notícias

FAO e Brasil renovam aliança para fortalecer a cooperação Sul-Sul trilateral no Sul Global
12 de Março de 2026

O Governo do Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) assinaram, durante o 39º período de sessões da Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe, um novo acordo de cooperação técnica Sul-Sul trilateral para continuar trabalhando, juntamente com os governos dos países do Sul Global, pela transformação dos sistemas agroalimentares. Com base em sua bem-sucedida experiência em políticas e programas de combate à fome e à pobreza, o Brasil mantém seu firme compromisso de compartilhar conhecimentos, experiências e lições aprendidas por meio da cooperação Sul-Sul. A FAO conta com mais de 40 anos de experiência como promotora e facilitadora da cooperação Sul-Sul e da cooperação trilateral nas áreas de agricultura, segurança alimentar e nutricional. Com este novo acordo, prevê-se ampliar a participação de instituições brasileiras no intercâmbio de conhecimentos e experiências para o fortalecimento de capacidades de países do Sul Global. Além disso, busca-se implementar novas iniciativas conjuntas e continuar contribuindo para o avanço das agendas regionais e globais que têm como objetivo erradicar a fome e reduzir as desigualdades por meio de políticas inclusivas voltadas aos que mais necessitam. O documento foi assinado na última quinta-feira (05/03) pela diretora-geral adjunta da FAO, Beth Bechdol, e pelo diretor da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), Embaixador Ruy Pereira. Ao longo dos últimos 18 anos, a FAO e o Governo do Brasil trabalharam juntos, com foco prioritário na América Latina e no Caribe, compartilhando conhecimentos e boas práticas por meio do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil–FAO. Essa atuação conjunta tem promovido o fortalecimento de capacidades em áreas prioritárias como segurança alimentar e nutricional, alimentação escolar, agricultura familiar, fortalecimento de cadeias produtivas como a do algodão, desenvolvimento rural sustentável e governança da terra. A cooperação técnica de instituições brasileiras tem sido fundamental, juntamente as contribuições da FAO como plataforma neutra, facilitadora e catalisadora de políticas que podem ser adaptadas e ampliadas para outros países. Além disso, foram incorporadas duas novas iniciativas que reforçam a cooperação: uma voltada ao fortalecimento dos sistemas agroalimentares urbanos dirigidos a populações vulneráveis, e outra focada na melhoria dos sistemas públicos de abastecimento de alimentos, ampliando o alcance e o impacto da cooperação na região. Resultados Ao longo da trajetória de cooperação entre a FAO e o Brasil, foram alcançados importantes resultados na América Latina e no Caribe, entre os quais se destacam: A capacitação de mais de 40 mil profissionais em alimentação escolar, com impacto direto em1,6 milhão de estudantes de mais de 23 mil escolas, por meio da metodologia de Escolas Sustentáveis. A criação da Rede de Alimentação Escolar Sustentável (RAES), que atualmente reúne 18 países e promove o intercâmbio de experiências e o fortalecimento de políticas públicas na região. O fortalecimento de sistemas produtivos diversificados no âmbito do Projeto +Algodão, com a participação de mais de 100 instituições cooperantes. A iniciativa já beneficiou mais de14 mil famílias e cerca de 10 mil produtores, ampliando o acesso à inovação, aos mercados e contribuindo para a melhoria da renda rural. O avanço na modernização dos sistemas de informação sobre a terra na América Latina e no Caribe, por meio do intercâmbio de experiências e boas práticas em governança territorial e uso sustentável dos recursos naturais. O fortalecimento de políticas públicas para a agricultura familiar no âmbito da Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar do MERCOSUL (REAF). O apoio ao fortalecimento da resiliência de países do Corredor Seco da América Central frente à mudança climática, por meio da introdução de inovações nos sistemas produtivos. O incentivo à inclusão de mulheres e jovens, promovendo sua participação nos diferentes projetos. Alianças estratégicas A atuação na região tem contado com a participação de pelo menos 13 instituições brasileiras que compartilham experiências e políticas públicas bem-sucedidas, promovem o intercâmbio de boas práticas e fortalecem redes e espaços de diálogo sobre políticas públicas em nível regional e sub-regional, gerando benefícios mútuos entre os países do Sul Global. Entre as instituições participantes estão o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização de Terras (Empaer-PB) e a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).   [embed]https://www.youtube.com/watch?v=4A6TSVmAqeY[/embed]

