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Missão Compradores: Visita à fazenda em Goiás e dia de eventos em Brasília marcam o encerramento da edição 2025
08 de Agosto de 2025A iniciativa tem como objetivo aproximar o Brasil dos maiores compradores internacionais, encerrou a sua edição deste ano oferecendo aos clientes da pluma brasileira uma verdadeira imersão na cotonicultura nacional, da lavoura aos laboratórios de classificação. A edição de 2025, realizada entre os dias 3 e 9 de agosto, encerrou suas visitas ao campo na Fazenda Pamplona, em Cristalina (GO), onde os 20 executivos de grandes grupos industriais conheceram a agricultura de precisão e os processos de controle de qualidade da pluma, que garantem ao algodão brasileiro uma reputação de excelência junto às maiores marcas globais. Iniciativa conjunto em prol do algodão brasileiro Criada em 2015, a iniciativa realizada pela Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), através do programa Cotton Brazil, em parceria com a Agência Brasileira de Exportações (Apex) e com a Associação Nacional de Exportadores de Algodão (Anea), traz ao Brasil, todos os anos, representantes de grandes indústrias têxteis do mundo para conhecer de perto como se produz um dos algodões mais sustentáveis e rastreáveis do planeta. Neste ano, estiveram presentes na missão representantes vindos da Turquia, Índia, China, Paquistão, Bangladesh e Vietnã, países que, juntos, representaram 84% das exportações brasileiras da fibra entre agosto de 2024 e julho de 2025. A programação passou por três estados-chave da produção nacional. Além de visitarem uma unidade produtiva no estado do Goiás, os visitantes também estiveram no Mato Grosso, onde conheceram propriedades com alta escala produtiva, práticas regenerativas e manejo sustentável do solo. E na Bahia, onde o grupo teve contato com fazendas que usam sistemas integrados de lavoura e pecuária. No último dia missão, em Brasília, os compradores tiveram a oportunidade de participar de workshops sobre a fibra brasileira. Na parte da manhã aconteceram palestras sobre qualidade, durante a tarde, o foco das conversas foi sustentabilidade e cases reais das fazendas de algodão brasileiras. Entre as principais palestras do dia, a Diretora de ESG do Grupo Amaggi, Juliana Lopes, apresentou o projeto de carbono zero e agricultura regenerativa da multinacional. Na mesma tarde, o consultor da Wazir Advisors, Varun Vaid, ministrou um workshop sobre como as indústrias de fiação brasileiras lidam com os problemas da contaminação e pegajosidade nos seus processos de produção. Após as apresentações, os membros da comitiva puderam compartilhar suas impressões diretamente com as associações de produtores, em um diálogo que gerou ajustes, melhorias e relações comerciais mais sólidas. Missão cumprida O encerramento da Missão Compradores ocorreu na noite de quinta-feira, 07/08, durante um jantar em Brasília. Na ocasião estiveram presentes autoridades representando o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério das Relações Exteriores, além de representantes das embaixadas de Bangladesh, Turquia e China. Também participou do evento, o presidente da Apex, Jorge Viana, que destacou os resultados da Missão enquanto um esforço de cooperação entre produtores, exportadores e governo. De acordo com Viana, "O Brasil virou a referência do algodão no mundo graças a cooperação que é feita entre a Abrapa, a Anea e a Apex, junto ao trabalho incrível dos produtores de algodão em todo o país.” Segundo o presidente da Apex, “Nós reunimos esses compradores para mostrar a eles a sustentabilidade, a boa governança e claro a eficiência do produtor brasileiro na hora de cultivar as lavouras de algodão”. Das porteiras das fazendas ao mercado internacional De acordo com o Diretor de Relações Exteriores da Abrapa, Marcelo Duarte, “A estratégia tem dado certo. Além do aumento expressivo nas exportações, o Brasil vem se consolidando como um fornecedor confiável, sustentável e que oferece um algodão de qualidade competitiva, em um mercado cada vez mais exigente.” Para ele, “a Missão Compradores é a prova de que, no agronegócio moderno, vencer não depende apenas de produzir bem, é preciso saber vender, conquistar e manter relacionamentos”. Se o Brasil hoje lidera o ranking global do algodão, é porque entendeu que, para competir no mundo, é preciso abrir as portas da fazenda, e falar a língua do mercado.
