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14º CBA discutirá tendências da economia mundial e da inteligência artificial na cultura da fibra
30 de Agosto de 2024

As mudanças econômicas globais e os avanços tecnológicos estão moldando a produção e comercialização do algodão brasileiro. Para entender melhor essas dinâmicas e se preparar para o futuro, o 14º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA) dedicará a manhã de 04 de setembro a dois painéis: “Agronegócio em Transformação: Análises Macroeconômicas e Tendências Financeiras” e “A Inteligência Artificial Vai Produzir Algodão? O Avanço da Agricultura Digital”. Eles reunirão especialistas para discutir as perspectivas de investimentos e o impacto da inovação no setor da fibra. Promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o evento ocorrerá de 03 a 05 de setembro, em Fortaleza. A primeira plenária, mediada pelo jornalista da rede CNN, Caio Junqueira, apresentará, aos congressistas, pontos de vista sobre como a transformação econômica global e as flutuações do mercado financeiro impactam o setor agrícola, com foco específico no algodão. O Banco do Brasil, Sicredi, Rabobank e Itaú BBA, grandes players no financiamento agrícola, terão destaque, refletindo sobre como suas estratégias financeiras modelam o panorama da produção. “Na plenária, eu e os principais economistas de quatro dos mais importantes bancos, que trabalham diretamente com o agronegócio brasileiro, vamos falar desde os impactos prováveis para o setor de algodão de temas macro, como taxa de juros, câmbio, e geopolítica mundial até temas específicos para o produtor nacional”, explicou Junqueira. A discussão também abordará a recente volatilidade nos preços internacionais do algodão e as implicações para o mercado interno, incluindo a produção recorde brasileira e o papel crescente do país nas exportações globais. “A análise das tendências financeiras ajudará a entender como o setor pode se adaptar e prosperar em um cenário econômico em constante mudança”, diz o mediador. Desafios Apesar do alto desempenho na produção e na participação global de mercado, o cotonicultor brasileiro também enfrenta desafios a curto e médio prazo, em função da conjuntura mundial da commodity, sobretudo com a queda dos preços em Nova York e a desaceleração econômica mundial. André Francisco Nunes de Nunes, economista-chefe do Sicredi, será um dos painelistas. Ele avalia que, no cenário atual, a necessidade de financiamento do agronegócio na próxima safra deve ser maior. “Analisando os três fatores, como área plantada, custo de produção e disponibilidade de recursos próprios, que ditam a demanda de crédito rural no Brasil, chegamos a essa conclusão de aumento do financiamento. A área plantada total deve expandir no Brasil em 2024/2025, somada a produtores com menor fôlego de caixa, devido à queda das commodities agrícolas nos últimos anos, e custos de produção, que devem permanecer relativamente estáveis, apontam neste sentido”, analisa. Para debater sobre investimentos, a plenária contará ainda com a presença de Maurício Une, economista-chefe do Rabobank para a América do Sul, com PhD em Economia pela Queen Mary, University of London; Marcelo Rebelo, economista-chefe do Banco do Brasil e professor de Finanças e Gestão de Negócios no Ibmec; e Pedro Barros Barreto Fernandes, diretor de Agronegócio do Banco Itaú, com ampla experiência em mercado financeiro e formação em Engenharia de Produção pela Poli-USP. Universo digital A segunda plenária