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Novos recordes em vista

Produção e exportação de algodão registram crescimento e consolidam o Brasil como terceiro maior produtor mundial.

31 de Julho de 2025

O setor de cotonicultura comemora recordes na produção e exportação de algodão em pluma na safra 2024/2025, o que não apenas consolida a posição do Brasil como  terceiro maior produtor mundial da fibra, mas também confirma a sua liderança nas exportações, conquistada no ciclo 2023/2024, quando superou os Estados Unidos. A estimativa gira em torno de 3,96 milhões de toneladas na colheita que está começando, um incremento de 7,1%, em uma área plantada 10,2% superior (2,143 milhões de hectares). Já para os embarques externos, que têm como principal destino a Ásia, espera-se crescimento de 13%, para 2,743 milhões de toneladas.


Os indicadores positivos são apurados em meio a um cenário em que os preços da fibra, pressionados por uma oferta global elevada e incertezas econômicas, estão historicamente abaixo da média. “A demanda global está em processo de recuperação, mas ainda marcada por cautela. Os compradores têm priorizado aquisições para consumo imediato, sem grandes programações futuras”, explica Dawid Wajs, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea).


O Brasil tem condições de ampliar a área de cultivo e, consequentemente, suas exportações: a previsão é embarcar 2,97 milhões de toneladas na safra 2025/2026. Um dos desafios, entretanto, é a guerra tarifária, que pode impactar a demanda e o estoque no mundo, pressionando os preços. “O algodão é muito influenciado pelo consumo”, afirma Fernando Berardo, diretor de commodities Brasil e Latam da Barchart, especializada em dados e cotações de commodities.


O setor, que destina 75% da sua produção para o exterior, tem adotado a estratégia de buscar novos mercados, para diversificar sua pauta de exportação. A China, por exemplo, perdeu o posto de nosso maior comprador: as aquisições do gigante asiático caíram de 1,297 milhão de toneladas na safra 2023/2024, o equivalente a 50% do total dos embarques brasileiros, para 483 mil toneladas na temporada atual, representando 18% do total. Vietnã (19%), Paquistão (18%), Bangladesh (13%) e Turquia (12%) figuram entre os grandes consumidores. Além disso, aumentaram as vendas para a Índia, de 13 mil para 70 mil toneladas.


Entre os fatores que impulsionaram as exportações está a qualidade do produto. O aperfeiçoamento genético dos cultivares, que elevou o nível de qualidade da fibra, fez a diferença em um mercado bastante competitivo, opina Francisco Soares, presidente da Tropical Melhoramento & Genética (TMG). “O melhoramento tem como objetivo não apenas aumentar a resistência a pragas, mas também buscar o equilíbrio entre produtividade e qualidade”, explica.


Especializada em soluções genéticas para algodão, soja e milho, a TMG tem instalações de pesquisas no Centro-Oeste e no Nordeste, regiões que se destacam na cotonicultura nacional. O orçamento anual para pesquisa e desenvolvimento de novos cultivares gira em torno de R$ 250 milhões. De acordo com Soares, pelo menos três cultivares são lançados por ano e licenciados para grandes produtores, que multiplicam a semente e vendem ao produtor final.


Produzido com o emprego das melhores técnicas socioambientais, o algodão brasileiro é sustentável, tem as certificações necessárias para suprir o mercado internacional e pode ser rastreado ao longo da sua cadeia produtiva, desde a lavoura até a indústria, ressalta Gustavo Viganó Piccoli, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Segundo ele, o produtor tem investido em tecnologia, em maquinário e na qualificação da mão de obra do campo.


A estratégia para buscar novos mercados para o algodão brasileiro contempla, ainda, o esforço de conscientização do mercado para estimular o aumento do consumo de fibras naturais, que perderam espaço na indústria do vestuário. O grande apelo, ressalta o presidente da Abrapa, reside no fato de que as fibras sintéticas, de origem fóssil e largamente utilizadas no setor, contaminam o meio ambiente com microplásticos e são prejudiciais à saúde.


Além de garantir o fornecimento de fibra para o mercado, a cultura do algodão cria a oportunidade para exploração comercial de outro produto: o caroço de algodão, cujo processo de industrialização permite a extração de óleo, que pode ser utilizado na produção de biocombustível, e a torta de algodão (farelo), utilizada na alimentação animal, especialmente para ruminantes, devido ao alto teor de proteína. Embora incipiente, a exploração econômica do caroço de algodão tem potencial de incrementar a renda do produtor rural, sobretudo nos momentos de baixa dos preços.


A maior parte do algodão brasileiro é cultivada em segunda safra, que se estende de janeiro a agosto — na primeira, os produtores semeiam outras culturas, como soja, arroz, feijão e milho. Mato Grosso lidera a produção nacional, com 70%, seguido do Cerrado baiano, com participação de 15% a 20%. O restante está espalhado por nove Estados. O plantio na atual safra ocorreu sem adversidades climáticas, exceto a estiagem, na Bahia, e chuvas incomuns no fim de junho no Mato Grosso.

