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Cotton Trip 2025: Sou de Algodão promove imersão no campo com jornalistas

Em parceria com a SLC Agrícola, movimento levou comunicadores de Moda e Agro para conhecerem o caminho percorrido pelo algodão

17 de Julho de 2025

Na última terça-feira (15), o movimento Sou de Algodão, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), promoveu mais uma edição da Cotton Trip, reunindo cerca de 40 convidados - entre 30 jornalistas de Moda e Agro e representantes de empresas que apoiam o movimento -  em uma imersão única no universo do algodão brasileiro. A ação, que faz parte do pilar informacional do Sou de Algodão, teve como objetivo estreitar os laços entre a imprensa e a cadeia produtiva da fibra, conectando o campo à moda nacional.


A viagem teve início na sede da Fazenda Pamplona, do Grupo SLC Agrícola, em Cristalina (GO), com um café da manhã especial e uma série de apresentações sobre o cultivo do algodão, os pilares ESG da empresa e o papel da Abrapa. Na sequência, os participantes seguiram para a lavoura, onde puderam vivenciar de perto o cultivo e o cuidado envolvido em cada etapa da produção.


A visita se estendeu até a algodoeira da fazenda, onde foi possível conhecer o processo de beneficiamento. Na parte da tarde, o grupo seguiu à Brasília, encerrando a experiência, na sede da Abrapa, para conhecer o Centro Brasileiro de Referência em  Análise de Algodão (CBRA), os programas de sustentabilidade, o movimento Sou de Algodão e suas ações de engajamento com a moda nacional e o programa de rastreabilidade completa do algodão, o SouABR.


“Essa foi a edição com o maior número de jornalistas desde o início da Cotton Trip, em 2018. O que mostra que estamos conseguindo gerar interesse, diálogo e conexão real entre a imprensa, a moda brasileira e o campo. Essa aproximação é fundamental para que cada vez mais pessoas compreendam a importância do algodão nacional, sua rastreabilidade e o impacto positivo que ele pode gerar em toda a cadeia”, afirma Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa e gestora do Sou de Algodão.


Mariane Pagano, representante da Bayer, destaca a importância da press trip para esclarecer a conexão entre o agro e a moda. “Para a Bayer, é muito importante fazer parte da Cotton Trip, pois somos parceiros do movimento e da Abrapa desde o início. Sou de Algodão faz muito bem essa conexão do agronegócio com o guarda-roupa, e essa viagem representa isso da melhor forma”.


Além da Bayer, marcaram presença representantes de empresas apoiadoras como TMG, Corteva, Nortène, FMC, Syngenta, Tama Brasil, Fendt, e Döhler, e também jornalistas de veículos como ELLE, Harper’s Bazaar, FFW, Hylentino, Canal Rural, Terraviva, Nordestesse, Não Tenho Roupa, Metrópoles, Agromais, Canal do Boi, Costura Perfeita, FashionUnited, GBL Jeans, Guia Jeans Wear, Money Times, GestAgro 360º, Exame, TecMundo, The AgriBiz, Gazeta do Povo, Agrofy News, AgFeed, Notícias Agrícolas e Portal Agro Summit.


“Eu acho que a Cotton Trip é uma das ações mais importantes do setor, principalmente para a gente que é repórter e não tem tanta familiaridade com o dia a dia do campo. Dessa forma, em um evento como esse, nós pudemos conhecer de perto a cotonicultura, e também entender melhor o funcionamento de todo o processo, desde o plantio até a colheita”, reitera César Henrique Silva, jornalista de Agro e Macroeconomia da Exame.


Para os jornalistas de Moda, a Cotton Trip ajuda a entender o início da cadeia, como citou Daniela Falcão, fundadora do Nordestesse. “Para quem trabalha com a moda, é essencial entender todas as variáveis, o processo todo pela qual a peça de roupa passa. Não é só quem faz as nossas roupas, mas também quem planta, lá no início, a fibra que vai dar origem a isso”.


“Temos muito orgulho em abrir as portas das fazendas e das instituições que fazem parte dessa cadeia. A Cotton Trip mostra na prática o que significa a rastreabilidade da semente ao guarda-roupa, e reforça nosso compromisso com a transparência, a inovação e a responsabilidade do algodão brasileiro”, destaca Márcio Portocarrero, Diretor Executivo da Abrapa.


A Cotton Trip é uma das ações de engajamento mais estratégicas do movimento, promovendo o encontro entre quem cultiva o algodão e quem transforma essa fibra em informação, moda e inspiração. O seu propósito é contribuir para a valorização da produção nacional, e ajudar jornalistas a entenderem, de forma prática, como o algodão cultivado de forma responsável se transforma em uma peça de roupa e outros produtos.


Sobre Sou de Algodão
Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 83% de toda a produção nacional de algodão.


Abrace este movimento: 


Site: www.soudealgodao.com.br


Facebook, Instagram, Youtube, LinkedIn e Pinterest: @soudealgodao

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Por que as fibras naturais devem ser protagonistas do movimento Plastic Free July

Algodão ganha destaque frente às fibras sintéticas no movimento Plastic Free July

17 de Julho de 2025

Criado na Austrália em 2011, o movimento Plastic Free July tornou o mês de julho um período de alerta sobre o uso excessivo de plásticos no cotidiano. Mas o que a conscientização sobre a poluição por plásticos tem a ver com o algodão e a moda? Com a expansão da indústria têxtil, os tecidos plásticos, feitos de polímeros derivados do petróleo, como o poliéster, conquistaram mais espaço nas fábricas pelo seu baixo custo de produção e aumentaram a sua presença nos guarda-roupas de todo o mundo.


Em defesa das fibras naturais


Para a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o Free Plastic July é um mês de conscientização para todos os malefícios causados pelas fibras plásticas utilizadas na moda. De acordo com o estudo publicado em 2016 pelo "Marine Pollution Bulletin", se estimou que em cada lavagem em uma máquina pequena, de 6 kg, mais de 700 mil fibras de microplástico podem ser liberadas na água.


