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Sou de Algodão: Como um desfile uniu a moda pela fibra da consciência?
20 de Outubro de 2025

Na elegância do preto, o algodão brasileiro vestiu a passarela do São Paulo Fashion Week, na noite desta sexta-feira 17, com a força de uma história coletiva. Sob o olhar do stylist Paulo Martinez, o movimento Sou de Algodão fez da unidade sua maior expressão: seis estilistas, seis narrativas, uma só matéria-prima. A cor única era síntese e ponto de encontro de todas as tonalidades possíveis, como se o preto guardasse em si o percurso de uma fibra que nasce branca no campo e ganha novas formas sob as mãos da criação de moda. Com o tema “Trajetórias”, a coleção foi um convite a revisitar os caminhos da moda — do solo à passarela, da semente à peça final. Alexandre Herchcovitch, Aluf, Amapô, David Lee, Fernanda Yamamoto e Weider Silveiro apresentaram seis looks cada, todos em algodão 100% rastreável, cultivado com responsabilidade em 82 fazendas, por 61 produtores, em seis estados brasileiros. Tecidos vindos de indústrias como Cataguases, RenauxView, Santana Textiles, Vicunha, Dalila e Fio Puro compuseram um mosaico de texturas e intenções, costurando sustentabilidade e design em uma mesma trama. “Queríamos contar as histórias das pessoas por trás das roupas”, disse Silmara Ferraresi, gestora do movimento e diretora de Relações Institucionais da Abrapa, a VEJA. E foi exatamente isso que se viu: um desfile que transformou dados e certificações em emoção estética, traduzindo a rastreabilidade em poesia têxtil. O preto, escolhido por Martinez como fio condutor, uniu as diferenças, mas sem apagar as individualidades. Em um gesto de respeito, os seis criadores — três homens e três mulheres — encontraram um equilíbrio raro entre liberdade criativa e harmonia visual. A sobriedade da paleta revelou a potência da fibra natural, permitindo que o algodão falasse por si só: em alfaiatarias desconstruídas, drapeados esculturais, volumes, laços, camadas e cortes que respiravam leveza, e acima de tudo, propósito. Silmara reforça que “a unidade entre os seis estilistas tem a ver com a identidade do Sou de Algodão, que engaja a cadeia têxtil de ponta a ponta — do produtor ao consumidor final”. A fala da gestora ecoa a essência da apresentação: uma celebração da rastreabilidade do algodão brasileiro com certificação socioambiental, que hoje cobre 80% da produção nacional e caminha para alcançar 100% até 2026, com uma plataforma aberta à transparência total. Trajetória, responsabilidade e manifesto Na passarela, o preto se fez manifesto. Era festa e consciência, como definiu Martinez — “um black tie simbólico para celebrar os 30 anos da semana de moda paulistana”. Mas também era futuro: um convite para pensar a moda como uma rede de colaboração, onde cada fio importa, cada história conta e cada peça carrega o peso leve da responsabilidade. Como dizia Coco Chanel, “a moda não é algo que existe apenas nas roupas; está no ar, na rua, tem a ver com ideias, com o modo como vivemos”. No caso do Sou de Algodão, está também no campo, na ética e na escolha consciente de cada trajeto percorrido até chegar ao corpo. No fim, o que se viu foi um movimento de fé na fibra — na que veste, na que une, na que transforma em tempos que as trajetórias da moda querem durar dentro da maior transparência possível. Leia mais em: https://veja.abril.com.br/coluna/vitrine/sou-de-algodao-como-um-desfile-uniu-a-moda-pela-fibra-da-consciencia/

Rastreabilidade do SouABR é referência em evento da WWF em Brasília
17 de Outubro de 2025

