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Missão da Abrapa reforça boas relações com a Indonésia

28 de Fevereiro de 2024

A Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa) reuniu mais de 60 empresários e investidores da indústria têxtil da Indonésia em um seminário de negócios, nesta segunda (26), na capital, Jacarta. A iniciativa fechou a primeira parte da Missão Indonésia-Bangladesh, intercâmbio internacional que aproxima os cotonicultores e traders do algodão brasileiro de lideranças empresariais das nações mais relevantes para o mercado da fibra.


O seminário “Cotton Brazil Outlook Jacarta” foi promovido pela Abrapa, em parceria com a Embaixada Brasileira em Jacarta, e superou a meta inicial de convidados, refletindo o bom relacionamento entre os dois países. “Ao longo dos anos, o algodão brasileiro vem mostrando resiliência na competitividade e tem segurado uma boa fatia do mercado indonésio”, observou Bruno Breitenbach, adido agrícola brasileiro na Indonésia.


No ano comercial 2022/2023, 23% das importações de algodão feitas pelos indonésios tiveram o Brasil como origem. No total, a Indonésia adquiriu 362 mil toneladas nesta temporada, para abastecer sua indústria têxtil, que foi responsável por 1,7% da exportação global de roupas, em 2022. Atualmente, o país é o sétimo maior importador de pluma no mundo.


As boas relações no comércio de algodão entre as duas nações não são de agora. “A Indonésia é um país com longo histórico de confiança no nosso algodão”, enfatizou o presidente da Abrapa, Alexandre Schenkel, durante o seminário.


Além da oportunidade de ampliar as relações e gerar novos negócios entre produtores e industriais, o “Cotton Brazil Outlook Jacarta” permitiu que a Abrapa apresentasse as novidades mais recentes da safra 2022/2023, recém-colhida no Brasil. “Nossa missão foi mostrar as expectativas para a safra 2023/2024 e as inovações em sustentabilidade e rastreabilidade no Brasil”, explicou Schenkel.


Entre os diferenciais da cotonicultura brasileira, está a rastreabilidade do produto desde a fazenda até a usina de beneficiamento. Na última safra, mais de 80% da produção recebeu certificação socioambiental e a colheita é feita totalmente de forma mecanizada no país, o que evita a contaminação do produto.


“Na temporada 2022/2023, o Brasil evoluiu em todos os indicadores de qualidade do algodão em relação à safra anterior”, destacou o presidente da Abrapa. No País, 100% da fibra produzida passa por análise laboratorial por equipamentos de alto volume (High Volume Instrument - HVI) – padrão internacional de classificação da pluma.


O Brasil atualmente é o terceiro maior produtor e segundo maior exportador mundial de algodão, com estimativa de embarcar 2,34 milhões de toneladas no ciclo comercial de 2023/2024.


Até 1º de março, o grupo brasileiro de cotonicultores e exportadores cumpre agendas em Bangladesh, maior importador mundial e segundo maior mercado do produto brasileiro. Reuniões comerciais, encontros de negócios e uma edição do seminário “Cotton Brazil Outlook Dhaka” serão realizados no país. Entidades setoriais, órgãos públicos e empresários são público alvo da comitiva.


A Missão Indonésia-Bangladesh é uma das ações de promoção internacional realizadas pelo Cotton Brazil, marca que representa a cadeia produtiva do algodão brasileiro em escala global. O programa foi idealizado pela Abrapa e é realizado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e com apoio da Associação Nacional de Exportadores de Algodão (Anea).

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Abrapa recebe visita de nova equipe da Better Cotton no Brasil

28 de Fevereiro de 2024

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) recebeu a visita de integrantes da Better Cotton (BC), a maior licenciadora socioambiental da cadeia produtiva de algodão no mundo. O encontro ocorreu nesta terça-feira (27), em sua sede, em Brasília, para apresentar os compromissos de sustentabilidade da entidade aos novos contratados da BC no Brasil, bem como as instalações do Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), que funciona no mesmo prédio.


