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VI Workshop de Manutenção Uster reforça qualificação dos laboratórios de análise de algodão
13 de Fevereiro de 2025Após três dias de capacitação, encerrou-se em 12 de fevereiro o VI Workshop de Manutenção Uster, o primeiro realizado em 2025 pelo Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). O treinamento, realizado em Goiânia (GO), faz parte do pilar de orientação aos laboratórios do programa Standard Brasil HVI (SBRHVI) e reuniu todos os laboratórios integrantes, além de técnicos da Uster Technologies, referência mundial em equipamentos de análise HVI. De acordo com o gestor de Qualidade da Abrapa, Edson Mizoguchi, o foco do encontro foi a manutenção dos instrumentos HVI M100, que estarão em pleno funcionamento na safra 2024/2025. “O workshop abordou aspectos teóricos e práticos para garantir maior precisão e confiabilidade nas análises laboratoriais do algodão brasileiro”, afirmou. As atividades aconteceram no laboratório da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa), que disponibilizou dois equipamentos para o treinamento. No primeiro dia, o grupo recebeu orientações sobre a importância da manutenção preventiva e iniciou a prática no Módulo LS, responsável por medir o comprimento, a uniformidade e a resistência da fibra. No segundo dia, foi realizada a capacitação no Módulo Micronaire, utilizado para medir a finura da fibra. No terceiro dia, o foco foi o Módulo de Colorímetro e Trash. Ao final, o técnico da Uster fez uma apresentação da nova máquina Classing Q Pro e esclareceu as dúvidas dos participantes. Ao final de cada módulo, os técnicos da Uster discutiram os principais problemas, suas causas e as possíveis soluções. Os participantes foram submetidos a uma avaliação e, aqueles que atingiram a média estabelecida, receberam certificados. Adesão total A capacitação teve todas as vagas preenchidas, refletindo a grande procura e o interesse dos profissionais em aprimorar seus conhecimentos. Ao todo, 23 pessoas participaram do encontro, incluindo cinco mulheres, reforçando a presença feminina no setor. "O treinamento junto aos técnicos que fabricam os equipamentos nos dá um suporte fundamental, juntamente com a Abrapa. Sempre há algo novo para aprendermos", destacou Iago da Silva Nascimento, encarregado de controle e qualidade do Centro de Análise de Fibras da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa). Segundo ele, a expectativa para a próxima safra é de um aumento de 10% a 12% na área plantada, chegando a 500 mil hectares na região do Matopiba e cerca de 4,5 milhões de amostras analisadas. Já Renato Marinho de Souza, gestor do laboratório da Associação Sul-Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (Ampasul), reforçou a importância da uniformização dos processos laboratoriais. “A participação nos treinamentos nos ajuda a compartilhar boas práticas de manutenção e padronizar procedimentos operacionais, garantindo maior qualidade e confiabilidade às análises.” A expectativa da entidade para a safra 2024/2025 é a realização de cerca de 600 mil análises de HVI e 150 mil análises de classificação visual. A equipe do Laboratório de Classificação Instrumental da Unicotton também aproveitou ao máximo o encontro. Segundo Cesar Arruda Cordeiro, supervisor de classificação tecnológica de algodão, a próxima safra é promissora, acompanhando o aumento da área plantada. “Vamos analisar cerca de 2 milhões de amostras e esperamos uma boa produtividade da safra”, destacou. Para Rhudson Assolari, gerente do Laboratório de Classificação Visual e Tecnologia da Fibra de Algodão da Agopa, é sempre uma oportunidade para treinar novos profissionais e preparar a equipe para a safra, que promete ser ainda maior. “Consegui treinar dois colaboradores que já estavam comigo há anos, mas ainda não tinham participado desse workshop. Com isso, estamos mais preparados para a próxima safra, que deve crescer cerca de 20%”, disse. “Tudo o que aprendi vou compartilhar com meus colegas. A capacitação nos ajuda a identificar problemas, as possíveis causas e, assim, vamos garantir mais confiabilidade no equipamento, menos tempo de parada, o que significa menos interrupções, e isso vai melhorar o rendimento e a qualidade dos laboratórios”, finalizou Gessagno Pereira, do Laboratório de Classificação de Algodão BV Kuhlmann.