da quarta-feira (4), mediada pela jornalista Patrícia Travassos, explorará a revolução da agricultura digital. O debate abordará como a inteligência artificial, a análise de dados e a agricultura de precisão estão transformando a produção agrícola. Tecnologias como sensores, drones, robôs e softwares avançados proporcionam o monitoramento detalhado das lavouras, otimizando recursos e elevando a produtividade. “Nas últimas décadas, temos testemunhado uma transformação significativa na agricultura brasileira, impulsionada pela ciência e pelas novas tecnologias. Hoje, a inteligência de dados orienta a gestão das fazendas, impulsiona a produtividade e previne perdas. Essa evolução atrai novamente os jovens para o campo, conectando-os ao mundo. É fascinante acompanhar essa mudança, especialmente, frente à crise climática, que nos obriga a buscar soluções para o futuro dos alimentos, a preservação ambiental e, claro, a nossa sobrevivência na Terra”, diz Travassos, especialista em inovação. Ela dirige a Prosa Press, produtora audiovisual focada em documentários, e possui uma vasta experiência, tendo dirigido programas como “Projeto Upload” (CNN Brasil Soft) e “Mãe S/A” (TV Globo). A tecnologia tem avançado de forma significativa, impulsionando o setor do agro para novos patamares, e dentre as novidades, está a Inteligência Artificial (IA), tecnologia que promete ser o início de uma nova era na produção de alimentos. Nova era A IA é definida como a capacidade que uma máquina tem para reproduzir competências semelhantes às humanas, tais como raciocínio, aprendizagem, planejamento e até criatividade. Através da coleta e processamento de dados, é possível fazer previsão meteorológica, estimar os preços para comercialização da safra, fazer o monitoramento da lavoura, o diagnóstico de doenças, e incrementar a agricultura de precisão, com a automação de tratores e máquinas que realizam tarefas, sem intervenção humana, dentre outras aplicações. Para falar sobre esse “admirável mundo novo”, integra o painel, Martha Gabriel, fundadora da Martha Gabriel Consultoria, uma referência no campo das novas tecnologias. Engenheira de formação, ela leciona Inteligência Artificial na pós-graduação da PUC-SP e na plataforma de aprendizagem CrossKnowledge Faculty. Além disso, é colunista nas revistas MIT Sloan Management Brasil e MIT Technology Review Brasil. Martha também integra o Institute For The Future (IFTF), a mais antiga organização educacional e de pesquisa de futuros do mundo, com a missão de “preparar o mundo para criar futuros melhores e mais equitativos”. É, também, autora de vários best-sellers, incluindo “Liderando o Futuro” e “Inteligência Artificial – Do Zero ao Metaverso”. No painel, também estará presente a presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá. Doutora em Computação Aplicada, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Silvia testemunhou, ao longo dos anos como pesquisadora, as transformações tecnológicas na agropecuária, desde a era dos softwares até a digital. Atualmente, ela se dedica ao desenvolvimento de tecnologias para sistemas complexos, como Inteligência Artificial, blockchain e Internet das Coisas (IoT). A plenária é composta ainda por Maurício Schneider CEO da StartSe Agro e cofundador da Solubio, uma das gigantes biotechs do agronegócio brasileiro. Especialista em estratégia e alavancagem de negócios a partir da criação de frameworks modernos capazes de levar os empreendedores e as empresas a um crescimento mais sustentável.

