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Alper Seguros e Abrapa firmam parceria e lançam apólice exclusiva para produtores associados e certificados no programa ABR-UBA
30 de Abril de 2026

São Paulo, março de 2026 – A Alper Seguros, consultoria especializada em gestão de riscos, e a Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) consolidaram uma parceria estratégica para o lançamento de um produto exclusivo ao setor. A solução, desenhada especificamente para atender às demandas dos produtores de algodão, foi o grande destaque da participação da companhia no Brazilian Cotton School 2026, realizado no último dia 10 de março, na sede da associação em Brasília. O novo produto é fruto de quase sete anos de desenvolvimento e oferece condições de mercado exclusivas para os associados que possuem a certificação de qualidade da Abrapa. O objetivo é garantir que a excelência da pluma brasileira conte com uma proteção financeira e operacional à altura dos desafios do campo. "A parceria com a Alper Seguros reforça nosso compromisso em oferecer ferramentas que garantam a sustentabilidade e a proteção financeira do produtor certificado, fortalecendo a confiança em toda a nossa cadeia produtiva", afirma Gustavo Viganó Piccoli, presidente da Abrapa, que realizou a abertura do evento. Liderança e especialização Com uma fatia de 80% de market share nas apólices contratadas do segmento, a Alper utiliza sua expertise histórica para democratizar o acesso a seguros de alta performance. Representando a companhia no encontro, Afonso Arinos, Diretor de Soluções e Vendas para o Agronegócio, e o VP de riscos, André Lins, detalharam como as novas condições exclusivas validam a segurança de operações de todos os portes. “Nossa experiência acumulada nos permitiu construir uma validação sólida perante o mercado. O lançamento dessa apólice específica é um selo de confiança para que as algodoeiras busquem uma proteção sob medida para suas necessidades reais”, destaca Afonso Arinos. Para André Lins, o foco agora é a expansão dessa segurança. "Após anos de trabalho, alcançamos uma condição única para os associados que priorizam a qualidade. Nosso objetivo é levar essa gestão de riscos estratégica para toda a cadeia", pontua. Próximos passos O evento contou com a presença de superintendentes das principais associações estaduais, como Apapi (Piauí), Abapa (Bahia), Ampa (Mato Grosso) e Amipa (Minas Gerais). Além das discussões em Brasília, a Alper já planeja novas ações de comunicação junto às regionais para estreitar o fluxo com os produtores. O próximo grande marco desta agenda será o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), que ocorrerá entre os dias 22 e 24 de setembro de 2026, no Expominas, em Belo Horizonte (MG), onde a parceria e as soluções exclusivas terão novo destaque. Sobre a Alper Seguros Fundada em 2010, a Alper Consultoria e Corretora de Seguros S.A. é referência nacional em gestão de seguros corporativos, benefícios, transportes, linhas financeiras, agro e demais segmentos. Com mais de 1.200 colaboradores e 28 escritórios em todo o país, a empresa se destaca pela inovação, tecnologia e compromisso com soluções eficientes, transparentes e socialmente responsáveis. Sobre a Abrapa A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), representa os cotonicultores brasileiros desde 1999, atuando de forma estratégica para fortalecer a qualidade, a rastreabilidade, e a sustentabilidade da fibra brasileira por meio da organização de seus agentes e do desenvolvimento contínuo da produção.Hoje, a Abrapa reune 11 associações estaduais de produtores, Abapa (BA), Acopar (PR), Agopa (GO), Amapa (MA), Amipa (MG), Ampa (MT), Ampasul (MS), Apaece (CE), Apap (PA), Apipa (PI) e Appa (SP), que representam 99% de toda a área plantada e da produção nacional de algodão. Informações para imprensa Loures Consultoria Adriana Silvestrini – adriana.silvestrini@fsbpartner.com.br Cel.:/Whatsapp: 11 99244-1490

Apetite chinês pelo algodão brasileiro dá sinais de recuperação
30 de Abril de 2026

