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Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados: Abrapa divulga estimativa de produção recorde para a safra 2024/2025
23 de Setembro de 2025

O Brasil está prestes a bater mais um recorde na produção de algodão, segundo estimativas divulgadas pelo presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gustavo Piccoli, durante a reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados, realizada na manhã da última terça-feira, 23/09. O encontro contou com a presença de representantes das principais associações de produtores do país vinculadas à Abrapa, da indústria têxtil, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e da Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM). De acordo com os dados apresentados, a safra 2024/2025 deverá alcançar 4,11 milhões de toneladas de algodão. O volume estimado surpreendeu os produtores, que avaliam estratégias para comercializar toda a produção. Produção nos principais estados brasileiros A presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Alessandra Zanotto, informou que a produção surpreendeu os cotonicultores do estado, onde a produção deve atingir 816 mil toneladas, uma projeção de aumento de 15% em relação à safra 2023/2024. Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mato Grosso do Sul registrou a maior produtividade por hectare. O diretor executivo da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores de Algodão (Ampasul), Adão Hoffmann, destacou que o desempenho surpreendeu, já que as lavouras foram atingidas por chuvas nos meses que antecederam a colheita. Ainda assim, o terço médio e o ponteiro do algodão apresentaram bom desenvolvimento, e a qualidade da fibra melhorou em termos de comprimento e micronaire. Em Minas Gerais, terceiro maior produtor do país, os resultados ficaram abaixo do esperado. Problemas climáticos reduziram o volume colhido, embora a qualidade da fibra não tenha sido comprometida. Mato Grosso mantém a liderança nacional na produção de algodão. De acordo com o diretor executivo da Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Décio Tocantins, o estado colheu 2,9 milhões de toneladas, o que representa cerca de 70% da pluma produzida no Brasil. A produtividade estimada, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), deve ser 5,6% maior em relação ao ciclo 2023/2024. Driblando a demanda global Houve consenso entre os presentes de que o principal desafio do setor é a estabilidade da demanda global. Em um cenário de alta produção, a demanda atual não sustenta uma recuperação dos preços, que seguem pressionados pela grande oferta de pluma. Como medida paliativa, Piccoli, apresentou a proposta de criação do Programa de Financiamento Especial para Estocagem de Produtos Agropecuários (FEE) voltado ao algodão em pluma. Segundo ele, a possibilidade de estocagem elimina a necessidade de venda imediata, fortalece o poder de negociação do produtor e permite esperar por condições mais favoráveis de exportação, evitando liquidações forçadas em períodos de preços deprimidos. O projeto foi levado por representantes da Abrapa, da Ampa e do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) ao ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, na última sexta-feira (19/09). A proposta será oficializada via Câmara Setorial ainda em setembro, para discussão conjunta com o Mapa e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Consumo interno de algodão O diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, atualizou os participantes sobre o consumo de fibras pela indústria brasileira. Segundo ele, o Brasil produziu 132 milhões de toneladas de fibras têxteis, das quais 77,7 milhões foram de poliéster e 24,5 milhões de algodão, que representaram 19% do total. Apesar da inadimplência e dos juros elevados, que limitam o consumo das famílias, a indústria segue crescendo e gerando empregos. O principal desafio, contudo, é que o Brasil importa mais roupas do que exporta. Para Pimentel, o consumo interno de algodão só aumentará se houver maior produção por parte das confecções. Com uma defesa comercial mais firme, o país poderia aumentar a produção de vestuário e reduzir a dependência de tecidos sintéticos utilizados, por exemplo, na indústria automotiva. Expectativas para as exportações Miguel Fauss, ex-presidente e atual conselheiro da Anea, ressaltou que a China,maior compradora do algodão brasileiro, deverá reduzir suas aquisições neste ano. O país, que também é o maior produtor mundial da fibra, colheu mais algodão na última safra e adota postura cautelosa diante da crise nas relações com os Estados Unidos. Ainda assim, há espaço para expansão em outros mercados, como a Índia. Outro fator que influencia a competitividade, segundo Fauss, é o preço do petróleo. Sua queda tende a baratear a produção de fibras sintéticas, levando as indústrias a optarem pelos tecidos fósseis como forma de ampliar margens de lucro, o que pode reduzir a procura pela fibra natural brasileira.

