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Segunda fase da maratona de verificação e conformidade passar por cinco laboratórios em MT 

Laboratórios verificados no estado fazem parte do programa SBRHVI 

06 de Novembro de 2025

Dando continuidade à maratona de Verificação e Diagnóstico de Conformidade do Laboratório (VDCL) a equipe do Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), visitou entre os dias 27/10 e 03/11, cinco laboratórios que integram o programa Standard Brasil HVI (SBRHVI) no estado de Mato Grosso.  


Com o objetivo de aumentar a transparência e a precisão dos resultados de análises de HVI, realizadas em amostras de todo algodão produzido no Brasil, o CBRA avalia 55 itens da lista de VDCL, para garantir que todos os laboratórios estejam em conformidade com os requisitos do programa.  


O gerente de qualidade da Abrapa, Deninson Lima, conta que as visitas são importantes para a consolidação do programa SBRVHI. “Verificar os requisitos obrigatório é uma forma de atestar a padronização e a evolução dos processos dos laboratórios que estão participando do programa.”  


Segundo o gerente, a evolução na qualidade e na padronização dos processos de análise é visível. “É nítida a evolução tanto dos laboratórios que já existiam, como dos novos que estão surgindo, pois eles já nascem padronizados”. Um desses casos é o laboratório da Cooperativa Agroindustrial do Centro Oeste do Brasil (Coabra), em Sinop. O mais novo laboratório a ingressar no programa deve analisar, já na safra 2024/2025, 800 mil análises. 


Avanços na qualidade das análises 


Nesta segunda rodada as visitas se concentraram no estado de Mato Grosso, onde foram visitados os seguintes laboratórios:

1) BV Kuhlmann em Sapezal; 


2) BV Kuhlmann em Campo Novo do Pareci; 


3) BV Kuhlmann em Lucas do Rio Verde; 


4) BV Kuhlmann em Sorriso; 


5) Laboratório da Coabra em Sinop.

O nível de padronização chamou atenção do consultor de qualidade da Abrapa, Edson Mizoguchi, que visitou os laboratórios. Para Mizoguchi, “as verificações realizadas evidenciaram um avanço significativo na implantação do Sistema de Gestão da Qualidade nos laboratórios da BV Kuhlmann”.  


Em relação ao laboratório da Coabra, o consultor afirmou que a unidade apresenta um ótimo nível de conformidade. “A Coabra é um laboratório novo, que está realizando bons investimentos em qualidade. Recentemente a unidade adquiriu 4 máquinas USTER HVI CLASSING Q PRO, um equipamento de última geração que realiza o processo de micronaire de forma totalmente automatizada, eliminando a necessidade de contato manual e garantindo maior precisão na análise do algodão. O laboratório espera adquirir mais uma máquina para a próxima safra”, completou Mizoguchi. 


Melhoria para a gestão dos laboratórios 


Por ser o maior produtor de algodão do Brasil, o Mato Grosso tem a maior concentração laboratórios de análise da pluma. Dos 13 laboratórios participantes do SBRHVI, que padroniza as análises da qualidade da fibra no Brasil, 9 estão no estado. As visitas realizadas pelo CBRA fazem parte do pilar orientativo do programa e são essenciais para garantir a conformidade e precisão dos resultados. 


Segundo o responsável pela gestão de qualidade do laboratório da Coabra em Sinop, Domingos Filho, a visita técnica é indispensável para a melhoria e aperfeiçoamento do processo de análise e de classificação instrumental tecnológica da fibra do algodão. “O encontro nos ajudou a identificar todos os pontos fortes e fracos do laboratório, nos dando garantias e segurança para fornecer análises que atendam às necessidades dos produtores e do mercado, mostrando a realidade das características de qualidade da fibra brasileira, avaliou.   


A maratona de verificação terá continuidade nos meses no novembro de dezembro, e ainda passará por laboratórios em Minas Gerais (Minas Cotton) e no Oeste da Bahia (Abapa). 

