A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) ampliou para 14 o número de laboratórios participantes do programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), com a entrada do laboratório CR Agro, localizado em São Félix do Araguaia (MT). A unidade passou a integrar o programa na safra 2025/2026, atendendo aos requisitos mínimos obrigatórios de padronização das análises instrumentais da qualidade do algodão em pluma.
Com a inclusão da CR Agro, Mato Grosso, maior estado produtor de algodão do Brasil, passa a contar com dez dos 14 laboratórios participantes do SBRHVI no país, reforçando o protagonismo do estado na produção e na análise da qualidade da fibra brasileira.
A chegada do novo laboratório também acompanha as perspectivas de crescimento da cotonicultura na região. Com a expectativa de ampliação da área cultivada nas próximas safras, a estrutura foi concebida considerando a possibilidade de expansão da capacidade de análises, acompanhando o desenvolvimento da produção.
Segundo Daniel de Aguiar, gerente administrativo do laboratório CR Agro, a decisão de investir em uma estrutura própria surgiu da necessidade de reduzir os impactos logísticos do envio de amostras para laboratórios distantes, principalmente em Goiânia (GO) e Primavera do Leste (MT). A demora na obtenção dos resultados interferia no andamento da produção, motivando a implantação de uma unidade dentro da propriedade rural.
“Transformamos uma necessidade logística em uma oportunidade de investir em qualidade. Desde o início, nossa preocupação foi construir um laboratório que atendesse aos padrões da Abrapa e às exigências normativas. Hoje, participamos das rodadas de verificação do SBRHVI e conseguimos demonstrar a qualidade do algodão produzido na nossa região”, destaca Daniel.
Atualmente, a unidade conta com um equipamento HVI e já planeja ampliar sua estrutura com a aquisição de uma segunda máquina em 2027, acompanhando o crescimento da produção e a demanda por análises.
Padronização e qualidade
O laboratório iniciou suas atividades com uma estrutura planejada para atender aos padrões técnicos e normativos exigidos pelo SBRHVI. A entrada de mais uma unidade no programa reforça o trabalho de padronização e contribui para ampliar a confiabilidade das informações sobre o algodão brasileiro.
O gerente de Qualidade da Abrapa, Deninson Lima, explica que a adequação desde a implantação facilita o acompanhamento dos processos de análise e contribui para a confiabilidade dos resultados obtidos por meio dos equipamentos High Volume Instrument (HVI), utilizados para avaliar as características da fibra.
“O diferencial da CR Agro é que o laboratório já iniciou suas atividades com uma estrutura alinhada aos padrões técnicos do SBRHVI. Isso demonstra a preocupação com a qualidade da fibra desde a origem e facilita o acompanhamento dos processos de análise”, afirma o gerente.
Diferentemente de laboratórios que prestam serviços a terceiros, a unidade da CR Agro foi estruturada para atender à produção própria. Atualmente, a Abrapa acompanha o processo de regularização da unidade junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), etapa necessária para sua participação no Programa de Qualidade do Algodão Brasileiro (PQAB), voltado à certificação da pluma.
Transparência, confiabilidade e precisão da fibra brasileira
Criado pela Abrapa em 2016, o programa Standard Brasil HVI tem como objetivo promover a padronização das análises instrumentais do algodão brasileiro, garantindo maior transparência, precisão e confiabilidade às informações sobre a qualidade da fibra.
A iniciativa é estruturada em três pilares: o Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), o banco de dados de qualidade e a orientação técnica aos laboratórios participantes. Por meio do programa, as unidades recebem acompanhamento técnico, materiais de referência e orientações para o aprimoramento contínuo de seus processos.
Com a inclusão da CR Agro, a Abrapa fortalece a rede nacional de laboratórios participantes do SBRHVI e reafirma seu compromisso com a qualidade, a rastreabilidade e a valorização do algodão brasileiro nos mercados nacional e internacional.
