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Ministério da Agricultura e Pecuária publica portaria que define o preço mínimo do algodão
09 de Julho de 2025

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou, na manhã desta quarta-feira, 09/07, no Diário Oficial da União, a portaria que define os preços mínimos do algodão para a safra 2025/2026. Contrariando as expectativas do setor algodoeiro, os valores divulgados permaneceram inalterados em relação à safra anterior, mantendo-se em R$ 114,58 por arroba da pluma. Também não houve alteração nos preços do algodão em caroço (R$ 45,83 por arroba) e do caroço de algodão (R$ 6,73 por arroba). Abrapa e Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Algodão e Derivados Em carta enviada ao ministro Carlos Fávaro, do Mapa, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Algodão e Derivados, Gustavo Piccoli, sugeriu o reajuste do preço mínimo da pluma para R$ 125,00 por arroba, um aumento de apenas 9,1% em relação ao valor atual. A justificativa apresentada por Piccoli levou em conta, entre outros fatores, o aumento dos custos com insumos agrícolas, como fertilizantes, além do preço dos combustíveis. No entanto, o pleito não foi atendido pela área econômica do governo federal. Na carta, Piccoli também apontou que a elevação do salário-mínimo, o aumento no custo da energia elétrica e a desvalorização do real contribuíram significativamente para o encarecimento da produção algodoeira. “A atual conjuntura global levou à queda nos preços do algodão e ao retorno da alta nos preços de matérias-primas essenciais à produção nacional. O reflexo tem sido sentido pelos produtores na elevação dos custos de produção, o que exige mais capital para o financiamento da safra e amplia o risco da atividade”, justificou o presidente. Cenário econômico para o produtor No mercado interno, o aumento dos juros nas linhas de crédito do Plano Safra 2025/2026 limita o acesso dos produtores à modernização de equipamentos, à expansão de áreas irrigadas e à adoção de inovações tecnológicas — aspectos fundamentais para o desenvolvimento da cotonicultura. Outros fatores também contribuem para o cenário de insegurança do setor, como o possível aumento do IOF e a taxação da LCA, o que demanda maior cautela por parte dos produtores na hora de investir. A dependência da importação de fertilizantes tende a encarecer ainda mais os custos de produção, especialmente em contextos de conflitos geopolíticos que impactam diretamente a cotonicultura brasileira. Atualmente, os fertilizantes representam, em média, 17% do custo operacional efetivo da produção de algodão. No cenário internacional, a disputa tarifária entre China e Estados Unidos é apontada como o principal fator de instabilidade no mercado algodoeiro. O setor é volátil e altamente sensível a condições climáticas e geopolíticas. Apesar da liderança brasileira nas exportações, as cotações da pluma apresentam viés de queda, o que pode comprometer o ritmo de desenvolvimento da atividade.

Produtores já podem participar do Programa Algodão Brasileiro Responsável para Unidades de Beneficiamento de Algodão (ABR-UBA) na Safra 2024/2025
09 de Julho de 2025