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Sou de Algodão lança política de adesão do Programa SouABR e reforça rastreabilidade da moda brasileira no Congresso Internacional da Abit

04 de Novembro de 2025

O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), lançou oficialmente, nos dias 29 e 30 de outubro, durante o Congresso Internacional da Abit, em São Paulo, a Política de Adesão do programa SouABR. O lançamento aconteceu no Espaço Sou de Algodão, estande do movimento no evento, que apresentou informações sobre o programa e sobre o compromisso do algodão brasileiro com a responsabilidade socioambiental e a rastreabilidade.


Desde o início dos anos 2000, a Abrapa – e, posteriormente, o Sou de Algodão – têm trabalhado para fortalecer uma moda mais responsável e conectada à origem da fibra que compõe cada peça.


Em 2004, a Abrapa lançou o Sistema Abrapa de Identificação (SAI), marco inicial da rastreabilidade do algodão brasileiro. O avanço veio em 2012, com a criação do Algodão Brasileiro Responsável (ABR), um programa de certificação que atesta boas práticas sociais, ambientais e econômicas nas fazendas produtoras.


O movimento Sou de Algodão nasceu em outubro de 2016, ampliando o diálogo com o consumidor e o setor criativo da moda. Três anos depois, em 2019, o sistema de rastreabilidade por blockchain foi desenvolvido, garantindo total transparência entre o campo e a indústria. Em 2021, surgiu o programa SouABR, que conecta essa rastreabilidade a marcas e confecções.


Atualmente, o programa contabiliza mais de 578 mil peças lançadas com algodão rastreável, por meio de 19 indústrias têxteis parceiras e marcas como Almagrino, Calvin Klein, C&A, Dohler, Dudalina, Individual, Renner, Reserva e Youcom.


No último dia 17 de outubro, durante a São Paulo Fashion Week N60, o movimento apresentou o desfile Trajetórias, reunindo seis estilistas parceiros para a criação de 36 looks all black, com algodão rastreável – uma celebração à moda feita com propósito e origem.


 

Nova fase: política de adesão para marcas


Com o lançamento da Política de Adesão do programa SouABR, o movimento dá um novo passo rumo à expansão da moda consciente, oferecendo às marcas um modelo estruturado de engajamento e reconhecimento dentro do programa.


“Nosso objetivo é ampliar o alcance do SouABR, convidando novas marcas e indústrias a fazerem parte dessa cadeia de valor transparente. A política de adesão traz clareza sobre critérios, responsabilidades e benefícios, fortalecendo a relação entre o algodão brasileiro e o consumidor final”, explica Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa e gestora do Sou de Algodão.


Já Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa, destaca: “O programa SouABR já conecta o produtor, a indústria e o varejo. Agora, queremos que cada marca participante se torne um agente de conscientização sobre o impacto positivo do algodão responsável no meio ambiente e na economia”.


Presença institucional e diálogo com o setor


O Espaço Sou de Algodão no Congresso Internacional da Abit foi um ponto de encontro para profissionais, marcas e representantes da cadeia têxtil interessados em conhecer mais sobre o movimento e o programa SouABR. Além do lançamento da política, o estande apresentou materiais informativos, vídeos e cases de marcas que já integram a iniciativa.


“O Sou de Algodão é uma iniciativa exemplar da Abrapa, que há quase uma década conecta toda a cadeia têxtil em torno de valores fundamentais: sustentabilidade, inovação e orgulho do que é produzido no Brasil. Desde o início, a Abit tem se somado a esse movimento que une o campo, a indústria e o consumidor em uma mesma causa, que é valorizar o algodão brasileiro e o trabalho de quem o transforma em qualidade e propósito. Esse é o verdadeiro diferencial do movimento, que vem se fortalecendo e conquistando espaço ao levar consigo a credibilidade e a certificação da responsabilidade brasileira”, reitera Fernando Pimentel, diretor superintendente e presidente emérito da Abit.

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Como o potencial de reciclagem transformou o jeans no ‘alumínio dos têxteis’ para grandes varejistas

Com capacidade de transformação sem perder integridade, o chamado ‘jeans circular’ entrou na mira do mercado têxtil, mas ainda enfrenta limitações para crescer no País

04 de Novembro de 2025

De forma voluntária ou em troca por desconto, um cliente leva sua calça jeans usada até uma loja de roupas e deposita a peça em uma caixa. Ela é coletada, processada e vira fios de algodão para a confeccionar novas peças, que voltam à loja para serem adquiridas por novos consumidores.