Qualidade foi o foco central da Missão Compradores no Oeste Baiano
08 de Agosto de 2025Depois de uma imersão na cotonicultura mato-grossense, a Missão Compradores, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), seguiu para a Bahia, segundo maior estado produtor. No Oeste Baiano, a comitiva formada por 20 executivos de indústrias têxteis, de seis diferentes países asiáticos, aprendeu mais sobre como o Brasil realiza o controle e a classificação dos indicadores de qualidade do algodão. “Um dos aspectos fundamentais para o comprador é a confiabilidade do produto. Por isso há tanto interesse nos parâmetros de qualidade e rastreabilidade do algodão brasileiro. A visita na Bahia deixou claro para os compradores que o sistema que adotamos é seguro e eficiente”, avaliou Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa. Além da fazenda e da algodoeira do grupo Sete Povos Agro, em Luís Eduardo Magalhães, a comitiva de importadores visitou o laboratório de análise de fibras da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), na mesma cidade. A unidade é a maior da América Latina, com 16 máquinas do tipo High Volume Instrument (HVI), atendendo a região do Matopiba (Maranhão, Tocantis, Piauí e Bahia). Controle e qualidade em foco Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa, explica que um dos diferenciais da cotonicultura brasileira é o agrupamento de fardos conforme a ordem, a data e o local da colheita. “Essa separação por variedades é um método comum nas algodoeiras nacionais e confere mais uniformidade aos lotes”, observou. “O sistema de classificação é o mesmo em todo o Brasil, independentemente do estado. Isso dá mais confiança ao processo”, comentou. O controle nos processos de beneficiamento e o investimento na melhoria das características intrínsecas da fibra agradaram Tahrin Aman, executivo da Aman Spinning Mills, de Bangladesh. “A evolução de cinco anos para cá no algodão brasileiro é enorme. Voltei a comprar do Brasil no ano passado e não penso em parar”, afirmou ele. Satisfeito com o comprimento, a cor e a resistência da pluma, Aman avaliou positivamente o que encontrou durante a Missão Compradores. “Para nós, de Bangladesh, segundo maior consumidor de pluma do mundo, o Brasil é um importante fornecedor e queremos comprar mais e mais deste algodão”, enfatizou. Shailesh Patil, trader de algodão da Cofco para a Índia, avalizou a qualidade da pluma brasileira e explicou por que agora se sente mais confiante para recomendar o produto nacional. “Fiquei impressionado com o tamanho das fazendas, com a qualidade das plantas e os níveis de produtividade. Essa experiência superou todas as ideias que eu tinha e me convenceu sobre o potencial do Brasil em produzir ainda mais”, declarou. Estratégia de promoção internacional A Missão Compradores é um intercâmbio realizado pela Abrapa há nove anos. Integra as ações do Cotton Brazil, programa de promoção internacional do algodão brasileiro realizado pela Abrapa. A iniciativa conta com a parceria da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e apoio da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea). Neste ano, a comitiva somou 20 executivos de fiações e indústrias têxteis de seis países: Bangladesh, China, Índia, Paquistão, Turquia e Vietnã, que, juntos, responderam por 84,9% das exportações brasileiras de algodão no ano comercial 2024/25.
