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Iniciativas de sustentabilidades do algodão brasileiro reconhecidas pela WWF Brasil como exemplos, em evento em São Paulo
03 de Abril de 2025

Convidada pela WWF Brasil, uma das mais respeitadas entidades da sociedade civil organizada de defesa ambiental em todo o mundo, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) participou, na tarde desta quarta-feira (02), do evento “Tecendo o Futuro – Por uma cadeia responsável do algodão no Brasil”. O encontro reuniu, em São Paulo, a cadeia produtiva da fibra, indústria, tradings, varejistas nacionais e internacionais, bancos e o Governo para debater estratégias financeiras, agronômicas e de mercado, para um futuro mais sustentável. O diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, apresentou a evolução da cotonicultura no país e reforçou a importância da conscientização do mercado acerca da sustentabilidade do algodão brasileiro. Dentre os presentes, representantes da Better Cotton (BC), ANEA, ABIT, Appa, Agopa, SLC Agrícola, Louis Dreyfus Company, Rabobank, Renner, Capricórnio Têxtil, Grupo Veste Bem, Calvin Klein e Ikea. A Abrapa destacou os desafios que o setor algodoeiro enfrenta para manter sua competitividade e sustentabilidade. Entre as iniciativas em andamento, estão o monitoramento das emissões de gases de efeito estufa, realizado em parceria com Abiove, e estudos sobre o consumo e a qualidade da água. “Atualmente, 92% da produção de algodão no Brasil é realizada em sistema de sequeiro”, lembrou. Outro ponto abordado foi o avanço no uso de produtos biológicos para controle de pragas e doenças. “Cerca de 25% dos defensivos utilizados na cotonicultura brasileira são biológicos, com perspectivas de crescimento conforme avançam as pesquisas na área”, afirmou Portocarrero. O diretor também apresentou as 10 estratégias sustentáveis adotadas pela cotonicultura brasileira: Auditoria e Verificação; Bem-estar e segurança dos trabalhadores e produtores; Conservação da vegetação nativa nas propriedades; Uso Eficiente de Água; Energia Limpa; Proteção do Solo; MIP (Manejo Integrado de Pragas) e uso de biológicos; Uso Eficiente da Terra; Agricultura Digital e de Precisão e Rastreabilidade e Transparência. “A evolução do setor nas últimas décadas é uma prova de que é possível produzir mais e melhor, preservando recursos naturais e promovendo boas práticas ambientais e sociais”, afirmou, lembrando ainda a inclusão de pequenos produtores na cadeia produtiva do algodão, com a filiação recente da Associação dos Produtores de Algodão do Ceará à Abrapa. A entidade reforçou a importância de levar tecnologia e capacitação para pequenos produtores, permitindo que eles também façam parte da cadeia de valor do algodão brasileiro. Avanços reconhecidos O programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e a iniciativa SouABR foram reconhecidos pela WWF e painelistas como referências em certificação de boas práticas, transparência e rastreabilidade na cadeia produtiva, que podem embasar políticas públicas e de financiamento para um algodão livre de desmatamento ilegal e especulativo, e o enfrentamento das mudanças climáticas. “Como organização da sociedade civil, a gente, obviamente, vai continuar sempre crítico, puxando a régua, elevando o nível de exigências, porque a gente entende que esse é o nosso papel, como guardiões dessa agenda, mas também reconhecemos os avanços e queremos estar juntos, ajudando a catalisar os resultados para mostrar isso para outras cadeias. Provar que é possível, porque eu acho que é com bons exemplos que a gente se inspira. A gente vai continuar. Tem muita sinergia para tecer um tecido muito legal dentro desse setor. Então, eu agradeço a presença de vocês. O nosso time WWF está à disposição para a gente seguir em conversa para essa jornada”, finalizou a diretora de Relações Corporativas do WWF-Brasil, Daniela Teston.

Produção global de algodão em 2024/25 deve aumentar 7,38%
03 de Abril de 2025

A produção mundial de algodão deve alcançar 25,9 milhões de toneladas na temporada 2024/25, que começou em agosto passado, informou o Conselho Consultivo Internacional do Algodão (Icac, na sigla em inglês) em relatório mensal. O volume representa aumento de 7,38% ante a estimativa para a temporada 2023/24, de 24,12 milhões de toneladas. O consumo global de algodão em 2024/25 deve aumentar 2,28% ante a temporada anterior, para 25,53 milhões de toneladas. As exportações tendem a aumentar 0,65%, para 9,95 milhões de toneladas, disse o Icac. Já os estoques finais podem subir 1,94%, para 19,2 milhões de toneladas.