Diretora de relações institucionais da Associação dos Produtores de Algodão (Abrapa) e gestora do programa Sou de Algodão, Silmara Ferraresi apresentou, a convite da WWF-Brasil, as iniciativas do setor que garantem a rastreabilidade do algodão brasileiro. O evento “Alianças e Caminhos: Diálogos para a COP30” reuniu lideranças empresariais, governos, associações setoriais e organizações da sociedade civil na sede da WWF em Brasília, DF. O objetivo era articular caminhos concretos rumo à COP30, que ocorrerá em Belém, em novembro de 2025. Ferraresi participou do painel “Rastreabilidade como ferramenta de transparência, competitividade e acesso a mercados” para apresentar os programas da Abrapa que garantem a transparência do algodão brasileiro, da semente ao guarda-roupa, oferecendo ao consumidor final informações sobre a origem e todo o processo de transformação da pluma. Rastreabilidade enquanto estratégia de valor Durante a apresentação, Ferraresi introduziu os dois programas da Abrapa que conseguem garantir a rastreabilidade de ponta a ponta. O primeiro deles é o Sistema Abrapa de Identificação (SAI), que usa uma etiqueta para monitorar individualmente cada fardo de algodão produzido no país, e inclui dados de origem, beneficiamento e qualidade. O segundo é o programa Sou ABR, que agrega ao seu blockchain os dados do SAI e faz a rastreabilidade da cadeia de custória do algodão, da indústria ao varejo, passando por fiações, tecelagens e confecções. Cada roupa feita com algodão rastreável, recebe uma etiqueta com um QR CODE que dá ao comprador o acesso a todo caminho feito pela fibra, das fazendas até as lojas. A diretora da Abrapa destacou a união de forças dos diferentes elos da cadeia e a padronização necessária para que a rastreabilidade do algodão seja implementada com sucesso. “Padronização é fundamental. Ninguém consegue fazer rastreabilidade se não houver padronização ao longo da cadeia”. Para Ferraresi, o uso da GS1 facilitou o fluxo da rastreabilidade. “A GS1 foi adotada pelos nossos programas a partir de 2011, e até que essa utilização acontecesse enfrentamos muitos problemas para realizar a sistematização dos processos”, completou. O gerente de Sustentabilidade da SLC Agrícola, Tiago Agne, destacou, durante o painel, as iniciativas de rastreabilidade adotadas pela companhia em diferentes frentes produtivas, com ênfase no algodão. “O algodão, de fato, é onde nós temos o maior potencial para a rastreabilidade completa, e a iniciativa da Abrapa mostra que isso é possível. A rastreabilidade é importante não só para que a gente possa atender os nossos clientes, mas também para que nós possamos melhorar a gestão interna da propriedade.” Alianças, caminhos e diálogos Para a Diretora de Relações Coorporativas da WWF Brasil, Daniela Teston, exemplos reais de transparência e rastreabilidade inspiram outras cadeias produtivas a seguirem o mesmo caminho. “A liderança da Abrapa no diálogo setorial torna a representação da entidade essencial para mostrar como o algodão brasileiro está se posicionando com rastreabilidade ponta a ponta mostram o caminho para outros setores avançarem na mesma direção.”, destacou Teston. Além de dar destaque à rastreabilidade do algodão como uma estratégia de negócios indispensável para garantir acesso a mercados cada vez mais exigentes, o encontro articulou outros temas que devem ser destaque durante a COP30 no Brasil. Entre eles, a moratória da soja, a TAC da carne e a sustentabilidade das cadeias produtivas, que também tiveram painéis de diálogo.

Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 17/10/2025
17 de Outubro de 2025