Com um protocolo específico para a padronização da rotina e funcionamento das Unidades de Beneficiamento do Algodão, o Programa ABR-UBA está com as inscrições abertas para a Safra 2024/25. As algodoeiras poderão aderir ao programa no início do período de beneficiamento do algodão. O Programa ABR-UBA foi lançado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2020, para que as algodoeiras também fossem avaliadas e certificadas de acordo com os parâmetros exigidos pelas melhores práticas socioambientais. Somente em 2023, 99 algodoeiras passaram por auditoria independente e foram certificadas pela iniciativa. Certificação O ABR-UBA realiza a verificação de rotinas, processos e práticas operacionais, visando aprimorar a eficiência dos equipamentos e a atuação dos profissionais nas unidades de beneficiamento de algodão. Assim como o Algodão Brasileiro Responsável, o ABR, o protocolo tem 170 requisitos e, no caso das algodoeiras, 90% deles são voltados para a segurança do trabalho. A forma como os requisitos serão aplicados, varia de acordo como porte de cada unidade. De acordo com o Gerente de Sustentabilidade da Abrapa, Fábio Carneiro, a estrutura normativa utilizada pelo programa serve, principalmente, para dar mais segurança aos trabalhadores das UBAs. “As normas regulamentadoras adotadas pela certificação foram emitidas pelo Ministério do Trabalho e têm como principal finalidade garantir a segurança e saúde dos funcionários das usinas ao operarem as máquinas e equipamentos, que devem funcionar de acordo com as regras definidas para minimizarem o risco de acidentes e problemas ocupacionais”, explicou. Entre as normativas mais conhecidas estão a NR 10, que verifica problemas elétricos, a NR 23, que faz a prevenção de incêndios e a NR 24, que cuida do bem-estar do trabalhador. Práticas de gestão eficiente e padronização de processos também são abordadas pelo protocolo, que apesar de não serem obrigatórias como as normativas oficiais, melhoram o fluxo do funcionamento e checagem dos fardos do algodão já beneficiado.  “Os itens que tratam sobre os cuidados e integridade dos fardos, por exemplo, visam evitar qualquer tipo de contaminação e os requisitos relacionados a padronização das amostras que serão encaminhadas para a análise de HVI”, afirmou Carneiro. Melhorias para quem trabalha Valmir dos Santos é gerente técnico na Unidade de Beneficiamento de uma fazenda localizada em Campo Verde, no Mato Grosso. Ele trabalha há 29 anos em algodoeiras e relatou que o certificado ABR-UBA contribui para a segurança do trabalho na usina que lidera. “O certificado funciona muito bem para as algodoeiras porque, além de fazer a prevenção dos riscos de acidente, a unidade apresenta melhorias na saúde e bem-estar do trabalhador. Para quem está na unidade, é uma segurança a mais. É uma responsabilidade muito grande gerir as equipes e entregar o algodão com qualidade e o certificado ajuda com esses processos”, afirmou Valmir. Adesão Poderão aderir ao Programa de certificação sustentável ABR-UBA todas as Unidades de Beneficiamento de Algodão que sejam participantes do Sistema Abrapa de Identificação (SAI) e beneficiem algodão brasileiro produzido por produtores associados às Associações Estaduais de Produtores de Algodão, filiadas à Abrapa. O responsável pela usina deve garantir que a sua UBA atende aos princípios fundamentais da produção e do beneficiamento sustentável do algodão, em especial, os relativos à regularidade das relações trabalhistas, como: - A proibição da utilização de trabalho estrangeiro irregular e ao cumprimento das normas de segurança do trabalho; - A proibição da utilização de mão de obra infantil e da prática de trabalho forçado ou análogo à escravidão, ou de trabalho degradante ou indigno; - A proibição de discriminação de pessoas por qualquer motivo; - A liberdade de sindicalização e apoio à negociação coletiva entre os sindicatos laborais e patronais; - A proteção legal e preservação do meio ambiente; e - A aplicação das boas práticas industriais no beneficiamento do algodão brasileiro. Para participar do programa, o responsável deve ler o regulamento, estar de acordo com as Listas de Verificação de Conformidade e preencher e assinar o Termo de Adesão ao ABR-UBA. Os documentos estão disponíveis nos seguintes links: Regulamento Lista de Verificação para Diagnóstico Lista de Verificação para Certificação Termo de Adesão

No primeiro dia do Large Farm Week, produtores discutem os desafios e oportunidades da cotonicultura
07 de Julho de 2025

Começou nesta segunda-feira, 07/07, na sede da Abrapa, em Brasília, o Large Farm Week 2025. Produzido anualmente pela Better Cotton, desde 2021, o evento internacional reúne grandes produtores de algodão para discutir práticas de sustentabilidade, oportunidades e os maiores desafios enfrentados pela cotonicultura nos países que lideram a produção de algodão no mundo. Esta é a primeira vez que ele ocorre no Brasil. Large Farm Week 2025 Com o objetivo de compartilhar ideias e práticas entre os membros Better Cotton, o Large Farm Week foi criado para fortalecer a comunidade internacional de cotonicultores e desenvolver conhecimentos sobre o algodão. Nesta edição o evento contou com participantes da Austrália, Grécia, Israel, Paquistão, Turquia, Estados Unidos e Uzbequistão. Promoção e incentivos Na parte da manhã, produtores, consultores e pesquisadores se reuniram com a diretoria da Abrapa e conheceram mais sobre todo o funcionamento da cadeia do algodão no Brasil, desde o cultivo até a exportação. Durante a tarde eles participaram de um workshop. Através da formação de grupos de trabalho, os participantes buscaram soluções viáveis para os problemas que atuais que atingem o setor globalmente. Os temas discutidos pelos grupos foram: - Promoção e Market Share - Engajamento do produtor - Pesticidas Como resultado das discursões foi definido que é necessário melhorar a promoção do uso da fibra natural do algodão frente ao poliéster, valorizar o algodão que é certificado por critérios de sustentabilidade e incentivar pesquisas para encontrar alternativas aos pesticidas químicos. Além de Brasília Nesta quarta os cotonicultores irão ao Goiás para visitar a sede da Associação Goiana dos Produtores de algodão (Agopa) e uma fazenda da GMS GROUP. Após a visita, eles seguirão para Cuiabá, onde iniciaram uma jornada pelos municípios e unidades produtoras do estado, acompanhados por membros da Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (Ampa).

