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Qualidade da fibra do algodão brasileiro mantém padrão elevado em outubro, de acordo com relatório publicado pela Abrapa
10 de Novembro de 2025

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) publicou, em outubro, um novo relatório de qualidade da safra 2025, com dados consolidados do algodão beneficiado até o momento. Segundo o documento, o algodão brasileiro apresenta alta qualidade intrínseca da fibra, com destaque para os parâmetros de comprimento (UHML), uniformidade (UI) e resistência (STR). As condições climáticas do ciclo favoreceram o desenvolvimento das plantas, resultando em lavouras bem nutridas e com fibras de excelente potencial para a indústria têxtil global. O pesquisador do Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMA), Dr. Jean Belot, destaca que os dados mostraram evolução ao longo do beneficiamento. “O percentual de fardos com SFI inferior ou igual a 10% passou de 75,2% para 77% foi um avanço importante de setembro ao início de novembro. Como ainda estamos no decorrer do beneficiamento, existe potencial para resultados ainda melhores até o encerramento da safra”, afirma Belot. Segundo o pesquisador, mesmo com o início de setembro marcado por chuvas acima da média em Mato Grosso, as condições a campo permitiram logística eficiente para retirada dos rolinhos, armazenamento e cobertura adequada, preservando a qualidade da fibra. Acesse o relatório completo: https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Relatorio-de-Qualidade-safra-24-25.pdf

Conversa com o Futuro: O agro está na moda
10 de Novembro de 2025

O agro está na moda. Mas será que a moda está no agro? No primeiro episódio da série especial Conversa com o Futuro, Silmara Ferraresi, diretora de Relação Institucionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e Weider Silveiro, estilista, falam sobre a relação entre a cadeia produtiva do algodão e a indústria de moda. Acesse aqui: https://globorural.globo.com/podcasts/globo-rural-cast/noticia/2025/11/conversa-com-o-futuro-o-agro-esta-na-moda.ghtml

Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 07/11/2025
07 de Novembro de 2025

Destaque da Semana - China e EUA anunciam trégua de um ano na guerra comercial. Exportações do Brasil para a Índia em Outubro batem recorde. Apesar do shutdown recorde nos EUA, teremos relatório do USDA semana que vem. Canal do Cotton Brazil - Quer se manter atualizado sobre o mercado de algodão no mundo? Participe: https://bit.ly/Canal-CottonBrazil. Algodão em NY - O contrato Dez/25 fechou nesta quinta 06/nov cotado a 64,54 U$c/lp (-0,9% vs. 30/out). O contrato Dez/26 fechou em 68,20 U$c/lp (-0,7% vs. 30/out). Basis Ásia - O Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 685 pts para embarque Dez-25/Jan-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 06/nov/25. Altistas 1 - A trégua de um ano na guerra comercial entre China e EUA, anunciada esta semana, foi uma boa notícia, mas não ajuda o algodão americano no mercado Chinês, pois ainda persiste 10% de tarifa adicional sobre o algodão dos EUA. Altistas 2 - Com a trégua anunciada, têxteis chineses nos EUA terão tarifa de 20%, mesmo nível de Vietnã e Bangladesh e muito similar a Paquistão, Indonésia e Camboja (19%), tornando os Chineses competitivos novamente. Altistas 3 - Na China, os preços domésticos ampliaram a margem sobre a paridade internacional, aumentando a atratividade do algodão importado. Altistas 4 - Semana que vem teremos relatórios do USDA em 14/nov. Estes dados, apesar de já estarem tendo a credibilidade questionada devido ao “shutdown”, devem trazer maior visibilidade de informações, reduzindo prêmio de incerteza. Baixistas 1 - Incerteza macroeconômica — O ambiente global segue instável, com incertezas econômicas que reduzem o apetite dos fundos por commodities e limitam o fluxo de capital em direção às posições compradas. Baixistas 2 - Compras da “mão para a boca” persistem no mercado internacional, com fiações cobertas para 1-2 meses. Falta demanda consistente à frente para puxar novos embarques. Baixistas 3 - O basis brasileiro se enfraqueceu esta semana, refletindo excesso de oferta e ritmo lento de fixações. Baixistas 3 - A oferta abundante de Brasil, EUA, Austrália e África Ocidental continua sendo o principal obstáculo. Índia 1 - Um grande destaque nos números da exportação de out/25 do Brasil foi a Índia, praticamente empatada com a China em 1o lugar, com mais de 67 mil tons embarcadas no mês. Índia 2 - Esse grande volume se deve principalmente à isenção da tarifa de importação de algodão de 11% até 31/12. Acordo EUA-China 1 - EUA e China firmaram trégua comercial até 10/nov/26. Para o algodão: a China suspendeu sobretaxa de 15% sobre o produto americano, mas mantém tarifa base de 10%, mantendo a importação inviável. Acordo EUA-China 2 - O acordo beneficia o algodão brasileiro ao manter têxteis chineses com tarifa competitiva nos EUA, enquanto prejudica o algodão americano que permanece com acesso inviável ao mercado chinês. China 1 - A Cncotton.com manteve inalteradas as projeções para 2025/26: produção de 7,43 milhões tons, importações de 1,1 milhão, consumo de 8 milhões e estoques finais de 7,06 milhões tons (31/ago/26). China 2 - A colheita de algodão em Xinjiang está na fase final com previsão de término na próxima semana. Mais de 2 milhões tons de pluma foram inspecionadas na região. Turquia 1 - As importações de algodão da Turquia em set/25 foram de 53 mil tons (-32% vs ago, +23% vs 2024). Brasil foi o principal fornecedor (35%), seguido pelos EUA (32%). No acumulado da safra, totalizam 130 mil tons (+30%). Indonésia - O algodão brasileiro foi negociado na Indonésia a 73,75 cent/lb (Middling 1-5/32") para entrega local. Fora isso, o mercado permanece fraco, sem recuperação no setor têxtil. COP30 1 - A Abrapa participará da COP30 em Belém (12/nov) com o painel "Algodão como opção natural no mix têxtil", apresentado pelo gerente de sustentabilidade Fábio Carneiro, focando no alerta da matrix têxtil global com majoritariamente utilização de produtos sintéticos, derivados do petróleo, e o algodão sendo uma opção confiável, com sustentabilidade e rastreabilidade. COP30 2 - A associação integrará a delegação oficial do agro, defendendo os oito princípios para agricultura tropical sustentável e a expansão das fibras naturais, com base no documento "Agricultura Tropical Sustentável" do Fórum de Agricultura Tropical. Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 293,9 mil tons em out/25, alta de 4,6% em relação a out/24. Beneficiamento 2024/25 - Até o dia de ontem (06/11) foram beneficiados nos estados da BA (87%), GO (93,45%), MA (62%), MG (95%), MS (85%), MT (63,5%), PI (95,13%), PR (100%) e SP (100%). Total Brasil: 69,93%. Safra 2025/26 - A semeadura da nova safra já teve início nesta semana no estado de São Paulo. Preços - Consulte tabela abaixo ⬇ Quadro de cotações para 06 -11 Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