Há dez anos, a Abrapa unificou o protocolo do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) com o adotado pela Better Cotton no país, buscando práticas agrícolas e sociais mais responsáveis. Dessa forma, o produtor certificado pelo ABR também passou a ser licenciado pela Better Cotton.


"Somos hoje líderes mundiais na produção e oferta de algodão BC, com 36% do algodão brasileiro no universo global, representando a grande força da pluma nacional certificada e sustentável para o mercado mundial de confecções e consumo", afirmou Marcio Portocarrero, diretor executivo da Abrapa.


O rigoroso protocolo do programa ABR, destinado à certificação socioambiental das unidades produtivas de algodão, abrange 183 quesitos que vão desde boas práticas agrícolas até garantias de saúde, segurança e bem-estar do trabalhador.


Em uma década de parceria, os dois programas evoluíram para oferecer à indústria mundial um produto mais responsável. "Nesse processo, a Better Cotton aprendeu com a Abrapa. Como o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de algodão do mundo, a BC contribui com os produtores brasileiros, fornecendo acesso ao mercado e também trazendo coerções e exigências desse comércio mundial para que continuem a produzir em conformidade com as demandas e os requisitos da cadeia têxtil mundial", disse o gerente sênior da Better Cotton, Álvaro Moreira.

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Abrapa participa de workshop da PAM AGRO

28 de Fevereiro de 2024

A Apex-Brasil reuniu representantes da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e de outras entidades participantes do Programa de Imagem e Acesso a Mercados do Agronegócio Brasileiro (PAM AGRO) em um workshop de planejamento estratégico. O evento, realizado em 26 de fevereiro, em São Paulo, debateu estratégias para fortalecer o agronegócio brasileiro na Europa. Estiveram presentes membros dos comitês Estratégico e Técnico, bem como participantes do Grupo de Trabalho de Comunicação.


Durante o evento, foi apresentado o balanço de trabalho dos últimos três anos do programa e houve alinhamento para a construção da visão estratégica dos próximos cinco anos, baseada nos resultados da auditoria de reputação.


“O aprimoramento do PAM AGRO é importante para o desenvolvimento do mercado brasileiro na Europa, inclusive do nosso algodão. Esse encontro foi uma oportunidade para alinhar visão, estratégia e ação, visando construir uma agenda e imagem positiva do agronegócio brasileiro”, afirmou Marcio Portocarrero, diretor executivo da Abrapa.


O PAM AGRO, que reúne 14 entidades setoriais, foi criado para impulsionar as exportações, melhorando a percepção dos mercados internacionais estratégicos sobre os produtos do agronegócio brasileiro. Isso é feito por meio de um esforço concentrado na produção e disseminação de informações que destacam a sustentabilidade, segurança e tecnologia dos produtos brasileiros.

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Apoio ao produtor é discutido em assembleia do IPA

28 de Fevereiro de 2024

A busca por alternativas para o refinanciamento das dívidas dos produtores rurais junto aos Ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Fazenda foi um dos principais temas abordados durante a assembleia do Instituto Pensar Agropecuária (IPA) e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), realizada nesta terça-feira (27), em Brasília. A previsão é que o setor agropecuário brasileiro deixe de faturar cerca de R$ 150 bilhões devido à crise ocasionada por problemas climáticos.


Na semana passada, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) entregou ao governo federal um documento solicitando medidas emergenciais para tentar diminuir os efeitos das adversidades climáticas nas lavouras. “O objetivo é reforçar essa mensagem para todo o agronegócio brasileiro”, afirmou o conselheiro consultivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e vice-presidente do IPA, Júlio Cézar Busato.


Durante a reunião, os integrantes do IPA também destacaram o trabalho que vem sendo realizado pela FPA no julgamento da ação do Plano Collor Rural, que se arrasta há 32 anos e deve ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “Estima-se que o valor envolvido seja próximo a R$ 3 bilhões, e não R$ 230 bilhões, como está sendo divulgado”, explicou.