A ingestão de plástico é hoje um dos principais problemas para a conservação das espécies marinhas, que confundem microplásticos com alimentos. É o que acontece comtartarugas, por exemplo, que ficam impedidas de comer e realizar outras funções fisiológicas por causa da ingestão fibras sintéticas, levando-as a sofrimento pode se prolongar até a morte.


O avanço dos tecidos sintéticos na moda global pode ser traduzido em números. De 2020 para cá, o índice de participação do algodão no consumo global de fibras caiu de 23,9% para os atuais 22,2%, de acordo com o International Cotton Advisory Committee (ICAC). Além disso, a presença das fibras sintéticas cresce em um ritmo de mais de 5% ao ano, enquanto o algodão fica em torno de 1% ao ano.


“Quando defendemos uma presença maior do algodão na matriz têxtil mundial, estamos defendendo uma fibra vegetal, natural, biodegradável e com uma pegada de carbono bem menor que a das fibras sintéticas, que são produzidas a partir de derivados fósseis”, explica Gustavo Piccoli, presidente da associação.


Por um mundo menos plástico


Com a defesa do algodão no eixo central das ações do Cotton Brazil e do movimento Sou de Algodão, iniciativas da Abrapa para a promoção da pluma brasileira, a associação tem se posicionado como uma nova voz no mercado. Além de ter se tornado o maior exportador mundial de algodão, o País se destaca por ter 80% da safra nacional com certificação socioambiental e usar irrigação em apenas 8% da área plantada.


“Optar por produtos e roupas de algodão é principalmente uma questão de responsabilidade e preocupação com o nosso futuro. As pessoas estão cada vez mais preocupadas com o impacto do que compram tanto para sua saúde quanto para o planeta. Ninguém quer usar roupas feitas com tecidos fósseis”, argumenta Piccoli.


Para além da poluição ambiental por plásticos, um artigo publicado em 2024, por pesquisadores da Universidade do Novo México, na revista Nature Medicine, há presença de microplásticos também no organismo humano – incluindo órgãos vitais como o cérebro.


Biodegradável, renovável e produzido com responsabilidade, o algodão é aliado de quem quer viver com mais leveza e consciência.

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Tarifaço de Trump pode afetar indústria têxtil no Brasil, diz Abrapa

ontratos do algodão para dezembro de 2025 e 2026 encerram a semana com queda na Bolsa de Nova York.

17 de Julho de 2025

O tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil nesta semana deverá afetar de forma indireta a produção de algodão. O maior efeito deverá ser sentido na indústria têxtil nacional. A medida, que ainda pode ser negociada, preocupa diversos setores.


As informações constam no Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa desta sexta-feira (11).


Algodão em NY – O contrato Dez/25 fechou nesta quinta 10/jul cotado a 67,73 U$c/lp (-1,1% vs. 03/jul). O contrato Dez/26 fechou em 69,50 U$c/lp (-0,1% vs. 03/jul).


Basis Ásia – Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 914 pts para embarque Jul/Ago-25 (Middling 1-1/8″ (31-3-36), fonte Cotlook 10/jul/25).


Altistas 1 – Com o aumento dos preços mínimos nos EUA, de U$c/lp 52 para 55, a tendência é que os produtores estejam menos propensos a vender com ICE abaixo de U$c/lp 68-69. Mas mudança só vale a partir de 2026/27.


Altistas 2 – Na China, apesar de desafios, a demanda doméstica por algodão está resiliente e segue firme, apoiada por estímulos do governo. Isso sustentou os preços futuros em Zhengzhou próximos aos maiores níveis do ano.


Baixistas 1 – Mesmo com a queda nos preços do algodão em pluma, a demanda global ainda está fraca e as fiações não aumentaram significativamente as compras, especialmente no Paquistão e no Vietnã.


Baixistas 2 – A incerteza permanece nas relações comerciais dos EUA. As negociações comerciais com vários países avançaram pouco, e novas tarifas (de até 50% para o Brasil, por exemplo) entram em vigor em 01/08, imprimindo mais insegurança no mercado.


Tarifas 1 – Em 07/07, os EUA anunciaram alíquota adicional de 50% para produtos brasileiros a partir de 01/08. A medida ainda pode ser negociada, mas já preocupa alguns setores.


Tarifas 2 – Em 2024, os EUA foram o 4º maior mercado para os têxteis brasileiros, com US$ 68,1 milhões em exportações. As tarifas ameaçam esse mercado estratégico para o setor.


Tarifas 3 – Em nota, a Abrapa alertou que as novas tarifas podem prejudicar a indústria têxtil brasileira, mesmo sem afetar diretamente as exportações de algodão. A entidade pede ação diplomática para proteger o setor. Leia na íntegra: https://bit.ly/abrapa250711.


Tarifas 4 – Além do Brasil, os EUA também definiram tarifas elevadas para outros países, mantendo taxas entre 25% e 36% para nações como Bangladesh, Tailândia e Coreia do Sul, patamar igual ou superior ao de 04/25.





Large Farm Week 1 – Teve início em 07/07, em Brasília, o Large Farm Week 2025, organizado pela Better Cotton, reunindo grandes produtores de algodão para debater sustentabilidade e desafios do setor. É a primeira edição realizada no Brasil.


Large Farm Week 2 – Participantes da Austrália, Grécia, Israel, Paquistão, Turquia, Estados Unidos e Uzbequistão reuniram-se com a Abrapa para entender a cadeia produtiva do algodão no Brasil, do cultivo à exportação, e participaram de um workshop.


Large Farm Week 3 – As discussões destacaram a necessidade de promover o uso da fibra natural do algodão frente ao poliéster, valorizar a certificação e incentivar pesquisas para encontrar alternativas aos pesticidas químicos.


Large Farm Week 4 – Na quarta (09/07), os cotonicultores visitaram a Agopa e uma fazenda da GMS Group em Goiás, seguindo depois para Cuiabá para conhecer unidades produtoras em Mato Grosso com a Ampa.