Segunda fase da maratona de verificação e conformidade passar por cinco laboratórios em MT 
06 de Novembro de 2025

Dando continuidade à maratona de Verificação e Diagnóstico de Conformidade do Laboratório (VDCL) a equipe do Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), visitou entre os dias 27/10 e 03/11, cinco laboratórios que integram o programa Standard Brasil HVI (SBRHVI) no estado de Mato Grosso.   Com o objetivo de aumentar a transparência e a precisão dos resultados de análises de HVI, realizadas em amostras de todo algodão produzido no Brasil, o CBRA avalia 55 itens da lista de VDCL, para garantir que todos os laboratórios estejam em conformidade com os requisitos do programa.   O gerente de qualidade da Abrapa, Deninson Lima, conta que as visitas são importantes para a consolidação do programa SBRVHI. “Verificar os requisitos obrigatório é uma forma de atestar a padronização e a evolução dos processos dos laboratórios que estão participando do programa.”   Segundo o gerente, a evolução na qualidade e na padronização dos processos de análise é visível. “É nítida a evolução tanto dos laboratórios que já existiam, como dos novos que estão surgindo, pois eles já nascem padronizados”. Um desses casos é o laboratório da Cooperativa Agroindustrial do Centro Oeste do Brasil (Coabra), em Sinop. O mais novo laboratório a ingressar no programa deve analisar, já na safra 2024/2025, 800 mil análises.  Avanços na qualidade das análises  Nesta segunda rodada as visitas se concentraram no estado de Mato Grosso, onde foram visitados os seguintes laboratórios: 1) BV Kuhlmann em Sapezal;  2) BV Kuhlmann em Campo Novo do Pareci;  3) BV Kuhlmann em Lucas do Rio Verde;  4) BV Kuhlmann em Sorriso;  5) Laboratório da Coabra em Sinop. O nível de padronização chamou atenção do consultor de qualidade da Abrapa, Edson Mizoguchi, que visitou os laboratórios. Para Mizoguchi, “as verificações realizadas evidenciaram um avanço significativo na implantação do Sistema de Gestão da Qualidade nos laboratórios da BV Kuhlmann”.   Em relação ao laboratório da Coabra, o consultor afirmou que a unidade apresenta um ótimo nível de conformidade. “A Coabra é um laboratório novo, que está realizando bons investimentos em qualidade. Recentemente a unidade adquiriu 4 máquinas USTER HVI CLASSING Q PRO, um equipamento de última geração que realiza o processo de micronaire de forma totalmente automatizada, eliminando a necessidade de contato manual e garantindo maior precisão na análise do algodão. O laboratório espera adquirir mais uma máquina para a próxima safra”, completou Mizoguchi.  Melhoria para a gestão dos laboratórios  Por ser o maior produtor de algodão do Brasil, o Mato Grosso tem a maior concentração laboratórios de análise da pluma. Dos 13 laboratórios participantes do SBRHVI, que padroniza as análises da qualidade da fibra no Brasil, 9 estão no estado. As visitas realizadas pelo CBRA fazem parte do pilar orientativo do programa e são essenciais para garantir a conformidade e precisão dos resultados.  Segundo o responsável pela gestão de qualidade do laboratório da Coabra em Sinop, Domingos Filho, a visita técnica é indispensável para a melhoria e aperfeiçoamento do processo de análise e de classificação instrumental tecnológica da fibra do algodão. “O encontro nos ajudou a identificar todos os pontos fortes e fracos do laboratório, nos dando garantias e segurança para fornecer análises que atendam às necessidades dos produtores e do mercado, mostrando a realidade das características de qualidade da fibra brasileira, avaliou.    A maratona de verificação terá continuidade nos meses no novembro de dezembro, e ainda passará por laboratórios em Minas Gerais (Minas Cotton) e no Oeste da Bahia (Abapa). 