Outro tema bastante debatido foi a operação padrão dos fiscais do Mapa, que poderia ter sido evitada com a regulamentação do autocontrole - que possui dois vetos que precisam ser derrubados. Os fiscais pedem isonomia, assim como os fiscais da Receita Federal. “O ministro Carlos Fávaro está empenhado em resolver essa situação, que está impactando principalmente o setor de proteína animal”, disse Busato, que reforçou ainda a importância do trabalho conjunto entre o poder legislativo, executivo e setor privado para encontrar soluções para os desafios enfrentados pelo agronegócio brasileiro.


O IPA congrega representantes das cadeias produtivas do agro brasileiro, da produção à indústria. A entidade discute e elenca as pautas prioritárias para o desenvolvimento agropecuário e subsidia, com informações, a FPA, que as defende no Congresso Nacional.

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Do campo ao cabide: como fazer rastreabilidade na indústria têxtil

27 de Fevereiro de 2024

A indústria têxtil no Brasil produz, por ano, mais de 5 bilhões de peças, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). São mais de 2 milhões de toneladas de produtos. O volume colossal também traz desafios grandes.


Cada vez aumenta mais a pressão por ações de circularidade, que inclui utilização de material reciclado e resíduos da própria indústria têxtil, pela substituição de matérias-primas de origem fóssil por outras menos agressivas ao meio ambiente, além do acompanhamento da longa cadeia para garantir que nenhum elo deixe de seguir a legislação trabalhista e ambiental.


Foi sobre esse último desafio que a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) se debruçou nos últimos anos. Depois de três anos de erros e acertos, foi lançado, em meados de 2021, o programa SouABR, que usa blockchain para acompanhar as peças de roupa do pé de algodão ao cabide. O piloto deu certo e agora a associação se prepara para disseminar a mais empresas boa prática.


“O programa nasceu com a demanda da indústria e do varejo por transparência e também se propõe a oferecer ao público consumidor um ‘raio-X’ da peça”, diz Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa.


Por um QR Code presente na etiqueta da roupa rastreada na loja, o consumidor pode ver informações sobre qual a fazenda que produziu o algodão, onde ela está localizada, a imagem de satélite do lugar, se essa propriedade rural tem certificações socioambientais e até visualizar esses documentos e o ano da safra do algodão. Consta ainda a identificação do número do fardo e da prensa, e os nomes das empresas intermediárias da cadeia (beneficiadoras, fiação, malharias e tecelagens e confecções).


Para ela, já há um potencial grande de escalar o projeto. “Por safra são produzidos 500 milhões de fardos de algodão no Brasil. Por enquanto, conseguimos rastrear quase 27 mil, muito pouco perto do potencial.”


O principal obstáculo, diz, é a mudança de mentalidade das empresas da cadeia de produção. Mas, lembra que com a sustentabilidade e a rastreabilidade ganhando destaque no mundo empresarial e também na regulamentação de alguns mercados, há quem puxe a agenda.


A varejista C&A é uma das cinco marcas que aderiram - e investiram tempo e dinheiro - na ideia. Nesta terça-feira (27), a empresa apresentou ao público sua segunda coleção de roupa 100% rastreada. Foram produzidas 2.500 peças de dois modelos de calças jeans. Com isso, a empresa soma 10.330 peças rastreadas desde maio de 2023.


Neste segundo ano, foram usados 243 fardos de cinco fazendas: Valdir Roque Jacowski, Marcelino Flores e Oliveira, Agropecuária Três Estrelas, Grupo Serrana e Franciosi Agro. A fiação cearense Santana Textiles produziu, para o projeto, 2207, 23 quilos de fios, que posteriormente resultaram em 3.313 metros de tecido pela própria Santana, sendo confeccionada as 2.500 peças pela paulista Emphasis.


“Foram quase três anos para entender como toda a cadeia operava para nos sentirmos confortáveis em lançar as peças rastreadas”, comenta Cynthia Watanabe Kasai, gerente-executiva de ESG da C&A no Brasil. “É uma mudança tanto na cultura da empresa quanto na do fornecedor”, completa.


Ela explica que muitas empresas da cadeia não tinham informações sobre a origem da matéria-prima. Outro desafio foi garantir que os fardos e fios não fossem misturados a outros não rastreados, o que prejudicaria todo o trabalho.