CBA 2026 apresenta programação macro com foco em ciência aplicada, decisão no campo e conexão com o mercado
11 de Março de 2026

O 15º Congresso Brasileiro de Algodão (CBA), que acontece de 22 a 24 de setembro de 2026, no Expominas BH, em Belo Horizonte (MG), divulgou a programação macro da próxima edição, estruturada para oferecer uma jornada completa de conhecimento técnico, científico e estratégico aos congressistas. Com uma curadoria que prioriza a aplicabilidade da ciência no campo, o CBA organiza sua programação em diferentes formatos, plenárias, hubs técnicos, workshops e minicursos, permitindo que o participante escolha como aprofundar seus conhecimentos de acordo com seus interesses e desafios profissionais. Plenárias estruturam o debate técnico e estratégico As Plenárias ocupam um papel central na programação e estão divididas em dois formatos complementares. A Plenária Técnica é dedicada ao aprofundamento científico, reunindo conteúdos de ciência, manejo, inovação aplicada e soluções práticas para o campo. É um espaço voltado à atualização técnica e à tomada de decisão baseada em conhecimento, reunindo especialistas e um público altamente qualificado. Já a Plenária Conexões amplia o olhar sobre a cotonicultura ao integrar conhecimento técnico a temas como mercado, estratégia, liderança, sustentabilidade e visão setorial, promovendo reflexões que conectam ciência, contexto econômico e futuro do setor. As plenárias acontecem nos três dias de evento, sempre no período da manhã, estruturando o início da programação diária.  Hubs Técnicos aprofundam temas estratégicos da cotonicultura No período da tarde, e atendendo a pedidos, a programação se concentra em 4 Hubs Técnicos, painéis simultâneos voltados a conteúdos mais específicos e aprofundados. Organizados por temas estratégicos da cadeia do algodão, os hubs permitem uma comunicação mais direcionada e qualificada, com públicos segmentados por interesse, aprofundando debates técnicos, apresentação de dados, experiências práticas e soluções aplicáveis à realidade da lavoura. Workshops e minicursos ampliam a experiência prática No terceiro dia do Congresso, o CBA dedica espaço exclusivo aos Workshops e Minicursos, formatos que estimulam a participação ativa dos congressistas. Os Minicursos oferecem palestras com maior interação com o público, permitindo perguntas, quizzes e aprofundamento em temas específicos. Já os Workshops são atividades práticas, em que o participante vivencia processos, troca experiências e aplica o conhecimento técnico na prática. A estrutura da programação do 15º CBA reforça o compromisso do Congresso em oferecer mais tempo de conteúdo técnico, diversidade de formatos e uma experiência que vai além da palestra tradicional. Ao longo dos três dias, os participantes poderão transitar entre ciência aplicada, debates estratégicos, aprofundamento técnico e experiências práticas, construindo uma jornada de aprendizado alinhada às demandas reais do campo e aos desafios atuais da cotonicultura brasileira. Sobre o CBA O Congresso Brasileiro de Algodão (CBA) é o principal fórum técnico e científico da cotonicultura nacional. Realizado a cada dois anos, o evento reúne produtores, pesquisadores, empresas, consultores e lideranças do setor para discutir os principais desafios da produção de algodão no Brasil. A programação inclui plenárias, painéis técnicos, apresentação de trabalhos científicos, área de exposição, workshops e espaços de troca entre os diferentes elos da cadeia produtiva.

15º Congresso Brasileiro de Algodão abre inscrições em 1º de abril
11 de Março de 2026

