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Equipe de especialistas em qualidade realiza visita técnica ao polo têxtil de Santa Catarina para levar soluções ao mercado têxtil internacional
07 de Agosto de 2025O estado de Santa Catarina, reconhecido nacionalmente pela sua produção têxtil, também é referência no trabalho com o algodão brasileiro. Entre os dias 3 e 6 de agosto, o polo têxtil do estado recebeu a visita técnica dos consultores da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que querem entender como as fiações do estado conseguem produzir toneladas de fios usando apenas o algodão brasileiro. Qualidade e produtividade O Brasil lidera as exportações de algodão no mundo, porém indústrias de fiações asiáticas enfrentam alguns desafios ao trabalharem com o algodão brasileiro. Os principais deles estão relacionados à contaminação e pegajosidade da fibra, que afetam o rendimento no processo industrial. A presença das cascas do caroço do algodão, de microplásticos e de pegajosidade na pluma, requer pausas constantes na produção, para que sejam realizadas limpezas nas máquinas industriais. Esse processo acaba por diminuir a produtividade de fios por hora de trabalho. A depender da quantidade de contaminação presente na pluma utilizada, o maquinário pode quebrar e gerar prejuízos para as fiações. Edson Mizoguchi, gerente de qualidade da Abrapa, explica que essas “características ocasionalmente encontradas no algodão brasileiro se devem principalmente a fatores externos. No caso da pegajosidade, a presença de pragas como a mosca branca, deixa a fibra mais pegajosa, o que dificulta o trabalho das máquinas de fiação. Em relação às questões de contaminação, problemas relacionados ao seed-coat e ao plástico, se devem ao processo desde a colheita ao beneficiamento.”. Desafios e melhores práticas para a utilização do algodão brasileiro Esses aspectos, não geram um impacto tão grande nas fiações do país, que trabalham na sua imensa maioria apenas com a matéria-prima nacional. Para levar o conhecimento da indústria têxtil nacional para os compradores estrangeiros do algodão brasileiro, Varun Vaid, consultor do Wazir Advisors, está trazendo cases de Santa Catarina para fazerem parto do workshop “Desafios e melhores práticas para a utilização do algodão brasileiro em fiações”, que compõe a agenda da edição 2025 da Missão Compradores. O workshop será ministrado no dia 07 de agosto, em Brasília, para os participantes da Missão. Para o Diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, “A Missão Compradores nos dá oportunidades para compartilhar conhecimento sobre o algodão brasileiro diretamente com os clientes. É importante poder apresentar a eles todos os aspectos da fibra brasileira, e ensiná-los como contornar possíveis problemas.” Missão compradores A Missão Compradores é um evento realizado anualmente pela Abrapa, através do programa de promoção do algodão brasileiro para o mercado internacional, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e a Agência Nacional de Exportadores de Algodão (Anea). Desde 2015, a iniciativa traz ao Brasil compradores da pluma para conhecerem o algodão brasileiro através de uma imersão na realidade da cotonicultura no país. Foco em qualidade A qualidade é uma área estratégica para a atuação da Abrapa em 2025, ano em que realizou encontros de qualidade da fibra e workshops em três dos principais estados produtores do Brasil. Somente em Mato Grosso, mais de 200 profissionais foram certificados para atuarem como inspetores de qualidade em Unidades de Beneficiamento de Algodão (UBA).
