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Abrapa inicia maratona de reuniões estatutárias de 2025
19 de Março de 2025A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) deu início, nesta terça-feira (18), à maratona de reuniões estatutárias de 2025. O primeiro encontro foi do Conselho Fiscal, realizado de forma on-line, para revisar as demonstrações financeiras e as avaliações da empresa auditora independente Ernst & Young. As conclusões referentes ao ano de 2024 serão submetidas à aprovação do Conselho. O próximo encontro será com o Conselho de Administração, dando sequência à agenda de reuniões que culminará, no dia 01 de abril, com a 1ª Assembleia Geral Extraordinária do Conselho de Representantes da Abrapa. Na ocasião, serão apresentados e aprovados os resultados dos programas estratégicos da entidade, permitindo um planejamento preciso para as ações futuras e garantindo transparência na comunicação com as associadas. Essa também foi a primeira reunião do Conselho Fiscal do biênio 2025/2026, que conta com a seguinte composição: Walter Yukio Horita (1º Conselheiro), Thomas Derks (2º Conselheiro) e Guilherme Scheffer (3º Conselheiro). Segundo Francisco Alves e Lima Júnior, gerente financeiro da Abrapa, a reunião acontece a cada seis meses e nela são apresentadas as demonstrações financeiras e a auditoria externa, que realiza a revisão dos números da entidade. “A Ernst & Young, como empresa auditora de terceira parte, submete suas conclusões para a aprovação do Conselho. É uma abordagem essencial para a associação”, explica. A pauta do encontro incluiu a prestação de contas do exercício de 2024 e a emissão do parecer que será apresentado à Assembleia Geral Ordinária de Representantes da Abrapa. Entre os itens analisados estavam a aprovação das contas do período, a comparação entre valores orçados e realizados, os saldos bancários ao final de dezembro de 2024 e o relatório da auditoria externa. Com essa série de reuniões, a Abrapa reforça seu compromisso com a governança e a transparência, estruturando suas ações para um novo ciclo de gestão eficiente no setor do algodão.
Iniciam aulas da segunda turma da Brazilian Cotton School
18 de Março de 2025Iniciaram nesta segunda-feira (17), na capital federal, as aulas da segunda turma da Brazilian Cotton School. A escola é uma iniciativa das principais entidades ligadas ao mercado do algodão no país, como Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), e Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM). “Serão três semanas de muito aprendizado e convívio com alunos que têm o potencial de conduzir a cadeia de algodão do Brasil pelos níveis de liderança que temos hoje”, declarou Marcelo Escorel, diretor da escola. A aula inaugural abordou a história do algodão no Brasil e no mundo e foi ministrada pela jornalista e autora do livro “Algodão, o fio da história no Brasil”, para a Abrapa, Catarina Guedes, e por Jonas Nobre, sócio da Corretora Laferlins e representante da BBM na Câmara Setorial do Algodão do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com atuação de 35 anos na cotonicultura. Na parte da tarde, os alunos se aprofundaram no plantio, desenvolvimento e colheita da pluma, além de custos de produção, ciclo reprodutivo, questões climáticas e insumos. Os próximos encontros irão receber especialistas em rastreabilidade, sustentabilidade, ESG – sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança -, legislação, descarbonização agrícola, plantio regenerativo, classificação, destinos do algodão brasileiro, entre outros. O presidente emérito da Abit, Fernando Pimentel, esteve presente na abertura oficial da segunda turma da Brazilian Cotton School e falou sobre a meta do Brasil de virar um exportador de manufatura de algodão atingindo posições relevantes como já ocorre na exportação da matéria bruta e sobre a missão de cada um dos alunos da escola para tornar esse objetivo em uma realidade. Os trinta e seis alunos da turma deste ano representam os mais variados setores da cotonicultura, como produção agrícola, beneficiamento, indústria, comércio e consultoria de mercado. “Minha expectativa ao participar do Cotton School é aprimorar meus conhecimentos e obter uma visão completa sobre todos os elos da cadeia do algodão. Isso, junto à oportunidade de networking com especialistas e outros profissionais, será fundamental para fortalecer parcerias estratégicas e impulsionar minha atuação na exportação, promovendo o algodão brasileiro para o mundo com ainda mais propriedade”, explanou Camila Liberato, aluna da segunda turma, do departamento Comercial da A1 Comexport. O curso terá no total três semanas de aula, sendo uma em Brasília (DF) e, as outras duas, em São Paulo (SP), incluindo ainda visitas técnicas que contemplam fazenda de algodão, indústria têxtil, laboratório e Porto de Santos. O conteúdo didático da Cotton School aborda todas as etapas envolvidas na cadeia da fibra natural, desde a produção até as operações em mercado futuro, passando ainda pela industrialização, legislação e arbitragem, dividido em uma carga de 120 horas/aula.
Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa
14 de Março de 2025Destaque da Semana - O relatório WASDE do USDA de Março, ainda focado em 24/25, divulgado nesta semana, manteve inalteradas as projeções para os EUA , com leve aumento na produção e no consumo global. Algodão em NY - O contrato Jul/25 fechou nesta quinta 13/mar cotado a 67,70 U$c/lp (+2,1% vs. 06/mar). O contrato Dez/25 fechou em 69,20 U$c/lp (+1,6% vs. 06/mar). Basis Ásia - Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 952 pts para embarque Mar/Abr-25 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 13/mar/25). Altistas 1 - Os produtores estão finalizando suas decisões de plantio nos EUA, em um momento em que a relação de preços entre algodão e milho ainda favorece o milho . Altistas 2 - As condições climáticas no Sul e no Oeste do Texas permanecem secas , o que pode também impactar as decisões de plantio. Baixistas 1 - As tensões geopolíticas e as novas tarifas anunciadas por EUA e China continuam dando um tom mais pessimista no mercado. Baixistas 2 - O índice Dow Jones da bolsa de Nova York caiu 3,6% desde 7 de março, refletindo preocupações com o conflito comercial entre os EUA e a China. Safra mundial 1 - Poucas mudanças nos números do USDA para a safra mundial de 2024/25. Safra mundial 2 - A produção mundial ( 26,34 milhões tons ) aumentou 0,41% em relação a fevereiro, enquanto o consumo aumentou 0,5%, para 25,37 milhões tons . Plantio 1 - O plantio de algodão começou oficialmente esta semana nos EUA . No final do mês, o USDA divulgará seus números de projeção de acres plantados. Plantio 2 - Na China, a região de Xinjiang iniciou o plantio , com expectativa de uma área plantada ligeiramente maior que no ano anterior (2,95 x 2,93 milhões de hectares ). China 1 - A Cottonchina estimou a produção total de algodão da China em 2024 em 6,85 milhões tons , com aumento em Xinjiang (6,58 milhões tons) e queda fora de XJ (0,28 milhão tons). China 2 - A consultoria chinesa BCO considera ainda que a exportação de produtos têxteis chineses para os EUA seguirá em queda em 2025, num sinal de que o foco de Pequim será mesmo o fomento ao consumo interno. China 3 - Com isso, a BCO segue com a estimativa de um consumo de 8,1 milhões tons , resultando em estoques finais de 7,44 milhões tons de algodão. Austrália - Na Austrália, o ex-ciclone tropical Alfred levou chuvas generalizadas para regiões produtoras de algodão, mas as condições quentes devem permitir rapidamente a retomada da colheita do algodão. Safra 2024/25 - De acordo com a Conab, o Brasil terá uma área plantada de algodão de 2,04 milhões de hectares (+5,1% maior que em 2023/24) e uma produção de 3,82 milhões tons (+3,3% a mais que no ciclo anterior). Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 78,5 mil tons na primeira semana de março. A média diária de embarque é 107% superior que a registrada no mesmo mês de 2024. Beneficiamento 2023/24 - Até ontem (13/03), foi finalizado o processo de beneficiamento nos estados de GO, MA, MG, MS, PI, PR e SP, restando apenas os estados da BA (99%) e MT (99,84%). Total Brasil: 99,71%. Plantio 2024/25 - Até ontem (13/03) foi finalizado o plantio nos estados da BA, MA, MG, MS, MT, PR e SP, restando apenas os estados de GO (96,88%) e PI (98,13%). Total Brasil: 99,97%. Preços - Consulte tabela abaixo ⬇ Quadro de cotações para 13-03 Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com
CBRA reafirma excelência técnica com manutenção de acreditação de norma
13 de Março de 2025Após três dias de avaliação, o Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), concluiu com êxito o processo de reavaliação de manutenção para mais uma acreditação. A análise, realizada entre os dias 10 e 12 de fevereiro por dois avaliadores, confirmou a solidez do Sistema de Gestão de Qualidade (SGQ) e a competência técnica do CBRA na execução de ensaios e na produção de material de referência para o Programa Standard Brasil HVI (SBRHVI) e o Programa de Qualidade do Algodão Brasileiro (PQAB). O escopo da acreditação incluiu a análise de algodão quanto às características de micronaire, comprimento UHML, índice de uniformidade, resistência, grau de reflexão e grau de amarelo. A acreditação obtida, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão – ABRAPA / Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão acreditado pela Coordenação-Geral de Acreditação do Inmetro para ABNT NBR ISO/IEC 17025 - ENSAIO, http://www.inmetro.gov.br/laboratorios/rble/detalhe_laboratorio.asp?nom_apelido=ABRAPA#, sob o número CRL 1495, estabelece requisitos internacionais que garantem a precisão, validade e confiabilidade dos resultados de laboratórios de ensaio e calibração. “O HVI é o balizador das transações comerciais com o algodão, e uma análise fidedigna garante o ambiente harmônico nas negociações e evita impasses e arbitragens”, disse Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa. Já Marcio Portocarrero, diretor executivo da entidade, destacou que as avaliações são importantes para garantir que o sistema fique cada vez melhor. “Afinal, somos um laboratório de referência. As não conformidades são oportunidades valiosas para aprimorarmos nosso sistema”, afirmou. De acordo com Deninson Lima, especialista em análise de pluma do CBRA, foram identificadas algumas não conformidades, mas se trataram apenas de observações pontuais. “A avaliação foi concluída com sucesso, os avaliadores recomendaram a manutenção da acreditação e essa verificação confirma, mais uma vez, a competência técnica do CBRA”, informou. A manutenção dessa acreditação reafirma o compromisso do CBRA com a excelência, contribuindo para a qualidade e competitividade do algodão brasileiro.
