O estado de Santa Catarina, reconhecido nacionalmente pela sua produção têxtil, também é referência no trabalho com o algodão brasileiro. Entre os dias 3 e 6 de agosto, o polo têxtil do estado recebeu a visita técnica dos consultores da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que querem entender como as fiações do estado conseguem produzir toneladas de fios usando apenas o algodão brasileiro.
Qualidade e produtividade
O Brasil lidera as exportações de algodão no mundo, porém indústrias de fiações asiáticas enfrentam alguns desafios ao trabalharem com o algodão brasileiro. Os principais deles estão relacionados à contaminação e pegajosidade da fibra, que afetam o rendimento no processo industrial.
A presença das cascas do caroço do algodão, de microplásticos e de pegajosidade na pluma, requer pausas constantes na produção, para que sejam realizadas limpezas nas máquinas industriais. Esse processo acaba por diminuir a produtividade de fios por hora de trabalho. A depender da quantidade de contaminação presente na pluma utilizada, o maquinário pode quebrar e gerar prejuízos para as fiações.
Edson Mizoguchi, gerente de qualidade da Abrapa, explica que essas “características ocasionalmente encontradas no algodão brasileiro se devem principalmente a fatores externos. No caso da pegajosidade, a presença de pragas como a mosca branca, deixa a fibra mais pegajosa, o que dificulta o trabalho das máquinas de fiação. Em relação às questões de contaminação, problemas relacionados ao seed-coat e ao plástico, se devem ao processo desde a colheita ao beneficiamento.”.
Desafios e melhores práticas para a utilização do algodão brasileiro
Esses aspectos, não geram um impacto tão grande nas fiações do país, que trabalham na sua imensa maioria apenas com a matéria-prima nacional. Para levar o conhecimento da indústria têxtil nacional para os compradores estrangeiros do algodão brasileiro, Varun Vaid, consultor do Wazir Advisors, está trazendo cases de Santa Catarina para fazerem parto do workshop “Desafios e melhores práticas para a utilização do algodão brasileiro em fiações”, que compõe a agenda da edição 2025 da Missão Compradores. O workshop será ministrado no dia 07 de agosto, em Brasília, para os participantes da Missão.
Para o Diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, “A Missão Compradores nos dá oportunidades para compartilhar conhecimento sobre o algodão brasileiro diretamente com os clientes. É importante poder apresentar a eles todos os aspectos da fibra brasileira, e ensiná-los como contornar possíveis problemas.”
Missão compradores
A Missão Compradores é um evento realizado anualmente pela Abrapa, através do programa de promoção do algodão brasileiro para o mercado internacional, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e a Agência Nacional de Exportadores de Algodão (Anea). Desde 2015, a iniciativa traz ao Brasil compradores da pluma para conhecerem o algodão brasileiro através de uma imersão na realidade da cotonicultura no país.
Foco em qualidade
A qualidade é uma área estratégica para a atuação da Abrapa em 2025, ano em que realizou encontros de qualidade da fibra e workshops em três dos principais estados produtores do Brasil. Somente em Mato Grosso, mais de 200 profissionais foram certificados para atuarem como inspetores de qualidade em Unidades de Beneficiamento de Algodão (UBA).
Equipe de especialistas em qualidade realiza visita técnica ao polo têxtil de Santa Catarina para levar soluções ao mercado têxtil internacional
O estado, que lidera a produção têxtil do país, é referência no uso do algodão brasileiro em fábricas e fiações
07 de Agosto de 2025



