A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) intensificou em abril a preparação das Unidades de Beneficiamento de Algodão (UBAs) para a safra 2025/2026 com a realização de treinamentos voltados à formação de inspetores de qualidade, requisito para a adesão ao Programa de Qualidade do Algodão Brasileiro (PQAB).
Treinamento no Matopiba
No dia 24 de abril, em Luís Eduardo Magalhães (BA), a entidade promoveu uma capacitação em parceria com a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), que reuniu mais de 90 participantes de diferentes estados produtores. Além de treinar aos profissionais das UBAs localizadas na Bahia, o curso também atendeu os estados do Ceará, Maranhão e Piauí.
Sobre a realização dos treinamentos, a presidente da Abapa, Alessandra Zanotto, explicou a relação entre a formação dos inspetores e a qualidade do algodão é direta. “A qualidade da análise do algodão é tão depende da acurácia do inspetor de qualidade da fibra quanto dos próprios instrumentos de HVI, e a credibilidade do nosso produto no mercado passa pelo preparo destes profissionais.”
A presidente falou da importância da realização de formações de inspetores em locais de produção crescente, como é o caso da fronteira agrícola do Matopiba. “O curso de formação de inspetores que promovemos aqui na Abapa, por iniciativa da Abrapa e do Mapa, assim como todo o programa de qualidade do algodão brasileiro (PQAB), é fundamental para continuarmos assegurando a confiabilidade das amostras e dos laudos emitidos pelo nosso laboratório, num contexto de produção crescente, como acontece aqui na Bahia e em todo o Matopiba”.
Inspetores de MG, GO e SP participaram de treinamento na Ampasul
Já no dia 27 de abril, uma nova turma foi formada em Chapadão do Sul (MS), ampliando o alcance da iniciativa e reforçando o compromisso do setor com a padronização das operações. No Mato Grosso do Sul, o evento foi realizado em parceria com a Associação Sul-Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (Ampasul) e treinou profissionais das UBAs de Minas Gerais, Goiás e São Paulo.
A identificação de possíveis riscos para a qualidade foi lembrada pelo presidente da Ampasul, Renato Bürgel, como um dos pontos críticos da gestão da qualidade durante o treinamento. “Esses profissionais são treinados para cumprir com procedimentos e identificar pontos críticos no processo de beneficiamento e amostragem, como a presença de contaminações ou perdas de qualidade da fibra ocasionadas pelo processo de beneficiamento. O treinamento assegura que a coleta de amostras para o laboratório seja feita de forma correta, evitando que dados distorcidos cheguem ao sistema de classificação e posteriormente aos compradores”.
Bürgel ainda citou os benefícios que o treinamento trouxe para a evolução da qualidade do algodão no estado. Segundo ele, “Os dados das safras recentes (como a 2024/2025) demostram que o rigor do PQAB, aliado à tecnologia de campo, elevou os índices de qualidade do algodão do MS. O nível de conformidade com padrões de exportação supera 95% em praticamente todas as características (exceto SFI, 70%). Também podemos notar a evolução no nível de conformidade das amostras recebidas pelo laboratório. Na última safra, do universo de 623 mil amostras submetidas ao PQAB, apenas 1 mala (50 amostras) não foi certificada por não cumprir requisitos da IN24”.
Para Bürgel, “O PQAB contribuiu para transformar o processo de beneficiamento em um processo industrial auditável. Permitindo entregar aos compradores uma fibra de alta performance e competitiva globalmente”.
Papel do inspetor e a IN 24
Os treinamentos são gratuitos e fazem parte da estratégia da Abrapa para incentivar as UBAs a aderirem ao PQAB, programa que certifica a qualidade do algodão brasileiro com base em critérios de rastreabilidade, conformidade técnica e alinhamento aos padrões da IN24.
Mais do que uma etapa operacional, a formação de inspetores é um pré-requisito para que as UBAs ingressem no programa. Cada unidade precisa contar com ao menos um profissional capacitado e aprovado, com registro junto ao Ministério da Agricultura, responsável por assegurar que as práticas adotadas estejam em conformidade com as exigências do sistema.
“O inspetor é peça central nesse processo. É ele quem garante que as amostras atendam aos requisitos técnicos e que as informações inseridas no sistema sejam confiáveis e rastreáveis”, afirma a diretora de Relações Institucionais da Abrapa, Silmara Ferraresi.
Na prática, o papel do inspetor envolve atividades essenciais para a qualidade do algodão, como a verificação do peso e das dimensões das amostras, conforme estabelecido pela regulamentação vigente, o acompanhamento da integridade das malas e o controle da rastreabilidade das informações enviadas aos laboratórios. Ao responder tecnicamente por esses dados, o profissional passa a ser um elo fundamental entre a operação da UBA e a confiabilidade dos resultados de análise.
Nesse cenário, o PQAB se diferencia por estruturar e certificar essas práticas, agregando valor ao produto final.
Certificação do MAPA dá mais credibilidade
As unidades participantes passam a ter acesso à emissão de certificados oficiais de qualidade, validados pelo Ministério da Agricultura, para cada fardo produzido.
De acordo com o chefe do Serviço de Certificação do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do MAPA, Cid Oliveira, que apresentou uma palestra sobre a participação do Ministério no processo de certificação, “O MAPA participou do treinamento para explicar os requisitos legais do processo de autocontrole, desde o registro da UBA até os requisitos obrigatórios para a certificação do fardo. O papel do Ministério é o de chancelar os resultados das análises e dar mais credibilidade e confiança aos resultados”.
Para Alessandra Zanotto, a validação do Ministério da Agricultura fortalece a reputação do algodão brasileiro como uma origem de produção confiável. “Quando a Bahia, segundo maior produtor de algodão do Brasil, se compromete com a qualidade da análise, ajuda a fortalecer a imagem do algodão brasileiro e do Brasil como origem, o que é a razão de ser do Programa de Qualidade do Algodão Brasileiro (PQAB). Laudos confiáveis criam um ambiente harmônico no mercado, evitando contestações e necessidade de arbitragens”, afirma a presidente da Abapa.
Segundo Silmara Ferraresi, “O grande diferencial está na credibilidade. É o reconhecimento de que aquele algodão foi produzido e analisado dentro de padrões internacionais”, destacou.
Oportunidades de mercado
De acordo com o consultor de qualidade da Abrapa, Edson Mizoguchi, os treinamentos dão a base técnica para os profissionais e garantem a reposição de inspetores nas UBAs dessas regiões. “Ao investir nestas formações, a Abrapa fortalece a base técnica necessária para a expansão do PQAB e contribui para elevar o padrão de qualidade do algodão brasileiro. Sem os inspetores de UBA devidamente qualificados os produtores não conseguem certificar o seu algodão. Para ser aprovado tem que tirar uma nota mínima de 6.”
Para as UBAs e produtores participarem do programa é uma oportunidade de agregar valor, ampliar a confiança do mercado e consolidar a reputação do Brasil como referência global em qualidade e rastreabilidade.
Sobre o PQAB
O Programa de Qualidade do Algodão Brasileiro (PQAB), coordenado pela Abrapa, é a primeira iniciativa de autocontrole da cadeia agropecuária no país. Ele define padrões para garantir qualidade, rastreabilidade e confiabilidade do algodão, integrando critérios técnicos e referências internacionais ao processo de amostragem e análise. De adesão voluntária, o programa permite a emissão de certificados oficiais por fardo, validados pelo MAPA, reforçando a credibilidade do algodão brasileiro no mercado.