Algodão atinge maior preço nominal em 2 anos
03 de Abril de 2025

O preço médio do algodão em pluma atingiu, em março, o maior valor nominal dos últimos dois anos. O Indicador Cepea/Esalq, com pagamento em 8 dias, registrou uma média de R$ 4,2148 por libra-peso, o maior patamar desde abril de 2023, representando uma alta de 1,71% em relação a fevereiro de 2025. No entanto, em termos reais, ajustados pelo Índice Geral de Preços —  Disponibilidade Interna (IGP-DI) de fevereiro de 2025, o valor foi 8,32% inferior ao de março de 2024. O motivo do recorde, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), é a posição firme dos vendedores nesta entressafra, que estão atentos à valorização dos contratos da Bolsa de Nova York e à alta do Índice Cotlook A (referente à pluma posta no Extremo Oriente). Segundo os pesquisadores do Cepea, os produtores estão se capitalizando com a entrega dos produtos vendidos antecipadamente em contratos a termo ou ainda com a comercialização da soja da nova temporada. Em relação ao mercado de compra e vendas imediatas, o spot nacional, as negociações ficaram limitadas por mais um mês, porque os compradores e vendedores tiveram dificuldade em chegar a um acordo sobre preço e qualidade dos lotes disponibilizados. A variação diária de preços do algodão pode ser conferida no site do Cepea.

Nota de Falecimento - Francisco Renato Linhares Tavares
02 de Abril de 2025

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) manifesta seu profundo pesar pelo falecimento de Francisco Renato Linhares Tavares, ocorrido em 1º de abril de 2025. Renato foi um profissional admirável, cuja dedicação e contribuição para o setor algodoeiro deixaram um legado significativo. Ao longo de sua trajetória, atuou como membro do Conselho de Administração da Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), no mandato 2017/2019, e integrou a Junta de Corretores de Algodão no biênio 2021/2023. Seu trabalho colaborou com o desenvolvimento da cadeia do algodão no Brasil, contribuindo para a valorização e a solidez do setor, sempre com compromisso e profissionalismo. Neste momento de dor, expressamos nossas mais sinceras condolências à família, amigos e colegas de trabalho. Que encontrem conforto nas lembranças e no impacto positivo que Renato deixou em todos que tiveram o privilégio de conviver com ele. Abrapa

Abrapa realiza reuniões estatutárias e alinha estratégias para o futuro do algodão brasileiro
02 de Abril de 2025

