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Como o potencial de reciclagem transformou o jeans no ‘alumínio dos têxteis’ para grandes varejistas

Com capacidade de transformação sem perder integridade, o chamado ‘jeans circular’ entrou na mira do mercado têxtil, mas ainda enfrenta limitações para crescer no País

04 de Novembro de 2025

De forma voluntária ou em troca por desconto, um cliente leva sua calça jeans usada até uma loja de roupas e deposita a peça em uma caixa. Ela é coletada, processada e vira fios de algodão para a confeccionar novas peças, que voltam à loja para serem adquiridas por novos consumidores.


O movimento é um exemplo do chamado jeans circular, que busca aumentar a utilidade do material que seria descartado ou ficaria em desuso, inserindo novamente o tecido na cadeia produtiva. No Brasil, esse processo vem ganhando espaço, com grandes varejistas de moda fazendo anúncios relacionados ao jeans circular, quase em sincronia.


Em setembro, a Riachuelo levou às lojas a sua maior coleção de jeans reciclado, com a utilização de quase 10 toneladas de aparas do tecido. No Grupo Renner, a Youcom lançou sua primeira coleção de jeans circular tingido na cor preta. Já a C&A anunciou nova coleção com jeans circular nas lojas para esta semana, chegando ao total de 50 mil peças neste ano.


Uma das razões que explica a escolha do jeans para a reciclagem está relacionada a questões técnicas, segundo profissionais ouvidos pelo Estadão. Eles explicam que o jeans tem altíssima reciclabilidade para a indústria têxtil, sem perder sua integridade. Em termos comparativos, a resistência da fibra é semelhante ao que o alumínio significa para a reciclagem na metalurgia.


No entanto, diferentemente do metal, que conta com infraestrutura e precificação atrativas para reciclagem no Brasil, o jeans ainda possui limitações para a obtenção de volumes de tecidos, tingimento e processamento mais avançado. O processo acaba ficando mais caro e resultando, em alguns relatos, na necessidade de diminuição das margens de lucro para evitar repasse dos custos para o consumidor.


Mesmo assim, o jeans aparece com grande potencial em um mercado que corre para atender metas de sustentabilidade agressiva e redução de tecidos de origem mais poluente. A popularidade das peças, a mudança no comportamento do consumidor, que exige medidas de sustentabilidade de forma mandatória, e a movimentação de mercado com a recente chegada da sueca H&M ao Brasil também são citados como impulsionadores da tendência (entenda mais abaixo).


Produção do jeans circular
No processo de circularidade, o produto que não vem de uma matéria-prima originária ou virgem, mas de um material feito com insumo processado, ressalta a engenheira têxtil Michelle Souza, consultora do Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil do Senai (Senai CETIQT). Esse ponto explica as limitações do insumo pontuadas pelas varejistas.


No caso do jeans, há duas formas de obtenção desse material: ou por meio das peças de pós-consumo, a partir da coleta de roupas de consumidores finais, ou por meio do processo de pré-consumo, quando a empresa usa as aparas de tecidos virgens que sobram das peças novas durante a confecção.


O processamento é feito por um equipamento desfibrador, que tritura o material até obter fibra de algodão, e esse insumo dá origem a um novo fio. “O jeans é um material mais grosso, mais pesado, então ele é mais fácil de passar por esse processo. E ele não tem uma exigência de ser um fio muito fino, muito rebuscado, como a seda, por exemplo.”


Apesar da resistência aos múltiplos processamentos, a fibra reciclada precisa, por razões técnicas, ser adicionada ao algodão virgem para compor fios de qualidade para uma nova peça. A técnica de desfibragem resulta, na maior parte das vezes, em fibras curtas de algodão. Com a junção com o algodão virgem, é possível obter fibras mais longas, que são necessárias para a formação dos fios.


Os jeans que resultam disso têm qualidade bastante similar às peças feitas com 100% de algodão virgem, diz Souza. “É um material que tem uma durabilidade enorme. A qualidade e a durabilidade vão ser a mesma de um jeans virgem, não se acabam por ser reciclado. E, no fim, ele ainda pode ser desfibrado e virar estopa ou barbante, no futuro.”


 

Aproveitamento de aparas na Riachuelo


Para fazer sua maior coleção de jeans circular, composta por 42 mil peças, a Riachuelo juntou 9,4 toneladas de tecido de aparas de fábrica. O material correspondeu a 25% dos insumos usados na linha Pool Loop. Os outros 75% do tecido tiveram acréscimo de algodão ABR virgem (Algodão Brasileiro Responsável), resultando em mais de 58 mil metros de tecido.


Segundo a diretora de sustentabilidade da Riachuelo, Taciana Abreu, o resultado veio a partir de um estudo prévio feito em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT), para entender como beneficiar os tecidos residuais de fábrica. A empresa está fazendo testes para aumentar em 50% o uso do fio reciclado. “A visão é escalar esse projeto tanto em volume quanto em participação do reciclado dentro da base do fio.”


O alcance desse objetivo, porém, passa por barreiras estruturais, ressalta Abreu. “A cadeia não está pronta. Temos pouco tempo de desenvolvimento industrial para a reciclagem têxtil (com) adaptação de maquinário e aquisição de novos equipamentos. Há um ambiente regulatório (política de resíduos sólidos) que está chegando para que a indústria se mexa, em que precisamos nos antecipar.”


Outro ponto levantado por Abreu é a necessidade de investimento para desenvolvimento e escala da cadeia. Para a coleção Pool Loop, o preço — em torno de R$ 179,90 para uma calça feminina — foi fruto de um acordo para diminuição de margens de lucro e otimização de estratégia logística. Ver o potencial de lucratividade do jeans para a cadeia de reciclagem têxtil pode fazer com que o apetite do mercado e dos financiadores impulsione o setor.


“O Brasil recicla 98% do alumínio porque a indústria já se organizou para a entrada e saída desse material ser constante. Toda uma cadeia se organizou para isso. Como a reciclabilidade do alumínio é muito alta, ele tem valor no mercado de reciclagem. O algodão (obtido no jeans) é o material que tem o maior potencial hoje de virar o nosso alumínio”, prevê.