Inscrições abertas para certificação de terminais retroportuários no programa ABR-LOG 2025/26
04 de Agosto de 2025A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) acaba de abrir o período de adesão ao programa ABR-LOG para o ano comercial 2025/26. Voltada a terminais retroportuários, a certificação reconhece boas práticas operacionais, sociais e ambientais na etapa de estufagem dos containers com fardos de algodão. A certificação é uma ampliação do escopo do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e responde diretamente às exigências de qualidade dos mercados compradores. Lançado em 2023, o ABR-LOG é fruto da parceria entre Abrapa e a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), no âmbito do programa Cotton Brazil, que conta ainda com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). A iniciativa consolida o Brasil como o único país com uma certificação socioambiental integrada desde a lavoura até os portos de embarque da pluma. “O ABR-LOG agrega valor à fibra brasileira ao garantir padronização, segurança operacional e boas práticas na etapa de estufagem dos containers, com destaque para conservação dos fardos até a fiação. Com isso, fortalecemos ainda mais a competitividade internacional do algodão brasileiro” afirma o gerente de sustentabilidade da Abrapa, Fábio Carneiro. Certificação amplia rastreabilidade até o navio O Brasil já é o maior exportador mundial e o terceiro maior produtor global de algodão. Mas o avanço no mercado internacional exigiu mais do que apenas qualidade da pluma. A rastreabilidade da cadeia e o cumprimento de critérios socioambientais se tornaram elementos decisivos para conquistar compradores mais exigentes, especialmente na Ásia e na Europa. Nesse contexto, o ABR-LOG completa o ciclo iniciado há 13 anos com a certificação da produção agrícola, através do programa ABR, ampliado às unidades de beneficiamento (ABR-UBA), garantindo agora que o algodão chegue ao navio com o mesmo padrão de responsabilidade. Com prioridade inicial para os terminais do Porto de Santos, por onde escoam cerca de 97% das exportações brasileiras, o programa permite a adesão voluntária de retroportos e armazéns com capacidade para estufagem de contêineres com fardos de algodão. Após a assinatura do termo de adesão, o próximo passo é o agendamento da auditoria presencial, realizada por certificadoras independentes. Na auditoria, são verificados 127 itens, incluindo critérios como proibição de trabalho infantil, trabalho escravo ou degradante, segurança do trabalho e boas práticas de estufagem. Rigor e melhoria contínua O programa ABR-LOG estabelece uma política de melhoria contínua para os terminais participantes. No primeiro ano, é necessário cumprir requisitos mínimos e obrigatórios da certificação e pelo menos 80% de conformidade nos itens não obrigatórios. A partir da segunda safra, o índice sobe para 82%, com aumento de dois pontos percentuais a cada ciclo subsequente. Fundamentado nos pilares social, ambiental e econômico da sustentabilidade, o programa avalia ainda critérios como liberdade sindical, proibição de discriminação, gestão ambiental e boas práticas na estufagem dos fardos. A expectativa da Abrapa é que a ampliação da certificação para os terminais contribua para reduzir perdas, evitar contestações comerciais e, sobretudo, consolidar a imagem do algodão brasileiro como o mais responsável do mundo. Os terminais interessados devem formalizar sua adesão diretamente junto à Abrapa pelo e-mail sustentabilidade.abrapa@abrapa.com.br. A certificação é válida por safra comercial e requer auditoria anual. Com a nova rodada do ABR-LOG, o Brasil reforça sua posição de liderança global não apenas em volume, mas também em responsabilidade e transparência em toda a cadeia do algodão.
