notícias
Será que é de algodão? Sou de Algodão lança campanha que convida o público a olhar além da etiqueta
17 de Novembro de 2025O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), acaba de lançar a sua segunda campanha institucional do ano: “Será que é de algodão?”. A ação tem como propósito provocar a reflexão sobre o que de fato vestimos, e estimular o consumidor a checar a etiqueta das roupas antes de comprar. Com o subtítulo “Nem tudo o que parece é natural”, a campanha alerta para um hábito comum: comprar por impulso, sem atenção à composição das peças. O movimento busca chamar a atenção para as ciladas do consumo rápido, como tecidos sintéticos que imitam a maciez natural do algodão, roupas baratas que duram poucas lavagens ou causam desconforto na pele, e a falta de informação sobre o que realmente estamos levando para casa. “Queremos que o público repense a forma como escolhe suas roupas. Olhar a etiqueta é um gesto simples, mas que pode transformar o jeito de consumir moda. É um convite para olhar além da vitrine, da tendência e do preço, e enxergar o que está por trás de cada peça”, afirma Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa e gestora do movimento Sou de Algodão. Para Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa, a campanha reforça o principal propósito do movimento. “O Sou de Algodão nasceu para aproximar o campo da moda, e conscientizar o consumidor sobre a importância das suas escolhas. Ao olhar a etiqueta, o consumidor valoriza o que é feito aqui, e reconhece o trabalho de quem produz com qualidade e responsabilidade”, destaca. Moda consciente começa na informação O conceito criativo da campanha “será que é de algodão?” parte da provocação para estimular uma mudança de comportamento. “A etiqueta nunca mente”, diz um dos vídeos da ação, que mostra comparações entre tecidos sintéticos e o algodão natural, destacando o conforto, a durabilidade e a versatilidade da fibra natural brasileira. O vídeo principal da campanha, criado em parceria com a Omni Filmes, foi desenvolvido com inteligência artificial, e termina com a chamada “nem tudo o que parece é natural” - um paralelo entre o conteúdo produzido e a mensagem central da campanha. Outras ativações incluem vídeos de humor, e uma edição especial do quadro “Povo Fala”, com influenciadores convidados, que abordam de forma leve e educativa a pergunta: “Você sabe do que é feita a roupa que está vestindo?”. Ações digitais e rede de parceiros Com duração de três meses (setembro a novembro), a campanha se desdobra nas redes sociais do movimento, com vídeos, desafios e conteúdos educativos. Entre as ações previstas, estão o vídeo manifesto e carrosséis educativos, corrente de marcas parceiras, artigo no blog Sou de Algodão sobre como ler as etiquetas e conteúdos com o projeto parceiro Etiqueta Certa, que reforçam a importância de se conhecer a composição e a origem das peças. Moda com origem e propósito O algodão brasileiro, natural, confortável e produzido com responsabilidade socioambiental, segue como protagonista nas campanhas do movimento. O Brasil é um dos poucos países que possuem cadeia produtiva completa, do cultivo ao tecido, e do fio à peça pronta, o que garante soberania produtiva e geração de valor. “Quando o consumidor aprende a olhar para a etiqueta, ele também passa a valorizar quem está por trás de cada etapa dessa cadeia, seja do produtor ao estilista, seja do campo à passarela. É sobre consciência, pertencimento e orgulho do que é feito aqui”, reforça Silmara. Sobre Sou de Algodão Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 83% de toda a produção nacional de algodão. Abrace este movimento: Site: www.soudealgodao.com.br Facebook, Instagram, Youtube, LinkedIn e Pinterest: @soudealgodao TikTok: @soudealgodao_
Na COP30, Abrapa debate sobre o algodão brasileiro como alternativa para a moda responsável
14 de Novembro de 2025Na última quarta-feira, 12/11, o gerente de sustentabilidade da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Fábio Carneiro, coordenou o painel “O algodão como opção natural e competitiva na matriz têxtil: campo e consumidor” na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30). A apresentação fez parte da programação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), no espaço AgriZone. Produção têxtil com responsabilidade socioambiental Durante a sua apresentação, Fábio Carneiro destacou que o uso de fibras sintéticas pela indústria aumenta anualmente, enquanto a do algodão tende a queda. Fábio explicou que somente no ano de 2024, a produção de tecidos sintéticos como o poliéster e o nylon, liberou 222 milhões de toneladas de gases poluentes de efeito estufa. No mesmo