 

Coleta de jeans usados na C&A
Já a C&A, no mês passado, chegou a oito anos do Movimento ReCiclo, estrutura que disponibiliza caixas nas lojas para recolha de roupas usadas e doadas voluntariamente por clientes. A maior parte das peças segue para a doação e uma parte menor é destinada para a fabricação de peças de jeans, que são colocadas à venda por ciclos.


Segundo a empresa, desde 2021, 250 mil peças com materiais reciclados já foram colocadas em circulação. Desse montante, 25 mil foram às lojas em julho. Uma outra coleção, também com 25 mil peças, foi anunciada para chegar às lojas nesta semana.


As peças são identificadas nas etiquetas como jeans circular, mas não há diferenças de qualidade em relação às demais peças, explica a gerente sênior de ESG da C&A, Cyntia Kasai. Desde o início das fabricação dessas peças, ela percebe que a cadeia vem conseguindo evoluir na qualidade do material entregue. A evolução também se deu na possibilidade de ofertas de jeans na cor off-white, em vez de tecidos já tingidos.


“As primeiras cargas de fio tinham nozinhos, eram um pouco mais grossas, e você conseguia perceber um pouco dessas irregularidades no produto final. Viemos em um trabalho muito forte de inovação, para ter cada vez fios mais finos e que trouxessem um acabamento mais coeso.”


Sem abrir valores, Kasai diz que a C&A fez investimentos para que o jeans circular chegasse às lojas com preço semelhante às demais peças, mas avalia que, hoje, com outras empresas investindo no mesmo produto, já se tem um preço mais competitivo. “Conseguimos expandir o volume e esse custo hoje caiu, porque agora também há outros players maiores fazendo o fio reciclado. Há um movimento do setor.”


 

Jeans circular tingido na Youcom
Na Youcom, do Grupo Renner, há um trabalho de “bonificação” dos clientes para estimular à logística circular do jeans. A empresa não paga pelo tecido recebido, mas oferece 15% de desconto na aquisição de uma calça jeans àqueles que levarem uma peça usada a uma loja, em um projeto chamado Jeans for Change.


“Dar o desconto mantém a nossa cadeia circulando, inclusive o jeans com algodão reciclado pode voltar”, diz a diretora de estilo da Youcom, Bárbara Barreira. “O desconto é colocado só no jeans mesmo, porque queremos trabalhar no ciclo do jeans.”


O volume arrecadado por meio da estratégia foi usado na primeira coleção de jeans circular tingido de preto da marca, cujo total de unidades não foi aberto pela empresa. A companhia considerou o tingimento um grande avanço, diante das restrições técnicas que dificultam obter diferentes cores de fibra reciclada já tingida de azul. O processo envolveu um ano de desenvolvimento e de testes de qualidade e durabilidade, e, segundo o diretor de sustentabilidade da Renner, Eduardo Ferlauto, ainda possui limitações.


“Esse reciclado vem a partir de uma tecnologia mecânica processada no Brasil. Não temos ainda, no País, a tecnologia química, e a cor normalmente é definida pela segregação de cores de resíduos que são iguais. Então, o tingimento parte de uma base um pouco disforme. Além disso, essa tecnologia mecânica rompe a fibra, e esse rompimento também gera, em alguns casos, uma disformidade na coloração”, explica.


Barreira acrescenta que as limitações ainda não permitem uma criatividade tão ampla no trato com o jeans reciclado, mas diz que o tecido já está “mais bem resolvido” do que os demais. “Pesquisamos muitos players, inclusive internacionais, e esse é um desafio da indústria. Sabemos que vamos ter que ser insistentes, seguir testando, nos unir a outros players para conseguir gerar essas propostas.”


 

H&M: concorrência ou tendência?
O movimento sincrônico de coro ao jeans circular por grandes varejistas no Brasil ocorre em meio à chegada, em agosto deste ano, de uma grande concorrente internacional ao País, a varejista sueca de moda H&M. A companhia é conhecida por ações públicas relacionadas à sustentabilidade, incluindo coleções com jeans reciclado, e está inaugurando sua terceira loja física no Brasil nesta quinta-feira, 30, com intenção de expandir.


O foco no tecido circular seria uma estratégia competitiva? De acordo com as varejistas ouvidas pelo Estadão, não. As empresas ressaltaram que, se a H&M passar a demandar jeans reciclado de fábricas brasileiras, isso poderá ajudar toda a cadeia a superar alguns gargalos relacionados a volume e aos custos de produção, em um ganho de escala no qual há um benefício comum. Além disso, segundo elas, o movimento pela sustentabilidade parte de uma jornada em crescimento nas empresas no Brasil, sem interferência de uma ação de concorrência.


 

CEO da H&M explica proposta da rede sueca
A professora de cenários do varejo na FIA Business School, Patrícia Cotti, faz a mesma avaliação, pontuando que esse é um movimento que aconteceria independentemente da presença da H&M no País. Para a especialista, que também é diretora de pesquisas do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), a sustentabilidade para essas empresas já saiu de um patamar de diferencial competitivo para algo mandatório, com a mudança de um perfil consumidor cada vez mais exigente com a agenda de sustentabilidade.


“Há muitos consumidores que estão mais preocupados com essas pautas de sustentabilidade. Isso deixou de ser um diferencial e começou a fazer parte do cotidiano do consumo”, diz. “Obviamente que a H&M entrando faz com que as pautas de inovação de negócios sejam aceleradas nas demais empresas, mas é um movimento que, independentemente da H&M, já aconteceria dentro do mercado brasileiro, porque já era uma discussão de algum tempo, mesmo ainda a passos lentos.”


Procurada pelo Estadão, a H&M afirmou que “ainda não pode compartilhar planos específicos para o mercado brasileiro neste momento”. A companhia evitou comentar diretamente sobre a venda de jeans circular na subsidiária, mas informou que a sustentabilidade está no centro do negócio, incluindo investimentos em modelos circulares e reciclagem têxtil.


“Para nós, a forma como crescemos é fundamental. Não se trata de vender mais, mas de ampliar nossas fontes de receita, tendo a sustentabilidade no centro de tudo o que fazemos. Isso inclui, por exemplo, novos investimentos e o desenvolvimento de modelos de negócio circulares, como recomércio (revenda), reparo ou tecnologias de reciclagem para têxteis pós-consumo”, diz a varejista sueca.

