Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 15/08/2025
ALGODÃO PELO MUNDO #32/2025
15 de Agosto de 2025
15 de Agosto de 2025
21 de Janeiro de 2026
16 de Janeiro de 2026
15 de Agosto de 2025
O algodão é a fibra têxtil vegetal mais comercializada no mundo, sendo o Brasil o terceiro maior produtor global, exportando essa matéria-prima para mais de 150 países. No cenário internacional, há uma crescente exigência por práticas de sustentabilidade, rastreabilidade e conformidade social e ambiental.
Nesse contexto, a BCI - Better Cotton Initiative surge como referência mundial de sustentabilidade no setor algodoeiro, com o objetivo de melhorar o algodão tanto para os agricultores quanto para todos os interessados em seu futuro. A iniciativa também promove o cultivo sustentável e busca padronizar os processos por meio da criação de normas, princípios e critérios.
No Brasil, o setor é liderado pela ABRAPA - Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, que, entre seus pilares de atuação, destaca-se pela ênfase na rastreabilidade, permitindo traçar um mapa fiel da produção do algodão nacional, por meio de duas iniciativas: o SAI - Sistema Abrapa de Identificação e a SouABR - Algodão Brasileiro Responsável.
Desse modo, o presente artigo discute como a tecnologia blockchain se consolida como instrumento jurídico e tecnológico fundamental para garantir a rastreabilidade segura da cadeia do algodão, respondendo às demandas globais por sustentabilidade e governança.
A iniciativa SAI desenvolveu um sistema que, por meio de uma etiqueta de identificação semelhante ao "CPF", permite rastrear com exatidão o fardo: da fazenda onde foi colhido, à usina de beneficiamento, passando pelo laboratório responsável pela análise da qualidade da fibra. Entre suas vantagens, destacam-se o sistema único e confiável de identificação dos fardos, a agilidade na obtenção dos resultados de classificação pelos laboratórios e facilidade da comercialização nos mercados interno e externo.
Já a iniciativa SouABR é a pioneira na rastreabilidade em larga escala da indústria têxtil brasileira por meio da tecnologia blockchain. A partir de um QR Code na etiqueta da peça de roupa, o consumidor consegue acompanhar toda a trajetória da peça, desde o plantio do algodão certificado até o produto final.
Nesse ínterim, cabe esclarecer o conceito de blockchain; entretanto, é imprescindível explicar, antes mesmo, o que é o Bitcoin. O conceito de Bitcoin está apoiado em três grandes pilares: hardware, software e criptoativo. O hardware compreende o conjunto de dispositivos físicos que formam uma rede de computadores descentralizada que servem como mineradores ou validadores, enquanto o software refere-se à blockchain, ao gerador de pares de chave e às regras do protocolo. Por fim, o criptoativo é o pagamento do software para o hardware e desempenha a função de moeda em um sistema de pagamentos.
Portanto, quando nos referimos a blockchain, tratamos de um componente do Bitcoin enquanto software. A blockchain é uma rede descentralizada e distribuída por computadores, que registram de forma imutável, transparente e segura dados, informações e operações. Sendo assim, uma tecnologia de registro distribuído, público, pseudônimo e auditável, que funciona como livro razão. O principal diferencial da blockchain é que não existe autoridade central ou intermediário, portanto, a confiança está exclusivamente na tecnologia.
A partir da blockchain do Bitcoin, surgiram diversas redes blockchain que funcionam de maneiras diferentes. A iniciativa SouABR utiliza a blockchain da Polygon para fazer o registro da cadeia de suprimentos, essa rede é uma sidechain da blockchain Ethereum, ou seja, funciona de forma paralela à rede principal.
A blockchain da Ethereum inovou implementando na sua estrutura a possibilidade de criar um código computacional executável, que seriam os smart contracts. O conceito de smart contracts, embora a expressão possa ser traduzida literalmente como "contratos inteligentes", esse não se enquadra como categoria contratual nos moldes do ordenamento jurídico brasileiro, em síntese, são cláusulas de execução automática.
No caso da SouABR, utiliza-se um smart contract para registrar, na blockchain, todas as etapas da cadeia produtiva do algodão, desde o plantio até a chegada da peça de vestuário no varejista. A blockchain funciona como livro-razão, cuja versão original está em todos os nós da rede. As regras de funcionamento do protocolo garantem a execução, validando a ordem de inserção dos dados e operações com transparência. Dessa forma, qualquer interessado pode acessar essas informações de forma segura. Além disso, a própria estrutura descentralizada da rede torna praticamente inviável e extremamente onerosa qualquer tentativa de violação, o que garante elevados níveis de segurança e confiabilidade. Por fim, a integridade dos registros é preservada por meio do mecanismo de consenso entre os validadores, que atestam a autenticidade de cada bloco incluído na cadeia.
Assim, a iniciativa utiliza a tecnologia fazendo o registro dos dados em blocos que juntos formam uma rede, cada bloco é autenticado, validado e colocado em sequência, de forma imutável e inviolável. Cada bloco na rede contém uma lista de transações com timestamp, indicando a data e hora exatas. Portanto, o registro se torna uma prova concreta e cabal resistente a adulteração.
Diversos países já reconheceram a validade jurídica da tecnologia blockchain e regularam a matéria, contudo, há ainda um longo caminho a ser percorrido. No Brasil, a matéria ainda está em processo de regulação, sendo tema de diversas consultas públicas do BACEN - Banco Central e de resoluções da CVM - Comissão de Valores Mobiliários, além da sanção da lei 14.478/22 que dispõe sobre a regulamentação das prestadoras de serviços de ativos virtuais.