período, as emissões de origem em fibras naturais não chegaram a 34 milhões de toneladas, o que representou uma redução nas suas emissões em 0,51%, se comparado com 2023. Carneiro relacionou essa tendência ao baixo custo de produção dos tecidos sintéticos e à mudança nos hábitos de consumo. O palestrante enfatizou outro dado relacionado ao uso da terra e à geração de empregos. O Brasil é atualmente o terceiro maior produtor de algodão do planeta e o maior exportar da pluma, utilizando uma área de cultivo correspondente a apenas 0,2% de todo território nacional e gerando aproximadamente 8 milhões de empregos diretos. “A cadeia têxtil do algodão gera 1,34 milhões de empregos diretos e 8 milhões indiretos, que vão desde as fazendas, fiações e confecções até o varejo. Isso sem contabilizar as ocupações vindas a beneficiamento do caroço, que é matéria-prima para a produção de óleo de cozinha, biodiesel e ração”, afirmou Carneiro. O gerente citou a presença das novas gerações no campo como um vetor de inovação tecnológica que torna a produção do algodão mais eficiente, reduzindo expressivamente o consumo de insumos nas lavouras atuais. “Quando você chega nas fazendas, você vê caras novas, pessoas jovens querendo mostrar com tecnologia e inovação os resultados na fazenda”, ressaltou. Transparência e parceria A convite da Abrapa, a head de sustentabilidade e comunicação da C&A Brasil, Cynthia Watanabe, participou do painel e reforçou a parceria entre a marca e o programa de rastreabilidade SouABR. Os participantes abordaram o programa de rastreabilidade da cadeia de custódia do algodão como um fator de valor agregado aos produtos feitos da pluma. Watanabe explicou que as metas para aumentar o uso de matérias-primas naturais de origem susntetável, são os principais motivos que levaram a marca a aderir ao programa. De acordo com Cynthia “A C&A tem uma ambição de ter 80% do nosso uso de matérias-primas vindas de origem mais sustentável. Hoje, o algodão representa 66% do nosso share. A gente vem cada vez mais diminuindo o uso de fibras sintéticas e utilizando fibras naturais, como o algodão e a viscose.” Watanabe também afirmou que a C&A entende que economia circular e economia de baixo carbono é o futuro do setor têxtil e completou: “Para que a companhia toda se movimentasse nessa agenda, estabelecemos metas que se desdobram para toda nossa liderança, do CEO ao analista. Temos o compromisso público de reduzir de 42% das nossas emissões de escopo 1, 2 e 3.” A íntegra da apresentação da Abrapa na Cop30 está disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=ftZu06Apskc
Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 14/11/2025
14 de Novembro de 2025Destaque da Semana 1 - O grande foco de hoje é o WASDE de novembro, que será o primeiro relatório de oferta e demanda desde setembro — lembrando que, após o início do shutdown em 1º/out, nenhuma atualização adicional foi publicada. A expectativa geral é que o USDA traga revisões para cima nas estimativas de safra da China, do Brasil e dos Estados Unidos, além de possíveis sinais de melhora na atividade têxtil chinesa. Destaque da Semana 2 - As principais entidades que representam o setor do algodão no Brasil, nos EUA e na Austrália têm se reunido com frequência para colocar em prática um plano conjunto de promoção internacional da fibra, destacando seus atributos naturais, sustentáveis e biodegradáveis. Destaque da Semana 3 - Os três países já estão atuando juntos através da iniciativa MTLC (Make the Label Count), na União Europeia, que atua no combate à desinformação sobre tecidos naturais junto a legisladores europeus. Canal do Cotton Brazil - Quer se manter atualizado sobre o mercado de algodão no mundo? Participe: https://bit.ly/Canal-CottonBrazil. Algodão em NY - O contrato Dez/25 fechou nesta quinta 13/nov cotado a 62,90 U$c/lp (-2,5% vs. 06/nov). O contrato Dez/26 fechou em 67,57 U$c/lp (-0,9% vs. 06/nov). Basis Ásia - O Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 694 pts para embarque Dez-25/Jan-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 14/nov/25. Altistas 1 - O WASDE de novembro pode trazer alguma surpresa positiva em consumo, após meses de forte ritmo de embarques de Brasil e Austrália e revisões anteriores de alta para o uso mundial. Altistas 2 - Caso o USDA reduza o gap entre consumo e produção em 2025/26, o mercado pode reagir de forma positiva. Altistas 3 - Na China, o PMI do setor têxtil voltou a ficar acima de 50 em outubro (52,66), com melhora em todos os subíndices, queda moderada nos estoques de fios e aumento na parcela de fiações operando a mais de 90% da capacidade. Altistas 4 - A Beijing Cotton Outlook (BCO) também elevou levemente