Por Alessandra Milanez, Para o Valor Estoques cheios fizeram a China frear a importação de algodão no ano passado, levando a uma queda de 52% em relação a 2024 nas vendas brasileiras da matéria-prima para o país asiático. O recuo interrompeu uma sequência de aumento das exportações de algodão do Brasil para a China que se mantinha desde 2022 e jogou os números para patamares observados pela última vez em 2019. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a China gastou US$ 828 milhões importando a commodity brasileira em 2025, ante US$ 1,73 bilhão no ano anterior. Em volume, o país comprou 512 mil toneladas de algodão do Brasil em 2025, cerca de 17% do total exportado da matéria-prima. No ano anterior, foram 925 mil toneladas, correspondente a 33% do total das exportações brasileiras do produto. Segundo especialistas, no entanto, o movimento do ano passado foi atípico, e as exportações já mostram recuperação neste ano. “Em 2024, a China fez uma grande recomposição de estoque e, em 2025, não precisou importar tanto”, explica Dawid Wajs, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea). Já neste ano, o apetite chinês dá sinais de recuperação. Apenas nos dois primeiros meses de 2026, o Brasil exportou 207 mil toneladas de algodão para a China, o que equivale a 40% do volume total exportado no ano passado, mostrando que a tendência é de recuperação e que a queda de 2025 não teve nenhuma relação direta com o Brasil ou com a qualidade da pluma produzida aqui. “Nosso relacionamento com a China é longo e sólido”, diz Wajs. Essa aproximação é fruto de um trabalho contínuo de produtores e exportadores brasileiros de algodão. Uma das principais iniciativas nesse sentido foi criada em 2020: o Cotton Brazil, programa conjunto da Anea, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), que busca promover o algodão brasileiro no mercado global e intensificar o relacionamento com os principais mercados importadores da matéria-prima. A iniciativa ajudou a consolidar, no mercado internacional, a imagem do algodão brasileiro como um produto de qualidade e sustentável, uma exigência de boa parte das empresas europeias que compram tecidos e peças de vestuário fabricadas em outros países, especialmente na China. Para conquistar essa credibilidade, os produtores brasileiros fizeram o dever de casa: a Abrapa criou a certificação Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que verifica, por meio de auditorias anuais, uma lista de quase 200 itens ligados a critérios ambientais, sociais e econômicos. A ABR ainda opera em parceria com a Better Cotton Initiative (BCI), certificação internacional aceita por grandes marcas globais. “Graças a essas certificações, não temos restrição em nenhum mercado internacional”, afirma Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa. Com preço competitivo e qualidade comparável à de outros grandes exportadores, como Estados Unidos e Austrália, o principal desafio para que o algodão brasileiro conquiste mais espaço no mercado internacional não é a concorrência desses países, mas as fibras sintéticas, mais baratas do que o algodão. Alexandre Pedro Schenkel, produtor rural, engenheiro agrônomo e presidente do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), explica que as fibras sintéticas, além de causarem danos ao ambiente, também representam um problema de saúde pública, uma vez que a lavagem dessas peças libera microplásticos que podem ser inalados ou ingeridos e causar prejuízos à saúde humana. “Para conseguir competir com as fibras sintéticas, ainda que as peças de algodão fiquem 20% ou 30% mais caras do que as das fibras sintéticas, é preciso manter os preços das fibras naturais em patamares competitivos, o que é um grande desafio, porque os custos de produção, como fertilizantes e combustível, estão em alta”, afirma Schenkel. Nesse sentido, a Abrapa defende a criação de iniciativas que conscientizem a população e ensinem a diferenciar as peças de fibras naturais das sintéticas. Uma das medidas em avaliação é a criação de uma espécie de selo para as roupas de algodão, inspirada na rotulagem de alimentos, que alerta o consumidor em relação a produtos que tenham alto teor de açúcar ou gordura. Batizada de “De olho na etiqueta”, a campanha tem como objetivo deixar mais claro para a população o que ela está consumindo. “Atualmente é difícil achar na etiqueta onde está a composição da roupa, mostrando o percentual de algodão e de outras fibras. A gente quer que isso fique mais claro, mais visível e que a população tenha mais senso crítico na hora de escolher a sua roupa”, diz Piccoli.

