Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa com as principais notícias do mundo do algodão
14 de Maio de 2021
ALGODÃO PELO MUNDO #19/2021
- Algodão em NY - Após ter fechado acima de 90 cents na última quinta, o mercado operou em queda durante praticamente toda a semana. Os preços foram pressionados pela influência de outros mercados e pela previsão de chuvas no Texas. O contrato Jul/21 fechou em 84,98 U$c/lp, queda de 6,2% nos últimos 7 dias.
- Preços 1 - Ontem (13/5) o algodão brasileiro Middling 1-1/8" (31-3-36) posto Ásia estava cotado a 95,75 U$c/lp (+150 pts na semana) para embarque em Mai-Jun/21 e 96,00 U$c/lp (+25 pts) para embarque em Out-Nov/21
- Preços 2 - Na bolsa de Zhengzhou (ZCE), China, a semana foi de volatilidade, mas com o mercado fechando em alta, com algodão cotado ao equivalente a 111,05 U$c/lp, alta de 2,4% nos últimos 7 dias.
- Altistas 1 - Segundo a BCO, a área de algodão em Xinjiang (China) deve reduzir este ano devido a restrições ao uso de água para irrigação. Além disso, o governo Chinês está implementando uma política mais forte no sentido de fomentar produção de grãos, segundo a consultoria Cotlook.
- Altistas 2 - Esta semana, os EUA divulgaram o maior índice de inflação (CPI) desde 2008: 4,2% em um ano. Fundos tendem a comprar commodities para se protegerem de inflação.
- Baixistas 1 - As regiões de algodão do Oeste do Texas continuam muito secas, mas previsões de chuva na próxima semana na região pressionaram o mercado.
- Plantio - O plantio nos EUA está em 25% da área total, abaixo tanto da média dos últimos cinco anos (26%), quanto do número do ano passado (30%).
- India - A situação da COVID-19 na Índia continua muito grave. Especula-se sobre um lockdown nacional. A Índia está em período de plantio de algodão e neste momento é o país com mais infecções e mortes diárias totais por Covid-19 no globo.
- Paquistão - O Paquistão entrou em lockdown nacional no último sábado. A iniciativa visa conter o aumento da COVID-19 em uma semana de feriados no país devido ao fim do Ramadã, mês sagrado dos muçulmanos.
- USDA 1 - Em seu relatório mensal divulgado esta semana, o USDA aumentou a previsão de exportações dos EUA para esta safra, o que reduziu ainda mais a previsão de estoques finais no país, número muito acompanhado pelo mercado no momento.
- USDA 2 - O órgão previu uma safra 21/22 de 17 milhões de fardos (3,7 milhões de tons) para os EUA. A previsão é vista por muitos como otimista devido à possível correção (para baixo) da área plantada e à seca que atinge o Texas.
- Relatorio - Ainda sobre o relatório mensal do USDA, foram apresentadas as primeiras estimativas para 2020/21. A produção global em 21/22 prevista foi de 26 milhões de tons (+5,6%), enquanto o consumo previsto foi de 26,4 milhões de tons (+3,5%).
- China– O recente anúncio do governo chinês de nova cota de importação ainda não teve impacto no mercado. As cotas ainda estão sendo alocadas aos importadores, que só devem fazer seus pedidos após a formalização no novo volume.
- Xinjiang– Esta semana, os EUA fizeram duras acusações em relação à China. A gestão Biden manteve a mesma linha de argumentos do governo Trump, alegando que estão ocorrendo "crimes contra a humanidade e genocídio" em Xinjiang, principal região produtora de algodão na China.
- Japão - Por outro lado, a Muji, marca japonesa de roupas e artigos para o lar, está promovendo publicamente que usa algodão de Xinjiang em seus produtos. A empresa afirma que fez auditoria na região chinesa e não encontrou problemas.
- Indonesia - Impactada pela Covid-19, a Indonésia viu seu PIB encolher no primeiro quadrimestre do ano. O mercado têxtil também foi afetado com redução das exportações de roupas de algodão.
- Cotton Brazil - No próximo mês, haverá uma série de webinars com empresários, traders e industriais dos principais importadores para promover o algodão brasileiro. Bangladesh, Vietnã, Índia, Coreia do Sul, Indonésia, Turquia e Paquistão já têm datas confirmadas. Na China, o algodão Brasileiro será promovido no maior evento do setor no país, também em junho.
- Exportações - O Ministério da Economia divulgou que o Brasil exportou 25,9 mil tons de algodão na 1a semana de maio. O recorde para o mês é 83 mil tons, atingidas em 2019.
- Colheita - A Abrapa informa que a colheita está em andamento em SP e no PR. Norte de MG inicia na próxima semana.
Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil, programa da Abrapa. Contato: cottonbrazil@cottonbrazil.com
Laboratório central garante credibilidade às análises de qualidade do algodão brasileiro
14 de Maio de 2021
A credibilidade do algodão produzido no Brasil é tão importante quanto a qualidade, na conquista de novos mercados e na valorização da pluma nacional. Padronizar as análises de classificação é peça-chave neste processo. Foi com este objetivo que a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) criou o programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), cujo principal pilar é um moderno e bem equipado laboratório central localizado em Brasília - o Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA).
Sob responsabilidade da Abrapa, o CBRA atua na verificação e padronização dos processos de análise do algodão brasileiro, feitos por instrumentos de alto volume do tipo HVI em 11 laboratórios credenciados. O padrão internacional de classificação por instrumento de alto volume, aceito comercialmente no mundo todo, foi adotado pelo país em 2002.