Sou de Algodão promove palestra na FAAL
12 de Março de 2025No dia 11 de março, terça-feira, o Sou de Algodão, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), promoveu uma apresentação para inaugurar a parceria com a Faculdade de Administração e Artes de Limeira (FAAL), no interior de São Paulo. Para cerca de 30 estudantes e docentes do curso de Design de Moda, Manami Kawaguchi, gestora de relações institucionais do movimento, foi a responsável por conduzir a conversa que teve o objetivo de inspirar e mostrar aos estudantes as possibilidades criativas, usando algodão, além de compartilhar um planejamento de ações futuras. Manami começou destacando o trabalho da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), seus pilares estruturais e projetos, como os programas de sustentabilidade, rastreabilidade, qualidade e promoção. Entre os principais pontos mencionados, a gestora ressaltou a liderança do Brasil na produção de algodão responsável e a capacidade de atender integralmente a demanda interna. Também destacou que os setores têxtil e de confecção são o segundo maior gerador de empregos no Brasil. Outro destaque da palestra foi a discussão sobre a visão do consumidor que está cada vez mais preocupado com a sustentabilidade e a busca por transparência das empresas. Segundo Manami, o Brasil tem a vantagem de conseguir produzir uma moda 100% nacional. “Podemos mostrar por quantas mãos aquela peça passa até chegar a quem compra, já que temos uma cadeia têxtil completa e verticalizada, desde a produção da matéria prima, que é produzida com responsabilidade socioambiental e certificada”, explica. Para Cristiane Nabarretti, Coordenadora de Artes e Design da FAAL, a sustentabilidade na moda tem se tornado uma pauta cada vez mais relevante, e discutir alternativas responsáveis é fundamental para a formação de profissionais conscientes e alinhados às demandas do setor. “Receber um evento como este reforça o compromisso da instituição em incentivar o diálogo sobre práticas mais sustentáveis na indústria têxtil, aproximando estudantes e profissionais de iniciativas que impulsionam uma moda mais ética e ambientalmente responsável”, explica. Além de compreenderem a importância da transparência e da sustentabilidade, os estudantes puderam conhecer de perto as diversas possibilidades de se trabalhar com o algodão, uma fibra natural, versátil e amplamente disponível no Brasil. “O algodão brasileiro oferece inúmeras oportunidades criativas para os futuros profissionais da moda, desde o design até a confecção, e contribui para o desenvolvimento de uma indústria mais responsável e conectada com as demandas do consumidor”, conclui Manami. Sobre Sou de Algodão Movimento criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 2016, para despertar uma consciência coletiva em torno da moda e do consumo responsável. Para isso, a iniciativa une e valoriza os profissionais da cadeia produtiva e têxtil, dialogando com o consumidor final com ações, conteúdo e parcerias com marcas e empresas. Outro propósito é informar e democratizar o Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que segue rigorosos critérios ambientais, sociais e econômicos e certifica 82% de toda a produção nacional de algodão.
Relatório de Qualidade do Algodão Brasileiro - safra 2023/2024 (Fevereiro de 2025)
07 de Março de 2025A análise por HVI do algodão brasileiro da safra 2023/2024, conduzida pelos 12 laboratórios que integram o Programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), está na reta final, com conclusão prevista para 31 de março. O relatório de fevereiro confirma a estabilidade da qualidade em relação ao ciclo anterior, com avanços importantes, especialmente na redução do índice de fibras curtas (SFI) – um dos principais requisitos da indústria têxtil global. Com 83 equipamentos HVI em operação, os testes garantem a transparência e precisão na avaliação de indicadores essenciais, como micronaire, resistência, comprimento e uniformidade da fibra. Confira todos os detalhes no Relatório de Qualidade da Abrapa de fevereiro através do link: https://abrapa.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Relatorio_de_Qualidade_do_Algodao_Brasileiro_safra_2023_2024.Fevereiro.pdf