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) dedicou o dia 1º de abril às suas reuniões estatutárias. A 1ª Sessão Ordinária do Conselho de Administração e a 1ª Assembleia Geral Ordinária de Representantes foram realizadas presencialmente na sede da entidade, em Brasília, onde foram apresentados e aprovados os resultados dos programas estratégicos da instituição. Esse processo possibilita um planejamento estruturado para as próximas ações, reforçando o compromisso da Abrapa com a transparência na comunicação, garantindo que todas as associadas tenham acesso às informações de maneira clara e objetiva. Para Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa, a assembleia foi extremamente produtiva. “Tivemos a participação das estaduais, trocamos informações, ideias, aprovamos o orçamento para 2025 e planejamos as ações ao longo do ano. Foi uma discussão saudável e produtiva, que nos permitiu alinhar estratégias para fortalecer ainda mais o algodão brasileiro. Seguiremos focados em produzir com sustentabilidade, qualidade e rastreabilidade, sempre trabalhando em parceria com as estaduais”, destacou. O presidente da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa), Haroldo Rodrigues da Cunha, enfatizou o movimento contínuo da Abrapa para aprimorar seus processos e consolidar a posição do Brasil no mercado global. “Mais uma vez, vemos a Abrapa se movimentando para melhorar seus projetos e sua gestão, sempre atenta à qualidade e à posição que o Brasil conquistou no setor. Devemos reforçar os programas de orientação aos produtores, desde a entrega do algodão na usina de beneficiamento até todas as etapas subsequentes. Além disso, buscamos fortalecer ainda mais o programa ABR, garantindo seu reconhecimento mundial”, explicou. Já para Orcival Gouveia Guimarães, presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), a razão de existência da Abrapa e das associações estaduais é, acima de tudo, o produtor. “Nós, produtores, precisamos assumir nossas responsabilidades. Cuidar do meio ambiente e, principalmente, das pessoas. Não faz sentido apenas aumentar a produção sem olhar para a sustentabilidade social, ambiental e para a conservação do solo, que é nossa maior riqueza. Isso não deveria ser uma cobrança externa, mas um compromisso natural do setor”, afirmou. Durante a assembleia, foi aprovada a prestação de contas do exercício de 2024, incluindo o orçamento previsto e realizado entre janeiro e dezembro, além dos saldos bancários, em 31 de dezembro de 2024. A proposta de parecer do relatório da auditoria externa, conduzida pela Ernst & Young, também recebeu aprovação, assim como o orçamento para o exercício de 2025. Além disso, os conselheiros deliberaram sobre a reestruturação do Plano de Comunicação da entidade e aprovaram 18 pontos estratégicos para o posicionamento do algodão brasileiro na Ásia, por meio do Cotton Brazil, consolidando as diretrizes da entidade para o mercado internacional. As decisões tomadas foram resultado dos apontamentos discutidos no período da manhã, durante a sessão do Conselho de Administração. Na ocasião, além das questões financeiras, também foi debatida a recomposição dos Grupos de Trabalho da Abrapa para o biênio 2025/2026, fortalecendo a governança e a eficiência das iniciativas do setor. Outro ponto aprovado foi a atualização do regulamento do programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), que visa aprimorar ainda mais os processos de padronização e qualidade do algodão brasileiro.

O SAI está aberto para operação na safra 2024/2025
01 de Abril de 2025

A partir de hoje, 1º de abril de 2025, o Sistema Abrapa de Identificação (SAI) está disponível, na safra 2024/2025, para cadastramento de novas Unidades de Beneficiamento de Algodão (UBA) e solicitação de etiquetas e lacres de mala para aquelas que já operam na plataforma. Se esta é sua primeira vez no SAI, fique tranquilo. A Abrapa oferece suporte para te orientar durante o processo. Em caso de dúvidas, entre em contato pelo e-mail atendimento.sistemas@abrapa.com.br ou pelos números +55 61 99675-8527 e +55 61 99809-7748. Com o sistema já disponível, é hora de se organizar. O ideal é antecipar providências como a cotação das etiquetas SAI e dos lacres de mala, garantindo que tudo esteja pronto no momento certo. Para facilitar, basta acessar a lista de gráficas homologadas no site da Abrapa: https://abrapa.com.br/graficas-cadastradas-para-fornecimento-de-etiquetas/ A safra 2024/2025 também traz novidades na etiqueta SAI. O QR Code agora segue o padrão GS1 Digital Link, com um nível de correção de erros H, garantindo mais qualidade na leitura. A etiqueta SAI está 5 mm mais fina, aproveitando melhor a matéria-prima sem comprometer a qualidade. O liner ficou ainda mais leve e sustentável, com 60g, nas etiquetas SAI e lacres de mala produzidos em vinil. Antes de recadastrar sua UBA, confira se todas as informações estão atualizadas. É importante revisar os dados da unidade, como razão social, código Sipeagro, CNPJ ou CPF, além de detalhes sobre beneficiamento e localização. Se houver alguma alteração na prensa, como tipo de embalagem, capacidade de fardo por hora ou sistema de amarração, é essencial atualizar essas informações também. Na hora de solicitar as etiquetas e lacres, defina a quantidade com antecedência, escolha entre BOPP ou vinil e, se precisar atualizar o logotipo, siga o padrão recomendado: preto e branco, no formato JPG/JPEG, com dimensões de 9,00 cm x 4,50 cm e tamanho máximo de 10MB. Acesse a área do SAI no portal da Abrapa (https://abrapa.com.br/sai-sistema-abrapa-de-identificacao/) e garanta um processo tranquilo e organizado para a nova safra. Atenciosamente Equipe Abrapa

Abrapa e Better Cotton reforçam parceria em visita estratégica ao Brasil
31 de Março de 2025