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Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 31/10/2025

ALGODÃO PELO MUNDO #43/2025

31 de Outubro de 2025

Destaque da Semana - NY subiu cinco sessões seguidas até 30/out, impulsionada pela expectativa do encontro EUA-China na Coreia do Sul. No entanto, o resultado, apesar de trazer boas manchetes e um tom menos hostil, não mudou os fundamentos nem trouxe grandes anúncios. O mercado segue cauteloso, à espera de sinais concretos sobre os rumos da política comercial global.


Canal do Cotton Brazil - Quer se manter atualizado sobre o mercado de algodão no mundo? Participe: https://bit.ly/Canal-CottonBrazil.

Algodão em NY - O contrato Dez/25 fechou nesta quinta 30/out cotado a 65,12 U$c/lp (+1,6% vs. 23/out). O contrato Dez/26 fechou em 68,70 U$c/lp (+0,8% vs. 23/out).

Basis Ásia - O Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 913 pts para embarque Nov/Dez-25 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 30/out/25.

Altistas 1 - Tendência técnica levemente positiva - o contrato de Dez/25 se manteve acima de 64 c/lb, com faixa de negociação cerca de 100 pontos acima da semana anterior.

Altistas 2 - Preços maiores na Ásia - O índice Cotlook A (índice de referência do algodão posto Ásia) atingiu U$c 77,4 c/lb, maior nível desde setembro, sinalizando pedidas CIF mais firmes no Extremo Oriente e sustentando os prêmios das origens.


Altistas 3 - Possibilidade de redução dos juros - Nos EUA, inflação abaixo do esperado fortalece apostas de corte de juros de 25 pontos pelo FED, reduzindo o custo de carregamento e favorecendo recomposição de estoques.


Altistas 4 - Compras das fiações - Fiações com baixa cobertura aproveitaram os preços ainda atrativos para garantir volumes spot, sustentando negócios de curto prazo.


Altistas 5 - Com os resultados de setembro, as importações chinesas voltaram a um patamar mais normal para a média dos últimos sete anos. A tendência sazonal indica possibilidade de novos aumentos até janeiro, embora haja poucos sinais de uma recuperação sustentada.


Baixistas 1 - Resultado morno do encontro EUA-China - Sem acordo amplo sobre algodão ou têxteis, o mercado devolveu parte dos ganhos no pregão seguinte, em movimento típico de “compra no rumor, venda no fato”.

Baixistas 2 - A colheita no Texas avança sem danos relevantes, com expectativa de produção de 3 milhões tons nos EUA mantendo um cenário de oferta confortável.


Baixistas 3 - Oferta global segue elevada - Produção 25/26 estimada em 25,75 milhões tons, ainda superior ao consumo (25,41 milhões tons), o que projeta aumento de estoques mundiais (dados Cotlook).


Baixistas 4 - Perspectiva negativa para commodities globais - Segundo o World Bank Commodity Markets Outlook, os preços globais das commodities devem cair 7% em 2025 e novamente 7% em 2026, atingindo o menor nível em seis anos.


Baixistas 5 - Os preços da fibra de poliéster (PSF) caíram fortemente nas últimas semanas, acompanhando a fraqueza do mercado de petróleo. Na China, as cotações estão abaixo de 40 U$c/lp, o nível mais baixo desde abril de 2024 — e, antes disso, não se via preços tão baixos desde dezembro de 2020.


EUA 1 - O governo dos EUA permanece em shutdown desde 1º/out sem acordo orçamentário. Escritórios do FSA (que opera o programa de subsídios americano) retomaram operações com equipe mínima, mas sem previsão para pagamentos aos produtores.


EUA 2 - A ausência de anúncios concretos sobre o setor algodoeiro ao final da cúpula Trump-Xi (30/out) decepcionou o mercado dos EUA, que aguardava sinais sobre a retomada das compras chinesas de algodão americano.


EUA 3 - A Cotlook revisou a produção de algodão dos EUA para 2,92 milhões tons (anterior 3 milhões tons), com base no atraso de 25% na classificação vs. 2024. Motivo: condições climáticas adversas e infestações.


China 1 - A CCA aumentou a estimativa de produção chinesa de algodão para 7,28 milhões tons em 2025/26 (+9,2% anuais), com área plantada de 2,99 milhões ha (+1,8%).


China 2 - As importações chinesas foram mantidas em 1,1 milhão tons, consumo em 8,1 milhões e exportações em 20 mil, resultando em estoques finais de 10,11 milhões tons.


Bangladesh 1 - As importações de algodão de Bangladesh em set/25 foram de 152.250 tons (maior volume desde jun/2024). Brasil foi o principal fornecedor (29%), superando a ZFA (23%) e a Austrália (18%).


Bangladesh 2 - No acumulado de 2 meses da safra, as importações de Bangladesh somaram 285.372 tons (-4% vs 2024). ZFA liderou (27%), seguida por Brasil (23%) e Austrália (17%).


Paquistão - O governo paquistanês estima produção de 1,16 milhão tons na safra atual, abaixo da meta de 1,73 milhão tons. A Cotlook revisou sua previsão para 1,19 milhão tons.


ITMF & IAF - A Abrapa apresentou a visão do algodão brasileiro para ajudar a aumentar a participação do algodão na matriz têxtil global nos próximos anos: inovação, qualidade, regularidade no fornecimento e sustentabilidade. O cenário que prevê uma reversão na atual tendência de perda de mercado do algodão foi apresentado pelo Diretor de Relações Internacionais Marcelo Duarte na ITMF Annual Conference & IAF World Fashion Convention 2025 na Indonésia (24-25/out).


ITMA Asia + CITME 1 - O Cotton Brazil participa com estande próprio em um dos maiores eventos da indústria têxtil mundial, com mais de 1700 expositores. O espaço recebeu grande visitação e reforça o posicionamento do algodão brasileiro no mercado global.


ITMA Asia + CITME 2 - Durante a feira, foi lançado o Knowledge Hub. O serviço inclui uma plataforma interativa criada para apoiar as indústrias têxteis com informações técnicas, educacionais e de mercado sobre o algodão brasileiro, além de seminários e consultorias técnicas. O acesso pode ser feito em: https://cottonbrazilknowledgehub.com.