EUA 1 – Em 4/jul, o presidente dos EUA sancionou a lei de reconciliação orçamentária (One Big Beautiful Bill Act), que atualiza programas agrícolas, incluindo mudanças importantes na política agrícola para o algodão.


EUA 2 – A American Cotton Shippers Association confirmou que a nova legislação inclui:




  • Aumento do preço de referência do algodão em caroço, usado para calcular os pagamentos do seguro agrícola, de U$c/lp 37 para 42 a partir de 1º de agosto de 2025.

  • Para a safra 2026/27, o valor do Marketing Assistance Loan para o algodão Upland sobe de U$c/lp 52 para 55.


China1 – As importações chinesas de algodão somaram apenas 34,5 mil tons em mai/25, o menor volume mensal em mais de 20 anos, segundo a CCF Group. O recuo reflete o fraco consumo interno, estoques elevados e a crescente preferência da indústria local por fibras sintéticas mais baratas.


China 2 – No acumulado da safra 2024/25, a China importou cerca de 1,2 milhão de tons, o menor patamar em 8 anos, conforme dados do USDA. A menor dependência externa decorre da maior produção doméstica e desaceleração do setor têxtil.


Índia – Até 04/07, a área plantada com algodão na Índia atingiu 7,954 milhões ha, um aumento de 96 mil ha em relação ao mesmo período de 2024, segundo o Departamento de Agricultura. A área total a ser plantada nesta safra deve ultrapassar 12 milhões ha, conforme a média registrada nas últimas cinco temporadas.


Paquistão – Fábricas paquistanesas demonstraram recentemente interesse no algodão importado, mas a disponibilidade de estoques locais tem mantido o foco em compras domésticas. A possível taxação de 18% sobre algodão e fios importados também desencoraja compras externas.


Tailândia 1 – As importações tailandesas de algodão mantiveram-se em 10.049 tons em maio (+33% ante mai/2023). Os EUA lideraram as entregas (68%), seguidos por Brasil (11%) e Austrália (10%).


Tailândia 2 – Já nos primeiros 10 meses da temporada 2024/25, a Tailândia importou 86.952 tons de algodão, (+20% ante 2023/24), mas ainda abaixo de anos anteriores. EUA lideraram (41%), seguidos por Austrália (27%) e Brasil (22%).


Vietnã 1 – O Vietnã importou 158.787 tons de algodão em junho, queda de 3% ante maio, mas alta expressiva de 82% frente a jun/2024. EUA lideraram (65%), seguidos por Brasil (20%) e Austrália (4%).


Vietnã 2 – No acumulado de 11 meses da temporada 2024/25, o Vietnã importou 1,59 milhão tons de algodão, 20% acima do mesmo período em 2023/24 (1,32 milhão tons). EUA lideram (35%), seguidos de perto pelo Brasil (33%) e Austrália (15%).


Austrália – A colheita do algodão australiano está 95% concluída, com o beneficiamento em 55% e a classificação das fibras na metade do processo, segundo a Associação de Exportadores.


Egito – O tempo seco acelerou a colheita de algodão no Egito, que atingiu 65% da área, mas ainda está atrás do ritmo habitual (80% em 2024). O beneficiamento está próximo de 50%.


Brasil – Exportações – As exportações brasileiras de algodão somaram 14,5 mil tons na primeira semana de julho. A média diária de embarque é 50,3% menor que no mesmo mês em 2024.


Brasil – Colheita 2024/25 – Até ontem (10/07), foram colhidos no estado da BA (28%), GO (29,38%), MA, (20%), MG (39%), MS (9,5%), MT(2%), PI (37,15%), PR (95%) e SP (87%). Total Brasil: 9,48%.


Brasil – Beneficiamento 2024/25 – Até ontem (10/07), foram beneficiados nos estados de GO (6,6%), MG (10%),MS (9,5%), PI (15,29%) PR (80%) e SP (65%). Total Brasil: 1,20%.




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Large Farm Week, iniciativa da Better Cotton que promove troca de experiências entre produtores de algodão, tem sua primeira edição realizada no Brasil

Edição reuniu produtores, consultores e pesquisadores de 10 países para conhecerem a cotonicultura brasileira.

14 de Julho de 2025

De 7 a 11 de julho de 2025, o Brasil recebeu o Large Farm Week, ou Semana das Grandes Fazendas, encontro internacional promovido pela Better Cotton para fortalecer a comunidade global de grandes produtores de algodão comprometidos com a sustentabilidade. A iniciativa levou participantes da Austrália, Espanha, Grécia, Israel, Paquistão, Turquia, Estados Unidos, Inglaterra e Uzbequistão para conhecerem o funcionamento da cadeia produtiva do algodão no Brasil.


A programação, que passou por Brasília, Goiás e Mato Grosso, incluiu a realização de palestras, visitas técnicas a propriedades rurais e unidades de beneficiamento, laboratórios de classificação da fibra, institutos de pesquisa, além de momentos culturais voltados à troca de experiências entre os participantes.


Conhecendo a cotonicultura brasileira


A visita começou na sede da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), onde eles puderam conhecer mais a fundo as ações institucionais realizadas pela associação para promover a fibra brasileira dentro e fora do país. Na sede da Abrapa, eles também conheceram o Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), responsável por assegurar que a classificação do algodão seja confiável, padronizada, rastreável e em conformidade com os padrões internacionais.


No segundo dia de evento, a agenda seguiu para Goiás, onde os convidados visitaram uma fazenda da GMS GROUP e conheceram o trabalho da Associação Goiana dos Produtores de algodão (Agopa). Na ocasião, o diretor executivo da Agopa, Raul Souza Maciel, apresentou a entidade para os participantes e contextualizou a produção de algodão em Goiás.  Para o Vice-Presidente da Agopa e Diretor da GMS, Carlos Alberto Moresco, “A Better Cotton está dando a nós a oportunidade de compartilharmos o que temos feito enquanto produtores de algodão brasileiro. O evento serviu para que houvesse uma intensa troca de informações entre a produção nacional e seus stakeholders estrangeiros.”