Ministro da Agricultura recebe presidente da Abrapa para tratar de temas estratégicos do setor algodoeiro
13 de Fevereiro de 2025O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, recebeu nesta terça-feira (12) o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gustavo Piccoli, para uma reunião em Brasília. Este foi o primeiro encontro entre ambos desde que Piccoli assumiu a presidência da associação, em janeiro deste ano. Durante a audiência, foram discutidos temas estratégicos para o setor, como o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e a apresentação do Relatório Anual 2024 da iniciativa Cotton Brazil, executado em parceria com a ApexBrasil e a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea). Piccoli também apresentou ao ministro os resultados das exportações brasileiras de algodão, com destaque para a crescente participação do Brasil no mercado asiático. Um dos principais marcos foi o recorde histórico de exportação registrado em janeiro de 2025, quando o país embarcou 415.628 toneladas da fibra, volume 66% maior que o registrado no mesmo mês do ano passado. “Esse marco expressivo reflete os avanços significativos na logística e na competitividade do algodão brasileiro no cenário global, resultado de um planejamento estratégico e antecipação do setor”, afirmou o presidente da Abrapa. Ele estava acompanhado do diretor executivo da entidade, Marcio Portocarrero, durante o encontro. O reconhecimento da certificação ABR pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), anunciado no ano passado, durante o Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), como elegível ao programa Brasil Agro Mais Sustentável foi tratado durante o encontro. Ele oferece um desconto de 0,5% nos juros do crédito de custeio do Plano Safra 2024/2025 para os produtores com fazendas certificadas. Fávaro destacou que o algodão foi a primeira cadeia produtiva a ser certificada e se beneficiar dessa iniciativa. “Estamos juntos para consolidar o algodão brasileiro como a fibra responsável e o Brasil como o maior exportador de algodão do mundo”, afirmou Piccoli. A agenda também incluiu discussões sobre sustentabilidade e a parceria com a Better Cotton (BC), além de um pedido formal para a substituição do presidente da Câmara Setorial do Algodão, com a indicação de Gustavo Piccoli para assumir a função, a partir da primeira reunião de 2025, prevista para março.
Índia e Paquistão recebem missão do Cotton Brazil a partir do dia 19
12 de Fevereiro de 2025De 19 de fevereiro a 1º de março, uma delegação brasileira formada por produtores e exportadores de algodão visitará os principais polos têxteis da Índia e do Paquistão. O objetivo é fortalecer as relações comerciais com os países e dar início ao calendário oficial de missões internacionais do Cotton Brazil, programa de posicionamento do algodão brasileiro no mercado internacional. A iniciativa é da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). A organização coordena as ações do Cotton Brazil em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e com apoio da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea). “Índia e Paquistão são dois mercados prioritários para o algodão brasileiro. Sabemos que é possível ampliar nossa presença lá e que missões como essa contribuem para fortalecer a parceria com as duas nações”, observou Celestino Zanella, vice-presidente da Abrapa. A agenda da “Missão Índia/Paquistão” começa no dia 19 por Coimbatore, cidade conhecida como a “Manchester do Sul da Índia” por sua tradição na produção têxtil. Lá, a delegação participa de reuniões com consultores indianos e com a Associação das Indústrias Têxteis do Sul da Índia (SIMA, na sigla em inglês). Está programada também uma visita técnica à SCM Textile Spinners e a realização do seminário “Cotton Brazil Outlook”, onde a cuja pauta é o cenário da safra brasileira e as perspectivas de mercado para a exportação da pluma em 2025. Em seguida, o grupo segue para Mumbai, importante e tradicional polo têxtil na Índia. A programação na cidade inclui reunião com o Conselho de Promoção de Exportações de Algodão (Texprocil, na siga em inglês) e o seminário “Cotton Brazil Outlook”. Além disso, paralelamente à participação no Global Textile Technology & Engineers Show, importante evento técnico setorial, a comitiva brasileira se reúne com representantes de grupos empresariais como Welspun Living e Reliance India Limited. A etapa paquistanesa da missão começa por Karachi, maior cidade do país, grande centro industrial e polo exportador. A agenda inclui uma série de visitas técnicas a fiações, além de encontros com empresários e uma edição do “Cotton Brazil Outlook”. Lahore, principal centro industrial e têxtil do Paquistão, também receberá uma edição do seminário. Por lá, a programação prevê visitas técnicas a empresas, reuniões com entidades setoriais e representantes governamentais. Já na capital do país, Islamabad, o foco será voltado para agendas com o Governo Paquistanês. Presença brasileira A Índia é um dos principais players mundiais do mercado de algodão. Com a segunda maior indústria têxtil do mundo, é também a segunda maior produtora e consumidora da fibra, ficando atrás apenas da China. No ano comercial 2023/24, o Brasil exportou 8 mil toneladas de algodão para os indianos, ficando com 4% de market share. Uma das metas do Cotton Brazil é ampliar a presença do produto brasileiro no mercado indiano. Já no Paquistão, a participação da pluma brasileira é maior. No ciclo 2023/24, o Brasil exportou 165 mil toneladas. Mesmo com uma queda de 12% em relação à temporada anterior, o volume garantiu 24% de market share. Atualmente, o Paquistão é o quinto maior importador mundial de pluma.