ITMA Asia + CITME 3 - Outro serviço lançado durante a feira foi o portal de download de relatórios completos de resultados HVI, uma evolução do sistema anterior baseado em relatórios com dados de múltiplos fardos para as fiações que já adquiriram o produto brasileiro. O acesso está disponível mediante cadastro em: https://qualitydatabase.abrapa.com.br/login.


Sou ABR 1 - O Sou de Algodão lançou a Política de Adesão do programa SouABR durante o Congresso Internacional da Abit (29-30/out) em São Paulo, reforçando o compromisso do algodão brasileiro com responsabilidade socioambiental e rastreabilidade.


Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 255 mil tons nas quatro semanas de outubro. A média diária de embarque é 10,9% maior em relação a out/24.


Beneficiamento 2024/25 - Até o dia de ontem (30/10) foram beneficiados nos estados da BA (86%), GO (92,15%), MA (58%), MG (92%), MS (85%), MT (55,43%), PI (92,46%) PR (100%) e SP (100%). Total Brasil: 63,67%.

Preços - Consulte tabela abaixo ⬇


Quadro de cotações para 30-10

Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

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Abrapa e Ampa assinam ofício para a revisão tabela de piso mínimo para frete rodoviário

Fiscalização eletrônica da tabela entrou em vigor em outubro e pode afetar o preço de fibras e alimentos

31 de Outubro de 2025

Em 06 de outubro começou a valer em todo o território nacional a fiscalização eletrônica da tabela do piso mínimo para o frete rodoviário. Prevista pela Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (Lei 13.703/2018), a fiscalização está sendo implementada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e pode afetar o preço do algodão e de outras mercadorias, tanto para o consumo interno quanto para exportação.


Desde que entrou em vigor, a fiscalização está funcionando de forma eletrônica, o que permite que a ANTT emita multas automaticamente, com base nos dados registrados nos sistemas, sem precisar parar o veículo para realizar a fiscalização com agentes. As autuações geradas pelo sistema penalizam o embarcador contratante do frete, principal responsável em caso de penalizações.


Impactos para o setor algodoeiro


Para o transporte de algodão a fiscalização eletrônica pode afetar a formação de lotes para exportação, criando a necessidade de coletas de cargas em duas ou mais unidades de origem. O cálculo de custo operacional por veículo na atual tabela de quilometragem pode criar a necessidade de contratação de fretes de curta e média distância, o que obrigaria os fardos a passarem por diferentes tipos de transporte antes de chegarem aos seus destinos. Fator que causa impacto no custo e também na qualidade do algodão. Neste cenário, os produtos fretados teriam um aumento do preço final.


Posicionamento do setor produtivo


Um ofício assinado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), pela Associação Matogrossense de Produtores de Algodão (Ampa) e por outras 52 entidades do setor foi encaminhado à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). No documento os representantes pedem a revisão da metodologia da tabela e ajuda da bancada para a abertura de um diálogo técnico com os ministérios da Agricultura, dos Transportes, da Fazenda e com a Casa Civil.


Uma reunião para discutir o assunto com o diretor da ANTT está agendada para o dia 06 de novembro, às 10h, no Instituto Pensar Agro (IPA).


Divergências metodológicas

A Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário foi criada em agosto de 2018, durante a greve dos caminhoneiros, e prevê a fiscalização do piso mínimo para os fretes. Porém, desde a sua criação, a legalidade da metodologia utilizada para definir a tabela de preços está sendo questionada por diversas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs), que ainda não foram julgadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Para o economista e consultor de logística da Ampa, Luiz Antônio Pagot, a lei não foi criada com base em estudos que consideram uma análise completa dos processos de transporte. “A Lei 13.703/2018, foi redigida e aprovada num ambiente conturbado pela greve dos caminhoneiros em 2018. Sua criação foi baseada em estudos incompletos, que não contemplam a análise global dos processos de transportes, da tipologia das cargas e da diversidade de veículos em trânsito, ocasionando distorções que persistem até hoje”, afirmou o consultor.

Pagot ainda alertou sobre os riscos de cobranças realizadas com baixa precisão de cálculo “Ao ser instituído um instrumento eletrônico de cobrança, baseado em fórmulas e cálculos com pouca exatidão, o resultado da fiscalização são multas que nem deveriam ser aplicadas. Então, as contestações que tramitam no STF têm fundamento prático”.

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Como os campeões de produtividade no campo transformam o agronegócio no Brasil

Pioneiros e herdeiros comandam fazendas inovadoras que batem recordes de rendimento e consolidam o País entre as maiores potências agrícolas do mundo

31 de Outubro de 2025

Por José Maria Tomazela


29/10/2025 | 10h30


Longe dos gigantes da soja do Centro-Oeste, o produtor Charles Breda, de Santa Catarina, alcançou o maior índice de produtividade do País. Em 2024, sua fazenda, a Agro Mallon, venceu o desafio nacional do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb) com 135,49 sacas por hectare, mais que o dobro da média nacional de 60,3, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). “Há dois anos, tínhamos média de 75 sacas por hectare. A alta performance vem dos investimentos em tecnologia e manejo”, diz o consultor Leandro Barcelos.


O resultado foi alcançado em cultura de sequeiro, sem irrigação. “A terra é o maior ativo do produtor. O solo deve ser o bem mais precioso e bem cuidado. Eu e minha equipe fazemos tudo com amor e não medimos esforços para fazer bem feito”, diz Breda. O aumento da microbiologia do solo, iniciado em 2021, permitiu que a soja resistisse até 15 dias de veranico — período de calor e estiagem. “Aqui a gente cava o solo e encontra minhoca”, conta orgulhoso.


Enquanto os maiores produtores se destacam pelo volume total colhido, os mais produtivos se sobressaem pelo rendimento por hectare. Eles não figuram entre os maiores em área plantada, mas lideram a vanguarda da produção. Suas fazendas são referência em eficiência e inovação, com técnicas avançadas de manejo, nutrição do solo e integração de culturas. Essa combinação de ciência e prática no campo tem elevado a produtividade das lavouras.


O valor do solo


Em Palmeiras das Missões (RS), Dimas Binsfeld colheu o triplo da média nacional e se tornou campeão em produtividade de milho irrigado no concurso do Grupo de Estratégias e Tecnologias para Alta Produtividade (Getap). Foram 343,1 sacas por hectare, ante 106,5 sacas na média brasileira. Ele atribui o resultado ao uso de sementes de alta performance, análises detalhadas do solo, nutrição personalizada, monitoramento e irrigação sob medida. São práticas que, segundo Binsfeld, “transformaram o potencial da lavoura em resultado de verdade”.