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Primeiro Encontro de Tecnologia da Abrapa discute reformulação dos sistemas de informação do algodão

Representantes das associações estaduais estiveram presentes para colaborar com os novos modelos.

31 de Julho de 2025

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) realizou nos dias 29 e 30 de julho, o primeiro do Encontro de Tecnologia da Abrapa, na sua sede em Brasília. A primeira edição da iniciativa, que abre uma série de eventos focados na reformulação dos sistemas de informação da Abrapa, conta com a presença de representantes das 12 associações estaduais de produtores filiadas à Abrapa e dos especialistas em tecnologia que mantém o ecossistema de informações da entidade em funcionamento.


No evento, foi apresentado todo o ecossistema de tecnologia de informação da Abrapa. No intuito de contribuírem com uma reformulação que apresente dados cada vez mais atualizados e transparentes, os representantes das associações estaduais falaram sobre a relação entre a sazonalidade das safras estaduais e o fornecimento de informações que alimentam os sistemas. Outro tema que as associações debateram, foi a necessidade da revisão das regras de negócio para facilitar o uso das ferramentas de tecnologia pelos produtores e unidades de produção.


De acordo com a Coordenadora de Sustentabilidade da Associação Piauiense de Produtores de Algodão (Apipa), Lucilene Sousa, “A expectativa é que com esses encontros nós consigamos possibilitar uma ferramenta mais precisa para as fazendas, de forma que as associações estaduais tenham dados mais qualificados em mãos, para que seja feita uma gestão que traga mais resultados”. A coordenadora ainda acrescentou que é muito importante que a Abrapa realize eventos e treinamentos direcionados à Tecnologia da Informação. “Estamos avançando cada vez mais na relação entre a tecnologia e o campo, logo eventos como esse são uma necessidade do setor”, pontou.


Plano Diretor de T.I. da Abrapa


A iniciativa faz parte do Plano Diretor de T.I. da associação, que iniciou a sua implementação em março deste ano. O novo plano pretende criar um conjunto único que integrará os 11 sistemas da Abrapa. O foco da reformulação, neste primeiro encontro, é avaliar as atuais regras de negócio do Sistema Nacional de Dados do Algodão (Sinda) e do módulo de convites.


O Sinda reúne os cadastros dos produtores de algodão, de grupos de cotonicultores e das unidades produtivas, para vincular as informações e habilitar as unidades cadastradas para operação na safra e participação nos programas de rastreabilidade, qualidade e sustentabilidade disponibilizados pela Abrapa.


Reescrevendo o futuro


“Simplificar as regras de negócios dos sistemas facilita a manutenção, aumenta a segurança e a confiabilidade dos dados disponibilizados pelo algodão brasileiro. Esses são pontos essenciais para entregar mais valor aos produtores e apoiadores da cadeia do algodão”, afirmou, Chefe de Tecnologia da Abrapa, Eberson Terra. “Nesta primeira fase da reformulação, temos como objetivo melhorar o fluxo do trabalho das estaduais e facilitar o contato com os produtores e unidades de beneficiamento” completou.


Para a Diretora de Relações Institucionais da Abrapa, Silmara Ferraresi, “A Abrapa é uma entidade com 25 anos, que tem programas desenvolvidos para prestar serviços aos produtores. Esses programas estão intimamente ligados aos pilares de atuação do algodão brasileiro, que são a sustentabilidade, a rastreabilidade e a qualidade, e que dão um posicionamento diferenciado à nossa pluma. Essa reestruturação de tecnologia, dá um novo olhar para o futuro de integração.” Ferraresi ainda explica que “Quanto melhor atendemos o usuário final desses sistemas, que é o produtor, melhor atenderemos o cliente final do algodão brasileiro, que são os compradores.


“Não basta ter volume, não basta ter escala, você tem que ter o diferencial. E isso só é possível através de plataformas de TI. Essa é a importância do investimento nessa área e desse aprimoramento”, finalizou.

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A convite do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, comitiva brasileira realiza missão técnica e participa de eventos sobre o algodão 

Além de treinamento na USDA, participantes também estarão na sede da Uster Technologies.  

30 de Julho de 2025

Nesta segunda-feira, 28/07, uma comitiva brasileira dedicada à qualidade do setor algodoeiro chegou aos Estados Unidos para aprimorar seus conhecimentos sobre a fibra. A convite do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da Uster Technologies, os técnicos estão realizando um treinamento para classificação de materiais estranhos em algodão em pluma, na sede da USDA, em Memphis.  

O grupo, que é formado por representantes Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), das associações de produtores da Bahia (Abapa), de Minas Gerais (Amipa), de Goiás (Agopa) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), também realizará uma visita técnica à Uster, fabricante de equipamentos HVI, utilizados para a aferir a qualidade do algodão, através da análise e classificação de 14 das suas principais características.    

Conhecimento e tecnologia 

Com o objetivo de proporcionar um entendimento aprofundado sobre a metodologia de classificação de contaminantes no algodão norte-americano, o treinamento, que está sendo ministrado pelo Programa de Algodão e Tabaco, do USDA, pretende oferecer à comitiva brasileira conhecimentos da maior referência internacional nesse campo, visando dar mais transparência ao processo de classificação para os compradores do algodão brasileiro.  

