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Algodão brasileiro ganha destaque na Europa em evento global na Alemanha
02 de Abril de 2026Algodão: fibra sustentável versus plástico
02 de Abril de 2026Por Fernando Prudente - Diretor Executivo de Algodão da Bayer A produção e o consumo de roupas estão no centro de um debate ambiental. Nas últimas décadas, vestir-se ficou mais barato, impulsionado por movimentos como a “fast fashion”, enquanto a indústria ampliou o uso de materiais sintéticos derivados do petróleo. Tecidos plásticos, como o poliéster, ganharam espaço por terem menor custo de produção. As consequências, porém, vão além do guarda-roupa já que a poluição plástica é um problema crescente, com impactos nos ecossistemas, no clima e na saúde. Segundo a ONU, o mundo produz mais de 400 milhões de toneladas de plástico por ano, e um terço é usado uma vez. Microplásticos também foram identificados na água e alimentos, e roupas sintéticas contribuem com esse quadro ao liberarem microfibras plásticas durante o uso e as lavagens. Ou seja, o problema não se limita ao descarte, ele acompanha a peça ao longo do ciclo de vida. Defender o uso das fibras naturais é uma estratégia a longo prazo para a saúde do planeta. O algodão é formado por cerca de 90% de celulose, que é biodegradável por sua constituição química. Isso não significa que a peça desapareça rapidamente, pois a degradação ocorre ao longo do tempo e depende de fatores como clima, temperatura, solo e construção do tecido. Mas a diferença entre fibras de origem vegetal e de origem fóssil é decisiva para reduzir passivos ambientais. Mas a discussão não termina na fibra. Etiquetas e adesivos plásticos das roupas ampliam a persistência de resíduos ao se fragmentarem em partículas menores. Aviamentos e componentes metálicos, embora não gerem microplásticos, dificultam a reciclagem e exigem a remoção antes do reaproveitamento do tecido. E a sustentabilidade na moda envolve tanto a escolha da fibra quanto decisões de design, padronização de materiais e descarte responsável. Contudo, utilizar uma matéria-prima biodegradável, como o algodão, reconhecido pelo conforto e pela respirabilidade, é um passo rumo à economia circular. A abordagem do ciclo de vida das roupas integra as discussões do Dia Internacional do Resíduo Zero, celebrado em 30 de março e instituído pela ONU para conscientizar sobre gestão de resíduos, consumo e produção responsáveis, incentivando um olhar de ponta a ponta para reduzir o uso de recursos e as emissões nas etapas de um produto. O algodão brasileiro pode contribuir com essa pauta, em escala e sustentabilidade. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a previsão é que sejam produzidos 3,8 milhões de toneladas de algodão em pluma na safra 2025/26. O país também foi líder mundial na exportação de pluma no ciclo 2024/25 e mantém posição de destaque nessa temporada. Além disso, mais de 90% da produção é cultivada em regime de sequeiro, enquanto a irrigação é adotada em algumas regiões, o que contribui para a eficiência no uso de recursos hídricos. A sustentabilidade do algodão não se mede apenas na fibra, mas na forma como é produzido e na mensuração de seus impactos. No fim de 2024, cotonicultores mensuraram de forma inédita a pegada de carbono do algodão com dados primários de campo, por meio da calculadora Footprint PRO Carbono, desenvolvida para o sistema agrícola brasileiro em cooperação técnica entre Bayer e Embrapa. Com dados primários dos produtores, a pegada de carbono do algodão foi de 811 kg CO₂e/t, com potencial de redução superior a 30%. Além de criar uma referência nacional para a cultura, a mensuração, via plataforma PRO Carbono, indica onde estão as emissões e orienta ajustes de manejo para reduzi-las, em respeito às particularidades regionais e apoio a decisões mais eficientes ao longo da cadeia. A ampliação do uso do algodão na indústria têxtil dialoga com iniciativas que aproximam o campo do consumidor. O movimento Sou de Algodão, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), promove a valorização da matéria-prima ao reunir elos da cadeia e incentivar peças com, no mínimo, 70% de fibras naturais. A articulação adota critérios socioambientais e transparência ao longo da jornada das peças para uma produção responsável. A conexão entre quem produz e quem consome é parte da resposta que o setor pode dar à crise global do plástico. A discussão entre fibra natural e sintética não simplifica um problema complexo, mas aponta caminhos para enfrentá-lo com escolhas que reduzam impactos ambientais. O algodão brasileiro, conectado a iniciativas e a esforços de mensuração climática no campo, tem um papel a cumprir nessa agenda.