Outro campeão de produtividade, Karl Milla, um dos filhos do patriarca Ernest Milla, de origem austríaca, conta que o pai, falecido em 2021, deixou como legado o cuidado com o solo. À frente da Ernest Milla Agrícola, em Candói (PR), a família alcançou o melhor resultado nacional no milho sequeiro, com 330,9 sacas por hectare. “A grande lição que nosso pai nos deixou é construir a poupança do solo. Olhar para a vida do solo é olhar para o futuro do agro. Nossa produtividade é fruto de gerações e do trabalho em equipe, investindo na saúde e no equilíbrio do solo. É uma construção de décadas.”


A arte da produção


Renato Bürgel costuma dizer que produzir uma boa fibra de algodão “é quase uma arte”. Ao lado dos irmãos Rogério e Rudnei, ele comanda, no Mato Grosso do Sul, a produção, reconhecida pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) como uma das mais eficientes do País. Na safra 2024/2025, os três colheram média de 419 arrobas por hectare, resultado bem acima das médias estadual e nacional.


Quando começaram, em 1998, a produção era de 180 a 200 arrobas por hectare. O salto veio com investimentos em sementes melhoradas, plantio direto, adubação balanceada e manejo integrado de pragas. Após a safrinha do milho, o trio prepara o solo com nabo forrageiro e faz todo o ciclo produtivo, do plantio à colheita e ao beneficiamento. “Buscamos motivar todas as pessoas envolvidas na produção. Isso explica o resultado: uma fibra de altíssima qualidade e padrão internacional, exportada para qualquer país do mundo”, diz Renato.


Os maiores


A história de André Antonio Maggi, que saiu do Paraná rumo a Mato Grosso, deu origem a três grupos familiares entre os maiores do agronegócio brasileiro: Amaggi, Bom Futuro e Scheffer. Juntos, cultivam 12.750 km², o equivalente a mais da metade de Sergipe, produzem mais de 4 milhões de toneladas de soja e milho, volume comparável ao do Uruguai.


A Amaggi já foi o maior produtor mundial de soja e hoje lidera a comercialização de grãos. Em 2024, produziu 1,3 milhão de toneladas e negociou 19 milhões em parceria com 6 mil agricultores, além de empregar 9,6 mil pessoas. O Grupo Scheffer é referência em agricultura regenerativa, com 236 mil hectares, e produção próxima de 1 milhão de toneladas de grãos e algodão.


O Grupo Bom Futuro é o maior produtor de soja do País e também figura entre os líderes em milho e algodão. Na última safra, colheu 1,2 milhão de toneladas de soja e 800 mil de milho. Investe ainda em integração lavoura-pecuária, com cerca de 104 mil cabeças abatidas por ano, e mantém um aeroporto próprio em Cuiabá, conhecido como o “aeroporto do agro”. Fora da família Maggi, a gaúcha SLC Agrícola disputa a liderança nacional com 660 mil hectares em sete estados e mais de 2,4 milhões de toneladas produzidas em 2024.

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Abrapa alerta produtores sobre a contaminação por seed coat no algodão brasileiro

A associação publicou comunicado com orientações para mitigar o problema

30 de Outubro de 2025

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) publicou, na última quarta-feira, 29/10, o Comunicado Técnico Nº 04/2025, com orientações aos produtores sobre a presença de fragmentos de seed coat (casca de sementes) no algodão cultivado no Brasil.


O documento foi elaborado a partir da constatação de compradores e técnicos da área da qualidade, que têm relatado um aumento na ocorrência de seed coat no algodão comercializado.


Prejuízos e danos à reputação


O diretor executivo da Abrapa, Márcio Portocarrero, alertou que a contaminação por fragmentos de casca compromete a reputação da pluma nacional tanto no mercado interno quanto no internacional. Segundo ele, “a reputação do algodão brasileiro é fruto de uma qualidade construída em conjunto com todos os nossos produtores. Em casos de contaminação, é fundamental haver uma orientação central que os auxilie a identificar o que pode estar causando a contaminação e resolver o problema em todas as unidades produtivas. Pensando nisso, a Abrapa publicou o comunicado para indicar as melhores práticas de produção e manejo”.


O gerente de qualidade da Abrapa, Deninson Lima, destacou que a contaminação reduz o valor da fibra brasileira. “Os fragmentos de seed coat causam atrasos, aumentam a necessidade de manutenção e a limpeza das máquinas nas indústrias de fiação. Esse processo eleva os custos das empresas, que são repassados para o produtor, em forma de deságio”, explicou.


Do planejamento ao beneficiamento


Além de reforçar a importância de produzir um algodão livre de seed coat, a Abrapa escolheu um momento estratégico para divulgar o comunicado, o período de planejamento da safra, visando evitar a contaminação desde as etapas iniciais da produção.


O documento recomenda os cotonicultores sobre a compra de sementes que ajudam o problema além de destacar cuidados no beneficiamento considerados essenciais para garantir um algodão de alta qualidade.


Leia o Comunicado Técnico Nº 04/2025 na íntegra:


https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Comunicado-Tecnico-N042025.pdf

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Sou de Algodão lança política de adesão do Programa SouABR durante Congresso Internacional da Abit

Iniciativa reforça o compromisso do movimento com a moda consciente e a rastreabilidade do algodão brasileiro

30 de Outubro de 2025

O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), lança oficialmente, nos dias 29 e 30 de outubro, durante o Congresso Internacional da Abit, em São Paulo, a Política de Adesão do programa SouABR. O lançamento acontece no Espaço Sou de Algodão, estande do movimento no evento, que apresentará informações sobre o programa e sobre o compromisso do algodão brasileiro com a responsabilidade socioambiental e a rastreabilidade.


 

Uma trajetória de transparência e inovação


 

Desde o início dos anos 2000, a Abrapa - e, posteriormente, o Sou de Algodão - têm trabalhado para fortalecer uma moda mais responsável e conectada à origem da fibra que compõe cada peça.