A visita técnica ao complexo da Uster Technologies, em Knoxville, no estado do Tennesse, será uma oportunidade para grupo explorar a colaboração entre os produtores brasileiros e a indústria de tecnologia em HVI. No encontro, serão tratados temas como a pegajosidade do algodão brasileiro e a suas futuras necessidades, de acordo com os fatores de classificação que a pluma nacional tem apresentado. 

De acordo com o Diretor Executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, a iniciativa faz parte de uma força tarefa da Abrapa para otimizar o processo de controle de qualidade do algodão brasileiro. “Investir em tecnologia e inovação para melhorar a qualidade do algodão brasileiro, é prioridade da Abrapa, e das associações estaduais filiadas à entidade”, comentou Portocarrero.  

Prioridade da cadeia do algodão brasileiro   

“Esta missão tem como foco principal trazer aos produtores e técnicos brasileiros soluções para problemas comuns no algodão, como contaminação por plástico e seed-coat, mas que são capazes de afetar a qualidade do algodão a depender da forma como o manejo é feito”, afirmou o Coordenador de Controle de Qualidade da Abrapa, Deninson Lima. “Essa visita nos trará uma perspectiva nova sobre o algodão brasileiro a partir do ponto de vista de referências mundial em produção e análise do algodão”, pontuou o coordenador. 

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Onde a produtividade se harmoniza com a preservação

Gestão, inovação e preservação ambiental marcam a primeira edição do Brazilian Cotton Dialogues, promovido pela Abrapa de 21 a 25 de julho

28 de Julho de 2025

Nada como ir a campo para confirmar se estatísticas, relatórios e gráficos são, de fato, verdadeiros. A busca pela realidade das lavouras brasileiras de algodão guiou a primeira edição da “Brazilian Cotton Dialogues”, uma missão internacional multisetorial realizada pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) de 21 a 25 de julho em três estados brasileiros: Mato Grosso, Bahia e Goiás.


Receber comitivas internacionais já faz parte das ações rotineiras da Abrapa, mas desta vez foi diferente. “Convidamos profissionais com diferentes backgrounds, não somente importadores. Essa diversidade deu muito certo e fomentou trocas não só conosco, mas entre os próprios participantes”, explicou o diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte.


Duarte foi um dos membros da Abrapa que recebeu a delegação de 15 representantes de indústrias têxteis, fabricantes de máquinas, marcas varejistas e entidades ambientalistas globais. Além de fazendas, o grupo visitou algodoeiras, laboratórios de classificação de algodão, cooperativas e associações estaduais de cotonicultores para saberem como o país chegou aos títulos de terceiro maior produtor mundial e maior exportador global de algodão.


A grande escala das fazendas brasileiras, quando comparadas com outros países, a gestão de processos nas fazendas e o sistema brasileiro de rastreabilidade também chamaram a atenção.


“Já tinha ouvido muito sobre o crescimento da indústria do algodão no Brasil, mas o que vi foi impressionante. Do tamanho das fazendas à escala das operações, além dos bons métodos técnicos e científicos adotados. O país tem um grande potencial para crescer e fornecer ainda mais algodão no futuro”, afirmou K.V. Srinivasan, executivo da Premier Mills, da Índia, e presidente da International Textile Manufacturers Federation (ITMF).


Christian Schindler, diretor geral da ITMF, notou diferenças em relação ao Brasil que conheceu há 15 anos. “A evolução na qualidade da fibra brasileira é grande e vemos que os brasileiros conseguiram crescer tanto tecnicamente quanto em termos de sustentabilidade, graças a esse ecossistema de fazendas com alta tecnologia”, observou.


Outro destaque foi o que Schindler chamou de “conceito holístico” da cotonicultura brasileira. “Os produtores querem melhorar as práticas sustentáveis um pouco mais a cada ano. Existe um foco grande em descarbonização, e a agricultura regenerativa não é um fim em si mesma”, analisou o diretor geral da ITMF.


Essa constatação de que práticas regenerativas fazem parte do dia-a-dia dos cotonicultores brasileiros também foi citada por Nick Weatherill, CEO da Better Cotton, maior certificadora mundial do mercado de algodão. Em sua primeira missão internacional após assumir o cargo, ele observou o cuidado dos brasileiros com o solo.


“Há uma grande preocupação com a saúde do solo. Os produtores fazem rotação de culturas e investem em plantas de cobertura. São práticas benéficas tanto para o solo quanto para a produtividade agrícola. Isso mostra que a sustentabilidade está no mindset produtivo e comercial do produtor brasileiro”, afirmou Weatherill.


A coexistência de diferentes gerações de cotonicultores nas fazendas visitadas também chamou a atenção do CEO da Better Cotton. “É esse tipo de dinamismo que esperamos encontrar em campo. Uma espécie de espírito pioneiro e otimismo que vai atrás de inovações e soluções para os desafios que ainda precisam ser superados em termos de sustentabilidade”, pontuou o executivo.