Destaque da Semana - A demanda lenta e a oferta abundante resultaram em mais uma semana baixista no mercado de algodão. Uma recuperação dependerá de algum evento geopolítico relevante que leve os especuladores — hoje fortemente vendidos — a mudarem de posição. Fechamento (“shutdown”) do governo americano torna o mercado mais incerto. Canal do Cotton Brazil - Quer se manter atualizado sobre o mercado de algodão no mundo? Participe: https://bit.ly/Canal-CottonBrazil. Algodão em NY - O contrato Dez/25 fechou nesta quinta 16/out cotado a 63,73 U$c/lp (-1,15% vs. 09/out). O contrato Dez/26 fechou em 67,65 U$c/lp (-1,00% vs. 09/out). Basis Ásia - O Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 774 pts para embarque Out/Nov-25 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 16/out/25. Altistas 1 - Na semana, os avanços no Oriente Médio contrastam com o aumento das tensões entre China e Estados Unidos. Entretanto, hoje circulou a informação que Trump deve se encontrar com Xi Jinping em duas semanas. Altistas 2 - Suportes técnicos sólidos - Segundo analistas de mercado, o contrato Dez/25 mantém zonas de suporte entre 63,3–62,7 c/lp, que têm contido novas quedas. Esses níveis são vistos por alguns analistas como piso técnico de curto prazo. Altistas 3 - Dólar mais fraco e expectativa de corte de juros - O Índice do Dolar caiu 1,15%, e o mercado precifica redução de 0,25 p.p. na taxa básica dos EUA, favorecendo commodities agrícolas e exportações. Altistas 4 - Geopolítica: Trump e Putin tiveram uma ligação “muito produtiva” e acordaram reunião na Hungria sobre a guerra na Ucrânia. O gesto reduziu o risco geopolítico e trouxe alívio ao sentimento macro. Altistas 5 - Plantio mais contido no Hemisfério Sul - Projeções indicam menor área no Brasil e Austrália em 2025/26, resultado de preços baixos e câmbio valorizado, o que reduz a pressão futura de oferta. Altistas 6 - Cotação do ouro em alta recorde: o aumento do ouro indica busca por ativos seguros, o que pode sinalizar entrada futura de fundos especulativos em commodities agrícolas, inclusive algodão. Altistas 7 - Demanda física ativa no Brasil - Algodão brasileiro segue competitivo com basis firme em +750 pts CFR Extremo Oriente, sustentando negócios pontuais mesmo com a queda dos futuros. Baixistas 1 - Demanda têxtil global fraca - Fiações Asiáticas seguem com margens negativas ou muito baixas, limitando compras a somente curto prazo. Baixistas 2 - Risco de squeeze em dezembro - Cresce o risco de squeeze no contrato Dez/25, devido ao desequilíbrio entre posições não fixadas dos produtores e da indústria. Com especuladores vendidos em proporção estimada de 7 para 1, a falta de cobertura pode acentuar a volatilidade caso não haja mudança fundamental. Baixistas 3 - Tensões comerciais EUA–China aumentam - A guerra tarifária e novas medidas restritivas entre as duas potências seguem pesando sobre o sentimento e as compras asiáticas. Baixistas 4 - Falta de dados do USDA - O shutdown interrompeu relatórios oficiais (vendas, estoques, on-call), reduzindo transparência e aumentando a incerteza. Baixistas 5 - O shutdown já dura 15 dias*, impedindo novos cadastros no programa de empréstimo (loan). Sem acesso ao crédito, produtores precisam vender fisicamente, aumentando a pressão sobre o mercado spot. O loan funciona como proteção (“free put”), acionado com NY entre 63–64 c/lp, oferecendo piso de preço ao agricultor. Baixistas 6 - Consumo americano desacelera - Dados de alta frequência apontam queda nas compras de bens discricionários (móveis, eletrônicos, eletrodomésticos) em setembro. A retração do consumo nos EUA limita o potencial de reação das commodities. Baixistas 7 - Queda do petróleo: preços menores do petróleo (-6,5% na semana) tornam o poliéster (fibra sintética) mais barato, pressionando a demanda por algodão natural. Agenda 1 - O Cotton Brazil, com apoio da ApexBrasil, participou da Textile Exchange Conference em Lisboa (13-17/out), realizando 15 reuniões com marcas internacionais para promover a sustentabilidade e rastreabilidade do algodão brasileiro. Agenda 2 - Na próxima semana, a Abrapa integrará missão presidencial à Indonésia e Malásia, organizada em conjunto com a ApexBrasil, dois importantes mercados para o algodão brasileiro. Agenda 3 - Na Indonésia, a entidade participará ainda do congresso da ITMF, uma das mais tradicionais organizações globais da indústria têxtil, com o diretor Marcelo Duarte como um dos palestrantes do evento. Agenda 4 - De 28 a 31/out, o Brasil participa pela primeira vez do ITMA Asia + CITME, em Singapura, onde lançará o “Knowledge Hub” – plataforma online de orientação técnica para o uso da fibra brasileira – além da nova funcionalidade de rastreabilidade que permite a consulta por lote. SPFW 1 - O movimento Sou de Algodão retorna à SPFW para seu 4º desfile em 17/out, reforçando a cadeia produtiva que une sustentabilidade, inovação e design com a coleção "Trajetórias". SPFW 2 - O desfile apresenta panorama inédito da rastreabilidade com 82 fazendas, 61 produtores, seis estados e seis indústrias têxteis integrando a cadeia de custódia do algodão certificado ABR. China 1 - Pesquisa de campo da BCO indica área plantada total de 3,15 milhões ha (+7,6% no ano) e produção nacional mantida em 7,415 milhões tons (+8,2%). China 2 - A previsão de importações nesta safra foi reduzida para 1,2 milhão tons (-200 mil t). Com consumo mantido em 8,42 milhões e exportações em 20 mil tons, os estoques finais caíram para 6,36 milhões (-170 mil tons). China 3 - Para 2024/25, a BCO mantém produção em 6,85 milhões tons e aumenta importações para 1,06 milhão. Com consumo reduzido (8,56 milhões) e exportações em 10 mil tons, os estoques sobem para 6,16 milhões (+30 mil tons). Índia - A oferta da nova safra acelerou, com o equivalente a 15,2 mil tons de pluma levadas pelos produtores às algodoeiras até 15/out, maior volume para a data desde 2020/21. Paquistão - Foram registrados negócios com algodão brasileiro safra 2025, tipo Middling 36 G5 a 650-675 pts sobre março e SLM 1-1/8" a 575-600 pts. Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 91,1 mil toneladas nas duas primeiras semanas de outubro. A média diária de embarque é 10,8% menor em relação a out/24. Beneficiamento 2024/25 - Até o dia de ontem (16/10) foram beneficiados nos estados da BA (80%), GO (86,5%), MA (50%), MG (84%), MS (75%), MT (52%), PI (88,25%), PR (100%) e SP (100%). Total Brasil: 59,5%. Preços - Consulte tabela abaixo ⬇ Quadro de cotações para 16-10 Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

Por Que o Algodão Precisa Voltar Ao Centro da Conversa sobre Sustentabilidade
17 de Outubro de 2025