De acordo com Freire (2021), a natureza jurídica da blockchain, considerando apenas o aspecto da tecnologia distribuída e descentralizada de registro eletrônico de dados deve ser definida juridicamente como "obra", pois trata-se de uma criação intelectual do domínio científico expressa por meio de código e da internet, nos termos do art. 1º do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos.
Quanto a natureza jurídica do smart contract, essa não é cristalina, segundo Leandro Gobbo (2023, v.22, p.25): "smart contracts são instrumentos cujo objetivo é viabilizar a realização de negócios diferidos no tempo, formalizados por meio de código de computador, escritos em linguagem formal e de exequibilidade automática."
Além disso, o registro em blockchain consolida-se como prova digital dos atos jurídicos ao longo da cadeia de suprimentos, preservando as posições jurídicas envolvidas. Não obstante, o próprio CPC, no art. 369, permite o emprego de qualquer meio de prova para corroborar a verdade dos fatos. Por sua vez, a blockchain também garante a cadeia de custódia da prova, por conta das características intrínsecas da própria tecnologia que geram uma lista de transações por ordem cronológica, que são auditáveis, transparentes e seguras, atendendo aos critérios de cronologia, integridade, autenticidade e idoneidade da prova, previstos do art. 158-A e seguintes do CPP.
A aplicação da tecnologia blockchain no rastreio do algodão brasileiro representa um marco na modernização da produção têxtil. As iniciativas SAI e SouABR demonstram como a inovação pode atender às crescentes demandas por sustentabilidade, confiabilidade e governança no mercado global. O uso da tecnologia blockchain como instrumento de registro da cadeia de suprimentos tem potencial para transformar as relações comerciais, fortalecendo os vínculos entre todos os agentes da atividade produtiva.
A regulação ainda é uma incógnita, mas o potencial transformador dessa tecnologia em todas as áreas é imensurável, uma vez que o presente artigo tratou da tecnologia somente no viés do registro, cuja viabilidade jurídica foi demonstrada ao longo do texto. Portanto, é inevitável o uso da blockchain nas atividades produtivas, não sendo possível ignorá-la em detrimento do crescimento econômico. Assim, no futuro próximo, espera-se a integração entre a tecnologia e a regulação.
Rafaela Montanari Aguiar Rey Lima
Advogada, formada em Direito pelo UniCEUB, pós-graduada pela Residência Jurídica do Programa de Carreiras da OAB/DF e, atualmente, cursando MBA em Blockchain e Criptoativos pela Trevisan.
21 de Janeiro de 2026
16 de Janeiro de 2026
14 de Agosto de 2025
Na sua 15ª edição, o Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), que acontecerá na capital mineira, Belo Horizonte, já começou a ser organizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).
Com data marcada para os dias 22 a 24 de setembro de 2026, o evento será sediado no Expominas BH, local que reflete a importância e a relevância do Congresso. Nesta edição, o CBA pretende alcançar o maior número de participantes e expositores dos últimos anos. Em 2024, o Congresso contou com a presença de 3.327 congressistas inscritos.
Sucesso com recorde histórico
Na 14ª edição, realizada em Fortaleza (CE), o CBA bateu recordes de patrocinadores, expositores e participantes, reunindo 4.200 visitantes, entre agricultores, executivos e pesquisadores.
A programação incluiu 114 palestras, 6 plenárias e 19 hubs temáticos relacionados à cadeia produtiva do algodão. Além disso, foram apresentados 288 trabalhos científicos que trouxeram atualizações para o setor, abrangendo desde a semente até os diversos usos industriais do algodão.
Tradição mineira em destaque
Minas Gerais é um dos estados brasileiros mais reconhecidos pela produção têxtil. O Norte de Minas figura entre as maiores regiões produtoras de algodão do país, responsável por cerca de 65 mil toneladas de pluma, na safra 2023/2024.
Com um número expressivo de indústrias e microempresas voltadas à confecção de roupas e acessórios de moda, as malhas produzidas no estado são importantes impulsionadoras do desenvolvimento econômico do Sul de Minas, consolidando a região como referência nacional no setor. Em Belo Horizonte, o comércio de roupas e tecidos é aquecido e recebe milhares de compradores e revendedores todos os anos.
De acordo com o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, a produção algodoeira do estado é forte e inovadora. “A produção algodoeira do Norte de Minas se destaca no cenário nacional e garante ao estado o posto de terceiro maior produtor nacional. Esse desempenho é resultado da dedicação dos cotonicultores mineiros, que têm qualificação técnica e estão sempre em busca da melhoria contínua da qualidade da fibra”, ressaltou Piccoli.
Segundo ele, “Minas Gerais é um estado estratégico para o algodão brasileiro, pois ele está envolvido em toda a sua cadeia produtiva, do cultivo ao comércio”.
Comissão de experts do algodão
Para a edição de 2026, a comissão organizadora do CBA será formada por profissionais experientes no setor. Com o objetivo de garantir a representatividade de toda a cadeia produtiva, a comissão contará com sete membros, entre produtores, lideranças e especialistas da pluma.
A produtora rural e presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Alessandra Zanotto, será uma das duas mulheres que integrarão a comissão responsável pela 15ª edição do CBA. Para Zanotto, o Congresso é o maior ponto de encontro da cadeia do algodão no Brasil. Ela também destacou que, neste ano, o evento tende a ampliar seu alcance. “A cada edição, vemos avanços nas discussões sobre inovação, sustentabilidade, mercado e políticas públicas, reunindo produtores, pesquisadores, empresas e instituições em um mesmo propósito. Isso fortalece a competitividade do nosso algodão, amplia nossa visibilidade no cenário nacional e internacional e inspira novas gerações a se engajarem nessa cadeia que move a economia e gera impactos sociais positivos em todo o país”, afirmou.