Guerra no Oriente Médio e pressão inflacionária diminui demanda por algodão
02 de Abril de 2026Kaique Cangirana, da CNN Brasil, São Paulo A guerra no Oriente Médio sustenta as cotações do algodão e pressionam a indústria a utilizar a fibra sintética, isso ocorre pela alta nos custos de produção e inflação sobre a agroindústria, segundo a avaliação de Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, a Abrapa. Enquanto os preços do algodão sobem, sustentados pela alta do petróleo, a fibra sintética ganha espaço na produção de tecidos e acirra a concorrência com a pluma. Por outro lado, a pressão inflacionária esperada para o médio prazo devido a guerra, diminui a capacidade de compra do consumidor, que também passa a optar por tecidos como o poliéster. Para Marcelo Duarte a relação entre curto, médio e longo prazo ditam o sentimento do setor, que tende a valorização da matéria prima, mas teme pela queda da demanda global. “A alta dos fertilizantes e combustíveis tem elevado os custos de produção, o que tende a gerar pressão sobre os preços em uma reação sistemática. O mercado do algodão observa o aumento do poliéster em meio a incertezas sobre a oferta global da pluma”, disse. Embora haja uma reação positiva nos preços do algodão no curto prazo, Duarte alerta para os riscos de médio prazo. "Essa situação gera pressão inflacionária, o que reduz o poder de compra das pessoas e, consequentemente, a demanda por vestuário. Apesar do aumento nominal no valor da pluma, o momento é de preocupação para o setor devido às incertezas e ao aumento sistêmico nos custos de produção e logística", explica. A valorização do algodão no mercado internacional encontra sustentação na alta das fibras sintéticas, os seus principais concorrentes. Com o petróleo em patamares elevados, o custo do poliéster sobe, tornando a fibra natural mais competitiva. No entanto, Duarte ressalta que essa alta é uma faca de dois gumes, pois o setor enfrenta o encarecimento de insumos fundamentais. "O algodão vê suporte nos preços devido ao aumento do poliéster e às incertezas sobre a oferta futura, influenciadas pela alta nos fertilizantes nitrogenados, que também possuem origem fóssil", afirma o diretor. Para ele, o ganho no preço final da pluma acaba sendo acompanhado por um salto nos custos operacionais: "Os fertilizantes representam uma parte significativa do custo de produção e essa pressão, somada ao frete, impacta diretamente a rentabilidade final do produtor". O aumento do custo de transporte, fretes e logística gera incertezas sobre o abastecimento global de commodities e preocupa o setor. A diminuição de margens de faturamento pode implicar em desabastecimento das indústrias e alta sobre cadeias agroindustriais. Consolidado como o maior exportador mundial de algodão desde 2024, o Brasil se consolida como parceiro estratégico da indústria têxtil asiática. Com uma capacidade produtiva robusta e escala para atender à crescente demanda global, o país promoveu um deslocamento do eixo comercial da commodity. Além de acompanhar tendências globais, o país passou a ditar o ritmo da oferta global como maior exportador da pluma, que sofre valorização nas bolsas internacionais e assegura a rentabilidade do produtor nacional. Na avaliação de técnicos do setor, em um cenário de preços voláteis nas bolsas, a capacidade brasileira de oferecer previsibilidade e conformidade socioambiental tem sido o fator determinante para assegurar a rentabilidade do produtor e a preferência das fiações asiáticas.