a projeção de consumo da China para 8,45 milhões tons em 2025/26, reforçando que a demanda doméstica, embora pressionada, continua reagindo aos preços mais baixos do algodão. Altistas 5 - A BCO estima produção chinesa em 7,42 milhões tons (+8,2% a/a), abaixo do consumo projetado de 8,45 milhões de tons e com estoques finais levemente menores em 2025/26. Esse quadro mantém a China como grande importadora líquida. Altistas 6 - Os estoques portuários chineses em Qingdao caíram para cerca de 300 mil tons, patamar inferior aos meses anteriores, indicando que o algodão importado continua saindo para as fiações. Altistas 7 - O Brasil exportou 295,6 mil tons em outubro, o maior volume já registrado para o mês, atingindo cerca de 556 mil tons (2,55 milhões de fardos) no acumulado de agosto a outubro. Baixistas 1 - As cotações seguem pressionadas: o Índice A (referência para preços na Ásia) encerrou em 74,95 U$c/lb, apenas 10 pontos acima do piso de 5 anos registrado em outubro, mantendo o sentimento de mercado “pesado” e defensivo. Baixistas 2 - A rolagem do contrato Dez/25 pelos fundos adicionada à necessidade de fixação de compras “on-call” por produtores, em cima do vencimento de dezembro, adicionou pressão baixista no contrato. Baixistas 3 - A expectativa para o WASDE de hoje é de aumento das safras em China (para algo próximo a 7,4 milhões tons), Brasil (em torno de 4,1 milhões tons) e EUA (13,4–13,75 milhões de fardos, cerca de 2,9 milhões tons). Baixistas 4 - O comércio físico continua da mão-para-a-boca, com compradores focados em pequenos lotes para embarque próximo. Baixistas 5 - Apesar da melhora do PMI têxtil, a China registrou forte queda nas exportações de têxteis e vestuário em outubro: -12,6% a/a e -9% m/m, com valor mensal de US$22,26 bilhões. A implementação da trégua na guerra comercial entre EUA e China anunciada este mês deve melhorar este quadro. Baixistas 6 - Há ainda um grande volume de algodão a fixar nas mãos de produtores, portanto qualquer rali de preço tende a ser rapidamente aproveitado para venda, limitando o potencial de alta no curto prazo. Baixistas 7 - A fibra de poliéster na China é cotada ao redor de 40 c/lb, em leve queda recente. A diferença de preço continua incentivando a mistura e, em alguns mercados, a substituição direta do algodão por alternativas sintéticas. EUA - A colheita e o beneficiamento avançam abaixo do ritmo do ano passado, mas com boa qualidade em regiões como South Texas. China 1 - Os preços futuros em Zhengzhou recuaram na semana, enquanto o Índice CC ficou praticamente estável em 14.819 yuan/ton, ampliando o prêmio sobre o Índice A ajustado, aumentando assim a atratividade do algodão importado. China 2 - Durante a 8ª China International Import Expo em Xangai, empresas chinesas como COFCO, Chinatex e CNCGC assinaram múltiplos acordos de compra de algodão com fornecedores internacionais, incluindo Brasil, Argentina e Austrália. Paquistão 1 - O mercado de fios continua fraco, com fiações reduzindo pedidos de preço para viabilizar exportações e pressionando margens ao longo da cadeia. Paquistão 2 - A produção de algodão foi revisada para cerca de 1,2 milhão tons, acima da estimativa anterior de 1,1 milhão tons, o que adiciona oferta local em um cenário de demanda têxtil internacional ainda hesitante. Bangladesh - Os preços de fios recuaram, mas o país segue como importante destino para algodão Brasileiro, africano e australiano, beneficiando-se também do adiamento da implementação de tarifas mais altas no porto de Chattogram. Índia 1 - A CAI projeta safra de 30,5 milhões de fardos de 170kg (cerca de 5,2 milhões tons), 2% menor que em 2024/25, com queda em estados-chave como Haryana e Telangana e aumento em Punjab e Andhra Pradesh. Índia 2 - O país deve importar cerca de 4,5 milhões de fardos de 170kg (765 mil tons), devido à isenção temporária de tarifas (até 31/12) e à menor produção interna. Vietnã - As exportações de fios até outubro superam o mesmo período de 2024, mostrando resiliência do polo têxtil vietnamita, mesmo com queda no valor das exportações têxteis no último mês. Turquia – As importações turcas seguem firmes na temporada, com dados recentes indicando forte crescimento ano a ano e participação relevante do Brasil e EUA. COP30 1 - Em 12/nov na COP30 em Belém, o gerente de sustentabilidade da Abrapa, Fábio Carneiro, apresentou o painel "O algodão como opção natural e competitiva", alertando sobre o aumento das fibras sintéticas e seus impactos ambientais. COP30 2 - O algodão brasileiro foi destacado como solução sustentável por Cyntia Kasai, Head de Sustentabilidade da C&A Brasil. A marca participa do programa SouABR, que faz a rastreabilidade total da semente ao guarda-roupa. Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 154,8 mil tons na primeira semana de nov/25. Beneficiamento 2024/25 - Até o dia de ontem (13/11) foram beneficiados nos estados da BA (89%), GO (95,15%), MA (68%), MG (97%), MS (92%), MT (68%), PI (96,74%), PR (100%) e SP (100%). Total Brasil: 73,87%. Plantio 2025/26 - Iniciada a semeadura nos estados do Paraná e São Paulo. Preços - Consulte a tabela de cotações: Quadro de cotações para 13 -11 Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com