O 15º Congresso Brasileiro de Algodão (CBA) abre oficialmente suas inscrições no dia 1º de abril, marcando o início da contagem regressiva para o principal encontro técnico- científico e institucional da cadeia algodoeira no Brasil. O evento será realizado de 22 a 24 de setembro de 2026, no ExpoMinas, em Belo Horizonte (MG), e terá como tema central “Algodão brasileiro, fibra natural: uma jornada com propósito, qualidade e transparência”. Reconhecido como o maior fórum de debate da cotonicultura nacional, o CBA reúne produtores, pesquisadores, estudantes, empresas, técnicos e tomadores de decisão para discutir os principais desafios, avanços científicos, tecnologias e tendências que impactam o setor. A programação contempla plenárias, hubs técnicos, workshops e minicursos, apresentação de trabalhos científicos e uma área de exposição com empresas da cadeia produtiva. As inscrições estão organizadas em diferentes categorias. São considerados filiados os associados ativos na safra 2024/2025 de uma das associações estaduais vinculadas à Abrapa — Abapa, Acopar, Agopa, Amapa, Amipa, Ampa, Ampasul, Apaece, Apap, Apipa e Appa. Já os patrocinadores correspondem exclusivamente aos representantes das empresas ou instituições que estarão presentes na área de exposição do 15° CBA. A categoria estudantes é destinada a alunos de graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado, que deverão anexar, no momento da inscrição, um comprovante digital de vínculo acadêmico, além de apresentá-lo fisicamente no credenciamento do evento; nessa modalidade, a inscrição é individual, para pessoa física, e não pode ser realizada por empresas. A categoria destinada a autores de trabalhos científicos contará com o benefício de ter o mesmo valor de inscrição em todos os lotes. Por fim, a categoria não filiados contempla os congressistas que não se enquadram como filiados, patrocinadores, estudantes e autores de trabalhos científicos. O Congresso contará com diferentes lotes de inscrição, com valores progressivos conforme a proximidade do evento, incentivando a inscrição antecipada. Os valores variam de acordo com a categoria escolhida, e todas as informações detalhadas — incluindo política de compras, regras e condições — estão disponíveis no site oficial do congresso. A inscrição dá acesso à programação técnico-científica completa, às plenárias, às salas temáticas, workshops, minicursos, à área de exposição e aos espaços de relacionamento, coffee breaks e almoço. Além disso, o congressista ainda terá serviço de transfer inter hotéis – oferecido exclusivamente aos participantes e patrocinadores, que realizarem suas reservas nos hotéis oficiais através da agência oficial, o kit congressista e certificado – gerado online e poderá ser acessado a partir de dois dias úteis após o Congresso. O pagamento poderá ser realizado via Pix, cartão de crédito à vista ou cartão de crédito parcelado, sendo que eventuais juros do parcelamento são de responsabilidade do participante. Além das inscrições, o dia 1º de abril também marca a abertura do período de submissão de trabalhos científicos para o 15º CBA, que terá o regulamento disponível em breve. Pesquisadores, estudantes, professores, profissionais do setor e demais interessados poderão submeter seus estudos, que integram um dos pilares centrais do Congresso e reforçam o compromisso do evento com a ciência aplicada e a inovação no campo. Mais informações sobre inscrições, categorias, valores estão disponíveis nas redes sociais e no site oficial do Congresso Brasileiro do Algodão: https://congressodoalgodao.com.br/inscreva-se/ Sobre o CBA O Congresso Brasileiro de Algodão (CBA) é o principal fórum técnico-científico da cotonicultura nacional. Realizado a cada dois anos, o evento reúne produtores, pesquisadores, empresas, consultores e lideranças do setor para discutir os principais desafios da produção de algodão no Brasil. A programação inclui plenárias, painéis técnicos, apresentação de trabalhos científicos, área de exposição, workshops e espaços de troca entre os diferentes elos da cadeia produtiva.

Abrapa publica Relatório Mensal de Estatística do Cotton Brazil de março
11 de Março de 2026

Nesta quarta-feira, 11 de março, a Abrapa publicou o novo Relatório Mensal de Estatística do Cotton Brazil. O material reúne as informações atualizadas da Abrapa, Conab, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), USDA e IMEA, em um só lugar. Confira os principais destaques desta edição: Produção brasileira - A produção em 2025 (safra 2025/2026 USDA ou 2024/2025 CONAB/ABRAPA) 4,25 milhões de toneladas, um aumento de 14,71% em relação à safra passada. Dados da Abrapa - O USDA passou a adotar a estimativa de produção da Abrapa no seu último relatório. Exportação - O Brasil segue na liderança mundial como maior exportador, detendo 33% do mercado, superando os Estados Unidos, que possuem 27%. Exportação mensal - Em fevereiro de 2026 foram exportadas 270 mil toneladas de algodão. Ano comercial 2025/2026 - De agosto de 2025 a fevereiro de 2026, o Brasil já exportou 1.992 mil toneladas, registrando um aumento de 87 mil toneladas se comparado com o mesmo período do ano comercial passado. Principais Compradores - A China continua sendo o principal destino da pluma brasileira, com 29% de participação no acumulado de 2025/26, seguida por Bangladesh (15%) e Turquia (13%). Vias de Exportação - O Porto de Santos é a principal via de saída do algodão brasileiro, responsável por 91% das exportações no período de 2025/26. Algodão no mundo - A China lidera a estimativa da produção de algodão no mundo com 7,73 milhões de toneladas, seguida pela Índia com 5,12 milhões de toneladas, e pelo Brasil com 4,25 milhões. Índia - De acordo com o USDA a tendência é de aumento nas importações na Índia, que registrou um crescimento de 17% em fevereiro de 2026, em comparação com o mesmo mês do ano passado. Estoque global - Deverá chegar a 16,63 milhões de toneladas 2025/2026, um crescimento de 3,57% em relação à safra anterior. Para saber mais, acesse o relatório completo: https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Relatorio_Mensal_CB_Marco.pdf