Após a visita, eles seguiram para Cuiabá, onde teve início a jornada pelos municípios e unidades produtoras do estado, acompanhados por membros da Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (Ampa).


Em Campo Verde, o grupo conheceu as diferentes entidades que compõem a infraestrutura do algodão no estado, o centro de pesquisa do Mato-Grossense do Algodão (IMA), a fiação Agrofios, a cooperativa da Cooperbem e o laboratório de qualidade da Cooperfibra. Posteriormente, eles foram recebidos na Fazenda Santa Rosa, do produtor e ex-presidente da Abrapa, Alexandre Schenkel.


Para João Rocha, Coordenador Sênior de Programas para o Brasil e América Latina do Better Cotton, e um dos organizadores responsáveis pela realização do evento, o que mais chamou a atenção do grupo foi o nível de tecnologia empregada na cultura da pluma no Brasil. “O alto nível de tecnologia e pesquisa empregados atualmente na cotonicultura brasileira foi algo marcante entre os participantes e saber que a tomada de decisão do produtor tem como base a ciência validada pelos centros de pesquisa e orientado em dados”, pontuou João.


Sobre o evento


A Large Farm Week surgiu como um desdobramento do simpósio internacional promovido pela Better Cotton em 2021 e, desde então, tem se consolidado como espaço estratégico de articulação entre os principais países produtores. A primeira edição presencial aconteceu em 2024, na Turquia, e marcou o início de uma nova fase de cooperação global em torno das boas práticas no campo.


A iniciativa tem como objetivo principal promover o intercâmbio de boas práticas entre produtores, pesquisadores, consultores técnicos e representantes de organizações parceiras, com foco nos desafios e soluções para uma produção de algodão mais sustentável em larga escala. Entre os temas abordados estarão mudanças climáticas, biodiversidade, manejo de pragas, uso da água e qualidade da fibra.


Alexandre Schenkel, produtor de algodão que recebeu o grupo na sua fazenda, em Mato Grosso, avaliou a visita como uma oportunidade muito proveitosa para a troca de experiências. Segundo Schenkel, “Para nós foi muito bom ter recebido um grupo de pessoas de fora do país, a gente pode mostrar um pouco da nossa realidade, um pouco da maneira como produzimos, ainda mais falando sobre certificação. Nós, da fazenda Senta Rosa, estaremos sempre de portas abertas para mostrar o que fazemos na prática”.


Ele também disse que receber a Large Farm Week, foi como receber uma grande família unida pelo algodão. Para ele, “No grupo, a gente viu que têm produtores, têm industriais na questão do beneficiamento, e diversas pessoas ligadas ao algodão. Nós sentimos que somos uma grande família da Better Cotton. Todos estão unidos pelo algodão, sempre com o objetivo de alcançar a sustentabilidade, independente de qual lugar do mundo o produtor seja. Isso foi muito bacana!”.


 

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Entenda os possíveis impactos da tarifa de 50% de Trump na indústria têxtil e de confecção brasileira

A moda nacional, que exporta cerca de R$387 milhões por ano aos EUA, terá seu produto “inviabilizado”, diz especialista. No 1º semestre, as vendas de têxteis brasileiros por lá aumentaram 13%; crescimento que poderá ser freado

14 de Julho de 2025

Por Thiago Andrill
11/07/2025


Por ano, o Brasil exporta US$1 bilhão (cerca de R$5.53 bi) em têxteis e confeccionados (Abit). Desses, em torno de R$387 milhões são gerados em vendas para os Estados Unidos. A exportação ao país atende à moda praia, íntima e outros setores pelos quais o Brasil é famoso lá fora. Porém, com a nova taxação adicional de 50% a todo bem feito aqui e vendido aos EUA, anunciada pelo presidente Donald Trump ao presidente Lula na quarta-feira (9), "o produto brasileiro vai ficar mais caro e, sem dúvida, quase que inviabilizado", diz o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, Fernando Valente Pimentel.

A taxa que será aplicada ao Brasil a partir de 01 de agosto é a maior do mundo, sendo que os EUA são o segundo maior parceiro comercial do país, atrás somente da China. O cenário atual, ainda sem tarifa, é o seguinte: às fibras que o Brasil exporta para os EUA, pode-se adicionar até 17% de imposto; aos fios e filamentos vendidos para lá, o empresário brasileiro paga no máximo 13%. Tecidos e malhas, chegam a 25%. "E se você somar mais 50% a isso tudo, praticamente coloca-se o país fora do mercado", afirma Fernando Valente Pimentel.

Qual é a razão da tarifa?

Em abril deste ano, uma primeira tarifa foi criada pelo governo estadunidense às exportações brasileiras: 10%. O país, até então, estava no grupo de menor aumento. A partir de agosto, será somada à essa taxa os 50% recém-anunciados. "Esperamos que até essa data haja alguma razoabilidade. Não há nenhum fato econômico que leve os Estados Unidos a impor esse 'tarifaço'", explica Pimentel. "As questões são políticas."

Na carta enviada por Trump a Lula, alguns pontos justificam, segundo o governo federal dos EUA, a medida. Trump afirma que o Brasil adotou barreiras comerciais elevadas, que supostamente desequilibraram o comércio entre as duas nações. Porém, de acordo com um levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a balança comercial está positiva, há 16 anos, para os EUA em cerca de US$90.28 bi (R$499,42 bi). Ou seja, considerando tudo que os Estados Unidos compraram do Brasil, e vice-versa, o saldo é vantajoso para o primeiro há quase duas décadas.

Além disso, a carta diz que a decisão de aumento é uma resposta à suposta perseguição que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estaria sofrendo, devido ao processo criminal no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a acusação de liderar uma tentativa de golpe de Estado. Como foi noticiado no G1, o Itamaraty declarou, em reunião com o governo estadunidense, ser inaceitável a intromissão dos EUA, e de qualquer outro país, em assuntos democráticos e judiciários brasileiros.