Como integrante da comissão organizadora, Zanotto disse estar otimista: “Tenho certeza de que a próxima edição vai superar expectativas e deixar um legado ainda mais forte para a cotonicultura brasileira”.
Quem fará parte da comissão organizadora do CBA 2026?
Gustavo Viganó Piccoli
Produtor rural e pioneiro no cultivo de algodão no município de Sorriso (MT). Com 25 anos de atuação no agronegócio, cultiva algodão, soja e milho. Presidiu a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA) e integrou diretorias de cooperativas agrícolas como COOAMI e Coabra. Após dois mandatos como vice-presidente, assumiu em 2024 a presidência da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), comprometido em manter os padrões de confiança e sustentabilidade que consolidaram a entidade como referência no setor.
Alessandra Zanotto Costa
Produtora rural e sócia-diretora no Grupo Zanotto, tem fortalecido sua liderança no agro pautada no empoderamento feminino em posições de decisão. Integra os comitês Women in Cotton da International Cotton Association (ICA) e Forbes Mulher Agro, representando o Brasil. Em janeiro de 2025, tornou-se presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), após passagem como vice-presidente e como conselheira fiscal da Abrapa. Sob sua liderança no Grupo Zanotto, destaca-se a gestão com foco em sustentabilidade (econômica, ambiental e social) e governança.
Carlos Alberto Moresco
Administrador de empresas com trajetória consolidada em gestão e agricultura sustentável. Atua como diretor de carga da GM Agrícola e Algodoeira há 17 anos e já presidiu a Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa) e o Instituto Goiano de Agricultura (IGA) por seis anos. Atualmente é o 1º Secretário da Abrapa.
Marcelo Duarte
Mestre em Comércio Agrícola pela Lincoln University (Nova Zelândia), possui MBA pela FGV e foi pesquisador visitante na Universidade de Illinois, após graduar-se em Administração pela UFMT. Atualmente, exerce o cargo de diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e integra conselhos ligados ao agronegócio no Brasil e no exterior.
Na função, coordena o escritório avançado da Abrapa em Singapura e lidera o Cotton Brazil, programa internacional de desenvolvimento de mercado do algodão brasileiro.
Marcio Portocarrero
Engenheiro agrônomo com mais de 45 anos de experiência. Pós-graduado pela OEA em Desenvolvimento Regional e pelo Instituto Histradut (Israel) em Agroindústria e Cooperativismo. Já foi Secretário Nacional de Desenvolvimento Agropecuário e Secretário de Meio Ambiente, Cultura e Turismo de MS. Desde 2011, é Diretor Executivo da Abrapa.
Orcival Gouveia Guimarães
Produtor rural, empresário agropecuário e sócio proprietário da Guimarães Agropecuária e Boa Esperança Agropecuária. É presidente da AMPA (Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão), representando o setor em âmbito estadual e nacional, com ampla experiência em gestão agrícola.
Silmara Ferraresi
Bacharel em Letras pela Uneb, com MBA em Liderança, Inovação e Gestão 3.0, além de especialização em ESG e Reputação. É diretora de Relações Institucionais da Abrapa e, desde 2016, gestora do movimento Sou de Algodão.
Para acompanhar todas as novidades sobre o CBA, siga a página oficial no Instagram: @congressodoalgodao
21 de Janeiro de 2026
16 de Janeiro de 2026
14 de Agosto de 2025
Na tarde desta quarta-feira,13/08, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez um aceno ao setor algodoeiro, no seu discurso durante o lançamento do Plano Brasil Soberano.
O plano, que oferece alternativas aos setores da economia que estão sendo diretamente afetados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, foi publicado como Medida Provisória que, além de garantir linhas de crédito, também traz outras propostas que podem mitigar, a curto e médio prazo, os problemas gerados pela reorganização da economia global.
Dentre as propostas, o monitoramento dedicado, que reconhece a vulnerabilidade gerada pelo cenário econômico aos setores indiretamente afetados, pode incluir a cadeia do algodão nas medidas de contenção dos danos.
Confira os principais pontos do plano:
Acesso a linhas de crédito privilegiadas
A MP libera R$ 30 bilhões para exportadores afetados, esses recursos são destinados ao Fundo Garantidor das Exportações e estarão disponíveis a custo reduzido, o que proporciona fôlego financeiro aos setores.
Seguro-exportação fortalecido
A criação de um sistema robusto de seguro para exportadores, com apoio de fundos garantidores, amplia a segurança frente aos riscos do comércio internacional. Isso é especialmente relevante para produtos sujeitos a oscilações de demanda e preços.
Ampliação do Reintegra — incentivo tributário
O programa Reintegra, que devolve parte dos tributos incidentes sobre exportações em forma de crédito tributário, será ampliado. Isso pode reduzir os custos totais de exportação.
Compras governamentais e flexibilidade regional
A MP autoriza que estados e municípios comprem produtos que originalmente seriam exportados, como perecíveis, ainda que o destaque tenha sido para esse tipo de alimento, o mecanismo pode, em tese, ser estendido ou adaptado para outros produtos estratégicos.
21 de Janeiro de 2026
16 de Janeiro de 2026
13 de Agosto de 2025
A conquista, alcançada pela primeira vez no ano comercial anterior, representa não apenas um avanço em volumes embarcados, mas também a maturidade de um setor que alia tecnologia, sustentabilidade e estratégia comercial para se destacar entre os maiores players globais.