Tecendo histórias de sustentabilidade: o protagonismo feminino no algodão brasileiro
07 de Março de 2025No vasto cenário do agronegócio brasileiro, são muitas as Yannas, Luanas, Roselaines, Carols e Jennifers que se destacam por suas trajetórias de luta, coragem, inovação e sustentabilidade, ajudando a dar novos contornos à arte de produzir o algodão, fibra tão intimamente ligada ao feminino. Cada uma, com sua história, contribui para a transformação do setor, imprimindo nele seus talentos, que enriquecem e diversificam as práticas agrícolas no país. O algodão brasileiro tem evoluído em tecnologia e na forma como valoriza quem faz parte dessa cadeia, sobretudo, as mulheres. Só entre as fazendas certificadas pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), são mais de 4.891 vagas diretamente ocupadas por elas, na safra 2023/2024, e isso faz parte do compromisso da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, Abrapa, com o aumento da presença feminina na produção em todos os níveis do setor, principalmente, na tomada de decisões. O ABR, ao certificar boas práticas ambientais, sociais e econômicas, fortalece as garantias de respeito às pessoas que fazem o algodão chegar ao mundo com qualidade e responsabilidade. Em seu dia a dia, as mulheres do algodão percebem os avanços proporcionados por esse compromisso. Nas fazendas, com melhores condições de trabalho, segurança, treinamentos e um reconhecimento em progressão. “É um caminho a seguir, e está longe de ser fácil, mas é muito bom constatar que as mulheres estão dia a dia aumentando a participação no setor, seja na produção, pesquisa, transformação, logística, comercialização e tantas outras áreas. Grande parte delas, na liderança e decisão”, comemora o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli. Para a Abrapa, o algodão não é apenas uma fibra têxtil, mas o fio que conduz e entrelaça histórias, e incorpora, nesse tecido, dedicação e compromisso com um futuro melhor. Yanna Costa: o retorno às raízes com um olhar sustentável No universo do algodão brasileiro, a presença feminina tem crescido e se consolidado, trazendo novas perspectivas para o setor. Yanna Costa, coordenadora do ABR-Sustentabilidade da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), é um exemplo desse movimento. Sua trajetória acadêmica e profissional reflete a dedicação ao agro e à responsabilidade ambiental. “Meus pais saíram do campo e eu voltei.” Natural do Pará, Yanna iniciou sua formação em Agronomia na Universidade Federal Rural da Amazônia (PA) e seguiu para o mestrado na Universidade Federal de Viçosa, além de um doutorado na Unesp de Jaboticabal (SP). Sua carreira sempre esteve ligada à pesquisa e à sustentabilidade, e foi nessa jornada que encontrou seu caminho até o algodão. Antes de assumir seu papel na Abapa, trabalhou na fiscalização agropecuária do Pará e na docência universitária, sempre com um olhar voltado para a conscientização ambiental e as boas práticas no campo. Ao ingressar no Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), passou a atuar diretamente com as fazendas certificadas, reforçando o compromisso do setor com a sustentabilidade. Yanna destaca que a presença feminina no agro tem avançado, mas ainda há desafios. "A gente tem um olhar mais criterioso e detalhista, é algo natural. Mas as barreiras culturais ainda existem, especialmente em relação à voz e ao espaço que ocupamos", comenta. Apesar disso, ela vê mudanças concretas acontecendo, como a presença crescente de mulheres na operação de máquinas agrícolas e em funções de liderança. Para o futuro, Yanna acredita que o caminho é continuar incentivando a participação feminina no setor. "Todas nós somos capazes de fazer tudo o que quisermos. O importante é não ter medo", finaliza. Luana Boff: tradição familiar e inovação no campo Desde pequena, Luana Boff carrega no coração a essência do campo. Filha de agricultores, cresceu entre as lavouras e os ensinamentos do pai, que sempre lhe mostrou o valor da terra e do trabalho no agro. Hoje, ao lado da irmã Marina e da família, Luana gerencia o setor administrativo do negócio da família, as Fazendas Indaiá. A