Sou de Algodão participa do IV Encontro Women in Cotton Brazil
07 de Julho de 2025

Na última segunda-feira (30), a Abrapa, por meio do movimento Sou de Algodão, esteve presente no IV Encontro Women in Cotton Brazil, realizado na Bisutti Casa Itaim, em São Paulo (SP). O evento, promovido pelo braço brasileiro do Comitê Women In Cotton - grupo fundado pela International Cotton Association (ICA) -, reuniu importantes nomes ligados à moda, ao agronegócio e à sustentabilidade para discutir os desafios e as oportunidades da comunicação e da presença feminina em toda a cadeia produtiva do algodão. Como parte da programação, Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa e gestora do Sou de Algodão, foi a mediadora do painel “A comunicação resolve problemas complexos: como aplicar na cadeia do algodão”. A conversa contou com a participação de nomes como Paulo Borges, idealizador e diretor criativo da São Paulo Fashion Week (SPFW), Camila Toledo, diretora da Style.W, e Cyntia Kasai, gerente de sustentabilidade da C&A Brasil. O painel debateu como estratégias de comunicação bem estruturadas podem promover maior integração entre os elos da cadeia, desde o produtor até o consumidor final, além de fortalecer a imagem do algodão brasileiro como uma fibra natural, rastreável e essencial. Durante sua mediação, Silmara destacou o papel fundamental da comunicação para aproximar o campo dos consumidores, além de gerar engajamento e pertencimento. “Estamos falando de uma cadeia que envolve milhares de pessoas, histórias e territórios. Comunicar com clareza e propósito é o que permite que o consumidor enxergue valor em cada etapa do processo e se conecte de fato com o que veste”, afirmou. Ela também ressaltou a importância de acompanhar as discussões que vão para além do setor, e que acompanham as mudanças socioambientais. “Nós temos que pensar em como o algodão pode se posicionar não só em relação às próximas gerações, mas aos atributos e ao valor agregado. Esse é o grande diferencial; refletir sobre o futuro e qual o nosso lugar junto aos consumidores que têm propósitos, que consideram a compra de uma maneira diferente , que enxergam o mundo de outra forma, mais diversa e com mais equidade”, reitera. Com o tema central voltado à comunicação e à sustentabilidade, o IV Encontro Women in Cotton Brazil reforça o compromisso com uma cadeia do algodão mais transparente, inclusiva e conectada com as demandas da sociedade. A participação do Sou de Algodão no evento reforça a missão do movimento de promover uma moda feita no Brasil, com responsabilidade, identidade e valorização da fibra nacional desde a origem. Abrace este movimento:  Site: www.soudealgodao.com.br Facebook, Instagram, Youtube, LinkedIn e Pinterest: @soudealgodao TikTok: @soudealgodao_  

Apaece ingressa na ABRAPA para fortalecer a nova era do algodão cearense
04 de Julho de 2025