O movimento é um exemplo do chamado jeans circular, que busca aumentar a utilidade do material que seria descartado ou ficaria em desuso, inserindo novamente o tecido na cadeia produtiva. No Brasil, esse processo vem ganhando espaço, com grandes varejistas de moda fazendo anúncios relacionados ao jeans circular, quase em sincronia.


Em setembro, a Riachuelo levou às lojas a sua maior coleção de jeans reciclado, com a utilização de quase 10 toneladas de aparas do tecido. No Grupo Renner, a Youcom lançou sua primeira coleção de jeans circular tingido na cor preta. Já a C&A anunciou nova coleção com jeans circular nas lojas para esta semana, chegando ao total de 50 mil peças neste ano.


Uma das razões que explica a escolha do jeans para a reciclagem está relacionada a questões técnicas, segundo profissionais ouvidos pelo Estadão. Eles explicam que o jeans tem altíssima reciclabilidade para a indústria têxtil, sem perder sua integridade. Em termos comparativos, a resistência da fibra é semelhante ao que o alumínio significa para a reciclagem na metalurgia.


No entanto, diferentemente do metal, que conta com infraestrutura e precificação atrativas para reciclagem no Brasil, o jeans ainda possui limitações para a obtenção de volumes de tecidos, tingimento e processamento mais avançado. O processo acaba ficando mais caro e resultando, em alguns relatos, na necessidade de diminuição das margens de lucro para evitar repasse dos custos para o consumidor.


Mesmo assim, o jeans aparece com grande potencial em um mercado que corre para atender metas de sustentabilidade agressiva e redução de tecidos de origem mais poluente. A popularidade das peças, a mudança no comportamento do consumidor, que exige medidas de sustentabilidade de forma mandatória, e a movimentação de mercado com a recente chegada da sueca H&M ao Brasil também são citados como impulsionadores da tendência (entenda mais abaixo).


Produção do jeans circular
No processo de circularidade, o produto que não vem de uma matéria-prima originária ou virgem, mas de um material feito com insumo processado, ressalta a engenheira têxtil Michelle Souza, consultora do Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil do Senai (Senai CETIQT). Esse ponto explica as limitações do insumo pontuadas pelas varejistas.


No caso do jeans, há duas formas de obtenção desse material: ou por meio das peças de pós-consumo, a partir da coleta de roupas de consumidores finais, ou por meio do processo de pré-consumo, quando a empresa usa as aparas de tecidos virgens que sobram das peças novas durante a confecção.


O processamento é feito por um equipamento desfibrador, que tritura o material até obter fibra de algodão, e esse insumo dá origem a um novo fio. “O jeans é um material mais grosso, mais pesado, então ele é mais fácil de passar por esse processo. E ele não tem uma exigência de ser um fio muito fino, muito rebuscado, como a seda, por exemplo.”


Apesar da resistência aos múltiplos processamentos, a fibra reciclada precisa, por razões técnicas, ser adicionada ao algodão virgem para compor fios de qualidade para uma nova peça. A técnica de desfibragem resulta, na maior parte das vezes, em fibras curtas de algodão. Com a junção com o algodão virgem, é possível obter fibras mais longas, que são necessárias para a formação dos fios.


Os jeans que resultam disso têm qualidade bastante similar às peças feitas com 100% de algodão virgem, diz Souza. “É um material que tem uma durabilidade enorme. A qualidade e a durabilidade vão ser a mesma de um jeans virgem, não se acabam por ser reciclado. E, no fim, ele ainda pode ser desfibrado e virar estopa ou barbante, no futuro.”


 

Aproveitamento de aparas na Riachuelo


Para fazer sua maior coleção de jeans circular, composta por 42 mil peças, a Riachuelo juntou 9,4 toneladas de tecido de aparas de fábrica. O material correspondeu a 25% dos insumos usados na linha Pool Loop. Os outros 75% do tecido tiveram acréscimo de algodão ABR virgem (Algodão Brasileiro Responsável), resultando em mais de 58 mil metros de tecido.