Lideranças femininas do agro visitam a Abrapa e destacam o modelo de gestão da associação
14 de Novembro de 2025A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) recebeu nesta quarta-feira,12/11, cerca de 60 lideranças femininas do movimento Agroligadas, na sua sede em Brasília. A visita fez parte do “Tour Agroligadas”, iniciativa voltada à troca de experiências e ao fortalecimento do protagonismo feminino no campo. Durante o encontro, o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, apresentou o modelo de gestão da entidade e os principais programas desenvolvidos pela associação, com foco em qualidade, sustentabilidade, rastreabilidade e promoção do algodão brasileiro. Portocarrero citou a união do setor como fator decisório para o sucesso do algodão brasileiro. De acordo com o diretor, “Apesar de ser cultivado em vários estados, o algodão brasileiro tem um padrão de qualidade reconhecido internacionalmente. Caso alguns produtores não estivessem trabalhando no mesmo nível a reputação do nosso produto poderia ser prejudicada. A união dos produtores para que as melhores características da pluma estejam presentes em todos os fardos produzidos no país”, afirmou o diretor. As participantes também visitaram o Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), onde acompanharam o processo de aferição das amostras por meio de equipamentos de HVI. A presidente do movimento, Geni Schenkel, destacou que a escolha da Abrapa como umas das visitas do tour se deu relevância da instituição. “Escolhemos vir à Abrapa em primeiro lugar por ser a associação mais organizada do setor do agronegócio. Queríamos entender como funciona tão bem esse associativismo que tem uma relação de grande relevância com o desenvolvimento de políticas públicas e que transita com tanta eficiência nos espaços decisórios de Brasília” afirmou. Associativismo como força de transformação Após a visita técnica, o grupo participou do talk show “Conectar para Crescer: o associativismo que move a Abrapa”, mediado por Silmara Ferraresi, diretora de relações institucionais da Abrapa e gestora do movimento Sou de Algodão. O painel contou com a presença de Marcela Albanez, presidente do comitê Women in Cotton Brasil; Rafaela Albuquerque, gestora da ApexBrasil; e Ângela Pimenta, diretora do Departamento de Promoção do Agronegócio do Ministério da Agricultura (Mapa). Rafaela Albuquerque apresentou o programa Cotton Brazil, desenvolvido em parceria entre a Abrapa, a Anea e a ApexBrasil, como exemplo de construção de marca e diferenciação no mercado global. “A Apex faz um projeto setorial de promoção, que cria uma estratégia de branding com o objetivo de mostrar ao mundo os atributos e identidade dos produtos brasileiros. No caso do algodão, criamos a estratégia que resultou no branding do Cotton Brazil”, explicou. Representando o Mapa, Ângela Pimenta destacou o papel dos adidos agrícolas brasileiros, hoje presentes em 38 países, na abertura de novos mercados internacionais para produtos nacionais. Já Marcela Albanez ressaltou a presença das mulheres na cadeia do algodão e contou como o movimento Women in Cotton se consolidou no país. “Nenhuma cadeia cresce sem a participação ativa das mulheres. O movimento chegou ao Brasil para transformar propósito em ação concreta” afirmou. No encerramento, Silmara Ferraresi ponderou sobre a ação da Abrapa na consolidação da cotonicultura nacional. “Abrapa não vende sonho, ela vende estrutura, consistência e entrega. Se o seu foco for vender um sonho, você vende uma vez, na segunda o cliente não volta. Nos últimos 25 anos a Abrapa esteve dedicada a estruturar o setor. Toda a estrutura levada pela associação ao mercado externo foi pensada, desenhada e testada dentro de casa”, concluiu a diretora. Do campo à cidade: a rede feminina do agro Criado em 2017, o movimento Agroligadas tem como missão ampliar a inserção das mulheres no agronegócio e fortalecer sua atuação em diferentes áreas do setor. Formado por lideranças de todo o país, o grupo desenvolve projetos sociais nas áreas de educação e comunicação, conectando o campo e a cidade e estimulando uma nova geração de mulheres protagonistas no agro.