Fortalecimento da Marca do Algodão Brasileiro: Um Congresso de Excelência
28 de Agosto de 2024

O 14º Congresso Brasileiro do Algodão (14º CBA) reunirá, de 3 a 5 de setembro em Fortaleza (CE), um time de especialistas de peso para discutir estratégias que visam fortalecer a marca do algodão brasileiro tanto no mercado interno quanto no externo. Organizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o evento contará com a participação de renomados profissionais nacionais e internacionais, que irão conduzir debates essenciais para a construção de uma imagem sólida para o produto. O congresso abordará temas cruciais para o fomento do consumo do algodão, alinhados com as demandas atuais do mercado. No último dia do evento, quinta-feira, 5 de setembro, serão realizados dois painéis de destaque: "Estratégias globais no mercado têxtil: conectando com o consumidor final" e "Branding e algodão brasileiro: como fortalecer a marca no mercado". A mediação do primeiro painel será conduzida pela jornalista Maria Prata, conhecida por seu trabalho de destaque na área de moda. O Brasil, sendo o maior exportador e o terceiro maior produtor mundial de algodão, com uma previsão de colheita de 3,67 milhões de toneladas para a safra 2023/2024, enfrenta o desafio de alavancar sua produção interna. Atualmente, apenas cerca de 720 mil toneladas do total colhido são destinadas ao mercado nacional, enquanto o excedente é majoritariamente exportado para a Ásia. A necessidade de estratégias eficazes para lidar com este cenário será o foco do primeiro painel, com a participação de Fernando Pimentel, diretor superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), e Marcos De Marchi, presidente da Vicunha Têxtil. A visão internacional será aportada pelos consultores Giuseppe Gherzi e Marzia Lanfranchi. Gherzi, uma referência global, é conhecido por sua consultoria pioneira no setor têxtil desde 1929, enquanto Lanfranchi é cofundadora da plataforma "Cotton Diaries", dedicada à sustentabilidade na cadeia de fornecimento de algodão. Fernando Pimentel destaca a importância de uma abordagem integrada para aumentar a demanda interna por algodão. Ele enfatiza a necessidade de conectar a indústria ao consumidor final, promovendo uma produção responsável em termos sociais, ambientais e de governança. "A indústria deve demonstrar seu compromisso com práticas sustentáveis e um ecossistema coordenado, atendendo ao consumidor sem comprometer o meio ambiente", afirma Pimentel, que também ressalta a importância de compreender as mudanças nas preferências do consumidor e a concorrência com fibras sintéticas. O segundo painel, mediado por Silmara Ferraresi, diretora de Relações Institucionais da Abrapa, discutirá a importância do branding para transformar o algodão em uma marca forte, com propósito e valores que atraem o consumidor. Participarão deste painel João Branco, reconhecido pela Forbes como um dos melhores profissionais de marketing do Brasil, George Candon, especialista em política internacional e comunicações de reputação, e Luis Fernando Samper, da 4.0 Brands, conhecido por sua expertise em estratégias de diferenciação para produtos agrícolas, como o café colombiano. Silmara Ferraresi ressalta que o congresso deste ano é especialmente significativo, marcando o 25º aniversário da Abrapa e celebrando as conquistas da cotonicultura brasileira. "O CBA evoluiu de um evento técnico-científico para uma plataforma que promove a imagem e a desejabilidade do algodão brasileiro no mercado global", afirma Ferraresi. Ela conclui que a presença de tantos especialistas renomados em um único evento representa uma oportunidade rara e valiosa para o setor.

Ceará recebe Congresso Brasileiro do Algodão com foco na cadeia produtiva
28 de Agosto de 2024

A capital cearense vai sediar, de 3 a 5 de setembro, no Centro de Convenções de Fortaleza, CE, a 14ª edição do Congresso Brasileiro do Algodão, promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). O maior evento nacional da cadeia produtiva do algodão conta com o apoio científico da Embrapa e, a cada dois anos, reúne muita pesquisa, inovação, negócios e intercâmbio de conhecimento. Durante os três dias de evento, os principais atores da cotonicultura brasileira conhecerão novas técnicas para o cultivo, além das principais tendências e políticas para o setor. Com o tema “O algodão brasileiro em foco: perspectivas do mercado internacional”, o evento enfocará o protagonismo do Brasil no mercado internacional do algodão e as perspectivas para os próximos anos. Quarto maior produtor mundial de algodão, neste ano, o Brasil se tornou o maior exportador mundial com a safra 2023/2024. O congresso contará com 76 palestrantes, incluindo especialistas internacionais. A programação será dividida em 19 salas temáticas e seis workshops que abordarão temas como entomologia; fitopatologia e nematologia; qualidade, colheita, beneficiamento e agronomia; sustentabilidade e fisiologia. São esperados nesta edição, mais de 3 mil participantes entre produtores, pesquisadores, agrônomos, influenciadores, investidores, entre outros membros do setor algodoeiro. O congresso contará com a participação da presidente Sílvia Massruhá, da Embrapa, na plenária máster “Tendências em tecnologia e inovação”, no dia 4 de setembro, a partir das 11h15. A plenária, mediada pela jornalista Patrícia Travassos, contará ainda com a presença de Maurício Schneider, diretor da Startse Agro, e da consultora Martha Gabriel. De acordo com os organizadores, a plenária máster será um dos pontos altos do evento, reafirmando o compromisso do CBA em ser um ambiente de inovação e discussão de ideias que impulsionam o setor do algodão no País. Os palestrantes compartilharão suas experiências, previsões e tendências tecnológicas que moldarão o futuro do setor. Além das palestras e apresentação de trabalhos científicos, a Embrapa estará com estande institucional, onde serão expostas as mais recentes tecnologias desenvolvidas para a cotonicultura. Oito unidades Embrapa estarão presentes no evento: Algodão, Agropecuária Oeste, Arroz e Feijão, Cerrados, Instrumentação, Milho e Sorgo, Soja e Territorial.

