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Treinamento aborda importância do conhecimento da “faixa de incerteza” dos laboratórios de HVI

29 de Abril de 2019

Nos dias 23 e 24 de abril, na sede da Abrapa, em Brasília, os laboratórios participantes do programa Standard Brasil HVI (SBRHVI) participaram do treinamento "Incerteza de Medição". A iniciativa, alinhada ao terceiro pilar do programa, para a safra 2018/2019, focou em um requisito importante para a implantação de um Sistema de Gestão de Qualidade (SGQ), e contemplou conhecimentos estatísticos e de metrologia. Após o treinamento, o instrutor Clecio Dambinski, da empresa Qualabor, realizou um trabalho de assessoria específico para o Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), para validar os cálculos de incerteza dos ensaios de comprimento, finura, uniformidade, resistência, grau de reflexão e grau de amarelamento aferidos pelo laboratório central. Esta assessoria foi concluída no dia 26 de abril.


Dentre os assuntos abordados no treinamento, foi feita uma análise do "Guide to the Expression of Uncertainty in Measurement" - (ISO-GUM - 1995), (NIS 3003), (EA 4/02), e NIT-DICLA 021 – INMETRO. Além disso, tratou-se de terminologia, Vocabulário Internacional de Metrologia (ISO-VIM) e Guia para a Expressão da Incerteza de Medição (ISO-GUM). Outros tópicos foram: Procedimento para determinação da incerteza segundo ISO-GUM e outros; Efeitos sistemáticos e efeitos aleatórios; Avaliação "tipo A" e "tipo B" da incerteza; Incerteza padrão, Incerteza combinada, Incerteza expandida, Fator de abrangência; Coeficiente de sensibilidade – para que serve e como determiná-lo, Fontes de incerteza – como identificá-las e quantificá-las; Conceitos básicos de estatística, dentre outros temas. A dinâmica do treinamento também incluiu uma parte prática, de conteúdo genérico com simulações e cálculos.


De acordo com o gestor de Qualidade da Abrapa, Edson Mizoguchi, cada laboratório tem resultados que comportam índices diversos de incerteza. Isso acontece porque as máquinas são diferentes – inclusive no tempo de uso de cada uma delas – e a diversidade de pessoas que fazem as análises também influencia nos resultados. "Quando se sabe qual o grau de imprecisão, as chances de acerto dos laudos são maiores. Isso incrementa a nossa credibilidade junto ao mercado, o que é grande parte do objetivo da Abrapa com o programa SBRHVI", afirma.


Nos aspectos metrológicos, a incerteza de medição é parte crucial da confiabilidade da medida. "Existe um erro a cada medida, e saber isso é critico. É uma exigência de mercado, e uma obrigação para os laboratórios acreditados. Com o conhecimento da faixa de incerteza, o cliente pode concluir se aquele laboratório é adequando para sua necessidade", atesta Clecio Dambiski.


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Abrapa pleiteia crédito para fluxo de caixa no Plano Safra 2019

25 de Abril de 2019

Recorde de produção e exportações da pluma aumentou o tempo de embarques e recebimento para o algodão enviado ao mercado internacional.



A estimativa de um novo recorde na produção brasileira de algodão na safra 2018/2019, de 2,8 milhões de toneladas de pluma, com previsão de embarques de 2,1 milhões de toneladas, acende o alerta dos produtores da commodity para a necessidade de crédito adicional para fluxo de caixa. Isso porque o incremento de cerca de 51% no volume exportado alonga o tempo de comercialização da pluma, que deixa de ser concentrado no segundo semestre para ser distribuído nos doze meses do ano. A falta de liquidez atrapalha os investimentos para a safra seguinte e os compromissos do produtor. A preocupação levou a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) a pleitear junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) a inclusão no orçamento do Plano Safra 2019 de um montante de R$1 bilhão para a contratação de Empréstimo do Governo Federal (EGF). Na última quarta-feira (24), o vice-presidente da Abrapa, Júlio Cézar Busato, e o diretor-executivo da entidade, Marcio Portocarrero, entregaram uma carta à ministra Tereza Cristina, argumentando a necessidade da disponibilização dos recursos.



"Produzindo cada vez mais e melhor, transformamos o Brasil, de um país que importava algodão na década de 80, no segundo maior exportador mundial da pluma, com tudo o que isso representa de geração de divisas, de superávit na balança comercial, emprego e renda", defende Busato. Segundo ele, o alongamento no fluxo das exportações, que antes era concentrado no segundo semestre, se dá em decorrência da logística dos embarques, que depende da disponibilidade de linhas marítimas, contêineres e do tempo de operação dos armadores.



"O cotonicultor que, tradicionalmente, recebia os valores comercializados pelo seu algodão no período da colheita e nos meses imediatamente subsequentes, terá de se adaptar para receber mais espaçadamente, ao longo do ano. Mas isso é muito difícil, pois existe um calendário agrícola que precisa ser cumprido no tempo certo. Por isso, o crédito antecipado é tão importante", disse o vice-presidente da Abrapa. De acordo com Marcio Portocarrero, a contratação dos EGF deverá ocorrer de agosto a dezembro de 2019, com vencimento fixado para julho de 2020. "Propomos que os juros sejam iguais aos do crédito rural, tendo como garantia o produto", conclui.