A Associação dos Produtores de Algodão do Estado do Ceará (Apaece) acaba de se tornar a mais nova integrante da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). A entrada marca um passo decisivo na consolidação do algodão cearense como uma força emergente no cenário nacional, após décadas de retração dessa cultura no estado que já foi o terceiro maior produtor do país. Fundada em 2020 e com sede em Quixeramobim, no sertão central cearense, a Apaece nasceu com a clara missão de recuperar a cotonicultura no estado de forma estruturada, inclusiva e sustentável. Hoje, já colhe os primeiros frutos de um trabalho técnico e coletivo que une pequenos, médios e grandes produtores, universidades, governos e entidades do setor produtivo. Segundo a direção da entidade, o ingresso na Abrapa é um marco estratégico. “Precisávamos de um padrinho forte, com experiência, respaldo institucional e voz ativa no setor. Ninguém melhor que a Abrapa para nos oferecer esse guarda-chuva qualificado e nos ajudar a encurtar caminhos”, afirmou o Presidente da Apaece, Marcos Montenegro. “Fomos analisados, testados e, agora, acolhidos. Honraremos essa confiança com trabalho e resultados”. Um trabalho coletivo que se fortalece A Apaece é uma associação mista, com a participação de produtores, pessoas físicas e também entidades jurídicas, como associações regionais localizadas nas regiões do Cariri e de Tauá. Ao todo, a organização atua em sete regiões do estado, com um sistema descentralizado de gestão, produção e comercialização. Desde o início, a produção foi pensada de forma estratégica. A primeira safra, em 2020, teve caráter experimental, focada na agricultura familiar e com forte apoio técnico. Hoje, o Ceará já conta com entre 2 mil e 2,5 mil hectares cultivados, divididos entre produtores convencionais, agroecológicos e orgânicos. Três pilares que sustentam o futuro A atuação da Apaece se estrutura sobre três pilares: sustentabilidade, tecnologia e qualidade. Os três caminham juntos e com igual importância. Dentro deles, estão iniciativas ligadas a boas práticas agrícolas, uso racional de recursos, integração de novas tecnologias adaptadas ao semiárido e compromisso com a rastreabilidade e a excelência da fibra. O algodão agroecológico e orgânico produzido por agricultores familiares já começou a romper fronteiras, e hoje, parte dessa produção é exportada para a França, em um nicho de mercado que valoriza a origem sustentável e o impacto social da produção. Com a Abrapa, de olho no mundo Ao ingressar na Abrapa, a Apaece pretende acelerar sua curva de desenvolvimento. A associação vê na troca de conhecimento, na inserção em programas nacionais e no acesso a padrões técnicos mais avançados uma ponte para elevar o patamar do algodão cearense. A filiação também fortalece o discurso institucional da entidade junto a órgãos públicos, investidores e organismos internacionais. “A Abrapa é referência mundial. Estar ao lado dela nos ajuda a planejar melhor, evitar erros já cometidos em outros estados e a levar nosso algodão para onde ele merece: o mundo”, diz o presidente da Apaece. Entre os próximos passos da entidade está a construção de um centro de referência do algodão, e um laboratório de análise de fibras com tecnologia HVI, padrão internacional para medição da qualidade da pluma Além disso, a Apaece quer expandir os programas de capacitação técnica, ampliar o acesso a insumos, consolidar o Fundo de Apoio à Cotonicultura e, sobretudo, reocupar o lugar histórico que o algodão cearense já teve na economia nacional. O ouro branco do século XXI A vocação histórica do Ceará para o algodão está sendo resgatada com estratégia, ciência e visão de futuro. “Nossa visão futura é criar uma cadeia do algodão estruturada, atendendo o nosso mercado local, gerando emprego, gerando renda, fazer do algodão o nosso ouro branco novamente, sendo mais uma opção de receita para o nosso estado, para que ele volte a protagonizar esse espaço que sempre foi dele.”, afirmou o vice-presidente da Apaece, Airton Carneiro. Montenegro ressaltou que Ceará tem aptidão para a cultura do algodão e que é parte da missão da Apaece fazer a cotonicultura voltar a prosperar no estado, “Devido a pujança que o algodão já propiciou no passado, o terceiro estado de maior produção no Brasil, essa cultura faz parte de nossa história. Estamos no rumo certo e preparados para tal missão.” Com o apoio da Abrapa, a Apaece se une as outras 10 associações de produtores, que juntas representam 99% de todo algodão produzido no Brasil.

Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa 04/07/2025
04 de Julho de 2025

Destaque da Semana 1 - As cotações de algodão para Dez/25 caíram após o relatório de área plantada nos EUA na segunda-feira. No meio da semana, o mercado se recuperou com a notícia de um acordo comercial com o Vietnã e boas notícias econômicas vindas dos EUA. Hoje é feriado de independência por lá. Destaque da Semana 2 - Nesta semana, foi realizado o jantar anual da ANEA , que também celebrou os 25 anos de fundação da entidade. Durante o evento, ocorreu a transição de diretoria : Miguel Faus deixou o cargo de presidente, passando oficialmente a função para Dawid Wajs . Um ponto de destaque do evento foi a palestra de Joe Nicosia, que trouxe reflexões importantes e será resumida abaixo. Algodão em NY - O contrato Dez/25 fechou nesta quinta 03/jul cotado a 68,46 U$c/lp (-0,5% vs. 26/jun). O contrato Jul/26 fechou em 71,59 U$c/lp (-0,5% vs. 26/jun). Basis Ásia - Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 833 pts para embarque Jul/Ago-25 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 03/jul/25). Baixistas 1 - O relatório de Área Plantada do USDA para a safra 2025/26 indicou 10,12 milhões de acres (4,1 milhões de hectares), uma queda de 9,5% ou -1,06 milhão de acres em relação à safra anterior, porém um aumento de 2,6% em relação às intenções de plantio de março. Baixistas 2 - Chuvas favoráveis nas High Plains do oeste do Texas (Llano Estacado) elevaram as expectativas de melhora nas condições das lavouras, aumentando a pressão sobre os preços . Baixistas 3 - A condição da safra dos EUA melhorou , com a classificação de “boa a excelente” subindo para 51% (+4%), acima da última safra (50%). No Texas, essa classificação subiu para 40%, um aumento de 5% na semana. Altistas 1 - Cotações de algodão na bolsa ZCE da China estão em trajetória de alta , com ganho de aproximadamente 8% desde o início de abril. Isso ampliou a diferença entre os preços do algodão local e do importado, tornando a importação de algodão mais atrativa. Altistas 2 - Modesta redução nos estoques de algodão na zona franca de Qingdao (principal porto de importação de algodão da China). No final de Junho, o volume em estoque fechou em 336 mil tons, dos quais 150 mil do Brasil (final de Maio o estoque estava em 375 mil toneladas total, sendo 175 mil Brasil). Altistas 3 - O anúncio de um acordo comercial com o Vietnã, apesar de já esperado, trouxe otimismo de que mais acordos sejam anunciados em breve. Canal do Cotton Brazil - Receba informações exclusivas sobre o mercado de algodão clicando aqui https://bit.ly/Canal-CottonBrazil. XXII ANEA Cotton Dinner 1 - Durante o evento anual da Anea nesta semana em São Paulo (SP), Joe Nicosia, VP da Louis Dreyfus , defendeu que o Brasil e EUA se unam na promoção global do algodão como fibra sustentável. XXII ANEA Cotton Dinner 2 - Nicosia alertou que além de promoção, é fundamental que cada país tenha políticas públicas de fomento ao uso de fibras naturais e combate à poluição de microplásticos . XXII ANEA Cotton Dinner 3 - Como exemplo de política pública, ele citou a proposta de lei dos EUA de 2025 (“Buying American Cotton Act”), que destina créditos fiscais transferíveis para incentivar o uso de algodão americano em produtos importados pelo país. XXII ANEA Cotton Dinner 4 - Para obter o crédito tributário previsto na lei americana, será necessário comprovar a origem do algodão por meio de um sistema confiável de rastreabilidade, e o valor do crédito dependerá também de onde o produto foi processado, com maior incentivo para importação de países com acordo comercial com os EUA. XXII ANEA Cotton Dinner 5 - Nicosia alertou que o consumo global de algodão precisa crescer, ou parte da produção mundial terá que ser cortada. Para ele, a chave está em melhorar qualidade, logística e defesa do setor, com foco em comunicação, dados científicos e legislações para apoiar o uso da fibra natural. Tarifas 1 - Em 02/jul, os EUA anunciaram um novo acordo de tarifas de 20% sobre importações vietnamitas. Os detalhes ainda serão divulgados. Tarifas 2 - O governo Chinês criticou a parte do acordo com o Vietnã que prevê tarifa de 40% sobre produtos exportados pelo Vietnã, mas originários da China, alertando que acordos como esse podem romper a atual trégua EUA-China. EUA - Para a semana encerrada em 29/jun, o relatório de progresso da safra do USDA mostrou que 95% do algodão estava plantado nos EUA, 40% estava em fase de quadratura e 9% em fase de formação de cápsulas. China 1 - A China Cotton Association reduziu as estimativas de importações de algodão pela China para 24/25 em 100 mil tons, para 1,2 milhão tons. China 2 - Um levantamento do Cncotton.com estimou a área plantada com algodão na China em 2025 em 3,05 milhões ha, um aumento de 180 mil hectares (+6,3%) em relação a 2024. De acordo com o Cncotton.com, a importação em 2025/26 será de 1,35 milhão tons. Índia - Até 27/jun, a área plantada de algodão na Índia atingiu 5,46 milhões ha, ficando 531 mil ha (9%) abaixo do registrado no mesmo período de 2024, segundo o Ministério da Agricultura local. A área total prevista pelo USDA é de 11,4 milhões ha. Turquia 1 - Em maio, as importações de algodão pela Turquia atingiram 142.836 tons, maior volume em meses, sendo os EUA o principal fornecedor (64.532 tons), seguido por Brasil (46.218 tons) e países da antiga União Soviética (17.381 tons). Turquia 2 - O volume de importações turcas de ago/24 a mai/25 totalizou 759,8 mil tons, superando as 593,5 mil tons do mesmo período em 2023/24. O Brasil respondeu por 34% do total, seguido por EUA (29%) e países da CEI (15%). Egito - A área plantada no Egito atingiu 78,6 mil ha, correspondendo a 68% da intenção inicial. O número final da safra atual deve ser divulgado em breve, com a conclusão do plantio. Exportações - O fechamento das exportações de jun/25 será divulgado hoje à tarde (15h). Colheita 2024/25 - Até ontem (03/07), foram colhidos no estado da BA (24%), GO (17,30%), MA (8%), MG (32%), MS (3,6%), MT (0,2%), PI (21%), PR (95%) e SP (82,27%). Total Brasil: 6,54%. Beneficiamento 2024/25 - Até ontem (03/07), foram beneficiados nos estados de MG (7%), PI (9,5%), PR (75%) e SP (60%). Total Brasil: 0,78%. Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