Em entrevista exclusiva ao Broto, Marcio Portocarrero, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), comenta que essa liderança coroa um modelo produtivo altamente profissionalizado. “Mais do que volume, essa conquista reflete um modelo de produção sustentável e rastreável, coordenado pela Abrapa em parceria com as associações estaduais. O protagonismo brasileiro amplia nossa presença em mercados exigentes e posiciona o Brasil como referência global”, afirma.
O programa Cotton Brazil, idealizado pela Abrapa em parceria com a ApexBrasil e apoio da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), tem papel central nesse resultado. Lançado em 2020 para promover a pluma brasileira no mercado internacional, o programa nasceu com a meta de tornar o Brasil líder nas exportações até 2030. A meta, no entanto, foi antecipada em seis anos — um indicativo da eficácia da iniciativa.
De acordo com Marcelo Duarte Monteiro, diretor de Relações Internacionais da Abrapa, o Cotton Brazil mapeou os dez maiores mercados importadores do mundo — entre eles Bangladesh, China, Vietnã, Paquistão e Indonésia —, responsáveis por mais de 90% das compras globais. “Com missões internacionais, comunicação qualificada e um escritório em Singapura, conseguimos promover não só a fibra brasileira, mas também defender o algodão como uma fibra natural de excelência”, explica.
Em 2024/25, o Brasil exportou 2,837 milhões de toneladas de algodão em pluma, superando concorrentes tradicionais como os Estados Unidos e consolidando a liderança global. Tal volume, de acordo com dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e analisados pela DATAGRO, representa ainda um aumento de 0,1% ante 2023/24.
Essa praticamente manutenção acontece sem comprometer o abastecimento interno: “Atendemos 99% da demanda das indústrias têxteis brasileiras. O consumo doméstico está em torno de 720 mil toneladas, e a produção nacional permite atender ambos os mercados com segurança”, afirma Portocarrero.
Um dos grandes trunfos do algodão brasileiro está na capacidade de garantir a rastreabilidade e a certificação socioambiental de grande parte da safra. Segundo Portocarrero, mais de 85% da produção nacional passa por auditorias em critérios ASG, e 100% dos fardos são rastreados por meio do Sistema Abrapa de Identificação (SAI), que utiliza QR codes e códigos de barras padronizados pela GS1 Brasil.
Esse sistema permite rastrear a fibra desde a origem, com informações detalhadas sobre a fazenda produtora, certificações, unidade de beneficiamento e qualidades intrínsecas da pluma. “Trata-se de um diferencial competitivo que garante transparência e atende às demandas de um mercado cada vez mais exigente”, afirma Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa.
No mercado interno, o movimento Sou de Algodão, criado pela Abrapa em 2016, vem construindo uma nova percepção sobre a fibra junto ao consumidor final. A iniciativa atua na valorização da moda consciente e da produção responsável, conectando a cadeia produtiva com marcas, estilistas, universidades e o público geral.
O projeto já conta com quase 1.800 marcas parceiras, mais de 110 milhões de tags distribuídas e parcerias com 14 universidades e 17 instituições. “A moda é uma poderosa ferramenta de comunicação, e o Sou de Algodão nos ajuda a mostrar ao consumidor que ele pode fazer escolhas mais responsáveis. Com um simples QR code na etiqueta da roupa, é possível saber toda a origem da peça”, destaca Silmara.
Além da atuação nas passarelas da São Paulo Fashion Week e no e-commerce — com loja própria no Mercado Livre —, o movimento lançou o programa SouABR, que une rastreabilidade digital com certificação socioambiental. O piloto já envolveu 99 fazendas, 79 produtores, milhões de quilos de fios e centenas de milhares de peças rastreadas. “É um marco que reforça nosso compromisso com a moda ética e transparente”, complementa Silmara.
Embora haja uma concentração significativa da produção nos estados de Mato Grosso e no oeste da Bahia, a Abrapa busca incentivar e ampliar a cotonicultura em outras regiões do Brasil, superando a alta complexidade técnica e os elevados investimentos que a cotonicultura exige em maquinário, manejo e controle fitossanitário.
Nessa linha, estados como Goiás, Minas Gerais, Maranhão, Piauí e Ceará têm recebido investimentos em capacitação técnica, transferência de tecnologia e infraestrutura de escoamento. “Temos bons exemplos em Catuti (MG) e Guanambi (BA), onde pequenos produtores se organizaram em cooperativas e obtêm bons resultados”, relata Portocarrero.
Paralelamente, grandes produtores vêm investindo em tecnologias inovadoras, como biofábricas para controle biológico de pragas, drones para aplicação dirigida e uso de ferramentas de georreferenciamento para aumento da eficiência, o que também contribui positivamente para a expansão da cadeia.
Segundo Portocarrero, essas práticas já permitem a substituição de até 24% dos defensivos químicos por insumos biológicos, percentual esse que deverá continuar crescendo progressivamente nos próximos anos.
Um dos pilares do modelo produtivo brasileiro é o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que certifica as boas práticas trabalhistas e ambientais das propriedades produtoras.
Segundo Portocarrero, a certificação melhora a gestão, aumenta a produtividade, reduz riscos legais e fortalece o acesso a mercados mais exigentes. “Além disso, o processo contribui para o engajamento das equipes e a adoção de tecnologias mais sustentáveis”, explica.
Atualmente, cerca de 83% da produção brasileira é certificada pelo ABR e também licenciada pelo programa internacional Better Cotton. Aproximadamente 93% da safra nacional é cultivada com água da chuva — outro diferencial relevante em tempos de escassez hídrica em outras partes do mundo.