Apesar da alta nos preços do algodão, guerra pode prejudicar demanda
02 de Abril de 2026Por Paulo Santos — Campina Grande (PB) A guerra no Irã, que fez o preço do petróleo disparar e ajudou o algodão a se valorizar no cenário internacional, pode prejudicar a demanda por produtos feitos a partir da pluma. A avaliação é de Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Durante participação na Bremen Cotton Conference, realizada em Bremen, na Alemanha, o dirigente ressaltou que, apesar da reação positiva nos preços do algodão, há riscos no médio prazo. "Essa situação [de guerra] gera pressão inflacionária, o que reduz o poder de compra das pessoas e, consequentemente, a demanda por vestuário. Apesar do aumento nominal no valor da pluma, o momento é de preocupação para o setor devido às incertezas e ao aumento sistêmico nos custos de produção e logística", disse, em nota. Segundo ele, o bloqueio do Estreito de Ormuz tem gerado uma "pane geral" nas rotas marítimas, elevando drasticamente o custo do transporte e do óleo diesel. A valorização do algodão no mercado internacional encontra sustentação na alta das fibras sintéticas, os seus principais concorrentes. Com o petróleo em patamares elevados, o custo do poliéster sobe, tornando a fibra natural mais competitiva. No entanto, Duarte ressalta que essa alta é uma faca de dois gumes, pois o setor enfrenta o encarecimento de insumos fundamentais. "O algodão vê suporte nos preços devido ao aumento do poliéster e às incertezas sobre a oferta futura, influenciadas pela alta nos fertilizantes nitrogenados, que também possuem origem fóssil", afirmou o diretor. Para ele, o ganho no preço final da pluma acaba sendo acompanhado por um salto nos custos operacionais. "Os fertilizantes representam uma parte significativa do custo de produção e essa pressão, somada ao frete, impacta diretamente a rentabilidade final do produtor", acrescentou. Ele também apontou a contradição entre a crescente preocupação ambiental e o avanço das fibras sintéticas derivadas do petróleo. Entre os fatores que explicam a perda de participação do algodão no mercado global, citou a estagnação da produtividade, os impactos das mudanças climáticas e desafios estruturais como as questões logísticas. Por fim, ele reforçou a necessidade de o setor comunicar melhor seus atributos, como a alta rastreabilidade, sendo o algodão a segunda commodity mais rastreável do mundo, atrás apenas do café, e simplificar a mensagem de sustentabilidade para o consumidor final.
Brazilian Cotton School conclui terceira turma com imersão prática e visão integrada da cadeia do algodão
02 de Abril de 2026A terceira turma da Brazilian Cotton School foi concluída na última semana consolidando mais uma edição do programa que vem se firmando como uma das principais iniciativas de formação executiva do setor algodoeiro do país. Ao longo de três semanas intensivas, os participantes vivenciaram uma jornada completa de aprendizado, conectando teoria e prática em diferentes elos da cadeia produtiva. Criada de forma conjunta pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e pela Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), a escola tem como propósito qualificar profissionais para uma compreensão ampla e estratégica do mercado, desde a produção até a comercialização internacional do produto. Além das aulas em Brasília (DF) e São Paulo (SP), ministradas por 60 especialistas do setor, a programação incluiu uma série de visitas técnicas que proporcionaram uma imersão prática e inédita aos participantes. “As visitas técnicas foram fundamentais para conectar teoria e prática, trazendo uma visão real e estratégica do setor”, destacou Marcella Guerreiro Wehrle, diretora executiva da Associação Paulista dos Produtores de Algodão (APPA) e participante da terceira turma. “Foi uma experiência transformadora, que ampliou minha visão sobre a cotonicultura e toda a sua cadeia produtiva”, completou. Um dos destaques do cronograma foi a visita ao Porto de Santos, principal corredor de exportação do algodão brasileiro, onde o grupo acompanhou de perto os caminhos da logística portuária e as operações de embarque da fibra com passagem pelo Terminal Alemoa, onde ocorre o carregamento de