Em 2004, a Abrapa lançou o Sistema Abrapa de Identificação (SAI), marco inicial da rastreabilidade do algodão brasileiro. O avanço veio em 2012, com a criação do Algodão Brasileiro Responsável (ABR), um programa de certificação que atesta boas práticas sociais, ambientais e econômicas nas fazendas produtoras.


 

O movimento Sou de Algodão nasceu em outubro de 2016, ampliando o diálogo com o consumidor e o setor criativo da moda. Três anos depois, em 2019, o sistema de rastreabilidade por blockchain foi desenvolvido, garantindo total transparência entre o campo e a indústria. Em 2021, surgiu o programa SouABR, que conecta essa rastreabilidade a marcas e confecções.


Atualmente, o programa contabiliza mais de 578 mil peças lançadas com algodão rastreável, por meio de 19 indústrias têxteis parceiras e marcas como Almagrino, Calvin Klein, C&A, Dohler, Dudalina, Individual, Renner, Reserva e Youcom.


 

No último dia 17 de outubro, durante a São Paulo Fashion Week N60, o movimento apresentou o desfile Trajetórias, reunindo seis estilistas parceiros para a criação de 36 looks all black, com algodão rastreável - uma celebração à moda feita com propósito e origem.


 

Nova fase: política de adesão para marcas


 

Com o lançamento da Política de Adesão do programa SouABR, o movimento dá um novo passo rumo à expansão da moda consciente, oferecendo às marcas um modelo estruturado de engajamento e reconhecimento dentro do programa.


 

“Nosso objetivo é ampliar o alcance do SouABR, convidando novas marcas e indústrias a fazerem parte dessa cadeia de valor transparente. A política de adesão traz clareza sobre critérios, responsabilidades e benefícios, fortalecendo a relação entre o algodão brasileiro e o consumidor final”, explica Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa e gestora do Sou de Algodão.


Já Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa, destaca: “O programa SouABR já conecta o produtor, a indústria e o varejo. Agora, queremos que cada marca participante se torne um agente de conscientização sobre o impacto positivo do algodão responsável no meio ambiente e na economia”.


 

Presença institucional e diálogo com o setor


 

O Espaço Sou de Algodão no Congresso Internacional da Abit será um ponto de encontro para profissionais, marcas e representantes da cadeia têxtil interessados em conhecer mais sobre o movimento e o programa SouABR. Além do lançamento da política, o estande apresentará materiais informativos, vídeos e cases de marcas que já integram a iniciativa.


 

“O Sou de Algodão é uma iniciativa exemplar da Abrapa, que há quase uma década conecta toda a cadeia têxtil em torno de valores fundamentais: sustentabilidade, inovação e orgulho do que é produzido no Brasil. Desde o início, a Abit tem se somado a esse movimento que une o campo, a indústria e o consumidor em uma mesma causa, que é valorizar o algodão brasileiro e o trabalho de quem o transforma em qualidade e propósito. Esse é o verdadeiro diferencial do movimento, que vem se fortalecendo e conquistando espaço ao levar consigo a credibilidade e a certificação da responsabilidade brasileira”, reitera Fernando Pimentel, diretor superintendente e presidente emérito da Abit.


 

Sobre Sou de Algodão


Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 83% de toda a produção nacional de algodão.

 

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Ministério da Agricultura e Pecuária lança linha de crédito para recuperação de pastagens em encontro com cotonicultores do Oeste da Bahia

Divulgação do Programa Caminho Verde aconteceu em Luís Eduardo Magalhães em evento e teve a participação da Abrapa, Abapa e AIBA.

29 de Outubro de 2025

Na última sexta-feira, 24/10, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou na sede da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA), em Luís Eduardo Magalhães, o lançamento regional do Programa Caminho Verde Brasil. O projeto, que foi anunciado pelo assessor especial do Mapa, Carlos Ernesto Augustin, pretende promover a produção agropecuária sustentável, e a recuperação de pastagens degradadas.


O diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Marcio Portocarrero, a presidente da Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa), Alessandra Zanotto e demais representantes de associações, cooperativas, sindicatos, bancos e demais entidades do setor agrícola, estiveram presentes no evento.


Estimativa de R$ 30 bilhões para recuperação de pastagens


O programa é uma iniciativa nacional que tem como aporte inicial R$ 30 bilhões disponíveis para financiar sistemas sustentáveis de produção agropecuária e florestal. Seu principal objetivo é converter no prazo de 10 anos aproximadamente 40 milhões de hectares de pastagens de baixa produtividade em terras de alto rendimento, aliando grandes volumes de produção à proteção ambiental.


Marcio Portocarrero avaliou positivamente o programa, “iniciativas como a do Programa Caminho Verde Brasil, que promovem a agricultura responsável ao recuperar pastagens degradadas para expandir a área cultivável sem a necessidade de desmatamento, agregam valor de mercado à produção brasileira”.


Distribuição e acesso ao financiamento


Os recursos serão distribuídos entre os biomas brasileiros sendo a região do Cerrado a maior beneficiada com a disponibilização de R$17,2 bilhões, seguida pela Mata Atlântica, que receberá R$ 4 bilhões. A Amazônia vai receber R$ 3,5 bilhões e a Caatinga, R$3 bilhões, o Pampa e Pantanal foram contemplados com R$ 1,2 bilhão e R$ 1,1 bilhão, respectivamente.


Para acessar os recursos, o produtor deve assumir compromissos durante o financiamento, são exemplos:


- Produção de baixo carbono;


- Desmatamento zero;


- Apresentação do balanço anual de carbono;


- Certificação trabalhista.


As unidades produtivas certificadas pelo programa ABR (Algodão Brasileiro Responsável) já adotam parte destes critérios, facilitando o enquadramento do cotonicultor com fazendas certificadas aos requisitos exigidos pelo programa durante a sua fase de adoção.


 

Crédito da foto: Ascom da Aiba

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Sou de Algodão celebra 9 anos com vozes que representam a força do algodão brasileiro

Movimento criado pela Abrapa une campo, indústria, educação e moda em uma trajetória de inovação, responsabilidade e orgulho nacional

28 de Outubro de 2025

O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), completa nove anos de história conectando todos os elos da cadeia têxtil, do produtor ao consumidor, em torno de um propósito comum: valorizar o algodão brasileiro e promover a moda responsável.