Tecnologia e rastreabilidade do algodão marcam Missão Compradores em MT
08 de Agosto de 2025A rastreabilidade de fardos, a mecanização da colheita e a larga escala da cotonicultura brasileira chamaram a atenção da delegação da Missão Compradores na etapa por Mato Grosso. O grupo, formado por 20 representantes de fiações e indústrias têxteis asiáticas, visitou uma fazenda e uma algodoeira em Primavera do Leste, além de ter participado de um workshop técnico em Cuiabá. O intercâmbio é realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) há nove anos. O objetivo é permitir que os principais compradores da pluma nacional possam conhecer, in loco, a realidade da cotonicultura brasileira. “A Missão Compradores nos permite mostrar que o cultivo do algodão é feito por pessoas, por famílias guiadas por um espírito de colaboração e comprometidas com a produção responsável dessa fibra natural e renovável. Sabemos que mais importante que dizer é mostrar”, destacou o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli. Dawid Wajs, presidente da Associação Nacional de Exportadores de Algodão (Anea), lembrou que, em oito edições, a Missão Compradores recebeu 156 executivos de fiações de todo o mundo. “Neste ano, temos 18 representantes de seis dos mais importantes países no mercado têxtil mundial. Juntos, eles respondem por aproximadamente 80% da importação mundial de algodão”, informou. De Mato Grosso para o mundo A agenda começou por Mato Grosso, que responde por cerca de 70% da área plantada no Brasil com algodão e 10% no mundo. Entre os diferenciais do estado, estão a preservação de mais de 60% do território e a liderança na produção de outras culturas além do algodão, como soja, milho, gergelim e rebanho bovino. Orcival Gouveia Guimarães, presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), garantiu que o aumento na produtividade e, consequentemente, na produção de pluma no estado tende a se manter nos próximos anos. “Mesmo sem abrirmos novas áreas, podemos ampliar o cultivo de algodão devido à rotação de culturas. Basta que haja demanda para isso”, afirmou. Neste ano, Mato Grosso representou mais de 64% das exportações de algodão. Ao todo, são 137 algodoeiras distribuídas por todo o estado. Em 90% das propriedades, a cotonicultura é realizada em segunda safra com a soja. A fazenda visitada pela delegação foi uma exceção. A propriedade, do grupo Nativa, cultiva 70% do algodão em primeira safra, e apenas 30% na chamada ‘safrinha’. No dia da visita, 30% da área de aproximadamente 10 mil hectares havia sido colhida. “A colheita atrasou um pouco devido à chuva. Estamos prevendo mais 15 dias para finalizar os trabalhos”, disse Romeu Froelich, um dos fundadores do grupo. Qualidade do algodão impressiona compradores Os trabalhos em campo chamaram a atenção dos compradores. “Acompanhamos o processo de colheita de perto e vimos que é totalmente mecanizado, o que reduz qualquer chance de contaminação”, observou o executivo Md Nazmul Huq, da Far East Spinning, fiação de Bangladesh. O grupo Nativa foi o primeiro produtor de algodão do mundo a rastrear 100% dos fardos exportados até o Vietnã, há dois anos. A algodoeira do grupo, também visitada pela delegação internacional, começou a operar em 1997 e hoje beneficia de 1300 a 1500 fardos por dia. Devido ao sistema de rastreabilidade adotado, cada fardo é identificado eletronicamente, permitindo que o comprador saiba exatamente em que fazenda e mesmo em que talhão foi produzida a pluma. O sistema informa também os indicadores de qualidade e certificação socioambiental de cada fardo.