fardos de algodão em contêiner. “A turma pôde ver fisicamente 4 mil toneladas de fardos estocados e as operações de recebimento, manobras, consolidação e todas as movimentações de containers nos pátios do terminal”, detalhou Luiz Magalhães Ozores, conselheiro da S. Magalhães. Ainda no litoral paulista, a escola proporcionou, pela primeira vez, uma visita à Sede da Praticagem, onde os participantes da Cotton School puderam compreender o papel estratégico dos práticos na condução segura de navios e na eficiência das operações portuárias — etapa fundamental para a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional. Já a experiência em campo este ano foi em uma das fazendas de algodão do Grupo Moresco, em Cristalina (GO), referência em tecnologia e produtividade. A atividade ofereceu uma aula de práticas modernas de manejo, sustentabilidade e integração de processos, reforçando a importância da origem da fibra dentro da cadeia, além de visita à GM Algodoeira, dentro da fazenda, especializada no beneficiamento de fibras. Dentro do módulo de plantio e colheita, a terceira turma da escola também teve uma experiência na Casa John Deere, em Campinas (SP), e no Centro de Treinamento da montadora. Chegando na ponta final da cadeia, a imersão contemplou o setor industrial, com visita técnica à Santista Têxtil em Americana (SP). Lá, os participantes acompanharam as diferentes etapas de transformação do algodão em produto final, compreendendo as exigências da indústria e os padrões de qualidade demandados pelo mercado. Complementando a visão técnica, o grupo esteve presente no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), reconhecido pela excelência na formação profissional e no desenvolvimento tecnológico, aprofundando o entendimento sobre inovação, qualificação de mão de obra e o futuro da indústria têxtil. Para a diretoria da Brazilian Cotton School, a terceira turma reafirma o papel da iniciativa na formação de lideranças capazes de atuar de forma estratégica em um setor cada vez mais globalizado e exigente. “A escola nasce da integração entre os diferentes elos da cadeia, e essa vivência prática fortalece justamente essa visão sistêmica, essencial para o momento que o Brasil vive como protagonista no mercado mundial de algodão”, destaca o diretor da escola, Jonas Nobre. A curadoria do conteúdo da escola é realizada pelo engenheiro agrônomo, Sérgio Dutra, mestre em Agronomia pela ESALQ/USP, doutor em Agronomia no Programa de Energia na Agricultura da FCA – UNESP de Botucatu e consultor. “Nós buscamos aperfeiçoar a cada ano os conteúdos, além de ampliar o número de mentores convidados, avaliando, tanto os temas permanentes, como os temas transversais que são alterados a cada ano conforme necessidade”, relatou Dutra. Na sua terceira edição, a Brazilian Cotton School formou um total de 36 novos embaixadores no mercado do algodão brasileiro. “Ter participado da BCS neste momento da minha carreira foi um divisor de águas. Vindo, originalmente, do setor de grãos e oleagionosas, a BCS me proporcionou, em algumas semanas, um alicerce para desenvolver um conhecimento mais profundo acerca do setor”, avaliou o participante, André Barbieri, gerente de Inteligência de Mercado da Bunge. Informações para a imprensa: Sara Kirchhof secretaria@braziliancottonschool.com.br
Melhoria da qualidade do algodão brasileiro é foco do 2º Workshop Algodão da Agopa, em Goiás
02 de Abril de 2026O Brasil é o maior exportador de algodão do mundo e o terceiro maior produtor da pluma. Agora, um dos focos do setor é a melhoria contínua da qualidade da fibra que é matéria-prima para a indústria têxtil nacional e internacional. Com esse objetivo, a Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa) e a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) realizaram, na última sexta-feira, 27 de março, em Goiânia, um workshop dedicado às melhores práticas, do manejo à comercialização, com resultados comprovados em qualidade. O encontro reuniu especialistas representantes de diferentes elos da cadeia produtiva, entre produtores, comerciantes e industriais em oito painéis temáticos. Excelência técnica e visão de mercado O painel “Classificação, contaminantes e padronização da fibra”, apresentado