"Havia muita divergência de resultados. Era preciso criar um laboratório central capaz de monitorar os laboratórios brasileiros, para garantir a reprodução de ensaios de análise e passar credibilidade ao mercado", conta Edson Mizoguchi, gestor do programa SBRHVI.
Para a estruturação da iniciativa, a Abrapa contou com a consultoria internacional de Axel Drieling, do Centro Global de Testagem e Pesquisa do Algodão (ICA Bremen), instituição de referência mundial que congrega o Faserinstitut Bremen, o Bremen Fibre Institute (FIBRE) e o Bremer Baumwollboerse (BBB). "No Brasil, existem vários laboratórios independentes que se dedicam a testar a produção nacional de algodão. O importante papel do laboratório central é zelar para que todos consigam alcançar os mesmos resultados para o mesmo algodão", resume Drieling.
O CBRA é responsável por monitorar as unidades credenciadas e dar recomendações para melhorias; preparar e fornecer as amostras necessárias para verificações diárias dos equipamentos de análise; retestar amostras dos produtores, entre outras atividades. Concebido dentro dos requisitos de boas práticas de análise de algodão, o laboratório central tem cerca de 390 metros quadrados, ambientes com parede de isolamento térmico, sistema de climatização com sensores que monitoram temperatura e umidade por minuto, além de gerador de energia. A estrutura conta com dois equipamentos de análise por instrumentos de alto volume do tipo HVI, com colorímetros duplos que garantem maior confiabilidade na leitura da cor e das impurezas. Cada máquina tem compressores, estabilizadores e no break. Os equipamentos são calibrados com algodão fornecido pelo USDA e passam por manutenção, antes do início de cada safra.
"O CBRA é o elemento central, une todos os laboratórios e cuida de uma consistente avaliação da qualidade do algodão brasileiro. Para isso, é fundamental a cooperação com todos os laboratórios e o contato permanente com as atividades de harmonização internacional", ressalta Axel Drieling.
A atuação do laboratório central é estruturada em quatro programas: Algodão CBRA de Checagem, Algodão de Reteste, Algodão Brasileiro de Verificação Interna e Programa Interlaboratorial Brasileiro. "Todos os programas visam monitorar constantemente as máquinas de alto volume, pois elas realizam mais de mil ensaios por turno de trabalho. Estamos falando de cerca de 14 milhões de análises distribuídos em 11 laboratórios", informa Mizoguchi.
Programa Algodão de Checagem
Para que todas as máquinas de análise instrumental de alto volume funcionem dentro dos mesmos parâmetros, o CBRA prepara amostras no padrão internacional e envia para todos os laboratórios participantes do programa. Essas amostras de referência, chamadas de Algodão de Checagem, são utilizadas a cada 200 amostras comerciais analisadas e enviadas. O resultado é disponiblizado, às cegas, para o laboratório central, que consolida as estatísticas e oferece orientação para a melhoria das análises.
"O programa de checagem é fundamental para a gestão da qualidade de nossos resultados", afirma Renato Marinho de Souza, coordenador dos laboratórios de HVI da Kuhlmann. Diariamente, os quatro laboratórios de HVI da Kuhlmann analisam até 50 mil amostras de algodão. Por safra, o volume chega a 7,3 milhões. "Hoje, temos uma referência confiável, nossas equipes podem monitorar e identificar desvios que antes trariam impactos ao nosso cliente", conta Souza. Segundo ele, diversos clientes pedem, inclusive, para ter acesso ao gráfico de confiabilidade das máquinas.
Programa Algodão Brasileiro de Verificação Interna
Dentro dos mesmos padrões do algodão de checagem, o CBRA fornece amostras para que a rede de laboratórios utilize na sua verificação interna. O material é utilizado sempre que necessário, para verificar o funcionamento dos equipamentos de análise do tipo HVI. Caso seja identificado algum desvio, a máquina é paralisada e calibrada com o algodão-padrão USDA, importado dos Estados Unidos.
Desta forma, os laboratórios conseguem manter os equipamentos sempre calibrados dentro dos parâmetros aceitáveis de micronaire, comprimento UHML, uniformidade, resistência, grau de reflexão e grau de amarelamento. "Além de otimizar os custos dos materiais importados para calibração dos equipamentos, o algodão brasileiro de verificação interna possibilita mais um dispositivo de controle da garantia e qualidade laboratorial", acredita Cleciano Silva Moreira, gestor do Laboratório de Análise e Classificação de Algodão da Cooperfibra.
A facilidade de identificação de desvios, com os equipamentos em plena operação, é destacada por Sérgio Brentano, gerente de laboratório da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa). "É possíveltratar eventuais desvios imediatamente, sem comprometer a credibilidade dos resultados, elevando cada vez mais a confiança no laboratório", afirma. "Esta transparência, confiança e credibilidade demonstrada na atividade do laboratório contribui positivamente para o fortalecimento do setor produtivo, nos tornando cada vez mais competitivos no mercado mundial", avalia.
De acordo com Edson Mizoguchi, o programa demonstra que os laboratórios estão evoluindo. Na safra 2016/17, de cada 100 análises, 91 ficaram dentro da faixa de conformidade aceitável. Hoje, a taxa média é de 96.