Como fica o algodão?

O Brasil é o maior exportador de algodão do mundo. Os Estados Unidos vem em segundo lugar. Estimativas da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) preveem que a safra 2024/25 chegue a 3.95 toneladas. Apesar de vender a pluma de algodão para 150 países, o Brasil não exporta para os EUA. O que não quer dizer que a produção nacional dessa commodity esteja ilesa ao aumento das tarifas. "A medida gera apreensão quanto aos possíveis desdobramentos econômicos e comerciais", afirma a Abrapa em comunicado à imprensa.

A maior parte do algodão brasileiro é utilizada para abastecer a indústria têxtil nacional . Vira roupa, tecido etc para consumo doméstico. O detalhe é que, entre os maiores compradores desses produtos do Brasil - muitos feitos com algodão -, encontram-se os Estados Unidos. Assim, indiretamente, a produção de algodão pode ser impactada. "O que indica que os efeitos das novas tarifas poderão alterar dinâmicas da cadeia produtiva", continua a declaração da Abrapa, que também reforça sua defesa dos interesses dos produtores brasileiros.

Inclusive, a última vez em que ambos governos entraram em um embate comercial direto foi por conta do algodão , em 2002. O período ficou informalmente conhecido como a "Guerra do Algodão". O Brasil criticava os subsídios que os EUA davam aos exportadores daqui, pois eles não permitiriam uma competição justa dos mercados internacionais. O Governo recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC), que deu ganho ao Brasil em 2007 mas, o então presidente George W. Bush resistiu em cumprir as determinações. Somente em 2014 a questão foi resolvida, sob a gestão Dilma Rousseff.

O pior dos dois mundos

"Desde abril (2025), nós estávamos trabalhando para aumentar a nossa participação no mercado dos EUA diante da cobrança superior das tarifas em outros países", afirma o diretor-superintendente da Abit. Com a maior elevação em abril da taxa de exportação para algumas nações, o Brasil, que tinha recebido "apenas" 10%, fortaleceu suas vendas para os Estados Unidos. Em outras palavras: para o comerciante dos EUA, há alguns meses, começou a sair mais barato comprar daqui do que de outros lugares. "Crescemos as exportações de têxteis e confeccionados em 13% para os EUA no primeiro semestre."

O mercado de venda aos Estados Unidos estava aquecido, o diretor-superintendente explica que o interesse de marcas brasileiras de vestuário em participar de feiras de negócios havia aumentado. "Nós nunca atendemos ao grande mercado de têxteis e confeccionados de lá. A China foi a maior fornecedora no ano passado e vendeu cerca de R$553 bi (em comparação com os R$387 mi do Brasil)", pondera o porta-voz da Abit. "Não ocupamos espaços massivamente nos EUA, mas progressivamente alguns que pudéssemos ter em conta." Atualmente, a taxa sobre os produtos chineses é de 30%. "E agora, a maior restrição (50%) ficou em cima da gente."

E agora?

Seria o caminho, então, elevar a taxa do que o Brasil compra dos Estados Unidos? O presidente Lula afirmou que, caso não haja redução do percentual com diálogos, ou que um possível intermédio da OMC não gere resultados, poderá ser aplicada a Lei de Reciprocidade Econômica. A medida, sancionada em abril e ainda não regulamentada, é uma proteção às medidas unilaterais de outras nações. Nesse caso, o Brasil cobraria a mesma taxa de produtos estadunidenses vendidos para cá.

"Nós temos uma relação histórica de mais de 200 anos com os EUA, eles foram o primeiro país a reconhecer a nossa independência e não há razões para esse 'tarifaço'. As questões políticas colocadas não podem entrar nessa linha de discussão econômica", pontua Fernando Valente Pimentel. "Nós temos hoje o pior dos mundos, tanto para o Brasil quanto para os Estados Unidos."

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Por que as fibras naturais devem ser protagonistas do movimento Plastic Free July  

Desde 2011, o mês de julho traz um apelo à redução do uso de plásticos – e um convite para aumentar o uso do algodão e outras fibras naturais na matriz têxtil mundial.

11 de Julho de 2025

Criado na Austrália em 2011, o movimento Plastic Free July tornou o mês de julho um período de alerta sobre o uso excessivo de plásticos no cotidiano. Mas o que a conscientização sobre a poluição por plásticos tem a ver com o algodão e a moda? Com a expansão da indústria têxtil, os tecidos plásticos, feitos de polímeros derivados do petróleo, como o poliéster, conquistaram mais espaço nas fábricas pelo seu baixo custo de produção e aumentaram a sua presença nos guarda-roupas de todo o mundo.


Em defesa das fibras naturais


Para a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o Free Plastic July é um mês de conscientização para todos os malefícios causados pelas fibras plásticas utilizadas na moda. De acordo com o estudo publicado em 2016 pelo "Marine Pollution Bulletin", se estimou que em cada lavagem em uma máquina pequena, de 6 kg, mais de 700 mil fibras de microplástico podem ser liberadas na água.


A ingestão de plástico é hoje um dos principais problemas para a conservação das espécies marinhas, que confundem microplásticos com alimentos. É o que acontece comtartarugas, por exemplo, que ficam impedidas de comer e realizar outras funções fisiológicas por causa da ingestão fibras sintéticas, levando-as a sofrimento pode se prolongar até a morte.


O avanço dos tecidos sintéticos na moda global pode ser traduzido em números. De 2020 para cá, o índice de participação do algodão no consumo global de fibras caiu de 23,9% para os atuais 22,2%, de acordo com o International Cotton Advisory Committee (ICAC). Além disso, a presença das fibras sintéticas cresce em um ritmo de mais de 5% ao ano, enquanto o algodão fica em torno de 1% ao ano.