pela diretora de relações institucionais da Abrapa, Silmara Ferraresi, pelo pesquisador da Embrapa João Paulo Saraiva e pelo gerente do laboratório de qualidade da Agopa, Rhudson Assolari, detalhou desafios e avanços na classificação do algodão brasileiro, além dos impactos dos contaminantes na produção industrial e na reputação da fibra. A padronização e a formação de lotes na comercialização também estiveram em pauta. A dimensão estratégica da qualidade foi destacada por Ferraresi, ao relacionar o rigor técnico ao posicionamento do produto no mercado internacional. A diretora também enfatizou o papel da comunicação e da imagem do setor: “A qualidade é o nosso melhor argumento de venda. Quando mostramos ao mundo que o algodão brasileiro tem rastreabilidade e um padrão técnico rigoroso, estamos consolidando a marca do Brasil como um fornecedor confiável”, afirmou Na abordagem técnica, Rhudson Assolari conduziu módulos sobre legislação e prática de classificação, ressaltando o compromisso com a precisão: “Nosso papel aqui é garantir que o resultado que sai do laboratório seja o espelho fiel do que o produtor colheu, assegurando que cada fardo goiano esteja pronto para atender às exigências das fiações mais modernas”, explicou. Qualidade e reputação Os desafios da indústria têxtil e a importância da gestão da qualidade na geração de valor da fibra brasileira foram discutidos em painel com o gerente do programa Cotton Brazil, Fernando Rati, o vice-presidente da Fiasul, Franco Manfroi, e o gestor de estratégia e operação da divisão de exportação de produtos agrícolas da Timbro, João Paulo Lima. Rati destacou o crescente interesse das fiações asiáticas pelo algodão brasileiro, atribuindo esse movimento ao avanço da qualidade da fibra nacional. No entanto, apontou entraves relacionados à contaminação, especialmente por pegajosidade e presença de plástico. Segundo ele, “A resolução de desafios técnicos pode aumentar consideravelmente as exportações do algodão brasileiro para os países asiáticos. A nossa qualidade é muito alta, o nosso maior problema é o nível de contaminação”. Sob a ótica da indústria, Manfroi reforçou a preocupação com contaminantes: “O mercado têxtil brasileiro é bastante exigente e as indústrias de fiação evitam ao máximo produzir com algodão contaminado por plásticos para evitar problemas na cadeia”. A pegajosidade também foi apontada como fator de desperdício e de imperfeições no fio durante o processo industrial. Integração da cadeia Além dos painéis, o workshop promoveu uma mesa-redonda sobre o futuro do algodão brasileiro, com foco na integração entre produção, indústria e mercado global. Participaram do debate o presidente da Agopa, Haroldo Cunha, o diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), Dawid Wajs, e o produtor de algodão e membro do conselho da Abrapa, Luiz Carlos Bergamaschi. Para Wajs, iniciativas como o workshop sinalizam ao mercado o compromisso do setor com a excelência. “Eventos como esse são essenciais para levar conhecimento para os produtores e dar um sinal para o mercado que qualidade é uma preocupação da cadeia do algodão brasileiro. Eu diria que a principal ação deve ser em relação aos contaminantes como plástico e fragmentos de semente (sead coat). Esse cuidado é necessário para manter o nível de reputação do algodão brasileiro”. Bergamaschi reforçou a responsabilidade dos produtores na manutenção da qualidade: “Um pouco de capricho na lavoura resolve muito. Para a indústria, a mensagem é que podem confiar no algodão brasileiro” Já Haroldo Cunha destacou o momento estratégico para o setor e a necessidade de atuação conjunta. “Qualidade é transparência, seriedade e consciência. Um produtor pode desagiar a origem como um todo, impactando a percepção dos compradores do algodão brasileiro. É muito importante que o público diverso que está aqui entenda que a responsabilidade da qualidade é de todos. Um trabalho conjunto. A qualidade é feita todo dia, com a noção de coletividade”. O encontro foi encerrado com a avaliação de que a integração entre as instituições e os diferentes elos da cadeia é fundamental para assegurar que a pluma brasileira mantenha o padrão de excelência exigido pelo mercado internacional.