COP 30: Entidades lançam Manifesto pela Sustentabilidade dos Grãos e Fibras
14 de Novembro de 2025Belém (12/11/2025) - O Sistema CNA/Senar e entidades do setor lançaram, na quarta (12), o “Manifesto pela Sustentabilidade dos Grãos e Fibras do Brasil”. O lançamento ocorreu no Pavilhão AgroBrasil, espaço do Sistema CNA/Senar localizado na AgriZone, na Embrapa Amazônia Oriental. A quarta-feira (12), no local, foi dedicada aos painéis que debateram desafios, sistemas de produção e sustentabilidade dos grãos no Brasil. O documento lançado pelas entidades reforça o compromisso da agropecuária brasileira com uma produção sustentável, competitiva e alinhada às demandas do mercado global. Além de destacar o compromisso do agro nacional com a sustentabilidade, a segurança alimentar global e a credibilidade da produção brasileira no cenário internacional. Assinam o manifesto, além da CNA, a Abramilho, Abrapa, Aprofir Brasil, Aprosoja Brasil, Aprosoja Mato Grosso, Sistema OCB e Sistema Ocepar. O documento diz que “o Brasil construiu uma agricultura tropical que une ciência e conservação ambiental”. De acordo com o manifesto, o Brasil construiu, nos últimos cinquenta anos, uma agricultura tropical que multiplicou em até seis vezes a produção de grãos e fibras, com um aumento de 230% na produtividade, impulsionado por avanços científicos e tecnológicos. O texto destaca que práticas como o plantio direto, a integração lavoura-pecuária-floresta e a fixação biológica de nitrogênio fazem parte da rotina das fazendas brasileiras e permite ganhos produtivos com menor impacto ambiental. Além disso, afirma que, sem essas tecnologias, o país precisaria de 219 milhões de hectares adicionais para produzir o mesmo volume atual, e que isso reforça a eficiência da agricultura tropical. Outro ponto abordado é o papel do produtor rural na preservação ambiental, já que 29% de toda vegetação nativa brasileira está protegida dentro das propriedades rurais e forma a maior governança privada de áreas nativas do mundo. A soja é apontada como um dos maiores exemplos da agricultura baseada em ciência, uma vez que a fixação biológica de nitrogênio elimina a necessidade de fertilizantes nitrogenados e evita a emissão de cerca de 260 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano. No caso do milho, o manifesto ressalta que o Brasil é o único grande produtor mundial capaz de colher três safras anuais, sendo que duas dessas safras de culturas diferentes podem ser feitas no mesmo solo, sem expandir suas áreas cultivadas, o que favorece a diversificação e rotação de culturas, fundamentais para a sustentabilidade dos sistemas agroalimentares. Já o setor de fibras é citado como um exemplo global de boas práticas. Cerca de 34% do algodão com certificação socioambiental no mundo é brasileiro, auditado por empresas independentes e submetido a quase 200 critérios de conformidade social, ambiental e de boas práticas agrícolas. “Reconhecemos que o futuro da agricultura está na ciência, na inovação e na valorização de quem produz e preserva. A agricultura brasileira é parte da solução climática e prova que é possível alimentar o mundo conservando o meio ambiente. Convidamos governos, instituições e a sociedade a caminhar juntos na construção de um futuro sustentável, liderado pela agricultura tropical”.
