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Cotton Brazil destaca como o algodão brasileiro transforma sustentabilidade em prática durante a Textile Exchange 2026

Na onferência internacional, em Vancouver, Cotton Brazil apresenta resultados do programa ABR e reforça a importância da sustentabilidade e da rastreabilidade para o mercado global

16 de Outubro de 2026

O Cotton Brazil participou da Textile Exchange Conference 2026, realizada em outubro, em Vancouver, no Canadá. O evento reuniu especialistas e representantes das indústrias da moda, têxtil e de confecção de diferentes países para compartilhar conhecimentos e discutir novas formas de produzir, selecionar e reutilizar materiais, com foco em práticas mais sustentáveis em todo o setor.


A participação brasileira, com destaque para o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), demonstrou como o país já coloca em prática o tema desta edição, “The Implementation Era” (A Era da Implementação): transformar compromissos com a sustentabilidade em ações verificáveis e em larga escala.


De acordo com Fábio Carneiro, gestor de Sustentabilidade da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), na safra 2024/25, 3,35 milhões de toneladas de pluma de algodão foram certificadas pelo ABR e licenciadas pela Better Cotton, o equivalente a 79% das 4,25 milhões de toneladas produzidas no país. Essa produção teve origem em 469 unidades produtivas, distribuídas por 97 municípios de dez estados brasileiros.


“O diferencial do Brasil é que a certificação não está restrita a um nicho de mercado. A participação, que era de 47% na safra 2010/11, cresceu significativamente. O Brasil responde por mais de um terço de todo o algodão licenciado pela Better Cotton no mundo, conforme dados de 2023/24. Além disso, o protocolo exige melhoria contínua, com o índice mínimo de conformidade aumentando de 85% para 90% até a quarta safra. Para as marcas, isso significa a possibilidade de adquirir grandes volumes com verificação independente, em vez de depender de pequenos projetos piloto”, afirma


Durante o evento, o Brasil também apresentou o primeiro Relatório de Sustentabilidade do programa ABR, elaborado conforme as diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI) e publicado no primeiro semestre de 2026.


Certificação e práticas sustentáveis


Segundo o gestor de Sustentabilidade da Abrapa, os avanços na certificação e na oferta de algodão brasileiro produzido com práticas regenerativas têm despertado o interesse de organizações internacionais. “O ABR não é uma certificação regenerativa, mas já incorpora aspectos fundamentais dessa discussão, como saúde do solo, manejo integrado de pragas, conservação da biodiversidade, gestão dos recursos hídricos e adaptação e mitigação das mudanças climáticas. O plantio direto, que busca reduzir custos e conservar o solo, é uma prática estudada pela Embrapa e adotada por cotonicultores do Cerrado. As marcas querem entender como essas práticas se traduzem em resultados mensuráveis”, explica.


Além da escala da certificação, o Brasil se destaca pela implementação de práticas sustentáveis no campo, com o apoio de equipes especializadas das associações estaduais de produtores de algodão, formadas por engenheiros agrônomos, técnicos agrícolas e profissionais de segurança do trabalho.
O impacto social da cotonicultura também é significativo. Na safra 2024/25, o setor gerou mais de 43 mil empregos formais diretos, com as mulheres representando 12% da força de trabalho e 515 postos ocupados por trabalhadores com deficiência física.


Diálogo com o mercado internacional


De acordo com Lisa Ventura, gestora de Relações Internacionais da Abrapa, a participação na conferência também proporcionou a oportunidade de apresentar os avanços brasileiros diretamente a marcas, varejistas e organizações internacionais.


Além das reuniões e apresentações, o Cotton Brazil contou com um estande no evento, onde os visitantes puderam conhecer iniciativas de sustentabilidade e experimentar, na prática, a rastreabilidade do algodão brasileiro por meio de peças de vestuário com informações acessíveis digitalmente.


“O que realmente nos surpreendeu foi perceber que muitas pessoas ainda não sabem o quanto nossa rastreabilidade está avançada. Foi motivo de muito orgulho poder mostrar e explicar esse trabalho. Levamos camisetas que os visitantes podiam escanear e comprovar que, quando falamos em rastreabilidade, estamos falando de informações que chegam até a fazenda. Houve grande interesse pelo ABR, pelo rigor do seu protocolo e, naturalmente, pelos pontos que ainda podemos aprimorar. Mas muitos ficaram surpresos com a quantidade de resultados positivos que apresentamos”, destacou.


As práticas sustentáveis adotadas nas fazendas brasileiras também despertaram interesse. Segundo Lisa, 84% das fazendas certificadas pelo programa ABR já utilizam produtos biológicos no controle de pragas e doenças, dado que ganhou relevância nas discussões sobre os desafios da produção em clima tropical.
“Uma das mensagens que mais ouvimos ao longo dos três dias foi que a sustentabilidade não pode seguir um modelo único para todos. Ela precisa considerar soluções adaptadas às realidades locais. E acredito que isso se aplica muito bem ao contexto brasileiro”, acrescentou.


Entretanto, transformar esses avanços em impactos mais amplos no mercado exige o envolvimento de toda a cadeia produtiva. Os cotonicultores brasileiros têm investido em produção responsável, verificação e rastreabilidade. Uma demanda mais clara e consistente por algodão sustentável e verificado de forma independente, por parte de marcas e varejistas, contribuiria para fortalecer esses esforços, oferecendo maior segurança aos produtores para continuar investindo e incentivando a adoção de práticas sustentáveis em maior escala.


Para Fábio Carneiro, a conferência também representa uma oportunidade de apresentar os resultados dos investimentos dos cotonicultores brasileiros em sustentabilidade e rastreabilidade, ao mesmo tempo em que permite conhecer as experiências de outros agentes do mercado global.


“É nesse ambiente que conseguimos compreender o que as marcas passarão a exigir dos países fornecedores antes mesmo de essas exigências se tornarem obrigações contratuais. Isso inclui pressões regulatórias relacionadas ao trabalho forçado, à devida diligência, aos dados dos produtos e às alegações ambientais. Também aprendemos como outros países produtores de algodão estruturam seus sistemas de verificação e rastreabilidade, quais metodologias relacionadas ao clima e à agricultura regenerativa estão ganhando espaço e quais soluções de dados podem ser úteis para o ABR”, afirmou.


“Os cotonicultores brasileiros se beneficiam de uma reputação construída com base em evidências, de uma cadeia produtiva mais preparada para as exigências futuras e do diálogo direto com compradores, organismos certificadores e parceiros”, concluiu.

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