O uso de tecnologia para o aproveitamento máximo dos recursos naturais é um dos caminhos a serem seguidos. “O sistema de irrigação complementar é um novo conceito para mim e faz muito mais sentido”, exemplificou Weatherill. Ele se referiu ao sensoriamento remoto usado na irrigação, que permite o aproveitamento máximo da água da chuva e indica o momento, o local e quantidade necessária de água irrigada para garantir o desenvolvimento ideal das plantas.


A presença de grandes áreas de preservação ambiental nas fazendas, mantidas pelos cotonicultores com recursos próprios e sem subsídios, também foi um aspecto destacado por vários participantes. “Fiquei otimista em ver grandes áreas de ecossistema natural protegidas e conservadas. É disso que precisamos: que o ecossistema natural e o sistema agrícola possam existir em harmonia, um ao lado do outro”, observou o CEO da Better Cotton.


Cotton Brazil. A missão “Brazilian Cotton Dialogues” é uma das iniciativas do Cotton Brazil, programa da Abrapa que promove em escala global o algodão brasileiro. O programa é realizado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e recebe apoio da Associação Nacional de Exportadores de Algodão (Anea).

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A colheita da nova safra de algodão avança no Brasil

Do dia 01 ao 17 de julho, 15% da área plantada em todo país já havia sido colhida.

28 de Julho de 2025

De acordo com a última revisão realizada pela Abrapa, a área plantada com a cultura no país deverá ser maior em relação ao ciclo 2023/2024, um aumento de 10,2%, e chegando a 2,14 milhões de hectares.


Foi registrada uma pequena queda na produtividade por hectare, em comparação com o registrado em 2024. Porém, a produção total estimada continua com previsão de recorde. Influenciada pelo aumento de área plantada, espera-se que a safra alcance 3,96 milhões de toneladas de algodão, alta de 7,1% com relação a 2023/2024.


Em relação às exportações, para o período comercial 2024/2025, é projetado um aumento de 4,5%, com expectativa de 2,80 milhões de toneladas a serem exportadas, de acordo com os dados da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (ANEA). No mês de junho, o Brasil exportou 132,8 mil toneladas, totalizando uma receita de US$ 213,5 milhões.


No acumulado de agosto/2024 a junho/2025, o Vietnã foi o principal destino das exportações brasileiras (517 mil toneladas), representando 19% do total embarcado. Somadas, as exportações para o Vietnã e o Paquistão ultrapassaram a China como principal destino do algodão brasileiro, devido à redução de 836 mil toneladas embarcados para a China, em comparação ao mesmo período do ano passado.


No Brasil, a produção têxtil teve alta de 11,8% e a de vestuário cresceu 1,8% no acumulado de janeiro a abril de 2025. O setor têxtil gerou mais 8,7 mil novos de trabalho. O setor de confecções criou 12,5 novos empregos, no acumulado de janeiro a abril de 2025.


De acordo com os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil seguir como maior exportador mundial da pluma.


Acesse o relatório completo aqui

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Confederação Colombiana do Algodão conhece a produção da pluma brasileira e se encanta com a qualidade da fibra nacional

Com o intuito de conhecer a cotonicultura brasileira, comissão formada por 14 representantes desembarcou em Brasília e participou da Cotton Trip.

28 de Julho de 2025

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) recebeu na sua sede, em Brasília, representantes da Confederação Colombiana do Algodão (Conalgodón). A visita técnica, que ocorreu entre os dias 15 e 18 de julho, apresentou à comissão todo o trabalho desenvolvido pela Abrapa em prol da produção brasileira de algodão.


Desafios na cotonicultura colombiana


A Colômbia é um país com, aproximadamente, 18 mil hectares de lavouras de algodão. Sua produção que já foi mais pujante, vem sofrendo uma drástica redução desde a abertura econômica do país, na década de 1990.


Atualmente, os produtores colombianos enfrentam desafios relacionados às pragas e à qualidade da fibra produzida. Buscando formas de sanar esses problemas e incentivar o crescimento na cotonicultura no país andino, os membros da Conalgodón vieram ao Brasil para expandirem seus conhecimentos estudando o caso de sucesso do Brasil.


Visita à Abrapa


A visita à sede da Abrapa contou com palestras onde os colombianos puderam entender como funciona o setor algodoeiro no país. O diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, falou sobre a história da cotonicultura nacional e explicou como funciona cada programa desenvolvido pela associação para melhorar desde o plantio à promoção da fibra para os mercados consumidores.


Para Portocarrero, a visita da comitiva é uma oportunidade para estreitar os laços da Abrapa com outros países sul-americanos e colaborar com o desenvolvimento da cotonicultura no mundo. “Atualmente, o Brasil é uma referência mundial na produção de algodão, e faz parte desse papel proeminente que ocupa, apresentar cases que possam disseminar o conhecimento sobre a cadeia do maior produtor da pluma no ocidente. Visando fortalecer o desenvolvimento da cotonicultura globalmente”, afirmou.


Imersão no Algodão Brasileiro


Além da palestra ministrada pelo diretor, os representantes conheceram o   Eles ainda participaram do último dia de Cotton Trip, dedicado às entidades governamentais e internacionais.