QUALIDADE E RASTREABILIDADE: Abrapa anuncia mudanças no Sistema Abrapa de Identificação (SAI) para a safra 2025/2026
13 de Novembro de 2025A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), está implantando mudanças no Sistema Abrapa de Identificação (SAI) que entrarão em vigor a partir da safra 2025/2026. As atualizações foram apresentadas pela diretora de Relações Institucionais da Abrapa, Silmara Ferraresi, durante reunião com associações estaduais de produtores de algodão realizada na sede da entidade, em Brasília, no início de novembro. No encontro, a área de Tecnologia da Informação da Abrapa também apresentou a nova interface da plataforma do SAI e o balanço de utilização das etiquetas e lacres produzidos na safra 2024/2025. Balanço da produção em 2025 Segundo dados consolidados pela Abrapa, foram realizados 397 pedidos, na última safra, resultando na produção e distribuição de aproximadamente 19 milhões de etiquetas e 198 mil lacres. O BOPP (Película de Polipropileno Biorientada) permanece como o material mais demandado para a produção de etiquetas, representando 60% do total. Já entre os lacres utilizados nas malas de amostras, 71% foram confeccionados em vinil. A análise da sazonalidade revelou concentração de pedidos no mês de abril, que representou 43,58% das solicitações. A produção seguiu o mesmo ritmo: 57,5% de todas as etiquetas e lacres foram fabricados nesse período. As empresas Avery Dennison, IGB, Grif e Prakolar são as homologadas a produzir os insumos utilizados pelo SAI na safra de 2024/2025. Mudanças para a safra 2025/2026 Entre as principais alterações divulgadas estão: Abertura do SAI para pedidos de etiquetas e lacres: a partir de 2026, a atualização de cadastros das Unidades de Beneficiamento de Algodão (UBAs) e pedidos de etiquetas e lacres serão abertos, em 1º de fevereiro, permitindo melhor organização, do fluxo de produção e envio de etiquetas e lacres. Uso obrigatório de lacres em todas as malas de amostras: todas as UBAs participantes do SAI deverão lacrar e submeter as malas de amostras no sistema. Atualmente, essa exigência é válida apenas para unidades integrantes do Programa de Qualidade do Algodão Brasileiro (PQAB). A mudança pretende garantir a integridade do material enviado aos laboratórios e a rastreabilidade integral dos fardos de algodão produzidos no Brasil. Eliminação das etiquetas com ilhós: para reduzir o risco de contaminação nas fiações, as etiquetas com ilhós deixarão de ser produzidas. Permanecerão disponíveis apenas as versões adesivas em BOPP ou vinil. Ferraresi destaca que o objetivo das mudanças é aprimorar a rastreabilidade do algodão brasileiro. “O sistema será aperfeiçoado para garantir rastreabilidade total do algodão brasileiro. As informações de origem como produtor e fazenda de onde algodão vem serão declaradas ainda no processo de beneficiamento e já serão recebidas de forma íntegra e automática pelos laboratórios de HVI. Queremos tornar a identificação dos fardos cada vez mais íntegra e eficiente, contribuindo para maior rentabilidade e sustentabilidade”, afirmou. A diretora informou ainda que a Abrapa disponibilizará material de apoio para orientar as UBAs na adaptação às novidades e continuará treinando inspetores de UBA. “Vamos orientar os técnicos e produtores para que as novidades no sistema sejam adotadas da forma mais eficiente possível”, concluiu.