Abrapa realiza reunião para avançar com Projeto de Classificação e Mitigação de Contaminantes no algodão
04 de Julho de 2025

Foi realizada na última quarta-feira, 02/07, uma reunião para acompanhar o progresso do Projeto de Classificação e Mitigação de Contaminantes em laboratórios de análise do algodão brasileiro. O encontro contou com a presença dos integrantes do Grupo Técnico de Laboratórios (GTL), representantes dos 12 laboratórios participantes do programa SBHVI. A iniciativa do projeto teve origem em uma demanda do Cotton Brasil, programa da Abrapa, que promove a fibra nacional no mercado exterior. Um dos objetivos do encontro foi fazer o balanço e o acompanhamento de todo trabalho que está sendo desenvolvido pelo projeto junto aos laboratórios SBHVI, para mitigar as contaminações e melhorar a padronização, visando melhorar a qualidade e a credibilidade no algodão brasileiro. O Analista de Controle de Qualidade da Abrapa, Deninson Lima, apresentou as principais etapas do projeto, que inclui a elaboração de uma tabela de aceitação de contaminantes e a realização de treinamentos para habilitar classificadores, buscando estabelecer um padrão nacional alinhado às referências internacionais, especialmente ao modelo utilizado pelos Estados Unidos. “A padronização da classificação de contaminantes é essencial para que possamos quantificar e mitigar os materiais estranhos no algodão brasileiro, assegurando a qualidade do produto e fortalecendo sua competitividade no mercado global”, destacou Deninson. Outro ponto discutido foi a construção de um espaço dedicado ao armazenamento das amostras, garantindo a conservação adequada e a possibilidade de contraprovas em casos de divergências. Com metas previstas até 2030, o projeto representa um avanço importante para o setor algodoeiro brasileiro, alinhando-o a padrões globais e fortalecendo sua competitividade no mercado mundial.