Ciência que transforma o campo: trabalhos científicos impulsionam a evolução da cotonicultura brasileira
02 de Abril de 2026A evolução da cotonicultura brasileira — hoje uma das mais tecnificadas e competitivas do mundo — passa, necessariamente, pela produção científica. No centro desse avanço estão os trabalhos desenvolvidos por estudantes, pesquisadores e professores orientadores, que conectam conhecimento acadêmico às demandas reais do campo e contribuem diretamente para decisões mais assertivas, produtivas e sustentáveis. No Congresso Brasileiro de Algodão (CBA), essa conexão ganha protagonismo. O evento se consolida como um dos principais espaços de difusão científica do setor, reunindo pesquisas aplicadas que dialogam com os desafios da cadeia produtiva — do manejo à qualidade da fibra, passando por sustentabilidade e inovação tecnológica. Para quem está no início da trajetória, o impacto da pesquisa é imediato. Giovanna Mattos, estudante premiada na última edição do CBA, destaca o papel transformador da experiência. “Participar do congresso foi extremamente enriquecedor. Ter meu trabalho reconhecido como o melhor da categoria graduação representa um marco importante na minha trajetória acadêmica”, afirma. Segundo ela, a pesquisa científica “é fundamental para a evolução da cotonicultura brasileira, pois gera conhecimento que auxilia na tomada de decisão no campo e contribui diretamente para o aumento da produtividade e conservação dos recursos naturais”. A jovem também reforça o papel do congresso como porta de entrada para o mercado. “É uma oportunidade única de aprendizado, troca de experiências e crescimento profissional. O contato com profissionais e empresas amplia a visão sobre o setor e fortalece o interesse em seguir na área”, completa. Do ponto de vista de quem já atua na pesquisa, o reconhecimento também representa um estímulo para seguir avançando. Larissa Teodoro, pesquisadora premiada no último CBA, destaca que a ciência é a base para o desenvolvimento sustentável da cultura. “A pesquisa científica deve ser a rota principal para o avanço da cotonicultura no Brasil, pois permite decisões mais assertivas e economicamente viáveis em toda a cadeia produtiva”, explica. Ela ressalta que, em uma cultura complexa como o algodão, cada decisão impacta diretamente o resultado final. “Uma escolha equivocada pode afetar produtividade, qualidade da fibra e sustentabilidade da produção. Por isso, a ciência se torna indispensável em todas as etapas”, pontua. Para Larissa, a diversidade de temas abordados nos trabalhos apresentados no CBA — que vão do aumento de produtividade à sustentabilidade e qualidade industrial — reforça o nível de maturidade tecnológica do setor. Já na visão do professor orientador, o processo científico vai além da geração de conhecimento: é também um instrumento de formação profissional e de conexão com o mercado. Fábio Echer, orientador premiado na última edição do congresso, destaca o papel do CBA nesse ciclo. “A participação no congresso coloca os estudantes em contato com toda a cadeia produtiva, ampliando sua rede de relacionamento e contribuindo para o desenvolvimento pessoal e profissional”, afirma. Segundo ele, o caráter técnico do evento permite aproximar teoria e prática. “O CBA possibilita aos estudantes estabelecerem uma ligação direta entre a ciência e sua aplicação no campo, o que é fundamental para o processo formativo”, explica. Além disso, Echer destaca que os trabalhos científicos também cumprem uma função estratégica na troca de conhecimento. “É uma via de mão dupla: ao mesmo tempo em que os estudantes apresentam seus resultados, os questionamentos de produtores e técnicos geram novas ideias e hipóteses de pesquisa”. Essa dinâmica contínua entre pesquisa e prática é o que sustenta o avanço da cotonicultura brasileira. Ao transformar dados em soluções e conhecimento em inovação, os trabalhos científicos apresentados no CBA reforçam o papel da ciência como um dos principais motores de desenvolvimento do setor — conectando gerações, integrando saberes e preparando o campo para os desafios do futuro.