Segundo a diretora de sustentabilidade da Riachuelo, Taciana Abreu, o resultado veio a partir de um estudo prévio feito em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT), para entender como beneficiar os tecidos residuais de fábrica. A empresa está fazendo testes para aumentar em 50% o uso do fio reciclado. “A visão é escalar esse projeto tanto em volume quanto em participação do reciclado dentro da base do fio.”


O alcance desse objetivo, porém, passa por barreiras estruturais, ressalta Abreu. “A cadeia não está pronta. Temos pouco tempo de desenvolvimento industrial para a reciclagem têxtil (com) adaptação de maquinário e aquisição de novos equipamentos. Há um ambiente regulatório (política de resíduos sólidos) que está chegando para que a indústria se mexa, em que precisamos nos antecipar.”


Outro ponto levantado por Abreu é a necessidade de investimento para desenvolvimento e escala da cadeia. Para a coleção Pool Loop, o preço — em torno de R$ 179,90 para uma calça feminina — foi fruto de um acordo para diminuição de margens de lucro e otimização de estratégia logística. Ver o potencial de lucratividade do jeans para a cadeia de reciclagem têxtil pode fazer com que o apetite do mercado e dos financiadores impulsione o setor.


“O Brasil recicla 98% do alumínio porque a indústria já se organizou para a entrada e saída desse material ser constante. Toda uma cadeia se organizou para isso. Como a reciclabilidade do alumínio é muito alta, ele tem valor no mercado de reciclagem. O algodão (obtido no jeans) é o material que tem o maior potencial hoje de virar o nosso alumínio”, prevê.


 

Coleta de jeans usados na C&A
Já a C&A, no mês passado, chegou a oito anos do Movimento ReCiclo, estrutura que disponibiliza caixas nas lojas para recolha de roupas usadas e doadas voluntariamente por clientes. A maior parte das peças segue para a doação e uma parte menor é destinada para a fabricação de peças de jeans, que são colocadas à venda por ciclos.


Segundo a empresa, desde 2021, 250 mil peças com materiais reciclados já foram colocadas em circulação. Desse montante, 25 mil foram às lojas em julho. Uma outra coleção, também com 25 mil peças, foi anunciada para chegar às lojas nesta semana.


As peças são identificadas nas etiquetas como jeans circular, mas não há diferenças de qualidade em relação às demais peças, explica a gerente sênior de ESG da C&A, Cyntia Kasai. Desde o início das fabricação dessas peças, ela percebe que a cadeia vem conseguindo evoluir na qualidade do material entregue. A evolução também se deu na possibilidade de ofertas de jeans na cor off-white, em vez de tecidos já tingidos.


“As primeiras cargas de fio tinham nozinhos, eram um pouco mais grossas, e você conseguia perceber um pouco dessas irregularidades no produto final. Viemos em um trabalho muito forte de inovação, para ter cada vez fios mais finos e que trouxessem um acabamento mais coeso.”


Sem abrir valores, Kasai diz que a C&A fez investimentos para que o jeans circular chegasse às lojas com preço semelhante às demais peças, mas avalia que, hoje, com outras empresas investindo no mesmo produto, já se tem um preço mais competitivo. “Conseguimos expandir o volume e esse custo hoje caiu, porque agora também há outros players maiores fazendo o fio reciclado. Há um movimento do setor.”


 

Jeans circular tingido na Youcom
Na Youcom, do Grupo Renner, há um trabalho de “bonificação” dos clientes para estimular à logística circular do jeans. A empresa não paga pelo tecido recebido, mas oferece 15% de desconto na aquisição de uma calça jeans àqueles que levarem uma peça usada a uma loja, em um projeto chamado Jeans for Change.


“Dar o desconto mantém a nossa cadeia circulando, inclusive o jeans com algodão reciclado pode voltar”, diz a diretora de estilo da Youcom, Bárbara Barreira. “O desconto é colocado só no jeans mesmo, porque queremos trabalhar no ciclo do jeans.”