Há anos o mundo fala sobre sustentabilidade. É tema de conferências globais, está no discurso das marcas e pauta decisões políticas. Mas, curiosamente, quando abrimos o guarda-roupa, a conversa muda: estamos cada vez mais cercados por fibras sintéticas derivadas do petróleo, que alimentam o fast fashion, liberam microplásticos nos oceanos e carregam consigo uma pegada ambiental silenciosa e preocupante. Como produtora de algodão e líder de uma cadeia que tem o planeta no centro de sua missão, tenho refletido sobre esse paradoxo. O consumidor exige soluções mais verdes, mas consome fibras fósseis com a mesma naturalidade com que compra um copo descartável. É como se a urgência climática parasse na porta das lojas. A verdade é que precisamos voltar ao básico e o básico é natural. O algodão, uma fibra ancestral, biodegradável e reciclável, nasce do solo, absorve CO₂ durante seu ciclo produtivo e retorna à terra sem deixar resíduos tóxicos. Ele não polui os mares com microplásticos nem se transforma em partículas invisíveis que contaminam o ar, a água e até o nosso corpo. Hoje, estudos já mostram a presença dessas partículas no sangue humano e até na placenta, um alerta grave que ainda tratamos com indiferença. Essa indiferença tem nome e sobrenome: fast fashion. O modelo de consumo acelerado, baseado em roupas descartáveis e fibras sintéticas de baixo custo, transformou o vestuário em um produto de curta duração. E com isso, multiplicou a produção de resíduos e a exploração de recursos fósseis. O preço que pagamos por essa falsa acessibilidade é alto demais (ambiental e socialmente). Transição para um consumo mais consciente Ao mesmo tempo, é importante entender que a transição para um consumo mais consciente não significa abrir mão de tecnologia ou de estilo. Significa repensar escolhas. Significa olhar para a etiqueta de uma peça com a mesma atenção com que olhamos para o rótulo de um alimento. Significa compreender que uma decisão de compra é, também, uma decisão ambiental. O setor do algodão tem feito sua parte. No Brasil, mais de 80% da produção já segue protocolos rigorosos de sustentabilidade reconhecidos internacionalmente, como o ABR e o BCI. Investimos em tecnologias que reduzem o uso de defensivos, promovemos biodiversidade, integramos lavouras a sistemas agroflorestais e rastreamos a fibra do campo ao consumidor final. Tudo isso em um país tropical, onde os desafios de produção são muito mais complexos do que em regiões de clima temperado e, ainda assim, entregamos qualidade, rastreabilidade e responsabilidade. Ação coletiva e coordenada entre os países produtores de algodão Mas não podemos caminhar sozinhos. A transformação dessa realidade depende também de uma ação coletiva e coordenada entre os países produtores de algodão, que compartilham os mesmos desafios e os mesmos compromissos. Brasil, Estados Unidos e Austrália, três potências na produção mundial, precisam somar forças em um esforço conjunto de comunicação. Devemos falar a mesma língua ao mostrar ao mundo que a produção de algodão moderno não é o passado da moda, mas o seu futuro sustentável. Quando unimos conhecimento, dados, narrativas e estratégias, nossa mensagem ganha escala, rompe barreiras geográficas e tem muito mais poder de influenciar consumidores, marcas e reguladores. Precisamos reconectar o consumidor à origem daquilo que toca sua pele todos os dias. Precisamos colocar o algodão e todas as fibras naturais de volta ao centro dessa conversa global. Porque sustentabilidade não é sobre o que dizemos, é sobre o que vestimos. E cada peça que escolhemos é uma mensagem sobre o futuro que queremos construir. *Alessandra Zanotto Costa é produtora de algodão e soja no oeste baiano e sócia-diretora no Grupo Zanotto. Filha de gaúchos que migraram do Sul do país para a Bahia, iniciou para valer sua história no agro em 2005 e consolida uma gestão centrada na sustentabilidade. Se posiciona como voz ativa no fortalecimento da participação feminina na liderança do setor e integra o comitê Women in Cotton, da International Cotton Association (ICA). Atualmente, é presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) e do Fundo de Desenvolvimento do Algodão na Bahia (Fundeagro). Leia mais em: https://forbes.com.br/forbesagro/2025/10/forbes-mulher-agro-por-que-o-algodao-precisa-voltar-ao-centro-da-conversa-sobre-sustentabilidade/

Abrapa publica nota técnica sobre prevenção da contaminação por plástico no algodão
17 de Outubro de 2025