Equipe de especialistas em qualidade realiza visita técnica ao polo têxtil de Santa Catarina para levar soluções ao mercado têxtil internacional
07 de Agosto de 2025O estado de Santa Catarina, reconhecido nacionalmente pela sua produção têxtil, também é referência no trabalho com o algodão brasileiro. Entre os dias 3 e 6 de agosto, o polo têxtil do estado recebeu a visita técnica dos consultores da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que querem entender como as fiações do estado conseguem produzir toneladas de fios usando apenas o algodão brasileiro. Qualidade e produtividade O Brasil lidera as exportações de algodão no mundo, porém indústrias de fiações asiáticas enfrentam alguns desafios ao trabalharem com o algodão brasileiro. Os principais deles estão relacionados à contaminação e pegajosidade da fibra, que afetam o rendimento no processo industrial. A presença das cascas do caroço do algodão, de microplásticos e de pegajosidade na pluma, requer pausas constantes na produção, para que sejam realizadas limpezas nas máquinas industriais. Esse processo acaba por diminuir a produtividade de fios por hora de trabalho. A depender da quantidade de contaminação presente na pluma utilizada, o maquinário pode quebrar e gerar prejuízos para as fiações. Edson Mizoguchi, gerente de qualidade da Abrapa, explica que essas “características ocasionalmente encontradas no algodão brasileiro se devem principalmente a fatores externos. No caso da pegajosidade, a presença de pragas como a mosca branca, deixa a fibra mais pegajosa, o que dificulta o trabalho das máquinas de fiação. Em relação às questões de contaminação, problemas relacionados ao seed-coat e ao plástico, se devem ao processo desde a colheita ao beneficiamento.”. Desafios e melhores práticas para a utilização do algodão brasileiro Esses aspectos, não geram um impacto tão grande nas fiações do país, que trabalham na sua imensa maioria apenas com a matéria-prima nacional. Para levar o conhecimento da indústria têxtil nacional para os compradores estrangeiros do algodão brasileiro, Varun Vaid, consultor do Wazir Advisors, está trazendo cases de Santa Catarina para fazerem parto do workshop “Desafios e melhores práticas para a utilização do algodão brasileiro em fiações”, que compõe a agenda da edição 2025 da Missão Compradores. O workshop será ministrado no dia 07 de agosto, em Brasília, para os participantes da Missão. Para o Diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, “A Missão Compradores nos dá oportunidades para compartilhar conhecimento sobre o algodão brasileiro diretamente com os clientes. É importante poder apresentar a eles todos os aspectos da fibra brasileira, e ensiná-los como contornar possíveis problemas.” Missão compradores A Missão Compradores é um evento realizado anualmente pela Abrapa, através do programa de promoção do algodão brasileiro para o mercado internacional, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e a Agência Nacional de Exportadores de Algodão (Anea). Desde 2015, a iniciativa traz ao Brasil compradores da pluma para conhecerem o algodão brasileiro através de uma imersão na realidade da cotonicultura no país. Foco em qualidade A qualidade é uma área estratégica para a atuação da Abrapa em 2025, ano em que realizou encontros de qualidade da fibra e workshops em três dos principais estados produtores do Brasil. Somente em Mato Grosso, mais de 200 profissionais foram certificados para atuarem como inspetores de qualidade em Unidades de Beneficiamento de Algodão (UBA).
Inscrições abertas para certificação de terminais retroportuários no programa ABR-LOG 2025/26