Lançado oficialmente em 2016, durante a São Paulo Fashion Week (SPFW), o movimento tornou-se um símbolo da união entre o campo e as passarelas, consolidando o algodão como fibra protagonista da moda nacional e um pilar de responsabilidade socioambiental reconhecido em todo o país.


Para celebrar a data, o Sou de Algodão reuniu nove depoimentos de parceiros, estilistas, professores e líderes do setor, que traduzem a amplitude de seu impacto e o legado de uma moda que une ética, design e propósito.



1. Acervo vivo da moda brasileira


O acervo do Sou de Algodão é a memória afetiva de uma década de transformações: reúne peças icônicas, coleções autorais e criações que revelam o poder criativo do algodão nacional.
 Marina Sanvicente, figurinista da TV Globo, comenta:
“O Movimento Sou de Algodão é super importante para a cultura brasileira porque conecta e aproxima todos os elos; quem planta, quem cria e quem investe. Esse movimento faz toda a diferença no resultado final, gerando boas oportunidades e reunindo pessoas muito talentosas, criativas e incríveis, que fizeram e continuam fazendo a história da moda brasileira. Valoriza a nossa matéria-prima, o algodão, que é algo genuinamente nosso, e leva ótimas oportunidades tanto para quem produz quanto para quem consome. No SPFW, por exemplo, já tivemos parcerias em que as peças mais legais, criativas e conscientes vinham justamente do projeto Sou de Algodão. Acredito muito nesse propósito, ele realmente faz toda a diferença para a nossa moda”.



2. Indústria nacional fortalecida


O movimento impulsionou a competitividade e a rastreabilidade da indústria têxtil, unindo responsabilidade e inovação tecnológica.
 Laís Silveira, gerente de Sustentabilidade da Veste S.A., reforça:
“O programa de rastreabilidade SouABR agrega valor a toda a cadeia produtiva e oferece aos consumidores a segurança de saber exatamente de onde vem o que vestem. Cada peça rastreada reflete o compromisso da Veste com a sustentabilidade, a ética e o futuro do setor têxtil brasileiro”.



3. Educação e universidades


Ao aproximar a academia do mercado, o movimento inspira uma nova geração de profissionais da moda, mais conscientes e engajados.
Cacau Claudia Martins, docente da Universidade Anhembi Morumbi, celebra a parceria:
“Sou de Algodão promove uma conexão essencial entre a academia e o mercado, tornando os processos mais transparentes e conscientes. Vivenciamos experiências transformadoras que mostram o verdadeiro valor da moda responsável. Tivemos a oportunidade de visitar fazendas, confecções e acompanhar desfiles da SPFW, vivências que fortalecem a visão dos futuros profissionais sobre o papel da moda na sociedade”.



4. Parcerias que inspiram


O trabalho colaborativo com marcas parceiras é um dos pilares da transformação promovida pelo movimento.
Alan Abreu, coordenador de ESG da Reserva, destaca:
“Fazer moda é cuidar de quem faz parte dela: das pessoas, do planeta e das histórias que nos conectam. Ser uma marca parceira do Sou de Algodão e acompanhar iniciativas como a Cotton Trip e o programa de rastreabilidade nos mostra que, quando o propósito é compartilhado, o sonho se torna coletivo”.



5. Sustentabilidade em ação


Desde o início, o movimento é um exemplo de integração entre campo e consumo, mostrando que responsabilidade ambiental e inovação caminham juntas.
 Fernando Prudente, líder de sustentabilidade da Bayer, reforça:
“O sucesso e os impactos já alcançados mostram que o projeto, iniciado há nove anos, fazia todo sentido. Agora é o momento de colher os resultados e evoluir, levando essa mensagem para o mundo. Para nós da Bayer, é um orgulho ter acompanhado essa jornada desde o início e continuar contribuindo para o fortalecimento da cadeia do algodão brasileiro”.


 Warley Palota, da BASF, complementa:
“Esse movimento, que não para de crescer e ganha novos adeptos a cada momento, representa um marco na promoção do consumo natural, responsável e sustentável. Sei que há grandes desafios pelo futuro, mas também muitas oportunidades. Com boas parcerias, acredito que o movimento vai continuar crescendo ao longo dos anos. Para nós, da BASF, é uma satisfação fazer parte desse projeto, que visa não apenas divulgar a fibra brasileira, mas também valorizar o que ela representa para o planeta e para as pessoas.”



6. Desafios criativos e novos talentos


O Desafio Sou de Algodão + Casa de Criadores consolidou-se como uma vitrine para a nova geração de estilistas brasileiros.
 André Hidalgo, diretor da Casa de Criadores, destaca:
“A parceria entre a Casa de Criadores e o Sou de Algodão tem um papel muito importante na valorização da moda nacional e autoral. O movimento vem fortalecendo uma nova geração de profissionais que unem criatividade, propósito e consciência, valores que também fazem parte da nossa história. Ao longo das quatro edições do Desafio Sou de Algodão + Casa de Criadores, vimos surgir talentos que hoje começam a construir caminhos promissores. É o maior concurso de moda para estudantes do Brasil e um verdadeiro estímulo para quem acredita em uma moda com identidade e responsabilidade”.



7. Moda nacional protagonista


O algodão brasileiro é, hoje, presença marcante nas passarelas e no calendário oficial da moda.
 Paulo Borges, diretor criativo da São Paulo Fashion Week, reforça:
“A parceria entre a SPFW e o Movimento Sou de Algodão é um encontro de propósitos. Desde o início dessa colaboração, buscamos mostrar que a moda brasileira é feita de histórias, de mãos e de consciência, e o Sou de Algodão traduz isso de uma forma muito genuína. Ao longo desses nove anos de trajetória, já realizamos quatro desfiles Sou de Algodão dentro da SPFW, todos sob nossa direção criativa, e cada um deles representou um novo capítulo dessa construção coletiva que valoriza a origem, o campo e o fazer com propósito. O movimento tem um papel essencial em fortalecer uma moda nacional mais responsável, conectando os elos da cadeia têxtil e aproximando criadores, marcas e consumidores em torno de um mesmo ideal. Ver Sou de Algodão ocupar a passarela da SPFW é testemunhar o poder da moda quando ela une arte, sustentabilidade e pertencimento, e reafirmar que o futuro do setor passa, necessariamente, por essa consciência.”