Kasai conta ainda que a confeção também precisou desenhar um modelo que cumprisse todos os requisitos do programa, inclusive os sustentáveis, ou seja, não poderia ter nada de poliéster, que é de derivado do petróleo, e o botão ou zíper não poderia conter níquel. Para que isso dê certo e a marca consiga escala, uma vez que só no Brasil tem hoje mais de 300 lojas -, ela reitera que é preciso estimular a colaboração e ter o fornecedor próximo à varejista. O processo para a fabricação das peças rastreadas não é patenteado, justamente para poder servir de referência para a indústria evoluir, segundo Kasai.


“O investimento na construção de toda essa infraestrutura é alto, mas optamos por nos adiantar e evoluir e não esperar que o consumidor peça”, diz a executiva da C&A. Kasai conta que a C&A, por ser uma empresa familiar centenária - fundada em 1841 pelos irmãos holandeses Clemens e August - e ter lojas em 24 países, a governança sempre foi um foco importante do grupo.


Ela dá como exemplo o próprio acompanhamento dos fornecedores, inclusive no Brasil, que começou a ser feito em 2006. “Exigimos que a cadeia siga critérios mínimos de compliance trabalhista e só compramos de quem tem certificação reconhecida de boas práticas”, conta a executiva, acrescentando que a verificação do cumprimento dos critérios “é rigorosa”.


No algodão, por exemplo, uma das certificações mais conhecidas é a da Better Cotton Iniciative (BCI), organização presente em 26 países que promove melhores padrões e práticas no cultivo do algodão. Mas, o Brasil, como segundo maior exportador de algodão do mundo, só atrás dos Estados Unidos e com pretensões viáveis de ser o líder em breve, também conta com certificação própria, o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), desenvolvido pela própria Abrapa em 2012.


Para conseguir o selo, as propriedades rurais devem atender a 183 itens, incluindo os 51 exigidos pela BCI. Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa, conta que, além da legislação trabalhista e ambiental nacional, também considerada a Norma Regulamentadora (NR) 31, que elenca diretrizes da segurança e saúde do trabalhador especificamente na agricultura, e as diretrizes da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Também abrange o pilar econômico, com pontos sobre gestão sustentável do processo agrícola e de beneficiamento, desempenho e eficiência operacional e retorno financeiro.


“Quem participa do programa, precisa evoluir a cada safra até alcançar o patamar mínimo de 90% de conformidade”, explica Ferraresi. Na última safra (22/23), foram certificadas pelo ABR 2,55 milhões de toneladas, vindas de 374 unidades produtivas, a maioria (233) no Mato Grosso e o restante (79) na Bahia. Com isso, 82% da safra foi certificada - em 2012 era 37%. “Os produtores percebem que é importante, sabem que é um diferencial para vender para grandes empresas e exportar”, diz Ferraresi.


O preço da matéria-prima não muda. Os produtores não repassam eventuais custos extras com as adaptações para se certificarem por entenderem que é um diferencial competitivo e, eventualmente, até poderão reduzir despesas com menos uso de agrotóxicos, pesticidas e outros produtos químicos, a partir de técnicas mais sustentáveis no campo. Isso permite que as peças feitas com algodão certificado, incluindo as já rastreadas, não sejam mais caras ao consumidor final, o que é um dos grandes obstáculos para a popularização de produtos mais sustentáveis.


Só pode participar do programa de rastreabilidade da entidade - o Sou ABR - se tiver tudo em dia com esta certificação. Por enquanto, três certificadoras foram credenciadas - Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Genesis Certificações e QIMAWQS. As auditorias nas fazendas e unidades de beneficiamento são feitas todo ano e em visitas individuais.


“Acreditamos que iniciativas como esta são cruciais para nos mantermos de pé como uma marca adequada ao nosso tempo, em que os consumidores se mostram mais conscientes sobre os impactos das suas decisões de compra e a demanda por transparência é cada vez maior”, comenta Jayme Nigri, diretor de Operações (Chief Operating Officer ou COO) da Reserva.