Realizado pela Abrapa junto ao movimento Sou de Algodão, a Cotton Trip levou a comitiva para a Fazenda Pamplona, lá eles puderam aprender na prática como funciona a organização de uma unidade produtora de algodão certificado, desde a colheita até a usina de beneficiamento da pluma.


Para os participantes, a tecnologia utilizada na produção brasileira, é o que garante o controle de qualidade de produção em larguíssima escala. A comitiva avaliou que esse é o grande diferencial da cotonicultura nacional, se comparada com colombina. Lá, a produção algodoeira ainda conta com colheita manual, não mecanizada. Os produtores também não têm acesso às análises de qualidade utilizando equipamentos, como o HVI.


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Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 25/07/2025

ALGODÃO PELO MUNDO #29/2025 

25 de Julho de 2025

Destaque da Semana - A falta de clareza sobre o impacto dos acordos comerciais recém-anunciados pelos EUA, a incerteza sobre as demais negociações e a indefinição da safra no hemisfério Norte contribuíram para mais uma semana de mercado estável.

Canal do Cotton Brazil - Receba informações exclusivas sobre o mercado de algodão clicando aqui: https://bit.ly/Canal-CottonBrazil.

Algodão em NY - O contrato Dez/25 fechou nesta quinta 24/jul cotado a 68,71 U$c/lp (+0,2% vs. 24/jul). O contrato Dez/26 fechou em 70,00 U$c/lp (-0,1% vs. 24/jul).

Basis Ásia - Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 913 pts para embarque Ago/Set-25 (Middling 1-1/8" (31-3-36)), fonte Cotlook 24/jul/25.

Altistas 1 - Apesar do estado das lavouras ter melhorado nos EUA, notícias de clima quente no Texas , um dos principais estados produtores de algodão no país, e no Delta geraram certo temor no mercado esta semana.

Altistas 2 - Índia e Reino Unido firmaram um acordo de livre comércio que elimina tarifas, concluindo um acordo entre duas grandes economias em um momento em que as políticas tarifárias do presidente dos EUA, Donald Trump, continuam a causar disrupções no comércio global.

Baixistas 1 - Desafios fundamentalistas como excesso de oferta continuam pressionando o mercado.

Baixistas 2 - As tensões geopolíticas aumentam a incerteza. As disputas comerciais entre EUA os demais países e as tarifas retaliatórias chinesas têm gerado alerta no mercado, enquanto as altas taxas de juros elevam os custos de produção.

Brazilian Cotton Dialogues 1 - Boas práticas e preservação ambiental foram o destaque da imersão “Brazilian Cotton Dialogues”, realizada pela Abrapa/Cotton Brazil nesta semana com 15 representantes da indústria têxtil, ongs e marcas mundiais.

Brazilian Cotton Dialogues 2 - Na programação, visitas a fazendas, algodoeiras e laboratórios de três dos principais estados produtores (MT, BA e GO). A iniciativa fomentou o ambiente de diálogo, em um espaço aberto a perguntas e trocas de experiências.

Brazilian Cotton Dialogues 3 - Em Cuiabá, durante um workshop, foram apresentados três cases de cotonicultura sustentável realizados pela Amaggi, Scheffer e Bom Futuro.

Brazilian Cotton Dialogues 4 - Participaram da missão “Brazilian Cotton Dialogues” marcas internacionais, o ITMF (principal entidade do setor têxtil global), consultores, fiações, ONGs e empresas representantes de outros elos da cadeia.

Tarifas 1 - Em 1/ago, termina a moratória tarifária dos EUA para vários países, criando incertezas no mercado de algodão. As negociações com a China têm prazo até 12/ago, com esperança de extensão para evitar as tarifas de até 145%.

Tarifas 2 - Maior fornecedor de algodão aos EUA em 2025, a Índia avança em negociações, mas resiste a abrir seu mercado agrícola e reduzir subsídios a produtores locais. Paquistão busca reduzir a tarifa de 29%.

Tarifas 3 - Vietnã terá tarifas de 20% (produtos locais) e 40% (transbordos, visando China). Acordos bilaterais incluem a compra de US$ 3 bilhões em produtos agrícolas dos EUA, mas sem menção ao algodão.

Tarifas 4 - Bangladesh teve tarifa reduzida de 37% para 35%, o que ainda pesa. Para compensar, comprometeu-se a comprar 700 mil tons de trigo dos EUA. Indonésia e UE negociam taxas menores (19% e 15% respectivamente).

China 1 - A China lançou trens exclusivos para escoamento de algodão de Xinjiang em 20/jul. O objetivo é acelerar a logística e fortalecer o elo com as principais regiões têxteis do país, como Guangdong e Jiangsu.

China 2 - O tempo de transporte foi reduzido de cerca de 14 dias para apenas 6 dias em rotas norte‑sul. Até agora, foram transportadas 234 mil tons de algodão, fios e tecidos de Xinjiang, consolidando a cadeia têxtil regional e reduzindo custos logísticos.

China 3 - Importações chinesas de algodão em junho atingiram apenas 27,4 mil tons (mínimo histórico), com Turquia (25% do total), Austrália (23%) e Brasil (21%) como principais fornecedores.

