Destaque da Semana 1 - O mercado de algodão encerra a semana com tom mais firme, sustentado por volume forte, melhora técnica e pela percepção de que o risco climático nos EUA (Texas) é real.
Destaque da Semana 2 - O aumento das tensões no Oriente Médio e a alta dos preços do petróleo adicionaram um viés mais altista ao mercado. Os embarques dos EUA foram os maiores da temporada, com compradores aproveitando os níveis atuais para alongar cobertura, enquanto a menor disponibilidade de embarque imediato do Brasil também ajudou a sustentar o mercado. O relatório de área plantada do USDA que sairá 31/mar é aguardado pelo mercado.
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Algodão em NY - O contrato Jul/26 fechou nesta quinta 26/mar cotado a 71,52 U$c/lp (+2,7% vs. 19/mar). O contrato Dez/26 fechou em 73,64 U$c/lp (+2,3% vs. 19/mar).
Basis Ásia - O Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 932 pts para embarque Mar/Abr-26 (Middling 1-1/8" (31-3-36), fonte Cotlook 26/mar/26.
Oferta - A Cotlook estima a produção global de algodão em 26,35 milhões de toneladas em 2025/26, ante 26,37 milhões em 2024/25, indicando leve queda de aproximadamente 0,1% ano a ano. Para 2026/27, a projeção é de 25,11 milhões de toneladas, representando retração de cerca de 4,7% frente a 2025/26.
Demanda - A Cotlook projeta o consumo global de algodão em 25,35 milhões de toneladas em 2025/26, ante 25,51 milhões em 2024/25, indicando queda de cerca de 0,6% ano a ano. Para 2026/27, a estimativa é de 25,41 milhões de toneladas, sugerindo leve recuperação de aproximadamente 0,2% frente a 2025/26.
Análise de Mercado da Semana - Durante a Conferência de Bremen nesta semana, tivemos uma apresentação de Colin Iles, executivo responsável pela área de algodão da ED&F Man. Por isso, nesta edição, os pontos altistas e baixistas abaixo refletem a visão apresentada por ele sobre o cenário atual do mercado global de algodão.
Altistas 1 - O principal fator altista destacado foi o risco no Estreito de Ormuz, que elevou a preocupação com energia, fertilizantes e fretes. Esse choque pode aumentar o custo de produção agrícola e o custo de reposição da pluma no mercado internacional.
Altistas 2 - A alta do petróleo e do gás natural torna o poliéster menos competitivo frente ao algodão. Isso pode abrir espaço para recuperação parcial do consumo de algodão em misturas têxteis, especialmente na Ásia.
Altistas 3 - Segundo a apresentação, o preço do poliéster subiu fortemente na China e também avançou em outros polos têxteis relevantes, como Índia e Paquistão. Esse movimento melhora a competitividade relativa do algodão e favorece ajustes de mistura em algumas fiações.
Altistas 4 - Colin destacou que o posicionamento dos fundos vinha extremamente baixista, com os especuladores vendidos por 99 semanas consecutivas. Como esse nível de venda não tende a durar indefinidamente, a redução dessas posições pode dar suporte adicional aos preços.
Altistas 5 - Na semana anterior à palestra, houve a maior redução semanal das posições vendidas dos especuladores em toda a série acompanhada por ele. Esse movimento pode indicar início de mudança no sentimento financeiro sobre o algodão.
Altistas 6 - O aumento do custo de energia e fertilizantes pode elevar o piso de custo de produção da próxima safra global. Na visão apresentada, isso reduz a disposição dos produtores em vender a preços muito baixos e tende a levantar a base do mercado.
Baixistas 1 - O principal contraponto é que energia mais cara também pesa sobre o crescimento econômico e o consumo. Se isso reduzir renda disponível e gasto discricionário, a demanda por têxteis pode enfraquecer e limitar a alta do algodão.
Baixistas 2 - O aumento dos custos de energia pressiona diretamente as margens das fiações e de toda a cadeia têxtil. Esse aperto pode levar parte dos compradores a adiar compras de pluma ou reduzir atividade.
Baixistas 3 - Mesmo com a melhora relativa do algodão, o poliéster ainda continua mais barato em termos absolutos. Por isso, a substituição tende a ser apenas parcial e não muda sozinha o balanço global da fibra.
