Representantes da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) participaram, nesta terça-feira (2), de uma reunião com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o senador Jaques Wagner para discutir temas estratégicos para a cadeia produtiva do algodão. O encontro foi articulado por Carlos Ernesto Augustin e contou com a participação do diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, do presidente da entidade, Moisés Schmidt, e de representantes da Associação dos Irrigantes da Bahia (Aiba).
Regulamentação dos bioinsumos
Na pauta dos bioinsumos, a Abrapa solicitou apoio para conferir maior celeridade à regulamentação da legislação. Durante a reunião, o vice-presidente solicitou atenção especial à conclusão e publicação da norma, considerada estratégica para ampliar a adoção de tecnologias sustentáveis no campo.
Para o diretor executivo da Abrapa, a regulamentação é fundamental para garantir segurança jurídica e ampliar o acesso dos produtores a soluções inovadoras. “Os bioinsumos representam uma ferramenta importante para aumentar a eficiência da produção agrícola e fortalecer a sustentabilidade econômica e ambiental do setor. Por isso, a regulamentação é aguardada com grande expectativa pelos produtores”, afirmou Portocarrero.
Setor busca alternativas para o endividamento agrícola
A situação financeira dos produtores rurais também esteve entre os principais temas da reunião. A Abrapa apresentou preocupações relacionadas ao crescente endividamento do setor e às discussões em torno do Projeto de Lei nº 5.122/2023, que trata de mecanismos para renegociação de dívidas rurais.
Os representantes do setor defenderam a construção de soluções em conjunto com o Ministério da Fazenda, incluindo a criação de um fundo garantidor para ampliar o acesso ao crédito e reduzir riscos para as instituições financeiras. Também foram discutidos mecanismos de renegociação e prorrogação de parcelas de investimentos. O senador Jaques Wagner comprometeu-se a apoiar as articulações junto ao governo federal em busca de alternativas para o setor.
Fibras naturais e microplásticos entram no debate sobre competitividade
A valorização das fibras naturais e os impactos ambientais associados aos materiais sintéticos foram tratados como temas estratégicos para o futuro da cadeia têxtil. Durante a reunião, a Abrapa apresentou a Emenda nº 52 à Medida Provisória nº 1.357, proposta pelo senador Carlos Fávaro, que prevê a criação de uma Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incidente sobre produtos têxteis importados, com alíquotas proporcionais à participação de fibras sintéticas em sua composição.
A proposta prevê que os recursos arrecadados sejam destinados a um fundo voltado ao financiamento de inovação, desenvolvimento tecnológico, campanhas de conscientização e iniciativas de incentivo ao uso de fibras naturais e produtos sustentáveis.
Ao apresentar o tema, o setor destacou experiências internacionais voltadas à redução dos impactos ambientais dos tecidos sintéticos e ao estímulo ao consumo de fibras naturais. O vice-presidente demonstrou receptividade à proposta e solicitou ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) o aprofundamento das discussões com representantes do setor.
Sustentabilidade, rastreabilidade e etiquetagem
Os participantes também discutiram os desafios impostos pelas novas exigências internacionais relacionadas à sustentabilidade, rastreabilidade e economia circular. Temas como passaporte digital de produtos, comprovação de origem sustentável e transparência das informações ao consumidor foram apontados como fatores cada vez mais relevantes para a competitividade da cadeia têxtil brasileira.
Nesse contexto, a Abrapa informou que está em andamento, em parceria com a ABIT e o MDIC, a construção de um acordo de cooperação técnica para modernização das normas de etiquetagem de produtos têxteis no Brasil.
As mudanças buscam ampliar a transparência para o consumidor e preparar o setor para atender às exigências dos mercados internacionais, fortalecendo a competitividade das fibras naturais e da indústria têxtil nacional.
Para a Abrapa, a reunião representou um avanço importante no diálogo institucional com o governo federal em torno de temas prioritários para a cotonicultura brasileira. “Os encaminhamentos definidos deverão dar continuidade às discussões sobre bioinsumos, crédito rural, competitividade da indústria têxtil e valorização das fibras naturais nos mercados nacional e internacional”, avaliou Portocarrero.
Abrapa leva ao vice-presidente Geraldo Alckmin pautas estratégicas para o algodão brasileiro
Regulamentação dos bioinsumos, alternativas ao endividamento rural e políticas de incentivo às fibras naturais estiveram entre os temas discutidos com o governo federal
03 de Junho de 2026