China 4 - No acumulado de 11 meses, a China importou 1,08 milhão tons (vs. 3,06 milhões em 2024). Brasil lidera (45%), seguido pela Austrália (23%), enquanto os EUA caíram de 35% para 18%.

China 5 - Futuros da bolsa de Zhengzhou (ZCE) subiram 890 yuans/tonelada (6,7%) desde o fim de maio. Esta alta é impulsionada pela expectativa de oferta mais apertada no verão, após consumo maior que o previsto.

China 6 -Diferença entre futuros chineses (ZCE) e de Nova York (ICE) chegou a U$c 21,5/lp. Com isso, traders estão aproveitando e fechando negócios com algodão brasileiro, mas estoques ainda estão com comerciantes locais, sem destino final às fiações.

Bangladesh 1 - A Bangladesh Textile Mills Association (BTMA) protesta contra o novo imposto antecipado de 2% sobre o algodão importado e o aumento do tributo sobre fios locais, alertando para o risco de colapso da indústria.

Bangladesh 2 - Em resposta às medidas, a associação suspendeu a retirada de contêineres de algodão e exigiu a revogação imediata das políticas fiscais “autodestrutivas”.

Bangladesh 3 - A BTMA também cita alta nos juros bancários (até 16%), energia cara e incerteza no fornecimento como fatores que agravam a situação das fábricas têxteis.

Paquistão - Os produtores de algodão do Paquistão se beneficiaram de uma estação de monções. Até agora, houve enchentes limitadas, mas com a continuidade das chuvas em várias regiões, os riscos estão aumentando.

Índia - Nos primeiros dez meses da temporada, as importações de algodão pela Índia chegaram a 569.019 tons , sendo os principais fornecedores Austrália (21%), Brasil (20%) e ZFA (19%).

Indonésia 1 - A Indonésia importou 38.717 tons de algodão em maio, um aumento de 43% em relação a abril e 11% ante maio/2023, com o Brasil respondendo por quase metade deste volume.

Indonésia 2 - Nos primeiros 10 meses da temporada, as importações de algodão totalizaram 344.216 tons, com Brasil como principal fornecedor (44%), seguido por Austrália (28%) e EUA (17%).

Coreia do Sul - No acumulado de 11 meses, as importações de algodão pela Coreia do Sul totalizaram 64.265 tons (acima das 55.810 em 2023/24), com Brasil (64%) e EUA (30%) como principais fornecedores.

Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 81,9 mil tons na terceira semana de julho. A média diária de embarque é 19,4% menor que no mesmo período em 2024.

Colheita 2024/25 - Até ontem (24/07) foram colhidos no estado da BA (42%), GO (55,8%), MA (50%), MG (55%), MS (57%), MT (10%), PI (63%), PR (95%) e SP (93%). Total Brasil: 20,23%.

Beneficiamento 2024/25 - Até ontem (24/07) foram beneficiados nos estados da BA (19%), GO (13,5%), MA (5%), MG (19%), MS (15%), MT (0,9%), PI (28%), PR (80%) e SP (95%). Total Brasil: 6,19%.

Preços - Consulte tabela abaixo ⬇

Quadro de cotações para 24-07

Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

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Döhler entra para o ranking das empresas mais inovadoras do Sul do Brasil

Primeira toalha de algodão rastreável do Brasil se destaca no ranking Campeãs da Inovação 2025 do Grupo Amanhã em parceria com a IXL Center

25 de Julho de 2025

A gigante têxtil Döhler acaba de receber o Prêmio Campeãs da Inovação pela conquista do 7º lugar em Santa Catarina e 25º lugar no ranking geral entre 80 empresas reconhecidas. Além disso, o case da Döhler – a primeira toalha de algodão rastreável do Brasil – foi eleito o mais inovador de SC.


A entrega do reconhecimento ocorreu na tarde desta quinta-feira (24), em Curitiba (PR). Lucas Döhler, diretor industrial da companhia, recebeu os certificados e explicou aos presentes como funciona a toalha Marrocos feita parceria com o programa de rastreabilidade SouABR, da Abrapa.


“Com essa iniciativa, a gente ajuda a promover uma cadeia têxtil cada vez mais responsável e entregamos valor ao cliente porque ele passa a ter acesso a todos os detalhes de cada elo produtivo", destacou Döhler.


Isso porque, ao apontar a câmera do celular para o QR code presente na tag da toalha, o consumidor vai saber de qual fazenda veio o algodão, passando pela Fiação, Tecelagem até o produto chegar às prateleiras. Em cada etapa os dados são inseridos em uma plataforma que usa a tecnologia blockchain para impedir qualquer alteração. Isso significa transparência e respeito ao consumidor.


A Döhler, inclusive, foi a marca com o maior número de peças rastreadas do Brasil em 2024, segundo relatório divulgado pelo SouABR. Foram, no total, 131,6 mil peças rastreadas.