Representantes das maiores indústrias têxteis mundiais chegam ao Brasil para conhecer de perto o algodão brasileiro
01 de Agosto de 2025Como um país de dimensões territoriais, clima tropical e sem subsídios públicos se tornou o maior exportador mundial de algodão e o maior fornecedor global de pluma com certificação socioambiental? A resposta para essa pergunta é o que guia a nona edição da “Missão Compradores”, intercâmbio anual realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) junto a executivos da indústria têxtil mundial. Neste ano, a missão ocorre de 3 a 9 de agosto percorrendo fazendas, algodoeiras, laboratórios e escritórios dos três estados brasileiros com maior produção de pluma: Mato Grosso, Bahia e Goiás. A delegação reúne 20 executivos de indústrias têxteis de seis países (China, Índia, Paquistão, Bangladesh, Vietnã e Turquia), que, juntos, responderam por 84,9% das exportações brasileiras de algodão no ano comercial 2024/25. Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa, afirma que a “Missão Compradores” é fundamental para qualificar do algodão brasileiro no mercado internacional. “É a oportunidade de mostramos as pessoas por trás dos números e deixarmos clara a nossa vocação de produzirmos com responsabilidade socioambiental”, explica. Na temporada passada (2023/24), 84% da safra brasileira foi certificada pela Better Cotton, principal plataforma certificadora de boas práticas socioambientais na cotonicultura mundial. Os impactos positivos do setor vão além do campo: atualmente, algodão e indústria têxtil geram mais de 10 milhões de empregos diretos e indiretos no Brasil. Como o modelo brasileiro de cultivar algodão é único no mundo, além das visitas guiadas a campo, a missão inclui workshops técnicos sobre sustentabilidade, qualidade e rastreabilidade do algodão. “É quando damos um contexto maior às práticas de agricultura regenerativa e explicarmos como conseguimos, por exemplo, fazer a rastreabilidade da safra nacional de algodão”, observa Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa. Estratégias de mercado A Missão Compradores faz parte da estratégia de mercado da Abrapa, e éuma das principais iniciativas que levou o Brasil a ser a maior liderança global na exportação de algodão em 2024. Agora o objetivo é manter o país no topo de ranking e aumentar ainda mais as possibilidades de negócios com as indústrias têxteis da Ásia. Em 2024 foram embarcadas 2,680 milhões de toneladas de pluma ao exterior. Marca que, com certeza, será superada no ciclo atual. Isso porque, mesmo faltando o fechamento deste mês de julho, o Brasil já negociou 2,689 milhões de toneladas em 2025. Ranking dos maiores produtores Além de liderar as exportações, o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de pluma, ficando atrás apenas da China e da Índia. No ano comercial 2023/24, produziu 3,2 milhões de toneladas, o equivalente a 13% da safra mundial – contra as 5,9 milhões de toneladas da China (24% de market share) e as 5,6 milhões de toneladas da Índia (23%). Para o ciclo atual, a previsão da Abrapa é de que serão colhidas 3,9 milhões de toneladas. Confirmando-se, será uma ampliação de 21,8% em relação a 2023/24. Cotton Brazil A “Missão Compradores” é uma das iniciativas do “Cotton Brazil”, programa de promoção internacional do algodão brasileiro realizada pela Abrapa. A iniciativa começou em 2019 e desde então conta com a parceria da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e apoio da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea). www.cottonbrazil.com
Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 01/08/2025
01 de Agosto de 2025Destaque da Semana - Preços caem com expectativa de safra maior, mas faixa Dez25 segue estável (66,00–69,00). Este final de semana começa a 9ª edição da Missão Compradores Cotton Brazil. Canal do Cotton Brazil - Receba informações exclusivas sobre o mercado de algodão clicando aqui: https://bit.ly/Canal-CottonBrazil. Algodão em NY - O contrato Dez/25 fechou nesta quinta 31/jul cotado a 67,25 U$c/lp (-2,1% vs. 24/jul). O contrato Dez/26 fechou em 69,10 U$c/lp (-1,3% vs. 24/jul). Basis Ásia - o Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 910 pts para embarque Ago/Set-25 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 31/jul/25. Altistas 1 - O Produto Interno Bruto (PIB) real dos EUA cresceu a uma taxa anual de 3,0% no segundo trimestre de 2025, em comparação