Fibra natural, qualidade e transparência: os pilares que posicionam o algodão brasileiro no cenário global
30 de Abril de 2026

O Congresso Brasileiro de Algodão (CBA) chega à sua 15ª edição reforçando três pilares que vêm orientando o desenvolvimento e o posicionamento da cotonicultura nacional: fibra natural, qualidade e transparência. Mais do que conceitos, esses elementos refletem um conjunto de atributos, práticas e iniciativas que diferenciam o algodão brasileiro no mercado global e respondem às demandas cada vez mais exigentes da indústria e do consumidor. A valorização da fibra natural está no centro desse movimento. Em um contexto de crescente debate sobre sustentabilidade e impacto ambiental, o algodão se destaca por ser uma fibra de origem vegetal, biodegradável e renovável. Além disso, atributos como respirabilidade, conforto térmico e características hipoalergênicas reforçam seu valor para a indústria têxtil e para o consumidor final. Ao se posicionar como base de uma cadeia mais circular e consciente, o algodão brasileiro amplia sua relevância em um cenário global que busca alternativas às fibras sintéticas. Já o pilar da qualidade é sustentado por um conjunto robusto de programas e iniciativas liderados pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que vêm transformando o padrão da fibra nacional ao longo dos últimos anos. Projetos como o Programa Standard Brasil HVI (SBRHVI) e o Programa de Qualidade do Algodão Brasileiro (PQAB) consolidaram o país como referência internacional em padronização, classificação e confiabilidade da fibra. Em 2026, o Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA) e o SBRHVI, junto ao movimento Sou de Algodão, completam uma década de atuação — um marco que será celebrado durante o CBA, com ações especiais, incluindo um estande comemorativo e a presença da loja do movimento no evento. Complementando esse posicionamento, a transparência ganha protagonismo por meio de soluções que conectam toda a cadeia produtiva. O programa SouABR, voltado à rastreabilidade do algodão com certificação socioambiental, permite acompanhar a jornada da fibra desde a fazenda até o produto final, atendendo às crescentes exigências de mercado por origem, responsabilidade socioambiental e segurança da informação. Nesse contexto, a etiqueta SAI (Sistema Abrapa de Identificação) também se destaca como ferramenta essencial, garantindo a identificação e a integridade dos dados ao longo de todo o processo produtivo. Ao integrar esses três pilares, o Congresso Brasileiro de Algodão não apenas acompanha as transformações do setor, mas também lidera a construção de uma cotonicultura mais competitiva, sustentável e conectada com as demandas globais. A combinação entre atributos naturais, excelência em qualidade e transparência na cadeia posiciona o algodão brasileiro como uma das principais referências mundiais — do campo ao consumidor final.   Sobre o CBA O Congresso Brasileiro de Algodão (CBA) é o principal fórum técnico e científico da cotonicultura nacional. Realizado a cada dois anos, o evento reúne produtores, pesquisadores, empresas, consultores e lideranças do setor para discutir os principais desafios da produção de algodão no Brasil. A programação inclui plenárias, painéis técnicos, apresentação de trabalhos científicos, área de exposição, workshops e espaços de troca entre os diferentes elos da cadeia produtiva.

Equipe da IDH visita o Brasil em agenda voltada para a produção sustentável de algodão
29 de Abril de 2026