A premiação


Com mais de 20 anos de trajetória, a premiação "Campeãs da Inovação", do Grupo Amanhã em parceria com o IXL Center, reconhece empresas que se destacam por suas ideias inovadoras e soluções criativas, além de impulsionar o crescimento sustentável e a competitividade no mercado. É uma das mais importantes pesquisas do gênero no país e contempla cerca de 70 perguntas divididas em eixos que verificam a fundo a vocação de inovação de uma empresa.


“Historicamente, a Döhler tem compromisso com inovação, sustentabilidade e responsabilidade social. Ser reconhecida por este prêmio é uma grande conquista e reforça o papel fundamental da inovação no crescimento, na adaptação ágil às mudanças do mercado e na criação de novas oportunidades de negócio”, pontua Udo Döhler, presidente do Conselho de Administração da Döhler.


Portanto, investir em inovação é essencial para que as empresas permaneçam relevantes, competitivas e sustentáveis a longo prazo, finalizou Udo.


Ao todo, mais de 300 empresas de Santa Catarina, Paraná e do Rio Grande do Sul se candidataram ao prêmio Campeãs da Inovação. Dessas, 80 foram selecionadas para entrar no ranking. Na categoria têxtil, apenas a Döhler foi selecionada e entrou para lista das mais inovadoras com case campeão em SC.


Sobre a Döhler


Uma das principais e mais sustentáveis indústrias têxteis da América Latina, reconhecida globalmente pela qualidade. Tem 143 anos de história, mais de 2,5 mil colaboradores e está situada em Joinville (SC). Em seu parque fabril de 225 mil m2 produz artigos para casa (cama, mesa, banho e decoração), além de tecidos para mobília, indústria de calçados e soluções para os setores hoteleiro e hospitalar. Exporta para mais de 20 países e tem orgulho de fabricar produtos que levam conforto e bem-estar a milhares de pessoas ao redor do mundo.
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Assessoria de imprensa
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Preservação ambiental nas fazendas de algodão é destaque durante “Brazilian Cotton Dialogues”

Abrapa recebe nesta semana uma comitiva com 15 representantes da indústria têxtil e de organizações ambientalistas internacionais 

25 de Julho de 2025

O cuidado com o solo e a preservação de áreas vegetais nativas foram o ponto alto dos dois primeiros dias do “Brazilian Cotton Dialogues”. Promovida pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) junto ao programa Cotton Brazil, a iniciativa consiste em visitas a fazendas, algodoeiras e laboratórios de três dos principais estados produtores (MT, BH e GO). A comitiva reúne 15 representantes do setor têxtil global e de organizações ambientais com objetivo de conhecer, de perto, o modelo de produção brasileiro.


Na etapa realizada em Mato Grosso, a programação contou com uma visita à fazenda Cidade Verde, do grupo WDF (Wilson Daltrozo e Filhos), em Primavera do Leste. Lucas Daltrozo, diretor de produção, explicou que o algodão entrou na propriedade como uma alternativa para o manejo da soja, mas o mercado mostrou que nova cultura era um bom negócio.


“Costumo dizer que, antes de qualquer coisa, somos cotonicultores, porque hoje o algodão ocupa cerca de 52% da nossa área”, afirmou. De 1997 para cá, quando começou o plantio do algodão, muita coisa mudou. Hoje, Lucas adota o que ele chama de sistema “três-três”, que consiste no cultivo de algodão como primeira safra por três anos consecutivos, seguido por uma cultura de cobertura e, em seguida, soja.


“Deu resultado. Conseguimos rodar o algodão em toda a fazenda, rotacionando com a soja, e funcionou. A produtividade aumentou, o material orgânico no solo também, e começamos a colher um fardo e meio a mais por hectare”, revelou Lucas. Anualmente, o grupo realiza análise de solo na fazenda e a necessidade de aplicação complementar de fósforo foi reduzida com o sistema “três-três”.


Agrônomo formado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), Lucas Daltrozo leva a sério os cuidados com o solo. O grupo coordenado pela Abrapa visitou parte de uma área experimental de 1,5 mil hectares que Daltrozo mantém para testar diferentes tipos de cobertura – como braquiária, crotalária e sorgo. “O próximo desafio é integrar mais a pecuária dentro do sistema ‘três-três’. Quero colocar o animal dentro desta área de forma experimental, pra daí termos a total integração entre planta, animal e ambiente”, revelou.


Além da lavoura, a comitiva visitou a algodoeira do grupo WDF, em operação há 17 anos. “Levamos dez anos para termos a nossa usina. Nos meses de beneficiamento do algodão, ampliamos o quadro de colaboradores”, diz Lucas, explicando que, hoje, a fazenda emprega diretamente cerca de 130 profissionais.


Ainda em Primavera do Leste, a comitiva visitou a UniCotton, cooperativa fundada há 27 anos, que reúne 108 produtores de algodão. Além de comercialização, beneficiamento, inteligência de mercado e pool de compras, a UniCotton é uma das unidades de classificação de algodão associada à rede de laboratórios que integram o Programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), coordenado pela Abrapa.


A programação em Mato Grosso incluiu um workshop técnico na sede da Associação Mato-grossense de Produtores de Algodão (Ampa). Além de dados sobre a cotonicultura no Brasil e em Mato Grosso, o evento contou com a apresentação de três cases sobre a cotonicultura sustentável, realizados pela Amaggi, Scheffer e Bom Futuro.