Programa Algodão de Reteste
O CBRA retesta, aleatoriamente, as amostras de algodão analisadas pela rede de laboratórios. Esta etapa, feita em duas máquinas no laboratório central, contempla as características micronaire, comprimento, resistência e uniformidade. Além de garantir a confiabilidade das análises, o reteste é uma ferramenta importante para a melhoria da qualidade das análises.
A falta de padronização do tamanho do material enviado pelos produtores, porém, ainda é um desafio para os laboratórios e para o CBRA. Para solucionar o problema, desde a safra passada, o laboratório Minas Cotton, da Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa), trabalha junto às usinas de beneficiamento para adequação da dimensão das amostras. "Fabricamos modelos de gabaritos com as especificações da IN 24 de 2016 MAPA e doamos para as algodoeiras", conta Anicézio Resende, gerente de laboratório da Amipa.
Pela norma, cada amostra deve ter pelo menos 14cm de largura por 24cm de comprimento e 8cm de profundidade, com espessura de massa de no mínimo 12cm e cerca de150g de peso. "Com essas especificações, podemos garantir que as amostras cobrirão toda a área da leitura no modulo da cor e outros, conferindo ainda mais precisão aos resultados e melhorando a credibilidade das análises feitas pelos laboratórios", afirma Resende.
Programa Interlaboratorial Brasileiro
Tanto o CBRA quanto os laboratórios participantes do Standard Brasil SBRHVI integram o chamado programa Interlaboratorial brasileiro, que consiste na realização de duas rodadas de ensaio por safra, para monitoramento dos equipamentos de análise do tipo HVI. O programa conta com a participação dos laboratórios Faserinstitut Bremen e Senai Blumenau.
Rhudson Santo Assolari Martins, gerente Laboratorial de Análises de Algodão da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa), lembra que a iniciativa foi implementada com o objetivo de aumentar a confiabilidade dos laboratórios, através da avaliação da exatidão dos resultados de cada um. "Isso nos traz credibilidade e pode até mesmo ser usado como ferramenta de comprovação de resultados da análise comercial, caso haja alguma contestação", pondera.
Além das rodadas nacionais, todos os laboratórios, inclusive o CBRA, participam das rodadas internacionais de teste do CSITC - Força Tarefa do ICAC para Padronização Comercial da Análise Instrumental de Algodão. "A partir dessas participações e orientações, conseguimos garantir para o nosso cliente rastreabilidade, confiabilidade e credibilidade na qualidade das análises do algodão", avalia Anicézio Resende.
Certificações
Com o objetivo de atestar a competência técnica e dar visibilidade ao Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), a Abrapa buscou a certificação ICA Bremen. Após um longo e rigoroso processo envolvendo auditorias e participação em quatro rodadas internacionais, em 2018 o CBRA entrou para o seleto rol dos 11 laboratórios certificados pelo ICA Bremen no mundo todo.
"Como o laboratório central é responsável por zelar pela confiabilidade dos resultados dos testes de toda a produção brasileira de algodão, é importante cuidar e comprovar que o próprio CBRA atende aos mais elevados padrões de qualidade", explica Axel Drieling. "Com a Certificação ICA Bremen, reconhecida no mercado mundial de algodão, o CBRA vem mantendo um padrão de excelência e conquistando um alto reconhecimento mundial de credibilidade e competência para o laboratório", atesta.
Em 2020, a Coordenação Geral de Acreditação do Inmetro concedeu a acreditação baseada na NBR ISO/IEC 17025 ao CBRA, nas análises de comprimento, uniformidade, resistência, micronaire, grau de reflexão e grau de amarelamento. "Nos equiparamos aos melhores laboratórios do mundo, com rastreabilidade internacional", afirma o presidente da Abrapa, Júlio Cézar Busato.
Abrapa defende associativismo em reunião anual do projeto +Algodão
13 de Maio de 2021
A Abrapa participa, esta semana, da reunião anual do Projeto de Cooperação Sul-Sul Trilateral denominado + Algodão. Criado em 2012, a partir de um convênio entre a Agência Brasileira de Cooperação de Ministério das Relações Exteriores (ABC / MRE), o Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) e o Escritório Regional da FAO para a América Latina e o Caribe (FAO RLC), o + Algodão tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento sustentável do setor algodoeiro do Mercosul, países associados e Haiti.
O encontro, iniciado nesta quarta-feira (12), reúne representantes de governo e instituições do Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru, para avaliação da parceria e definição de ações prioritárias e estratégias no contexto da pandemia de Covid19. "Esse espaço de diálogo é fundamental para que possamos avançar e assegurar nosso objetivo comum, que é o fortalecimento da cadeia do algodão na região. Espero que encontremos soluções inovadoras para este momento que estamos atravessando", disse Cecilia Malaguti, coordenadora-geral de Cooperação Sul-Sul Trilateral com Organismos Internacionais da ABC/MRE, na abertura da reunião.
O diretor-executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, defendeu o associativismo como caminho para a superação dos desafios atuais e futuros do setor. "A única forma dos produtores serem competitivos é a partir da sua organização em cooperativas, para receber assistência técnica, comprar insumos, utilizar máquinas de forma compartilhada, beneficiar o algodão e, o mais importante, reunir a produção para facilitar a comercialização e garantir uma maior lucratividade para suas famílias", afirmou, destacando o Brasil como exemplo de cooperativismo. "Cooperativas fortes e eficientes empoderam as pessoas em qualquer atividade", concluiu.