Apesar do avanço nas exportações, a Abrapa defende que o crescimento do setor ocorra com responsabilidade e planejamento de mercado. Isso porque a demanda global por algodão está relativamente estável há mais de 12 anos, enquanto as fibras sintéticas seguem crescendo a taxas superiores a 5% ao ano.
“Não podemos incentivar uma expansão descontrolada. O mundo precisa voltar a consumir mais fibras naturais para que haja espaço para mais algodão”, alerta Portocarrero.
Nesse sentido, a entidade tem defendido campanhas globais de conscientização sobre os impactos ambientais das fibras sintéticas, que derivam de combustíveis fósseis e geram microplásticos. “Acreditamos que o algodão, por ser renovável, reciclável e de menor impacto ambiental, tem um papel central na construção de uma moda mais ética e sustentável”, diz.
21 de Janeiro de 2026
16 de Janeiro de 2026
11 de Agosto de 2025
Estão abertas oficialmente as inscrições para terceira turma da Brazilian Cotton School, com aulas previstas entre os dias 9 e 27 de março de 2026. A primeira semana de aulas ocorre em Brasília (DF), na sede da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e, as duas semanas seguintes, em São Paulo (SP), totalizando em mais de 120 horas de aulas presenciais.
Dentro do cronograma de ensino do curso, os alunos têm acesso a materiais exclusivos, com temas que vão, desde a história do algodão no mundo, até a negociação de um contrato futuro na bolsa de valores, passando por planejamento agrícola e financeiro da produção, plantio e cuidados na lavoura - incluindo sementes, fertilizantes e crop protection -, além de noções sobre colheita e benefício.
Na última edição, mais de 50 mentores ministraram as aulas, com nomes importantes de dentro da cadeia do algodão. A turma também teve acesso a abordagens de aspectos jurídicos, financeiros e fiscais do setor no Brasil e no mundo, como a arbitragem, conhecimento sobre tradings, inovação, qualidade da fibra, logística, armazenamento, controle e opções (hedge school).
O público-alvo da escola é formado por representantes da produção agrícola, beneficiamento, indústria, comerciantes, consultores de mercado e governo. “Muitos dos interessados procuram a escola por indicação dos participantes das turmas anteriores, o que nos dá a percepção de que o conteúdo e o formato do curso atingem o objetivo de oferecer uma visão inteira da cadeia do algodão, desde o plantio até a formação do fio em tecido ou malha”, declarou Jonas Nobre, diretor-executivo da escola.
Uma dessas alunas é Bianca Frohlich, comercial de Originação da Metasul Comércio Ltda, que fez parte da turma de 2025. “Participar da 2ª turma do Brazilian Cotton School foi uma experiência que marcou minha trajetória de forma muito especial”, conta ela. “Tive a chance de mergulhar fundo nos temas técnicos que envolvem toda a cadeia do algodão — do campo à indústria — com uma abordagem prática, direta e conectada à realidade do mercado. Cada módulo foi uma aula, não só de conteúdo, mas também de visão estratégica”, resumiu a profissional. A aluna também cita o convívio com profissionais de diferentes áreas do setor. “Uma troca riquíssima! Foi um verdadeiro networking de valor, com conversas que viraram aprendizados, aprendizados que viraram novas formas de enxergar o negócio e colegas que viraram amigos”, declarou Frohlich.
Novidade para 2026
A inovação da Brazilian Cotton School para a turma de 2026 é a abertura da escola para participantes internacionais. Caso haja um número relevante de interessados de fora do país, as aulas contarão com tradução simultânea para o inglês. Esta foi uma demanda percebida pela escola nas edições anteriores. A própria escola também nasceu a partir da demanda de produtores rurais, traders, indústria e corretores e segue modelos internacionais, sendo uma iniciativa conjunta entre a Associação Brasileira do Produtores de Algodão (Abrapa), Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM).
Visitas técnicas
Além do conteúdo em sala de aula, o cronograma do curso inclui visitas a fazendas produtoras, ao Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), escolas técnicas e ao Porto de Santos (SP), representando uma oportunidade única para que os alunos conheçam de perto diferentes elos da cadeia do algodão brasileiro.
As inscrições seguem até o dia 30 de outubro no site: www.braziliancottonschool.com.br
Informações para a Imprensa
Sara Kirchhof
secretaria@braziliancottonschool.com.br
(11) 9 14711522
21 de Janeiro de 2026
16 de Janeiro de 2026
08 de Agosto de 2025
Destaque da Semana - Agosto marca o início oficial do ano comercial 25/26. Brasil recebe missão internacional com fiações dos países que representam 80% da demanda internacional de algodão. A missão percorreu as principais regiões produtoras do país nesta semana.
Canal do Cotton Brazil - Receba informações exclusivas sobre o mercado de algodão clicando aqui: https://bit.ly/Canal-CottonBrazil.
Algodão em NY – O contrato Dez/25 fechou nesta quinta 07/ago cotado a 66,43 U$c/lp (-1,2% vs. 31/jul). O contrato Dez/26 fechou em 68,65 U$c/lp (-0,7% vs. 31/jul).
Basis Ásia – Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 691 pts para embarque Out/Nov-25 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 31/jul/25.
Altistas 1 - Os mercados financeiros chineses estão se recuperando do impacto inicial do “Tarifaço”, trazendo um otimismo cauteloso para uma possível recuperação do mercado têxtil no próximo ano.