unidade produtora de pluma está localizada em Chapadão do Sul (MS). E o algodão, que há 25 anos entrou para a história da propriedade, tornou-se não apenas um dos pilares da produção, mas uma paixão pessoal. "O algodão trouxe uma revolução para nós. Ele nos desafia constantemente a evoluir, a buscar mais conhecimento e a adotar práticas sustentáveis", conta Luana, que também é vice-presidente da Associação Sul-Mato-Grossense do Produtores de Algodão (Ampasul). A cultura, exigente e cheia de desafios, trouxe à fazenda avanços técnicos e maior responsabilidade ambiental. E foi nessa jornada que a certificação do Algodão Brasileiro Responsável (ABR) passou a ter um papel fundamental. Certificada há oito anos, a Fazenda Indaiá se tornou um exemplo de produção responsável no país. "A certificação nos ensina a sermos melhores a cada dia. Ela nos faz olhar com mais atenção para o que podemos aprimorar, garantindo que nossa produção respeite as pessoas e o meio ambiente", explica Luana. Para ela, as mulheres têm um papel fundamental nesse processo. Seja no campo, na gestão ou na fiscalização das boas práticas, a presença feminina na fazenda se destaca. "As mulheres têm um olhar cuidadoso, detalhista. E isso faz toda a diferença quando falamos de certificação, sustentabilidade e responsabilidade social", ressalta. Atualmente, cerca de 20% da equipe da fazenda é composta por mulheres, ocupando funções essenciais. Embora tenha se formado em Direito, Luana nunca exerceu a profissão. Seu verdadeiro chamado sempre esteve na gestão agrícola, onde encontrou formas de aplicar seu conhecimento. Com especialização em gestão administrativa e financeira, assumiu a missão de garantir a evolução contínua da propriedade. Mãe de duas meninas, ela vê na nova geração um reflexo do amor que sempre sentiu pelo agro. "Minhas filhas já demonstram interesse pelo que fazemos. Acho maravilhoso ver esse ciclo se renovando. O futuro do agro passa pelas próximas gerações, e espero que elas encontrem um setor cada vez mais justo e equilibrado para todos", reflete. No Dia Internacional da Mulher, Luana celebra a trajetória feminina no agronegócio. "As mulheres sempre estiveram presentes no agro, mas agora estamos ganhando mais espaço e reconhecimento. Nosso trabalho é essencial para o futuro do setor, e cada passo que damos torna o caminho mais acessível para as próximas gerações", conclui. Roselaine Lins: uma jornada de coragem e transformação No coração do Brasil, em Querência, no estado de Mato Grosso, a história de Roselaine Aparecida Silva Lins emerge como um testemunho de coragem, determinação e transformação no agronegócio. Aos 29 anos, Roselaine trilhou um caminho que inspira, desafiando paradigmas. Formada em Engenharia de Produção Agroindustrial pela Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Roselaine sempre sentiu uma conexão profunda com a terra e suas potencialidades. Em dezembro do mesmo em que se formou, 2019, ingressou no processo seletivo para trainee na Fazenda Tanguro, localizada em Querência, uma das unidades da Amaggi Agro. Foi ali que, em 2020, teve seu primeiro contato com a cultura do algodão, participando ativamente da implantação da algodoeira da fazenda. Após um ano no programa de desenvolvimento como trainee, assumiu a posição de líder de apoio à produção, onde acompanhou de perto a armazenagem e expedição da pluma de algodão. Posteriormente, tornou-se coordenadora da algodoeira, estando diretamente envolvida no processo produtivo. Atualmente, como supervisora da algodoeira, lidera uma equipe que, nos períodos de pico, conta com 110 colaboradores, dos quais 99% são homens. No início, Roselaine enfrentou certa resistência por parte da equipe masculina. No entanto, sua paixão pelo trabalho e o acolhimento recebido foram fundamentais para superar essas barreiras. "Acredito que o que me fez apaixonar pela cotonicultura foi o acolhimento que eu tive por ser uma mulher nesse ambiente agro, por parte da empresa, e pela minha equipe de colaboradores da Fazenda Tanguro", diz. Desde o início das operações de beneficiamento, a unidade aderiu ao Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), refletindo seu compromisso com