ABR-UBA certificou 114 unidades de beneficiamento, na safra 2023/2024
12 de Fevereiro de 2025Iniciativa pioneira que certifica a sustentabilidade na primeira etapa industrial da cadeia produtiva do algodão, o beneficiamento, o Programa Algodão Brasileiro Responsável para Unidades de Beneficiamento (ABR-UBA), da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), registrou um marco significativo na safra 2023/2024. Com 114 unidades de beneficiamento certificadas, ante 99, no ciclo anterior (safra 2022/2023), o programa alcançou 67% do volume total de algodão produzido no Brasil, equivalente a 2,45 milhões de toneladas. “A certificação ABR-UBA é uma mostra clara da preocupação do cotonicultor brasileiro com a sustentabilidade, promovendo práticas responsáveis, desde o campo até o beneficiamento. Acreditamos que esta é uma iniciativa que gera benefícios compartilhados e reforça a importância do algodão como uma fibra têxtil em dia com as agendas dos nossos tempos”, destaca Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa. Com resultados expressivos e perspectivas de crescimento, a certificação ainda contribui para a imagem internacional do algodão brasileiro, ampliando sua competitividade e alinhamento com exigências globais nos âmbitos sociais, ambientais e de governança. Criado em 2021, o ABR-UBA é a derivação do Algodão Brasileiro Responsável, o ABR, um dos protocolos de certificação de fibra produzida em parâmetros responsáveis para o beneficiamento do algodão. Ele inclui auditorias independentes, realizadas por empresas internacionalmente acreditadas. Na última avaliação, foram credenciadas ABNT, Genesis Certificações e Qima WQS, que verificam 170 critérios, desde a segurança do trabalhador até o gerenciamento de resíduos e a eficiência energética. A certificação abrangeu algodoeiras em 47 municípios de oito estados brasileiros, com Mato Grosso liderando a adesão, somando 65 unidades certificadas e um volume beneficiado de mais de 1,5 milhão de toneladas, seguido pela Bahia, com 30 algodoeiras e 558.404 toneladas. Juntas, as UBAs certificadas geraram 9.106 empregos diretos. Com o pilar social sendo o DNA do programa, o protocolo também inclui atendimento às normas regulamentadoras, como a NR-10, NR-13 e NR-23, que tratam da instalação elétrica, vasos de pressão e prevenção de incêndios, respectivamente. Saúde e bem-estar do trabalhador, e, sobretudo, sua segurança no ambiente de trabalho, com redução de riscos de acidentes e doenças laborais são pontos cruciais embarcados na certificação ABR-UBA. Melhoria contínua O ABR-UBA introduz práticas que auxiliam, também, na gestão eficiente e padronização dos processos, como cuidados para evitar a contaminação dos fardos, garantindo a integridade daqueles armazenados, além de promover a padronização de tamanho e peso dos fardos de pluma. Além das unidades certificadas, 51% das algodoeiras ativas no Brasil já participam de etapas de suporte e orientação das associações estaduais para futura certificação, demonstrando o crescente compromisso do setor com a sustentabilidade e as melhores práticas.