Congresso Brasileiro do Algodão: como a Abrapa transformou o encontro na principal vitrine da cotonicultura brasileira
10 de Novembro de 2025Desde que a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) começou a organizar o Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), na sua 10ª edição em 2015, o encontro deixou de ser apenas um fórum setorial para se tornar o maior evento da cadeia do algodão na América Latina em escala, conteúdo e relevância. Para produtores e profissionais da área, o CBA tornou-se central para atualização técnica, realização de negócios e fortalecimento das iniciativas que garantem valor agregado ao algodão brasileiro. É um fórum especialmente estratégico à medida que o país consolida sua posição nos mercados internacionais. O que mudou desde 2015 Quando a Abrapa passou a conduzir o CBA, o objetivo era profissionalizar o formato, ampliar a interlocução entre ciência e mercado e transformar o congresso em um núcleo de inovação capaz de apoiar a expansão da pluma brasileira. A associação implantou comissões distintas, a organizadora e a científica, para reforçar a independência da avaliação técnico-científica dos trabalhos apresentados, elevando a credibilidade acadêmica do evento e atraiu um público cada vez mais qualificado. Os números também mostram como o evento evoluiu no período de 10 anos. O crescimento de público foi de mais de 120% saindo de 1.515 inscritos no 10º CBA, em 2015, para 3.327, no 14º, em 2024. Quando o assunto é produção científica, a última edição bateu recorde com 288 artigos aprovados superando a média de 225 trabalhos das 7 últimas edições. Se o foco é difusão de conhecimento, desde que a Abrapa assumiu a organização do congresso, este movimentou mais de 535 palestrantes, realizou 30 plenárias e 110 salas temáticas/hubs e 26 workshops consolidando o debate de uma vasta diversidade de temas que vão desde abordagem técnica a mercados, passando por qualidade de fibra, promoção e sustentabilidade entre tantos outros. Surpreende ainda a evolução de marcas que marcam presença na área de exposição do congresso. Em 2015, o CBA contava com 27 patrocinadores, em 2024, o portfólio de marcas presentes somava 62 e a previsão é que em 2026, ultrapasse 80. Comissões independentes A independência da comissão científica permitiu ao congresso conciliar interesses distintos. “Atender patrocinadores e a cadeia produtiva é papel da comissão organizadora, ao mesmo tempo em que a comissão científica se baseia em critérios puramente técnico-científicos de seleção e avaliação de trabalhos e palestras", explica Silmara Ferraresi, diretora de relações institucionais da Abrapa. “Esse equilíbrio é determinante para atrair submissões de qualidade, fomentar parcerias de pesquisa e garantir o alto nível dos debates valorizados por universidades, centros de pesquisa e empresas de inovação”, avalia a diretora. Temas que marcaram a década sob gestão Abrapa Ao longo desses dez anos, o CBA consolidou temáticas estratégicas para o setor algodoeiro, como sustentabilidade e certificações, eficiência hídrica e manejo agronômico, rastreabilidade da pluma, comparação com fibras sintéticas, bioeconomia e inovação biotecnológica, e a interface entre produção e demandas do mercado global. A diversidade de salas temáticas e a inclusão de sessões de pôsteres e workshops garantiram difusão prática de tecnologia para produtores de diferentes escalas. Para o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, o sucesso do CBA se apoia na combinação entre organização profissional e conteúdo técnico robusto. “Cada edição do CBA que realizamos, divulgamos relatórios anais dos conteúdos apresentados no evento, essas publicações mostram como a troca entre pesquisadores e produtores acelerou a adoção de boas práticas que hoje fazem parte da realidade da produção do algodão brasileiro”. Ferraresi também atribui à organização da Abrapa que o fato do evento ter atingido o patamar atual de tamanha importância para o setor. “Em dez anos sob responsabilidade da Abrapa, o Congresso Brasileiro do Algodão deixou de ser apenas um ponto de encontro bianual e se transformou em uma plataforma de definição de agendas técnicas, ambiente de negócios e principal vitrine da cotonicultura brasileira.”, afirmou a diretora. Expectativas para a 15ª edição O tema da 15ª edição do Congresso Brasileiro do Algodão será “Algodão Brasileiro: Fibra Natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”. O evento já está em fase avançada de planejamento. Programado para 22 a 24 de setembro, em Belo Horizonte, o evento terá três plenárias principais, 24 salas temáticas e ao menos quatro workshops técnicos. A organização trabalha para reunir entre 100 e 110 palestrantes e alcançar a marca recorde de 300 trabalhos científicos submetidos. A próxima edição abrirá espaço para temas emergentes, como bioinsumos, agricultura digital, mitigação de estresses térmicos e hídricos e uso de inteligência artificial no campo, sem perder de vista desafios já conhecidos da cotonicultura, como o bicudo-do-algodoeiro e a mancha-alvo.