Sou de Algodão lança política de adesão do Programa SouABR e reforça rastreabilidade da moda brasileira no Congresso Internacional da Abit
04 de Novembro de 2025

O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), lançou oficialmente, nos dias 29 e 30 de outubro, durante o Congresso Internacional da Abit, em São Paulo, a Política de Adesão do programa SouABR. O lançamento aconteceu no Espaço Sou de Algodão, estande do movimento no evento, que apresentou informações sobre o programa e sobre o compromisso do algodão brasileiro com a responsabilidade socioambiental e a rastreabilidade. Desde o início dos anos 2000, a Abrapa – e, posteriormente, o Sou de Algodão – têm trabalhado para fortalecer uma moda mais responsável e conectada à origem da fibra que compõe cada peça. Em 2004, a Abrapa lançou o Sistema Abrapa de Identificação (SAI), marco inicial da rastreabilidade do algodão brasileiro. O avanço veio em 2012, com a criação do Algodão Brasileiro Responsável (ABR), um programa de certificação que atesta boas práticas sociais, ambientais e econômicas nas fazendas produtoras. O movimento Sou de Algodão nasceu em outubro de 2016, ampliando o diálogo com o consumidor e o setor criativo da moda. Três anos depois, em 2019, o sistema de rastreabilidade por blockchain foi desenvolvido, garantindo total transparência entre o campo e a indústria. Em 2021, surgiu o programa SouABR, que conecta essa rastreabilidade a marcas e confecções. Atualmente, o programa contabiliza mais de 578 mil peças lançadas com algodão rastreável, por meio de 19 indústrias têxteis parceiras e marcas como Almagrino, Calvin Klein, C&A, Dohler, Dudalina, Individual, Renner, Reserva e Youcom. No último dia 17 de outubro, durante a São Paulo Fashion Week N60, o movimento apresentou o desfile Trajetórias, reunindo seis estilistas parceiros para a criação de 36 looks all black, com algodão rastreável – uma celebração à moda feita com propósito e origem.   Nova fase: política de adesão para marcas Com o lançamento da Política de Adesão do programa SouABR, o movimento dá um novo passo rumo à expansão da moda consciente, oferecendo às marcas um modelo estruturado de engajamento e reconhecimento dentro do programa. “Nosso objetivo é ampliar o alcance do SouABR, convidando novas marcas e indústrias a fazerem parte dessa cadeia de valor transparente. A política de adesão traz clareza sobre critérios, responsabilidades e benefícios, fortalecendo a relação entre o algodão brasileiro e o consumidor final”, explica Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa e gestora do Sou de Algodão. Já Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa, destaca: “O programa SouABR já conecta o produtor, a indústria e o varejo. Agora, queremos que cada marca participante se torne um agente de conscientização sobre o impacto positivo do algodão responsável no meio ambiente e na economia”. Presença institucional e diálogo com o setor O Espaço Sou de Algodão no Congresso Internacional da Abit foi um ponto de encontro para profissionais, marcas e representantes da cadeia têxtil interessados em conhecer mais sobre o movimento e o programa SouABR. Além do lançamento da política, o estande apresentou materiais informativos, vídeos e cases de marcas que já integram a iniciativa. “O Sou de Algodão é uma iniciativa exemplar da Abrapa, que há quase uma década conecta toda a cadeia têxtil em torno de valores fundamentais: sustentabilidade, inovação e orgulho do que é produzido no Brasil. Desde o início, a Abit tem se somado a esse movimento que une o campo, a indústria e o consumidor em uma mesma causa, que é valorizar o algodão brasileiro e o trabalho de quem o transforma em qualidade e propósito. Esse é o verdadeiro diferencial do movimento, que vem se fortalecendo e conquistando espaço ao levar consigo a credibilidade e a certificação da responsabilidade brasileira”, reitera Fernando Pimentel, diretor superintendente e presidente emérito da Abit.