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) publicou, nesta terçafeira, 15/10, a Nota Técnica “Prevenção da Contaminação por Plástico no Algodão”, documento que consolida orientações práticas e técnicas para evitar a presença de resíduos plásticos na pluma, desde a colheita até o beneficiamento. O material foi elaborado pela Abrapa junto ao Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), com o objetivo de apoiar produtores e profissionais das unidades de produção na adoção de procedimentos padronizados que assegurem a pureza e qualidade da fibra brasileira. “No Brasil, a contaminação por plástico é mais um dos desafios que o cotonicultor enfrenta nas suas fazendas e UBAs. Entendendo que esse é um problema mitigável e a Abrapa está atuando para garantir que o nosso algodão mantenha o padrão de pureza e credibilidade reconhecido pelos mercados mais exigentes”, afirma o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero. Sobre as precauções que devem ser tomadas desde a escolha do plástico adequado para embalar o algodão nas colheitadeiras e o manejo na lavoura, até o transporte e a abertura dos rolinhos (módulos) nas UBAs, o documento destaca ações preventivas que podem ser tomadas para evitar perdas econômicas, já que os problemas causados pela presença de resíduos plásticos na pluma podem prejudicar a reputação do produto no mercado internacional. Além disso, reforça a importância da comunicação entre os elos da cadeia e do cumprimento das normas de segurança. Prevenir a contaminação tem impactos na qualidade do algodão, e consequentemente na competitividade no cenário internacional. De acordo com gerente de qualidade da Abrapa, Deninson Lima, “A contaminação por plásticos é evitável. Basta que cada etapa do processo seja conduzida com atenção, responsabilidade e comunicação. Essa disciplina é o que mantém o algodão brasileiro entre os mais valorizados do mundo”, destaca. Acesse a Nota Técnica “Prevenção da Contaminação por Plástico no Algodão”, ela está disponível para download no link: https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Nota-Tecnica-Contaminacao-Por-Plastico.pdf

Sou de Algodão destaca a moda rastreável na SPFW 2025
17 de Outubro de 2025

O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), retorna à São Paulo Fashion Week (SPFW) para seu 4º desfile, reafirmando o compromisso com uma moda que nasce no campo e floresce na passarela. A apresentação acontece no dia 17 de outubro, sexta-feira, às 19h, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Com o tema “Trajetórias”, a coleção é uma celebração do percurso da fibra nacional com certificação socioambiental pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) - um caminho que parte da terra, passa pelas mãos de agricultores e indústrias têxteis e chega à criação autoral de seis nomes expressivos da moda nacional. Os 36 looks all black a serem apresentados foram produzidos integralmente com algodão rastreável pelo programa SouABR. Rastreabilidade como estética e essência Nesta edição, o Sou de Algodão apresenta um retrato inédito da cadeia de valor da fibra no Brasil. A coleção a ser apresentada traz a trajetória da fibra que envolveu: 6 estados - Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Piauí; 41 municípios; 82 fazendas certificadas ABR; 61 produtores e grupos responsáveis pelo cultivo; 456 trabalhadores nas fazendas; 079 fardos de pluma de algodão; 5 fiações (936.164,28 kg de fio); 4 tecelagens (843,7 metros de tecidos); 1 malharia (29,47 kg de malha); 6 confecções / estilistas (81 peças assinadas pelos 6 estilistas). “Em Trajetórias, a rastreabilidade deixa de ser apenas um dado técnico e se transforma em linguagem estética. Cada peça carrega um código de origem e uma história verdadeira”, explica Silmara Ferraresi, gestora do movimento Sou de Algodão e diretora de Relações Institucionais da Abrapa. O presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, complementa: “Este desfile é o resultado da união de 61 produtores, seis indústrias e seis estilistas. Cada fio representa uma conexão real entre o campo e a criação - um símbolo de qualidade, rastreabilidade e compromisso coletivo com a moda responsável”. Da terra ao tecido: um ciclo completo de colaboração A coleção foi construída com algodão proveniente de propriedades certificadas pelo programa ABR, que garante padrões de sustentabilidade social, ambiental e econômica. As fibras cultivadas nos seis estados brasileiros foram transformadas em fios, tecidos e malhas por seis indústrias têxteis parceiras do movimento: Fio Puro (fiação) - 200 