Relatório de qualidade de fevereiro: Dados apontam alto padrão da fibra brasileira na safra 2024/2025
11 de Março de 2026

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) divulgou o relatório de qualidade referente ao algodão beneficiado em fevereiro da safra 2024/2025, consolidando dados das análises realizadas nos laboratórios do Programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), que monitora a fibra processada em 13 laboratórios participantes em todo o país. Até 28 de fevereiro de 2026, foram registradas as análises de 16.018.698 fardos, quantidade que representa a avaliação de praticamente toda a produção nacional da última safra, estimada em cerca de 4,25 milhões de toneladas de algodão em pluma. Indicadores de Qualidade e Desempenho O relatório aponta os seguintes índices de conformidade para as principais características da fibra na safra 2024/2025: Micronaire (MIC): 95,8% das amostras situam-se no intervalo de 3,50 a 4,90. Resistência (STR): 96,5% da produção apresenta resistência igual ou superior a 28 gf/tex. Comprimento (UHML): 93,9% da fibra possui comprimento mínimo de 1,11 polegadas. Uniformidade (UI): 94,8% das amostras registram índice de uniformidade igual ou superior a 80%. Fibras Curtas (SFI): 79,4% da produção apresenta índice de fibras curtas menor ou igual a 10%. Brilho (Rd) e Amarelamento (+b): O grau de reflectância (Rd ≥ 75) atingiu 85,9%, enquanto 78,1% da safra cumpre o parâmetro de amarelamento (≤ 9). Estrutura e Transparência As análises são conduzidas por uma rede de laboratórios que operam com 90 equipamentos de HVI. O Mato Grosso concentra a maior estrutura, com 9 laboratórios e 62 equipamentos, seguido pela Bahia, com uma unidade e 16 equipamentos. O sistema é supervisionado pelo Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), em Brasília.Calendário Operacional* Embora a colheita ocorra majoritariamente entre junho e setembro, o beneficiamento e as análises de HVI da safra 2024/2025 estendem-se até o março de 2026. Os dados completos são atualizados diariamente e podem ser consultados via plataforma de Business Intelligence (BI) desenvolvida pela Abrapa para monitoramento da qualidade do algodão. Veja o relatório completo: https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Relatorio-de-Qualidade-do-Algodao-Fev-26.pdf E acesse a plataforma de B.I. da qualidade do algodão brasileiro: https://abrapa.com.br/sbrhvi

Câmara Setorial do Algodão realiza 1ª reunião de 2026 buscando alternativas para altos custos e competitividade
09 de Março de 2026