Como o potencial de reciclagem transformou o jeans no ‘alumínio dos têxteis’ para grandes varejistas
04 de Novembro de 2025

De forma voluntária ou em troca por desconto, um cliente leva sua calça jeans usada até uma loja de roupas e deposita a peça em uma caixa. Ela é coletada, processada e vira fios de algodão para a confeccionar novas peças, que voltam à loja para serem adquiridas por novos consumidores. O movimento é um exemplo do chamado jeans circular, que busca aumentar a utilidade do material que seria descartado ou ficaria em desuso, inserindo novamente o tecido na cadeia produtiva. No Brasil, esse processo vem ganhando espaço, com grandes varejistas de moda fazendo anúncios relacionados ao jeans circular, quase em sincronia. Em setembro, a Riachuelo levou às lojas a sua maior coleção de jeans reciclado, com a utilização de quase 10 toneladas de aparas do tecido. No Grupo Renner, a Youcom lançou sua primeira coleção de jeans circular tingido na cor preta. Já a C&A anunciou nova coleção com jeans circular nas lojas para esta semana, chegando ao total de 50 mil peças neste ano. Uma das razões que explica a escolha do jeans para a reciclagem está relacionada a questões técnicas, segundo profissionais ouvidos pelo Estadão. Eles explicam que o jeans tem altíssima reciclabilidade para a indústria têxtil, sem perder sua integridade. Em termos comparativos, a resistência da fibra é semelhante ao que o alumínio significa para a reciclagem na metalurgia. No entanto, diferentemente do metal, que conta com infraestrutura e precificação atrativas para reciclagem no Brasil, o jeans ainda possui limitações para a obtenção de volumes de tecidos, tingimento e processamento mais avançado. O processo acaba ficando mais caro e resultando, em alguns relatos, na necessidade de diminuição das margens de lucro para evitar repasse dos custos para o consumidor. Mesmo assim, o jeans aparece com grande potencial em um mercado que corre para atender metas de sustentabilidade agressiva e redução de tecidos de origem mais poluente. A popularidade das peças, a mudança no comportamento do consumidor, que exige medidas de sustentabilidade de forma mandatória, e a movimentação de mercado com a recente chegada da sueca H&M ao Brasil também são citados como impulsionadores da tendência (entenda mais abaixo). Produção do jeans circular No processo de circularidade, o produto que não vem de uma matéria-prima originária ou virgem, mas de um material feito com insumo processado, ressalta a engenheira têxtil Michelle Souza, consultora do Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil do Senai (Senai CETIQT). Esse ponto explica as limitações do insumo pontuadas pelas varejistas. No caso do jeans, há duas formas de obtenção desse material: ou por meio das peças de pós-consumo, a partir da coleta de roupas de consumidores finais, ou por meio do processo de pré-consumo, quando a empresa usa as aparas de tecidos virgens que sobram das peças novas durante a confecção. O processamento é feito por um equipamento desfibrador, que tritura o material até obter fibra de algodão, e esse insumo dá origem a um novo fio. “O jeans é um material mais grosso, mais pesado, então ele é mais fácil de passar por esse processo. E ele não tem uma exigência de ser um fio muito fino, muito rebuscado, como a seda, por exemplo.” Apesar da resistência aos múltiplos processamentos, a fibra reciclada precisa, por razões técnicas, ser adicionada ao algodão virgem para compor fios de qualidade para uma nova peça. A técnica de desfibragem resulta, na maior parte das vezes, em fibras curtas de algodão. Com a junção com o algodão virgem, é possível obter fibras mais longas, que são necessárias para a formação dos fios. Os jeans que resultam disso têm qualidade bastante similar às peças feitas com 100% de algodão virgem, diz Souza. “É um material que tem uma durabilidade enorme. A qualidade e a durabilidade vão ser a mesma de um jeans virgem, não se acabam por ser reciclado. E, no fim, ele ainda pode ser desfibrado e virar estopa ou barbante, no futuro.”   