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Algodão será a estrela do desfile da Another Place na SPFW

22 de Abril de 2019

Usável, funcional, confortável, cheia de estilo e atemporal. Assim como o algodão, a coleção da Another Place, que será apresentada na próxima quarta-feira (24), pelo estilista Rafael Nascimento e seu sócio Caio Fortes, foi feita para ocupar as ruas e resistir ao tempo. A marca estreia na São Paulo Fashion Week (SPFW) em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), com uma coleção na qual a pluma figura em 70% das peças. Todas as roupas produzidas são comerciais, com foco no conforto.  A novidade apresentada na coleção é a alfaiataria, quem vem com o toque esportivo, que já é conhecido como clássico da marca.



"O algodão foi nosso carro-chefe desde a criação da marca, em 2015, porque sempre priorizamos conforto. Trabalhamos anteriormente com a Abrapa e o movimento Sou de Algodão na Casa de Criadores, evento de revelação de novos talentos autorais. Daí surgiu a ideia da nova parceria na Semana de Moda de São Paulo", diz o pernambucano Rafael Nascimento. Junto com o sócio Caio Fortes, ele investe numa coleção que foge do que funciona apenas nas passarelas. "A proposta dessa coleção é de uma moda usável, feita para ir para a rua e ajudar a contar a história de alguém", afirma Nascimento.



A São Paulo Fashion Week (SPFW) é a mais importante semana de moda do Brasil. Em 2016, esse foi o pano de fundo escolhido pela Abrapa para lançar o movimento Sou de Algodão, uma iniciativa conduzida pela associação dos cotonicultores, com apoio de empresas de diversos elos da cadeia produtiva da pluma, cujo objetivo é divulgar as vantagens da fibra natural para os consumidores finais.



De acordo com o presidente da Abrapa, Milton Garbugio, o Sou de Algodão representou um marco histórico para a Abrapa. Pela primeira vez, os cotonicultores passaram a 'conversar' com outros elos da cadeia produtiva – para além da indústria e do B2B –, como os profissionais que criam tendências de moda, executam e vendem e, também, os clientes finais, cidadãos comuns que consomem vestuário e artigos de casa, mesa e banho. "Nosso movimento vem ganhando cada vez mais adesão das marcas, quando elas passam a entender que optar por algodão é ter a certeza de estar investindo em uma matéria-prima sustentável, de qualidade, saudável, versátil e que conta uma história", enfatiza Milton Garbugio.


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Bayer lançará novos produtos em biotecnologia e proteção de cultivos no 12º CBA

17 de Abril de 2019

Parceira do Congresso Brasileiro do Algodão (CBA) desde a primeira edição, a Bayer está guardando para o evento suas novidades para a cotonicultura. Este ano, a empresa que, em 2018, adquiriu a Monsanto, leva para a décima segunda edição do congresso um portfolio integrado de soluções e variedades para a lavoura, que contempla desde o tratamento de sementes até agricultura digital, passando por genética, biotecnologia, serviços e produtos para proteção de cultivos. O 12º CBA é uma realização da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), com apoio do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) e tem como tema A cotonicultura como vitrine para a agricultura do amanhã.


A escolha do 12º CBA como o cenário dos lançamentos, de acordo com o líder de negócios de algodão da Bayer no Brasil, Márcio Boralli, se deve ao fato de que o evento é hoje o principal acontecimento do setor algodoeiro. "É a vitrine do algodão brasileiro. Um encontro de alta credibilidade e qualidade e que, por isso mesmo, mobiliza toda a cadeia produtiva do algodão. Esse público comparece para ver o que há de novo no mercado, tirar dúvidas, e, principalmente, discutir os grandes temas do setor", diz.


Boralli não adianta quais serão as novas tecnologias apresentadas na ocasião. Mas revela que haverá novidades em biotecnologia e produtos para proteção de cultivos. "São variedades e tecnologias pensadas para ajudar o produtor a ter mais produtividade e lucratividade. O CBA é a nossa grande vitrine do algodão e queremos mostrar que a Bayer investe cada vez mais na cultura. Acredito que, para o futuro, somos a empresa que tem o melhor pipeline de soluções para a cotonicultura", afirma.


Digital


O futuro a que se refere o executivo passa, necessariamente, pela agricultura digital. o destaque da Bayer nesse ramo é o Climate FieldView, plataforma que coleta e processa dados automaticamente no campo e ajuda produtores e técnicos a avaliar a performance de cada talhão, desde o plantio até a colheita. O produto não é mais novidade no CBA, já que havia sido apresentado na edição de 2017. "Nesses dois anos, a tecnologia amadureceu e ganhou muita adesão", revela Boralli. A facilidade de ter acesso remoto e online à lavoura, na opinião do executivo, é uma grande aliada, mas não anula o papel do agricultor e dos técnicos na produção.  "Eles não estarão longe do processo, fazendo tudo de casa. Mas receberão a qualquer hora milhares de dados na palma da mão, que, processados, ajudam na tomada de decisões", explica.


A revolução digital e biotecnológica na cotonicultura dá a Boralli a certeza de que ainda há muito para ser alcançado, por exemplo, na melhoria da produtividade. Tomando por parâmetro a média brasileira de 1770 quilos de pluma por hectare, o executivo lembra que há produtores que, em alguns talhões, chegam a colher até três mil quilos de pluma por hectare, cerca de 500 arrobas/ha de algodão em capulho. "Isso é uma prova de que, mesmo tendo uma das maiores médias de produtividade do mundo, ainda há espaço para melhorar", considera.