Brasil bate recorde de exportação de algodão em janeiro e Abrapa reforça parceria com a ApexBrasil
12 de Fevereiro de 2025O Brasil iniciou 2025 com um feito histórico para a cotonicultura nacional. Em janeiro, o país exportou 415.628 toneladas de algodão, estabelecendo um novo recorde para o período. O volume embarcado é 66% maior que o registrado no mesmo mês do ano passado. Com esse desempenho, as projeções indicam que o Brasil deverá manter a liderança global nas exportações da pluma, conquistada em 2024, consolidando-se como o maior exportador mundial da fibra pelo segundo ano consecutivo. Diante desse cenário positivo, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gustavo Piccoli, o gerente financeiro, Francisco Alves de Lima Júnior, o primeiro-secretário, Carlos Alberto Moresco, e o diretor executivo, Marcio Portocarrero estiveram reunidos, em 11 de fevereiro, com o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, para apresentar o Relatório Anual 2024 do programa Cotton Brazil, executado em parceria com a entidade e com a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea). “Esse feito histórico foi possível graças ao empenho dos produtores e às parcerias estratégicas. A ApexBrasil tem sido essencial nesse processo, acompanhando de perto nossas missões internacionais e promovendo a imagem do algodão brasileiro no exterior”, afirmou Piccoli. Para ele, o crescimento das exportações e a consolidação do Brasil como líder global são resultados do trabalho conjunto entre produtores, entidades do setor e o apoio da ApexBrasil. Durante a reunião, foram discutidos os avanços conquistados pela cotonicultura brasileira no último ano, incluindo a superação dos Estados Unidos no ranking global de exportações. No ano comercial 2023/2024, encerrado em julho, o Brasil exportou 2,7 milhões de toneladas de algodão, representando 28% do total exportado mundialmente, um crescimento de 85% em relação ao ciclo anterior. Ao todo, 27 países importaram a fibra brasileira – dois a mais que em 2022/23, o que significa um aumento de 8%. Para a safra 2024/2025, as projeções indicam exportações na faixa de 2,8 milhões de toneladas, consolidando o país como o maior exportador mundial de algodão. Os principais destinos das exportações brasileiras em 2024 foram China, Vietnã e Paquistão, seguidos por Bangladesh e Turquia. O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, ressaltou a importância da continuidade dessa parceria. “A Abrapa tem desempenhado um trabalho excepcional na promoção do algodão brasileiro, garantindo qualidade e confiabilidade para os mercados internacionais. Nosso compromisso é seguir fortalecendo essa aliança para que o Brasil continue expandindo sua presença global”, destacou. Cotton Brazil Criado em 2019, o Cotton Brazil é desenvolvido em parceria com a ApexBrasil e com apoio da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea). O programa tem como objetivo posicionar o algodão brasileiro no mercado global, focando em dez países que, juntos, representam 90,7% do volume importado mundialmente: Bangladesh, China, Coreia do Sul, Egito, Índia, Indonésia, Paquistão, Tailândia, Turquia e Vietnã. As ações do programa são coordenadas a partir do escritório de representação da Abrapa em Singapura, vinculado à diretoria de Relações Internacionais da associação. Além de missões comerciais, eventos, inteligência de mercado e comunicação integrada, o Cotton Brazil mantém uma forte rede de relacionamento com adidos agrícolas brasileiros do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e diplomatas ligados ao Ministério das Relações Exteriores (MRE). Com o recorde de exportações registrado em janeiro e a continuidade da parceria estratégica com a ApexBrasil, a Abrapa segue trabalhando para consolidar o Brasil como referência mundial em algodão de qualidade, fortalecendo sua competitividade no comércio global e abrindo novos mercados para os produtores brasileiros.
Abrapa integra reunião de alinhamento da FPA para pautas estratégicas do agronegócio
12 de Fevereiro de 2025A reunião semanal de deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), realizada nesta terça-feira (11), na sede do Instituto Pensar Agro (IPA), em Brasília (DF), contou com a presença do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gustavo Piccoli, e do primeiro-secretário Carlos Alberto Moresco, para discutir temas prioritários para o agronegócio. Entre os principais assuntos abordados, destacaram-se a derrubada do veto governamental sobre a tributação dos Fundos de Investimento do Agronegócio (FIAGROs), que impacta diretamente os investimentos no setor, e a questão fundiária no município de São Mateus, no Espírito Santo, onde produtores rurais enfrentam desafios jurídicos que ameaçam a segurança no campo. Outro ponto de relevância foi a proposta de delegação de poder de polícia à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), medida que gerou preocupação entre os participantes da reunião, segundo Marcio Portocarrero, diretor executivo da Abrapa. A avaliação predominante é de que esse papel deve permanecer sob a responsabilidade da Polícia Federal e do Exército Brasileiro, evitando conflitos e garantindo segurança jurídica para produtores e comunidades indígenas. O encontro contou com a participação de lideranças indígenas, que defendem o direito de suas comunidades de desenvolver atividades agropecuárias em suas terras, garantindo autonomia econômica e social. “A Abrapa acompanhade perto essas discussões, reforçando seu compromisso com o fortalecimento do agronegócio brasileiro e a defesa de um ambiente produtivo seguro e sustentável”, afirmou o executivo.