Aproveitamento de aparas na Riachuelo Para fazer sua maior coleção de jeans circular, composta por 42 mil peças, a Riachuelo juntou 9,4 toneladas de tecido de aparas de fábrica. O material correspondeu a 25% dos insumos usados na linha Pool Loop. Os outros 75% do tecido tiveram acréscimo de algodão ABR virgem (Algodão Brasileiro Responsável), resultando em mais de 58 mil metros de tecido. Segundo a diretora de sustentabilidade da Riachuelo, Taciana Abreu, o resultado veio a partir de um estudo prévio feito em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT), para entender como beneficiar os tecidos residuais de fábrica. A empresa está fazendo testes para aumentar em 50% o uso do fio reciclado. “A visão é escalar esse projeto tanto em volume quanto em participação do reciclado dentro da base do fio.” O alcance desse objetivo, porém, passa por barreiras estruturais, ressalta Abreu. “A cadeia não está pronta. Temos pouco tempo de desenvolvimento industrial para a reciclagem têxtil (com) adaptação de maquinário e aquisição de novos equipamentos. Há um ambiente regulatório (política de resíduos sólidos) que está chegando para que a indústria se mexa, em que precisamos nos antecipar.” Outro ponto levantado por Abreu é a necessidade de investimento para desenvolvimento e escala da cadeia. Para a coleção Pool Loop, o preço — em torno de R$ 179,90 para uma calça feminina — foi fruto de um acordo para diminuição de margens de lucro e otimização de estratégia logística. Ver o potencial de lucratividade do jeans para a cadeia de reciclagem têxtil pode fazer com que o apetite do mercado e dos financiadores impulsione o setor. “O Brasil recicla 98% do alumínio porque a indústria já se organizou para a entrada e saída desse material ser constante. Toda uma cadeia se organizou para isso. Como a reciclabilidade do alumínio é muito alta, ele tem valor no mercado de reciclagem. O algodão (obtido no jeans) é o material que tem o maior potencial hoje de virar o nosso alumínio”, prevê.   Coleta de jeans usados na C&A Já a C&A, no mês passado, chegou a oito anos do Movimento ReCiclo, estrutura que disponibiliza caixas nas lojas para recolha de roupas usadas e doadas voluntariamente por clientes. A maior parte das peças segue para a doação e uma parte menor é destinada para a fabricação de peças de jeans, que são colocadas à venda por ciclos. Segundo a empresa, desde 2021, 250 mil peças com materiais reciclados já foram colocadas em circulação. Desse montante, 25 mil foram às lojas em julho. Uma outra coleção, também com 25 mil peças, foi anunciada para chegar às lojas nesta semana. As peças são identificadas nas etiquetas como jeans circular, mas não há diferenças de qualidade em relação às demais peças, explica a gerente sênior de ESG da C&A, Cyntia Kasai. Desde o início das fabricação dessas peças, ela percebe que a cadeia vem conseguindo evoluir na qualidade do material entregue. A evolução também se deu na possibilidade de ofertas de jeans na cor off-white, em vez de tecidos já tingidos. “As primeiras cargas de fio tinham nozinhos, eram um pouco mais grossas, e você conseguia perceber um pouco dessas irregularidades no produto final. Viemos em um trabalho muito forte de inovação, para ter cada vez fios mais finos e que trouxessem um acabamento mais coeso.” Sem abrir valores, Kasai diz que a C&A fez investimentos para que o jeans circular chegasse às lojas com preço semelhante às demais peças, mas avalia que, hoje, com outras empresas investindo no mesmo produto, já se tem um preço mais competitivo. “Conseguimos expandir o volume e esse custo hoje caiu, porque agora também há outros players maiores fazendo o fio reciclado. Há um movimento do setor.”   