colaboradores. Reconhecida pelas certificações Better Cotton e pelo Prêmio Parceiro Estratégico Sustentável (Grupo Viveo); Cataguases (fiação e tecelagem) - 1.400 colaboradores. Certificações: Better Cotton, OekoTex100, EcoCert, EcoVero, LivaEco, Lixo Zero, ZDHC e Empresa Amiga da Criança; RenauxView (fiação e tecelagem) - 500 colaboradores; Santana Textiles (fiação e tecelagem) - 1.700 colaboradores, com certificações pela Better Cotton, Gateway, Higg-Index e Selo Verde (Jornal Meio Ambiente); Dalila Têxtil (malharia) - 700 colaboradores, com certificações OekoTex100 e Better Cotton; Vicunha Têxtil (fiação e tecelagem) - 6.000 colaboradores e ampla lista de reconhecimentos: Better Cotton, ISO14001, OekoTex100, RegenagriCS e Global Recycled Standard (GRS). Cada uma dessas empresas representa uma etapa essencial do percurso do algodão - da fiação à tecelagem, da malharia à confecção - compondo um retrato de colaboração e comprometimento com a rastreabilidade. Conceito criativo: o preto como ponto de encontro O conceito “Trajetórias”, criado por Paulo Borges, idealizador da SPFW e diretor criativo, ganha tradução estética pelo stylist Paulo Martinez, que retorna com uma leitura poética e simbólica do algodão. “O preto é a soma de todas as cores, o ponto de convergência de todos os caminhos”, explica Martinez. “Optamos por uma coleção all black como gesto de celebração, um black tie para comemorar os 30 anos da semana de moda paulistana. É sobre união, sobre o encontro de todos que fazem a moda existir, do campo à passarela”. A beleza, assinada por Jana Moraes, valoriza texturas sutis, brilho natural e variações de luz e sombra, destacando a fibra e sua versatilidade em diferentes volumes, pesos e superfícies. Os criadores e suas interpretações Alexandre Herchcovitch Com 29 colaboradores, o estilista traz uma alfaiataria de algodão que rompe com o imaginário casual e assume elegância e precisão. O tricoline, o denim cru e a sarja são apresentados em sua forma essencial, sem lavagens ou artifícios. “Meu desejo é que rastreabilidade e responsabilidade sejam o básico da moda. Que saber de onde vem o tecido seja tão natural quanto vesti-lo”, afirma Herchcovitch. ALUF Com 30 colaboradores, a marca dirigida por Ana Luísa Fernandes leva o algodão ao território da festa e da escultura. Vestidos volumosos, alças arquitetônicas e acabamentos delicados revelam o potencial sofisticado da fibra. “A rastreabilidade é parte da beleza. Saber a origem do tecido é o que dá sentido ao que fazemos”, diz Ana Luisa. Amapô A dupla Carô Gold e Pitty Taliani, com uma equipe de quatro pessoas, revisita o próprio arquivo de 20 anos para recriar peças icônicas em novas proporções e texturas. “Foi um exercício de desapego e de reconstrução. Cada peça renasce com a leveza de um novo começo”, conta Carô. David Lee Com sete colaboradores, o estilista cearense transforma o tema “Trajetórias” em metáfora visual: costuras e texturas que lembram estradas e mapas. A coleção mescla rusticidade e refinamento em looks que homenageiam o trabalhador rural e o consumidor urbano. “O algodão é o elo entre dois mundos. Minha coleção mostra o caminho que a fibra percorre, e as pessoas por trás dele”, reitera David. Fernanda Yamamoto Com 15 colaboradores, Fernanda leva o algodão a construções arquitetônicas de alta precisão. Suas peças combinam listras, origamis e alfaiataria contemporânea, provando a versatilidade da fibra. “O algodão é estrutura e suavidade, resistência e poesia. Ele é o corpo da moda brasileira”, define a estilista. Weider Silveiro Com sete colaboradores, Weider revisita a alfaiataria sob uma ótica fluida e sem gênero. Suas criações exploram contrastes entre o masculino e o feminino em tecidos de diferentes pesos. “Desconstruir o algodão é um ato de afeto. Ele é humano, respirável e real”, resume o estilista. O algodão como símbolo de união e propósito Em “Trajetórias”, produtores, indústrias e criadores dividem o mesmo palco. Cada peça carrega a identidade de 82 fazendas e 61 grupos produtores, espalhados por 41 municípios de seis estados - um retrato vivo de uma cadeia que emprega mais de 5.400 pessoas, com presença crescente de mulheres e inclusão de trabalhadores com deficiência. “Ver o Sou de Algodão na passarela da SPFW é testemunhar a força da moda brasileira quando ela se conecta à sua origem e projeta o futuro com consciência”, conclui Paulo Borges. “É o ciclo completo, da fibra à criação, transformado em beleza, colaboração e transparência”. Sobre Sou de Algodão Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 83% de toda a produção nacional de algodão.