Abrapa recebe representantes da Croplife International para imersão na cotonicultura brasileira
28 de Agosto de 2024

Para conhecer mais de perto a realidade da cotonicultura brasileira, representantes CropLife International, associação comercial mundial de empresas agroquímicas, foram recepcionados na Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), nesta terça-feira (27). A agenda incluiu uma visita ao Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), que funciona no mesmo prédio da entidade e é responsável por garantir que a classificação da pluma brasileira esteja alinhada com os padrões internacionais. Além disso, os visitantes participaram de uma apresentação detalhada sobre as atividades e conquistas da entidade, que comemorou 25 anos de atuação em 2024. “Apresentamos nossa organização, especialmente os projetos de rastreabilidade, sustentabilidade e promoção, com o objetivo de alinhar estratégias. Este encontro representa uma oportunidade significativa para discutir parcerias, abrir portas para futuras colaborações que visam fortalecer a presença global do algodão brasileiro, impulsionar inovações no setor e promover práticas sustentáveis”, afirmou Marcio Portocarrero, diretor executivo da Abrapa. Reconhecida por seu papel na promoção de tecnologias agrícolas inovadoras, a CropLife International visa reforçar a colaboração com a Abrapa para enfrentar desafios climáticos e ambientais, e explorar novas soluções para a indústria do algodão. Entre os visitantes estavam Lívio Tedeschi, presidente do Conselho da CropLife International e presidente global da Divisão de Soluções para Agricultura da BASF; Sergi Vizoso-Sansano, presidente do Conselho da CropLife Brasil e vice-presidente Sênior da BASF na América Latina; e Juan Pablo Llobet, vice-presidente do Conselho da CropLife Brasil e presidente da Syngenta Proteção de Cultivos para a América Latina. Também fizeram parte da delegação Eduardo Leão, presidente da CropLife; Guilherme Bez Marques, gerente da CropLife International; e Karina Lesch, gerente de Relações Governamentais da CropLife Brasil. Portocarrero reforçou o compromisso da associação com práticas agrícolas regenerativas e abriu portas para novas parcerias e inovações no setor. “O Brasil é o maior produtor de algodão responsável do mundo e lidera o ranking global de exportação. A cotonicultura brasileira investe em tecnologia e inovação para alcançar altos índices de produtividade, sempre com foco em sustentabilidade, responsabilidade social e ambiental. A rastreabilidade do algodão brasileiro, que vai desde a semente até o produto final, é um exemplo de excelência”, disse. Coube ao gestor de Qualidade da Abrapa, Edson Mizoguchi, mostrar o funcionamento do laboratório central de verificação e padronização dos processos classificatórios do algodão brasileiro, o CBRA, que é parte do programa Standard Brasil (SBHVI).