Jeans circular tingido na Youcom Na Youcom, do Grupo Renner, há um trabalho de “bonificação” dos clientes para estimular à logística circular do jeans. A empresa não paga pelo tecido recebido, mas oferece 15% de desconto na aquisição de uma calça jeans àqueles que levarem uma peça usada a uma loja, em um projeto chamado Jeans for Change. “Dar o desconto mantém a nossa cadeia circulando, inclusive o jeans com algodão reciclado pode voltar”, diz a diretora de estilo da Youcom, Bárbara Barreira. “O desconto é colocado só no jeans mesmo, porque queremos trabalhar no ciclo do jeans.” O volume arrecadado por meio da estratégia foi usado na primeira coleção de jeans circular tingido de preto da marca, cujo total de unidades não foi aberto pela empresa. A companhia considerou o tingimento um grande avanço, diante das restrições técnicas que dificultam obter diferentes cores de fibra reciclada já tingida de azul. O processo envolveu um ano de desenvolvimento e de testes de qualidade e durabilidade, e, segundo o diretor de sustentabilidade da Renner, Eduardo Ferlauto, ainda possui limitações. “Esse reciclado vem a partir de uma tecnologia mecânica processada no Brasil. Não temos ainda, no País, a tecnologia química, e a cor normalmente é definida pela segregação de cores de resíduos que são iguais. Então, o tingimento parte de uma base um pouco disforme. Além disso, essa tecnologia mecânica rompe a fibra, e esse rompimento também gera, em alguns casos, uma disformidade na coloração”, explica. Barreira acrescenta que as limitações ainda não permitem uma criatividade tão ampla no trato com o jeans reciclado, mas diz que o tecido já está “mais bem resolvido” do que os demais. “Pesquisamos muitos players, inclusive internacionais, e esse é um desafio da indústria. Sabemos que vamos ter que ser insistentes, seguir testando, nos unir a outros players para conseguir gerar essas propostas.”   H&M: concorrência ou tendência? O movimento sincrônico de coro ao jeans circular por grandes varejistas no Brasil ocorre em meio à chegada, em agosto deste ano, de uma grande concorrente internacional ao País, a varejista sueca de moda H&M. A companhia é conhecida por ações públicas relacionadas à sustentabilidade, incluindo coleções com jeans reciclado, e está inaugurando sua terceira loja física no Brasil nesta quinta-feira, 30, com intenção de expandir. O foco no tecido circular seria uma estratégia competitiva? De acordo com as varejistas ouvidas pelo Estadão, não. As empresas ressaltaram que, se a H&M passar a demandar jeans reciclado de fábricas brasileiras, isso poderá ajudar toda a cadeia a superar alguns gargalos relacionados a volume e aos custos de produção, em um ganho de escala no qual há um benefício comum. Além disso, segundo elas, o movimento pela sustentabilidade parte de uma jornada em crescimento nas empresas no Brasil, sem interferência de uma ação de concorrência.   CEO da H&M explica proposta da rede sueca A professora de cenários do varejo na FIA Business School, Patrícia Cotti, faz a mesma avaliação, pontuando que esse é um movimento que aconteceria independentemente da presença da H&M no País. Para a especialista, que também é diretora de pesquisas do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), a sustentabilidade para essas empresas já saiu de um patamar de diferencial competitivo para algo mandatório, com a mudança de um perfil consumidor cada vez mais exigente com a agenda de sustentabilidade. “Há muitos consumidores que estão mais preocupados com essas pautas de sustentabilidade. Isso deixou de ser um diferencial e começou a fazer parte do cotidiano do consumo”, diz. “Obviamente que a H&M entrando faz com que as pautas de inovação de negócios sejam aceleradas nas demais empresas, mas é um movimento que, independentemente da H&M, já aconteceria dentro do mercado brasileiro, porque já era uma discussão de algum tempo, mesmo ainda a passos lentos.” Procurada pelo Estadão, a H&M afirmou que “ainda não pode compartilhar planos específicos para o mercado brasileiro neste momento”. A companhia evitou comentar diretamente sobre a venda de jeans circular na subsidiária, mas informou que a sustentabilidade está no centro do negócio, incluindo investimentos em modelos circulares e reciclagem têxtil. “Para nós, a forma como crescemos é fundamental. Não se trata de vender mais, mas de ampliar nossas fontes de receita, tendo a sustentabilidade no centro de tudo o que fazemos. Isso inclui, por exemplo, novos investimentos e o desenvolvimento de modelos de negócio circulares, como recomércio (revenda), reparo ou tecnologias de reciclagem para têxteis pós-consumo”, diz a varejista sueca.

Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 31/10/2025
31 de Outubro de 2025

Destaque da Semana - NY subiu cinco sessões seguidas até 30/out, impulsionada pela expectativa do encontro EUA-China na Coreia do Sul. No entanto, o resultado, apesar de trazer boas manchetes e um tom menos hostil, não mudou os fundamentos nem trouxe grandes anúncios. O mercado segue cauteloso, à espera de sinais concretos sobre os rumos da política comercial global. Canal do Cotton Brazil - Quer se manter atualizado sobre o mercado de algodão no mundo? Participe: https://bit.ly/Canal-CottonBrazil. Algodão em NY - O contrato Dez/25 fechou nesta quinta 30/out cotado a 65,12 U$c/lp (+1,6% vs. 23/out). O contrato Dez/26 fechou em 68,70 U$c/lp (+0,8% vs. 23/out). Basis Ásia - O Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 913 pts para embarque Nov/Dez-25 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 30/out/25. Altistas 1 - Tendência técnica levemente positiva - o contrato de Dez/25 se manteve acima de 64 c/lb, com faixa de negociação cerca de 100 pontos acima da semana anterior. Altistas 2 - Preços maiores na Ásia - O índice Cotlook A (índice de referência do algodão posto Ásia) atingiu U$c 77,4 c/lb, maior nível desde setembro, sinalizando pedidas CIF mais firmes no Extremo Oriente e sustentando os prêmios das origens. Altistas 3 - Possibilidade de redução dos juros - Nos EUA, inflação abaixo do esperado fortalece apostas de corte de juros de 25 pontos pelo FED, reduzindo o custo de carregamento e favorecendo recomposição de estoques. Altistas 4 - Compras das fiações - Fiações com baixa cobertura aproveitaram os preços ainda atrativos para garantir volumes spot, sustentando negócios de curto prazo. Altistas 5 - Com os resultados de setembro, as importações chinesas voltaram a um patamar mais normal para a média dos últimos sete anos. A tendência sazonal indica possibilidade de novos aumentos até janeiro, embora haja poucos sinais de uma recuperação sustentada. Baixistas 1 - Resultado morno do encontro EUA-China - Sem acordo amplo sobre algodão ou têxteis, o mercado devolveu parte dos ganhos no pregão seguinte, em movimento típico de “compra no rumor, venda no fato”. Baixistas 2 - A colheita no Texas avança sem danos relevantes, com expectativa de produção de 3 milhões tons nos EUA mantendo um cenário de oferta confortável. Baixistas 3 - Oferta global segue elevada - Produção 25/26 estimada em 25,75 milhões tons, ainda superior ao consumo (25,41 milhões tons), o que projeta aumento de estoques mundiais (dados Cotlook). Baixistas 4 - Perspectiva negativa para commodities globais - Segundo o World Bank Commodity Markets Outlook, os preços globais das commodities devem cair 7% em 2025 e novamente 7% em 2026, atingindo o menor nível em seis anos. Baixistas 5 - Os preços da fibra de poliéster (PSF) caíram fortemente nas últimas semanas, acompanhando a fraqueza do mercado de petróleo. Na China, as cotações estão abaixo de 40 U$c/lp, o nível mais baixo desde abril de 2024 — e, antes disso, não se via preços tão baixos desde dezembro de 2020. EUA 1 - O governo dos EUA permanece em shutdown desde 1º/out sem acordo orçamentário. Escritórios do FSA (que opera o programa de subsídios americano) retomaram operações com equipe mínima, mas sem previsão para pagamentos aos produtores. EUA 2 - A ausência de anúncios concretos sobre o setor algodoeiro ao final da cúpula Trump-Xi (30/out) decepcionou o mercado dos EUA, que aguardava sinais sobre a retomada das compras chinesas de algodão americano. EUA 3 - A Cotlook revisou a produção de algodão dos EUA para 2,92 milhões tons (anterior 3 milhões tons), com base no atraso de 25% na classificação vs. 2024. Motivo: condições climáticas adversas e infestações. China 1 - A CCA aumentou a estimativa de produção chinesa de algodão para 7,28 milhões tons em 2025/26 (+9,2% anuais), com área plantada de 2,99 milhões ha (+1,8%). China 2 - As importações chinesas foram mantidas em 1,1 milhão tons, consumo em 8,1 milhões e exportações em 20 mil, resultando em estoques finais de 10,11 milhões tons. Bangladesh 1 - As importações de algodão de Bangladesh em set/25 foram de 152.250 tons (maior volume desde jun/2024). Brasil foi o principal fornecedor (29%), superando a ZFA (23%) e a Austrália (18%). Bangladesh 2 - No acumulado de 2 meses da safra, as importações de Bangladesh somaram 285.372 tons (-4% vs 2024). ZFA liderou (27%), seguida por Brasil (23%) e Austrália (17%). Paquistão - O governo paquistanês estima produção de 1,16 milhão tons na safra atual, abaixo da meta de 1,73 milhão tons. A Cotlook revisou sua previsão para 1,19 milhão tons. ITMF & IAF - A Abrapa apresentou a visão do algodão brasileiro para ajudar a aumentar a participação do algodão na matriz têxtil global nos próximos anos: inovação, qualidade, regularidade no fornecimento e sustentabilidade. O cenário que prevê uma reversão na atual tendência de perda de mercado do algodão foi apresentado pelo Diretor de Relações Internacionais Marcelo Duarte na ITMF Annual Conference & IAF World Fashion Convention 2025 na Indonésia (24-25/out). ITMA Asia + CITME 1 - O Cotton Brazil participa com estande próprio em um dos maiores eventos da indústria têxtil mundial, com mais de 1700 expositores. O espaço recebeu grande visitação e reforça o posicionamento do algodão brasileiro no mercado global. ITMA Asia + CITME 2 - Durante a feira, foi lançado o Knowledge Hub. O serviço inclui uma plataforma interativa criada para apoiar as indústrias têxteis com informações técnicas, educacionais e de mercado sobre o algodão brasileiro, além de seminários e consultorias técnicas. O acesso pode ser feito em: https://cottonbrazilknowledgehub.com. ITMA Asia + CITME 3 - Outro serviço lançado durante a feira foi o portal de download de relatórios completos de resultados HVI, uma evolução do sistema anterior baseado em relatórios com dados de múltiplos fardos para as fiações que já adquiriram o produto brasileiro. O acesso está disponível mediante cadastro em: https://qualitydatabase.abrapa.com.br/login. Sou ABR 1 - O Sou de Algodão lançou a Política de Adesão do programa SouABR durante o Congresso Internacional da Abit (29-30/out) em São Paulo, reforçando o compromisso do algodão brasileiro com responsabilidade socioambiental e rastreabilidade. Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 255 mil tons nas quatro semanas de outubro. A média diária de embarque é 10,9% maior em relação a out/24. Beneficiamento 2024/25 - Até o dia de ontem (30/10) foram beneficiados nos estados da BA (86%), GO (92,15%), MA (58%), MG (92%), MS (85%), MT (55,43%), PI (92,46%) PR (100%) e SP (100%). Total Brasil: 63,67%. Preços - Consulte tabela abaixo ⬇ Quadro de cotações para 30-10 Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