A visita de seis dias ao Brasil das diretoras da Better Cotton chegou ao fim na sexta-feira (28), com um encontro estratégico na sede da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). O momento foi marcado pela apresentação das percepções da viagem e pela oportunidade de conhecer o novo presidente da entidade, Gustavo Piccoli, que assumiu o cargo este ano. A presença de Lena Staafgard, COO da Better Cotton, e Iveta Ouvry, Senior Director of Programmes, reforçou a parceria consolidada entre as organizações, desde 2013, quando iniciaram o processo de benchmarking entre seus programas de certificação socioambiental. O Algodão Brasileiro Responsável (ABR), da Abrapa, tem sido referência nessa colaboração, fortalecendo a sustentabilidade e as boas práticas da cotonicultura brasileira no cenário global. “Foi uma oportunidade extremamente produtiva para discutirmos questões relacionadas à certificação. Encerramos essa agenda com maior segurança quanto à renovação da parceria, reafirmando nosso compromisso com as certificações ABR e Better Cotton”, destacou Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa. Durante a reunião, a Abrapa apresentou propostas para aprimorar as certificações do algodão brasileiro. “No próximo mês, estaremos em Londres para mais uma rodada de reuniões e estamos confiantes de que avançaremos ainda mais nas negociações, alinhando os próximos passos dessa parceria estratégica. A visita ao Brasil foi essencial nesse processo, e somos gratos por essa troca enriquecedora”, afirmou. O diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, apresentou um panorama amplo sobre a produção de algodão no Brasil, ressaltando os avanços que consolidaram o país como líder global em exportação da commodity em 2024. Em sua apresentação, ele detalhou os pilares estratégicos da entidade – rastreabilidade, qualidade, promoção e sustentabilidade – reforçando o compromisso da Abrapa em posicionar o algodão brasileiro no mercado internacional com excelência e competitividade. “Apresentamos o crescente interesse dos produtores pelas práticas sustentáveis no cultivo do algodão e os números do ABR no país, que crescem a cada ano”, acrescentou. Para Álvaro Moreira, Senior Manager Large FarmProgrammes and Partnerships da Better Cotton, a semana no Brasil foi fundamental para o alinhamento entre as entidades. “O mundo exige que cada um de nós faça mais esforços, e é por meio da colaboração que atingiremos nossos objetivos. Essa semana foi essencial para estreitar ainda mais as relações entre a Abrapa, a Better Cotton e os produtores, além de fortalecer nossa conexão com as associações estaduais”, ressaltou. Visita ao Brasil A programação das diretoras da Better Cotton no Brasil foi marcada por uma série de compromissos, incluindo diálogo com produtores, encontros com representantes da cadeia do algodão e debates sobre os avanços do setor. Na segunda-feira (24), a equipe realizou visitas técnicas em Mato Grosso, conhecendo de perto as práticas adotadas no campo e as inovações implementadas pelos cotonicultores. No dia seguinte (25), aconteceu uma reunião na Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), onde foram discutidas iniciativas para fortalecer ainda mais a parceria entre Better Cotton e Abrapa. Na quarta-feira (26), as diretoras participaram do I Encontro do Diálogo Multissetorial do Algodão Brasileiro, que reuniu steackholders de diversos setores para debater desafios e oportunidades da cotonicultura sustentável. Encerrando a agenda de visitas, no dia 27 de março, elas conheceram a Fazenda Pamplona da SLC Agrícola, onde acompanharam de perto as operações da empresa e discutiram boas práticas de produção.   ABR Criado em 2012, o Programa ABR integra a estratégia de sustentabilidade da Abrapa, que se apoia em quatro pilares fundamentais: sustentabilidade, qualidade, rastreabilidade e promoção. Cerca de 83% da produção de algodão do Brasil já é certificada pelo ABR, seguindo as melhores práticas sustentáveis, mesmo sendo de adesão voluntária. O protocolo abrange toda a legislação trabalhista nacional, normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), legislação ambiental, Código Florestal e boas práticas agrícolas. Esse esforço reforça a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional, garantindo uma origem confiável e sustentável para a fibra.