Em março deste ano, o projeto + Algodão entrou em sua terceira fase. Os eixos técnicos da nova etapa, que vai até 2024, visam à ampliação e disseminação das boas práticas, em especial o compartilhamento da tecnologia da colhedora de algodão de linha única e do mini descaroçador. A agenda inclui avançar no combate ao bicudo-do-algodoeiro, implementar uma estratégia de mercado que articule a produção e o consumo do algodão da agricultura familiar latino-americana e ampliar a efetiva divulgação e comunicação dos resultados do projeto.
Abrapa apresenta desafios e tendências da cotonicultura para pesquisadores da Embrapa
13 de Maio de 2021
Com o objetivo de subsidiar sua agenda de pesquisa e ações estratégicas, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia convidou a Abrapa para apresentar as tendências e demandas da cadeia produtiva do algodão. O encontro virtual, realizado nesta quinta-feira (13), reuniu pesquisadores e integrantes do comitê local de propriedade intelectual e do comitê técnico da unidade.
"Nosso objetivo é ver o que podemos fazer juntos para agregar maior valor e renda à agricultura brasileira", afirmou Maria Cléria Valadares Inglis, chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.
O presidente da Abrapa, Júlio Busato, lembrou que graças a parcerias com instituições como a Embrapa e universidades públicas e privadas, o Brasil tem hoje a maior produtividade de algodão não irrigado do mundo, é o quarto maior produtor e o segundo maior exportador da pluma. Ainda há, no entanto, diversos desafios pela frente, especialmente no controle de pragas e doenças.
"O maior desafio é tentar achar uma planta resistente ao nosso grande arqui-inimigo, que é o bicudo algodoeiro", relatou Busato. O foco dos produtores é o controle preventivo, uma vez que o potencial de perda da praga é de 100%. A lagarta Spodoptera frugiperta, com potencial de perda de 40 a 60%, também preocupa os cotonicultores. Do complexo de doenças fúngicas, a Ramulária é a prioridade, mas a pressão de Mancha-Alvo e Alternária tem aumentado consideravelmente nas lavouras de algodão e há poucas variedades com bons níveis de tolerância.
Outras dificuldades a serem enfrentadas são a falta de variedades com tolerância à déficit hídrico e a nematóides, o controle de plantas daninhas e a efetiva destruição de soqueiras. O presidente da Abrapa mencionou, ainda, que as tecnologias (OGM) em algodão aprovadas no Brasil seguem basicamente as características de tolerância a herbicidas e resistência às lagartas. "Precisamos de cultivares que tenham bom potencial produtivo, resistência a pragas e excelência em qualidade da fibra", sintetizou.
Como tendências do setor produtivo, Busato destacou novas soluções através de Técnicas Inovadoras de Melhoramento de Precisão (TIMPs) e maior utilização de ferramentas de precisão, digitais e de inteligência artificial, principalmente na aplicação de insumos. Também citou novas soluções em tecnologias limpas, principalmente relacionadas à redução da aplicação de defensivos e fertilizantes; quantificação do carbono no sistema de produção do algodão e precificação desse ativo; e novas soluções em controle biológico, com ampliação do portfólio de alternativas, maiores índices de eficiência e forte crescimento do modelo On Farm.
Segundo Maria Cléria Valadares Inglis, as informações servirão de base para a formulação de propostas que tenham impacto efetivo na cotonicultura. "Esperamos poder realmente solucionar algumas das grandes questões da cadeia de produção do algodão", concluiu a chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.
Controle biológico: o que você precisa saber sobre a técnica aplicada no algodão brasileiro
12 de Maio de 2021
Controle biológico tem um crescimento de cerca de 15% ao ano no Brasil e representa um avanço em termos de práticas sustentáveis.
Controle biológico: o que você precisa saber sobre a técnica aplicada no algodão brasileiro
Controle biológico tem um crescimento de cerca de 15% ao ano no Brasil e representa um avanço em termos de práticas sustentáveis.
O controle biológico e microbiológico é uma das ferramentas mais importantes no Manejo Integrado de Pragas (MIP) nas lavouras de algodão, e vem crescendo cerca de 15% ao ano, no Brasil, em função dos resultados técnicos positivos, alta viabilidade econômica e benefícios ambientais envolvidos. Esta abordagem, que começou a ser empregada nas plantações de algodão na década de 1990, utiliza inimigos naturais das pragas, como insetos, fungos, vírus e bactérias, capazes de controlar o problema de infestações nas culturas em países tropicais.
No Brasil, cerca de 80% de toda a produção de insumos para controle biológico são é utilizada nas culturas da cana, soja e café, atuando em mais de 23 milhões de hectares. Porém, sua presença vem crescendo exponencialmente também nas fazendas produtoras de algodão.
Por meio do controle biológico, prioriza-se uma alternativa natural que possibilita reduzir a utilização de defensivos agrícolas químicos convencionais em até 30%, considerando variáveis como clima e incidência das pragas na região produtora. O controle é específico para cada praga e monitorado diretamente no campo por técnicos altamente capacitados, com auxílio de aplicativos digitais e softwares especializados. Dessa maneira, a aplicação de defensivos químicos ocorre somente quando a intensidade de ataque da praga ultrapassa o nível de controle de dano para o algodão, ou seja, quando efetivamente haverá perda de produtividade na lavoura, se não houver intervenção química.