Em sua primeira reunião de 2026, realizada nesta segunda-feira, 09 de março, a Câmara Setorial do Algodão e Derivados analisou o atual cenário de produção da pluma, que atualmente enfrenta de margens apertadas e desafios estruturais para uma das commodities mais importantes da balança comercial brasileira. O encontro reuniu produtores, exportadores e representantes da indústria têxtil para proposição de soluções para os desafios macroeconômicos nacionais e em meio à tensão da geopolítica internacional. O setor enfrenta a alta nas taxas de juros da economia, o encarecimento do diesel e o retorno da incidência de PIS/Cofins sobre fertilizantes. Somado a isso, o aumento do preço do barril de petróleo acima dos US$100, em decorrência do conflito entre Irã e Estados Unidos, eleva os custos do frete internacional. O desafio da competitividade De acordo com o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (ANEA), Dawid Wajs, a qualidade do algodão brasileiro está cada dia melhor, atingindo um alto padão em características intrínsecas nunca vistos anteriormente, isso permitiu o acesso do Brasil a mercados mais exigentes. No entanto, o avanço técnico esbarra no consumo global totalmente estagnado. O baixo preço do poliéster continua sendo um dos maiores desafios para os produtores de algodão, que ao invés de disputarem mercado com as fibras sintéticas estão concorrendo entre si, o que não resolve o problema do consumo. “Apesar da competitividade logística brasileira no subcontinente asiático, acordos bilaterais dos Estados Unidos com grandes compradores, como Índia e Bangladesh, têm deslocado a demanda para a fibra norte-americana", analisou Wajs. Estratégias para aumentar a demanda Diante da paralisia do consumo mundial, o setor busca alternativas. O diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, apresentou quatro eixos de ação do Cotton Brazil para recuperação de mercado e impulsionamento de vendas do algodão brasileiro. O trabalho será focado no desenvolvimento de Políticas públicas; Inteligência e alinhamento internacional; P&D e parcerias; Comunicação e promoção. Para o presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, o aumento do consumo do algodão deve estar mais atrelado ao valor agregado do que na diminuição dos custos. "Não conseguiremos diminuir o custo, mas podemos aumentar o reconhecimento de atributos como certificações ambientais, características do algodão e outras qualidades do algodão brasileiro", afirmou. Pimentel também citou a saída da Indorama, indústria petroquímica asiática com filial no Brasil, da produção de poliéster no Brasil por falta de competitividade. Tensões regulatórias Durante a reunião, o Diretor Executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, citou as ações da Abrapa para contornar possíveis impactos na cadeia do algodão de uma série de políticas de governo. A primeira a ser abordada, foi a política de preços mínimos para o algodão brasileiro. O preço mínimo definido pelo governo federal atualmente é de R$ 114 por arroba, valor que já não reflete a realidade produtiva do algodão. A entidade propôs ao Ministério da Agricultura o reajuste para R$ 122 por arroba. De acordo com Portocarrero, “A conjuntura global não é favorável, tanto de mercado de consumo de fibras naturais quanto do aumento de custo de produção no que tange o frete e os fertilizantes. Não sabemos o impacto futuro da guerra entre Estados Unidos e Irã. Todos esses fatores tendem a influenciar o custo de produção”. No âmbito do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), o governo federal, sinaliza a preparação de um banimento de agrotóxicos considerados ultra perigosos. A proposta que visa reduzir o uso de defensivos químicos no campo pode afetar a produtividade do setor agrário se não for trabalhado enquanto política pública que leve em consideração a competitividade do setor produtivo nacional. A preocupação do setor é que o Pronara se transforme em um instrumento que extrapole competências legais e ameace o Marco Regulatório dos Defensivos. Em relação ao projeto de modernização da jornada de trabalho no Brasil, Portocarrero confirmou que a Abrapa assinou manifesto proposto pela Frente Parlamentar da Agropecuária para que o projeto de lei que pretende modificar a escala de trabalho não prejudique o desenvolvimento da cotonicultura nacional. Entrada da Abiove na Câmara Setorial Uma das novidades anunciadas na reunião foi a entrada da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) como membro da Câmara Setorial. Visando o interesse do mercado asiático em caroço do algodão e farelo, a Abiove, representada pela consultora Fátima Parizzi, destacou a necessidade de alinhar o desenvolvimento de sementes com a produtividade da fibra, tratando a cultura como uma cadeia produtiva integral. Próximo encontro A próxima reunião do setor ocorrerá no dia 25 de junho, durante o ANEA Cotton Dinner, quando espera-se que os desdobramentos do pedido de reajuste do preço mínimo já tenha resposta oficial do governo.  

No Ano da Mulher Agricultora, operadora de máquinas viraliza nas redes
08 de Março de 2026