Entidades do agro lançam manifesto e cobram plano nacional de logística no Brasil
22 de Setembro de 2025

A conclusão do 1º Fórum de Geopolítica e Logística do Agro, em Brasília, resultou no lançamento do Manifesto pela Logística do Agro Brasileiro, divulgado nesta sexta-feira (19). O texto é assinado  por Gustavo Viganó Piccoli, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa); Mauricio Buffon, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil); e Orcival Gouveia Guimarães, presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa). O documento afirma que o Brasil já provou sua força em ciência, tecnologia e produtividade, mas perde competitividade na hora de exportar por causa de estradas precárias, pontes frágeis, atraso na expansão ferroviária e portos lentos e burocráticos. “É urgente um plano nacional para modernizar nossas rodovias, evitando caminhões atolados em estradas precárias ou pontes de madeira que se desfazem a cada inverno. O transporte sobre trilhos precisa deixar de ser promessa e se tornar alternativa real, com uma malha ferroviária conectada, integrada e capaz de oferecer solução de ponta a ponta”, diz o documento. A falta de armazéns obriga produtores a vender rapidamente e com menor valor agregado, enquanto o déficit de energia desestabiliza agroindústrias e sistemas de irrigação. Custo Brasil e disputa desigual “Hoje, nossos produtos levam mais tempo e custam mais para chegar aos compradores finais. Esse cenário, agravado pelo chamado ‘Custo Brasil’ e por uma Selic considerada desproporcional,  cria uma disputa desigual com concorrentes internacionais que contam com logística moderna e infraestrutura mais robusta”, afirma o manifesto. O que o manifesto defende As entidades pedem um plano nacional que priorize rodovias seguras, ferrovias integradas, hidrovias navegáveis, portos modernos e sistemas de armazenagem mais robustos, para que a logística “deixe de ser obstáculo e passe a ser a chave que abre portas de competitividade e desenvolvimento”. “O diagnóstico é claro: não há mais espaço para adiar investimentos estruturantes na logística nacional.” Soberania e urgência O manifesto ressalta que investir em logística não é apenas facilitar a vida do produtor. É garantir soberania alimentar, geração de emprego, renda e o futuro do país. A mensagem final é de urgência e coordenação entre produtores, reguladores, financiadores, gestores públicos e sociedade: “O futuro não espera. O Brasil também não pode esperar”.  

Entidades lançam Manifesto pelo Agro e defendem investimentos em logística
22 de Setembro de 2025

Três associações de produtores divulgaram nesta sexta-feira, 19, um manifesto em defesa do agronegócio brasileiro. O documento, assinado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) e Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) defende que a logística deixe se ser um gargalo para se transformar em um pilar de competitividade e de crescimento para o País. As reivindicações são fruto das discussões promovidas durante o 1º Fórum de Geopolítica e Logística, realizado em Brasília no último dia 10 de setembro, e destacam que, apesar de o Brasil ter se consolidado como potência agrícola, os entraves logísticos comprometem prazos, elevam custos e reduzem a competitividade frente a concorrentes internacionais que contam com infraestrutura mais moderna. Além disso, aponta que o déficit de armazéns e o alto “Custo Brasil” pressionam o produtor e limitam a geração de valor. No texto, as entidades cobram a implementação de políticas de Estado voltadas para: rodovias seguras; ferrovias integradas e funcionais; hidrovias navegáveis; portos modernos e menos burocráticos; ampliação da capacidade de armazenagem; fornecimento estável de energia elétrica para sustentar a produção e a agroindústria. Para as associações, não há mais espaço para adiar investimentos estruturantes. Elas afirmam que investir em logística significa não apenas dar melhores condições ao setor produtivo, mas também garantir soberania alimentar, geração de emprego e fortalecimento da economia nacional. “A logística é a chave — e ela precisa girar, com o esforço conjunto de produtores, governo, reguladores, financiadores e sociedade”, argumentam. Clique aqui para ler o documento na íntegra O evento O 1º Fórum de Geopolítica e Logística foi organizado pelas Abrapa em parceria com as duas outras associações. O objetivo foi debater os principais desafios para o agro e quais as medidas que devem ser tomadas agora para ampliar as exportações de produtos brasileiros com qualidade e segurança. Quem estava presente assistiu a dois painéis: um sobre a diversificação dos modais de transporte e escoamento da safra brasileira, e outro sobre a atuação de agências reguladoras e obstáculos da infraestrutura de abastecimento no País. Fonte: https://agro.estadao.com.br/agropolitica/entidades-lancam-manifesto-pelo-agro-e-defendem-investimentos-em-logistica