práticas sustentáveis e socialmente responsáveis. Roselaine participou ativamente desse processo de certificação, evidenciando a importância da sustentabilidade desde a produção agrícola. Ela observa que o agro está se abrindo cada vez mais à participação feminina, especialmente em cargos de liderança. "Hoje, podemos observar muitas mulheres à frente de equipes, e vemos que o ambiente está realmente se abrindo", destaca. "Se você tem vontade e acredita que tem as qualificações necessárias e quer estar no agro, não desista e não deixe que outras pessoas te desencorajem, independentemente de qualquer coisa, a liderança se faz pelo exemplo", aconselha. Jennifer Onetta: determinação e excelência na operação do algodão Engenheira Agrícola e Ambiental formada pela Universidade Federal de Mato Grosso (MT), Jennifer iniciou sua jornada no algodão em 2019, diretamente na operação de beneficiamento da fibra. Ela é gerente de Operações na Elisa Agro Sustentável, localizada em Britânia (GO). Desde então, tem se destacado em um ambiente ainda predominantemente masculino, liderando equipes e implementando melhorias que elevaram a eficiência e a qualidade dos processos na algodoeira em que atua. "Sempre busquei a competência e mostrar que sou capaz, assim como qualquer outro profissional. No fim, estamos todos trabalhando pelo mesmo objetivo", afirma Jennifer. Seu comprometimento se traduz em resultados concretos. Sob sua gestão, a unidade otimizou a produção e conquistou a certificação ABR, garantindo que a fazenda opera dentro dos padrões de sustentabilidade e segurança. Atualmente, Jennifer é a única mulher na operação da algodoeira, liderando uma equipe que, na safra, pode chegar a 50 trabalhadores. "No início, tive que me posicionar, demonstrar conhecimento e segurança. Mas, hoje vejo que esse espaço está cada vez mais sendo ocupado por mulheres, e isso é um grande avanço", comemora. "Nosso foco é manter o padrão de qualidade e garantir que a certificação seja mantida”, reforça. Quando questionada sobre o que diria a outras mulheres que desejam entrar no setor, Jennifer é enfática: "Nós, mulheres, somos capazes de conquistar tudo o que quisermos. Basta ter coragem e força de vontade. Nada é impossível!" Carol Martignago: a força feminina que inspira e transforma o algodão brasileiro Desde pequena, Carol Martignago já respirava o algodão. Cresceu acompanhando a família no campo, em meio às plantações que, há mais de 20 anos, fazem parte da história do Grupo Três Estrelas, em Primavera do Leste (MT). Mas foi na faculdade de Agronomia que veio a paixão definitiva pela cultura. Durante um estágio na fazenda, percebeu que o algodão exigia dedicação, conhecimento e, acima de tudo, um olhar atento aos detalhes – características que ela incorporou naturalmente à sua trajetória. O caminho, no entanto, não foi simples. Carol enfrentou desafios, olhares duvidosos e algumas barreiras invisíveis. Mas provou que competência não tem gênero. Hoje, como diretora do Grupo Três Estrelas, ela lidera uma equipe de aproximadamente 600 colaboradores, sendo 30% mulheres. "Desde o início, percebi que, mais do que provar meu valor, eu precisava conquistar a confiança da equipe. Nunca enxerguei preconceito direto, mas sabia que era um ambiente diferente para mim. O que fez a diferença foi a forma como os funcionários me acolheram e me ensinaram. Eles entenderam que eu estava ali para somar e crescer junto com eles", conta Carol. Além da gestão do grupo, Carol se dedica à manutenção da certificação do algodão brasileiro, sendo responsável pelos selos ABR e BC (Better Cotton), na empresa. Com visão estratégica, ela provou que a certificação era uma necessidade para a competitividade e sustentabilidade do algodão brasileiro. "Hoje, é impossível comercializar o algodão sem a certificação. Ela garante que nosso produto respeita normas ambientais, sociais e trabalhistas, trazendo confiabilidade para o mercado", explica. Para Carol, o futuro do agro passa, inevitavelmente, pela força feminina. "Cada mulher precisa reconhecer seu valor e impacto na sociedade. Nossa presença no agronegócio transforma, inova e inspira. O mundo precisa de cada uma de nós", finaliza.