Sou de Algodão promove debates sobre rastreabilidade, mercado e futuro da moda na Brazilian Cotton School
31 de Março de 2026O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), realizou, na última quinta-feira (26), uma série de painéis na Brazilian Cotton School, em São Paulo, reunindo representantes de diferentes elos da cadeia têxtil para discutir rastreabilidade, sustentabilidade e o futuro da moda no Brasil. O encontro aconteceu no Senai Francisco Matarazzo, no Brás, e reforçou o papel do movimento como articulador entre produtores, indústria, varejo, criadores e formadores de opinião. Ao longo da programação, três painéis promoveram conversas complementares, conectando temas técnicos, estratégicos e criativos. Para Silmara Ferraresi, diretora de relações institucionais da Abrapa e gestora do movimento, a proposta do encontro foi justamente ampliar esse diálogo entre os diferentes agentes do setor. “Quando reunimos diferentes elos da cadeia em um mesmo espaço, conseguimos avançar em discussões que não acontecem de forma isolada. O Sou de Algodão nasce com esse propósito de integração, de construir pontes e de dar visibilidade a tudo o que está por trás da moda que chega ao consumidor”, enfatiza. “Com a oportunidade de recebermos vários parceiros do movimento Sou de Algodão na Brazilian Cotton School, pudemos discutir e evidenciar o uso do algodão brasileiro na nossa indústria da moda com os 36 integrantes da turma de 2026. Para mim, o ponto de destaque é que esse trabalho é contínuo e muito já foi feito, mas é essencial para todos nós que essa missão continue”, destaca Jonas Nobre, diretor executivo da instituição. Rastreabilidade e transparência ganham espaço na cadeia da moda O primeiro painel, dedicado ao programa SouABR, colocou em pauta a rastreabilidade da cadeia de custódia do algodão certificado, reunindo empresas que já atuam diretamente com o tema. A discussão partiu de um cenário em que o consumidor demonstra interesse crescente por sustentabilidade e transparência, mas ainda encontra dificuldade para acessar informações claras sobre a origem dos produtos. A partir de experiências práticas, as empresas compartilharam como a rastreabilidade tem evoluído dentro das operações, deixando de ser um projeto piloto para ganhar escala. Para Nívea Pizzolito, gerente de sustentabilidade da C&A, esse processo aconteceu de forma gradual, com testes que permitiram validar a estratégia. “A gente começou com um piloto pequeno, com cerca de 1.500 peças, para entender a tecnologia e a aceitação dos clientes. Os resultados foram muito positivos e isso nos deu segurança para expandir”, afirma. Segundo ela, o crescimento foi consistente ao longo do tempo. “Hoje já temos mais de 115 mil peças rastreáveis, e percebemos que os clientes não só consomem como também pedem novos produtos com essa proposta”, completa. A importância da integração entre os elos também foi destacada durante a conversa. Para Marco Antônio Branquinho, CEO da Vicunha Têxtil, a sustentabilidade precisa fazer parte da essência do negócio. “Não é uma questão de imagem, mas de crença. Precisa estar dentro da organização como parte da estratégia da empresa”, ressalta. Do ponto de vista da confecção, a rastreabilidade aparece como uma ferramenta de valorização do processo produtivo. Gabriele Ghiselini Cavaliunas, diretora da Emphasis, chama atenção para esse aspecto ao destacar que “ela mostra as mãos que fizeram, traz transparência e fortalece a percepção de qualidade e sustentabilidade ao longo de toda a cadeia”, diz. Na origem da produção, o impacto também é significativo. Isabela Busato, gestora de controles e processos do Grupo Busato, reforça a importância da conexão com o consumidor final. “É muito gratificante ver o algodão produzido nas nossas fazendas chegar ao consumidor e estar presente na etiqueta de uma peça”, evidencia, ao destacar o papel da rastreabilidade em aproximar o campo da moda. Já do ponto de vista tecnológico, a complexidade da cadeia foi um dos pontos abordados. André Maltz Turkienicz, CEO da AgTrace, explica que estruturar esse processo exige organização e padronização de dados. “A cadeia do algodão é longa e envolve muitos elos, mas o Brasil tem uma base muito organizada na produção, o que permite construir uma rastreabilidade consistente”, afirma. Conexão entre indústria, varejo e consumidor fortalece