Representantes da Abrapa apresentam programa de estocagem de algodão ao Ministro da Agricultura e Pecuária
19 de Setembro de 2025

Na última quinta-feira, 18/08, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gustavo Piccoli, reuniu-se com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, para solicitar ao Governo Federal o estabelecimento de uma linha de crédito para a estocagem de algodão em pluma. Ele esteve acompanhado do diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, do diretor executivo da Associação Mato-Grossense de Produtores de Algodão (Ampa), Décio Tocantins, e do presidente do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), Alexandre Schenkel. Com o objetivo de possibilitar que os produtores estoquem parte da produção e evitem liquidações forçadas em um mercado em queda, o programa pretende fortalecer a competitividade internacional da pluma brasileira. A proposta também busca mitigar as perdas dos cotonicultores e garantir o fornecimento de algodão para a indústria têxtil em períodos futuros. De acordo com Gustavo Piccoli, “A implementação do programa poderá aliviar a pressão de venda imediata ao oferecer uma estrutura que aumente o poder de barganha da produção nacional, contribuindo para estabilizar os preços internos no curto prazo e ajustar os fluxos de exportação conforme as oportunidades comerciais.” Medida provisória para renegociação de dívidas Na ocasião, Piccoli também manifestou preocupação com o alto grau de endividamento dos produtores, fator que dificulta o acesso a novos financiamentos. Em resposta às solicitações, o ministro Fávaro informou que o governo brasileiro está tomando providências para viabilizar medidas que possibilitem a renegociação das dívidas, por meio da edição de uma medida provisória específica. Previsibilidade e segurança Segundo Piccoli, garantir previsibilidade de renda e segurança ao produtor é fundamental para que o Brasil continue produzindo em larga escala e mantendo a liderança nas exportações da fibra. “O Brasil é referência mundial na produção sustentável de algodão. Para consolidar essa posição, é urgente a adoção de instrumentos de política agrícola anticíclica, capazes de assegurar renda e segurança ao produtor”, destacou o presidente da Abrapa.

Após a realização do Fórum Geopolítica e Logística, Abrapa, Ampa e Aprosoja lançam Manifesto pelo Agro Brasileiro
19 de Setembro de 2025

No documento, as entidades se posicionaram em defesa de uma política de Estado que priorize rodovias seguras, ferrovias integradas, hidrovias navegáveis, portos modernos e armazenagem robusta. Leia o Manisfeto na íntegra: Manifesto - Fórum Geopolítica e Logística

Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa - 19/09/2025
19 de Setembro de 2025