Abrapa apresenta a rastreabilidade do algodão brasileiro em evento de Viçosa
28 de Agosto de 2024

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) destacou o sucesso da rastreabilidade completa do algodão brasileiro, da semente ao consumidor final, durante o VII Congresso Brasileiro de Fitossanidade (CONBRAF), realizado de 21 a 23 de agosto, no Auditório Fernando Sabino, da Universidade Federal de Viçosa (MG). Com o tema "Sustentabilidade e Fitossanidade 4.0", o evento reuniu especialistas e estudantes para promover a troca de informações e experiências entre profissionais e produtores, além de discutir o papel das principais instituições na fitossanidade brasileira no contexto da Agricultura Verde. “Apresentamos o trabalho da Abrapa na rastreabilidade do algodão brasileiro, que é um exemplo de excelência em todas as cadeias produtivas e destaca-se nacionalmente. Juntamente com os integrantes do setor do café, que também tem um projeto muito estruturado, mostramos os caminhos para o Brasil avançar no mercado global e nacional. Nosso objetivo é garantir que a produção brasileira seja reconhecida por sua sustentabilidade, oferecendo confiança e segurança ao consumidor”, afirmou Marcio Portocarrero, diretor executivo da associação. Ele apresentou ainda a estrutura ampla, desenvolvida pela Abrapa, que engloba sustentabilidade, rastreabilidade e qualidade para informar ao público sobre os processos de produção do algodão no Brasil. “Temos uma integração de sistemas de tecnologia da informação, que asseguram a possibilidade de rastrear toda cadeia”, garantiu o executivo, que também participou de um debate ao lado de Bernardino Cangussu Guimarães, da Emater-MG. O evento incluiu plenárias, sessões, mesas redondas e palestras, oferecendo uma visão abrangente sobre temáticas atuais.