Para o presidente da Abrapa e do 12º Congresso Brasileiro do Algodão, Milton Garbugio, a decisão de empresas como a Bayer de não apenas patrocinar, como apresentar no evento tecnologias inéditas, mostra a importância do CBA no calendário da cotonicultura nacional. "O congresso influencia em decisões de mercado dessas companhias, que se programam para, a cada dois anos, mostrar produtos, tendências e também para ouvir a demanda dos cotonicultores, que serão a base do desenvolvimento das novas tecnologias", conclui Garbugio.

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Rabobank confirma patrocínio ao 12º Congresso Brasileiro do Algodão

16 de Abril de 2019

Banco responsável pelo financiamento de mais de 60% da safra brasileira de pluma, o Rabobank é um dos patrocinadores do 12º Congresso Brasileiro do Algodão (12º CBA), evento que deve reunir em torno de 1,5 mil pessoas em Goiânia, entre os dias 27 e 29 de agosto. O banco celebra mais um ano de crescimento de área da commodity, que, neste ciclo, superou 1,5 milhão de hectares plantados, com expectativa de colheita de 2,5 milhões de toneladas. O congresso é realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), e este ano traz o tema A cotonicultura como vitrine da agricultura do amanhã.


De acordo com a diretora do Rural Banking do Rabobank Brasil, Fabiana Alves, o cenário de retomada de área e de recorde de produção favorece o posicionamento do país no mercado internacional. Para o banco, o Brasil deve se consolidar como segundo maior exportador global, com vantagens competitivas frente aos seus concorrentes, em especial, a capacidade de expansão de produção em sistemas como o cultivo em segunda safra.


“Para atingir esse potencial, o setor necessitará de investimentos no campo, com maquinários específicos para a cultura, passando pelo incremento da capacidade de beneficiamento e também pelo desenvolvimento de alternativas logísticas para as exportações tradicionais, atualmente concentradas nos portos do Centro-Sul”, explica. Por conta disso, a participação do Rabobank no congresso, o mais importante evento da cotonicultura nacional, na opinião da executiva, é muito importante.


O setor algodoeiro, sob a liderança da Abrapa, tem, segundo Fabiana Alves, o papel fundamental de promover os debates primordiais acerca dos interesses, oportunidades e desafios da cotonicultura brasileira. “Um setor organizado, com pautas e estratégias claras, com atuação coordenada, é fruto desta representação. A disseminação do conhecimento, a integração dos produtores e das associações estaduais, e a unidade institucional são imprescindíveis, não só para solidificar a posição do país como um dos mais relevantes na produção mundial de algodão sustentável e de qualidade, como também para abrir mercados e atuar em prol da melhoria da rentabilidade do setor”, conclui.


Para o presidente da Abrapa, Milton Garbugio, a participação recorrente do Rabobank no CBA é uma prova da confiança da instituição de crédito no setor algodoeiro. “As instituições bancárias privadas são fundamentais para viabilizar a cotonicultura brasileira, porque os programas governamentais, que compõem o Planos Safra, nem sempre são suficientes ou acessíveis no tempo que a cotonicultura demanda. Estar no CBA facilita o relacionamento entre produtores e banco”, diz Garbugio.

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Tama estreia estande próprio no 12º Congresso Brasileiro do Algodão

09 de Abril de 2019

A Tama Brasil, fabricante do RMW, filme plástico que protege os fardos nas lavouras de algodão, confirmou presença no 12º Congresso Brasileiro do Algodão (12º CBA). Ao contrário de 2017, edição de número 11 do evento, desta vez a empresa vai figurar em um estande próprio, no qual pretende estreitar os laços com os cotonicultores e apresentar as novidades. A companhia é fornecedora mundial exclusiva da fabricante de máquinas John Deere, e detém a patente do RMW, filme plástico utilizado na colhedora de algodão nos modelos JD7760 e CP690, que mudaram drasticamente a forma e a logística da colheita de algodão. Estima-se que, atualmente, em torno de 75% da safra brasileira envolvam a tecnologia no processo. O 12º CBA é realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e será realizado em Goiânia, entre os dias 27 e 29 de agosto. Este ano, o tema será A cotonicultura como vitrine para a agricultura do amanhã.



A empresa israelense, com fábrica no município de Feira de Santana, na Bahia, espera chamar a atenção do público levando para o evento fardos logotipados com a marca do movimento Sou de Algodão, remontando a uma iniciativa fruto da parceria com a Abrapa, lançada em 2018. "Fizemos uma série especial do RMW com tiragem suficiente para enfardar, aproximadamente, 1950 fardos. Adquiridos por produtores da Bahia e do Mato Grosso, os fardos ficavam à beira das rodovias e chamavam atenção de quem passava pela estrada", lembra o gerente de Vendas e Marketing da Tama Brasil, Bruno Caetano Franco. Os fardos envelopados com os famosos filmes amarelos medem em média 2,38 metros e pesam cerca de 2,3 toneladas. No evento, eles ficarão posicionados em áreas de grande movimentação de participantes, fora do estande da Tama.