A organização internacional IDH realizou uma imersão dedicada à cadeia do algodão brasileiro. A comitiva internacional formada por profissionais do Brasil, da Índia e da Europa incluiu visitas técnicas a fazendas produtoras em Mato Grosso e encontro estratégico na sede da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em Brasília. De acordo com a supervisora de projetos da IDH no Brasil, Aline Silva, o objetivo da visita foi estruturar uma estratégia de atuação no país. “A partir dos insumos obtidos em pesquisas, conversas bilaterais, na agenda de visitas, pretendemos estruturar uma estratégia para a atuação da IDH na cadeia do algodão larga escala no Brasil”, explicou. Imersão em Mato Grosso Durante a jornada técnica no campo, a equipe observou de perto os padrões de sustentabilidade que colocam o Brasil entre os principais países produtores de algodão certificado do mundo. Em Campo Verde (MT), a comitiva visitou unidades produtivas de referência junto à Associação Matogrossense de Produtores de Algodão (Ampa), com destaque para a Fazenda Santa Rosa, do produtor Alexandre Schenkel. A visita permitiu que os representantes internacionais da IDH validassem os processos de rastreabilidade, o manejo eficiente de recursos e o compromisso com a preservação ambiental que integram a cotonicultura brasileira. “Receber a IDH na nossa casa é uma forma de materializar o compromisso que o produtor tem com as metas da Abrapa com a responsabilidade socioambiental. Não estamos apenas produzindo fibra ou alimento, estamos gerando dados, preservando recursos hídricos e garantindo que o mercado internacional receba um produto produzido com ética e responsabilidade social”. Durante a visita as características da produção na Fazenda Santa Rosa que mais chamaram atenção do grupo foram o uso de biológicos para o manejo de pragas e a rastreabilidade dos fardos produzidos no local. Para Schenkel, essa transparência é vital para consolidar a imagem do algodão brasileiro no mercado externo e somar forças para um futuro mais sustentável. “Essa troca de experiências mostra que o agro brasileiro é parte da solução para os desafios climáticos e sociais do mundo moderno. Estamos somando forças pelas fibras naturais, deixando um planeta mais sustentável para as futuras gerações”, destacou o produtor. Visita à Abrapa O encerramento da agenda na sede da Abrapa, em Brasília, serviu para consolidar as impressões colhidas no campo e discutir futuras colaborações entre a associação e a entidade internacional. De acordo com o gerente de sustentabilidade da Abrapa, Fábio Carneiro, “Visitas como a que a IDH fez, passando por uma fazenda certificada pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e encerrando aqui na Abrapa, onde damos suporte para a execução dos programas de rastreabilidade, sustentabilidade e qualidade são oportunidades muito valiosas para compartilhar nossos aprendizados e ouvir atores importantes para a cadeia têxtil mundial”, avalia. “Como um programa pioneiro que é aprimorado continuamente, esse diálogo é essencial para o futuro do ABR”. Sobre a IDH A IDH atua na transformação de mercados por meio da inovação colaborativa, articulando diferentes atores e investindo em soluções inclusivas e sustentáveis que gerem valor para as pessoas e o planeta. A organização reúne coalizões de stakeholders ao longo das cadeias globais de valor, promovendo visões compartilhadas e agendas voltadas ao comércio sustentável. Com presença internacional em diversas regiões e setores estratégicos, a IDH já mobilizou ao longo de 15 anos, investimentos do setor privado para testar e implementar novos modelos de negócios que impulsionem melhores empregos, maior renda, equilíbrio ambiental e equidade de gênero.