Algodão: de onde vem a sua roupa?
26 de Agosto de 2024

De várias cores e tamanhos, as roupas também têm uma variedade de matérias-primas. Segundo pesquisa da Textile Exchange, cerca de 22% da produção têxtil no mundo é feita a partir do algodão. Boa parte dessa pluma usada nas roupas vem do Brasil, que recentemente alcançou o posto de maior exportador de algodão do mundo, com 2,67 milhões de toneladas comercializadas para os mercados internacionais – de acordo com dados da safra 2023/2024. Mas afinal, de onde vem esse algodão? Como ele é feito e produzido? Há formas de rastrear com segurança o produto? O Agro Estadão ouviu especialistas para responder esses e outros questionamentos e entender a origem das roupas usadas no dia a dia. Como saber se a roupa que comprei é de um algodão de qualidade? A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) é a entidade que abarca 99% da produção nacional da pluma no Brasil. Para atestar a qualidade do produto, ela realiza testes em todos os fardos vendidos para a indústria têxtil. Essas análises laboratoriais levam em consideração ao menos sete parâmetros e os resultados são acrescentados ao Certificado Oficial de Classificação do Algodão Brasileiro, que é emitido para cada fardo analisado – ao sair da unidade de beneficiamento cada lote tem, em média, 230 kg. O algodão brasileiro é sustentável? Além do aspecto da qualidade, observado principalmente pela indústria têxtil, o consumidor final também tem se preocupado com a forma como os produtos são produzidos. No Brasil, há pelo menos dois certificados que garantem um padrão de sustentabilidade socioambiental. ABR O protocolo Algodão Brasileiro Responsável (ABR) verifica se a pluma está seguindo determinados critérios que abrangem tanto a situação ambiental (como uso de práticas agrícolas sustentáveis) como social (se as regras trabalhistas estão sendo seguidas, por exemplo). O processo para obter a certificação começa com um convite feito pela Abrapa para que o produtor seja certificado. A etapa seguinte é a preparação com treinamento e orientações para que o produtor possa adequar a sua produção. A fase seguinte é uma auditoria por empresas terceiras que vão visitar a fazenda analisando os critérios do protocolo. Depois, é a hora de saber se o produtor passou e a seguinte etapa trata da licença Better Cotton (veja abaixo), mas não é obrigatória. Além disso, esse processo é feito anualmente e é de adesão voluntária do produtor. São 183 itens avaliados durante o processo e que são divididos em oito critérios: Contrato de trabalho Proibição de trabalho infantil Proibição de trabalho análogo a escravidão, indigno ou degradante Liberdade de associação sindical Proibição de discriminação de pessoas Segurança, saúde e meio ambiente do trabalho rural Desempenho ambiental Boas práticas agrícolas e ambientais Os critérios de dois a cinco são obrigatórios e excludentes, ou seja, caso o produtor falhe em um desses, ele estará fora da certificação e não conseguirá mais fazer o processo para obter o ABR. Better Cotton A Better Cotton é uma organização internacional que promove um programa de sustentabilidade do algodão. Para atestar isso, a organização desenvolveu uma certificação que garante que essas práticas estão sendo seguidas. Com menos critérios do que o protocolo ABR, os produtores que estão aptos na certificação ABR automaticamente se tornam elegíveis para receber a certificação Better Cotton. Ela é importante principalmente para o mercado internacional, já que alguns países a exigem. Rastreabilidade na cadeia do algodão Um dos pontos-chave desse consumo consciente é ter formas para que o consumidor consiga checar a origem desse produto. Por isso, o movimento Sou de Algodão, da Abrapa, vem buscando parcerias com grandes varejistas e empresas têxteis para tornar isso possível através da rastreabilidade por QR Code nas etiquetas de roupas. Essa etiqueta reúne uma série de informações e qualificações que demonstram a qualidade e o processo de produção pelo qual o algodão foi obtido. “Para você participar dessa rastreabilidade, você tem que ser certificado. Essa certificação é tanto ABR quanto Better Cotton, que envolve cerca de 82% do algodão brasileiro que trazem as melhores práticas de responsabilidade ambiental e social para o produtor”, afirma ao Agro Estadão o presidente da Abrapa, Alexandre Schenkel. Há pelo menos duas formas de rastreabilidade do algodão brasileiro: SAI – É o Sistema Abrapa