Destaque da Semana - As principais entidades representativas dos três maiores exportadores mundiais de algodão — Brasil, Austrália e Estados Unidos — reuniram-se esta semana em um encontro considerado histórico. A iniciativa pode marcar o início de uma aliança estratégica voltada ao fortalecimento da demanda global por algodão. Canal do Cotton Brazil - Quer se manter atualizado sobre o mercado de algodão no mundo? Participe: https://bit.ly/Canal-CottonBrazil. Algodão em NY - O contrato Dez/25 fechou nesta quinta 18/set cotado a 66,90 U$c/lp (+0,3% vs. 11/set). O contrato Dez/26 fechou em 69,66 U$c/lp (+0,4% vs. 11/set). Basis Ásia - O Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 750 pts para embarque Out/Nov-25 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 18/set/25. Altistas 1 - Chineses voltam a importar volumes significativos, com agosto sendo o maior nível desde março, reduzindo estoques nos portos. Altistas 2 - Fed corta juros. Redução de 0,25 p.p., apesar de ser ainda tímida, melhora perspectivas para consumo. Altistas 3 - O mercado consumidor americano, maior do mundo, está mostrando sinais de força, com as vendas no varejo aumentando significativamente pelo terceiro mês consecutivo em agosto. Altistas 4 - A melhoria dos indicadores de qualidade desta safra do Brasil tem sido um comentário frequente no mercado. Baixistas 1 - Excesso de oferta de algodão persiste e pode piorar se a safra americana continuar em ótimas condições. Baixistas 2 - Problemas bancários reduzem ritmo de importações de algodão em Bangladesh. Baixistas 3 - Consumo chinês moderado com vendas Varejo aumentando 3,4% em agosto, abaixo das expectativas. Baixistas 4 - Subsídios na Índia com preços mínimos bem acima do mercado oferecem possibilidades de exportação para lá no curto prazo mas incentivam muito a produção local. Mundo 1 - O USDA revisou suas estimativas globais para a safra 2025/26, com produção aumentada para 25,62 milhões tons (+230 mil tons em relação a previsão do mês passado), consumo para 25,87 milhões (+184 mil tons). Mundo 2 - Com revisões feitas nos números de 24/25, os estoques finais previstos para 25/26 caíram para 15,9 milhões de tons, o menor volume em 4 anos. EUA 1 - Segundo o USDA, a estimativa de produção de algodão dos EUA para setembro é de 2,87 milhões tons*, ligeiramente acima dos 2,86 milhões tons projetados no mês anterior. EUA 2 - A safra americana vai bem e pode ser maior que a estimativa do USDA. As lavouras de algodão dos EUA classificadas como boas + excelentes caíram para 52% (-2 p.p. semanal). Na mesma semana de 2024, apenas 39% das lavouras estavam nessas condições. China 1 - Importações chinesas de algodão em agosto foram de 70 mil tons (maior volume desde março, mas -53% vs 2024). No acumulado de 2025, totalizaram 583 mil tons (-73% vs 2024). China 2 - O Ministério da Agricultura chinês revisou a produção de algodão 2025/26 para 6,36 milhões tons (+110 mil tons). Os estoques finais foram ajustados para 8,21 milhões tons (-20 mil tons). China 3 - Os números oficiais do governo Chinês para produção estão bem abaixo das estimativas de mercado, que chegam até 7,2 milhões de tons em 25/26. Índia 1 - A Cotton Association of India revisou suas projeções de importações para 2024/25 para 697 mil tons e produção para 5,31 milhões tons. Índia 2 - Dados do Ministério do Comércio apontam importações de 58 mil tons em julho, elevando o total 2024/25 para 662 mil tons (recorde). Principais fornecedores foram Brasil (21%), Austrália (20%), EUA (19%) e ZFA (19%). Paquistão - A PCGA alerta para riscos à safra de algodão no Paquistão devido a ondas de calor, chuvas fortes, inundações e vírus do enrolamento da folha, apesar do aumento de 40% nas entregas de algodão em caroço até 15/set. Bangladesh - Uma delegação comercial dos EUA visitará Bangladesh esta semana para discutir tarifas. Dhaka busca negociar a redução dos direitos "recíprocos" de 20% sobre suas exportações de têxteis e vestuário para o mercado americano. Austrália - A safra australiana de algodão foi estimada em 4,1 milhões de fardos, mas há indicações de que esse número pode estar subestimado em cerca de 300 mil fardos. Vietnã - As importações vietnamitas de algodão em agosto foram de 134.973 tons (-7% vs julho). EUA foi o maior fornecedor (50% do total), seguido por Austrália (19%) e Brasil (14%). Encontro - O XV Encontro Regional de Pesquisadores de Algodão da América Latina e Caribe foi realizado de 9 a 11/set na Argentina, com participação da Abrapa e representantes de nove países. O objetivo foi desenvolver agenda conjunta para o crescimento sustentável da cotonicultura regional. Logística - Abrapa, Ampa e Aprosoja realizaram o Fórum Geopolítica e Logística em Brasília (10/set) com debates sobre diversificação de modais de transporte, gargalos logísticos e desafios legais para exportações. Assista à transmissão: https://bit.ly/ForumGeoLog Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 63,9 mil tons nas duas primeiras semanas de setembro/25. A média diária de embarque é 20,9% menor que no mesmo mês em 2024. Colheita 2024/25 - Até o dia de ontem (18/09), foram colhidos no estado da BA (94,4%), GO (97,21%), MA (100%), MG (97%), MS (100%), MT(99,9%), PI (100%), PR (100%) e SP (100%). Total Brasil: 98,82%. Beneficiamento 2024/25 - Até o dia de ontem (18/09), foram beneficiados nos estados da BA (58%), GO (67,4%), MA (35%), MG (65%), MS (63%), MT (34%), PI (62,08%), PR (100%) e SP (95%). Total Brasil: 40,86%. Preços - Consulte tabela abaixo ⬇ Quadro de cotações para 18-09 Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com