Acordo UE–Mercosul pode abrir novos caminhos para o algodão brasileiro 
29 de Abril de 2026

Em sua fase provisória, o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul entra em vigor em 1º de maio, segundo comunicado da Comissão Europeia. Esse desenvolvimento abre novas perspectivas para o mercado brasileiro, com potencial para fortalecer os fluxos comerciais entre os dois blocos e apoiar a demanda por algodão.  O acordo prevê a redução gradual ou eliminação de tarifas de importação e exportação sobre mais de 90% dos bens comercializados, tornando-se um dos maiores acordos de livre comércio do mundo. De acordo com dados da Comissão Europeia, o Brasil responde por quase 80% das exportações do Mercosul para a Europa. No entanto, o algodão brasileiro ainda tem participação limitada nesse fluxo comercial — cenário que pode mudar com a implementação do acordo.  Segundo Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o Brasil tem muito a ganhar com o acordo entre União Europeia e Mercosul, especialmente no setor têxtil. “Hoje, uma das principais barreiras que enfrentamos é a falta de acordos de livre comércio com grandes mercados, o que faz com que nossa indústria ainda seja fortemente voltada ao mercado interno. Esse acordo proporcionará ao setor industrial brasileiro uma oportunidade de mercado talvez nunca vista antes”, destaca.  “Já estamos trabalhando, em conjunto com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), no desenho de um plano estratégico para garantir que a indústria nacional se beneficie, permitindo exportar para a Europa peças produzidas com algodão brasileiro — e fabricadas no Brasil, em vez de peças feitas com algodão brasileiro em outros países. A ideia é fortalecer a indústria doméstica, ampliando ainda mais o papel do algodão não apenas como matéria-prima, mas também como motor do desenvolvimento industrial do país”, acrescenta.  Onde o algodão brasileiro se encaixa  George Candon, CEO da My Friday Consultoria Estratégica, explica que o acordo UE-Mercosul é um tratado abrangente, negociado ao longo de mais de duas décadas, que eliminará uma ampla gama de barreiras tarifárias e não tarifárias ao comércio entre os dois blocos. Ele criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com uma população combinada de mais de 700 milhões de pessoas e um PIB conjunto de cerca de €20 trilhões — aproximadamente um quinto do PIB global.  A eliminação das altas tarifas (de até 35%) sobre produtos agrícolas e outros bens aumentará significativamente o acesso dos produtores rurais do Mercosul e do Brasil ao mercado europeu. Estimativas sobre os benefícios econômicos cumulativos variam, mas algumas indicam que o valor adicional das exportações do Mercosul para a UE — em grande parte concentrado no Brasil — pode ultrapassar €8,5 bilhões.  “Para o setor de algodão brasileiro, o acordo dificilmente terá um impacto direto, ou pelo menos não será imediato. O Brasil não exporta pluma de algodão para a Europa, mas principalmente para mercados asiáticos, onde ela é transformada em fios, têxteis e produtos manufaturados”, afirma.  “A Europa é um importante importador indireto de algodão brasileiro por meio de têxteis e vestuário que grandes marcas e varejistas europeus e internacionais produzem e/ou adquirem da Ásia. No entanto, é extremamente difícil quantificar quanto algodão brasileiro é efetivamente utilizado pelos consumidores europeus, dada a complexidade da cadeia de valor, que envolve significativa mistura de origens, fibras e tecidos durante os processos de fiação, tecelagem e fabricação”, acrescenta.  Um impulso estratégico para o comércio têxtil  Para George Candon, o acordo Mercosul-UE oferece à indústria têxtil e de vestuário oportunidades em termos de acesso a mercados, cooperação tecnológica, investimentos e fortalecimento de padrões ambientais nos países de ambos os blocos. Os países do Mercosul também possuem uma indústria têxtil significativa: somente no Brasil, são mais de 25 mil empresas, cerca de 1,3 milhão de empregados e um valor aproximado de US$ 41 bilhões.  “Além de reduzir barreiras comerciais, o acordo também pretende promover a integração das cadeias de valor entre Mercosul e UE, e apoiar o Mercosul na transição gradual para uma produção de maior valor agregado voltada à exportação. As associações do setor têxtil da Argentina, Brasil, Paraguai e Europa (FITA, ABIT, AICP e Euratex) afirmaram publicamente seu compromisso de contribuir ativamente para a implementação do acordo, bem como de adotar ações que consolidem o setor em ambos os blocos como atores relevantes na economia global.”  Brasil pode ampliar presença na Europa  Outro aspecto fundamental é o alinhamento com exigências europeias cada vez mais rigorosas em sustentabilidade e rastreabilidade. Os produtores brasileiros de algodão desenvolveram um sistema de rastreabilidade que captura dados desde as primeiras etapas da produção. Isso permite que marcas e consumidores entendam não apenas onde o algodão foi processado, mas também como foi cultivado.  Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa, destaca iniciativas como o programa SouABR, pioneiro na rastreabilidade em larga escala na indústria têxtil brasileira baseada em tecnologia blockchain. O programa permite que consumidores acompanhem toda a jornada de um produto por meio de um QR code disponível nas etiquetas de itens feitos com algodão brasileiro responsável. “O SouABR dá transparência à produção do algodão brasileiro e permite o acompanhamento total da cadeia de custódia da fibra, que pode ser vista da semente ao guarda-roupa. Essa é uma forma de agregar valor ao nosso produto diante do mercado europeu, um dos mais exigentes do planeta”, avalia.   O Sistema de Identificação da Abrapa (SAI) é uma das poucas plataformas no mundo a oferecer rastreabilidade fardo a fardo, fornecendo dados detalhados e confiáveis para a cadeia de valor. Isso significa que a rastreabilidade está disponível no nível do fardo, do campo ao fiador, oferecendo profundidade única de informações sobre origem, práticas agrícolas e indicadores de sustentabilidade.  Próximos passos do acordo  O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou, nesta terça-feira (28), o decreto de promulgação do acordo Mercosul-União Europeia, em evento no Palácio do Planalto. No entanto, o texto ainda enfrenta etapas institucionais na Europa. O Parlamento Europeu decidiu encaminhar o acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia, o que pode atrasar sua implementação completa.  Caso o Tribunal valide os termos do acordo, o texto seguirá para votação final no Parlamento Europeu. Enquanto isso, a aplicação provisória pode ocorrer entre países que já concluíram seus procedimentos internos, como o Brasil. 

