O algodão brasileiro ganhou destaque nas passarelas da 61ª edição da São Paulo Fashion Week (SPFW), um dos principais eventos de moda da América Latina. No dia 15 de outubro, o movimento Sou de Algodão, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), realizou seu quinto desfile no evento, apresentando uma coleção especial assinada pelo estilista brasileiro Ronaldo Fraga. O desfile marcou os 10 anos da iniciativa, celebrando sua trajetória de conexão e valorização dos profissionais que integram a cadeia produtiva do algodão e a cadeia têxtil.
Intitulada Cartas de Algodão, a coleção explorou a relação entre moda, memória e identidade cultural. Inspirado em cartas, fotografias antigas e lembranças familiares, Ronaldo Fraga colocou o algodão no centro de criações que reuniram bordados, estampas, diferentes texturas e técnicas artesanais. A apresentação destacou a qualidade e a versatilidade da fibra natural.
“Cada peça que chega à passarela do Sou de Algodão carrega o trabalho de toda uma cadeia produtiva, desde os produtores de algodão até as tecelagens, malharias e demais parceiros que, ano após ano, acreditaram neste projeto ao nosso lado. Celebrar 10 anos com este desfile também é celebrar essas parcerias, fundamentais para mostrar o potencial do algodão brasileiro, do campo à moda”, afirmou Renata Caixeta, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Abrapa e gestora do movimento Sou de Algodão.
“Por meio da passarela, inspiramos os consumidores a escolherem cada vez mais as fibras naturais, as fibras brasileiras, as fibras de algodão. Ronaldo Fraga trouxe tanto afeto e tantas memórias, e Cartas de Algodão deixou sua marca na história”, acrescentou.
Cores, formas e texturas
Com quase 30 looks, a coleção apresentou uma paleta de cores composta por diferentes tons de branco, marfim e outras tonalidades naturais, com toques de cor inspirados na tinta de caneta. Nas silhuetas, Ronaldo Fraga explorou cinturas marcadas, volumes, alfaiataria e sobreposições de tecidos.
Com styling de Paulo Martinez, os modelos desfilaram peças com diferentes comprimentos, golas, coletes e acessórios. Estampas inspiradas em envelopes e correspondências, além de detalhes artesanais, complementaram as criações, evidenciando as diversas possibilidades de utilização do algodão na moda.
Para Alessandra Zanotto, presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), produtora rural e porta-voz do movimento Sou de Algodão, a iniciativa voltou a brilhar na principal passarela da moda brasileira. “Dez anos de história, dez anos conectando o campo à moda e, acima de tudo, valorizando quem cria. Ver cada peça, cada criação, com bordados e botões que remetem a selos, tudo isso é um abraço na alma”, destacou.
Uma década de valorização do algodão brasileiro
Criado em 2016, o Sou de Algodão desenvolve iniciativas voltadas à conscientização sobre o consumo responsável e à valorização da fibra natural do algodão brasileiro. Ao longo da última década, o movimento construiu parcerias com profissionais da moda, marcas e empresas, fortalecendo o diálogo entre quem produz o algodão e quem o transforma em produtos destinados ao consumidor final.
“Dez anos depois de nascermos no SPFW, voltamos a esta passarela em um momento muito simbólico. Convidar Ronaldo para assinar esta coleção individualmente foi uma forma de trazer profundidade e autoria a esta celebração. Com uma sensibilidade rara, ele traduziu o que o algodão representa como uma fibra que guarda histórias e atravessa gerações”, concluiu Renata Caixeta.