Abrapa participa do lançamento do programa AgroEspecialistas do Algodão 
18 de Setembro de 2025

Na última quarta-feira, 17/09, a Bayer promoveu o lançamento do programa AgroEspecialistas do Algodão. O evento, que ocorreu em Brasília, contou com a presença com o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gustavo Piccoli, que realizou a abertura oficial da edição 2025 do programa, e reforçou a parceria de ambas as instituições em prol da cotonicultura nacional.   O lançamento ofereceu aos presentes cinco palestras com lideranças do setor, além de duas mesas redondas para fomentar a troca de informações, conteúdos e cocriações para a cultura do algodão. Participam do programa AgroEspecialistas do Algodão um grupo seleto de 12 consultores e líderes técnicos da cotonicultura nacional que buscam aprimorar seus conhecimentos e construir redes ativas com o setor.   Parceria entre a Bayer e os produtores de algodão   Durante o seu discurso de abertura, Piccoli destacou a longa parceria entre a Abrapa e a Bayer e falou da importância da realização de programas como o AgroEspecialistas para o fortalecimento da cadeia produtiva do algodão.  De acordo com Piccoli, “A Bayer tem sido uma parceira fundamental. Seja apoiando projetos da Abrapa, a exemplo do Congresso Brasileiro do Algodão e do movimento Sou de Algodão, que atualmente são duas das maiores referências na promoção da fibra brasileira, seja no desenvolvimento de soluções tecnológicas que dão mais eficiência e competitividade ao produtor.”  Desde a criação do Sou de Algodão, a Bayer aderiu ao movimento com o intuito de promover o diálogo entre a produção do algodão desde o campo até o consumidor final. Essa parceria também se estende à realização do Congresso Brasileiro do Algodão, que acontece a cada dois anos e promove as melhores práticas da cotonicultura e o uso consciente da fibra na moda.  Essencial para a cotonicultura  Para Piccoli, programas como o AgroEspecialistas são fundamentais para o bom desenvolvimento da cotonicultura no país. “O Brasil é hoje um dos maiores produtores e exportadores de algodão do mundo, com reconhecimento internacional pela qualidade da fibra e pela sustentabilidade do nosso sistema produtivo. Essa posição só foi alcançada porque, ao longo dos anos, unimos forças em projetos estratégicos que envolvem pesquisa, inovação, tecnologia e, principalmente, pessoas comprometidas com a evolução do setor”.  Por ser focado no compartilhamento de conhecimento e na geração de soluções inovadoras, o AgroEspecialistas do Algodão pretende aproximar consultores da realidade das fazendas, dando suporte técnico e estratégico aos produtores. “São esses profissionais que transformam inovação em resultados concretos e que ajudam o produtor a tomar decisões mais assertivas e sustentáveis”, afirmou o presidente da Abrapa. 