O 12º CBA também será o cenário para a companhia apresentar à cadeia produtiva da pluma uma novidade, sua plataforma digital de comunicação com o cliente. De acordo com Bruno Franco, trata-se de um app que funciona on e off-line, desenvolvido para garantir mais agilidade, seja na solução de problemas técnicos ou demanda por serviços. "Esperamos também aumentar nossa percepção entre os clientes e estreitar vínculos, mesmo sendo o único fornecedor do produto. Nenhum lugar melhor para isso que o Congresso do Algodão", explica o gerente.



Para o presidente da Abrapa e do 12º CBA, Milton Garbugio, a presença da Tama já era importante, mas a decisão de aumentar sua participação no congresso sinaliza muito positivamente sobre a relevância do evento para o setor. "Esperamos que esta parceria entre a empresa e a Abrapa seja duradoura e frutifique", afirma Garbugio.



Sobre o Sou de Algodão


Lançado em 2016, na São Paulo Fashion Week, o movimento Sou de Algodão visa o incremento do consumo da fibra no mercado interno, através do reforço das vantagens da matéria-prima natural para a saúde, o conforto, o meio ambiente e o estilo, tendo a moda como interface com o público final.


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Abrapa – 20 anos na vanguarda

08 de Abril de 2019

O que separa uma produção de 700 mil toneladas de uma de quase três milhões de toneladas, ou a condição de grande importador para a de segundo maior exportador de pluma de algodão do planeta não são números que se mensurem em unidades de peso, mas que se marcam no calendário. Vinte anos se passaram desde que, em 7 de abril de 1999, foi criada a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). A entidade já nasceu sob o signo do desenvolvimento, tendo por estratégia a sustentabilidade da atividade. Ao surgir, como a materialização da união dos cotonicultores do Brasil, a Abrapa deixava para trás uma história secular de fracassos, sucessos temporários e recomeços da cotonicultura brasileira como atividade econômica, para inaugurar uma nova página na história, cravando decisivamente o nome do Brasil no mapa mundial do algodão.



Na safra 2018/2019, que começará a ser colhida em mais alguns dias, a Abrapa e o mercado esperam uma produção nacional de 2,8 milhões de toneladas de pluma. Nos dez estados produtores de algodão do país, as lavouras devem alcançar produtividade média de 1770 quilos por hectare, índice considerado entre os maiores do mundo, principalmente por se tratarem de cultivos em regime de sequeiro. Para os ciclos adiante, a expectativa é de crescimento de área e produção, principalmente, na chamada segunda-safra, cujo plantio é feito na sequência da soja precoce, sistema para o qual o centro-oeste do país, com destaque para o estado de Mato Grosso, tem grande aptidão.



Com o crescimento vertiginoso da produção, e a estagnação da demanda do mercado interno em cerca de 700 mil toneladas, o excedente de pluma que o Brasil deve produzir é três vezes maior do que a indústria têxtil nacional é capaz de consumir, e precisa ser totalmente exportado. A capacidade de escoamento da safra por rodovias e portos, contudo, não acompanhou esse crescimento e ameaça penalizar o produtor justamente pela sua competência. Por essa razão, logística tem sido uma prioridade para a Abrapa, definindo as ações da instituição para o futuro a curto, médio e longo prazo, somando-se às sua quatro grandes frentes de trabalho: qualidade, sustentabilidade, rastreabilidade e promoção.



Produzir cada vez mais, mesmo sabendo que podem haver implicações é um "bom problema". O tipo do desafio que a Abrapa costuma assumir. O novo contexto da produção da pluma impacta tanto nas condições para garantir a entrega do produto para os clientes, a maioria deles, localizados na Ásia, quanto em todas as atividades que a associação desenvolve como programa – Algodão Brasileiro Responsável (ABR), Standard Brasil HVI (SBRHVI), Sistema Abrapa de Identificação (SAI) e Sou de Algodão. Interfere também nas ações de promoção da pluma, que focam em relacionamento para abertura e consolidação de mercados. Dentre elas, as missões Compradores e Vendedores.



Atuantes e em dia com o seu tempo, os presidentes que passaram pelo comando da associação, assim como o da gestão em curso, relembram a trajetória de duas décadas da entidade que ajudaram a criar e olham para frente, tentando prever os grandes desafios, partindo do momento em que o Brasil se consolida como player de peso no algodão, que agora passa a influenciar no comportamento do mercado.


 


Novos paradigmas



Para o atual presidente da entidade, Milton Garbugio, a Abrapa rompeu com modelos arcaicos de cotonicultura para estabelecer novos paradigmas. "Mudamos de região produtiva no Brasil, investimos em qualidade e em aumento da produção; prosperamos no cerrado, uma região que era desacreditada, e hoje o Brasil é reconhecido mundialmente como um país fornecedor de pluma sério, que honra os seus contratos e tem um produto de excelência para oferecer", ressalta. Garbugio vê ainda muitas oportunidades de crescimento, tanto de área e produção, quanto de mercado. "Nosso algodão é produzido em bases sustentáveis do ponto de vista ambiental, social e econômico. Cada vez mais, isso é o que o cliente quer", diz. Atualmente, o país já tem a maior participação, estimada em cerca de 30%, no montante mundial de pluma licenciada pela ONG suíça Better Cotton Initiative (BCI). Chegar a este estágio foi possível graças à criação do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que, desde 2012, opera em benchmarking com a BCI.




