/25 esse cenário deve se repetir, com um aumento na produção, que não deve ser afetada pelo momento adverso dos preços.


Para este novo ciclo, a área plantada deve crescer 7,4% em relação à última safra, e abranger 2,14 milhões de hectares. Os dados são da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que também espera um aumento na produção de 8%, com colheita prevista em quase 4 milhões de toneladas.


Também há boa perspectiva para as exportações do algodão brasileiro. A entidade não divulgou números, mas espera que o Brasil se mantenha à frente dos EUA na liderança global do fornecimento do produto. Em 2023/24, o Brasil enviou ao exterior 2,6 milhões de toneladas, enquanto os EUA embarcaram 2,56 milhões.


“Será um grande marco confirmar a liderança do Brasil nas exportações de algodão, porque prova que não foi apenas uma casualidade da conjuntura, mas é uma tendência duradoura”, disse, em nota, Alexandre Schenkel, presidente da Abrapa.


Desafio de mercado


Em meio a muitos prognósticos positivos para a próxima temporada, o grande desafio dos produtores de algodão provavelmente será lidar com a queda nas cotações do produto, principalmente na bolsa de Nova York.


Miguel Faus, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), lembra o momento fraco para os preços, que têm apresentado oscilações entre 68 e 72 centavos por libra-peso nos últimos meses, refletindo uma demanda fraca.


“A oferta global, marcada por grandes safras no Brasil, Estados Unidos e Austrália, contrasta com uma demanda moderada, especialmente pela redução das importações da China, o maior comprador mundial. A China, que no ciclo anterior representava 50% das exportações brasileiras, agora absorve apenas cerca de 20%, desafiando o setor a buscar novos mercados, como Índia e Egito”, pontuou Faus.


Diante desse quadro de depreciação da pluma, o cotonicultor deve aprimorar suas estratégias para não sofrer impactos nas margens.


“Para consolidar a previsão [de safra], vai depender muito da produtividade, que por sua vez está atrelada ao clima, sobre o qual não temos ingerência. Por isso, e considerando também o mercado, a nossa recomendação é que o produtor se preocupe muito em reduzir ou otimizar os custos, e fazer o melhor possível para aumentar a produtividade, para compensar os preços não tão atrativos no momento”, destacou Schenkel.

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07 de outubro - Dia Mundial do Algodão

Nos diversos elos da cadeia produtiva, famílias se empenham para fazer do algodão a fibra que costura histórias ao longo das gerações. Na campanha de 2024, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) valoriza as narrativas familiares.

07 de Outubro de 2024

O algodão está tão parte da vida de cada um de nós, que às vezes nem nos damos conta de que, para que ele esteja logo ali, na calça jeans, na camisa, no lençol, na almofada e até na maionese, uma quantidade enorme de pessoas se esforça para isso, nos mais diversos elos da cadeia produtiva da fibra. No mundo, estima-se que 100 milhões de famílias estejam envolvidas ao longo dos seus muitos elos. No Brasil, o 3º maior produtor de algodão dentre os cerca de 100 países que o cultivam, somente nas fazendas certificadas ABR, na safra passada, são cerca de 38 mil pessoas diretas, ou, indo além, 38 mil famílias.


Falar em família tem tudo a ver quando se trata da produção de algodão. Em toda parte, a atividade é majoritariamente empreendida por grupos familiares.  Para alguns deles, a tradição remonta há muitas gerações, e não são poucos o que esperam ver esse bastão, ou melhor, “novelo”, se estender a perder de vista no futuro. Por isso, em 2024, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) escolheu o tema “A fibra de todas as gerações” como mote da campanha nacional para o Dia Mundial do Algodão do Algodão, celebrado, desde 2020, em 07 de outubro.