“Quando defendemos uma presença maior do algodão na matriz têxtil mundial, estamos defendendo uma fibra vegetal, natural, biodegradável e com uma pegada de carbono bem menor que a das fibras sintéticas, que são produzidas a partir de derivados fósseis”, explica Gustavo Piccoli, presidente da associação.


Por um mundo menos plástico


Com a defesa do algodão no eixo central das ações do Cotton Brazil e do movimento Sou de Algodão, iniciativas da Abrapa para a promoção da pluma brasileira, a associação tem se posicionado como uma nova voz no mercado. Além de ter se tornado o maior exportador mundial de algodão, o País se destaca por ter 80% da safra nacional com certificação socioambiental e usar irrigação em apenas 8% da área plantada.


“Optar por produtos e roupas de algodão é principalmente uma questão de responsabilidade e preocupação com o nosso futuro. As pessoas estão cada vez mais preocupadas com o impacto do que compram tanto para sua saúde quanto para o planeta. Ninguém quer usar roupas feitas com tecidos fósseis”, argumenta Piccoli.


Para além da poluição ambiental por plásticos, um artigo publicado em 2024, por pesquisadores da Universidade do Novo México, na revista Nature Medicine, há presença de microplásticos também no organismo humano – incluindo órgãos vitais como o cérebro.


Biodegradável, renovável e produzido com responsabilidade, o algodão é aliado de quem quer viver com mais leveza e consciência.

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Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 11/07/2025

ALGODÃO PELO MUNDO #27/2025

11 de Julho de 2025

Destaque da Semana 1 - O Brasil foi incluído nesta semana no centro da crise do “Tarifaço”. Inicialmente poupado pelos EUA, agora o Brasil virou um dos maiores afetados pela política de tarifas adicionais do Presidente Trump. O impacto para o algodão por enquanto é indireto, pois afeta a indústria têxtil nacional.

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Algodão em NY - O contrato Dez/25 fechou nesta quinta 10/jul cotado a 67,73 U$c/lp (-1,1% vs. 03/jul). O contrato Dez/26 fechou em 69,50 U$c/lp (-0,1% vs. 03/jul).

Basis Ásia - Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 914 pts para embarque Jul/Ago-25 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 10/jul/25).

Altistas 1 - Com o aumento dos preços mínimos nos EUA, de U$c/lp 52 para 55, a tendência é que os produtores estejam menos propensos a vender com ICE abaixo de U$c/lp 68-69. Mas mudança só vale a partir de 2026/27.

Altistas 2 - Na China, apesar de desafios, a demanda doméstica por algodão está resiliente e segue firme, apoiada por estímulos do governo. Isso sustentou os preços futuros em Zhengzhou próximos aos maiores níveis do ano.

Baixistas 1 - Mesmo com a queda nos preços do algodão em pluma, a demanda global ainda está fraca e as fiações não aumentaram significativamente as compras, especialmente no Paquistão e no Vietnã.

Baixistas 2 - A incerteza permanece nas relações comerciais dos EUA. As negociações comerciais com vários países avançaram pouco, e novas tarifas (de até 50% para o Brasil, por exemplo) entram em vigor em 01/08, imprimindo mais insegurança no mercado.

Tarifas 1 - Em 07/07, os EUA anunciaram alíquota adicional de 50% para produtos brasileiros a partir de 01/08. A medida ainda pode ser negociada, mas já preocupa alguns setores.

Tarifas 2 - Em 2024, os EUA foram o 4º maior mercado para os têxteis brasileiros, com US$ 68,1 milhões em exportações. As tarifas ameaçam esse mercado estratégico para o setor.

Tarifas 3 - Em nota, a Abrapa alertou que as novas tarifas podem prejudicar a indústria têxtil brasileira, mesmo sem afetar diretamente as exportações de algodão. A entidade pede ação diplomática para proteger o setor. Leia na íntegra: https://bit.ly/abrapa250711.

Tarifas 4 – Além do Brasil, os EUA também definiram tarifas elevadas para outros países, mantendo taxas entre 25% e 36% para nações como Bangladesh, Tailândia e Coreia do Sul, patamar igual ou superior ao de 04/25.

Large Farm Week 1 - Teve início em 07/07, em Brasília, o Large Farm Week 2025, organizado pela Better Cotton, reunindo grandes produtores de algodão para debater sustentabilidade e desafios do setor. É a primeira edição realizada no Brasil.

Large Farm Week 2 - Participantes da Austrália, Grécia, Israel, Paquistão, Turquia, Estados Unidos e Uzbequistão reuniram-se com a Abrapa para entender a cadeia produtiva do algodão no Brasil, do cultivo à exportação, e participaram de um workshop.

Large Farm Week 3 - As discussões destacaram a necessidade de promover o uso da fibra natural do algodão frente ao poliéster, valorizar a certificação e incentivar pesquisas para encontrar alternativas aos pesticidas químicos.

Large Farm Week 4 - Na quarta (09/07), os cotonicultores visitaram a Agopa e uma fazenda da GMS Group em Goiás, seguindo depois para Cuiabá para conhecer unidades produtoras em Mato Grosso com a Ampa.

EUA 1 - Em 4/jul, o presidente dos EUA sancionou a lei de reconciliação orçamentária (One Big Beautiful Bill Act), que atualiza programas agrícolas, incluindo mudanças importantes na política agrícola para o algodão.

EUA 2 - A American Cotton Shippers Association confirmou que a nova legislação inclui:
* Aumento do preço de referência do algodão em caroço, usado para calcular os pagamentos do seguro agrícola, de U$c/lp 37 para 42 a partir de 1º de agosto de 2025.
* Para a safra 2026/27, o valor do Marketing Assistance Loan para o algodão Upland sobe de U$c/lp 52 para 55.

China1 - As importações chinesas de algodão somaram apenas 34,5 mil tons em mai/25, o menor volume mensal em mais de 20 anos, segundo a CCF Group. O recuo reflete o fraco consumo interno, estoques elevados e a crescente preferência da indústria local por fibras sintéticas mais baratas.