8. Estilo e consciência


Stylists e apoiadores reforçam o papel do movimento na conscientização sobre o consumo responsável e o fortalecimento da moda brasileira.
Arlindo Grund, stylist e apresentador, afirma:
“Desde que o Sou de Algodão apareceu no meu caminho, meu olhar ficou muito mais apurado quando o assunto é essa fibra nacional tão importante. Mas, além de adquirir conhecimento, criar conexões com quem faz o Sou de Algodão também tem sido essencial nesse processo. Que a gente passe a olhar com mais atenção para as etiquetas do que estamos consumindo.”



9. Orgulho do que é feito no Brasil


Mais do que uma iniciativa da moda, o movimento é símbolo de orgulho nacional e de valorização do que é produzido com ética e tecnologia no país.
Fernando Pimentel, presidente da Abit, sintetiza:
“O Sou de Algodão é uma iniciativa exemplar da Abrapa, que há nove anos conecta toda a cadeia têxtil em torno de valores fundamentais — sustentabilidade, inovação e orgulho do que é produzido no Brasil”.


Sobre Sou de Algodão
Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 83% de toda a produção nacional de algodão.



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Brasil e Indonésia firmam acordo de cooperação em medidas sanitárias

24 de Outubro de 2025

O Brasil e a Indonésia firmaram acordo de cooperação em medidas sanitárias e fitossanitárias e em questões de certificação. O memorando de entendimento foi assinado pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e pelo chefe da Autoridade de Quarentena da Indonésia (IQA), Sahat Manaor Panggabean, na manhã desta quinta-feira, 23, em Jacarta, durante visita da comitiva presidencial brasileira. Em nota, o Ministério da Agricultura afirmou que o memorando tem por objetivo criar e consolidar a cooperação entre o Brasil e a Indonésia, especialmente no que se refere ao comércio de produtos agropecuários entre os dois países. O documento inclui, ainda, a troca de informações sobre políticas sanitárias e fitossanitárias, a cooperação em processos de certificação eletrônica e inspeção pré-fronteira, investigações conjuntas em casos de fraude ou questões sanitárias, ações em análise de risco, rastreabilidade, vigilância e resposta a emergências. O acordo prevê colaboração no reconhecimento de equivalência de medidas sanitárias, capacitação técnica, intercâmbio de experiências e realização de atividades de facilitação do comércio. "Grandes oportunidades se abrem para o agro brasileiro. O Brasil já tem uma boa relação comercial com a Indonésia e busca avançar ainda mais, incluindo o encerramento do contencioso sobre a exportação de carnes de frango brasileiras para o país. A abertura desse mercado, além da ampliação das exportações de café e algodão, reforça o papel do agronegócio como pilar da relação entre Brasil e Indonésia", afirmou Fávaro. O ministro se reuniu, ainda, com o ministro Coordenador de Assuntos Alimentares da Indonésia, Zulkifli Hasan, e com o ministro do Comércio, Budi Santoso. As autoridades apresentaram o programa nacional de merenda escolar, para a ampliação do acesso a alimentos de qualidade para crianças em idade escolar. O Brasil quer exportar frango ao mercado indonésio com destinação a esse programa.

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Abrapa leva inovações para indústria têxtil no ITMA Asia + CITME

Com foco na indústria têxtil mundial, brasileiros lançam sistema de consulta de algodão por lotes e a plataforma Knowledge Hub

24 de Outubro de 2025

Pela primeira vez, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) participa da ITMA Asia + CITME, um dos maiores eventos globais de maquinário têxtil que ocorre de 28 a 31 de outubro em Singapura. Para marcar sua estreia, o Brasil lança duas inovações: a rastreabilidade por lote e o Cotton Brazil Knowledge Hub, uma plataforma digital aberta com informações técnicas e boas práticas sobre o uso da fibra brasileira.


Organizado pela International Textile Machinery Association (ITMA) e pela China International Textile Machinery Exhibition (CITME), o ITMA Asia + CITME reúne empresas, fabricantes e entidades do setor têxtil mundial. Um cenário ideal para os produtores brasileiros de algodão apresentarem ao mundo suas inovações.


“A rastreabilidade sempre foi um dos principais ativos do algodão brasileiro. Recentemente, identificamos que a consulta de dados por lotes, e não apenas por fardos, seria um diferencial importante. Desenvolvemos o sistema e o lançamento será feito oficialmente aqui no ITMA”, afirma Fernando Rati, gerente do Cotton Brazil, programa de promoção internacional da Abrapa.


O novo Sistema de Busca por Lotes permite a análise de um lote inteiro de algodão, reunindo diversos fardos em uma única consulta. O resultado é um dossiê completo com dados sobre o produtor, a planta de descaroçamento, o laboratório de classificação, a análise HVI e as certificações socioambientais (ABR, BCI e governo brasileiro).


Já o Knowledge Hub (https://cottonbrazilknowledgehub.com/) reúne informações, relatórios técnicos e conteúdos educativos sobre o algodão brasileiro. “Com dados confiáveis e orientação técnica, o portal permite que o industrial obtenha um maior desempenho operacional ao usar a pluma brasileira”, explica Rati.


Durante os quatro dias do evento, a Abrapa realiza apresentações técnicas sobre rastreabilidade, qualidade e performance do algodão brasileiro. Entre os temas programados, estão perspectivas de safra e exportações, desafios e soluções para a fiação de algodão brasileiro, além de tingimento com a fibra brasileira.


O embaixador do Brasil em Singapura, Luciano Mazza de Andrade, confirmou presença junto à comitiva brasileira no ITMA Asia + CITME. A delegação é coordenada pela Abrapa e formada por produtores e exportadores brasileiros.


Números. Terceiro maior produtor e maior exportador de algodão no mundo, o Brasil tornou-se um importante player para as indústrias têxteis ao redor do globo. No ciclo 2024/25, colheu 4,11 milhões de toneladas e exportou 2,83 milhões de toneladas para mais de 70 países. Desse total, 95,95% foram embarcadas para países asiáticos.


Cotton Brazil. A atuação internacional da Abrapa é realizada por meio do CottonBrazil, programa que promove o algodão brasileiro e desenvolve novos mercados. A iniciativa é feita em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e tem apoio da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea).

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