Grupo Pinesso – algodão de pai para filho e para sempre


Neto de agricultores italianos, que passaram o ofício ao seu pai, o produtor Gilson Pinesso ainda guarda na memória as lembranças da colheita, em um tempo em que todo o processo era feito à mão. “Eram os anos de 1970, e meu pai plantava algodão no município de Engenheiro Beltrão, no Norte do Paraná. Colher o algodão era parte dos meus deveres e dos meus dois irmãos, durante a safra, todos os dias, depois da escola. Nós éramos três meninos e duas meninas, que ficavam encarregadas de ajudar nossa mãe no serviço de casa”, lembra com saudade. Hoje, Gilson Pinesso, economista por formação e agricultor por paixão, planta algodão em Marcelândia, no estado de Mato Grosso, e já conta com auxílio de dois dos seus quatro filhos, Jefferson, o mais velho, engenheiro agrônomo, e Stephanie, administradora de empresas, que é a diretora financeira.


“Jefferson é o meu fiel escudeiro para tudo o que é ligado à agricultura e à pecuária. Já Stephanie trouxe para o negócio da família sua experiência dentro e fora do Brasil. Morou na China e na Nova Zelândia, e trabalhou num grande banco francês”, conta. Essa é a geração que hoje está com o “novelo”, mas, a caminho, dois pequenos Pinessos já dão mostras de que vão assumi-lo em alguns anos: os gêmeos Matheus e Miguel, que, em breve, completam seis anos.


“Eles são novinhos, mas já estão apaixonados pelo agro. Adoram ir para a lavoura e já foram até para o Congresso Brasileiro do Algodão”, diverte-se Pinesso.  “Nós trabalhamos e vivemos perto da natureza. O algodão é uma coisa maravilhosa. Uma camisa de algodão se degrada na terra rapidamente. Não polui o ambiente. Volta para a natureza de onde veio. Eu vejo meus filhos envolvidos no processo, e isso me deixa feliz e orgulhoso”, derrete-se o pai.



TBM - Do capulho à usina, da usina ao fio, e do fio à malha


Bezerra de Menezes é um nome tão imbricado ao algodão, quanto os fios e malhas que a família produz. A tradição com a fibra começou com o plantio, nos anos de 1940, no Ceará, quando o estado ainda figurava no ranking dos maiores produtores nacionais, nos tempos em que o bicudo ainda não havia chegado ao Brasil e empurrado a cultura para o centro-oeste do país.


Mas a arte de transformar a fibra começou aos poucos. Da plantação, atividade que ficou no passado, veio a usina de descaroçamento, adquirida por volta de 1946, quando o patriarca José Bezerra de Menezes faleceu, e a família, com as suas economias, comprou a primeira de nove usinas que chegaram a ter entre Ceará, Piauí e Goiás. O filho mais novo de José, Ivan – que se tornaria o fundador da TBM – foi o administrador da usina.


Era na usina que o pequeno Ivan - neto de José - gostava de brincar, na tulha de algodão, de subir até o alto da montanha de pluma e sentir o cheiro da fibra. Cheiro de infância que ainda hoje marca seus dias, à frente da TBM, empresa que possui quatro plantas industriais para produção de fios e malhas, onde trabalham cerca de 1,8 mil pessoas.


“Era tudo diferente. Desde o algodão em si, que era uma cultura perene, até a comercialização. Não esqueço de meu pai tratando com os ‘fregueses’, pequenos agricultores que levavam a produção para descaroçar. Ele era muito querido pelo jeito como os tratava, e eles também gostavam de minha família e de mim, traziam sempre presentes, ovos, frutas, e até pequenos animais, sabendo que eu adorava bichos”, recorda. Em 1979, Ivan, o pai, fez um projeto para montar uma fiação. Com a chegada do bicudo, em 1983, a família se concentrou nesta indústria, parando com as atividades de descaroçamento.


Ivan, o filho, já tinha 28 anos, um diploma em Direito e suas próprias empresas na área de construção civil, quando o pai o convidou para chegar mais junto no negócio da família, a fiação. “Fui o único a entrar. Tenho mais três irmãs”, conta.