com uma queda de 0,5% no primeiro trimestre. Altistas 2 - As condições da lavoura dos EUA pioraram esta semana: a classificação “boa a excelente” caiu 2 pontos percentuais, para 55%, ainda assim acima dos 49% da safra passada. Baixistas 1 - Por outro lado, o clima quente e seco do Texas ao Delta tem favorecido o avanço da safra, embora ambas as regiões necessitam de umidade adicional neste momento. Baixistas 2 - China e EUA não fecharam um acordo sobre produtos agrícolas e essa falta de avanço é mais um limitador para as cotações. Oferta - A Cotlook elevou as projeções de produção global de algodão para 2024/25 (+113 mil tons) e 2025/26 (+118 mil tons), ultrapassando 26 milhões tons, maior volume desde 2017/18. Demanda 1 - O consumo global de algodão segue pressionado pelas incertezas tarifárias. China, Paquistão e Turquia tendem a reduzir o uso, enquanto Índia, Bangladesh e Vietnã projetam alta - embora ainda insuficiente para compensar a queda geral. Demanda 2 - A previsão do Cotlook é de consumo abaixo de 25 milhões tons em 2024/25 e 2025/26, o que resultaria em acúmulo de mais de 1 milhão tons em estoques por temporada. Missão Compradores 1 - A Abrapa recebe de 3 a 9/ago um grupo com 20 executivos da indústria têxtil de 6 países (Bangladesh, China, Índia, Paquistão, Turquia e Vietnã) que, juntos, respondem por 84,9% das exportações brasileiras de algodão. Missão Compradores 2 - Nesta 9ª edição da Missão Compradores, serão visitados MT, BA e GO. O objetivo é mostrar como o Brasil se tornou o maior exportador mundial a partir de boas práticas de sustentabilidade, qualidade e rastreabilidade. Missão Compradores 3 - A delegação inclui 19 empresas têxteis diferentes que consomem, anualmente, 1,4 milhão tons. A pluma brasileira representa, em média, 35% desse consumo total. Missão Compradores 4 - Além de visitas guiadas a fazendas, a missão passará por algodoeiras, laboratórios e terá workshops técnicos. A iniciativa integra as ações do programa Cotton Brazil. Tarifas 1 - Nesta semana, antes do aguardado dia 1º de agosto, muitos acordos de renegociação das taxas norte-americanas foram anunciados. Tarifas 2 - Conversas entre EUA e China mantêm um tom positivo, mas sem perspectiva de resolução rápida. O prazo de 12/ago pode ser estendido novamente. Tarifas 3 - Há esperança de que, em algum momento da nova temporada, um acordo global estimule compras em larga escala de produtos agrícolas e industriais dos EUA (como ocorreu em 2020) e revitalize o comércio. Paquistão - Produtores paquistaneses comemoram pausa nas chuvas de monção. A produção de algodão foi estimada em torno de 1,1 milhão tons a 1,3 milhão tons, e o desenvolvimento da safra é considerado satisfatório. Qualidade 1 - A Abrapa é uma das organizações brasileiras a participar de treinamento sobre classificação de algodão em Memphis (EUA). O curso começou na segunda a convite do USDA e da Uster, fabricante de equipamentos HVI. Qualidade 2 - O objetivo é qualificar a equipe técnica para dar mais transparência ao processo de classificação. Além da Abrapa, o grupo inclui representantes da Abapa, Amipa, Agopa e Embrapa. Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 111,7 mil tons na terceira semana de julho. A média diária de embarque é 19,1% menor que no mesmo mês em 2024. Colheita 2024/25 - Até o dia de ontem (31/07) foram colhidos no estado da BA (40,56%), GO (66,41%), MA (55%), MG (60%), MS (68%), MT (17%), PI (67,9%), PR (95%) e SP (95%). Total Brasil: 25,69%. Beneficiamento 2024/25 - Até o dia de ontem (31/07) foram beneficiados nos estados da BA (25%), GO (19,3%), MA (6%), MG (25%), MS (22%), MT (2%), PI (30,8%) PR (90%) e SP (100%). Total Brasil: 8,46%. Preços - Consulte tabela abaixo ⬇ Quadro de cotações para 31-07 Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com
Novos recordes em vista