O volume arrecadado por meio da estratégia foi usado na primeira coleção de jeans circular tingido de preto da marca, cujo total de unidades não foi aberto pela empresa. A companhia considerou o tingimento um grande avanço, diante das restrições técnicas que dificultam obter diferentes cores de fibra reciclada já tingida de azul. O processo envolveu um ano de desenvolvimento e de testes de qualidade e durabilidade, e, segundo o diretor de sustentabilidade da Renner, Eduardo Ferlauto, ainda possui limitações.


“Esse reciclado vem a partir de uma tecnologia mecânica processada no Brasil. Não temos ainda, no País, a tecnologia química, e a cor normalmente é definida pela segregação de cores de resíduos que são iguais. Então, o tingimento parte de uma base um pouco disforme. Além disso, essa tecnologia mecânica rompe a fibra, e esse rompimento também gera, em alguns casos, uma disformidade na coloração”, explica.


Barreira acrescenta que as limitações ainda não permitem uma criatividade tão ampla no trato com o jeans reciclado, mas diz que o tecido já está “mais bem resolvido” do que os demais. “Pesquisamos muitos players, inclusive internacionais, e esse é um desafio da indústria. Sabemos que vamos ter que ser insistentes, seguir testando, nos unir a outros players para conseguir gerar essas propostas.”


 

H&M: concorrência ou tendência?
O movimento sincrônico de coro ao jeans circular por grandes varejistas no Brasil ocorre em meio à chegada, em agosto deste ano, de uma grande concorrente internacional ao País, a varejista sueca de moda H&M. A companhia é conhecida por ações públicas relacionadas à sustentabilidade, incluindo coleções com jeans reciclado, e está inaugurando sua terceira loja física no Brasil nesta quinta-feira, 30, com intenção de expandir.


O foco no tecido circular seria uma estratégia competitiva? De acordo com as varejistas ouvidas pelo Estadão, não. As empresas ressaltaram que, se a H&M passar a demandar jeans reciclado de fábricas brasileiras, isso poderá ajudar toda a cadeia a superar alguns gargalos relacionados a volume e aos custos de produção, em um ganho de escala no qual há um benefício comum. Além disso, segundo elas, o movimento pela sustentabilidade parte de uma jornada em crescimento nas empresas no Brasil, sem interferência de uma ação de concorrência.


 

CEO da H&M explica proposta da rede sueca
A professora de cenários do varejo na FIA Business School, Patrícia Cotti, faz a mesma avaliação, pontuando que esse é um movimento que aconteceria independentemente da presença da H&M no País. Para a especialista, que também é diretora de pesquisas do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), a sustentabilidade para essas empresas já saiu de um patamar de diferencial competitivo para algo mandatório, com a mudança de um perfil consumidor cada vez mais exigente com a agenda de sustentabilidade.


“Há muitos consumidores que estão mais preocupados com essas pautas de sustentabilidade. Isso deixou de ser um diferencial e começou a fazer parte do cotidiano do consumo”, diz. “Obviamente que a H&M entrando faz com que as pautas de inovação de negócios sejam aceleradas nas demais empresas, mas é um movimento que, independentemente da H&M, já aconteceria dentro do mercado brasileiro, porque já era uma discussão de algum tempo, mesmo ainda a passos lentos.”


Procurada pelo Estadão, a H&M afirmou que “ainda não pode compartilhar planos específicos para o mercado brasileiro neste momento”. A companhia evitou comentar diretamente sobre a venda de jeans circular na subsidiária, mas informou que a sustentabilidade está no centro do negócio, incluindo investimentos em modelos circulares e reciclagem têxtil.


“Para nós, a forma como crescemos é fundamental. Não se trata de vender mais, mas de ampliar nossas fontes de receita, tendo a sustentabilidade no centro de tudo o que fazemos. Isso inclui, por exemplo, novos investimentos e o desenvolvimento de modelos de negócio circulares, como recomércio (revenda), reparo ou tecnologias de reciclagem para têxteis pós-consumo”, diz a varejista sueca.

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