Hoje, Ivan, o pai, tem 92 anos. O filho, com 60 anos recém completados e o mesmo fôlego de empreendedor, há dez vem preparando a sucessão, planejada para 2024. Quem vai dar conta do novelo, desta vez, será um outro Ivan, o neto, formado em Administração de Empresas, que está pronto para assumir o comando, aos 30 anos de idade.


“O Ivan (neto), trouxe para a empresa uma gestão muito mais moderna, participativa, e dinâmica e com muitas ferramentas novas de gestão. Eu me sinto muito orgulhoso, feliz e gratificado por ter um filho com aptidão para o negócio, para levar adiante a tradição da família. É muito bom fazer um sucessor”, comemora.


Se depender de filhos trabalhando com o algodão, o fio dessa meada ainda tem muito a crescer. Luca, também filho de Ivan (filho), tem 20 anos e também já se prepara para entrar de vez para o time da TBM, na área de tecnologia e novos negócios. Ele mora nos Estados Unidos e estuda Economia e Empreendedorismo.



Cataguases - Cinco gerações e o algodão no DNA


O algodão é, literalmente, o “pano de fundo” para a longa trajetória da família Peixoto na indústria têxtil nacional. Essa é uma história de cinco gerações, que já ultrapassa um século e começa com o tataravô de Tiago Inácio Peixoto, hoje diretor presidente e diretor comercial da Cataguases. Segundo Tiago, seu tataravô, Manuel Inácio Peixoto, era um imigrante português que chegou ao Brasil ainda jovem, e, não se sabe por quê, escolheu para fincar raízes a região de Cataguases, na Zona da Mata de Minas Gerais, onde começou a prosperar como comerciante. Em 1911, veio a oportunidade de comprar uma pequena indústria de fiação e tecelagem instalada na cidade, que estava em dificuldades, e a rebatizou de “Manuel Inácio Peixoto e Filhos”.


Segundo Tiago, desde o começo, a visão empreendedora do tataravô foi fundamental. Ele logo envolveu seus filhos no negócio, criando uma estrutura familiar que foi essencial para o sucesso da empresa. Após sua morte, foi a segunda geração que assumiu o comando, com o nome Indústrias Irmãos Peixoto. “Porém, meu bisavô, que fazia parte dessa geração, decidiu seguir um caminho diferente. Ele vendeu sua participação na sociedade com os irmãos e, em 1936, fundou a Companhia Industrial Cataguases, que é a empresa que eu e minha família continuamos a liderar até hoje”, narra Tiago.


Mas, num revés da vida, seu bisavô faleceu ainda muito jovem, e de forma inesperada. Coube ao avô de Tiago tocar os negócios, ao lado de sua mãe viúva, Francisca. “Ela era uma verdadeira ‘mulher de fibra’”, Orgulha-se Tiago. Carinhosamente chamada de Chica, Francisca desempenhou um papel essencial na continuidade do negócio familiar, e hoje o Instituto de responsabilidade social da Cataguases leva o seu nome.


“Foi com essa união entre meu avô e a mãe dele, Chica, que a Cataguases entrou em um período de grande crescimento nas décadas de 60 e 70. Durante esse tempo, a empresa Irmãos Peixoto, que deu origem à nossa jornada, começou a passar por dificuldades, e meu avô enxergou uma oportunidade de resgatar as raízes da nossa família. Ele negociou a compra da empresa e, até o final dos anos 1990, a Cataguases e a Irmãos Peixoto operaram como indústrias distintas. No início dos anos 2000, sob a liderança do meu pai, decidimos unificar as duas empresas em um único CNPJ, e a Companhia Industrial Cataguases prevaleceu como a empresa que conhecemos hoje”.


Neste outubro de 2024, a Cataguases completará 88 anos de história com esse nome. “Mas, se contarmos desde o início da nossa trajetória, estamos falando de mais de 113 anos de atuação na indústria têxtil”, calcula.