Decisões acertadas



Dentre as decisões acertadas que a Abrapa tomou desde a fundação, e que, a seu ver, respondem por parte do sucesso da associação, o ex-presidente João Luiz Ribas Pessa, o primeiro a assumir o comando da entidade, salienta os mandatos sem reeleição. "Evitar a perpetuação na presidência, porém com segurança de continuidade na linha da gestão, permitiu que a Abrapa pudesse atuar sob perspectivas diferentes, evitando a estagnação", afirma Pessa. Ele destaca a representatividade estadual, através das associações filiadas nos estados produtores, como outro fator para o êxito da nacional. "Além desses, tem o fato de que a Abrapa não foi criada para competir com os outros elos da cadeia produtiva, como seus fornecedores, a indústria ou os exportadores. Entidades como a Abit e a Anea, são nossas parceiras", diz.



Ainda segundo Pessa, no âmbito governamental, a associação assumiu uma postura proativa.  "Não chegamos na porta do Executivo apenas para pedir. Quando a Abrapa vai com um problema ao Governo, ela já leva também a solução e se compromete a ser parte da viabilização da proposta", revela Pessa, que considera os problemas logísticos e o excesso de burocracia nas exportações como os grandes gargalos do setor que pautarão a entidade nos próximos anos.



Olhar o todo



Os anos iniciais da Abrapa e os percalços pelos quais passava a cotonicultura nacional ainda estão vívidos na lembrança do segundo presidente da história da Abrapa, Jorge Maeda, que liderou a instituição entre maio de 2002 e março de 2006. "A Abrapa surgiu num contexto de crise muito grande. Os produtores de algodão se juntaram para tentar reverter essa situação, escrever uma nova história. O bonito dessa união é que ela se deu de fato entre aqueles que cultivavam algodão, sem incursões de outros agentes, e conquistou credibilidade", relata. Maeda destaca o papel da iniciativa privada na trajetória da associação, em especial da empresa FMC, cujo apoio, em sua opinião, foi um catalisador do processo. A afinidade de objetivos ao longo das sucessivas gestões também responde, para Maeda, pelo sucesso da Abrapa. "A Abrapa sempre olhou para o todo, e não para o individual. Nada ilustra melhor isso que a vitória na Organização Mundial do Comércio (OMC), que possibilitou o investimento em pesquisa e abertura de mercados. Os recursos foram e devem ser sempre usados em prol da sustentabilidade da atividade", diz.




 Forte e reconhecida


 


"A Abrapa hoje é a associação de produtores rurais, dentre todas as culturas, mais forte e reconhecida pelos nossos clientes e Governo, dentro e fora do Brasil, inclusive, frente a outras entidades da cadeia produtiva", afirma Eduardo Logemann, que presidiu a Abrapa de março a maio de 2006. Segundo ele, dentre todas as associações de classe do agro, a Abrapa é a "mais consolidada; a que tem mais credibilidade, imagem ilibada e idônea. Esse é o maior legado em 20 anos. Chegamos até aqui porque olhamos todos na mesma direção, a do algodão brasileiro", completa.



Dentre os principais desafios numa agenda da Abrapa para as próximas duas décadas, Logemann frisa a abertura de novos mercados. "O trabalho daqui para a frente é tão importante quanto o que foi feito até agora. Já fomos o oitavo exportador mundial e seremos o segundo nesta safra. Nosso esforço, portanto, passa a ser redobrado, para colocar essa produção no mundo. Promover o algodão como fibra natural na concorrência com o sintético e evidenciar o nosso grande trunfo que é a sustentabilidade", considera o ex-presidente. Logemann recorda os primeiros embarques de pluma, da ordem de 200 mil toneladas, contra os 2,1 milhões de toneladas previstos para 2018/2019. Ele destaca a importância de seguir com as missões Compradores e Vendedores, como estratégia de conquista e consolidação dos clientes internacionais.


 


 


Performance potencializada



Presidente da Abrapa por dois mandatos – 2006/2008 e 2015/2016 – João Carlos Jacobsen Rodrigues diz que, comparando um e outro período, parece claro que, na essência, a Abrapa permanece a mesma, não desviando um momento sequer da sua missão de defender a cotonicultura brasileira, promovê-la e propagá-la. "Na performance, prevalece o estilo arrojado e combativo, direcionado para excelência e resultados, que nos caracterizam desde a fundação. Mas no operacional ela mudou radicalmente", compara. Para ele, a resposta para o incremento no poder de atuação da entidade está tanto na maturidade da instituição ao longo das muitas gestões, quanto na força que adquiriu por ser assertiva em suas ações. "Com o advento do Instituto Brasileiro do Algodão–IBA, resultado direto de uma das mais importantes batalhas já vencidas na história do agronegócio brasileiro, finalmente, pudemos tirar os planos do papel e promover mudanças que deverão ser as bases de um novo tempo para o nosso algodão, seja no campo, no mercado, ou no dia a dia das pessoas", explica. Ele dá como exemplo o programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), em especial o pilar relativo ao Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA) que, ao padronizar e verificar a classificação de pluma por High Volume Instrument (HVI) no território nacional, está ajudando a fortalecer e valorizar a imagem do algodão brasileiro e do Brasil como origem de qualidade e credibilidade. Jacobsen também enfatiza a certificação internacional do CBRA, que o torna mais respeitado no mercado mundial. Da mesma forma, destaca o investimento em propagação da imagem da fibra natural junto ao consumidor final, com movimento Sou de Algodão, cujo foco é o aumento da demanda interna do produto, a partir de iniciativas de comunicação para tornar conhecidos os seus atributos positivos.