A jovem de vinte anos, Ilana Dourado, viralizou nas redes sociais após publicar um vídeo onde conduz um trator de alta potência sobre um horizonte na lavoura de algodão. Gravado na época de plantio de algodão no Maranhão, o vídeo já ultrapassa 2 milhões de visualizações. O conteúdo repercutiu como uma representação da transformação da presença feminina na agricultura brasileira. A jovem se destacou por lidar com uma rotina que exige precisão técnica e domínio de tecnologia. Em dias de bom ritmo, chega a conduzir o plantio de até 130 hectares de algodão. Ilana não seguiu a profissão por um sonho de infância, mas encontrou na operação de máquinas agrícolas uma carreira de alta performance. “Não foi bem o que eu sonhei, mas é o que eu soube desenvolver e pretendo continuar. Me sinto realizada”, afirma no vídeo. A experiência da jovem reflete um ponto central para a FAO no Ano Internacional da Mulher Agricultora: o acesso à capacitação técnica como fator decisivo para reduzir desigualdades históricas e ampliar oportunidades para mulheres no campo. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) instituiu 2026 como o ano da Mulher Agricultora. Além de dar visibilidade para casos como o da Ilana, a iniciativa visa acelerar a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres nos sistemas agroalimentares. Apesar de histórias inspiradoras como a da jovem, o desafio da agricultura global é escalar essa inclusão. A FAO aponta que, mesmo desempenhando papel central na produção de alimentos, as mulheres ainda enfrentam desigualdades no acesso a recursos, tecnologia, crédito e formação técnica. O Ano Internacional da Mulher Agricultora 2026 surge como um chamado para ampliar políticas públicas, investimentos e programas de capacitação regionalizados. Ilana é uma das jovens que teve a oportunidade de participar do curso de operadoras de máquinas oferecido pelo programa Semear, projeto voltado à formação de mulheres operadoras de máquinas. O Semear é uma iniciativa da SLC Agrícola em parceria com a Associação Maranhense de Produtores de Algodão (AMAPA), que promove a qualificação de mulheres para fortalecer a equidade de gênero no agronegócio. Voltado à formação técnica e inserção profissional no campo, o programa combina teoria e prática em operação de máquinas agrícolas. Por outro lado, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) tem intensificado ações para ampliar a participação feminina na cotonicultura nacional. O país é o maior exportador mundial da pluma, e o Maranhão, onde llana atua na Fazenda Potência, no município de Balsas (MA), consolidou-se como um novo polo de tecnologia e produtividade na cotonicultura. A mudança cultural no ambiente de trabalho também impacta diretamente o bem-estar das mulheres no campo, como revela Ilana, que destaca o respeito e a educação dos colegas como parte da rotina. Segundo ela, “Os meninos são bem-educados, quando eu não sei de alguma coisa eles procuram ajudar e todos me respeitam. A gente se sente à vontade”.

Dia Internacional da Mulher: pesquisadoras ajudam a definir os rumos da ciência na cotonicultura brasileira
08 de Março de 2026