Abrapa e Ampa assinam ofício para a revisão tabela de piso mínimo para frete rodoviário
31 de Outubro de 2025

Em 06 de outubro começou a valer em todo o território nacional a fiscalização eletrônica da tabela do piso mínimo para o frete rodoviário. Prevista pela Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (Lei 13.703/2018), a fiscalização está sendo implementada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e pode afetar o preço do algodão e de outras mercadorias, tanto para o consumo interno quanto para exportação. Desde que entrou em vigor, a fiscalização está funcionando de forma eletrônica, o que permite que a ANTT emita multas automaticamente, com base nos dados registrados nos sistemas, sem precisar parar o veículo para realizar a fiscalização com agentes. As autuações geradas pelo sistema penalizam o embarcador contratante do frete, principal responsável em caso de penalizações. Impactos para o setor algodoeiro Para o transporte de algodão a fiscalização eletrônica pode afetar a formação de lotes para exportação, criando a necessidade de coletas de cargas em duas ou mais unidades de origem. O cálculo de custo operacional por veículo na atual tabela de quilometragem pode criar a necessidade de contratação de fretes de curta e média distância, o que obrigaria os fardos a passarem por diferentes tipos de transporte antes de chegarem aos seus destinos. Fator que causa impacto no custo e também na qualidade do algodão. Neste cenário, os produtos fretados teriam um aumento do preço final. Posicionamento do setor produtivo Um ofício assinado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), pela Associação Matogrossense de Produtores de Algodão (Ampa) e por outras 52 entidades do setor foi encaminhado à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). No documento os representantes pedem a revisão da metodologia da tabela e ajuda da bancada para a abertura de um diálogo técnico com os ministérios da Agricultura, dos Transportes, da Fazenda e com a Casa Civil. Uma reunião para discutir o assunto com o diretor da ANTT está agendada para o dia 06 de novembro, às 10h, no Instituto Pensar Agro (IPA). Divergências metodológicas A Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário foi criada em agosto de 2018, durante a greve dos caminhoneiros, e prevê a fiscalização do piso mínimo para os fretes. Porém, desde a sua criação, a legalidade da metodologia utilizada para definir a tabela de preços está sendo questionada por diversas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs), que ainda não foram julgadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para o economista e consultor de logística da Ampa, Luiz Antônio Pagot, a lei não foi criada com base em estudos que consideram uma análise completa dos processos de transporte. “A Lei 13.703/2018, foi redigida e aprovada num ambiente conturbado pela greve dos caminhoneiros em 2018. Sua criação foi baseada em estudos incompletos, que não contemplam a análise global dos processos de transportes, da tipologia das cargas e da diversidade de veículos em trânsito, ocasionando distorções que persistem até hoje”, afirmou o consultor. Pagot ainda alertou sobre os riscos de cobranças realizadas com baixa precisão de cálculo “Ao ser instituído um instrumento eletrônico de cobrança, baseado em fórmulas e cálculos com pouca exatidão, o resultado da fiscalização são multas que nem deveriam ser aplicadas. Então, as contestações que tramitam no STF têm fundamento prático”.