 


 


Divisor de águas


 


 


A batalha histórica na Organização Mundial do Comércio (OMC) também é lembrada pelo quinto presidente da Abrapa, Haroldo da Cunha, como um divisor de águas e um sinal de que a sociedade organizada é capaz de alcançar grandes resultados. "Prova disso foi a luta que a associação encampou contra os subsídios do governo americano aos cotonicultores dos Estados Unidos. Essa batalha culminou com a vitória do Brasil, que trouxe benefícios concretos à produção. A Abrapa era uma entidade há dez anos e hoje é outra, graças à compensação financeira decorrente desse marco em sua existência. Ela passou a ter recursos para desenvolver projetos", afirma Cunha, para quem a associação está sempre "antenada com o que o setor precisa e pronta para atuar pela sustentabilidade da cotonicultura nacional". Haroldo da Cunha lembra que a primeira vitória se deu em 2006, quando saiu a decisão positiva de retaliação e se discutiu a modalidade em que ela se daria. "Em 2008, veio a vitória final. Em 2009 definiu-se a modalidade e, em 2010, nasceu o Instituto Brasileiro do Algodão (IBA)", enumera Cunha, que atualmente é presidente do IBA.



 


 


 


 


Um passo à frente



A Abrapa, pensando e agindo como todo, foi decisiva na elevação do Brasil ao lugar de destaque que conquistou no fornecimento mundial de pluma de qualidade, deixando para trás o histórico de grande importador no qual figurou no final do século XX. "A Abrapa foi fundamental nessa virada. Foi um trabalho árduo de marketing pela qualidade e pela credibilidade do algodão. Estamos colhendo os frutos desse esforço, mas ele tem de continuar. Precisamos intensificar nosso marketing e promoção para ganharmos mercado e preferência entre os nossos clientes internacionais", alerta o ex-presidente Sérgio De Marco, que conduziu a entidade entre janeiro de 2011 e dezembro de 2012.



Já para Gilson Pinesso, presidente da Abrapa no biênio 2013-2014, a associação é a mola-mestra do desenvolvimento do chamado novo algodão brasileiro, que prosperou no cerrado a partir do final da década de 1990. "Investimos em marketing internacional, em qualidade e rastreabilidade e nos tornamos um player respeitado no mundo. Para tudo isso, foi importante o empenho dos cotonicultores", lembra-se. Em sua visão, o desafio agora é a logística para escoamento da safra, "para fazer nossa pluma chegar no destino final o quanto antes. Dentro da fazenda, estamos preparados para crescer e ocupar novos mercados", comemora. Ele lembra que a entidade sempre esteve "um passo à frente, comprometida com o algodão e também com o agro brasileiro".




O mais difícil já foi feito


 


Para o penúltimo presidente da Abrapa em 20 anos, Arlindo de Azevedo Moura, que geriu a instituição no biênio 2017-2018, o aumento da área plantada está na base da guinada da cotonicultura brasileira no mercado mundial. Somada às estratégias de promoção que a entidade desenvolve, a expansão nas lavouras ajudou a posicionar o Brasil como grande fornecedor. "Em breve deveremos ocupar o primeiro lugar do pódio de exportadores, porque o atual número um, os Estados Unidos, têm uma produtividade muito baixa, de cerca de 940 quilos por hectare", diz. Moura credita a baixa performance do concorrente aos subsídios que recebem do governo, sem os quais a atividade lá dificilmente seria sustentável. Enquanto isso, a produtividade média do Brasil é de aproximadamente 1770 quilos por hectare. "O mais difícil foi chegar onde chegamos. Temos muita área disponível no centro-oeste, principalmente, para fazer segunda safra. São terras já abertas, e não precisamos derrubar uma só árvore. Sempre digo que é bom plantar algodão. De 20 a 30% na matriz produtiva, fazendo rotação de culturas com soja e milho", prescreve. A segunda safra, explica Moura, tem um ciclo menor, porque as variedades são mais precoces. "Esse tipo de plantio demanda menos aplicações e insumos, o que diminui o custo com a soja. Cada vez mais, a Abrapa tem de concentrar esforços em abrir e manter mercados, continuar e intensificar suas missões e nunca perder esse espírito de união e colaboração que a caracteriza desde sua fundação

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Inscrições para o 12º Congresso Brasileiro do Algodão (12º CBA) abrem em 3 de abril

03 de Abril de 2019

Abrem nesta quarta-feira, 03 de abril, as inscrições para o 12º Congresso Brasileiro do Algodão (12º CBA), no site www.congressodoalgodao.com.br, com valores que variam de acordo com o mês, e a categoria do interessado. A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), entidade que promove o evento, acredita que em torno de 1,5 mil pessoas, representantes dos diversos elos da cadeia produtiva da pluma, devem participar do encontro esse ano, que será realizado entre os dias 27 e 29 de agosto, no Centro de Convenções de Goiânia. A expectativa de aquecimento na procura vem tanto do bom momento pelo qual passa a cotonicultura brasileira na safra 2018/2019, quanto pela localização da cidade-sede do congresso, situada no coração do da região do cerrado, polo de concentração da atividade.