ABR-UBA certifica 114 unidades de beneficiamento
11 de Fevereiro de 2025O programa Algodão Brasileiro Responsável para Unidades de Beneficiamento (ABR-UBA), da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), encerrou a safra 2023/2024, com motivos para comemorar. Agora são 114 unidades de beneficiamento certificadas, em comparação às 99 do ciclo anterior (safra 2022/2023). O ABR-UBA alcançou 67% do volume total de algodão produzido no Brasil, o equivalente a 2,45 milhões de toneladas. A certificação, que abrangeu algodoeiras em 47 municípios de oito estados brasileiros, é uma iniciativa pioneira que teve início em 2021, com avaliação de diversos critérios, que vão desde a segurança do trabalhador até o gerenciamento de resíduos e a eficiência energética. Além de atestar a conformidade com exigências globais nos âmbitos sociais, ambientais e de governança, ter a certificação contribui para a imagem internacional do algodão brasileiro, ampliando sua competitividade. Para baixar a íntegra do relatório é só acessar o link https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Relatorio-da-safra-2023.2024-ABR-UBA.pdf
Da lavoura à moda, os caminhos e a fé de Alexandre Schenkel no algodão nacional
11 de Fevereiro de 2025O empresario Alexandre Schenkel é uma figura que conecta ○ tradicional produtor de Mato Grosso, como tantos gaúchos desbravadores do Cerrado, com um perfil mais moderno, de quem pensa além do trivial nos negócios, disposto a abrir diálogo com todos os elos da cadeia - até com diferentes ideologias políticas, se for necessário. Em junho de 2023, por exemplo, no dia do anúncio do primeiro Plano Safra do governo Lula 3, diversas lideranças do agronegócio ainda relutavam em ter que lidar com partidos de esquerda, lamentando a derrota do candidato que haviam apoiado, Jair Bolsonaro. Nesta cerimônia, o então presidente da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), Alexandre Schenkel, foi o escolhido para estar no palco com as autoridades, sendo ○ único lider do agro com direito a discursar e defender os pleitos do setor. ""Eu posso ter um time de futebol, mas eu não posso não torcer para uma seleção, só priorizando ○ meu time de futebol. A gente torce por governos, mas os governos são passageiros, e ○ que importa e que nos sempre vamos estar lá para trabalhar em prol do nosso setor", afirmou Schenkel em entrevista ao AgFeed, agora em fevereiro, em plena correria de colheita da soja em Mato Grosso. Ao relembrar o episodio do Plano Safra, ele contou que, quando Abrapa recebeu o convite na época, submeteu a todos os diretores, para decidir se aceitaria. "Eu estava representando o Brasil num evento em Amsterdā, na Holanda, sobre sustentabilidade do algodão e tinhamos que tomar essa decisão. E todos foram unânimes. Apesar de a gente ter que esquecer, porque muitos não gostariam, nós tínhamos que representar, né? É muito bom você estar numa entidade que é organizada e pensa lá no futuro, com diretores que pensam coletivamente", avaliou. E não é só no ambiente politico que Alexandre Schenkel se destacou por "pensar diferente". A cadeia do algodão é considerada uma das mais organizadas do agronegócio brasileiro porque, nas últimas décadas, vem conseguindo desenvolver um trabalho em conjunto, envolvendo os diferentes elos, desde os produtores rurais, até beneficiadoras, indústrias, tecelagens e grandes marcas da moda A exportação de algodão é um dos egados. O Brasil no final da década de 1990 era o segundo maior importador da pluma e hoje é maior exportador mundial, tendo embarcado ao exterior 2,6 milhões de toneladas de algodão beneficiado na safra 2023/2024. Na produçao, ○ salto foi de 531%, se considerar o que se colhia na década de 1970 e a produção atual de 3,7 milhoes de toneladas,. A produtividade aumentou 1.229 % no mesmo período. É um setor que não abastece apenas ○ mercado externo. Sao os produtores brasileiros que também mais fornecem algodão para a indústria têxtil nacional, hoje sétima no ranking global. Outra marca é o alto indice de certificações e rastreabilidade na cadeia. programa chamado ABR (Algodão Brasileiro Responsável) já certifica 83% de tudo o que ○ Brasil produz Muitas dessas conquistas foram influenciadas pela visão de Alexandre Schenkel, que acredita na integracão entre os elos da cadeia, "O produtor de algodão respeita o beneficiador, ele vende