Abrapa e Biotrop discutem parceria para ampliar o uso de bioinsumos na produção de algodão
27 de Abril de 2026

Na última sexta-feira, 24/04, representantes da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e da empresa Biotrop firmaram uma parceria com o objetivo de ampliar o uso de bioinsumos na cadeia produtiva do algodão brasileiro. A iniciativa é vista como uma alternativa ao uso de defensivos químicos no manejo de pragas da cultura, entre elas o bicudo do algodoeiro. A encontro teve a participação do vice-presidente da Abrapa, Celestino Zanella; os produtores e conselheiros da entidade, Carlos Alberto Moresco e Luiz Carlos Bergamaschi; o diretor executivo da associação, Marcio Portocarrero; o gerente do programa Cotton Brazil, Fernando Rati; e a diretora de relações institucionais, Silmara Ferraresi. O presidente da Biotrop, Jonas Hipólito; a head de algodão, Paula Luporini; e o diretor comercial, Carlos Baptista representaram a empresa especializada no desenvolvimento de soluções biológicas. Durante o encontro, Celestino Zanella destacou os benefícios do uso de bioinsumos e o potencial da parceria para aprimorar o controle de pragas e doenças. “O principal objetivo da Abrapa é viabilizar a cotonicultura, e o controle biológico de pragas é de extrema importância neste processo. A Biotrop tem realizado um trabalho brilhante nos últimos anos, e poderá ajudar os produtores na construção do futuro do algodão”, analisou. Parceria estratégica para promover o uso de bioinsumos Marcio Portocarrero apresentou as frentes de atuação da Abrapa e destacou o papel do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) no incentivo ao uso de biológicos. Segundo ele, o tema integra o pilar de gestão ambiental, com foco na saúde do solo e no controle integrado de pragas. “Atualmente 78% das fazendas brasileiras que produzem algodão participam do programa ABR, dentre elas 83,6% usaram no último ano produtos biológicos para o controle de pragas e doenças”, afirmou. Para Fernando Rati, o uso de bioinsumos também contribui para a imagem do algodão brasileiro no mercado externo. “O bioinsumo é um instrumento poderoso para reforçar o posicionamento do internacional do algodão brasileiro enquanto produção agrícola ambientalmente responsável”. A promoção e a rastreabilidade do algodão brasileiro também estiveram na pauta. Silmara Ferraresi apresentou os avanços do programa SouABR e do movimento Sou de Algodão, e aproveitou a oportunidade para convidar a Biotrop a se juntar ao tima de empresas apoiadoras do movimento. “O movimento Sou de Algodão tem atualmente um time de empresas apoiadoras comprometidas com a sustentabilidade e origem do algodão, que estão conquistando um público cada vez mais engajado por valorizarem a transparência e a qualidade daquilo que consomem”, disse. Neste ano, a Biotrop participará do Congresso Brasileiro do Algodão (CBA). Realizado pela Abrapa, o evento é considerado o principal da cotonicultura no país, e está há 15 anos reúnindo representantes de todos os elos da cadeia produtiva. A participação da Biotrop reforça a parceria da empresa com a associação. Redução de custos e sustentabilidade Jonas Hipólito destacou os investimentos da empresa em soluções que aumentam a eficiência dos bioinsumos no combate às pragas, com impacto na redução de custos no longo prazo. “A Biotrop é uma empresa focada na transformação da agricultura, com o objetivo de oferecer mais ferramentas para o setor. A cotonicultura brasileira é de vanguarda, de sustentabilidade, com o melhor que existe disponível para a produção de fibras”. Hipólito ainda explicou que a proposta da Biotrop para os cotonicultores brasileiros é oferecer os bioinsumos como instrumentos que equilibram o manejo, a rentabilidade e a sustentabilidade. “O biológico chega como uma ferramenta a mais para o cotonicultor, que permite fazer a gestão das pragas desafiadoras, como é o caso do bicudo. Isso acontece com controle efetivo, custo atrativo e rentabilidade tão necessária para o desenvolvimento da atividade”. Próximos passos No dia 13 de maio, a Biotrop participará, junto à Abrapa, de uma visita de campo na fazenda do Grupo Moresco, em Luziânia (GO). O encontro permitirá avaliar, na prática, os resultados dos bioinsumos na lavoura e também contará com a presença de representantes de órgãos oficiais, como Ibama e Anvisa.

Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 24/04/2026
24 de Abril de 2026

Destaque da Semana 1 - Apesar da interrupção da impressionante sequência de pregões consecutivos em alta, o mercado segue firme, sustentado por petróleo elevado, seca no cinturão produtor dos EUA, maior competitividade relativa frente ao poliéster e compras de cobertura para curto prazo. Destaque da Semana 2 - O Índice A da Cotlook, referência de preços do algodão posto Ásia, chegou a 90,55 U$c/lb em 22/abr, maior nível desde maio/2024, antes de recuar para 88,40 U$c/lb em 23/abr. Canal do Cotton Brazil - Quer se manter atualizado sobre o mercado de algodão no mundo? Participe: https://bit.ly/Canal-CottonBrazil. Fonte: Cotton Brazil. Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 23/abr cotado a 79,45 U$c/lp (+1,7% vs. 16/abr). O contrato Dez/26 fechou em 80,68 U$c/lp (+2,1% vs. 16/abr). Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 786 pts para embarque Abr/Mai-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 23/abr/26. Altistas 1 - A seca nos EUA é o fator altista mais direto da semana: 97% da região produtora de algodão no país está em algum nível de seca. Como o plantio e o estabelecimento das lavouras avançam nas próximas seis semanas, qualquer ausência de chuva relevante pode elevar o risco de abandono e perda de produtividade. Altistas 2 - O petróleo elevado melhorou a competitividade relativa do algodão frente ao poliéster, já que o poliéster depende de derivados de petróleo. Se parte das fiações ajustar misturas em favor do algodão, mesmo pequenas mudanças podem gerar impacto relevante, pois o uso mundial de fibras sintéticas é muito maior que o de algodão. Altistas 3 - Os fundos saíram de uma posição líquida vendida muito grande e passaram para posição líquida comprada pela primeira vez em quase dois anos. Esse reposicionamento mostra que o fluxo financeiro deixou de ser claramente baixista e passou a dar suporte aos preços. Altistas 4 - A China voltou ao centro das atenções porque os preços físicos e futuros subiram, e há rumores de medidas governamentais para estabilizar o mercado. Qualquer ação chinesa, seja leilão de reserva ou ajuste de política comercial, pode mexer rapidamente com o fluxo global. Baixistas 1 - O principal risco baixista é que parte da alta recente parece ter vindo mais de fatores de geopolítica, petróleo e fluxo financeiro do que de uma melhora clara e ampla da demanda física. Se o petróleo recuar ou houver realização de lucros dos fundos, NY pode devolver parte dos ganhos rapidamente. Baixistas 2 - Outro risco baixista está na posição comprada dos especuladores em julho, que somava 5,1 milhões de fardos em 14/abr. Com Jul/26 perto de 79–80 U$c/lb, há forte chance de realização de lucros. Baixistas 3 - O mercado tentou romper 80 U$c/lb no Jul/26, chegou a 79,90 U$c/lb, mas voltou a cair para abaixo de 79 U$c/lb. Essa perda de força perto da resistência mostra dificuldade de continuidade da alta no curtíssimo prazo. Baixistas 4 - O estoque certificado na ICE, de 165.681 fardos, é apontado como um ponto fraco do mercado atual. Sem vendas maiores dos EUA, esse volume pode limitar a alta do contrato julho. Webinar - Especialistas do setor algodoeiro irão discutir as perspectivas do mercado global em evento online do Cotton Brazil Knowledge Hub. O webinar será realizado na próxima terça-feira (28) e discutirá as projeções para a produção de algodão no Brasil e estratégias para otimização dos processos de fiação, entre outros assuntos. Inscreva-se no Zoom -https://us02web.zoom.us/webinar/register/WN_Bc4rTw48SVSCydDWiwB3ZA Agenda 1 - O próximo relatório WASDE do USDA será publicado em 12/mai/2026 e trará as primeiras estimativas detalhadas de oferta e demanda para 2026/27. Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 194,9 mil toneladas nas três primeiras semanas de abr/26. A média diária de embarque foi 35,8% maior que no mesmo mês de 2025. Cadeia – Abrapa, Abiove e IMAmt discutiram os efeitos colaterais do avanço genético do algodão focado em produtividade e qualidade da fibra sobre o caroço, matéria-prima essencial para a indústria de óleo e farelo. O encontro evidenciou o esforço conjunto entre produtores e indústria para alinhar a produção da pluma e do óleo vegetal. China 1 - Os preços físicos e futuros subiram na China, levando a China Cotton Association a emitir alerta contra especulação excessiva. A entidade indicou que o governo pode adotar medidas para estabilizar o mercado. China 2 - A reserva estratégica chinesa é estimada em 2,5 a 3,0 milhões de tons, e rumores de leilões ganharam força após o comunicado da CCA. Uma venda de reservas reduziria a pressão de importação no curto prazo. China 3 - A importação chinesa de algodão em março foi mais que o dobro do volume de março/2025, com o Brasil fornecendo 60% do total. Esse dado confirma recuperação de compras, embora parte do movimento possa ser recomposição pontual. China 4 - As importações chinesas de fios de algodão em março foram o maior volume mensal desde abril/2021. Ao mesmo tempo, a utilização de capacidade das fiações recuou levemente. EUA - O plantio de algodão chegou a 11% da área até 19/abr, ligeiramente acima do ano passado e da média de cinco anos. O dado é positivo para ritmo de campo, mas ainda muito inicial para reduzir o risco climático. Vietnã - A atividade de fios parece mais lenta, apesar da boa demanda por produtos médios e finos ligados a pedidos de varejo da Europa e dos EUA. A fraqueza em fios mais grossos reduz o apetite por compras agressivas de algodão. Índia - A demanda por fios estabilizou ou começou a enfraquecer após a alta recente. Mesmo com margens ainda positivas em algumas fiações, fabricantes de tecidos e confecções têm dificuldade de repassar custos maiores. Paquistão 1 - O mercado de fios está estável, mas as compras desaceleraram após a cobertura de pedidos anteriores. A demanda de exportação também perdeu força, com compradores chineses ativos, mas oferecendo preços considerados baixos pelas fiações. Paquistão 2 - O plantio no Paquistão está acelerando sob céu limpo, com disponibilidade de água e fertilizantes descrita como suficiente. Esse quadro reduz, por enquanto, o risco de quebra inicial na safra local. Preços - Consulte a tabela de cotações abaixo. Quadro de cotações para 23.04 Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