Altistas 2 - Apesar da cautela ainda predominar nas compras a médio prazo, Vietnã, Bangladesh e Indonésia têm comprado visando entrega imediata, incluindo algodão brasileiro.
Altistas 3 - Na sua previsão de julho, o FMI projetou crescimento global de 3,0% para 2025 e 3,1% para 2026, uma revisão para cima em relação às previsões de abril.
Baixistas 1 - Mesmo assim, esses números continuam abaixo do crescimento global de 3,3% registrado em 2024, sinalizando uma desaceleração da economia mundial.
Baixistas 2 - Segundo o FMI, persistem riscos de baixa devido a possíveis aumentos de tarifas, elevada incerteza e tensões geopolíticas.
Baixistas 3 - Por enquanto, a safra americana está indo bem, sem seca e em condições muito melhores que no mesmo período do ano passado.
Agenda - O mercado aguarda os números de oferta e demanda de Agosto do USDA que serão divulgados na próxima terça-feira (12).
Missão Compradores 1 - Delegação de representantes de fiações dos 6 maiores países importadores de algodão, que representam 80% das importações globais, participaram da 9ª edição da Missão Compradores Cotton Brazil.
Missão Compradores 2 - O grupo visitou fazendas de algodão, algodoeiras e laboratórios nos estados de Mato Grosso, Bahia e Goiás ao longo da semana.
Missão Compradores 3 - Comprimento, resistência e coloração da pluma agradaram Tahrin Aman, da Aman Spinning Mills, de Bangladesh. “O Brasil é um importante fornecedor e queremos comprar mais e mais deste algodão”, disse.
Missão Compradores 4 - A agenda técnica terminou em Brasília com um workshop sobre qualidade e sustentabilidade do algodão Brasileiro.
Missão Compradores 5 - A Missão Compradores é uma iniciativa do Cotton Brazil, sendo realizada em parceria com ApexBrasil e Anea com os objetivos de aumentar as exportações e a valorizar o algodão brasileiro.
EUA - O USDA reportou estabilidade nas condições das lavouras de algodão em 3/ago, com 55% das lavouras como "boa a excelente", acima dos 45% do ano passado
China 1 - As exportações chinesas de têxteis e vestuário atingiram US$ 26,766 bilhões em julho, com ligeira queda anual. Desse total, US$ 11,604 bilhões foram de têxteis e US$ 15,162 bilhões de artigos de vestuário.
China 2- No acumulado de jan a jul/2025, o volume exportado chegou a US$ 170,741 bilhões, registrando crescimento de 0,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Bangladesh 1 - Segundo notícias locais, produtos de vestuário de Bangladesh com pelo menos 20% de algodão dos EUA terão tarifa de 20% aplicada apenas sobre a parte não americana, aumentando competitividade contra Índia, Vietnã e Paquistão.
Bangladesh 2 - Os exportadores precisarão comprovar a porcentagem e valor do algodão americano usado. A Associação de Fabricantes e Exportadores de Confecções de Bangladesh trabalha em sistema de documentação para atender as exigências dos EUA.
Bangladesh 3 - A medida pode impulsionar a importação de algodão dos EUA para Bangladesh, com potencial para cerca de 476 mil tons após a implementação.
Bangladesh 4 - Com essa nova regra dos EUA, as compras de algodão brasileiro por Bangladesh tendem a cair. Na última temporada, o Brasil foi o 2º maior fornecedor (16,11%), atrás da Índia (19,4%), com Benin (12,03%) e EUA (10,12%) em seguida.
Índia 1 - O governo indiano informou que as importações de algodão do Brasil aumentaram 10x nesta temporada. Os embarques brasileiros saltaram de 11,5 mil tons em 2023/24 para 111,4 mil tons até mai/2025.
Índia 2 - As compras dos EUA também dobraram, passando de 45,7 mil tons para 89,3 mil tons, com forte demanda por fibras extra longas.
Índia 3 - A indústria têxtil indiana pede o fim da taxa de 11% sobre algodão importado, com produção doméstica no nível mínimo em 15 anos e preços acima do mercado internacional.
Índia 4 - Os EUA anunciaram nova tarifa adicional de 25% sobre produtos indianos, válida a partir de 27/ago, elevando a carga tributária total para 50% quando combinada com tarifa já existente. O setor têxtil está entre os principais impactados pela medida.
Paquistão - Setor têxtil paquistanês recebe com cautela tarifa de 19% sobre exportações para EUA, valor 10% menor que o inicialmente ameaçado, garantindo vantagem competitiva frente a outros exportadores regionais.
Turquia - Os EUA anunciaram tarifa de 15% sobre produtos turcos a partir de 8/ago, com o fim da pausa prolongada em tarifas "recíprocas". A medida afetará diretamente as exportações têxteis do país para o mercado norte-americano.
Exportações 1 - As exportações brasileiras de algodão somaram 127,1 mil tons em jul/2025, queda de 24% em relação ao volume exportado no mesmo mês em 2024.
Exportações 2 - No acumulado de ago/24 a jul/25, as exportações brasileiras de algodão somaram 2,83 milhões tons, alta de 5,8% em comparação com ago/23-jul24. O volume exportado foi recorde.