Baixistas 4 - Colin lembrou que o algodão vem perdendo participação estrutural para o poliéster há décadas. Ou seja, há uma melhora tática de curto prazo, mas o desafio estrutural continua relevante para o setor.
Baixistas 5 - Parte dos fundos ainda pode permanecer vendida porque a estrutura do mercado segue oferecendo carry atrativo para estratégias financeiras. Enquanto isso continuar, o processo de recuperação dos preços pode ser mais lento e irregular.
China 1 - Os futuros de algodão na bolsa de Zhengzhou inverteram a direção e encerraram a semana em alta generalizada. O contrato maio, referência do mercado, fechou com ganhos em três das últimas cinco sessões. Tanto o volume negociado quanto o interesse em aberto recuaram novamente.
China 2 - As condições climáticas na China são apontadas como favoráveis para o plantio nas próximas semanas, o que deve permitir bom avanço inicial da nova safra.
Índia 1 - Os preços domésticos do algodão subiram na semana, com o Shankar-6 aumentando ₹850 por candy, para ₹56.600 por candy (≈77,00 c/lb), enquanto o Punjab J-34 avançou ₹60 por maund, para ₹5.675 por maund (≈73,50 c/lb).
Índia 2 - As importações indianas de algodão em pluma foram de 75.198 toneladas em janeiro, queda de 71% frente a dezembro, mas ainda 27% acima do mesmo mês do ano passado. No acumulado de agosto a janeiro, os desembarques somaram 780.337 toneladas, com Austrália (25%), Brasil (24%) e Estados Unidos (15%) entre os principais fornecedores.
Paquistão 1 - O plantio de algodão ganhou impulso após o feriado de Eid e com condições climáticas predominantemente favoráveis com chuva. Há relatos de escassez de fertilizantes, e espera-se que os custos aumentem nas próximas semanas.
Paquistão 2 - Os preços domésticos do algodão subiram acentuadamente, com valores mais firmes desde antes do Eid e oferta restrita no mercado.
Bangladesh 1 - O retorno às atividades após o Eid foi lento, com compras limitadas de algodão, enquanto os preços de pluma e fio avançaram. Algumas fiações enfrentam dificuldades devido ao fornecimento limitado de energia, agravado pelo conflito no Oriente Médio, que tem elevado custos e causado atrasos logísticos com o aumento do diesel e redução da capacidade de carga aérea.
Bangladesh 2 - As importações de algodão somaram 120.117 toneladas em fevereiro, queda em relação a janeiro e também frente ao mesmo mês do ano anterior. O algodão brasileiro respondeu por 41% das importações.
Vietnam 1 - O ritmo de negócios desacelerou na semana, com compradores adotando postura cautelosa diante da volatilidade dos preços em Nova York. Os pedidos confirmados na última semana incluíram algodão brasileiro da safra 2025 (Middling 1-5/32”) a cerca de 77,00 centavos por libra, e lotes SM ligeiramente mais altos, além de algodão dos EUA cotado a 80,75 centavos por libra.
EUA 1 - O contrato maio/26 do algodão na ICE encerrou a semana a 68,18 centavos por libra, queda líquida de 52 pontos, após oscilar entre 66,65 e 68,76 c/lb no período.
EUA 2 - Os embarques semanais de algodão totalizaram 400.600 fardos, o maior volume do ano comercial, com destaque para Vietnã (164.100 fardos), Paquistão (60.500) e Bangladesh (40.300).
Agenda na Alemanha 1 - Uma delegação brasileira, liderada por Gustavo Piccoli, presidente da Abrapa, participou de uma agenda estratégica que reuniu dois fóruns centrais para o setor algodoeiro global: a 83ª Reunião Plenária do ICAC (International Cotton Advisory Committee) e a Bremen Cotton Conference.
Agenda na Alemanha 2 - Ao longo da semana, foram discutidos temas de grande relevância para o futuro do algodão, com destaque para demanda, sustentabilidade, políticas públicas, rastreabilidade, qualidade e posicionamento estratégico.
Exportações - As exportações brasileiras de algodão somaram 238,3 mil toneladas nas três primeiras semanas de mar/26. A média diária de embarque foi 26,2% maior que no mesmo mês de 2025.
Preços - Consulte a tabela de cotações abaixo:
Este boletim é produzido pelo Cotton Brazil - cottonbrazil@cottonbrazil.com