“Brasil deve liderar a defesa do algodão frente às fibras sintéticas”
02 de Julho de 2025

Mais do que disputar a liderança nas exportações de pluma, caberá ao Brasil liderar a defesa do algodão como a fibra preferencial no mercado têxtil mundial. A missão foi proposta pelo vice-presidente da Louis Dreyfus Company (LDC), Joe Nicosia, hoje (01) durante o simpósio “The Cotton Market Outlook”, realizado durante o XXII ANEA Cotton Dinner, em São Paulo (SP). Falando a produtores, exportadores, industriais, pesquisadores e empresários do setor têxtil brasileiro e mundial, Nicosia mostrou dados, estatísticas e projeções para argumentar que o “jogo mudou”. “Ao invés de brigarmos entre nós, países, pela participação de mercado, devemos aumentar o bolo geral, pois assim todos crescem”, sugeriu. Importante voz do setor nos Estados Unidos, Nicosia enfatizou que a redução da participação do algodão na matriz têxtil mundial preocupa muito mais os cotonicultores norte-americanos que a disputa pela liderança nas exportações. “O Brasil é o líder hoje e continuará sendo nos próximos anos, pois a produção está crescendo enquanto mais ninguém evolui. A nossa chamada aqui é ‘se você não pode derrotá-lo, junte-se a ele’, pois o desafio é outro”, afirmou o executivo. Com a oferta de pluma garantida pelo Brasil e pela Austrália, a escassez de fornecimento do hemisfério Norte deixou de ser um problema. Porém, há pelo menos duas décadas o consumo de algodão não cresce, embora o mercado têxtil e de moda, sim. “O Brasil age como uma âncora, tirando a ansiedade do mercado. O problema disso é que a demanda por algodão não aumenta”, analisou Joe Nicosia. A conjuntura econômica mundial não contribui para uma mudança de cenário. A previsão de boas safras domésticas indica que a China importará menos algodão. A inflação começa a perder força, mas ainda pesa no bolso do consumidor final. Os conflitos armados continuam escalando e a recente guerra de tarifas dos Estados Unidos gera instabilidade ainda maior à economia. “Acompanhar o dólar e a política tarifária é fundamental, mas existe algo ainda mais importante: a concorrência com as fibras sintéticas. Esse é o verdadeiro desafio”, enfatizou o vice-presidente da LDC. “Precisamos de um trabalho de defesa do algodão diante do avanço dos microplásticos, e vejo o Brasil com o grande papel de líder de mercado e marqueteiro mundial, advogando o algodão como a melhor escolha”, pontuou Nicosia. De acordo com ele, o trabalho envolve ações legislativas e regulatórias. “A presença de microplásticos no nosso organismo é uma questão de saúde pública, e faz sentido que haja incentivo fiscal dos governos para estimular o consumo de fibras naturais”, defendeu o norte-americano. As ideias de Nicosia foram bem recebidas pelo presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gustavo Piccoli. “É uma questão racional: ninguém quer se vestir com produtos fósseis. Além de mais sustentável, o algodão gera bem-estar social e distribui riqueza”, observou. Piccoli explicou que o Brasil tem como continuar ofertando algodão para abastecer o mundo, mas precisa unir ainda mais a cadeia produtiva têxtil nacional e internacional para o próximo passo: “buscar políticas públicas que incentivam o uso da fibra natural”. Diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte contextualizou o papel do algodão nos esforços mundiais de descarbonização da economia e de uma produção agropecuária mais sustentável. “Melhoramos a qualidade e a quantidade das safras e, de 2019 para cá, entramos na primeira divisão do mercado mundial de algodão. Mas o jogo mudou. O adversário, agora, é a fibra de origem fóssil. Precisamos fortalecer o uso do algodão como fibra natural e mais sustentável, de forma prioritária, assim como ocorreu com o etanol, por exemplo, na matriz de combustíveis”. Cotton Brazil – A palestra de Joe Nicosia ocorreu durante a programação técnica do XXII ANEA Cotton Dinner, realizado em São Paulo (SP) pela Associação Nacional de Exportadores de Algodão (Anea). Este é o quarto ano consecutivo em que o simpósio sobre mercado internacional é promovido pelo Cotton Brazil, iniciativa da Abrapa para representar em escala global a cadeia produtiva do algodão brasileiro. A Anea é uma das parceiras da iniciativa, além da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).