Representantes do agronegócio se reúnem com especialistas e governo para discutir soluções para logística e infraestrutura
18 de Setembro de 2025

Na última quarta-feira, 10/09, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) em parceria com a Associação Mato-Grossense de Produtores de Algodão (Ampa) e com a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), realizou o Fórum Geopolítica e Logística, em Brasília. A programação teve mais de oito horas de debate, dividida em dois painéis e uma palestra sênior. O vice-presidente da Abrapa, Paulo Sérgio Aguiar participou da abertura do evento, ao lado do presidente da Ampa, Orcival Guimarães, e o presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon. Na ocasião, Paulo Aguiar defendeu que, para minimizar os impactos dos problemas logísticos do país é necessário que exista um projeto nacional. De acordo com o vice-presidente, “Nós crescemos exponencialmente nos últimos anos, em relação à produção agrícola e dos produtos para exportação, mas infelizmente em termos de logística e infraestrutura o Brasil fica muito aquém”. Aguiar também falou sobre os gargalos enfrentados pelos produtores rurais atualmente, "De Sorriso até o porto de Santos, levamos quase uma semana para colocar um caminhão de pluma, mais de 45 dias para pôr esse contêiner na Ásia. Isso nos deixa frágeis perante os concorrentes.”, ponderou. Para o coordenador do Fórum e especialista em logística, Luís Antônio Pagot, o país precisa solucionar três tópicos centrais para que haja uma melhoria logística efetiva: o custo Brasil; mais investimentos em infraestrutura; e a necessária desburocratização. Segundo Pagot, “O custo Brasil tem crescido especialmente nos últimos dois anos, a ponto de começar a inviabilizar negócios brasileiros no exterior. Essa é uma questão muito grave.” O presidente da Ampa, representante do estado que mais produz algodão e grãos do Brasil, reforçou alguns dos problemas enfrentados pelos produtores da região. “Mato Grosso é como um país continental. Temos um déficit enorme de infraestrutura, com muitas pontes de madeira que precisam ser substituídas. É uma luta diária”. Portos, trilhos e navegação: os caminhos para o Brasil mais eficiente No primeiro painel, o superintendente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Alessandro Baumgartner, o gerente do Observatório IBI, Bruno Pinheiro, o coordenador temas ambientais da Organização Marítima Internacional (IMO), Flávio Mathuiy e a Diretora da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), Flávia Takafashi falaram sobre a diversificação dos modais de transporte e escoamento da produção nacional. Na ocasião, Baumgartner anunciou que, após 10 anos de obras, a ferrovia Transnordestina fará sua primeira viagem em outubro de 2025. “Já temos 680 quilômetros prontos e estamos concluindo a verificação técnica para autorizar a primeira viagem em outubro.”, afirmou o superintendente da ANTT. Baumgartner aproveitou o momento para falar sobre o andamento da Ferrogrão, outro projeto de ferrovia que é muito aguardado pelo setor produtivo. “A Ferrogrão está com o leilão previsto para o primeiro semestre do ano que vem, o entendimento da Consultoria Jurídica (Conjur) do Ministério dos Transportes é que não existem mais impedimentos para seguir com o leilão. Embora se fale muito da questão do licenciamento da Ferrogrão, a interpretação da Conjur é de que o projeto é fundamental para o Brasil de uma maneira geral.”, pontuou. Flávia Takafashi, esclareceu o trabalho da ANTAQ em relação à logística de contêiners nos portos. De acordo com Takafashi, medidas legais estão sendo tomadas para solucionar o conjunto de problemas que geram um desarranjo logístico em toda a cadeia de exportação e importação. “Desde 2020, a agência vem se aprofundando nas discussões da logística de contêineres. E recentemente tivemos o acórdão 521 de 2025, que dá algumas bases, alguns entendimentos regulatórios que são importantes para esse setor. E as questões principais que estão ali apontadas são em relação à cobrança da