Segundo Tiago, em todos esses anos, o algodão sempre teve um papel central na atividade familiar. “Desde que me entendo por gente, lembro-me de ouvir meu pai falar sobre como o algodão é essencial para o que fazemos. Nos anos de 1980 e 1990, enfrentávamos muita dificuldade para encontrar pluma de qualidade aqui no Brasil. Precisávamos de uma fibra mais longa e resistente para os nossos tecidos, que são leves e exigem um padrão de excelência elevado. Felizmente, essa realidade mudou bastante, e hoje o Brasil é um dos maiores produtores de algodão de qualidade no mundo, o que nos enche de orgulho de fazer parte dessa cadeia produtiva.


Hoje, a Cataguases emprega cerca de 1,5 mil colaboradores e exporta mais de 20% da produção para países da América Latina, além de atender a grandes redes de moda brasileiras como Renner, C&A, Riachuelo, e marcas do Grupo Soma. “Temos orgulho da nossa trajetória, e da nossa história com o algodão, que é, verdadeiramente, o nosso DNA. O algodão faz parte da nossa essência, e a nossa missão é continuar a transformar essa matéria-prima em produtos de alta qualidade, como fizemos por mais de um século”, finaliza Tiago.



Emphasis - duas gerações de um sonho em azul índigo


Trinta e cinco anos depois, com uma produção de 650 mil peças por mês e um consumo anual de 10 milhões de metros de tecido, fica até difícil para Gabriele Ghiselini imaginar que a Emphasis, uma das mais robustas confecções de roupas de denim e sarja do país, começou como um pequeno negócio caseiro, de costura e pequenos consertos, em Sorocaba, no interior de São Paulo, como uma fonte de renda extra, para sua família, que estava para crescer.


“A Emphasis nasceu em 1989, com minha mãe, Cristina, e minha avó paterna, Lucimar. Minha mãe estava grávida de mim, com 26 anos, na época, e precisava trabalhar”, conta a, hoje, diretora administrativa da companhia, que há 24 anos foi transferida para Votorantim, com estrutura verticalizada, desde a criação, até o acabamento das peças.  O algodão, base do denim e da sarja, faz parte dessa história, como uma escolha visionária das duas empreendedoras iniciais, já que o jeans, por sua natureza, é um tecido mais complexo de se trabalhar.


A iniciativa deu tão certo, que a demanda não tardou a aumentar. Cristina e Lucimar logo se tornaram uma facção de um fornecedor e as portas foram se abrindo, mas nunca imaginaram que o pequeno negócio escalaria tanto.  “Elas não sabiam sequer o que eram máquinas de travete, overlock ou interlock.  Faziam costura caseira. Então, foram se informando, comprando os equipamentos, aprendendo a manusear, tanto que a gente fala que, na empresa, minha mãe era a mecânica, a costureira, e até do transporte, ela cuidava”, diz Gabriela, lembrando que, antes de fundar a Emphasis, Cristina era líder de produção numa metalúrgica.


Segundo Gabriele, a grande virada se deu quando, há cerca de 30 anos, a C&A bateu à porta. “Eles ofereceram alguns pedidos e viramos fornecedores. Crescemos junto com a C&A. No início, havia um representante entre a multinacional e a nossa pequena empresa familiar, mas chegou um momento em que começamos a tratar com eles diretamente. Com o sucesso, até meu pai, que, na época, era gerente de uma empresa de construção civil, pediu o desligamento, para trabalhar integralmente, com a minha mãe”, narra Gabriele.


Atualmente, seu pai, Valdir Ghiselini, continua na empresa e a mãe se dedica aos trabalhos sociais. “Mas, estamos num processo de sucessão familiar, no qual os filhos, eu e o Paulo, estamos fazendo, aos poucos, a transição para assumirmos a administração da companhia. Sei que vai ser muito difícil, para meu pai, a sucessão, mas, a gente sabe que ele precisa descansar, curtir os netos”, afirma.


A C&A continua sendo o principal cliente, mas a Emphasis trabalha também com a Riachuelo, as Pernambucanas e as Lojas Torra. A empresa tem uma marca própria, a Volts, e atualmente emprega três mil famílias, direta e indiretamente. "O algodão é parte importante da nossa vida. Através dele conquistamos tudo o que temos e empregamos tanta gente", declara Gabriele.