Segundo ele, a parceria com a Abrapa no lançamento do Programa SouABR “foi um divisor de águas” para a rastreabilidade dos produtos. O executivo destaca ainda que, além da mitigação de possíveis riscos socioambientais na produção, a rastreabilidade também chancela a transparência e permite que o cliente tenha acesso de forma muito simples e segura a informações confiáveis sobre aquela roupa.


Pelo programa SouABR, já foram produzidas para a Reserva aproximadamente 161 mil camisetas rastreáveis desde outubro de 2021. Nigri explica ao Valor que os principais desafios para a implementação do programa de rastreabilidade envolveram a integração de sistemas (API) com os fornecedores homologados, além da comunicação assertiva e didática sobre a iniciativa para o nosso público.


A Abrapa mantém ainda o programa Sou de Algodão, para incentivar o uso da matéria-prima natural, e com alto grau de certificação no campo. Atualmente, são 1473 empresas aderentes, entre elas as marcas, estão a própria C&A e a Reserva, MMartan, Renner, Riachuela, Calvin Klein, Marisa, You com e Dafiti. Em 2020, eram 400 participantes. Só em 2023, foram 313 novas adesões, o que faz a base crescer 27%. O projeto começou em 2016.


Além da C&A e da Reserva, também já aderiram ao SouABR a Renner e a marca Youcom, também do grupo, que, juntas, somam 8.336 peças rastreadas desde maio de 2022; e a Almagrino, com 6.231 peças desde março de 2023.


A Lojas Renner, conta Eduardo Ferlauto, gerente de Sustentabilidade da varejista, estabeleceu uma meta de chegar a 100% de rastreabilidade de algodão de maneira digital até 2030. “A rastreabilidade amplia a nossa conexão com a cadeia. E esse acompanhamento da cadeia, de forma organizada, digital, traz uma capacidade maior de entendermos as oportunidades dentro do tema de sustentabilidade e qualidade”, comenta Ferlauto. Para ele, com dados, é possível tomar melhores decisões e, em parceria com os elos da cadeia, visualizar o que precisa ser feito e definir metas, além de levar transparência e informação ao consumidor.


O executivo explica ainda que a empresa só compra produtos de fornecedores que usam algodão certificado pela Abrapa ou BCI. A viscose, feita a partir de fibra celulósica grande parte importada, também caminha pelo mesmo caminho de certificação e, futuramente, da rastreabilidade.


“Atingir 100% de algodão certificado não é trivial para nós. Somos a maior varejista brasileira de moda e, por não termos fabricação própria, certamente, a maior compradora individual de peças que levam algodão. Por isso, queremos ser agentes de transformação do ecossistema da moda”, pontua Ferlauto


Em 2022 (último dado público disponível), a varejista utilizou nos seus produtos 24,5 toneladas de algodão, sendo 98% desta matéria-prima certificada. Os fornecedores nacionais conectados à sua plataforma de rastreabilidade já representam quase metade do volume de itens de vestuário que é produzido para a varejista no Brasil (neste caso, este volume não se refere apenas às peças confeccionadas com algodão).


Para o executivo da Renner, o principal desafio ainda é o engajamento dos elos da cadeia e de interligar todos os elos por sistemas de gestão e transparência de dados. Por isso, a empresa está evoluindo de forma segmentada. “Continua sendo relevante o trabalho de engajamento da cadeia e adensamento tecnológico junto a fornecedores para conseguirmos escalar”, conta.


A empresa firmou em 2022 um compromisso público de ter, até 2030, 100% das roupas de suas marcas próprias mais sustentáveis. Para isso, investe em matérias-primas circulares e regenerativas, redução do consumo de água e transição energética da cadeia de fornecimento (hoje este patamar já passa dos 80%). Tem tem a meta de implementar sistemas de rastreabilidade em 100% dos produtos de vestuário feitos com algodão.