demurrage e a cobrança da detention. A gente sabe que hoje, o setor de logística passa por desafios diversos, mas passa também pelo enfrentamento de busca de soluções”. Água, energia e conformidade: os caminhos para o Agro mais potente Durante a tarde, o segundo painel debateu a atuação das agências reguladoras, dos gargalos e obstáculos legais para as exportações do país. Participaram o secretário de defesa agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Carlos Goulart, o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (ANEA), Dawid Wajs, e o professor da Universidade Federal de Itajubá, Afonso Henriques. Em sua fala, Carlos Goulart defendeu a necessidade do certificado fitossanitário, emitido pelo Mapa para que as exportações sejam operadas corretamente. Segundo Goulart, “O processo de exportação, principalmente de fibra de algodão, está sempre sujeito a alguma anuência. Porém, o Ministério da Agricultura, não é anuente obrigatório na exportação. Ter anuência não significa que é anuência obrigatória”. O Secretário usou a exportação de soja como exemplo, “Se eu quiser exportar uma carga de um navio de soja sem uma autorização do Mapa, a operação ocorre legalmente. Porém, quando a carga chega no país de destino, o exportador será questionado sobre certificado fitossanitário do Brasil. Se a carga não estiver certificada, ela não entra.” E justificou, “Por isso é muito importante para quem opera no comércio exterior saber dessa regra capciosa. Este caso é muito frequentemente, até por uma questão de defasagem de conceito dos despachantes.” Crescimento da população mundial deve ampliar a participação do Brasil na economia global O ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), conhecido como “Banco dos Brics”, Marcos Troyjo, encerrou a programação com palestra sobre as perspectivas do setor produtivo brasileiro diante dos desafios do cenário econômico mundial. O economista, cientista social e professor, serviu durante 10 anos o corpo diplomático brasileiro antes de se tornar presidente do Banco. Troyjo afirmou que o crescimento da população mundial deve ampliar a participação do Brasil na economia global. Ele relacionou o potencial agropecuário brasileiro à necessidade de segurança alimentar, sobretudo diante da expansão populacional prevista para a África Ocidental e a Ásia, em especial Índia, Indonésia e Paquistão. Para ele, o Brasil precisa aproveitar essa oportunidade investindo em infraestrutura, indústria e tecnologia, a fim de diversificar sua oferta e promover desenvolvimento social. O economista destacou ainda que a Ásia concentra hoje o maior crescimento econômico do mundo, com países que chegam a registrar até 7% ao ano. “O Brasil é um dos poucos países capazes de atender essa demanda em velocidade, escala, qualidade e confiabilidade. Mesmo diante da disputa econômica global, há uma chance importante de expandir nossas exportações”, disse. Troyjo afirmou que o cenário internacional mudou de um mundo intensivo em globalização para um mundo intensivo em geopolítica, no qual as decisões comerciais e estratégicas já não se pautam apenas por eficiência econômica, mas por fatores de segurança e previsibilidade. “Ao mesmo tempo em que os Estados Unidos continuam sendo a maior economia e exercem forte influência global, também adotam políticas comerciais protecionistas, impondo tarifas pesadas até a parceiros estratégicos, como Brasil e Índia”, avalia. De acordo com Troyjo, os norte-americanos vivem uma fase de grande poder econômico relativo, em que seus acertos ou erros têm impactos globais amplificados. “Além disso, com medidas de desregulamentação e cortes de impostos, transformam-se em um polo cada vez mais atrativo para os investimentos, funcionando como uma verdadeira bomba de sucção de capitais que poderiam ser direcionados a países emergentes. Essa combinação faz com que os erros e acertos norte-americanos tenham impactos muito maiores e mais rápidos sobre o restante do mundo.”, explicou. Assista ao evento completo no link: https://www.youtube.com/watch?v=6Jq0TSBAcNI