O controle biológico na cultura do algodão brasileiro
Um dos principais agentes biológicos utilizados na cultura do algodão brasileiro é a Trichogramma pretiosum, uma mini vespa liberada a partir de drones ou aviões sobre a plantação. As fêmeas do inseto localizam os ovos de lagartas prejudiciais à lavoura, onde depositam seus ovos, interrompendo o desenvolvimento da praga logo no início do seu ciclo de vida. Assim, tornam os ovos do inimigo em suas próprias incubadoras, dando origem a novas vespas no lugar dos hospedeiros. Este processo leva de 7 a 12 dias, dependendo da temperatura do ambiente.
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Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais, estados produtores com associações estaduais filiadas à Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), adotam os agentes de controle biológicos massivamente nas lavouras de algodão. Juntos, possuem um total de cinco biofábricas, com a capacidade de atender 1,1 milhão de hectares de algodão na safra 2020/2021 – o correspondente a mais de 80% da produção nacional. Nos demais estados, a Abrapa incentiva o estabelecimento de biofábricas diretamente nas propriedades agrícolas, conhecidas como On Farm, modelo em que a própria fazenda multiplica os agentes biológicos para se tornar autossuficiente, respeitando os protocolos necessários e as boas práticas industriais envolvidas no processo.
A biofábrica localizada em Goiás produz bioinseticidas, biofungicidas, bionameticidas e inoculantes suficientes para atender 2.500 hectares por semana, por meio do Instituto Goiano de Agricultura (IGA) e da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa). Em Mato Grosso, sob a coordenação do Instituto Matogrossense do Algodão (Ima-MT), a produção de bactérias e inoculantes em Primavera do Leste, de fungos em Campo Verde e de baculovírus em Sorriso atende cerca de 1 milhão de hectares. Para a safra 2021/2022, o objetivo é expandir a produção de insumos para a área de algodão e mais 3 milhões de hectares de soja no estado.
Em Minas Gerais, o foco é a produção da microvespa Trichogramma pretiosum, visando o controle do complexo de lagartas de alta importância econômica para as culturas de algodão, soja e milho.
Case de sucesso no estado de Minas Gerais
Com um pouco mais de 25 mil hectares de algodão plantados na safra 2020/2021, Minas Gerais é o quarto maior estado produtor da fibra no Brasil e uma das referências da Abrapa em controle biológico.
A implementação crescente do manejo biológico nas lavouras mineiras tem gerado um sistema de produção cada vez mais sustentável, equilibrado e com resultados positivos em quesitos como qualidade e produtividade de fibra. Devido a inovações e investimentos constantes, a biofábrica da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Amipa) aumenta a produção em 20% ao ano, com o objetivo de manter esta faixa de crescimento para as próximas safras.
Um dos principais resultados observados na adoção do controle biológico no algodão de Minas Gerais foi a redução do número de aplicações de defensivos químicos. Porém, essa prática sustentável provê uma série de outros benefícios, com impactos positivos na saúde do solo, das plantas e do ecossistema em geral.
Por exemplo, observou-se melhores níveis de controle do pulgão e da mosca branca, principais pragas responsáveis pelo problema de pegajosidade do algodão, resultando em uma pluma de melhor qualidade para a indústria têxtil brasileira e mundial. Ainda, há um maior equilíbrio no ecossistema devido ao aumento exponencial de polinizadores (principalmente as abelhas) e de inimigos naturais das pragas, como as joaninhas.
A tecnologia de manejo do controle biológico permitiu um aumento de eficiência do processo. Com a utilização de drones na aplicação, a liberação a campo passou de 40 ha/dia para 450, ou seja, um aumento de eficiência em mais de 10 vezes. Devido à redução de entrada de máquinas agrícolas no sistema produtivo, a prática também contribuiu para a redução na emissão de gases de efeito estufa, no consumo de óleo diesel e nos índices de compactação de solo, resultando em um balanço positivo no sequestro de CO2 em até 2 toneladas por hectare.
Podemos listar os seguintes resultados conquistados pela adoção do controle biológico no manejo sustentável das lavouras mineiras de algodão:
Redução de 60% na pulverização específica para controle de lagartas
Redução de até 30% na aplicação total de defensivos químicos
Melhores níveis de controle do pulgão e da mosca branca
Maior equilíbrio no ecossistema pelo aumento de inimigos naturais e polinizadores
Melhoria na qualidade e na menor viscosidade da fibra de algodão
Não promove resistência a outras pragas e não diminui a eficácia de defensivos químicos
Aumento em até 5% na produtividade e melhor rendimento de pluma
Balanço positivo no sequestro de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera
Promove a biodiversidade e menor compactação do solo
Aumento da eficiência de liberação a campo com utilização de drones
Redução nos custos de produção em até 10%.
O controle biológico e as certificações
O controle biológico fornece as condições necessárias para que a planta seja vigorosa, produtiva e que tenha o processo de maturação adequado, atingindo o máximo potencial de qualidade que a genética da variedade de algodão possui. Por isso, sua prática é crescente nas fazendas produtoras de algodão do Brasil, e se destaca nos protocolos de certificação nacionais e internacionais.
No programa de sustentabilidade Algodão Brasileiro Responsável (ABR), [links ABR+BCI] que opera em benchmarking com a Better Cotton Initiative (BCI) no Brasil, existem 28 itens aplicados nas fazendas e auditados por certificadoras de terceira parte que envolvem desempenho ambiental e as boas práticas agrícolas.