“Quando falamos de metas climáticas, é importante entender com precisão os dados. No nosso projeto de sustentabilidade, por exemplo, os dados vão nos ajudar a entender o fator de emissão para as matérias-prima e fazer uma melhor organização da gestão”, diz. Ele adiciona que medir as pegadas de carbono e hídrica dos produtos está no radar.


https://valor.globo.com/empresas/esg/noticia/2024/02/27/do-campo-ao-cabide-como-fazer-rastreabilidade-na-industria-textil.ghtml

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Abrapa solicita medidas emergenciais de apoio ao produtor

Documento cita renegociação de dívidas e liberação de recursos

26 de Fevereiro de 2024

Na última semana, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) entregou ao governo federal um documento solicitando medidas emergenciais para tentar diminuir os efeitos das adversidades climáticas nas lavouras.


Prevenir o endividamento e resguardar os produtores foi o principal objetivo do documento, segundo o diretor  executivo da Abrapa Márcio Portocarrero.


De acordo com o representante, o documento foi formatado em conjunto com especialistas e líderes da cadeia do algodão no Brasil. “Vem no sentido de dar força para o ministro Carlos Fávaro negociar as medidas emergenciais de socorro com a área econômica do governo”, afirma Portocarrero.


 

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Brasil supera os EUA na produção de algodão pela primeira vez na história

Tecnologia, sustentabilidade e produtividade impulsionam recorde nacional

23 de Fevereiro de 2024

O Brasil conquista um marco histórico na produção de algodão: pela primeira vez, o país supera os Estados Unidos, tradicional líder mundial do setor.


A projeção para a safra 2023/24 aponta para uma produção de 8,2 milhões de toneladas, um aumento de 5,8% em relação ao ano anterior.




  • Certificação contribui para a produção responsável do algodão


Alta tecnologia: a chave para o sucesso


O diretor-executivo da Abrapa, Márcio Portocarreiro, destaca a alta tecnologia como principal fator para o recorde brasileiro.


“A agricultura de precisão, por exemplo, permite que os produtores monitorem e gerenciem seus cultivos com maior eficiência, otimizando o uso de recursos e aumentando a produtividade”.


A produção nacional de algodão vai além da alta produtividade. O setor investe em práticas regenerativas que melhoram a saúde do solo, promovem a biodiversidade e sequestram carbono.


Para Márcio, a sustentabilidade é fundamental para o futuro da agricultura.


“O Brasil está à frente dos EUA no domínio do manejo do algodão. A Abrapa tem como meta tornar o país o maior exportador do produto até 2030. Com empreendedorismo, tecnologia e sustentabilidade, o futuro do algodão brasileiro é promissor”.

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Abrapa apresenta a valorização da cadeia produtiva do algodão no Rio Grande do Sul

23 de Fevereiro de 2024

O diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Marcio Portocarrero, apresentou o importante papel da cotonicultura brasileira no cenário global como produtora e exportadora de algodão responsável, durante a 34ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas. O evento ocorreu nesta quinta-feira, 22 de fevereiro, na Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão (RS), e reuniu produtores e técnicos para debater a importância de melhorar a gestão das propriedades rurais, visando aumentar a produtividade na safra de grãos.


Atualmente, o Brasil é líder global na produção e exportação de algodão responsável, com 1,98 milhão de toneladas certificadas, em um mercado mundial que totalizou 6,9 milhões de toneladas. “Um grande esforço e uma mudança de paradigmas foram necessários para alcançar esse resultado. Estruturamos programas estratégicos de rastreabilidade, qualidade, sustentabilidade e promoção do algodão brasileiro, pautados por critérios rigorosos, para destacar, sobretudo no mercado internacional, a competitividade e a origem confiável da fibra nacional”, afirmou o executivo.


O Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), destinado à certificação socioambiental das unidades produtivas de algodão e que opera em benchmarking internacional com a instituição suíça Better Cotton (BC), é reconhecido por entidades mundiais, como a FAO, e teve sua aplicação expandida para as Unidades de Beneficiamento de Algodão (ABR-UBA) e terminais retroportuários (ABR-LOG).