Os valores de inscrição são progressivos ao longo dos meses, e também variam de acordo com as categorias a que pertence o congressista, que pode ser associado, não-associado, expositor, estudante, acompanhante ou autor de trabalhos científicos a serem apresentados no CBA. Segundo a Abrapa, quem se inscrever em abril, comparativamente àqueles que o fizerem no local, no início do evento, pagará cerca de 40% menos. Ao fazer a inscrição, o interessado pode acompanhar os trâmites do processo pelo site. Ao final do evento, ele recebe um certificado de participação.


Para o presidente da Abrapa e do 12º CBA, Milton Garbugio, em uma safra em que o país deve colher em torno de 2,8 toneladas, e alcançar o segundo lugar do ranking mundial de exportações, a participação no congresso é muito importante para os agentes do setor. "É lá que vão ser debatidos os grandes temas que hoje nos afetam diretamente, como escoamento, qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade, ciência, tecnologia, marketing e muitos outros, explica Garbugio. Segundo ele, a partir de agora, o Brasil, que já era um grande player, passa a ser também formador de preços no mercado mundial. "Chegamos bem longe e precisamos não apenas nos manter na vanguarda, como ganhar ainda mais espaço, porque oportunidades para isso existem", conclui.


Este ano, o CBA vem com inovações na grade e no formato, a começar pela quantidade de dias, que passam a ser três completos. A mudança não prejudicou o conteúdo, e foi pensada para facilitar a logística do público. O congressista chega na manhã de terça-feira, para a abertura oficial do evento, participa das plenárias e, à tarde, das salas temáticas. No fim do dia, na área de exposições, na arena de inovação, confere os pitchings das startups. O mesmo formato se repete na quarta. Já na quinta-feira, a tarde é dedicada aos workshops e o 12º CBA encerra nesse dia com uma atração musical especial, em comemoração aos 20 anos da Abrapa.

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Setor algodoeiro consolida as primeiras previsões para 2018/2019

02 de Abril de 2019

Com estimativa de produzir 2,8 milhões de toneladas de algodão em pluma, aumento de 31% em relação à safra 2017/2018, o Brasil deve bater dois recordes na safra 2018/2019. O primeiro, consecutivo, em relação ao volume de pluma, ante a marca anterior de 2,1 milhão de toneladas no ciclo passado, e o segundo, nas exportações. A previsão da Câmara é de embarque de dois milhões de toneladas de pluma este ano, contra 1,3 milhões de toneladas da safra anterior. Se confirmado, o país galgará o posto de segundo maior exportador mundial da fibra, atrás dos Estados Unidos. No mercado interno, o consumo da commodity é de, aproximadamente, 700 mil toneladas e todo o excedente é exportado. Os números do setor algodoeiro foram consolidados na quarta-feira (28/03), durante a primeira reunião da Câmara Setorial do Algodão e derivados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), que reúne representantes de toda a cadeia produtiva da fibra.

A reunião marcou o término do mandato do ex-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Arlindo de Azevedo Moura, à frente do fórum, que aguarda agora a nomeação do novo condutor. A sugestão da Câmara enviada ao Mapa é o presidente da Abrapa para o biênio 2019-2020, Milton Garbugio.

Nos dez estados produtores, a previsão é de incremento de safra, com destaque para o Mato Grosso, responsável por 66% da produção nacional, que plantou um adicional de 300 mil hectares na safra em curso, equivalentes a 36% a mais que no ciclo anterior, chegando a 1,07 milhão de hectares de lavouras. O estado deve colher 1,8 milhão de toneladas de algodão em pluma. A Bahia, segundo maior provedor nacional da fibra, plantou 26% a mais, em uma extensão de 333 mil hectares, com expectativa de colher 629 mil toneladas de pluma. Já Goiás, terceiro maior estado em produção, plantou 42 mil hectares, um incremento de 30% em relação ao ano-safra passado, e espera colher 70,7 mil toneladas.

A área plantada nacional foi de 1,6 milhão de hectares, 31% maior que na safra 2017/2018, com produtividade média de 1770 quilos por hectare, uma ligeira redução de 3% no índice, em relação ao período antecedente. "Esses números colocam o país numa situação de destaque no mercado mundial, fazendo com que o Brasil passe a influenciar na formação do preço da commodity, definido em Nova Iorque. Nos últimos três anos, praticamente dobramos a nossa área plantada, muito em função do mercado, mas também da capacidade do produtor", explica Arlindo Moura.

 

Exportações

 

Com uma safra maior, a projeção da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) é de um volume de dois milhões de toneladas a serem embarcados, após o abastecimento do mercado interno. "De uma tradição de concentrar as exportações no segundo semestre, vamos passar para uma nova realidade de mandar algodão para fora ao longo dos doze meses do ano. Já nesta safra, a relação de volume por semestre será de 55% a 45%, respectivamente, no segundo semestre de 2019 e no primeiro de 2020, mas em breve esses percentuais vão se equiparar nos dois períodos", disse o presidente da Anea, Henrique Snitcovski.

 

De acordo com pesquisas informais da Anea junto aos armadores, empresas e instituições portuárias, o Brasil já embarcou, de julho de 2018 até a terceira semana de março de 2019, em torno de um milhão de toneladas. Os dados oficiais são aproximadamente 50 mil toneladas inferiores. Até junho, devem partir para o mercado externo 1,3 milhão de toneladas de algodão em pluma da safra 2017/2018. O número é um recorde sobre a marca alcançada em 2011/2012, que foi de 1,03 mil toneladas. "Se isso se efetivar, superamos a Índia em volume exportado, e ficaremos atrás apenas dos Estados Unidos", disse Snitcovski.