AG Surveyors - De geração em geração, um fio que não se parte


Por muitos anos, Adriana Freitas lidava com – como ela mesma diz – “a fibra oposta”, em parceria com a mãe, num negócio de aluguel de trajes de festas e vestidos de noiva. Mas a fibra natural estava sempre bem ao seu lado, já que Carlos, ou Carlinhos Freitas, como o chamavam os amigos do mundo do algodão, trabalhava, há mais de 20 anos no ramo de inspeção e certificação de embarques da pluma, até fundar a AG Surveyors, referência nesse tipo de serviços no Brasil.


Em 2015, Carlinhos foi diagnosticado com um câncer raro, e Adriana entendeu que seria muito difícil fazê-lo diminuir o ritmo e cuidar da própria saúde. “Falei para ele: já que você não desacelera, eu vou trabalhar com você”, lembra.


No início, esse ‘trabalho’ na AG consistia, basicamente, em cuidar da alimentação e da medicação de Carlinhos. “Eu não entendia nada de algodão, mas logo me apaixonei também. Devagarzinho, a gente foi identificando onde eu poderia ajudar. Fui achando as áreas de que gostava. Fiquei na Administração, no Financeiro. Então, larguei o meu outro ramo de vez para apoiá-lo. Para ele, também foi muito bom. O Carlos me incluía em tudo. A gente curtia muito estar juntos, na empresa, nas reuniões e nos eventos do algodão. Deu super certo”, diz.


Já a filha Giovanna, desde pequenininha, já ouviu o “chamado” da fibra. “Meu pai dizia que quando a gente era picado pelo bichinho do algodão, não saía mais dele”, rememora Giovanna, que hoje, aos 24 anos, atua no comercial da empresa e tem também foco em operações no destino.


“Foi um caminho natural, trabalhar com algodão, e, aqui, na AG. Antes, eu vinha só para observar mesmo. Para entender como tudo funcionava. Daí, comecei a executar um pouquinho algumas funções, a ajudar onde eu podia, a ficar mais do lado do meu pai, acompanhando-o nas reuniões, só como ouvinte”, conta. “Foi bem legal porque eu pude, obviamente, passar mais tempo com ele e aprender muito sobre essa parte comercial, vendo o jeito como ele sempre lidou com os clientes, o que, de fato, sempre foi um tratamento diferenciado, na minha visão”, complementa.


O gosto pelo algodão e as contingências do destino permitiram à família Freitas intensificar um convívio com Carlinhos que, infelizmente, seria interrompido. Em janeiro de 2024, ele faleceu, mas, hoje, Adriana e a filha Giovanna levam adiante o legado de Carlos Freitas. Em breve, provavelmente, mais um Freitas vai ajudar a levar a puxar o fio desse novelo, João Vítor, que agora está com 13 anos.


“Esse, com certeza, já está ‘contaminado’ pelo mesmo amor pelo algodão, que está na família. Seja na AG Surveyors ou nas muitas empresas pelas quais Carlos passou, ele contribuiu para o algodão brasileiro, e tenho certeza de que está muito feliz em saber que estamos levando essa paixão adiante”, finaliza Adriana.

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Dia Mundial do Algodão: a fibra de todas as gerações

A nova campanha do Sou de Algodão destaca a relevância do algodão para a economia e a moda responsável, celebrando sua trajetória e os impactos

04 de Outubro de 2024

No dia 7 de outubro, é comemorado o Dia Mundial do Algodão. Desde 2019, instituído durante um evento promovido pela Organização Mundial do Comércio (OMC), a data celebra a importância da fibra natural, que é um dos maiores motores do setor agrícola e um pilar fundamental da economia global. Por isso, o movimento Sou de Algodão, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), lançou a campanha “a fibra de todas as gerações”.