Com a certificação ABR, os produtores brasileiros de algodão adotaram estratégias sustentáveis para promover o bem-estar e a segurança dos trabalhadores, além de conservar o meio ambiente. “O uso eficiente da água é uma preocupação constante, assim como a adoção de fontes de energia limpa. A proteção do solo é outra prioridade, bem como a utilização de manejo integrado de pragas (MIP) e de produtos biológicos. A eficiência no uso da terra, aliada à agricultura digital e de precisão, contribui para aumentar a produtividade e reduzir os impactos ambientais. Questões verificadas por auditorias de terceira parte, que são fundamentais para garantir a conformidade com as práticas sustentáveis”, destacou Portocarrero.


O funcionamento do Sistema Abrapa de Identificação (SAI) no rastreamento do fardo do algodão, aliado ao programa SouABR, que permite rastrear a peça da fazenda que produziu o algodão até o guarda-roupa do consumidor, foi um dos temas abordados durante a apresentação, assim como o Programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), o Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA) e as ações de promoção do algodão brasileiro, com o movimento Sou de Algodão e a iniciativa Cotton Brazil.


Promovido pela Federarroz, o encontro termina nesta sexta-feira, 23 de fevereiro, e conta com o apoio da Embrapa, Senar (RS), IRGA e Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).


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Abrapa promove Dia de Campo para debater mancha-alvo, em Goiás

23 de Fevereiro de 2024

O combate à mancha-alvo, uma das doenças mais relevantes do algodoeiro, foi tema do Dia de Campo promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja Brasil). O evento, realizado em 22 de fevereiro na estação experimental da Staphyt, em Formosa (GO), reuniu técnicos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Embrapa, além de especialistas e pesquisadores independentes.


Durante a visita aos experimentos conduzidos pelo pesquisador Nédio Tormem, os participantes puderam verificar in loco os sintomas da mancha-alvo e discutir com o especialista Luis Henrique Carregal as estratégias eficazes de combate à doença, que tem impactado as culturas de soja e algodão devido às condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento do fungo, resultando em prejuízos à produtividade das lavouras.


“A iniciativa da Abrapa e da Aprosoja Brasil em promover esse dia de campo demonstra a importância da integração entre os diferentes segmentos da agricultura para enfrentar desafios comuns, como o controle de doenças que afetam as principais culturas do país. A troca de conhecimentos e experiências entre os participantes contribui para o desenvolvimento de medidas mais eficientes e sustentáveis, visando garantir a segurança alimentar e a sustentabilidade do setor agrícola brasileiro”, afirmou Edivandro Seron, consultor técnico da Abrapa.


No contexto atual, os produtores agrícolas adotam dois ciclos de cultivo por safra, começando com a soja e seguido pela "safrinha" de algodão. Para se proteger da ferrugem asiática, eles utilizam variedades de soja precoces. No entanto, o plantio antecipado pode estar expondo os problemas causados pela mancha-alvo, uma doença que afeta as folhas das plantas e reduz a produtividade do algodoeiro. Os fungos responsáveis pela mancha-alvo são agressivos e difíceis de controlar devido à sua variabilidade genética.


“Essa situação destaca a importância da pesquisa e do desenvolvimento de novas tecnologias para o controle eficaz da mancha-alvo e de outras doenças que afetam as principais culturas agrícolas do país”, destacou Seron.


Além das atividades de campo, o grupo participou de duas palestras: uma abordando as tendências das principais doenças nos cultivos de soja e algodão, ministrada pelo consultor Paulo Queiroz (Blink Projetos Estratégicos), e outra que discutiu a evolução da mancha-alvo de uma preocupação secundária para uma questão de grande importância, apresentada pelo pesquisador da Embrapa, Sergio Abud. Os participantes também analisaram o impacto da doença e o uso de diferentes produtos químicos tanto na soja quanto no algodão.



22.02.2024


Imprensa Abrapa


Catarina Guedes – Assessora de Imprensa


(71) 9 8881 – 8064


Monise Centurion – Jornalista Assistente


(17) 99611-8019

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Abrapa: Missão Indonésia-Bangladesh começa dia 26 em Jacarta

22 de Fevereiro de 2024

A agenda de missões internacionais da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa) começa, neste mês, pela Indonésia e segue até 1º de março em Bangladesh. No primeiro país, o foco é fomentar a recuperação de mercado, já que, no ano comercial 2022/2023, os indonésios reduziram em mais de um terço a importação de pluma. Por outro lado, Bangladesh foi o país que mais ampliou as compras do produto brasileiro no mesmo período.