 

Retomada chinesa

 

À época do último recorde de exportações, 30% do algodão brasileiro tinham como destino a China, mas os altos estoques mantidos por política governamental naquele país fizeram com que a demanda diminuísse, chegando a bater em 10%. "Agora, no acumulado do segundo semestre de 2018 ao primeiro de 2019, a China já representa 40% das exportações brasileiras de algodão – cerca de 400 mil toneladas – e o Brasil segue forte em mercados já consolidados, como Indonésia, Vietnã e Bangladesh, com oportunidades na Turquia e na Coreia do Sul", revela. A Anea defende que seja intensificado um trabalho de relacionamento com o gigante asiático, uma vez que o algodão nacional representou, nos últimos anos, cerca de 10% do montante importado naquele destino. No ciclo atual de exportações da safra 2017/2018, esse número deve crescer para 25%. "Mas não podemos nos confortar com esse incremento, pois sabemos da perda de competitividade do algodão procedente dos Estados Unido,s em virtude das restrições tarifárias aplicadas entre os dois países, temos que aumentar e consolidar a participação do algodão brasileiro no mercado chinês", diz.

 

Henrique Snitcovski acredita que, para isso, além de ser competitivo, o Brasil precisa garantir a regularidade do fornecimento, levando em consideração, além do volume de produção, o tempo de trânsito da origem ao destino. "O nosso transit time para a Ásia, principal consumidor, na melhor das hipóteses, leva 35 dias. Em algumas linhas, levam-se 70 dias. Os Estados Unidos entregam em 20 a 22 dias e a Austrália, entre 10 e 12. São os nossos principais concorrentes", diz.

 

Capacidade

 

 

Os tempos de fluxo de comercialização e embarque também vão mudar, segundo a Anea, considerando uma safra maior e a distribuição do escoamento ao longo de doze meses. Snitcovski acredita que o país tem condições de se preparar para isso, uma vez que tem alcançado êxitos recentemente. "No final do ano passado, conseguimos, num único mês, exportar 215 mil toneladas de algodão. Se fizemos isso em um mês, temos de estar preparados para repetir o feito o ano inteiro.

 

Indústria

 

O mês de março criou perspectivas fortes para o setor de transformação de algodão. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit), Fernando Pimentel, o carnaval em março e as chuvas do período aqueceram o consumo no varejo, e, consequentemente, a atividade industrial. O momento, contudo, foi de queda nas exportações de vestuário e têxteis para a Argentina, em torno de 30%, sem previsão de retomada em curto prazo. O país vizinho representa um quarto das vendas brasileiras, e, segundo Pimentel, a expectativa é "desconfortável".

 

Para 2019, a Abit acredita que terá de rever a estimativa de crescimento, que era da ordem de 2% a 2,5%, e deve cair para algo entre 1,5% e 2%. "Houve um arrefecimento na expectativa da indústria após toda essa cacofonia no cenário político econômico. Logo após as eleições, fizemos uma pesquisa e tínhamos mais de 80%  de 'ótimo' e 'bom' na percepção para o novo governo. Vamos repetir essa pesquisa, mas temos muita clareza de que aquele ímpeto inicial, pelo menos pela ótica da indústria, diminuiu, apesar das conversas sobre a reforma da previdência", disse.

 

Como ponto positivo, o presidente da Abit diz que, nesse inverno, os varejistas vão poder dar saída aos estoques que sobraram da temporada do frio do ano passado. "O varejo tem mercadoria no pipeline e, havendo frio, essa sobra vai junto e puxa a produção nacional", explica. Em termos de preços no ponto de venda, Pimentel diz que consumidor continua retraído quanto a aceitar pagar por qualquer adicional de valor. O Índice de Preço ao Produtor (IPP) Têxtil e do Vestuário, em doze meses, teve 7,83% de reajuste. "Mas precisaríamos do dobro disso para compensar os aumentos de custo não só com a matéria-prima algodão, como com energia e outros insumos relevantes". Ele destaca o aumento nos custos com o corante índigo, na área do jeans, por conta do fechamento de fábricas na China.

Preço mínimo

Durante a reunião da Câmara Setorial, o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, disse que o reajuste no valor do Preço Mínimo, hoje fixado em R$64,42 a arroba, é uma prioridade do setor produtivo. O valor é referencial para os programas de crédito do Governo Federal, e também para as ocasiões em que são necessárias subvenções à comercialização e escoamento da safra. O último reajuste, feito na safra 2017/2018 para 2018/2019, foi de 14,5%. "Mesmo com essa correção, o preço mínimo ainda está defasado em 38%, em relação ao pago pelo mercado, que é de R$89,61 a arroba", compara o executivo da Abrapa.

 

A proposta da Câmara é que se chegue a um valor de R$ 83,19 a arroba. Após a conclusão dos estudos, a Câmara vai entregar a argumentação para a ministra Tereza Cristina, que, se considerar o pleito, apresentará a sugestão à área econômica do Governo. "É importante revisar isso a cada ano. Já ficamos uma década sem mexer no preço mínimo e nunca mais conseguimos alcançar um valor mais aproximado do que é pago pelo mercado", ressalvou Portocarrero.

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