31 de Julho de 2025O setor de cotonicultura comemora recordes na produção e exportação de algodão em pluma na safra 2024/2025, o que não apenas consolida a posição do Brasil como terceiro maior produtor mundial da fibra, mas também confirma a sua liderança nas exportações, conquistada no ciclo 2023/2024, quando superou os Estados Unidos. A estimativa gira em torno de 3,96 milhões de toneladas na colheita que está começando, um incremento de 7,1%, em uma área plantada 10,2% superior (2,143 milhões de hectares). Já para os embarques externos, que têm como principal destino a Ásia, espera-se crescimento de 13%, para 2,743 milhões de toneladas. Os indicadores positivos são apurados em meio a um cenário em que os preços da fibra, pressionados por uma oferta global elevada e incertezas econômicas, estão historicamente abaixo da média. “A demanda global está em processo de recuperação, mas ainda marcada por cautela. Os compradores têm priorizado aquisições para consumo imediato, sem grandes programações futuras”, explica Dawid Wajs, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea). O Brasil tem condições de ampliar a área de cultivo e, consequentemente, suas exportações: a previsão é embarcar 2,97 milhões de toneladas na safra 2025/2026. Um dos desafios, entretanto, é a guerra tarifária, que pode impactar a demanda e o estoque no mundo, pressionando os preços. “O algodão é muito influenciado pelo consumo”, afirma Fernando Berardo, diretor de commodities Brasil e Latam da Barchart, especializada em dados e cotações de commodities. O setor, que destina 75% da sua produção para o exterior, tem adotado a estratégia de buscar novos mercados, para diversificar sua pauta de exportação. A China, por exemplo, perdeu o posto de nosso maior comprador: as aquisições do gigante asiático caíram de 1,297 milhão de toneladas na safra 2023/2024, o equivalente a 50% do total dos embarques brasileiros, para 483 mil toneladas na temporada atual, representando 18% do total. Vietnã (19%), Paquistão (18%), Bangladesh (13%) e Turquia (12%) figuram entre os grandes consumidores. Além disso, aumentaram as vendas para a Índia, de 13 mil para 70 mil toneladas. Entre os fatores que impulsionaram as exportações está a qualidade do produto. O aperfeiçoamento genético dos cultivares, que elevou o nível de qualidade da fibra, fez a diferença em um mercado bastante competitivo, opina Francisco Soares, presidente da Tropical Melhoramento & Genética (TMG). “O melhoramento tem como objetivo não apenas aumentar a resistência a pragas, mas também buscar o equilíbrio entre produtividade e qualidade”, explica. Especializada em soluções genéticas para algodão, soja e milho, a TMG tem instalações de pesquisas no Centro-Oeste e no Nordeste, regiões que se destacam na cotonicultura nacional. O orçamento anual para pesquisa e desenvolvimento de novos cultivares gira em torno de R$ 250 milhões. De acordo com Soares, pelo menos três cultivares são lançados por ano e licenciados para grandes produtores, que multiplicam a semente e vendem ao produtor final. Produzido com o emprego das melhores técnicas socioambientais, o algodão brasileiro é sustentável, tem as certificações necessárias para suprir o mercado internacional e pode ser rastreado ao longo da sua cadeia produtiva, desde a lavoura até a indústria, ressalta Gustavo Viganó Piccoli, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Segundo ele, o produtor tem investido em tecnologia, em maquinário e na qualificação da mão de obra do campo. A estratégia para buscar novos mercados para o algodão brasileiro contempla, ainda, o esforço de conscientização do mercado para estimular o aumento do consumo de fibras naturais, que perderam espaço na indústria do vestuário. O grande apelo, ressalta o presidente da Abrapa, reside no fato de que as fibras sintéticas, de origem fóssil e largamente utilizadas no setor, contaminam o meio ambiente com microplásticos e são prejudiciais à saúde. Além de garantir o fornecimento de fibra para o mercado, a cultura do algodão cria a oportunidade para exploração comercial de outro produto: o caroço de algodão, cujo processo de industrialização permite a extração de óleo, que pode ser utilizado na produção de biocombustível, e a torta de algodão (farelo), utilizada na alimentação animal, especialmente para ruminantes, devido ao alto teor de proteína. Embora incipiente, a exploração econômica do caroço de algodão tem potencial de incrementar a renda do produtor rural, sobretudo nos momentos de baixa dos preços. A maior parte do algodão brasileiro é cultivada em segunda safra, que se estende de janeiro a agosto — na primeira, os produtores semeiam outras culturas, como soja, arroz, feijão e milho. Mato Grosso lidera a produção nacional, com 70%, seguido do Cerrado baiano, com participação de 15% a 20%. O restante está espalhado por nove Estados. O plantio na atual safra ocorreu sem adversidades climáticas, exceto a estiagem, na Bahia, e chuvas incomuns no fim de junho no Mato Grosso.