04 de Agosto de 2025A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) acaba de abrir o período de adesão ao programa ABR-LOG para o ano comercial 2025/26. Voltada a terminais retroportuários, a certificação reconhece boas práticas operacionais, sociais e ambientais na etapa de estufagem dos containers com fardos de algodão. A certificação é uma ampliação do escopo do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e responde diretamente às exigências de qualidade dos mercados compradores. Lançado em 2023, o ABR-LOG é fruto da parceria entre Abrapa e a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), no âmbito do programa Cotton Brazil, que conta ainda com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). A iniciativa consolida o Brasil como o único país com uma certificação socioambiental integrada desde a lavoura até os portos de embarque da pluma. “O ABR-LOG agrega valor à fibra brasileira ao garantir padronização, segurança operacional e boas práticas na etapa de estufagem dos containers, com destaque para conservação dos fardos até a fiação. Com isso, fortalecemos ainda mais a competitividade internacional do algodão brasileiro” afirma o gerente de sustentabilidade da Abrapa, Fábio Carneiro. Certificação amplia rastreabilidade até o navio O Brasil já é o maior exportador mundial e o terceiro maior produtor global de algodão. Mas o avanço no mercado internacional exigiu mais do que apenas qualidade da pluma. A rastreabilidade da cadeia e o cumprimento de critérios socioambientais se tornaram elementos decisivos para conquistar compradores mais exigentes, especialmente na Ásia e na Europa. Nesse contexto, o ABR-LOG completa o ciclo iniciado há 13 anos com a certificação da produção agrícola, através do programa ABR, ampliado às unidades de beneficiamento (ABR-UBA), garantindo agora que o algodão chegue ao navio com o mesmo padrão de responsabilidade. Com prioridade inicial para os terminais do Porto de Santos, por onde escoam cerca de 97% das exportações brasileiras, o programa permite a adesão voluntária de retroportos e armazéns com capacidade para estufagem de contêineres com fardos de algodão. Após a assinatura do termo de adesão, o próximo passo é o agendamento da auditoria presencial, realizada por certificadoras independentes. Na auditoria, são verificados 127 itens, incluindo critérios como proibição de trabalho infantil, trabalho escravo ou degradante, segurança do trabalho e boas práticas de estufagem. Rigor e melhoria contínua O programa ABR-LOG estabelece uma política de melhoria contínua para os terminais participantes. No primeiro ano, é necessário cumprir requisitos mínimos e obrigatórios da certificação e pelo menos 80% de conformidade nos itens não obrigatórios. A partir da segunda safra, o índice sobe para 82%, com aumento de dois pontos percentuais a cada ciclo subsequente. Fundamentado nos pilares social, ambiental e econômico da sustentabilidade, o programa avalia ainda critérios como liberdade sindical, proibição de discriminação, gestão ambiental e boas práticas na estufagem dos fardos. A expectativa da Abrapa é que a ampliação da certificação para os terminais contribua para reduzir perdas, evitar contestações comerciais e, sobretudo, consolidar a imagem do algodão brasileiro como o mais responsável do mundo. Os terminais interessados devem formalizar sua adesão diretamente junto à Abrapa pelo e-mail sustentabilidade.abrapa@abrapa.com.br. A certificação é válida por safra comercial e requer auditoria anual. Com a nova rodada do ABR-LOG, o Brasil reforça sua posição de liderança global não apenas em volume, mas também em responsabilidade e transparência em toda a cadeia do algodão.
Representantes das maiores indústrias têxteis mundiais chegam ao Brasil para conhecer de perto o algodão brasileiro
01 de Agosto de 2025Como um país de dimensões territoriais, clima tropical e sem subsídios públicos se tornou o maior exportador mundial de algodão e o maior fornecedor global de pluma com certificação socioambiental? A resposta para essa pergunta é o que guia a nona edição da “Missão Compradores”, intercâmbio anual realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) junto a executivos da indústria têxtil mundial. Neste ano, a missão ocorre de 3 a 9 de agosto percorrendo fazendas, algodoeiras, laboratórios e escritórios dos três estados brasileiros com maior produção de pluma: Mato Grosso, Bahia e Goiás. A delegação reúne 20 executivos de indústrias têxteis de seis países (China, Índia, Paquistão, Bangladesh, Vietnã e Turquia), que, juntos, responderam por 84,9% das exportações brasileiras de algodão no ano comercial 2024/25. Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa, afirma que a “Missão Compradores” é fundamental para qualificar do algodão brasileiro no mercado internacional. “É a oportunidade de mostramos as pessoas por trás dos números e deixarmos clara a nossa vocação de produzirmos com responsabilidade socioambiental”, explica. Na temporada passada (2023/24), 84% da safra brasileira foi certificada pela Better Cotton, principal plataforma certificadora de boas práticas socioambientais na cotonicultura mundial. Os impactos positivos do setor vão além do campo: atualmente, algodão e indústria têxtil geram mais de 10 milhões de empregos diretos e indiretos no Brasil. Como o modelo brasileiro de cultivar algodão é único no mundo, além das visitas guiadas a campo, a missão inclui workshops técnicos sobre sustentabilidade, qualidade e rastreabilidade do algodão. “É quando damos um contexto maior às práticas de agricultura regenerativa e explicarmos como conseguimos, por exemplo, fazer a rastreabilidade da safra nacional de algodão”, observa Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa. Estratégias de mercado A Missão Compradores faz parte da estratégia de mercado da Abrapa, e éuma das principais iniciativas que levou o Brasil a ser a maior liderança global na exportação de algodão em 2024. Agora o objetivo é manter o país no topo de ranking e aumentar ainda mais as possibilidades de negócios com as indústrias têxteis da Ásia. Em 2024 foram embarcadas 2,680 milhões de toneladas de pluma ao exterior. Marca que, com certeza, será superada no ciclo atual. Isso porque, mesmo faltando o fechamento deste mês de julho, o Brasil já negociou 2,689 milhões de toneladas em 2025. Ranking dos maiores produtores Além de liderar as exportações, o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de pluma, ficando atrás apenas da China e da Índia. No ano comercial 2023/24, produziu 3,2 milhões de toneladas, o equivalente a 13% da safra mundial – contra as 5,9 milhões de toneladas da China (24% de market share) e as 5,6 milhões de toneladas da Índia (23%). Para o ciclo atual, a previsão da Abrapa é de que serão colhidas 3,9 milhões de toneladas. Confirmando-se, será uma ampliação de 21,8% em relação a 2023/24. Cotton Brazil A “Missão Compradores” é uma das iniciativas do “Cotton Brazil”, programa de promoção internacional do algodão brasileiro realizada pela Abrapa. A iniciativa começou em 2019 e desde então conta com a parceria da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e apoio da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea). www.cottonbrazil.com
Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 01/08/2025
01 de Agosto de 2025Destaque da Semana - Preços caem com expectativa de safra maior, mas faixa Dez25 segue estável (66,00–69,00). Este final de semana começa a 9ª edição da Missão Compradores Cotton Brazil. Canal do Cotton Brazil - Receba informações exclusivas sobre o mercado de algodão clicando aqui: https://bit.ly/Canal-CottonBrazil. Algodão em NY - O contrato Dez/25 fechou nesta quinta 31/jul cotado a 67,25 U$c/lp (-2,1% vs. 24/jul). O contrato Dez/26 fechou em 69,10 U$c/lp (-1,3% vs. 24/jul). Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 910 pts para embarque Ago/Set-25 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 31/jul/25. Altistas 1 - O Produto Interno Bruto (PIB) real dos EUA cresceu a uma taxa anual de 3,0% no segundo trimestre de 2025, em comparação com uma queda de 0,5% no primeiro trimestre. Altistas 2 - As condições da lavoura dos EUA pioraram esta semana: a classificação “boa a excelente” caiu 2 pontos percentuais, para 55%, ainda assim acima dos 49% da safra passada. Baixistas 1 - Por outro lado, o clima quente e seco do Texas ao Delta tem favorecido o avanço da safra, embora ambas as regiões necessitam de umidade adicional neste momento. Baixistas 2 - China e EUA não fecharam um acordo sobre produtos agrícolas e essa falta de avanço é mais um limitador para as cotações. Oferta - A Cotlook elevou as projeções de produção global de algodão