CBRA inicia maratona 2025 de verificação e conformidade dos laboratórios do programa SBRHVI
14 de Outubro de 2025

O Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), iniciou em setembro de 2025 a maratona anual para a Verificação e Diagnóstico de Conformidade do Laboratório (VDCL) nas unidades de Mato Grosso, como parte do protocolo do programa Standard Brasil HVI (SBRHVI). As visitas técnicas abrangeram o Laboratório de Classificação de Algodão BV Kuhlmann, em Rondonópolis, o Laboratório Petrovina Sementes, em Pedra Preta, e o da Cooperfibra, em Campo Verde. O objetivo é garantir a transparência e a precisão dos resultados de análise de HVI. Para isso, são avaliados 55 itens da lista de VDCL, visando garantir que todos os laboratórios estejam em conformidade com os requisitos do programa. Durante as visitas, a equipe do CBRA observou se houve melhorias nos equipamentos e na conformidade dos processos laboratoriais. “Nesta rodada, foram verificados o atendimento aos requisitos mínimos obrigatórios para que os laboratórios possam participar do programa SBRHVI. Também orientamos as unidades em relação às conformidades, ao cumprimento de todas as normativas, a implementação do sistema de gestão da qualidade, com base na norma NBR ISO/IEC 17025, avaliando sua competência técnica e padronização”, explica Deninson Lima, gerente de qualidade da Abrapa. Os 3 pilares do SBRHVI Para padronizar os laboratórios de análises de algodão no país e assegurar a veracidade e a transparência das características intrínsecas da fibra, o SBRHVI estrutura suas ações em três pilares fundamentais. O primeiro deles é o de conformidade e integração aos programas do CBRA.  Através deles, os laboratórios recebem materiais de referência para verificação dos instrumentos de HVI e são monitorados. O segundo pilar é focado em todos os dados de qualidade gerados em um banco que organiza a nível nacional as informações, integrando com os demais programas da Abrapa, entregando rastreabilidade em toda a cadeia. Já o terceiro pilar é de orientação aos laboratórios e inclui treinamentos para equipes técnicas e feedbacks diários das amostras de referência. As visitas integram o terceiro pilar do programa SBRHVI, que por ser orientativo, tem o compartilhamento das documentações normativas, visando garantir a conformidade e precisão das análises de algodão em pluma por instrumento de HVI. Sobre o SBRHVI O programa Standard Brasil HVI (SBRHVI) representa a consolidação do compromisso da Abrapa com a excelência nas análises de algodão realizadas no país. Criado em 2016, o programa tem como finalidade assegurar a credibilidade dos resultados e, assim, fortalecer a transparência e a rastreabilidade das análises por instrumentos de alto volume (HVI) conduzidas pelos laboratórios de classificação instrumental em operação no Brasil. Para o diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, o SBRHVI marcou um avanço significativo na reputação do algodão brasileiro no mercado internacional, e ajudou a impulsionar as exportações. Para ele, “A tecnologia dos aparelhos HVI é reconhecida comercialmente em escala global, permite medições mais precisas do que a observação visual e registra características intrínsecas e extrínsecas da fibra, que influenciam diretamente no valor do produto e na sua adequação às exigências de cada comprador”, explicou o diretor. Atualmente, 83% da produção nacional conta com total transparência nos resultados de HVI, reflexo da ampla adesão dos produtores ao programa.

Sou de Algodão na SPFW 2025: moda rastreável assume protagonismo
13 de Outubro de 2025