“O algodão nos conecta do passado até o futuro, é só reparar: nossa história começa nas plantações, passa pela casa de todas as famílias brasileiras e vai criando memórias afetivas que duram para sempre. É assim, com os pés na terra e os olhos no amanhã, que construímos um legado tão resistente quanto a nossa matéria-prima. A fibra brasileira é a ligação atemporal entre quem valoriza o passado, vive o presente e acredita no poder do futuro”, diz o manifesto da campanha.


O algodão brasileiro


O cultivo no País começou no período colonial, ganhando importância econômica a partir do século XVIII, com a exportação para a Europa. Durante o século XX, a produção se modernizou, principalmente no cerrado brasileiro, tornando-se um dos maiores produtores mundiais.


Neste cenário, a Abrapa foi criada. Há 25 anos, a instituição vem trabalhando para promover a qualidade, a sustentabilidade e a rastreabilidade da fibra. Esses são os três principais pilares do trabalho desenvolvido junto com suas nove entidades estaduais associadas que atuam em todo o território nacional. “O nosso propósito é garantir e incrementar a rentabilidade do setor por meio da organização dos seus agentes”, explica Alexandre Pedro Schenkel, presidente da  Abrapa.


Graças a esse trabalho, atualmente, o Brasil é o principal fornecedor de algodão responsável, o maior exportador e terceiro maior produtor. Além disso, 92% do cultivo é realizado em regime de sequeiro e 82% da produção tem certificação ABR (sigla para Algodão Brasileiro Responsável).


A rastreabilidade


Assim como dito no manifesto da campanha, o algodão percorre um longo caminho, passando por diversos elos, até chegar ao consumidor final. Por esse motivo, a Abrapa investe boa parte do seu trabalho em rastreabilidade, para que todos possam saber os passos percorridos e as pessoas envolvidas em cada processo.


O primeiro passo nessa área foi a criação do SAI (Sistema Abrapa de Identificação), lançado em 2004. O sistema permite que cada fardo produzido no Brasil tenha uma etiqueta com um código de barras exclusivo, o que facilita a verificação da origem e do compromisso com a sustentabilidade.


E a mais recente novidade, criada em 2021, é o SouABR, lançado por meio do movimento Sou de Algodão. Esse é o primeiro programa de rastreabilidade de ponta a ponta da cadeia têxtil, entregando para o consumidor final o caminho percorrido da semente ao guarda-roupa, graças a um QR Code que fica na etiqueta da peça.


"A rastreabilidade nessa cadeia é fundamental para garantir transparência e responsabilidade em todas as etapas de produção. Ela permite que consumidores façam escolhas mais conscientes, sabendo a origem de suas peças e o impacto socioambiental envolvido. Além disso, é um diferencial competitivo para as marcas que buscam se destacar em um mercado cada vez mais exigente e alinhado com práticas sustentáveis”, explica Silmara Ferraresi, diretora de relações institucionais da Abrapa e gestora do movimento Sou de Algodão.


A fibra nacional na moda


É por causa dessa moda exigente que a matéria-prima tem um papel fundamental no mercado nacional, já que é uma das mais utilizadas na indústria têxtil do país. Para que os elos da cadeia e os consumidores conheçam cada vez mais os benefícios do algodão, a Abrapa criou, em 2016, o movimento Sou de Algodão, que visa promover a moda responsável e o consumo consciente.


As principais características que encontramos sobre o algodão é o conforto, mas ele também se alinha com as demandas contemporâneas por uma moda mais transparente. Segundo dados do Instituto Locomotiva, de um estudo feito em 2021, cerca de 86% da população brasileira se interessa por sustentabilidade e 75% consideram que as empresas de vestuário deveriam se preocupar com esse tema e tê-lo como pauta permanente. Por isso, 15% das pessoas estão dispostas a pagar a mais por produtos de marca com posicionamento sustentável e 60% deixariam de consumir de empresas que apresentam problemas éticos.


“Nossa fibra entrega transparência, rastreabilidade, qualidade, versatilidade e responsabilidade, dentre outros atributos que justificam ser o principal fornecedor para a indústria têxtil brasileira e o sétimo maior do mundo. Ainda em escala mundial, nós representamos 22% de todas as fibras, mas, quando falamos em fibras naturais, o algodão corresponde a 79% do abastecimento”, explica Silmara.