China 2 - No acumulado da safra 2024/25, a China importou cerca de 1,2 milhão de tons, o menor patamar em 8 anos, conforme dados do USDA. A menor dependência externa decorre da maior produção doméstica e desaceleração do setor têxtil.

Índia – Até 04/07, a área plantada com algodão na Índia atingiu 7,954 milhões ha, um aumento de 96 mil ha em relação ao mesmo período de 2024, segundo o Departamento de Agricultura. A área total a ser plantada nesta safra deve ultrapassar 12 milhões ha, conforme a média registrada nas últimas cinco temporadas.

Paquistão - Fábricas paquistanesas demonstraram recentemente interesse no algodão importado, mas a disponibilidade de estoques locais tem mantido o foco em compras domésticas. A possível taxação de 18% sobre algodão e fios importados também desencoraja compras externas.

Tailândia 1 - As importações tailandesas de algodão mantiveram-se em 10.049 tons em maio (+33% ante mai/2023). Os EUA lideraram as entregas (68%), seguidos por Brasil (11%) e Austrália (10%).

Tailândia 2 - Já nos primeiros 10 meses da temporada 2024/25, a Tailândia importou 86.952 tons de algodão, (+20% ante 2023/24), mas ainda abaixo de anos anteriores. EUA lideraram (41%), seguidos por Austrália (27%) e Brasil (22%).

Vietnã 1 - O Vietnã importou 158.787 tons de algodão em junho, queda de 3% ante maio, mas alta expressiva de 82% frente a jun/2024. EUA lideraram (65%), seguidos por Brasil (20%) e Austrália (4%).

Vietnã 2 - No acumulado de 11 meses da temporada 2024/25, o Vietnã importou 1,59 milhão tons de algodão, 20% acima do mesmo período em 2023/24 (1,32 milhão tons). EUA lideram (35%), seguidos de perto pelo Brasil (33%) e Austrália (15%).

Austrália - A colheita do algodão australiano está 95% concluída, com o beneficiamento em 55% e a classificação das fibras na metade do processo, segundo a Associação de Exportadores.

Egito - O tempo seco acelerou a colheita de algodão no Egito, que atingiu 65% da área, mas ainda está atrás do ritmo habitual (80% em 2024). O beneficiamento está próximo de 50%.

Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 14,5 mil tons na primeira semana de julho. A média diária de embarque é 50,3% menor que no mesmo mês em 2024.

Colheita 2024/25 - Até ontem (10/07), foram colhidos no estado da BA (28%), GO (29,38%), MA, (20%), MG (39%), MS (9,5%), MT(2%), PI (37,15%), PR (95%) e SP (87%). Total Brasil: 9,48%.

Beneficiamento 2024/25 - Até ontem (10/07), foram beneficiados nos estados de GO (6,6%), MG (10%),MS (9,5%), PI (15,29%) PR (80%) e SP (65%). Total Brasil: 1,20%.

Preços - Consulte tabela abaixo ⬇

Quadro de cotações para 10-07

Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

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Abrapa manifesta preocupação com aumento de tarifas dos EUA e possíveis impactos no mercado global do algodão

10 de Julho de 2025

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) acompanha com atenção o recente anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos sobre o aumento das tarifas para a importação de produtos brasileiros. Embora o mercado estadunidense não seja destino da pluma de algodão brasileira, a medida gera apreensão quanto aos possíveis desdobramentos econômicos e comerciais no setor.


O mercado global do algodão é altamente sensível a fatores climáticos, econômicos e políticos. Nesse cenário, qualquer mudança no fluxo de comércio internacional tende a provocar repercussões amplas e complexas.


A indústria têxtil brasileira é o mercado mais importante para o algodão nacional. Os Estados Unidos estão entre os maiores clientes dessa indústria, o que indica que os efeitos das novas tarifas poderão alterar dinâmicas da cadeia produtiva do algodão no Brasil.


Diante desse contexto, a Abrapa reforça seu compromisso com regras de mercado claras, estáveis e justas, e com a defesa dos interesses dos produtores brasileiros de algodão. Recomendamos que o governo brasileiro busque as vias da diplomacia para ampliar o diálogo institucional, revertendo as recentes medidas do governo dos Estados Unidos e mitigando impactos adversos ao setor produtivo brasileiro.

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Ministério da Agricultura e Pecuária publica portaria que define o preço mínimo do algodão

A portaria entrou em vigor nesta quarta-feira, 09/07, e não apresentou reajustes.

09 de Julho de 2025

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou, na manhã desta quarta-feira, 09/07, no Diário Oficial da União, a portaria que define os preços mínimos do algodão para a safra 2025/2026.


Contrariando as expectativas do setor algodoeiro, os valores divulgados permaneceram inalterados em relação à safra anterior, mantendo-se em R$ 114,58 por arroba da pluma. Também não houve alteração nos preços do algodão em caroço (R$ 45,83 por arroba) e do caroço de algodão (R$ 6,73 por arroba).


Abrapa e Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Algodão e Derivados


Em carta enviada ao ministro Carlos Fávaro, do Mapa, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Algodão e Derivados, Gustavo Piccoli, sugeriu o reajuste do preço mínimo da pluma para R$ 125,00 por arroba, um aumento de apenas 9,1% em relação ao valor atual.


A justificativa apresentada por Piccoli levou em conta, entre outros fatores, o aumento dos custos com insumos agrícolas, como fertilizantes, além do preço dos combustíveis. No entanto, o pleito não foi atendido pela área econômica do governo federal.


Na carta, Piccoli também apontou que a elevação do salário-mínimo, o aumento no custo da energia elétrica e a desvalorização do real contribuíram significativamente para o encarecimento da produção algodoeira.


“A atual conjuntura global levou à queda nos preços do algodão e ao retorno da alta nos preços de matérias-primas essenciais à produção nacional. O reflexo tem sido sentido pelos produtores na elevação dos custos de produção, o que exige mais capital para o financiamento da safra e amplia o risco da atividade”, justificou o presidente.