O movimento Sou de Algodão, iniciativa da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), retorna à São Paulo Fashion Week (SPFW) para seu 4º desfile, na principal semana de moda do país, reafirmando a força de uma cadeia produtiva que une sustentabilidade, inovação e design. O desfile acontece no dia 17 de outubro, sexta-feira, às 19h, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Com o tema “Trajetórias”, a coleção celebra o caminho do algodão brasileiro com certificação socioambiental, desde o campo até a criação de moda autoral, com 36 looks all black, desenvolvidos no âmbito do programa de rastreabilidade SouABR (Algodão Brasileiro Responsável). Moda rastreável: o futuro é coletivo Nesta edição, o Sou de Algodão apresenta um panorama inédito da rastreabilidade da fibra no Brasil: são 82 fazendas, 61 produtores, seis estados e seis indústrias têxteis que integram a cadeia de custódia do algodão certificado ABR utilizado na coleção. “Em nosso quarto desfile na SPFW, a rastreabilidade do algodão brasileiro com certificação socioambiental assume o protagonismo”, explica Silmara Ferraresi, gestora do movimento Sou de Algodão e diretora de Relações Institucionais da Abrapa. “É uma trajetória coletiva que reúne produtores, indústrias e estilistas para mostrar que o futuro da moda é responsável e transparente”. O presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, reforça: “Cada peça é fruto de uma conexão genuína entre campo e passarela. O algodão brasileiro é símbolo de qualidade, rastreabilidade e compromisso com práticas responsáveis; valores que ganham forma e significado neste desfile”. Seis estados, uma só fibra O desfile reúne peças compostas por algodão cultivado na Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Piauí - estados onde o programa ABR certifica propriedades que seguem padrões sociais, ambientais e de governança. A coleção também evidencia a atuação de seis indústrias têxteis brasileiras que integram a cadeia de custódia do algodão: Cataguases e RenauxView - que assinam os tecidos de camisaria -, Santana Textiles e Vicunha - responsáveis pelos denim -, Dalila - que trabalha com malharia -, e Fio Puro, que representa a fiação, completando o ciclo da fibra até o tecido final. Cada novelo de fio, que virou rolo de tecido, que se transformou em cada look traz em si o percurso de uma fibra cultivada com responsabilidade, comprovada por um sistema de rastreabilidade, que conecta o produtor ao consumidor final. Trajetórias: conceito e styling por Paulo Martinez Para o stylist Paulo Martinez, o conceito “Trajetórias” nasce da ideia de celebrar os caminhos percorridos, do campo à criação, da fibra ao corpo. A escolha do all black traduz essa conexão de forma simbólica: o preto absoluto é o ponto onde todas as cores se encontram, como se cada etapa do processo convergisse em uma única expressão de unidade e força. “O conceito do all black veio de um lugar de comemoração, inspirado em uma festa black tie para celebrar os 30 anos da semana de moda paulistana”, explica Martinez. “Mais do que uma estética, é um gesto de respeito. Um agradecimento a todos que constroem a moda de forma consciente e coletiva”. Na passarela, 36 looks formam uma narrativa contínua que atravessa territórios, técnicas e linguagens. A cor única revela a essência do algodão, sua textura, peso, toque e movimento, sem distrações, permitindo que cada um dos seis estilistas traduza, à sua maneira, as infinitas possibilidades da fibra natural. Os criadores e suas trajetórias Alexandre Herchcovitch Herchcovitch propõe uma leitura sofisticada e emocional do algodão, deslocando-o de seu imaginário casual. Em sua coleção, o tricoline ganha leveza, o denim aparece cru e a sarja revela sua textura original, sem lavagens ou interferências. “O que mais me atrai no algodão é a percepção. Meu desejo é que a rastreabilidade seja algo natural, o básico da moda. Que todos saibam de onde vem o que vestem”, diz o estilista, cujo trabalho propõe uma moda honesta e essencial, em que a beleza surge do próprio material. ALUF A ALUF apresenta o algodão em sua forma mais inesperada: como matéria-prima de vestidos de festa e silhuetas escultóricas. São peças de volumes inusitados, alças em 3D e acabamentos delicados, que revelam a sofisticação e a versatilidade da fibra natural. A coleção mostra que o algodão também pode ser luxo, fluidez e emoção, sem perder sua essência sustentável. “Cada look traduz o encontro entre o artesanal e o contemporâneo. A rastreabilidade é parte da beleza; saber de onde vem o tecido é o que dá sentido ao que fazemos”, explica Ana Luisa Fernandes, diretora criativa da marca. Amapô A dupla Carô Gold e Pitty Taliani, da Amapô, parte de seu próprio arquivo de 20 anos para revisitar e reconstruir peças icônicas da marca. Cada look renasce em versão all black, como uma nova leitura sobre o passado; uma coleção que é também um gesto de memória e reinvenção. “Foi um exercício de desapego e de desconstrução do algodão”, conta Carô. “Recondicionamos o tecido para novos usos, como um vestido de festa feito inteiramente em malha piquet. A rastreabilidade, neste contexto, é tranquilizadora. Ela nos reconecta com o que movimenta o mundo”. David Lee Inspirado literalmente pelo tema “Trajetórias”, David Lee transforma o percurso  do algodão em metáfora visual: costuras e texturas se entrelaçam para formar desenhos que lembram estradas, mapas e fluxos. Sua coleção carrega referências utilitárias e campesinas, que equilibram rusticidade e refinamento. “O algodão é versátil, durável e tem uma modelagem impecável. As pessoas muitas vezes não sabem o caminho que a fibra percorre, e é esse o percurso que eu quis mostrar”, reitera. Em suas peças, cada dobra e cada costura contam uma história, representando o elo invisível entre o trabalhador do campo e o consumidor urbano. Fernanda Yamamoto Acostumada a experimentar técnicas artesanais e estruturas complexas, a Fernanda Yamamoto mergulha pela primeira vez em uma coleção composta inteiramente por algodão. Ela leva a fibra para lugares inesperados, com peças de arquitetura têxtil precisa, que combina listras, risca de giz e origamis. “O algodão é muito mais do que leveza ou casualidade. É uma fibra de construção, de resistência e de sutileza. Ele pode ser tudo, de estruturado a fluido”. Sua proposta convida à reflexão sobre a potência técnica e expressiva do algodão, e sobre como a moda pode ser simultaneamente artesanal, contemporânea e responsável. Weider Silveiro Weider revisita sua trajetória pessoal e propõe uma alfaiataria desconstruída em algodão, que desafia gênero e tradições. O estilista explora contrastes entre o feminino e o masculino, com cortes de precisão, volumes inesperados e tecidos de diferentes pesos. “Desconstruir a alfaiataria é prazeroso. O algodão é cheio de possibilidades, é confortável, respirável e humano. Saber de onde vem o tecido é um gesto de afeto, é sobre pessoas e não só sobre máquinas”, afirma o criativo, que sintetiza a essência do desfile ao afirmar a moda como expressão humana, consciente e conectada à origem. O algodão como símbolo de união Em “Trajetórias”, cada estilista percorre seu próprio caminho criativo, mas todos partem da mesma fibra: o algodão brasileiro certificado e rastreável. Das fazendas às passarelas, o desfile do Sou de Algodão reafirma que a moda do futuro é feita de colaboração, transparência e propósito. “A SPFW sempre foi um espaço de expressão e de transformação coletiva. Ver o Sou de Algodão celebrar essa trajetória é testemunhar a força da moda brasileira quando ela se conecta à sua origem, e projeta o futuro com consciência. Este desfile traduz a beleza do ciclo completo, da fibra à criação, e reafirma que inovação e responsabilidade caminham juntas no novo tempo da moda”, completa Paulo Borges, idealizador e diretor criativo da SPFW. Sobre Sou de Algodão Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 82% de toda a produção nacional de algodão.