de Identificação (SAI). Ele é usado principalmente na entrega do algodão para as indústrias têxteis. Basicamente, é uma etiqueta colocada em cada um dos fardos que sai da unidade de beneficiamento. Pode ser verificado tanto por QR Code como por código de barras. A consulta pode ser feita pelo site da Abrapa ou pelo aplicativo com o mesmo nome. Sou ABR – Este é o sistema de rastreamento que vai além do SAI em que é possível ver as etapas na indústria têxtil. A leitura é feita pelo QR Code que é colocado nas etiquetas das roupas. Essa também é a forma que o consumidor final consegue ver os caminhos que o algodão percorreu. Como é feita essa rastreabilidade? Uma das características do Sou ABR é que ele também engloba o SAI, ou seja, as informações contidas no SAI também estão dentro desse QR Code das etiquetas. Outra curiosidade é que essas informações são encadeadas através de blockchain, a mesma tecnologia utilizada no Bitcoin, por exemplo. Isso confere mais segurança, já que as informações são armazenadas em blocos e cada bloco depende do anterior, o que torna ele mais difícil de ser modificado, já que uma mudança necessariamente implicaria mudar bloco a bloco da cadeia. Assim como em um sistema de produção, cada etapa acrescenta suas próprias informações. Confira como é o sequenciamento: Lavoura Como explica o coordenador de lavoura da Fazenda Pamplona, da SLC Agrícola, Fernando Ottobeli, o processo de identificação começa na colheita e formação dos fardos maiores. Cada fardo ou módulo pesa em média 2.200 kg. A lona que envolve o algodão possui quatro etiquetas ao longo dela e cada etiqueta possui um chip. Depois de formada, funcionários passam, ainda no campo, de módulo a módulo, “bipando” ao menos uma dessas etiquetas. Uma vez feito isso, são acrescentadas informações como: lavoura, cultivar plantada, data da colheita e se há ou não presença de contaminantes – termo usado para dizer se há poeira ou capim no algodão. Unidade de beneficiamento Uma vez no pátio da algodoeira, onde é feito o beneficiamento do algodão, os módulos que não apresentam contaminantes são beneficiados primeiro, como esclarece a coordenadora agroindustrial da Fazenda Pamplona, Maria dos Santos. Nessa etapa, a pluma é separada da semente e dividida em fardos menores, que serão vendidos às indústrias têxteis. Cada módulo gera cerca de quatro fardos de 230 quilos em média. Nesse ciclo também é feito o recolhimento das amostras para os testes de qualidade. Além disso, cada fardo recebe uma etiqueta SAI, na qual contém as informações obtidas na lavoura, além de outros dados acrescentados, como peso, laboratório que analisou a qualidade e a certificação socioambiental (ABR ou Better Cotton). Fiação Essa é a primeira etapa dentro da indústria têxtil. Aqui acontece a transformação do algodão em fios. São acrescentadas informações como data de produção, lote e nota fiscal de venda. Tecelagem ou malharia Os fios de algodão ganham contorno, cores e texturas nessa fase da cadeia. Os rolos de tecidos e estampados são feitos nesse estágio. Também são incluídos dados como nota fiscal de venda e o GLN (Número Global de Localização) do fabricante. Confecção Os fios e tecidos se transformam em camisas, camisetas, shorts, calças, saias, calçados e chapéus. Essa é praticamente a etapa final da indústria têxtil. Além das informações como lote e data de produção, são adicionados o GTIN-14 (um código de identificação) e a quantidade produzida. Lojas A entrega final é feita nas lojas de varejo onde é possível comprar as blusas e calças já com a etiqueta e QR Code que mostram toda a cadeia de produção. As varejistas também inserem nesse sequenciamento de dados suas próprias informações como GLN e o lote da venda. Como é o mercado para o algodão rastreável? O presidente da Abrapa ressalta que esse algodão não necessariamente vai atrair um valor maior na comercialização. Porém, esse tipo de pluma atrai mais compradores internacionais, o que o torna mais disputado e preferido pela indústria. “Esse algodão é o mais procurado hoje pelas tradings, pelos grandes comerciantes. Essas certificações contribuem principalmente com o interesse de compra do algodão brasileiro”, afirma Alexandre Schenkel. A expectativa para a safra 2024/2025 é de que o Brasil continue sendo o primeiro ou o segundo maior exportador da pluma, revezando essa posição com os Estados Unidos. Fonte: https://agro.estadao.com.br/sustentabilidade/algodao-de-onde-vem-a-sua-roupa