Na pauta da comitiva brasileira, está a realização de seminários técnicos e muito networking junto a industriais da área têxtil e de vestuário. “Levaremos as perspectivas para o comércio externo de algodão brasileiro e nossos indicadores de qualidade e sustentabilidade. Estamos fechando o balanço de qualidade de 2023 e conseguimos melhorar os índices em todas as características intrínsecas da nossa fibra, em relação à safra passada”, antecipou o presidente da Abrapa, Alexandre Schenkel.


A missão comercial inicia por Jacarta, capital indonésia. No dia 26 de fevereiro, a Abrapa, em parceria com a Embaixada Brasileira, promove almoço de negócios com importadores e empresários da indústria têxtil e, à noite, realiza o seminário “Cotton Brazil Outlook Jacarta”. Na pauta, inovações da cotonicultura brasileira e dados atualizados sobre a safra 2023/2024, cujo plantio terminou recentemente no Brasil.


A redução nas importações de algodão pela Indonésia no ciclo 2022/23 impactou o Brasil. A participação brasileira no mercado indonésio passou de 28% para 23%. “Nossa intenção é conversar com os clientes sobre como o produto brasileiro pode contribuir para a indústria local”, afirma Alexandre Schenkel, Presidente da Abrapa.


A Indonésia é o quarto país mais populoso do mundo e uma das economias mais desenvolvidas da Ásia. Sua indústria têxtil está entre as dez mais relevantes do mundo. Segundo dados do World Trade Statistical Review 2023, em 2022, a exportação de roupas pela Indonésia movimentou US$ 10 bilhões, fazendo com que o país respondesse por 1,7% do total exportado no globo.


Para dar vazão ao ritmo da indústria têxtil, o país se tornou o sétimo maior importador de algodão, com 362 mil toneladas adquiridas no ciclo 2022/2023, de acordo com o United States Departament of Agriculture (USDA). “É um volume 35% inferior às 561 mil toneladas registradas na temporada anterior (2021/2022). O potencial de mercado ainda é muito grande”, destaca Marcelo Duarte Monteiro, diretor de Relações Internacionais da Abrapa.


Bangladesh – No dia 27 de fevereiro, o grupo brasileiro segue para Bangladesh, maior importador mundial de pluma, que tem na indústria do vestuário sua principal atividade econômica. Reuniões comerciais, almoço e jantares de negócios e uma edição do seminário “Cotton Brazil Outlook Dhaka” estão na programação no país. Entidades setoriais, órgãos públicos e empresários são público-alvo da comitiva.


No polo oposto à Indonésia, Bangladesh foi a nação que mais ampliou, em 2022/2023, a importação de algodão brasileiro. As 242 mil toneladas adquiridas representaram uma expansão de 18% em relação ao ciclo anterior, resultando em uma participação de mercado de 16%. A indústria têxtil bengali contribui para posicionar o país como segundo maior importador do algodão brasileiro, ficando atrás apenas da China.


Em 2022, Bangladesh foi o país com segundo maior volume de roupas exportadas no mundo, de acordo com dados do World Trade Statistical Review 2023, movimentando US$ 45 bilhões e respondendo por 7,9% do volume global exportado. No ciclo 2022/23, o país contribuiu com 19% das importações mundiais de pluma, registrando um volume de 1,48 milhão de toneladas.


Desde 2019, o Brasil é o segundo maior exportador mundial de algodão. No ano comercial 2023/24, a projeção é que sejam exportadas 2,34 milhões de toneladas.


A “Missão Vendedores” é uma das ações realizadas pelo Cotton Brazil, iniciativa que representa a cadeia produtiva do algodão brasileiro em escala global. O programa foi idealizado pela Abrapa e é realizado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e com apoio da Associação Nacional de Exportadores de Algodão (Anea).


https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/algodao/370640-missao-indonesia-bangladesh-comeca-dia-26-em-jacarta.html

 

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