O trabalho da Abrapa e do Sou de Algodão ajuda, cada vez mais, na conscientização dos consumidores, ressaltando a importância de escolher produtos que não só oferecem conforto e qualidade, mas também respeitam o meio ambiente e as condições de trabalho. “À medida que a indústria têxtil evolui, a valorização do algodão, como matéria-prima essencial, fortalece a economia nacional e promove uma moda mais responsável, alinhada às expectativas de um público cada vez mais exigente e consciente. É hora de abraçar essa mudança e vestir a responsabilidade com orgulho”, finaliza Alexandre.

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CBRA confirma excelência em auditoria do Sistema de Gestão de Qualidade

27 de Setembro de 2024

O Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), vinculado à Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), teve sucesso na auditoria interna do Sistema de Gestão de Qualidade (SGQ), realizada de 23 a 26 de setembro. O resultado confirma a solidez do SGQ e a competência técnica do CBRA na execução de ensaios e na produção de material de referência para o Programa Standard Brasil HVI (SBRHVI).


Essa conquista reafirma o compromisso do CBRA com a qualidade e a excelência nos serviços prestados ao setor. Além de ser obrigatória, a auditoria também avaliou os requisitos da norma ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017. Edson Mizoguchi, gestor do Programa Standard Brasil HVI (SBRHVI) da Abrapa, destaca a importância desse processo para avaliar a evolução do sistema e identificar oportunidades de aprimoramento. "Convidamos um auditor externo experiente, que sempre agrega valor à nossa avaliação. É fundamental ressaltar o alto nível de conformidade alcançado pela nossa equipe, o que demonstra a consolidação e o amadurecimento do nosso processo, além da motivação do time", afirma Mizoguchi.


Como resultado, o auditor identificou mais oportunidades de melhoria do que não conformidades. "A avaliação abrangeu tanto a parte técnica quanto a gestão documental. O auditor parabenizou nosso sistema de gestão e reconheceu a alta competência técnica da equipe. Valorizamos muito a qualidade dos resultados e a evidência dos processos. Esse feedback positivo ressalta o compromisso contínuo do centro com a excelência e a busca por aprimoramento constante”, avalia Deninson Lima, especialista em análise de pluma no CBRA.


Localizado no mesmo prédio da Abrapa, em Brasília, o laboratório central é um dos pilares do Programa Standard Brasil HVI (SBRHVI). Os demais são Banco da Qualidade do Algodão Brasileiro e a aplicação do protocolo de Verificação e Diagnóstico de Conformidade do Laboratório (VDCL).

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CNT Entrevista: Alexandre Schenkel

26 de Setembro de 2024

O presidente da Abrapa, Alexandre Schenkel, concedeu uma entrevista à jornalista Carina Godoi no programa CNT Entrevista, da Rede CNT. Durante a conversa, ele abordou as perspectivas otimistas para a safra de algodão 2024/2025, com uma produção projetada de quase 3,97 milhões de toneladas. Também foram discutidos o futuro das exportações do algodão brasileiro, a celebração dos 25 anos da Abrapa, um marco significativo na história da entidade, entre outros destaques da cotonicultura nacional. Para mais detalhes, confira o link: https://youtu.be/Q7mAGiIvkc4?si=UjAH7bR4BNMajZeC

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Algodão brasileiro é destaque em debate sobre sustentabilidade e consumo responsável no evento Diálogos Sustentáveis

Evento promovido pela empresa Lamparina, em parceria com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, promoveu uma discussão sobre a moda e o consumo responsável

24 de Setembro de 2024

Na última terça-feira, 24, Silmara Ferraresi, diretora de relações institucionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e gestora do movimento Sou de Algodão, participou do evento Diálogos Sustentáveis, na Casa de Cultura Laura Alvim, no Rio de Janeiro. Promovido pela empresa especializada Lamparina Comunicação e Sustentabilidade, em parceria com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, o evento teve o objetivo de realizar conversas sobre gestão sustentável, devido à aproximação  da reunião da cúpula do G20 que acontecerá na cidade em novembro. Foram três painéis e ativações de comunicação que levaram assuntos relacionados ao tema.