Cenário econômico para o produtor


No mercado interno, o aumento dos juros nas linhas de crédito do Plano Safra 2025/2026 limita o acesso dos produtores à modernização de equipamentos, à expansão de áreas irrigadas e à adoção de inovações tecnológicas — aspectos fundamentais para o desenvolvimento da cotonicultura.


Outros fatores também contribuem para o cenário de insegurança do setor, como o possível aumento do IOF e a taxação da LCA, o que demanda maior cautela por parte dos produtores na hora de investir.


A dependência da importação de fertilizantes tende a encarecer ainda mais os custos de produção, especialmente em contextos de conflitos geopolíticos que impactam diretamente a cotonicultura brasileira. Atualmente, os fertilizantes representam, em média, 17% do custo operacional efetivo da produção de algodão.


No cenário internacional, a disputa tarifária entre China e Estados Unidos é apontada como o principal fator de instabilidade no mercado algodoeiro. O setor é volátil e altamente sensível a condições climáticas e geopolíticas. Apesar da liderança brasileira nas exportações, as cotações da pluma apresentam viés de queda, o que pode comprometer o ritmo de desenvolvimento da atividade.

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Produtores já podem participar do Programa Algodão Brasileiro Responsável para Unidades de Beneficiamento de Algodão (ABR-UBA) na Safra 2024/2025

O Programa ABR-UBA prepara as algodoeiras para o processo de auditoria e realiza a certificação socioambiental das Unidades de Beneficiamento.

09 de Julho de 2025

Com um protocolo específico para a padronização da rotina e funcionamento das Unidades de Beneficiamento do Algodão, o Programa ABR-UBA está com as inscrições abertas para a Safra 2024/25. As algodoeiras poderão aderir ao programa no início do período de beneficiamento do algodão.


O Programa ABR-UBA foi lançado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2020, para que as algodoeiras também fossem avaliadas e certificadas de acordo com os parâmetros exigidos pelas melhores práticas socioambientais. Somente em 2023, 99 algodoeiras passaram por auditoria independente e foram certificadas pela iniciativa.


Certificação


O ABR-UBA realiza a verificação de rotinas, processos e práticas operacionais, visando aprimorar a eficiência dos equipamentos e a atuação dos profissionais nas unidades de beneficiamento de algodão. Assim como o Algodão Brasileiro Responsável, o ABR, o protocolo tem 170 requisitos e, no caso das algodoeiras, 90% deles são voltados para a segurança do trabalho. A forma como os requisitos serão aplicados, varia de acordo como porte de cada unidade.


De acordo com o Gerente de Sustentabilidade da Abrapa, Fábio Carneiro, a estrutura normativa utilizada pelo programa serve, principalmente, para dar mais segurança aos trabalhadores das UBAs. “As normas regulamentadoras adotadas pela certificação foram emitidas pelo Ministério do Trabalho e têm como principal finalidade garantir a segurança e saúde dos funcionários das usinas ao operarem as máquinas e equipamentos, que devem funcionar de acordo com as regras definidas para minimizarem o risco de acidentes e problemas ocupacionais”, explicou. Entre as normativas mais conhecidas estão a NR 10, que verifica problemas elétricos, a NR 23, que faz a prevenção de incêndios e a NR 24, que cuida do bem-estar do trabalhador.


Práticas de gestão eficiente e padronização de processos também são abordadas pelo protocolo, que apesar de não serem obrigatórias como as normativas oficiais, melhoram o fluxo do funcionamento e checagem dos fardos do algodão já beneficiado.  “Os itens que tratam sobre os cuidados e integridade dos fardos, por exemplo, visam evitar qualquer tipo de contaminação e os requisitos relacionados a padronização das amostras que serão encaminhadas para a análise de HVI”, afirmou Carneiro.


Melhorias para quem trabalha


Valmir dos Santos é gerente técnico na Unidade de Beneficiamento de uma fazenda localizada em Campo Verde, no Mato Grosso. Ele trabalha há 29 anos em algodoeiras e relatou que o certificado ABR-UBA contribui para a segurança do trabalho na usina que lidera. “O certificado funciona muito bem para as algodoeiras porque, além de fazer a prevenção dos riscos de acidente, a unidade apresenta melhorias na saúde e bem-estar do trabalhador. Para quem está na unidade, é uma segurança a mais. É uma responsabilidade muito grande gerir as equipes e entregar o algodão com qualidade e o certificado ajuda com esses processos”, afirmou Valmir.


Adesão


Poderão aderir ao Programa de certificação sustentável ABR-UBA todas as Unidades de Beneficiamento de Algodão que sejam participantes do Sistema Abrapa de Identificação (SAI) e beneficiem algodão brasileiro produzido por produtores associados às Associações Estaduais de Produtores de Algodão, filiadas à Abrapa.


O responsável pela usina deve garantir que a sua UBA atende aos princípios fundamentais da produção e do beneficiamento sustentável do algodão, em especial, os relativos à regularidade das relações trabalhistas, como:

- A proibição da utilização de trabalho estrangeiro irregular e ao cumprimento das normas de segurança do trabalho;


- A proibição da utilização de mão de obra infantil e da prática de trabalho forçado ou análogo à escravidão, ou de trabalho degradante ou indigno;


- A proibição de discriminação de pessoas por qualquer motivo;


- A liberdade de sindicalização e apoio à negociação coletiva entre os sindicatos laborais e patronais;


- A proteção legal e preservação do meio ambiente; e


- A aplicação das boas práticas industriais no beneficiamento do algodão brasileiro.


Para participar do programa, o responsável deve ler o regulamento, estar de acordo com as Listas de Verificação de Conformidade e preencher e assinar o Termo de Adesão ao ABR-UBA.


Os documentos estão disponíveis nos seguintes links:


Regulamento


Lista de Verificação para Diagnóstico


Lista de Verificação para Certificação


Termo de Adesão

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