Cotton Brazil tem avanços concretos com Missão Índia-Paquistão
07 de Março de 2025Segundo e terceiro maiores consumidores de algodão, Índia e Paquistão foram os dois primeiros países a serem visitados pelo Cotton Brazil em 2025. Uma comitiva formada por oito representantes da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) esteve de 17 de fevereiro a 1º de março nas cidades de Coimbatore e Mumbai, na Índia, e Karachi, Lahore e Islamabad, no Paquistão. O Cotton Brazil é o programa de promoção internacional do algodão brasileiro, realizado pela Abrapa em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). A Anea apoia a iniciativa. O intercâmbio brasileiro gerou avanços concretos. “As indústrias têxteis indianas podem aumentar a eficiência utilizando o algodão brasileiro. Por isso, iniciamos uma aproximação entre especialistas têxteis da Índia e produtores brasileiros. Técnicos indianos visitarão, ainda neste ano, fazendas, laboratórios e algodoeiras brasileiras para aprenderem como aproveitar melhor a fibra nacional”, pontuou o vice-presidente da Abrapa, Celestino Zanella. Além de segundo maior produtor e consumidor mundial de algodão, a Índia é detentora do segundo maior parque industrial têxtil do globo. No entanto, o Brasil – maior exportador no ciclo 2024/25 – responde por apenas 4% do mercado indiano. Não à toa, o país mais populoso do mundo é um dos que o programa Cotton Brazil passou a visitar pelo menos uma vez por ano, com missões já realizadas em 2024 e 2025. A estratégia tem dado bons frutos. De agosto de 2024 a janeiro de 2025, a Índia importou praticamente 112.000 toneladas de algodão do Brasil, volume 14 vezes superior às 8.000 toneladas registradas na temporada 2024/25. “Nos últimos seis meses, embarcamos para Índia um volume superior à soma dos últimos dez anos”, pontuou o diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte Monteiro. No Paquistão, o governo local comprometeu-se a suspender a exigência de fumigação do algodão brasileiro no desembarque nos portos locais. A fumigação é uma exigência feita por alguns países para evitar riscos sanitários e, atualmente, é realizada tanto na saída das cargas brasileiras quanto na chegada nos portos paquistaneses. “Entregamos ao governo paquistanês um estudo técnico que fizemos em parceria com a All Pakistan Textile Mills Association (APTMA), mostrando que o procedimento não é necessário”, afirmou o diretor. A dispensa da fumigação tende a facilitar ainda mais o comércio entre Brasil e Paquistão. Hoje, o algodão brasileiro responde por 24% das importações paquistanesas, com tendência de aumentar. Isso porque a produção própria no país está em queda. O Paquistão é o terceiro maior consumidor e o quarto maior importador de algodão no mundo. No ano comercial 2023/24, o Brasil exportou 165 mil toneladas para o Paquistão. Nos seis primeiros meses do ciclo 2024/25, foram embarcadas 157,36 mil toneladas – sinal de que as vendas serão maiores. Programação. A Missão Índia-Paquistão teve uma programação diversificada, com reuniões institucionais, visitas técnicas, participação em evento setorial e contatos comerciais. A Abrapa promoveu ainda quatro edições do seminário “Cotton Brazil Outlook” – em Coimbatore e Mumbai, na Índia, e em Karachi e Lahore, no Paquistão. Os representantes da Abrapa e da Anea apresentaram dados atualizados sobre a safra brasileira de algodão e estatísticas de exportação. Além disso, os eventos incluíram espaço para perguntas e respostas. Em Coimbatore, o presidente da Southern India Mills' Association (SIMA), Dr. S K Sundararaman, foi o convidado de honra do evento. Já em Mumbai, coube a Rakesh Mehra, presidente da Confederação da Indústria Têxtil Indiana (CITI), ser o “Guest of Honours” do evento brasileiro. Em Karachi, o seminário contou com a presença do presidente da APTMA – Sul, Naveed Ahmed, e, em Lahore, Asad Shafi, presidente da APTMA – Norte representou a entidade no evento. A associação foi parceira da Abrapa na elaboração da programação da missão brasileira no Paquistão.