Silmara Ferraresi marcou presença no painel “a moda e o consumo responsável - economia circular, geração de renda e impactos ambientais da indústria”. Junto com a executiva, marcaram presença Thays Rossini, Gerente de Sustentabilidade da Lojas Renner S.A., Ana Carolina Poeys, Analista de Sustentabilidade do Grupo SOMA, Carolina Muller, Assessora da Secretaria de Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Rio de Janeiro, e Larissa Greven, Fundadora e CEO da Oficina Muda.


Durante sua apresentação, Silmara falou sobre a sustentabilidade e a rastreabilidade na moda. Primeiro, trouxe dados do algodão brasileiro, que evidenciam o trabalho do produtor e comprovam a importância da fibra para a cadeia nacional. Alguns dos principais pontos destacados foram a posição de liderança mundial do Brasil na exportação do algodão responsável, o terceiro lugar em produção global da fibra, a capacidade de fornecer integralmente a demanda da fibra para a indústria local, além de os setores têxtil e de confecção serem o segundo maior na geração de empregos no País.


Esses números comprovam que o algodão é uma das fibras mais importantes para o mercado da moda nacional e, por isso, a Abrapa desenvolve um trabalho pensando na sustentabilidade, com o programa ABR (sigla para Algodão Brasileira Responsável), criado em 2012, que certifica as unidades produtivas que seguem critérios sociais, ambientais e econômicos; e na rastreabilidade, com o Sistema Abrapa de Identificação (SAI).


Além desses, conta com o SouABR, primeiro programa de rastreabilidade de ponta a ponta da cadeia têxtil. O único, em escala mundial, que entrega ao consumidor todo o caminho percorrido da peça, desde a origem da matéria-prima até a prateleira da loja. Hoje, em quase três anos de existência, já somou quase 160 mil peças rastreáveis, que reúnem 72 fazendas certificadas ABR e 62 produtores. Para a fabricação dessas peças, foram necessários 21 mil fardos de algodão, mais de 2 milhões de kg de pluma, 38 mil metros de tecido e mais de 82 mil kg de malhas.


"A rastreabilidade nessa cadeia é fundamental para garantir transparência e responsabilidade em todas as etapas de produção. Ela permite que consumidores façam escolhas mais conscientes, sabendo a origem de suas peças e o impacto socioambiental envolvido. Além disso, é um diferencial competitivo para as marcas que buscam se destacar em um mercado cada vez mais exigente e alinhado com práticas sustentáveis”, explica.


Na apresentação da Lojas Renner S.A., Thays Rossini, Gerente de Sustentabilidade, falou sobre os produtos mais sustentáveis que a marca entrega e, principalmente, sobre o Guia de Moda Circular. Disponibilizado para a equipe de design da Renner, o manual ajuda a trabalhar a circularidade nos processos criativos e no lançamento de novos produtos. Além disso, a empresa também conta com o Guia de Riscos Climáticos, entregue para toda a cadeia da empresa, inclusive fornecedores, para que todos possam entender como esses riscos estão associados no dia a dia do trabalho e como podem reduzir os impactos.


Já Ana Carolina Poeys, Analista de Sustentabilidade do Grupo SOMA, apresentou seu trabalho com a circularidade e a parceria com a Oficina Muda, uma multimarca de moda e decoração Upcycling. A empresa faz a doação de tecido e resíduos têxteis do processo produtivo, para que a Oficina possa trabalhar com o processo de Upcycling, reciclagem e fornecer esses materiais para artesanato, por exemplo.


Para finalizar, o evento Diálogos Sustentáveis proporcionou uma troca de conhecimentos e experiências entre as painelistas e o público, destacando a importância da sustentabilidade na moda, com iniciativas concretas e inovadoras.

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