Brasil é o maior produtor de algodão responsável
26 de Agosto de 2024

A Record veiculou uma reportagem completa sobre a transformação do algodão brasileiro nas últimas décadas e seu reconhecimento mundial. A emissora esteve presente na Cotton Trip 2024, organizada pela Abrapa. Confira mais detalhes neste link: https://www.youtube.com/watch?v=d8qkxbTXh40 

Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa
23 de Agosto de 2024

Destaque da Semana - Apesar da queda de ontem, as cotações de algodão fecharam em alta na semana. A crescente preocupação com a seca no Texas e os problemas na safra no Paquistão ajudaram. Hoje o Federal Reserve dos EUA pode anunciar o início do corte dos juros. Algodão em NY - O contrato Dez/24 fechou nesta quinta 22/08 cotado a 69,34 U$c/lp (+3,3% vs. 15/ago). O contrato Dez/25 fechou em 70,73 U$c/lp (+1,4% vs. 15/ago). Basis Ásia - Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 865 pts para embarque Out/Nov-24 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 22/ago/24). Altistas 1 - - A condição das lavouras nos EUA piorou esta semana. O percentual das áreas com classificação de boa a excelente caiu de 46% para 42%, enquanto o Texas está em 29%. Altistas 2 - No Texas, onde o clima seco piorou as condições nesta semana, 29% das lavouras foram classificadas como ‘boa a excelente’ (contra 33% da semana passada). Apesar disso, o índice está bem melhor que na safra passada (10%). Altistas 3 - No Paquistão, um dos maiores produtores, consumidores e importadores de algodão do mundo, a safra deve ser menor que o previsto devido ao excesso de chuvas de monções. Baixistas 1 - O comércio internacional continua sem empolgar. Esta semana, o relatório de exportação do USDA mostrou vendas líquidas semanais de somente 104.026 fardos de 480 libras, 69% a menos que semana passada. Baixistas 2 - Preocupações com a economia americana, maior do mundo, continuam a dominar os noticiários, principalmente após nova piora no indicador de empregos no país divulgado nesta semana. EUA 1 - O desenvolvimento das plantas acelerou na semana passada nos EUA. Porém, 42% das lavouras foram classificadas como “boas a excelentes”, o que significa uma queda de 4 pp na semana. EUA 2 - Daqui a pouco, ocorre o esperado discurso do presidente do Fed (Banco Central dos EUA), Jerome Powell, em Jackson Hole, que pode indicar novos rumos na política da taxa de juros dos EUA. China 1 - Em julho, a China importou 199.392 tons de algodão, superando jun/24 e 82% acima de jul/23 (109.660 tons). No acumulado, o volume é de 3,26 milhões tons – 4º maior da história. O Brasil responde por 40% do total. China 2 - Em julho, a China importou 130.000 tons de fios de algodão, queda de 18% em relação a jul/23 e aumento de 19% em relação jun/24. O Vietnã forneceu 51%, seguido pelo Uzbequistão, com 15%, e pelo Paquistão, com 12%. China 3 - A importação de fios em 2023/24 totalizou 1,75 milhão tons na China, aumento de 44% em relação à temporada anterior e 10% em relação a 2021/22. China 4 - A China Cotton Association (CCA) estima que a produção chegará a 6,052 milhão tons – crescimento anual de 3% mesmo com redução de 2,4% esperada na área plantada. Bangladesh - Importadores bengaleses têm priorizado compras pontuais, com as fiações correndo contra o tempo para darem conta dos pedidos que foram prejudicados pela instabilidade política em Bangladesh. Paquistão 1 - Com a continuidade das chuvas de monções no cinturão do algodão, colheita e beneficiamento seguem parados no Paquistão. O acúmulo de água nas lavouras já afetou a previsão de safra para baixo. Paquistão 2 - Até 15/08, a PCGA registrou 1.075.028 fardos de algodão em caroço para beneficiamento – quase a metade do volume registrado no mesmo período no ano passado. Paquistão 3 - Com a previsão de queda na qualidade da safra paquistanesa e lentidão na oferta doméstica de algodão, a demanda por pluma importada aumentou na última semana no Paquistão. Índia - Até 16/08, a área plantada com algodão na Índia chegou a 11,1 milhões ha, 9% menor que no mesmo período do ano passado. Indonésia - Na última semana, a valorização da rúpia indonésia contribuiu para a importação de algodão brasileiro, malaio e australiano, mas ainda em volumes discretos. Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 47,9 mil tons até a terceira semana de agosto. A média diária de embarque é 12% menor que no mesmo mês de 2023. Colheita 2023/24 - Até ontem (22/08), foram colhidos no estado da BA (72,85%), GO (77,5%), MA (74%), MG (79%), MS (99,6%), MT (74%), PI (76,36%), PR (100%) e SP (96,5%). Total Brasil: 74,55%. Beneficiamento 2023/24 - Até ontem (22/08), foram beneficiados no estado da BA (50%), GO (42,26%), MA (23%), MG (45%), MS (49,7%), MT (20%), PI (26,6%), PR (100%) e SP (94%). Total Brasil: 27,23%. Preços - Consulte tabela abaixo ⬇ Quadro de cotações para 22_08 Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil, iniciativa que representa a cadeia produtiva do algodão brasileiro em escala global. Contato: cottonbrazil@cottonbrazil.com