para uma trading, então tem essa convivência entre nós, nós fizemos um trabalho muito grande la fora do Pais, porque a gente já atendeu o mercado doméstico que hoje é 25% do que a gente produz aqui no Brasil, então 75% da e nossa produção tem que ir para fora, então você depende de dar uma parceria com as tradings, Ir que elas são as grandes responsaveis por uma exportação ○ produtor não quer vender direto", argumenta. Schenkel comenta que, depois de tantas missões internacionais pelo mundo, já pode dizer que tem amigos em paises como China, Turquia entre outros, mas reforca que o risco e muito alto para um produtor tentar exportar, diretamente. "Precisa ter uma cadeia" Foco no Grupo Schenkel Em dezembro do ano passado Alexandre Schenkel deixou a presidência da Abrapa, mas continua na liderança do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), que foi criado em 2010. 0 IBA tem como objetivo fortalecer a cotonicultura brasileira e surgiu quando o Pais ganhou uma batalha contra os EUA na OMC, no chamado contencioso do algodão. Apesar de continuar integrando essa e outras entidades, participando de discussões do setor, Alexandre disse ao AgFeed que em 2025 deve dar mais foco a sua empresa, ○ Grupo Schenkel, onde tem seu irmão, Jackson Schenkel, como sócio. A história de Alexandre como agricultor começa onde ele nasceu, em Tapera, no Rio Grande do Sul. Era filho de um engenheiro agrônomo, que trabalhava numa cooperativa, e o avô tinha uma sementeira. Assim, desde cedo acompanhava o trabalho de ambos. Mas ○ pai de Schenkel faleceu quando ele tinha apenas 5 anos de idade, por isso pouco depois seguiu com a mãe o início da tarefa de "desbravar" as fronteiras agricolas do Pais. Primeiro, a familia de "colonos", como costumam chamar os gaúchos, de origem alemā foi para Barreiras, no oeste da Bahia.Com dificuldades por lá, decidiram ir para Mato Grosso, na região que está até hoje, em Campo Verde, a 136 km de Cuiabá. Enquanto isso, Schenkel resolveu seguir a carreira do pai e começou a cursar agronomia, primeiro no interior do RS "Depois eu vi que la no Rio Grande do Sul não dava, era uma agronomia voltada muito para pequeno produtor. E eu pensei assim: meu futuro vai ser no Mato Grosso, então vou mudar. Passei na Federal em Cuiabá. Muitos falavam na época de procurar faculdades de referência, Santa Maria, Minas Gerais. Mas eu não podia. Como eu tinha perdido meu pai, eu tinha que sair trabalhando", conta. Assim, Alexandre Schenkel conseguiu alguns estágios, o principal deles, "referência", como disse, foi na fazenda de Elizeu Maggi Scheffer, pai do empresário Guilherme Scheffer, outro simbolo da nova geração do agro e primo de Blairo Maggi, ex-ministro e presidente do conselho da Amaggi. Foi ali na Fundação Mato Grosso que Alexandre começou. a conhecer-e se apaixonar - pelo algodão. No trabalho de encerramento de curso, mudou radicalmente, queria conhecer algo mais. Fez a monografia e ficou por um tempo em Barreiras, na Bahia, trabalhando com café irrigado. "Eu sou meio movido à inovação, a desafios. Por que eu fui fazer um estágio curricular no café lá no Oeste da Bahia? Porque era diferente do que a gente via aqui. Aqui estava iniciando algodão, mas o nosso negócio era soja e milho", diz. Depois de alguns anos trabalhando em parceria com um tio, em terras da familia, em que teve muitos altos e baixos, Alexandre diz que o grande salto comecaria em 2010, quando criou com seu irmão ○ Grupo Schenkel. Aqui vale um disclaimer: na Faria Lima, muitos já ouviram falar em "Schenkel" em recuperação judicial, em função de ter ativos incluidos em um Fiagro. Não é o mesmo grupo. A RJ, na verdade, é do Grupo Agro DFG, que tem entre os sócios um primo de Alexandre Schenkel. Nesta safra, a empresa de Alexandre deve contabilizar uma receita de US$ 13 milhões, ele revelou, Atualmente, ○ Grupo Schenkel trabalha em 8,2 mil hectares, entre agricultura e pecuária. Sao 4 mil hectares de soja e 2,6 mil de algodão, além de milho e até um confinamento, onde faz a engorda de e até 1,5 mil bois por ano Para a próxima safra, mesmo que não opte por aumento significativo de area, ele já prevê uma receita de US$ 15 milhões, contando com bom momento dos negócios em pecuária. ◦ Grupo Schenkel tem planos de expansão. Ele diz que o grupo ja contratou consultorias em areas como gestao e planejamento tributário para avancar do