Ao longo da programação, o “Brazilian Cotton Dialogues” ficou aberto a perguntas, questionamentos e trocas de experiência. A implementação da rotatividade entre as plantações de algodão e milho ou soja, permitindo a colheita de duas safras completas em um ano, o aumento da produtividade e a preservação de áreas nativas dentro das propriedades rurais foram alguns dos assuntos que mais chamaram a atenção.


“Esses dois dias em Mato Grosso foram reveladores para todos nós. Principalmente por percebermos como o produtor brasileiro está empenhado em inserir a conservação ambiental no seu cotidiano”, declarou K.V. Srinivasan, presidente da International Textile Manufacturers Federation (ITMF).


“A transformação da cotonicultura brasileira começa quando o foco se volta para o melhor uso da terra. Somos o terceiro maior produtor mundial e o maior exportador de pluma usando uma área inferior a 1% do território brasileiro”, contextualizou Marcelo Duarte Monteiro, diretor de Relações Internacionais da Abrapa.


Em Mato Grosso, além da Ampa, responsável por representar política e institucionalmente o setor, há ainda o Instituto Mato-grossense do Algodão (ImaMT), centro de pesquisas de melhoramento genético e desenvolvimento de tecnologia agrícola.  Segundo Jean-Louis Belot, coordenador do ImaMT, “O aproveitamento do solo foi possível devido ao alto grau de organização dos produtores”.


“Devido ao nosso clima, estamos em uma área muito propensa à pressão de pragas. Nossa meta sempre foi aumentar a resistência das plantas a ameaças fitossanitárias e criar soluções para que o produtor fizesse o melhor controle biológico possível”, explicou Jean-Louis.


Após a etapa em Mato Grosso, o “Brazilian Cotton Dialogues” continua em Goiás e na Bahia, onde serão visitadas mais duas fazendas, algodoeiras e laboratórios. O evento é uma das ações do “Cotton Brazil”, programa que promove o algodão brasileiro em escala global.


Idealizado pela Abrapa, o “Cotton Brazil” é realizado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e recebe apoio da Associação Nacional de Exportadores de Algodão (Anea).

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Por que o algodão é o futuro da moda consciente?

No mês da conscientização global sobre o uso de plásticos, o algodão e outras fibras naturais emergem como protagonistas de uma moda mais limpa, ética e alinhada ao futuro do planeta

24 de Julho de 2025

A cada julho, o mundo volta seus olhos para o impacto silencioso – e persistente – do plástico em nossas vidas. O movimento Plastic Free July, iniciado na Austrália em 2011, propõe um desafio direto: repensar hábitos, reduzir excessos e buscar alternativas sustentáveis. Embora normalmente ligado a canudos, sacolas e embalagens, o problema vai muito além — está, literalmente, no tecido das roupas que usamos.


Boa parte do que vestimos hoje é feita de fibras sintéticas como o poliéster, resultado direto da indústria do petróleo. Essas fibras se escondem sob nomes técnicos, mas o dano que provocam é visível: todos os anos, bilhões de microplásticos são liberados nos rios e oceanos apenas com a lavagem das roupas. Invisíveis, eles invadem os corpos de peixes, tartarugas, aves e — mais recentemente se descobriu — até os nossos próprios órgãos.


Diante desse cenário, a escolha de tecidos passa a ser uma decisão ética. O algodão, uma fibra vegetal que se decompõe naturalmente, ganha protagonismo como alternativa viável e responsável. Não se trata de nostalgia ou idealismo: trata-se de dados. Segundo o International Cotton Advisory Committee, o algodão perdeu espaço no mercado global de fibras nos últimos anos, enquanto os sintéticos continuam crescendo em ritmo acelerado. O custo ambiental dessa curva é alarmante.


No Brasil, onde 80% da safra de algodão é certificada socioambientalmente, a Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) vem liderando esforços para reverter essa lógica. Através de movimentos como Sou de Algodão, a associação busca conscientizar consumidores e estimular escolhas mais alinhadas com um futuro de baixo impacto. “Ninguém quer vestir petróleo”, afirma Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa. “Quando escolhemos algodão, escolhemos um material que respeita o ciclo da vida.”


Além de biodegradável e renovável, o algodão cultivado no Brasil utiliza irrigação mínima e segue protocolos que priorizam o equilíbrio entre produção, meio ambiente e responsabilidade social. É um exemplo de que moda e consciência não precisam andar em lados opostos.


Em um momento em que até a ciência aponta a presença de microplásticos em tecidos cerebrais humanos, como revelado por uma pesquisa publicada na Nature Medicine em 2024, o debate sobre o que vestimos se torna urgente. Vestir algodão não é apenas um gesto de estilo ou conforto — é um manifesto silencioso por um planeta menos contaminado e por um corpo mais protegido.

Julho pode ser apenas um mês. Mas as escolhas que fazemos agora têm impacto que vai muito além do calendário. É hora de respirar novos ares — e vestir tecidos que fazem o mesmo.

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