Dessa maneira, todas as fazendas certificadas pelos programas ABR e BCI priorizam o manejo integrado de pragas e o controle biológico em seu sistema de manejo agronômico. Para a safra 2020/2021, a previsão é que 80% da produção nacional de algodão brasileira seja certificada com as melhores práticas socioambientais do protocolo.
Graças às inovações e novas soluções em manejo sustentável biológico, o Brasil é uma das referências no tema para a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), recebendo e realizando missões internacionais para compartilhar a tecnologia de controle biológico e as boas práticas agrícolas envolvidas nos processos de MIP junto a países tropicais.
Começou a colheita da safra de algodão 2020/21 no Brasil. Embora o ritmo se intensifique em junho, cotonicultores em São Paulo e Paraná já ligaram as máquinas. Quarto maior produtor mundial da fibra, o Brasil finaliza o período de colheita em setembro.
Nesta safra, a Associação Brasileira de Produtores de Algodão, Abrapa, estima que o volume produzido será, aproximadamente, de 2,41 milhões de toneladas de pluma. Se confirmada, a previsão corresponderá a um recuo de cerca de 20% em relação à quantidade colhida no ciclo 2019/20 devido, principalmente, à redução da área plantada, que totalizará 1,35 milhão de hectares.
Em Mato Grosso, estado que historicamente responde por 70% da produção nacional da fibra, o algodão é cultivado após a soja. Nesta temporada, o período ideal de plantio foi impactado pelo atraso no ciclo da oleaginosa, e a expectativa é de que a colheita se inicie somente no final de junho.
"Temos duas preocupações, agora, na lavoura. A primeira é com as condições climáticas, porque a janela ideal de desenvolvimento das plantas foi reduzida. Além disso, precisamos estar atentos ao controle fitossanitário das plantas", observa o presidente da Abrapa, Júlio Cézar Busato.
A safra 2020/21 e as perspectivas de mercado são foco da segunda edição do "Cotton Days", série de webinars que a Abrapa realiza junto aos principais mercados importadores da fibra nacional. A iniciativa é do programa Cotton Brazil, braço internacional de promoção do algodão brasileiro.Com o nome "Cotton Brazil Harvest 20/21 Roundtable", a rodada conta com sete eventos online no mês de junho, com empresários, traders e industriais. Bangladesh (09/06), Vietnã (22/06) e Índia (29/06) já têm datas definidas. "Estamos em negociação de agenda com Coreia do Sul, Indonésia, Paquistão e Turquia", informa Busato.
Já em 17 de junho, o Cotton Brazil participa da China International Cotton Conference, em Suzhou. O evento é promovido pela China Cotton Association (CCA) e a parceria com a Abrapa já é o primeiro resultado da assinatura de um memorando de entendimento que aproxima os cotonicultores brasileiros do mercado industrial têxtil chinês representado pela CCA.
Cotton Brazil
O Cotton Brazil é o programa da Abrapa de difusão e promoção do algodão brasileiro junto a países importadores da fibra nacional. Iniciado em 2019, é realizado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, Apex-Brasil, e com a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão, Anea. As ações são desenvolvidas a partir do escritório da Abrapa em Singapura.
Abrapa se posiciona contra definição de critérios de sustentabilidade pelo Bacen
12 de Maio de 2021
A Abrapa participou, na segunda-feira (10), de audiência pública virtual sobre normas propostas pelo Banco Central com critérios de sustentabilidade para a concessão de crédito rural. O debate foi promovido pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados.
Recentemente, o Bacen colocou em consulta pública duas minutas de atos normativos (82/2021 e 85/2021) sobre o tema. Os documentos contemplam, inclusive, regras para a divulgação de informações sobre riscos sociais, ambientais e climáticos pelas instituições financeiras. Na prática, os bancos terão que identificar se as operações financiadas atendem a critérios sustentáveis, como recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta e sequestro de carbono por aumento de biomassa no solo.
Na avaliação de entidades representativas do agronegócio, ao estabelecer novas normas para a concessão de crédito agrícola, o Banco Central extrapola as funções do Conselho Monetário Nacional e invade a competência do Conselho Nacional de Política Agrícola (CNPA), afetando diretamente a política agrícola, regulamentada pela Lei 8171/91.
Durante a audiência pública, a Abrapa deixou claro que é contrária à interferência na definição de critérios e regras ligadas à sustentabilidade para o acesso dos produtores rurais aos financiamentos do crédito rural. "Sugerimos fortemente que o Banco Central procure as cadeias produtivas do agro para conhecer e avaliar os protocolos de certificação existentes atualmente", afirmou o diretor-executivo da entidade, Marcio Portocarrero.
O diretor-executivo da Abrapa apresentou o Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), certificação que abrange 178 requisitos e atesta boas práticas sociais, ambientais e econômicas das unidades produtivas. Cerca de 80% da produção brasileira de algodão obtém o selo, que é auditado anualmente. Acreditamos que o mais correto é que haja reconhecimento daqueles produtores rurais que produzem com sustentabilidade, oferecendo vantagens ou bônus para que os mesmos possam acessar linhas de financiamento com juros diferenciados", defendeu Portocarrero.