A aposta de uma marca brasileira no algodão rastreável para crescer 25% neste ano
31 de Março de 2025

Nem só de renda vive a Martha Medeiros, marca de vestuário brasileira que ficou conhecida por peças feitas à mão, principalmente com renda. O negócio, hoje gerido por Gélio Medeiros, filho da fundadora e que cresceu 30% nos últimos três anos, projeta um crescimento de 25% só neste ano. A aposta? O algodão rastreável. Sem abrir os números oficiais do faturamento, o CEO afirma que o momento não poderia ser mais propício. O algodão brasileiro ganhou notoriedade nas exportações na safra 2023/24, superando os Estados Unidos nos embarques globais da fibra. Na temporada passada, o Brasil produziu 3,7 milhões de toneladas, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). "A adoção do algodão rastreável tem influenciado as decisões de compra dos consumidores. Quando conseguimos unir essa excelência com um diferencial como a rastreabilidade, isso impacta diretamente na escolha dele. Ele não está apenas buscando um item de alta qualidade, mas também um compromisso com a sustentabilidade e a transparência", diz o executivo. O grande diferencial do uso do algodão rastreável está no que ele oferece ao consumidor que, segundo Medeiros, busca entender de onde vêm as peças de roupa. A fibra rastreável permite que o consumidor conheça todas as etapas do processo de produção — do plantio na fazenda à transformação em fio na fábrica, até a chegada à loja. "Com esse sistema, acompanhamos cada etapa da produção — do plantio à confecção — seguindo os mais altos padrões de qualidade e sustentabilidade. Todos os elos da cadeia produtiva têm recebido essa mudança de forma muito positiva", afirma Medeiros. Desde a última coleção, a Martha Medeiros tem investido em reforçar o papel do algodão em seu processo produtivo. O ponto central foi destacar o algodão plantado no campo Martha Medeiros, localizado na Fazenda Progresso, no Piauí — a unidade ocupa 140 mil hectares e é responsável por toda a fibra utilizada pela marca. Todo o catálogo, inclusive, foi fotografado nas plantações de algodão, reforçando a conexão entre o produto final e sua origem. A iniciativa da marca conta com o apoio da Abrapa e do movimento Sou de Algodão — iniciativa da entidade e do setor produtivo para incentivar o uso do algodão brasileiro — em um momento em que as fibras sintéticas, como o poliéster, ganham espaço por seu valor mais competitivo. "O movimento une todos os agentes da cadeia produtiva do algodão e da indústria têxtil que produzem peças com, no mínimo, 70% de algodão na composição. Aproximar o algodão do consumidor final é a grande missão do movimento e isso se faz por meio de mais de 1.700 marcas parceiras que usam a fibra como matéria-prima e a transformam nos mais diversos produtos", diz Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa. Segundo a entidade, com expectativa de crescimento de área plantada estimada em 10,3% — 2,145,5 milhões de hectares — em 2024/2025, a safra brasileira de algodão deve chegar a 3,95 milhões de toneladas do produto beneficiado (pluma). Além do incremento de área e produção, o setor pode registrar um aumento de até 20 mil toneladas no consumo da indústria nacional, que no ano passado fechou em 750 mil toneladas. O Brasil também tem ampliado seu mercado externo, exportando para além da China, com destaque para países como Egito, Paquistão e Índia. Mulheres rendeiras A iniciativa do algodão rastreável está sendo implementada de forma gradual. Inicialmente, será aplicada no jeans e, em seguida, expandida para a produção das rendas. Esse processo é mais complexo, diz o CEO da marca, já que a produção das rendas é descentralizada, com as rendeiras localizadas em sítios distintos — o que demanda um cuidado extra na coordenação. “Para nós, essa transição não é tão desafiadora, pois não trabalhamos com produção em larga escala — somos uma marca de nicho, com peças exclusivas e produção mais controlada. No entanto, olhando para o mercado todo, o principal desafio é garantir que, ao longo de toda a cadeia produtiva, não haja mistura de algodão não certificado, mantendo a pureza e integridade do material”, afirma Além do algodão, há o projeto com as mulheres rendeiras, que valoriza o trabalho artesanal. A iniciativa, que existe desde o início da marca, treina e gera renda para 250 mulheres atualmente e, segundo ele, já mudou a vida de inúmeras delas. “Muitas delas conseguiram, por exemplo, pagar a faculdade dos filhos e garantir uma vida mais digna para suas famílias. No campo social, o projeto contribuiu para a reforma de duas escolas, a construção de 16 casas para a população local, 19 poços e a distribuição de mais de 1 mil óculos, além de programas médicos que beneficiam essas comunidades”, diz.