para 2024/25 (+113 mil tons) e 2025/26 (+118 mil tons), ultrapassando 26 milhões tons, maior volume desde 2017/18. Demanda 1 - O consumo global de algodão segue pressionado pelas incertezas tarifárias. China, Paquistão e Turquia tendem a reduzir o uso, enquanto Índia, Bangladesh e Vietnã projetam alta - embora ainda insuficiente para compensar a queda geral. Demanda 2 - A previsão do Cotlook é de consumo abaixo de 25 milhões tons em 2024/25 e 2025/26, o que resultaria em acúmulo de mais de 1 milhão tons em estoques por temporada. Missão Compradores 1 - A Abrapa recebe de 3 a 9/ago um grupo com 20 executivos da indústria têxtil de 6 países (Bangladesh, China, Índia, Paquistão, Turquia e Vietnã) que, juntos, respondem por 84,9% das exportações brasileiras de algodão. Missão Compradores 2 - Nesta 9ª edição da Missão Compradores, serão visitados MT, BA e GO. O objetivo é mostrar como o Brasil se tornou o maior exportador mundial a partir de boas práticas de sustentabilidade, qualidade e rastreabilidade. Missão Compradores 3 - A delegação inclui 19 empresas têxteis diferentes que consomem, anualmente, 1,4 milhão tons. A pluma brasileira representa, em média, 35% desse consumo total. Missão Compradores 4 - Além de visitas guiadas a fazendas, a missão passará por algodoeiras, laboratórios e terá workshops técnicos. A iniciativa integra as ações do programa Cotton Brazil. Tarifas 1 - Nesta semana, antes do aguardado dia 1º de agosto, muitos acordos de renegociação das taxas norte-americanas foram anunciados. Tarifas 2 - Conversas entre EUA e China mantêm um tom positivo, mas sem perspectiva de resolução rápida. O prazo de 12/ago pode ser estendido novamente. Tarifas 3 - Há esperança de que, em algum momento da nova temporada, um acordo global estimule compras em larga escala de produtos agrícolas e industriais dos EUA (como ocorreu em 2020) e revitalize o comércio. Paquistão - Produtores paquistaneses comemoram pausa nas chuvas de monção. A produção de algodão foi estimada em torno de 1,1 milhão tons a 1,3 milhão tons, e o desenvolvimento da safra é considerado satisfatório. Qualidade 1 - A Abrapa é uma das organizações brasileiras a participar de treinamento sobre classificação de algodão em Memphis (EUA). O curso começou na segunda a convite do USDA e da Uster, fabricante de equipamentos HVI. Qualidade 2 - O objetivo é qualificar a equipe técnica para dar mais transparência ao processo de classificação. Além da Abrapa, o grupo inclui representantes da Abapa, Amipa, Agopa e Embrapa. Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 111,7 mil tons na terceira semana de julho. A média diária de embarque é 19,1% menor que no mesmo mês em 2024. Colheita 2024/25 - Até o dia de ontem (31/07) foram colhidos no estado da BA (40,56%), GO (66,41%), MA (55%), MG (60%), MS (68%), MT (17%), PI (67,9%), PR (95%) e SP (95%). Total Brasil: 25,69%. Beneficiamento 2024/25 - Até o dia de ontem (31/07) foram beneficiados nos estados da BA (25%), GO (19,3%), MA (6%), MG (25%), MS (22%), MT (2%), PI (30,8%) PR (90%) e SP (100%). Total Brasil: 8,46%. Preços - Consulte tabela abaixo ⬇ Quadro de cotações para 31-07 Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com
Novos recordes em vista
31 de Julho de 2025O setor de cotonicultura comemora recordes na produção e exportação de algodão em pluma na safra 2024/2025, o que não apenas consolida a posição do Brasil como terceiro maior produtor mundial da fibra, mas também confirma a sua liderança nas exportações, conquistada no ciclo 2023/2024, quando superou os Estados Unidos. A estimativa gira em torno de 3,96 milhões de toneladas na colheita que está começando, um incremento de 7,1%, em uma área plantada 10,2% superior (2,143 milhões de hectares). Já para os embarques externos, que têm como principal destino a Ásia, espera-se crescimento de 13%, para 2,743 milhões de toneladas. Os indicadores positivos são apurados em meio a um cenário em que os preços da fibra, pressionados por uma oferta global elevada e incertezas econômicas, estão historicamente abaixo da média. “A demanda global está em processo de recuperação, mas