ponto de vista de governanca. "Estamos buscando estar redondos' para, se a gente tiver um investimento, ter uma ampliação, buscar outras áreas aqui, seja no Mato Grosso, seja no Brasil. Eu creio que a gente tem a condição de poder ser mais dinâmico nesse crescimento, entao daqui para frente O que eu vou me dedicar, e ◦ nosso crescimento aqui do grupo". Schenkel afirma que o grupo praticamente tem dobrado de tamanho em "voo solo", sem sócios, nos últimos três anos e quer seguir em bom ritmo. Ele espera crescer pelo menos 50% nos próximos três anos. "○ que importa é você estar crescendo de maneira sólida". o Nesse aspecto, ele diz também que o importante é aprender com os erros. Recomenda que os produtores jamais tentem "especular com o câmbio ou com o mercado", ou deixar a compra de O a insumos "descoberta", sem fazer o hedge. "Foi o que deu a base de segurança para nós". Perguntado se sonha um dia chegar também à bolsa de valores, ele respondeu: "Não sei se é interessante, pois nossa escala é pequena Mas se for uma maneira que seja até inovadora, sou entusiasta com inovação. E que traga resultados tanto para nós para a nossa familia, para o negócio de quem está investindo, eu acho que sim, a gente pode trabalhar em bolsa também, montar uma estrutura para isso". Empresário da moda A ousadia mais recente de Alexandre Schenkel no mundo dos negócios até tem a ver com o mundo do algodão, mas surgiu quase pela "conspiração do universo". Um dos momentos de mais entusiasmo do empresario, ao longo da entrevista ao AgFeed, foi aquele em que contou em detalhes como surgiu a Almagrino, uma marca premium de camisas e camisetas masculinas, que está prestes a ganhar novos investimentos. A história começa quando um grande amigo de Schenkel, Henrique Resende, que trabalhava com automóveis, decidiu fazer o "Caminho da Fé", uma trilha de bike que inicia no interior de São Paulo vai até o Santuario de Aparecida. O roteiro de peregrinação e inspirado no Caminho de Santiago, da Espanha. Aventureiros, religiosos pessoas comuns têm buscado fazer o percurso de bike para momentos de introspecção e desafios fisicos e espirituais, Lá, Resende conheceu outros três amigos e juntos idealizaram o projeto da Almagrino. A palavra significa "aquele que conduz a vida com a alma". "Eles ficaram tão motivados, em quatro dias, que sairam de la querendo fazer algo juntos. Esses quatro amigos são de Cuiabá, se conheceram la, não se conheciam", contou Schenkel. Como a ideia era fazer algo relacionado à moda, foram procurar Alexandre Schenkel, que, como produtor de algodão e liderança do setor, ja tinha muitos contatos com toda a cadeia, desde a já indústria têxtil até as marcas de vestuário. a "Levei eles para fazer uma imersão lá em Santa Catarina, na moda, como e o processo industrial que se produz hoje, de roupas, essas coisas, e eles gostaram. Saindo de lá, eu falei 'eu topo entrar com voces', porque já tínhamos um caminho", disse. A marca tem como foco principal os produtos 100% algodão, contando que a matéria-prima tem total rastreabilidade "A ideia nossa da AImagrino é trazer sustentabilidade. 0 primeiro momento esta nessa rastreabilidade que nós temos na cadeia do algodão, mas logicamente la na frente a gente tem que trabalhar também com outras coisas modernas, sustentáveis uma fibra a base de milho, por exemplo. Sao tecnologias que a gente vai agregar", explicou. No caso do algodão, com os programas avançados de certificação, já é possível produzir uma peça de roupa que utilize a matéria-prima não apenas da mesma fazenda, mas até do mesmo talhão, segundo ele Na descricão do "quem somos" do site da marca, aparecem frases como: "Plantar, semear, colher e transformar. Vestimos um simbolo que levanta bandeiras. Vestimos o orgulho da origem e do Brasil. Nosso ser merece vestir o que e quem nos representa, sempre com transparência e verdade". Desde quando criada oficialmente até hoje, a Almagrino tem tres sócios: Schenkel e os amigos Henrique Resende e Pedro Sávio. "As vendas só sobem, você acaba praticamente triplicando todo ano as vendas, isso é muito bom, o cliente reconhece a qualidade. Nos montamos uma loja fisica que serviu como laboratorio pra nós", ressalta. Schenkel disse que no ano passado o faturamento da Almagrino ja chegou a RS 2 milhões. AS vendas ocorrem principalmente pelas plataformas online. Este ano a expectativa