Primeiro Encontro de Tecnologia da Abrapa discute reformulação dos sistemas de informação do algodão
31 de Julho de 2025A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) realizou nos dias 29 e 30 de julho, o primeiro do Encontro de Tecnologia da Abrapa, na sua sede em Brasília. A primeira edição da iniciativa, que abre uma série de eventos focados na reformulação dos sistemas de informação da Abrapa, conta com a presença de representantes das 12 associações estaduais de produtores filiadas à Abrapa e dos especialistas em tecnologia que mantém o ecossistema de informações da entidade em funcionamento. No evento, foi apresentado todo o ecossistema de tecnologia de informação da Abrapa. No intuito de contribuírem com uma reformulação que apresente dados cada vez mais atualizados e transparentes, os representantes das associações estaduais falaram sobre a relação entre a sazonalidade das safras estaduais e o fornecimento de informações que alimentam os sistemas. Outro tema que as associações debateram, foi a necessidade da revisão das regras de negócio para facilitar o uso das ferramentas de tecnologia pelos produtores e unidades de produção. De acordo com a Coordenadora de Sustentabilidade da Associação Piauiense de Produtores de Algodão (Apipa), Lucilene Sousa, “A expectativa é que com esses encontros nós consigamos possibilitar uma ferramenta mais precisa para as fazendas, de forma que as associações estaduais tenham dados mais qualificados em mãos, para que seja feita uma gestão que traga mais resultados”. A coordenadora ainda acrescentou que é muito importante que a Abrapa realize eventos e treinamentos direcionados à Tecnologia da Informação. “Estamos avançando cada vez mais na relação entre a tecnologia e o campo, logo eventos como esse são uma necessidade do setor”, pontou. Plano Diretor de T.I. da Abrapa A iniciativa faz parte do Plano Diretor de T.I. da associação, que iniciou a sua implementação em março deste ano. O novo plano pretende criar um conjunto único que integrará os 11 sistemas da Abrapa. O foco da reformulação, neste primeiro encontro, é avaliar as atuais regras de negócio do Sistema Nacional de Dados do Algodão (Sinda) e do módulo de convites. O Sinda reúne os cadastros dos produtores de algodão, de grupos de cotonicultores e das unidades produtivas, para vincular as informações e habilitar as unidades cadastradas para operação na safra e participação nos programas de rastreabilidade, qualidade e sustentabilidade disponibilizados pela Abrapa. Reescrevendo o futuro “Simplificar as regras de negócios dos sistemas facilita a manutenção, aumenta a segurança e a confiabilidade dos dados disponibilizados pelo algodão brasileiro. Esses são pontos essenciais para entregar mais valor aos produtores e apoiadores da cadeia do algodão”, afirmou, Chefe de Tecnologia da Abrapa, Eberson Terra. “Nesta primeira fase da reformulação, temos como objetivo melhorar o fluxo do trabalho das estaduais e facilitar o contato com os produtores e unidades de beneficiamento” completou. Para a Diretora de Relações Institucionais da Abrapa, Silmara Ferraresi, “A Abrapa é uma entidade com 25 anos, que tem programas desenvolvidos para prestar serviços aos produtores. Esses programas estão intimamente ligados aos pilares de atuação do algodão brasileiro, que são a sustentabilidade, a rastreabilidade e a qualidade, e que dão um posicionamento diferenciado à nossa pluma. Essa reestruturação de tecnologia, dá um novo olhar para o futuro de integração.” Ferraresi ainda explica que “Quanto melhor atendemos o usuário final desses sistemas, que é o produtor, melhor atenderemos o cliente final do algodão brasileiro, que são os compradores. “Não basta ter volume, não basta ter escala, você tem que ter o diferencial. E isso só é possível através de plataformas de TI. Essa é a importância do investimento nessa área e desse aprimoramento”, finalizou.