Abrapa e Abiove discutem impactos do melhoramento genético na indústria de óleo de algodão
17 de Abril de 2026

Em reunião realizada na última segunda-feira, 13/04, representantes da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e do Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt), discutiram sobre os efeitos colaterais do avanço genético do algodão focado em produtividade e qualidade da fibra sobre o caroço, matéria-prima essencial para a indústria de óleo e farelo. O encontro evidenciou o esforço conjunto entre produtores e indústria para alinhar a produção da pluma e do óleo vegetal. De acordo com o Diretor Executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, “A reunião marca um passo importante para aproximar os elos da cadeia e buscar um equilíbrio entre produtividade no campo e qualidade industrial, desafio central para manter a competitividade do algodão brasileiro em um mercado cada vez mais pressionado por eficiência e integração”. Quantidade de fibra versus teor de óleo Para representantes da indústria, a variação no teor de óleo dos caroços e a fragilidade do tegumento, membrana que fica entre a casca e a semente, em algumas variedades aumenta a presença de fragmentos na fibra afeta a receita do esmagamento e traz dificuldades no beneficiamento. Já a redução no tamanho das sementes compromete o rendimento industrial e a logística de transporte e armazenamento. Do lado da pesquisa a prioridade continua sendo o desenvolvimento de variedades que aumentam a produção de fibra por hectare. Essa diretriz está ancorada em correlações genéticas conhecidas, uma vez que, a alteração de características como tamanho do capulho ou rendimento de fibra, tem efeitos indiretos sobre o tamanho da semente e o teor de óleo. Ainda assim, na avaliação dos especialistas do IMAmt, é possível reequilibrar o germoplasma para recuperar níveis de óleo entre 18% e 20% em cerca de cinco anos. Já avanços mais ambiciosos, que levem o teor a patamares entre 25% e 30%, demandariam de uma a uma década e meia, além da busca por variabilidade genética fora das espécies atualmente utilizadas. Além disso, o óleo de algodão disputa espaço no mercado de proteínas e de óleos vegetais com outras cadeias, como soja e milho, pressionando as margens do setor. O encontro também discutiu a necessidade de criar incentivos econômicos, como o pagamento de bônus por maior teor de óleo, que por enquanto esbarraram em entraves logísticos, especialmente na falta de segregação adequada dos lotes. Equilíbrio entre produtividade no campo e qualidade industrial Como encaminhamento, as entidades concordaram em avançar em três frentes. A primeira é ampliar testes e critérios de seleção, incluindo a dureza do tegumento, com expectativa de retirar do mercado, em dois a três anos, as variedades mais problemáticas; A segunda é formalizar, de maneira conjunta, as demandas da cadeia para os desenvolvedores de cultivares, integrando parâmetros industriais ao processo de melhoramento; Por fim, ganhou força a proposta de mapear os materiais atualmente em circulação e estudar mecanismos viáveis de segregação e premiação, capazes de induzir produtores e multiplicadores a priorizarem sementes com melhor desempenho para a indústria.