O avanço da cotonicultura brasileira nas últimas décadas está diretamente ligado ao desenvolvimento científico e tecnológico aplicado ao campo. Por trás de muitas dessas inovações, há um número crescente de mulheres pesquisadoras atuando em áreas estratégicas da cadeia do algodão — do melhoramento genético ao manejo de pragas, da qualidade de fibra à biotecnologia. No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA) destaca a contribuição dessas profissionais que, por meio da ciência, ajudam a impulsionar a competitividade do Brasil em uma das commodities agrícolas mais estratégicas do país. A presença feminina na pesquisa agro tem crescido de forma consistente nos últimos anos, ampliando a diversidade de perspectivas e fortalecendo a capacidade de inovação do setor. Entre essas cientistas está Poliana Regina Carloni, doutora em Genética e Melhoramento de Plantas e pesquisadora da empresa Lyntera. Atuando diretamente no desenvolvimento de novas cultivares, ela destaca que a pesquisa científica é um dos principais motores para o avanço da cotonicultura. “A pesquisa científica é fundamental para a geração de cultivares com maior produtividade e resistência a estresses bióticos e abióticos. Isso permitirá avanços contínuos da cotonicultura brasileira na produção mundial, reduzindo a necessidade do uso de defensivos e viabilizando a cultura em diferentes áreas”, explica a pesquisadora. Segundo Poliana, além de ganhos em produtividade e sustentabilidade, a ciência também abre caminhos para novas oportunidades de mercado. “Outro fator importante é a agregação de valor com a produção de fibras especiais, o que pode aumentar a competitividade da cultura nesse nicho do mercado mundial”, afirma. Ela ressalta ainda que o avanço da pesquisa depende de um ecossistema colaborativo entre instituições públicas, empresas privadas e produtores rurais. “Vale destacar também a importância das parcerias entre o setor público e o privado, pois elas permitem que o conhecimento gerado chegue até os produtores. E, por fim, devemos estar sempre atentos às novas demandas e aos novos desafios que vão surgindo”, acrescenta. Outra pesquisadora que integra esse grupo de profissionais dedicadas ao desenvolvimento da cotonicultura é Natália Ribas, pesquisadora em Entomologia e Plantas Daninhas do Instituto Goiano de Agricultura (IGA). Atuando diretamente em áreas ligadas ao manejo de pragas e à sustentabilidade das lavouras, ela reforça que a ciência é essencial para enfrentar os desafios cada vez mais complexos da produção agrícola. “A pesquisa científica é um dos pilares fundamentais para a evolução da cotonicultura brasileira. É por meio dela que conseguimos desenvolver tecnologias, estratégias de manejo e soluções inovadoras capazes de aumentar a produtividade, reduzir custos e, ao mesmo tempo, promover sistemas de produção mais sustentáveis”, afirma. Segundo Natália, diante de um cenário marcado pela alta pressão de pragas, resistência a tecnologias e necessidade crescente de eficiência no uso de insumos, a pesquisa tem papel decisivo na construção de estratégias mais inteligentes de manejo. “A pesquisa permite entender melhor a dinâmica das lavouras e propor manejos cada vez mais integrados, como o uso de biotecnologia, produtos biológicos e estratégias de manejo integrado de pragas”, explica. Ela também destaca que o conhecimento gerado no país fortalece a posição do Brasil no mercado internacional. “A pesquisa fortalece a competitividade do Brasil no mercado global, pois gera conhecimento adaptado às condições tropicais e às realidades do nosso produtor, contribuindo para uma produção de algodão cada vez mais eficiente, responsável e alinhada às demandas ambientais e de mercado”. Mais mulheres na ciência do agro A presença feminina na ciência aplicada ao agronegócio também tem se ampliado de forma significativa, especialmente nos programas de pós-graduação e nas equipes de pesquisa. Para Poliana Carloni, esse movimento representa um avanço importante não apenas em termos de equidade, mas também para a qualidade das decisões estratégicas no setor. “Eu vejo o crescimento da presença feminina na pesquisa agro com muita alegria, porque está cada vez mais comum vermos mulheres exercendo, com muita competência, cargos de liderança tanto no setor público quanto no privado”, afirma. Ela também destaca o impacto positivo dessa diversidade para o desenvolvimento da ciência. “Esses avanços trazem um impacto muito positivo para todo o setor, pois aumenta a diversidade de perspectivas. Muitas vezes, as mulheres têm uma visão estratégica diferenciada, com um olhar mais atento, sensível, humano e integrador.” Natália Ribas também avalia que o aumento da presença feminina na pesquisa tem contribuído para ampliar o potencial de inovação no setor. “O crescimento da presença feminina na pesquisa agro é extremamente positivo e representa um avanço importante. A ciência se fortalece quando há diversidade de perspectivas, experiências e formas de pensar, e a participação das mulheres tem contribuído muito para ampliar a qualidade das discussões e das soluções desenvolvidas para o campo.” Segundo a pesquisadora, cada vez mais mulheres têm assumido posições de liderança na produção de conhecimento científico. “Hoje vemos mulheres liderando projetos, coordenando pesquisas e ocupando posições estratégicas dentro de instituições, empresas e universidades. Isso não apenas amplia a representatividade no setor, mas também inspira novas gerações de pesquisadoras e profissionais do agro.” Para ela, esse movimento tem impacto direto na capacidade do setor de enfrentar desafios complexos da agricultura contemporânea. “Esse crescimento promove ambientes mais colaborativos, inovadores e diversos, fatores essenciais para enfrentar os desafios da agricultura moderna.” O fortalecimento da pesquisa científica é um dos pilares do Congresso Brasileiro do Algodão, considerado o principal fórum técnico da cadeia produtiva no país. O evento reúne pesquisadores, produtores, empresas e especialistas para discutir os principais desafios e oportunidades do setor, além de apresentar os avanços mais recentes da ciência aplicada à cultura. Ao ampliar a presença feminina na ciência e na liderança técnica do setor, a cotonicultura brasileira não apenas fortalece sua base de conhecimento, mas também constrói um caminho mais diverso, colaborativo e preparado para os desafios do futuro. Sobre o CBA O Congresso Brasileiro de Algodão (CBA) é o principal fórum técnico e científico da cotonicultura nacional. Realizado a cada dois anos, o evento reúne produtores, pesquisadores, empresas, consultores e lideranças do setor para discutir os principais desafios da produção de algodão no Brasil. A programação inclui plenárias, painéis técnicos, apresentação de trabalhos científicos, área de exposição, workshops e espaços de troca entre os diferentes elos da cadeia produtiva.