A convite do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, comitiva brasileira realiza missão técnica e participa de eventos sobre o algodão
30 de Julho de 2025Nesta segunda-feira, 28/07, uma comitiva brasileira dedicada à qualidade do setor algodoeiro chegou aos Estados Unidos para aprimorar seus conhecimentos sobre a fibra. A convite do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da Uster Technologies, os técnicos estão realizando um treinamento para classificação de materiais estranhos em algodão em pluma, na sede da USDA, em Memphis. O grupo, que é formado por representantes Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), das associações de produtores da Bahia (Abapa), de Minas Gerais (Amipa), de Goiás (Agopa) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), também realizará uma visita técnica à Uster, fabricante de equipamentos HVI, utilizados para a aferir a qualidade do algodão, através da análise e classificação de 14 das suas principais características. Conhecimento e tecnologia Com o objetivo de proporcionar um entendimento aprofundado sobre a metodologia de classificação de contaminantes no algodão norte-americano, o treinamento, que está sendo ministrado pelo Programa de Algodão e Tabaco, do USDA, pretende oferecer à comitiva brasileira conhecimentos da maior referência internacional nesse campo, visando dar mais transparência ao processo de classificação para os compradores do algodão brasileiro. A visita técnica ao complexo da Uster Technologies, em Knoxville, no estado do Tennesse, será uma oportunidade para grupo explorar a colaboração entre os produtores brasileiros e a indústria de tecnologia em HVI. No encontro, serão tratados temas como a pegajosidade do algodão brasileiro e a suas futuras necessidades, de acordo com os fatores de classificação que a pluma nacional tem apresentado. De acordo com o Diretor Executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, a iniciativa faz parte de uma força tarefa da Abrapa para otimizar o processo de controle de qualidade do algodão brasileiro. “Investir em tecnologia e inovação para melhorar a qualidade do algodão brasileiro, é prioridade da Abrapa, e das associações estaduais filiadas à entidade”, comentou Portocarrero. Prioridade da cadeia do algodão brasileiro “Esta missão tem como foco principal trazer aos produtores e técnicos brasileiros soluções para problemas comuns no algodão, como contaminação por plástico e seed-coat, mas que são capazes de afetar a qualidade do algodão a depender da forma como o manejo é feito”, afirmou o Coordenador de Controle de Qualidade da Abrapa, Deninson Lima. “Essa visita nos trará uma perspectiva nova sobre o algodão brasileiro a partir do ponto de vista de referências mundial em produção e análise do algodão”, pontuou o coordenador.