O debate também contou com a participação de representantes do Banco Central, dos ministérios da Agricultura, da Economia e do Meio Ambiente, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
Presidente da Abrapa comenta sobre algodão responsável na moda em live
12 de Maio de 2021
Júlio Cézar Busato, presidente da Abrapa, conversou com a fundadora do PrioriAgro
O presidente da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), Júlio Cézar Busato, foi convidado por Eveline Alves, fundadora da PrioriAgro, perfil criado a fim de esclarecer sobre todos os aspectos do agro, desde os alimentos até as polêmicas relacionadas ao setor, além da sustentabilidade. O encontro aconteceu no dia 10/05, no Instagram da página, às 19h.
O bate-papo abordou a criação do Movimento Sou de Algodão, iniciativa da Abrapa para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Além disso, Júlio Busato comentou que os dois maiores estados produtores de algodão são a Bahia e o Mato Grosso. E por último, os dois participantes falaram sobre o Algodão Brasileiro Responsável (ABR) que busca tornar tangíveis as boas práticas sociais, ambientais e econômicas nas fazendas com foco nos princípios fundamentais do desenvolvimento sustentável.
"Quando começamos a levar as pessoas para conhecer a lavoura de algodão, para mostrar como é e por quem é produzido a fibra, os cuidados que temos, inclusive como o uso de defensivos, foi aí que elas perceberam que a produção não é da forma que é vendida. Tem uma frase que eu escutei de um estilista que é a mais pura verdade: 'esse algodão é produzido por famílias que empregam famílias e, com o trabalho, produzem essa fibra maravilhosa que se transforma em moda", comenta Júlio Cézar Busato.
Confira a live neste link para saber mais sobre o Movimento Sou de Algodão e a fibra brasileira.
Sobre Sou de Algodão
É um movimento único no Brasil que nasceu em 2016 para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia do algodão, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos, representando 36% de toda a produção mundial de algodão sustentável.
Setor produtivo divulga carta aberta sobre proposta de Reforma Tributária
11 de Maio de 2021
A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) e a Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) divulgaram uma carta aberta contra a elevação da carga tributária e o aumento da burocracia na reforma tributária que vier a ser discutida pelo Congresso Nacional. Como representantes de produtores que cultivam mais de 90% da área de cereais, fibras e oleaginosas do país, as três entidades pedem tratamento adequado ao setor agropecuário.
"Precisamos de uma reforma que simplifique o sistema tributário nacional e racionalize a cobrança dos tributos, afastando os efeitos perniciosos sobre quem produz e faz o Brasil crescer há décadas, inclusive em momento de pandemia", diz o documento.
Entre os temas defendidos estão alíquota especial reduzida para os insumos agropecuários; enquadramento dos produtores rurais pessoas físicas como não contribuintes, com o respectivo crédito presumido para o adquirente da produção; e aproveitamento e garantia de restituição de créditos de investimento e de exportação para cumprimento do princípio da não cumulatividade.
O setor produtivo se posiciona a favor de uma reforma tributária, mas destaca a necessidade de uma reforma administrativa anterior. "Preparar o terreno para uma reforma tributária impõe, em primeiro lugar, colocar a casa em ordem para elevar a eficiência do serviço público", afirmam as entidades.
Confira a íntegra da carta aberta assinada pela Abrapa, Aprosoja e Abramilho:
Biofábrica e controle biológico reduzem uso de agrotóxicos no algodão em Minas Gerais
11 de Maio de 2021
Cultivar algodão com nenhum produto químico até o 90º dia de manejo é um feito de dar inveja em muitos produtores Brasil afora. Mas, em Minas Gerais, a exceção virou possibilidade com o uso de controle biológico.
O resultado foi obtido pelo produtor Paulo Henrique de Faria com o auxílio de inimigos naturais produzidos pela biofábrica da Associação Mineira de Produtores de Algodão (Amipa), além de microorganismos criados em sua própria On Farm.
Plantando algodão há cinco anos em Pirapora, no norte de Minas Gerais, Faria recorre a métodos físicos, como a rotação de culturas, e biológicos para proteger sua lavoura desde que aderiu à cotonicultura.
A dificuldade ainda é superar o bicudo do algodoeiro, praga que quase dizimou a produção brasileira e assola o país até hoje. "Quando chega o bicudinho, não tem como. Passamos a intercalar com defensivos químicos", admite.
Embora já produza café e feijão livres de químicos seguindo o mesmo receituário, ele defende que, por causa do bicudo, ainda não é possível manter a produtividade do algodão sem apelar nenhuma vez às moléculas sintéticas. "Hoje, plantar algodão orgânico ainda significa produzir menos para vender um produto mais caro a partir de certificação", conta.
De olho numa solução para esse entrave, a Amipa trabalha em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em busca de uma solução. Uma das alternativas são dois insetos capazes de predar a larva do bicudo ainda dentro da maçã do algodão.
Com o avanço da pesquisa comandada pelo engenheiro agrônomo e entomólogo da Embrapa Algodão José Geraldo Di Stefano, a expectativa é disponibilizar o novo insumo macrobiológico aos associados da Amipa em meados de 2022.
Instalado na biofábrica da associação há cinco anos, Di Stefano defende uma abordagem circular do plantio de algodão calcada em quatro eixos: controle biológico, créditos de carbono, sistemas regenerativos e domínio pleno dos dados sobre a propriedade. "A partir dessa base e de uma mudança na mentalidade do produtor, será possível produzir mais e com menor impacto ambiental", aposta.
De acordo com os cálculos de logística reversa feitos por Di Stéfano, a redução de cinco aplicações de pesticidas voltados à eliminação do bicudo geraria uma redução em 8 milhões de embalagens que precisam ser descartadas após o uso.