Colheita 2024/25 - Até ontem (07), foram colhidos no estado da BA 40,56%, GO 69,36%, MA 60%, MG 66%, MS 76%, MT 27%, PI 79,7%, PR 95% e SP 95%. Total Brasil: 33,56%
Beneficiamento 2024/25 - Até ontem (07), foram beneficiados nos estados da BA 30%, GO 23,9%, MA 8%, MG 29%, MS 28,5%, MT 4%, PI 33,5%, PR 90% e SP 100%. Total Brasil: 11,15%
Preços - Consulte tabela abaixo ⬇
Quadro de cotações para 07-08
Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com
21 de Janeiro de 2026
16 de Janeiro de 2026
08 de Agosto de 2025
A iniciativa tem como objetivo aproximar o Brasil dos maiores compradores internacionais, encerrou a sua edição deste ano oferecendo aos clientes da pluma brasileira uma verdadeira imersão na cotonicultura nacional, da lavoura aos laboratórios de classificação.
A edição de 2025, realizada entre os dias 3 e 9 de agosto, encerrou suas visitas ao campo na Fazenda Pamplona, em Cristalina (GO), onde os 20 executivos de grandes grupos industriais conheceram a agricultura de precisão e os processos de controle de qualidade da pluma, que garantem ao algodão brasileiro uma reputação de excelência junto às maiores marcas globais.
Iniciativa conjunto em prol do algodão brasileiro
Criada em 2015, a iniciativa realizada pela Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), através do programa Cotton Brazil, em parceria com a Agência Brasileira de Exportações (Apex) e com a Associação Nacional de Exportadores de Algodão (Anea), traz ao Brasil, todos os anos, representantes de grandes indústrias têxteis do mundo para conhecer de perto como se produz um dos algodões mais sustentáveis e rastreáveis do planeta.
Neste ano, estiveram presentes na missão representantes vindos da Turquia, Índia, China, Paquistão, Bangladesh e Vietnã, países que, juntos, representaram 84% das exportações brasileiras da fibra entre agosto de 2024 e julho de 2025.
A programação passou por três estados-chave da produção nacional. Além de visitarem uma unidade produtiva no estado do Goiás, os visitantes também estiveram no Mato Grosso, onde conheceram propriedades com alta escala produtiva, práticas regenerativas e manejo sustentável do solo. E na Bahia, onde o grupo teve contato com fazendas que usam sistemas integrados de lavoura e pecuária.
No último dia missão, em Brasília, os compradores tiveram a oportunidade de participar de workshops sobre a fibra brasileira. Na parte da manhã aconteceram palestras sobre qualidade, durante a tarde, o foco das conversas foi sustentabilidade e cases reais das fazendas de algodão brasileiras. Entre as principais palestras do dia, a Diretora de ESG do Grupo Amaggi, Juliana Lopes, apresentou o projeto de carbono zero e agricultura regenerativa da multinacional. Na mesma tarde, o consultor da Wazir Advisors, Varun Vaid, ministrou um workshop sobre como as indústrias de fiação brasileiras lidam com os problemas da contaminação e pegajosidade nos seus processos de produção.
Após as apresentações, os membros da comitiva puderam compartilhar suas impressões diretamente com as associações de produtores, em um diálogo que gerou ajustes, melhorias e relações comerciais mais sólidas.
Missão cumprida
O encerramento da Missão Compradores ocorreu na noite de quinta-feira, 07/08, durante um jantar em Brasília. Na ocasião estiveram presentes autoridades representando o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério das Relações Exteriores, além de representantes das embaixadas de Bangladesh, Turquia e China.
Também participou do evento, o presidente da Apex, Jorge Viana, que destacou os resultados da Missão enquanto um esforço de cooperação entre produtores, exportadores e governo. De acordo com Viana, "O Brasil virou a referência do algodão no mundo graças a cooperação que é feita entre a Abrapa, a Anea e a Apex, junto ao trabalho incrível dos produtores de algodão em todo o país.” Segundo o presidente da Apex, “Nós reunimos esses compradores para mostrar a eles a sustentabilidade, a boa governança e claro a eficiência do produtor brasileiro na hora de cultivar as lavouras de algodão”.
Das porteiras das fazendas ao mercado internacional
De acordo com o Diretor de Relações Exteriores da Abrapa, Marcelo Duarte, “A estratégia tem dado certo. Além do aumento expressivo nas exportações, o Brasil vem se consolidando como um fornecedor confiável, sustentável e que oferece um algodão de qualidade competitiva, em um mercado cada vez mais exigente.” Para ele, “a Missão Compradores é a prova de que, no agronegócio moderno, vencer não depende apenas de produzir bem, é preciso saber vender, conquistar e manter relacionamentos”.
Se o Brasil hoje lidera o ranking global do algodão, é porque entendeu que, para competir no mundo, é preciso abrir as portas da fazenda, e falar a língua do mercado.
21 de Janeiro de 2026
16 de Janeiro de 2026
08 de Agosto de 2025
Depois de uma imersão na cotonicultura mato-grossense, a Missão Compradores, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), seguiu para a Bahia, segundo maior estado produtor. No Oeste Baiano, a comitiva formada por 20 executivos de indústrias têxteis, de seis diferentes países asiáticos, aprendeu mais sobre como o Brasil realiza o controle e a classificação dos indicadores de qualidade do algodão.
“Um dos aspectos fundamentais para o comprador é a confiabilidade do produto. Por isso há tanto interesse nos parâmetros de qualidade e rastreabilidade do algodão brasileiro. A visita na Bahia deixou claro para os compradores que o sistema que adotamos é seguro e eficiente”, avaliou Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa.
Além da fazenda e da algodoeira do grupo Sete Povos Agro, em Luís Eduardo Magalhães, a comitiva de importadores visitou o laboratório de análise de fibras da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), na mesma cidade. A unidade é a maior da América Latina, com 16 máquinas do tipo High Volume Instrument (HVI), atendendo a região do Matopiba (Maranhão, Tocantis, Piauí e Bahia).