e chegar em R$ 5 milhões. "Grandes artistas são parceiros e a nossa loja ficou instagramável, como se fosse um padrão franquia também, de tão bonita que é. E valorizando tanto o Caminho da Fé como a história da construção da marca e também a qualidade dos produtos", afirmou, com orgulho. Criar uma franquia é uma das possibilidades para o projeto. Schenkel disse que está conversando com especialistas de São Paulo para avaliar possiveis aportes ou ajustes, viabilizando a expansão da Almagrino, mas ainda estaria em fase de "estudo". O "péssimo caminho" das RJs e a virada do ciclo Na visão de Alexandre Schenkel, a onda de recuperações judiciais que marcou 2024 tem sido muito prejudicial aos produtores. "A RJ é muito ruim para o crédito agricola brasileiro, e muito ruim.Eu acho que se uma pessoa ou um grupo, alguém tiver que pegar uma RJ, deve ser no último dos últimos casos", afirmou. Ele lembra que, ao longo da sua trajetória, muitas vezes enfrentou desafios financeiros. Na safra 2004/2005, por exemplo, quando ainda trabalhava em sociedade com outros familiares, precisou fazer muita renegociação, "mas sem precisar de advogado". "Está certo que mudou de 2004 para cá, algumas empresas se tornaram bem mais intolerantes digamos assim, de não confiar no seu cliente. Mas devido ao que vem ocorrendo, eu vejo que a RJ é uma pessima saida", ponderou. "Eu recomendo aos amigos que busquem esgotar todas as maneiras de voce poder renegociar (dívidas) ou liquidar a sua operação" A principal consequência negativa, segundo ele, 2 uma espécie de descrédito em relação a um título importante para o produtor rural, a CPR. "O crédito ficou mais caro, uma é no custo, outra é porque fica muito mais restrito. Parece que o risco que alguns produtores, alguns grupos têm, ficou mais criterioso ainda. cadastros, as garantias que se exigem hoje são muito maiores". Em função disso, ele destaca, a CPR de produto, que era "a garantia mais barata que se tinha no mercado", agora estaria com aceitação restrita. "O pessoal pagava, ia lắ, executava, fazia tal do arresto, o produtor comprometeu aquela produção para pagar tal divida, não foi? Dai teve uma grande polêmica. Teve lideranças nossas que chegavam e falavam assim, não, a CPR tem que estar dentro da RJ. Então, se o produtor pedir a RJ, aquela CPR perde a validade". Schenkel explica o problema: "Ele (o produtor) precisa do crédito e a garantia que ele tinha na CPR não valeu mais nada. Ai, o que tem que comecar a fazer? Alienação fiduciária tem que ter avalista, tem que ter garantia real". A boa notícia, em meio a esse cenário ainda desafiador, admite Schenkel, é que a safra de Mato Grosso está sendo muito boa, nessa temporada. "Não tem por que mentir. Nós estamos colhendo bem. A nossa região está colhendo bem", se referindo especialmente à região em que atua, Campo Verde, O empresário lembra que é inócuo para o produtor tentar esconder que 9 colheita estå farta - ha quem faça isso com medo da influência de baixa nos precos porque "há muitos anos 2 gente e auditado pelos satélites, eles sabem a nossa produçāo, todo mundo sabe a nossa produtividade aqui, porque já foi calibrada essa produção lá fora, através dos espectros de luz que a nossa lavoura emite. Então, não tem porque esconder números". Ele diz que a economia das cidades do agro começará a perceber esse ano uma melhora, em função da maior produção. No ano passado, com a quebra de 30% na safra em Mato Grosso, toda a sociedade sentiu, ressaltou "Ninguém quis trocar a máquina nenhuma nesse último ano. Está uma crise aqui junto com as revendas de máquinas. Não está fácil. Mas eu creio que se a gente mantiver essa questão de preco das máquinas, tudo vai começar a girar bem ai, vai começar a girar. O produtor realmente vai ter que trocar aquele pulverizador que estava precisando, ele estava amarrando um arame para poder finalizar a safra". Em relação a preços, Schenkel também vê uma certa melhora em comparação com a safra passada. A saca de soja, na época, caiu de R$ 140 para R$ 99 na sua região. Ele diz que esse ano conseguiu comercializar com médias de R$ 120 e as cotações da semana passada em Campo Verde ainda estariam em cerca de R$ 110 Ele ressaltou, no entanto, que muitas áreas ainda são prejudicadas pela chuva no estado, no periodo de colheita,portanto o tamanho da safra só se saberá quando tudo estiver nos armazéns.