Ainda que o trunfo contra o bicudo esteja agendado para 2022, a biofábrica da Amipa incentiva seus 500 associados a usarem bioinsumos desde o fim de 2014. O foco é na produção de insetos predadores das pragas, que ainda contribuem com a complexidade ambiental da lavoura, tornando as plantas mais resistentes e produtivas.
Entre os agentes mais procurados na biofábrica está a microvespa Trichogramma pretiosum. Ela caça lagartas como do cartucho, bicho-cigarro e falsa-medideira, pragas conhecidas por gerar grandes prejuízos para as culturas de algodão, soja e milho.
Além dos bioinsumos a preço de custo, a Amipa oferece consultoria aos produtores da região. O processo começa com uma visita do agrônomo da associação, José Lusimar Eugênio, que oferece de forma gratuita o assessoramento técnico para introduzir o controle biológico.
"Eu levanto quais os principais problemas dentro da propriedade, as culturas que o produtor trabalha e os principais gargalos presentes no manejo de pragas, não só no controle, mas principalmente na parte de monitoramento, utilização de tecnologia de aplicação", detalha Eugênio.
Depois, uma equipe faz uma análise das larvas, nematóides e insetos nocivos à lavoura via drone para decidir quais inimigos naturais usar e decidir a distribuição de armadilhas com feromônios ativos contra mariposas. Finalmente, os representantes da Amipa negociam com o produtor a compra dos defensivos biológicos.
Idealizador da biofábrica e diretor-executivo da Amipa, Lício Augusto Pena de Sairre ressalta que a produção da biofábrica vem crescendo 20% ao ano. Ele observa que a aplicação dos inimigos naturais também é feita com veículos aéreos autónomos não tripulados, o que torna o manejo de pragas mais preciso.
Somando-se ao efeito dos inimigos naturais, a Amipa oferece bioinsumos voltados ao controle de pragas do solo, como os nematóides, que também ajudam na mineralização do solo, responsável por fornecer às plantas nutrientes importantes como o nitrogênio.
Queda nos custos
Como a maioria dos membros da associação é adepta da rotação de culturas, a biofábrica também trabalha com produtos voltados para feijão e milho. É o caso do presidente da Amipa, Daniel Bruxel.
Sua propriedade, em Patos de Minas, rotaciona 16 lavouras diferentes, uma delas, o algodão. Além da cotonicultura, ele usa a microvespa na soja, no trigo e no tomate - este último já não precisa de aplicações de inseticidas para o controle de lagartas, diz Bruxel.
Embora sua produtividade não tenha aumentado — se manteve constante —, seus custos com aplicação de defensivos químicos caíram em todas as lavouras. No caso do algodão, a substituição por biológicos torna o manejo de pragas cerca de 35% mais barato. "Esse número varia de ano a ano", conta o produtor.
Para manter a lavoura de café saudável de Bruxel, a redução de custos alcança os 60%, com a introdução de inimigos naturais da família Chrysopidae para controle do bicho-mineiro, uma praga típica nos cafezais da região.
Questionado sobre a possibilidade dos biológicos substituírem de uma vez por todas as moléculas sintéticas nos próximos anos, ele aposta nos inimigos naturais pensando em longo prazo.
Algodão sustentável
A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) destaca que todas as fazendas certificadas pelos programas Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e BCI — o equivalente a 75% de todas as unidades produtivas do país na safra 2019/2020 — priorizam o manejo integrado de pragas e o controle biológico em seu sistema de manejo agronômico.
As estratégias de combate de pragas com ênfase nos bioinsumos começaram a ser empregadas nas plantações de algodão na década de 1990. Isso ocorreu após as lavouras brasileiras terem sido devastadas por pragas exóticas, como o bicudo do algodoeiro.
"Com a maior parte do algodão cultivado no Nordeste, o Brasil era um dos maiores produtores mundiais. Depois do bicudo, viramos o maior importador. A partir do uso de biológicos, fomos recuperando a nossa produtividade e estamos atrás apenas dos Estados Unidos na produção mais uma vez", afirma Júlio Cézar Busato, presidente da Abrapa.
De acordo com Busato, o algodão brasileiro hoje é o que mais produz em menos área justamente por causa do clima, também culpado por ser propício demais às pragas. Ele ainda cita a campanha Sou de Algodão, da Abrapa, que valoriza a cadeia produtiva, ao afirmar que o produtor brasileiro gasta menos água e tem alta adesão aos bioinsumos.
Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais adotam os agentes de controle biológicos massivamente nas lavouras de algodão, segundo a Abrapa. Os Estados detêm cinco biofábricas, com a capacidade de atender 1,1 milhão de hectares da pluma na safra 2020/2021 – o correspondente a mais de 80% da produção nacional.
Não há, no entanto, dados sobre a área que conta com bioinsumos de forma efetiva, de acordo com a associação. Mesmo assim, as perspectivas são animadoras, diz o produtor Paulo Henrique de Farias. Ele conta que, após aderir ao controle biológico, é impossível não perceber os benefícios.
"Não é apenas o solo que melhora, mas todo o macrossistema da propriedade. Além da redução nos químicos, o produtor começa a reduzir entradas com máquinas agrícolas, gasta menos combustíveis fósseis, energia, água e ainda preserva os funcionários", conclui.
POR PEDRO TEIXEIRA, COM SUPERVISÃO DE LEANDRO BECKER