Controle e qualidade em foco
Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa, explica que um dos diferenciais da cotonicultura brasileira é o agrupamento de fardos conforme a ordem, a data e o local da colheita. “Essa separação por variedades é um método comum nas algodoeiras nacionais e confere mais uniformidade aos lotes”, observou. “O sistema de classificação é o mesmo em todo o Brasil, independentemente do estado. Isso dá mais confiança ao processo”, comentou.
O controle nos processos de beneficiamento e o investimento na melhoria das características intrínsecas da fibra agradaram Tahrin Aman, executivo da Aman Spinning Mills, de Bangladesh. “A evolução de cinco anos para cá no algodão brasileiro é enorme. Voltei a comprar do Brasil no ano passado e não penso em parar”, afirmou ele.
Satisfeito com o comprimento, a cor e a resistência da pluma, Aman avaliou positivamente o que encontrou durante a Missão Compradores. “Para nós, de Bangladesh, segundo maior consumidor de pluma do mundo, o Brasil é um importante fornecedor e queremos comprar mais e mais deste algodão”, enfatizou.
Shailesh Patil, trader de algodão da Cofco para a Índia, avalizou a qualidade da pluma brasileira e explicou por que agora se sente mais confiante para recomendar o produto nacional. “Fiquei impressionado com o tamanho das fazendas, com a qualidade das plantas e os níveis de produtividade. Essa experiência superou todas as ideias que eu tinha e me convenceu sobre o potencial do Brasil em produzir ainda mais”, declarou.
Estratégia de promoção internacional
A Missão Compradores é um intercâmbio realizado pela Abrapa há nove anos. Integra as ações do Cotton Brazil, programa de promoção internacional do algodão brasileiro realizado pela Abrapa. A iniciativa conta com a parceria da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e apoio da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea).
Neste ano, a comitiva somou 20 executivos de fiações e indústrias têxteis de seis países: Bangladesh, China, Índia, Paquistão, Turquia e Vietnã, que, juntos, responderam por 84,9% das exportações brasileiras de algodão no ano comercial 2024/25.
21 de Janeiro de 2026
16 de Janeiro de 2026
08 de Agosto de 2025
A rastreabilidade de fardos, a mecanização da colheita e a larga escala da cotonicultura brasileira chamaram a atenção da delegação da Missão Compradores na etapa por Mato Grosso. O grupo, formado por 20 representantes de fiações e indústrias têxteis asiáticas, visitou uma fazenda e uma algodoeira em Primavera do Leste, além de ter participado de um workshop técnico em Cuiabá.
O intercâmbio é realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) há nove anos. O objetivo é permitir que os principais compradores da pluma nacional possam conhecer, in loco, a realidade da cotonicultura brasileira.
“A Missão Compradores nos permite mostrar que o cultivo do algodão é feito por pessoas, por famílias guiadas por um espírito de colaboração e comprometidas com a produção responsável dessa fibra natural e renovável. Sabemos que mais importante que dizer é mostrar”, destacou o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli.
Dawid Wajs, presidente da Associação Nacional de Exportadores de Algodão (Anea), lembrou que, em oito edições, a Missão Compradores recebeu 156 executivos de fiações de todo o mundo. “Neste ano, temos 18 representantes de seis dos mais importantes países no mercado têxtil mundial. Juntos, eles respondem por aproximadamente 80% da importação mundial de algodão”, informou.
De Mato Grosso para o mundo
A agenda começou por Mato Grosso, que responde por cerca de 70% da área plantada no Brasil com algodão e 10% no mundo. Entre os diferenciais do estado, estão a preservação de mais de 60% do território e a liderança na produção de outras culturas além do algodão, como soja, milho, gergelim e rebanho bovino.
Orcival Gouveia Guimarães, presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), garantiu que o aumento na produtividade e, consequentemente, na produção de pluma no estado tende a se manter nos próximos anos. “Mesmo sem abrirmos novas áreas, podemos ampliar o cultivo de algodão devido à rotação de culturas. Basta que haja demanda para isso”, afirmou.
Neste ano, Mato Grosso representou mais de 64% das exportações de algodão. Ao todo, são 137 algodoeiras distribuídas por todo o estado. Em 90% das propriedades, a cotonicultura é realizada em segunda safra com a soja.
A fazenda visitada pela delegação foi uma exceção. A propriedade, do grupo Nativa, cultiva 70% do algodão em primeira safra, e apenas 30% na chamada ‘safrinha’. No dia da visita, 30% da área de aproximadamente 10 mil hectares havia sido colhida. “A colheita atrasou um pouco devido à chuva. Estamos prevendo mais 15 dias para finalizar os trabalhos”, disse Romeu Froelich, um dos fundadores do grupo.
Qualidade do algodão impressiona compradores
Os trabalhos em campo chamaram a atenção dos compradores. “Acompanhamos o processo de colheita de perto e vimos que é totalmente mecanizado, o que reduz qualquer chance de contaminação”, observou o executivo Md Nazmul Huq, da Far East Spinning, fiação de Bangladesh.
O grupo Nativa foi o primeiro produtor de algodão do mundo a rastrear 100% dos fardos exportados até o Vietnã, há dois anos. A algodoeira do grupo, também visitada pela delegação internacional, começou a operar em 1997 e hoje beneficia de 1300 a 1500 fardos por dia.
Devido ao sistema de rastreabilidade adotado, cada fardo é identificado eletronicamente, permitindo que o comprador saiba exatamente em que fazenda e mesmo em que talhão foi produzida a pluma. O sistema informa também os indicadores de qualidade e certificação socioambiental de cada fardo.
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