Onde a produtividade se harmoniza com a preservação
28 de Julho de 2025Nada como ir a campo para confirmar se estatísticas, relatórios e gráficos são, de fato, verdadeiros. A busca pela realidade das lavouras brasileiras de algodão guiou a primeira edição da “Brazilian Cotton Dialogues”, uma missão internacional multisetorial realizada pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) de 21 a 25 de julho em três estados brasileiros: Mato Grosso, Bahia e Goiás. Receber comitivas internacionais já faz parte das ações rotineiras da Abrapa, mas desta vez foi diferente. “Convidamos profissionais com diferentes backgrounds, não somente importadores. Essa diversidade deu muito certo e fomentou trocas não só conosco, mas entre os próprios participantes”, explicou o diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte. Duarte foi um dos membros da Abrapa que recebeu a delegação de 15 representantes de indústrias têxteis, fabricantes de máquinas, marcas varejistas e entidades ambientalistas globais. Além de fazendas, o grupo visitou algodoeiras, laboratórios de classificação de algodão, cooperativas e associações estaduais de cotonicultores para saberem como o país chegou aos títulos de terceiro maior produtor mundial e maior exportador global de algodão. A grande escala das fazendas brasileiras, quando comparadas com outros países, a gestão de processos nas fazendas e o sistema brasileiro de rastreabilidade também chamaram a atenção. “Já tinha ouvido muito sobre o crescimento da indústria do algodão no Brasil, mas o que vi foi impressionante. Do tamanho das fazendas à escala das operações, além dos bons métodos técnicos e científicos adotados. O país tem um grande potencial para crescer e fornecer ainda mais algodão no futuro”, afirmou K.V. Srinivasan, executivo da Premier Mills, da Índia, e presidente da International Textile Manufacturers Federation (ITMF). Christian Schindler, diretor geral da ITMF, notou diferenças em relação ao Brasil que conheceu há 15 anos. “A evolução na qualidade da fibra brasileira é grande e vemos que os brasileiros conseguiram crescer tanto tecnicamente quanto em termos de sustentabilidade, graças a esse ecossistema de fazendas com alta tecnologia”, observou. Outro destaque foi o que Schindler chamou de “conceito holístico” da cotonicultura brasileira. “Os produtores querem melhorar as práticas sustentáveis um pouco mais a cada ano. Existe um foco grande em descarbonização, e a agricultura regenerativa não é um fim em si mesma”, analisou o diretor geral da ITMF. Essa constatação de que práticas regenerativas fazem parte do dia-a-dia dos cotonicultores brasileiros também foi citada por Nick Weatherill, CEO da Better Cotton, maior certificadora mundial do mercado de algodão. Em sua primeira missão internacional após assumir o cargo, ele observou o cuidado dos brasileiros com o solo. “Há uma grande preocupação com a saúde do solo. Os produtores fazem rotação de culturas e investem em plantas de cobertura. São práticas benéficas tanto para o solo quanto para a produtividade agrícola. Isso mostra que a sustentabilidade está no mindset produtivo e comercial do produtor brasileiro”, afirmou Weatherill. A coexistência de diferentes gerações de cotonicultores nas fazendas visitadas também chamou a atenção do CEO da Better Cotton. “É esse tipo de dinamismo que esperamos encontrar em campo. Uma espécie de espírito pioneiro e otimismo que vai atrás de inovações e soluções para os desafios que ainda precisam ser superados em termos de sustentabilidade”, pontuou o executivo. O uso de tecnologia para o aproveitamento máximo dos recursos naturais é um dos caminhos a serem seguidos. “O sistema de irrigação complementar é um novo conceito para mim e faz muito mais sentido”, exemplificou Weatherill. Ele se referiu ao sensoriamento remoto usado na irrigação, que permite o aproveitamento máximo da água da chuva e indica o momento, o local e quantidade necessária de água irrigada para garantir o desenvolvimento ideal das plantas. A presença de grandes áreas de preservação ambiental nas fazendas, mantidas pelos cotonicultores com recursos próprios e sem subsídios, também foi um aspecto destacado por vários participantes. “Fiquei otimista em ver grandes áreas de ecossistema natural protegidas e conservadas. É disso que precisamos: que o ecossistema natural e o sistema agrícola possam existir em harmonia, um ao lado do outro”, observou o CEO da Better Cotton. Cotton Brazil. A missão “Brazilian Cotton Dialogues” é uma das iniciativas do Cotton Brazil, programa da Abrapa que promove em escala global o algodão brasileiro. O programa é realizado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e recebe apoio da Associação Nacional de Exportadores de Algodão (Anea).