o setor No segundo painel, o foco se voltou para o papel do movimento Sou de Algodão como agente de conexão dentro da cadeia têxtil. Representantes de diferentes segmentos discutiram como a colaboração entre indústria, varejo e serviços pode impulsionar o desenvolvimento do setor e ampliar o diálogo com o consumidor. Para Haroldo da Silva, economista-chefe da Abit, essa articulação é estratégica para o Brasil, especialmente diante do potencial produtivo do país. “Essa parceria entre Abrapa, Sou de Algodão e outras instituições já nasce vencedora, porque o Brasil é um grande produtor de algodão e precisa transformar essa matéria-prima em produtos com valor agregado”, declara. Do lado do varejo, a conversa trouxe a perspectiva de quem está mais próximo do consumidor final. Karina D’Ornelas, gerente de sustentabilidade da Riachuelo, destaca a relevância do algodão dentro desse contexto. “O algodão está presente na grande maioria dos nossos produtos e é uma escolha que reflete tanto responsabilidade socioambiental quanto a construção de uma relação mais próxima com os produtores e com a cadeia”, diz. Outro ponto central do debate foi a necessidade de estimular um consumo mais consciente por meio da informação. Para Mariana Amaral, sócia-fundadora da Etiqueta Certa, esse movimento passa por mudanças de hábito. “Assim como já fazemos com alimentos e cosméticos, é importante que as pessoas passem a olhar as etiquetas das roupas, entendendo a composição, a durabilidade e a origem das peças que consomem”, destaca. Educação e novas gerações impulsionam o futuro da moda Encerrando a programação, o terceiro painel trouxe uma reflexão sobre o futuro da moda a partir da perspectiva de criadores, educadores e comunicadores. A conversa destacou o papel do movimento na aproximação entre indústria e criação, além de sua atuação junto às novas gerações. Para o estilista João Pimenta, um dos principais impactos do Sou de Algodão está na capacidade de conectar diferentes agentes do setor. “Na moda, muitas vezes cada um atua de forma isolada, e o movimento consegue fazer essa conexão entre indústria, criação e mercado”, afirma. A jornalista e editora-chefe da Capricho, Andréa Martinelli, também reforça essa visão ao destacar o papel do movimento como articulador. “O Sou de Algodão é um agente de mudança importante, porque conecta todos os pontos da cadeia, do produtor ao consumidor, e amplia a forma como enxergamos o algodão brasileiro”, diz. A relação com o meio acadêmico também se destacou como um dos impactos do movimento. Para Ana Paula Mendonça Alves, coordenadora acadêmica do Senac SP, essa aproximação amplia o repertório dos estudantes e contribui para uma formação mais conectada com a realidade do setor. “O movimento Sou de Algodão é fundamental para criar conexões que vão além do ambiente tradicional da faculdade, aproximando os alunos de outras etapas da cadeia, como a produção do algodão. Esse contato é muito rico, porque ajuda a conscientizar os estudantes sobre todo o percurso do material que eles utilizam, desde a origem até a aplicação na vida profissional”, reitera. Já André Hidalgo, diretor da Casa de Criadores, chama atenção para a importância de iniciativas que aproximam novos talentos da indústria. “O Sou de Algodão veio para unir a cadeia em torno de uma questão fundamental, que é a sustentabilidade, além de aproximar estilistas da indústria e mostrar caminhos possíveis para trabalhar com essa matéria-prima”, afirma. Para Manami Kawaguchi Torres, gestora de relações institucionais do movimento, essa conexão entre os diferentes elos da cadeia é essencial para a construção de uma moda mais consciente. “Quando conseguimos aproximar criação, indústria, varejo e produção, ampliamos o entendimento sobre todo o processo por trás de uma peça”, afirma. Ao refletir sobre o impacto do evento, ela reforça o papel do diálogo como motor de transformação. “Esse tipo de encontro mostra que a evolução da moda passa pela colaboração e pelo entendimento de que todos fazem parte da mesma cadeia, com responsabilidades e oportunidades compartilhadas”, conclui. Sobre Sou de Algodão Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 83% de toda a produção nacional de algodão. Abrace este movimento: Site: www.soudealgodao.com.br Facebook, Instagram, Youtube, LinkedIn e Pinterest: @soudealgodao TikTok: @soudealgodao_