Abrapa leva à COP 30 o debate sobre o impacto ambiental dos tecidos sintéticos
10 de Novembro de 2025A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), apresentará no dia 12 de novembro, painel dedicado à fibra natural no Pavilhão “AgroBrasil”. O espaço coordenado pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), integra a programação da “AgriZone”, ponto de encontro da agricultura sustentável construído pela Embrapa para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá na cidade de Belém do Pará. Sintéticos emitem 80% mais gases de efeito estufa que a fibra natural Nas últimas décadas, o consumo fibras sintéticas ultrapassou o de fibras naturais na indústria têxtil, impulsionadas principalmente pelo baixo custo de produção. O que parece uma vantagem econômica se transforma em uma dívida ambiental difícil de quitar. Os “tecidos plásticos”, como o poliéster, são feitos a partir do petróleo, não são renováveis e são responsáveis por emissões significativas de gases poluentes, como o CO2, que contribuem para o efeito estufa e mudanças climáticas. De acordo com dados da Textile Exchange, em 2024 a fabricação de roupas compostas por fibras sintéticas correspondeu a 161 milhões de toneladas de gases de efeito estufa liberados na atmosfera, contra 34 milhões de toneladas produzidas pela confecção de peças de fibras naturais, gerando 80% menos emissões do que confecção das peças baseadas em petróleo. A poluição por microplásticos é mais um ponto crítico em relação às fibras sintéticas, como mostram estudos recentes. Têxteis feitos a partir de materiais fósseis são responsáveis por 35% de toda a poluição primária por microplásticos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) essas partículas, liberadas durante a lavagem e o uso das roupas, já foram encontradas no ar, na água e até no corpo humano, representando riscos potenciais à saúde, como inflamações e desequilíbrios no sistema endócrino. Para o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, a transformação do setor têxtil exige uma ação conjunta entre consumidores, indústria e governos. “O consumidor precisa estar consciente sobre suas escolhas, mas essa mudança só será possível com políticas públicas que incentivem a produção e o consumo sustentáveis”, afirma. Segundo Piccoli, a participação da Abrapa na COP30 tem como foco justamente ampliar esse debate, mostrando o que o setor já vem fazendo na área de sustentabilidade e reforçando a importância de conhecer a origem e o material das roupas que vestimos. “Queremos mostrar o verdadeiro significado de escolher uma fibra natural e, com isso, chamar a atenção para a importância de consumir de forma consciente”, conclui. Programa ABR será destaque na programação Como parte da programação do dia 12/11 na AgriZone, dedicado a “Grãos e Fibras”, o gerente de sustentabilidade da Abrapa, Fábio Carneiro, ministrará o painel “O algodão como opção natural e competitiva na matriz têxtil: conectando o campo ao consumidor”. Durante a apresentação, Carneiro destacará o trabalho de sustentabilidade desenvolvido nas fazendas de algodão do Brasil através do Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR). O painel também abrirá espaço para debates sobre a rastreabilidade, e a importância do consumo das fibras naturais para a redução do lixo plástico e da emissão de CO2. Criado em 2012 por iniciativa dos produtores, o ABR reconhece e promove boas práticas sociais, ambientais e econômicas nas fazendas de algodão do país. Auditado por certificadoras internacionais, estabelece 195 itens de conformidade que asseguram o respeito à legislação trabalhista e ambiental, a eficiência no uso dos recursos naturais e o compromisso com o desenvolvimento sustentável do setor algodoeiro. São verificados aspectos como gestão de recursos hídricos, conservação da biodiversidade, desenvolvimento regional, saúde do solo, manejo integrado de pragas e ações voltadas à adaptação e mitigação climática. Segundo Carneiro, esses critérios colocam o Brasil na liderança mundial em algodão certificado socioambientalmente. Atualmente, 83% das fazendas de algodão no Brasil possuem certificação concedida pelo ABR e pela Better Cotton. Na safra 2023/2024, a produção brasileira respondeu por mais de 48% das 5,47 milhões de toneladas certificadas globalmente. Setor defende que modelo produtivo brasileiro seja replicado Para alinhar o posicionamento do setor visando a participação na COP30, o enviado especial para representar a agropecuária brasileira na Conferência, o ex-ministro da agricultura e pecuária Roberto Rodrigues, criou junto a Fundação Getúlio Vargas (FGV), centros de pesquisa, instituições, especialistas e entidades, o Fórum Brasileiro da Agricultura Tropical. A iniciativa, que também teve o apoio da Abrapa, resultou no documento “Agricultura Tropical Sustentável: Cultivando Soluções para Alimentos, Energia e Clima”. A publicação defende que os países de clima tropical concentram as maiores áreas produtivas do mundo e possuem papel estratégico na segurança alimentar e energética global. Nela são apresentados 8 eixos propositivos que nortearão o posicionamento do setor durante a COP30. São eles: 1) Reposicionamento político diplomático; 2) Adaptação e resiliência como direcionadores; 3) Centralidade da ciência, tecnologia e inovação; 4) Avanço nos compromissos financeiros climáticos para a agricultura sustentável integrada à preservação da vegetação nativa; 5) Financiamento para setores-chave e necessidades críticas; 6) Integração das agendas de segurança alimentar e energética; 7) Coexistência de modelos produtivos sustentáveis nos diversos contextos; 8) Bio-revolução na agricultura.