ainda marcada por cautela. Os compradores têm priorizado aquisições para consumo imediato, sem grandes programações futuras”, explica Dawid Wajs, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea). O Brasil tem condições de ampliar a área de cultivo e, consequentemente, suas exportações: a previsão é embarcar 2,97 milhões de toneladas na safra 2025/2026. Um dos desafios, entretanto, é a guerra tarifária, que pode impactar a demanda e o estoque no mundo, pressionando os preços. “O algodão é muito influenciado pelo consumo”, afirma Fernando Berardo, diretor de commodities Brasil e Latam da Barchart, especializada em dados e cotações de commodities. O setor, que destina 75% da sua produção para o exterior, tem adotado a estratégia de buscar novos mercados, para diversificar sua pauta de exportação. A China, por exemplo, perdeu o posto de nosso maior comprador: as aquisições do gigante asiático caíram de 1,297 milhão de toneladas na safra 2023/2024, o equivalente a 50% do total dos embarques brasileiros, para 483 mil toneladas na temporada atual, representando 18% do total. Vietnã (19%), Paquistão (18%), Bangladesh (13%) e Turquia (12%) figuram entre os grandes consumidores. Além disso, aumentaram as vendas para a Índia, de 13 mil para 70 mil toneladas. Entre os fatores que impulsionaram as exportações está a qualidade do produto. O aperfeiçoamento genético dos cultivares, que elevou o nível de qualidade da fibra, fez a diferença em um mercado bastante competitivo, opina Francisco Soares, presidente da Tropical Melhoramento & Genética (TMG). “O melhoramento tem como objetivo não apenas aumentar a resistência a pragas, mas também buscar o equilíbrio entre produtividade e qualidade”, explica. Especializada em soluções genéticas para algodão, soja e milho, a TMG tem instalações de pesquisas no Centro-Oeste e no Nordeste, regiões que se destacam na cotonicultura nacional. O orçamento anual para pesquisa e desenvolvimento de novos cultivares gira em torno de R$ 250 milhões. De acordo com Soares, pelo menos três cultivares são lançados por ano e licenciados para grandes produtores, que multiplicam a semente e vendem ao produtor final. Produzido com o emprego das melhores técnicas socioambientais, o algodão brasileiro é sustentável, tem as certificações necessárias para suprir o mercado internacional e pode ser rastreado ao longo da sua cadeia produtiva, desde a lavoura até a indústria, ressalta Gustavo Viganó Piccoli, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Segundo ele, o produtor tem investido em tecnologia, em maquinário e na qualificação da mão de obra do campo. A estratégia para buscar novos mercados para o algodão brasileiro contempla, ainda, o esforço de conscientização do mercado para estimular o aumento do consumo de fibras naturais, que perderam espaço na indústria do vestuário. O grande apelo, ressalta o presidente da Abrapa, reside no fato de que as fibras sintéticas, de origem fóssil e largamente utilizadas no setor, contaminam o meio ambiente com microplásticos e são prejudiciais à saúde. Além de garantir o fornecimento de fibra para o mercado, a cultura do algodão cria a oportunidade para exploração comercial de outro produto: o caroço de algodão, cujo processo de industrialização permite a extração de óleo, que pode ser utilizado na produção de biocombustível, e a torta de algodão (farelo), utilizada na alimentação animal, especialmente para ruminantes, devido ao alto teor de proteína. Embora incipiente, a exploração econômica do caroço de algodão tem potencial de incrementar a renda do produtor rural, sobretudo nos momentos de baixa dos preços. A maior parte do algodão brasileiro é cultivada em segunda safra, que se estende de janeiro a agosto — na primeira, os produtores semeiam outras culturas, como soja, arroz, feijão e milho. Mato Grosso lidera a produção nacional, com 70%, seguido do Cerrado baiano, com participação de 15% a 20%. O restante está espalhado por nove Estados. O plantio na atual safra ocorreu sem adversidades climáticas, exceto a estiagem, na Bahia, e chuvas incomuns no fim de junho no Mato Grosso.